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Fiquem ligados nas ondas da Rádio Agreste FM - 107.5 - NOVA CRUZ, RIO GRANDE DO NORTE, todos os sábados: Programa "30 MINUTOS COM CULTU...

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

O Dia da Secretária é comemorado anualmente em 30 de setembro no Brasil.

A data foi criada para homenagear as profissionais da área, realçando a importância do seu trabalho para o bom funcionamento das empresas.
As secretárias são responsáveis por ajudar na organização, logística e atendimento ao público e clientes da empresa, organização ou instituição para a qual trabalha.
Dia da Secretária
Existem cursos específicos de secretariado para capacitar os profissionais que desejam seguir esta área.
Mesmo sendo as mulheres as principais homenageadas no Dia da Secretária, vale lembrar que os homens também ocupam este cargo e devem ser homenageados também.
Mensagens para o Dia da Secretária
“Sabemos que você é uma pessoa autêntica, com muito trabalho, mas ouça um momento: você já parou para analisar o seu papel nesse local? Sem você nada caminha, o seu chefe fica sem ponto de partida, as viagens não ocorrem conforme o previsto, os clientes se atropelam, e ninguém se entende. Você é a peça que não pode faltar nesse quebra-cabeça. Nada pode ser feito sem você. Parabéns pelo seu dia!”
“Secretária é uma pessoa que sabe guardar segredos e o segredo do nosso sucesso tem sido contar com a sua felicidade e eficiência! Parabéns!”
“Seu trabalho é importante… Porém, muito mais é a confiança adquirida, virtude rara, só presente em pessoas voltadas para o verdadeiro sucesso”.
Origem do Dia da Secretária
No dia 30 de setembro de 1850 nasceu Lilian Sholes, filha do inventor da máquina de escrever, Christopher Sholes, e que viria a se tornar a primeira mulher a usar o “aparelho revolucionário” em público, tornando-se um símbolo durante a segunda fase da Revolução Industrial.
Quando Lilian completou 100 anos (1950), muitas empresas, para comemorar o centenário da filha do inventor da máquina de datilografar, decidiram criar um concurso para eleger a melhor datilógrafa.
O concurso fez muito sucesso e começou a ser repetido todos os anos. E como a maioria das participantes eram secretárias, o dia 30 de setembro passou a ser popularmente conhecido como o “Dia da Secretária”.
Portal BRASIL CULTURA

sábado, 28 de setembro de 2019

Medida Governo do Estado faz lançamento do Plano RN + Competitivo

Conjunto de ações visa atrair mais investimentos e gerar mais empregos ao Rio Grande do Norte.
O Governo do Estado lançou o Plano RN + Competitivo + Produtivo + Inclusivo, um conjunto de ações e medidas que visam atrair mais investimentos e gerar mais empregos ao Rio Grande do Norte. A solenidade de lançamento foi realizada nesta sexta-feira, 26, no auditório da Governadoria, com a assinatura de quatro decretos em prol do desenvolvimento econômico do RN.
“Este momento simboliza um novo tempo para o desenvolvimento do nosso Estado, que merece voltar a crescer e ter superávit. Desde o início do Governo mantemos diálogo constante com os diversos setores, por entendermos que não é o Governo quem gera empregos, mas o empresariado. O RN + Competitivo é mais que um programa: ele é um pacto que depende da ação de todos nós, diversos atores, e que, juntos, devemos construir um RN mais forte, com norte, com rumo e que saiba onde quer chegar”, destacou a governadora Fátima Bezerra. Ela frisou ainda que essa é a resposta à crise financeira que o Estado atravessa.
O plano é composto, inicialmente, por 13 iniciativas que propõem estimular a retomada do crescimento econômico do RN por meio da atração de investimentos, qualificação profissional e geração de empregos, com algumas das medidas em andamento. É Coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec) em cooperação com outras secretarias como a da Educação, da Segurança, do Trabalho e Assistência Social, da Tributação, da Agricultura, do Turismo e de Gestão de Projetos – e em articulação com as federações representantes do setor produtivo.
No lançamento do programa, a chefe do Executivo estadual assinou quatro decretos: um que institui o Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial do RN (Proedi), em substituição ao atual PROADI. Diferente da norma antiga, o novo dará incentivos graduais aos setores estratégicos mediante contrapartidas como garantia de abertura de vagas de trabalho e interiorização de atividades, e outros três que alteram incentivos fiscais para estimular setores como a carcinicultura.
O secretário Jaime Calado lembrou que o sucesso das empresas está atrelado ao do RN. “Em um Estado pequeno como o nosso, nós só vamos conseguir levantá-lo, à altura que ele merece, se estivermos todos juntos. Todos nós sabemos que não podemos cansar as esperanças do nosso povo, dos empresários e, principalmente, da juventude. A vitória das empresas é a vitória do Rio Grande do Norte. Cabe a nós provar para todos que o RN tem passado, presente e futuro.”
“Temos algumas divergências, mas este caminho os empresários estão buscando construir junto com o governo: um RN diferente”, acrescentou o presidente das Federações das Indústrias do RN (Fiern), Amaro Sales.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Fátima anuncia edital e linha de crédito voltados à classe artística

ASSECOM/RN
A democratização do acesso aos recursos públicos para expressões artísticas e a comunicação comunitária foi a tônica do evento realizado na noite desta quinta-feira (26) no Teatro Lauro Monte Filho, em Mossoró.  O Governo do RN, por meio da Fundação José Augusto (FJA) anunciou o edital Cidadania Cultural, que disponibilizará R$ 1 milhão para projetos na área cultural, e a Agência de Fomento do RN (AGN) abriu a linha de crédito Pró-cultura, que concederá empréstimos de até R$ 10 mil para profissionais da área artística. 

Na mesma solenidade, foi anunciada a criação do Grupo de Trabalho (GT) para elaboração do Plano Estadual de Promoção da Igualdade Racial, a ser conduzido pela Secretaria de Estado das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (SEMJIDH). O GT é composto por 14 representantes do governo e outros 14 indicados pela sociedade civil. Neste caso específico, o grupo é composto por  representantes de comunidades remanescentes indígenas, quilombolas, ciganos e povos de terreiro. 

Na abertura do evento, o poeta popular Antônio Francisco fez um breve recital, seguido das apresentações do grupo MPB 3 e do músico Genildo Costa, secretário de cultura de Grossos. Uma das grandes novidades da noite foi a inclusão do circo e das rádios comunitárias no edital de cultura. Na ocasião, estava presente o presidente da Abraço (Associação das Rádios Comunitárias), Thomas Sena, que fez a transmissão ao vivo para uma rede de rádios comunitárias do Rio Grande do Norte. 

"Vamos celebrar que temos um governo no qual a democracia fala mais alto. Temos um governo no qual  o povo fala mais alto. O que mais me anima e renova a minha esperança é a marca que estamos construindo. O diálogo. Da mesma forma que dialogamos com os trabalhadores, dialogamos com a classe empresarial, dialogamos com as pessoas de todas as raças e credos", resumiu Fátima. 

Chamada por muitos como a governadora da inclusão, Fátima fez questão de destacar que esse momento é muito importante porque vai de encontro à política nacional,  no qual as portas para educação, cultura e diversidade estão se fechando. "Precisamos avançar o legado que conseguimos construir", pontuou. 

O presidente da Fundação José Augusto, Crispiniano Neto, explicou que o teatro, a música, o circo, as artes visuais, o audiovisual e as rádios comunitárias estão sendo contemplados neste edital, mas outras expressões artísticas serão contempladas no próximo. "Nossa governadora sempre foi uma pessoa ligada à cultura, desde quando foi deputada estadual e criou a Lei Câmara Cascudo", relembrou.

Para a diretora presidente da AGN, Márcia Maia, abraçar a cultura não significa apenas gostar ou simplesmente aplaudir, mas também apostar e investir na cultura.  "Apoiar aqueles que vivem da cultura. Ampliar os investimentos para que os que sobrevivem da cultura possam se fortalecer", afirmou. Ela lembrou que o Pró-cultura oferece bônus para a adimplência, além de descentralizar o atendimento através de escritórios do empreendedor e postos nas centrais do cidadão.  

Como representante das minorias, a secretária Arméli Brennand (SEMJIDH) agradeceu o empenho da governadora em efetivar o Plano Estadual de Promoção da Igualdade Racial e por dar visibilidade aos grupos ali representados. "A senhora dizia que só acreditava num governo que fosse voltado para o povo. Eu trabalhei por longos 33 anos no RN. Atuei bastante aqui na região Oeste. Fui promotora de justiça por longos anos. Eu não ouso dizer que precisamos resgatar a cidadania, porque só se resgata algo que se perdeu. Mas o brasileiro nunca verdadeiramente teve cidadania. Para tanto, é preciso que se construam políticas de acordo com as necessidades do povo", definiu. 

Por fim, ela também agradeceu a presença dos representantes dos povos negros, indígenas, ciganos e de terreiros. "Todos que representam a diversidade, as pessoas que verdadeiramente construíram esse pais. Aproveito para destacar aqui também o resgate do Conselho Estadual de Políticas Públicas para Juventude". A deputada estadual Isolda Dantas encerrou os discursos da noite, dedicada à cultura e à inclusão racial, e falou do sonho de ver a classe artística de Mossoró atuar, de fato, com liberdade de expressão. "Esse tipo de edital é realmente uma forma democrática e agregadora de acesso aos recursos públicos. É permitir que a arte chegue para todas as camadas da população. Eu não poderia deixar de destacar também o fato de a Fundação José Augusto ter lembrado do circo", declarou. 

Além dos já citados, foram convidados a compor a mesa o subsecretário da Juventude, Gabriel Medeiros; os vereadores Alex do Frango e Genilson Alves; a coordenadora da promoção da igualdade racial, Giselma Omilê; a secretária adjunta da Educação, Márcia Gurgel; os secretários de Estado Alexandre Lima (Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar) e Iris Oliveira (Trabalho, Habitação e Ação Social) e a presidente da Aduern, Patrícia Barra. Também estavam presentes no evento a secretária adjunta da Casa Civil, Samanda Alves e o subsecretário da Educação, Marcos Lael, e o Padre Manoel Guimarães.

Fonte: gov.rn.br

CASA DE CULTURA DE TIMBAÚBA DOS BATISTAS DÁ A VOLTA POR CIMA FECHA COM CHAVE DE OURO A MAIS BELA VOZ (TALENTOS), EDMÁRIO LUCAS É O NOME DA ESTRELA DA NOITE!!!

 A Casa de Cultura de Timbaúba dos Batistas "DÁ A VOLTA POR CIMA E SACUDIU A POEIRA"
Na noite de ontem (25) foi realizado na Casa de Cultura Popular de Timbaúba dos Batistas o projeto Talentos das Cidades nas Casas de Culturas, projeto do cantor e compositor Potiguar  Fernando Luiz. 

A Mais Bela Voz Cultural Timbaubense contou com a participação daquela Comunidade, onde a voz classificada no e do município foi de Edmárcio Lucas que defenderá Timbaúba na grande final que acontecerá no Teatro de Cultura Popular em Natal no próximo dia 20 de novembro de 2019. 

O aludido evento celebrou também os 50 anos de atividades musicais do cantor Potiguar Fernando Luiz com Comendas e Homenagens. Segundo Arysson Soares, Diretor e Agente daquela Casa de Memória Timbaubense “A noite foi de muita festa e realizações artísticas no seio cultural na terra de Elino Julião e dos Bordados”.  

O Governo do Estado por meio da Fundação José Augusto - FJA, através das Casas de Culturas Popular vem proporcionando cidadania cultural para o povo do Rio Grande do Norte.

Fonte: Casa de Cultura de Timbaúba dos Batistas. (Arysson Soares, Agente de Cultura).

"Abraçar a cultura de forma espontânea e com a união de todos, a cidade só tem a ganhar. Sabemos das dificuldades e dos obstáculos, mas nunca devemos baixar a cabeça. A união faz a força e a diferença!

Agora também é preciso lutar por mais condições para que as próximas realizações seja mais estruturadas com o envolvimento da sociedade como um todo, além dos poderes    institucional e os artistas. Só assim alcançaremos o resgate da nossa cultura potiguar. Avante! E parabéns a todos os que de forma direta ou indireta contribuíram para o sucesso do evento, lembrando que precisamos achar caminhos para emplacar nossos artistas ao cenário nacional e ai eles buscarem vos mais altos. Este é também o nosso objetivo. Abraço a todos/as." - Eduardo Vasconcelos, agente de cultura de NOVA CRUZ e atual presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Núcleo de Arte do IFRN lança consulta pública de editais de ocupação e oficinas

O Núcleo de Arte (Nuarte) do Campus Natal - Cidade Alta abre para consulta pública o edital para a ocupação artística e cultural das salas de arte do Campus e o edital para o oferecimento de oficinas de arte e cultura no Campus, ambos para 2020.
 
A consulta pública ficará aberta até o dia 10 de outubro de 2019 e as sugestões, alterações ou acréscimos devem ser enviadas via formulário.
 
"O objetivo dessa consulta pública é ampliar o diálogo com o setor cultural e a comunidade externa, possibilitando a participação dos interessados em contribuir com uma ação institucional", ressalta a Coordenadora do Núcleo, professora Nara Pessoa.

Potiguar Notícias com o IFRN - Campus Cidade Alta

BACURAU NOS DEU UMA MÁ NOTÍCIA


O filme nos fez gemer de prazer a cada gota de sangue de gringo derramada.
ARTIGO
Rodrigo Perez Oliveira, professor de Teoria da História na Universidade Federal da Bahia
Bacurau, filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, lançado no circuito brasileiro neste ano de 2019.
Nas últimas semanas, a bolha da oposição civilizada e intelectualizada ao bolsonarismo não falou em outra coisa. Bacurau pra cá e Bacurau pra lá. O barulho se justifica. O filme é uma obra prima, imperdível, provocador.
Uma breve síntese do enredo. Se você ainda não assistiu Bacurau, pode continuar lendo mesmo assim. Deixe se levar por essa histeria anti-spoiler não. Você consegue ser maior que isso.
Tudo se passa em uma cidade fictícia localizada no oeste de Pernambuco. Arranjados com o prefeito da região e com apoio logístico de brasileiros do sul, um grupo de gringos resolve ir caçar gente no sertão do nordeste brasileiro. É o tesão estadunidense pela arma, pelo tiro, pela caça esportiva. Só que ao invés de irem caçar elefante na África, os gringos vieram ao Brasil matar pessoas.
Acontece que a comunidade, que já contava com um sistema de autoproteção relativamente organizado (milícias), consegue se defender. Os gringos são mortos, têm suas cabeças cortadas e expostas em praça pública, sob os cliques dos smartphones e tablets dos moradores locais.
Vi na blogsfera das redes sociais pelo menos três reações diferentes ao filme:
1°) Alguns receberam Bacurau com animação e entusiasmo, acreditando se tratar de um convite à resistência armada “dos de baixo”. Essa interpretação foi inspirada pela velha fetichização do povo que certa esquerda ainda insiste em endossar, fazendo dos pobres uma espécie de bom selvagem rousseauniano. Pobres armados seriam capazes de construir o reino da justiça, de realizar a utopia na terra. Como se pobres fossem sempre virtuosos e jamais violentassem outros pobres, como se os “pobres” constituíssem grupo coeso e irmanado pela comunhão da experiência de pobreza. É de um marxismo de anteontem.
2°) Outros criticaram o filme exatamente pelos mesmos motivos que arrancaram aplausos do primeiro grupo. Bacurau seria um elogio à violência popular, o que poderia incitar comportamentos violentos na sociedade civil. É uma leitura inadequadamente literal que não foi capaz de captar o implícito tão valorizado nas obras do Kleber Mendonça Filho. Lembro que isso aconteceu também com Aquarius, lido erradamente como uma crítica à gentrificação das grandes capitais brasileiras. Aquarius ironiza as prioridades da classe média.
3°) Também houve aqueles que se incomodaram com aquilo que acreditaram ser a caricaturização do nordeste e do seu povo, como se Bacuarau evocasse a simbologia do Arraial de Canudos. Não acho que essa seja uma questão central para o filme. De fato, o que estava em tela era uma comunidade do nordeste, mas poderia ser uma favela do Rio de Janeiro ou uma tribo indígena da Amazônia e o argumento não seria prejudicado. O único momento do filme que o enredo joga com as dicotomias nordeste X sudeste/ sertão X litoral é quando os gringos debocham do casal de cariocas que reivindicam o estatuto de uma brasilidade superior pelo simples fato de que nasceram numa região “mais rica” do Brasil. Os gringos dizem “vocês não são brancos” e depois, simplesmente, matam o casal carioca, do mesmo jeito como estavam matando os moradores de Bacurau. Ou seja, para os gringos, somos todos mestiços, estamos todos na vala comum. É um momento interessante na economia interna da narrativa, mas curto, ligeiro e de importância secundária.
Penso mesmo que a discussão fundamental levantada pelo filme é outra.
Bacurau é a distopia neoliberal brasileira, é a caricatura do Estado Mínimo manifestado nos trópicos.
Uma comunidade completamente abandonada pelo poder público que aprendeu a resolver seus problemas com suas próprias estratégias, o que vai desde a organização de milícias até a autonomia para decidir comer alimento estragado ou usar medicamento tarja preta sem prescrição médica. É a ideia de liberdade liberal levada ao nível do grotesco.
Bacurau é palco para uma guerra travada entre particulares. A violência é potência afrodisíaca. Em algum momento das quase duas horas de filme, todos gozaram. Os gringos gozaram quando matavam brasileiros reduzidos à condição de animais. Os moradores da Bacurau gozaram quando mataram os gringos.
O público gozava quando um gringo tombava, tendo sua cabeça estourada e seu corpo esfaqueado.
Assisti Bacurau numa sala localizada dentro de um dos Campus da universidade onde trabalho. Em tese, o público é formado por pessoas progressistas, de esquerda e que não votaram em Jair Bolsonaro nas eleições do ano passado.
Bacurau nos fez gemer de prazer a cada gota de sangue de gringo derramada.
Se alguém tentasse chamar o público à racionalidade (ninguém tentou), perigava ouvir: “Tá com pena do gringo? Leva pra casa!”.
Bacurau usou o registro ficcional para produzir verossimilhança a partir do absurdo. Ao fazê-lo nos deu uma péssima notícia: temos a violência como gramática comum e todos nós, bem lá no fundo, somos um pouquinho Bolsonaro.
Jornalistas Livres

É mais difícil escrever contos ou romance?

Vale a pena discutir se é mais difícil escrever um romance ou um conto? Segundo Octavio Paz, sem épica não há sociedade possível, pois não existe sociedade sem heróis em que se reconhecer. Jacob Burckhardt foi um dos primeiros a advertir que a épica da sociedade moderna é o romance. Mas como chamar de épico um gênero ambíguo, que mal se define entre a crônica, o ensaio filosófico, a confissão autobiográfica, em que tudo cabe e é possível?
O romance e o conto teriam sua origem nos mesmos relatos míticos. Mas a modernidade mudou a feição do herói, introduziu a consciência, o homem virou o senhor de seus atos e vontades, não é mais o joguete do destino, sua posição diante do cosmo e diante de si mesmo tornou-se radicalmente distinta da que assumiu no passado. Os antigos conferiam realidade aos seus heróis. O mito explicava a ordem do mundo.
A Odisséia de Homero guardaria os prenúncios do romance moderno, uma forma narrativa que busca fugir ao ritmo imposto pela poesia e ao herói modelo, que acabamos de referir. O conto se origina nos relatos da tradição oral, nas histórias de deuses, heróis civilizadores, animais totêmicos. Guardados na memória e repetidos ao longo dos anos, esses relatos tinham a função de registrar os feitos das tribos, de educar através de exemplos, ou simplesmente divertir. As narrativas orais ganharam registros escritos, mas os compiladores, na maioria das vezes, permaneceram no anonimato. Nesse primórdio, o tecido que separava a narrativa de tradição oral, da escrita, era bem tênue. Permaneceu assim, até que a modernidade cobrou a assinatura de um autor.
No Decamerão de Boccaccio as múltiplas vozes dos narradores fazem pensar em vários autores. Porém, as cem narrativas estão assinadas. Não se trata de uma criação coletiva como os relatos colhidos e recontados pelos Irmãos Grimm, ou por Ítalo Calvino, ou por Jean Claude Carrière. Boccaccio imagina um grupo de sete moças que, tentando afastar-se dos perigos da peste que grassava em Florença, se encontram com três rapazes, “não por prévia combinação, mas por acaso, em uma das dependências da Igreja de Santa Maria Novella.” Ali, decidem seguir em busca de ar livre, para uma propriedade agrícola perto de Florença. E durante dez dias contam histórias de amor. É o mesmo modelo adotado em “As mil e uma noites”, sendo que nestas, além de um número mais infinito de noites, existe uma narradora única, Sherazade, que no transcorrer das histórias transfere a voz narrativa para outros. Sherazade seria um Boccaccio que ao invés de escrever, narra.
O conto se manteve próximo da tradição oral, e a substituiu nas sociedades em que a figura do narrador deixou de existir. Não há personagem, dentro das sociedades, a que possa ser comparado o romancista. Porque embora tenha existido o hábito da leitura de romances em voz alta, o romance nunca buscou forma correspondente na oralidade.
Mesmo considerando que a separação entre conto e romance é arbitrária, Ernesto Sabato insiste em diferenças arquetípicas, mas não diz quais são elas. Refere que “Guerra e Paz” é um romance e “Bartleby” um conto, sem estender-se nos motivos dessa classificação. A diferença estaria apenas no número de páginas? Sabato reconhece que “o romance é tão extenso comparado com o conto que, o que deve haver entre o começo e o fim dessa ilha difusa que se entrevê no início é difícil de prognosticar.” Borges, ao referir sua experiência, diz que vislumbra o princípio e o fim da história em cada conto que escreve, mas que não sabe a que país ou época pertencem, o que revela-se apenas quando pensa no tema, ou quando vai escrevendo.
No conto, trabalhando com um tempo narrativo mais limitado, segundo Ricardo Piglia “há um jogo entre a vacilação do começo e a certeza do fim”, sem sobras para digressões extensas como no romance. Segundo Kafka, “No primeiro momento, o começo de todo conto é ridículo. Parece impossível que esse novo corpo, inutilmente sensível, como que mutilado e sem forma, possa manter-se vivo. Cada vez que se começa, esquece-se de que o conto, se sua existência é justificada, já traz em si a forma perfeita, e que só cabe esperar vislumbrar nesse começo indeciso o seu visível, mas, talvez, inevitável final.”
Millôr Fernandes resumiria a questão numa tirada de humor: o conto é um romance sem o miolo. O conto é um relato que encerra um relato secreto, afirma Piglia. É este o seu miolo. Nele, precisamos contar uma história, contando outra. Não como fez Sherazade, que interrompe um fio narrativo para introduzir outro. É necessário que as duas histórias caminhem em paralelo, contem-se ao mesmo tempo. Ler um conto é investigar essa história secreta, que foge à aparência.
Piglia escreve que os contistas mais modernos abandonaram a estrutura fechada da narrativa e o final surpreendente; trabalham a tensão entre as duas histórias sem nunca resolvê-la. E que o conto clássico à Poe contava uma história anunciando que havia outra; e o conto moderno conta duas histórias como se fossem uma só. Os experimentos com o conto deixaram de lado a intenção de contar uma história, ou duas histórias, uma visível e outra secreta. Não existe a vontade de que o conto escrito retorne à forma oral, podendo ser lido em voz alta. Os novos narradores talvez não se interessem em contar histórias. Ou talvez se interessem em narrar uma história tão secreta, que muitas vezes nos perdemos nos seus sinais, sem nunca decifrá-la.
 *Ronaldo Correia de Brito é médico e escritor.

A história do livro no Brasil

Tudo começou no Rio de Janeiro, sede da Corte de D. João VI
A história do livro no Brasil tem seu começo quando, em 1808, a corte portuguesa se transfere para o Brasil.
Com D. João VI vêm, além de seu séquito, o primeiro prelo, de madeira e fabricação inglesa e a Biblioteca Real. D. João ordenou a instalação da Imprensa Régia. Contudo, essa imprensa funcionava sob a poderosa censura do imperador. A imprensa brasileira de então não era sinônimo de liberdade ou de manifestação da opinião pública. Era proibida a impressão fora das oficinas da corte e publicava-se apenas o que era autorizado: o que não ofendia o Estado, a religião, os costumes.
A partir da Imprensa Régia foi publicado o primeiro jornal brasileiro, a Gazeta do Rio de Janeiro e também o primeiro livro, Marília de Dirceu, de Tomás Antonio Gonzaga. Depois de revogada – em 1821- a proibição de imprimir, multiplicaram-se os jornais, folhetos, revistas. Surgiu a primeira revista, As variedades ou ensaios de literatura.
Os irmãos Laemmert e B. L. Garnier
O Brasil desta época vivia sob forte influência cultural da França. Nesse contexto dois nomes se destacam e têm extrema importância para a cultura livresca do país: Laemmert e Garnier. Eram duas casas editoras que importavam muitos livros franceses para uma elite rica e culta. Enquanto essa pequena parcela gozava da mais refinada cultura, o restante dos brasileiros, cerca de 84% da população, não sabia ler.
Eduard Laemmert e seu irmão Heinrich, além de fundar a Livraria Universal, logo passaram a editar livros e inauguraram a Typographia Universal. Os negócios com livros prosperavam. Almanaques, clássicos da literatura, dicionários, coleções, obras técnicas e acadêmicas; os irmãos Laemmert foram responsáveis pelas primeiras publicações da qualidade do Brasil.
Ao lado dos irmãos Laemmert, dividia o mecado de livros a livraria Garnier, de seu fundador e editor, Baptiste Louis Garnier. Garnier editou clássicos estrangeiros e foi um dos primeiros a editar os autores brasileiros. Foi responsável também pelo lançamento de romancistas brasileiros, como José Veríssimo, Olavo Bilac, Artur Azevedo, Bernardo Guimarães, Silvio Romero, João do Rio, Joaquim Nabuco.
Baptiste Louis adoeceu e seu irmão, Hippolyte, assumiu a editora. Personalidade reservada e pouco ousado, Hippolyte não arriscava seu nome em autores desconhecidos. Graça Aranha, autor de Canaã, foi o primeiro grande autor desconhecido no qual ele apostou. Foi o maior sucesso editorial do começo do século 20 (1902).
Sua política de compra definitiva de direitos autorais beneficiou a empresa, mas prejudicou autores que estavam começando sua vida editorial. Entre eles, Machado de Assis, de quem foi o primeiro e principal editor e de quem comprou, a preços ínfimos, os direitos autorais de todas suas obras.
Enquanto Laemmert editava publicações populares e manuais, em parque tipográfico situado à rua dos Inválidos, Garnier sofria uma certa discriminação por enviar para Paris as obras que fosse editar. Além de sua política de compra definitiva dos direitos, Garnier, era, também por isso, visto com um editor às avessas: não incentivava a produção local de livros.
Em 1934, Garnier e Laemmert não resistiram ao conturbado período político-econômico do país e à Grande Depressão, tendo encerrado suas atividades neste período.
Em São Paulo…
Até o fim do século 19 a atividade editorial em São Paulo girava em torno da Faculdade de Direito de São Paulo, no Largo São Francisco. Em 1860, o panorama começou a mudar quando a Garnier abriu uma filial na cidade, com um antigo funcionário na direção do estabelecimento, Anatole Louis Garraux. Além de livros a Casa Garraux passou a vender também artigos de papelaria e ficou famosa na cidade por introduzir o uso do envelope, caixas registradoras e máquinas de calcular – tudo importado.
Frequentada não só por estudantes mas por grandes cafeicultores da elite paulistana, se tornou um ponto de encontro e uma referência na vida cultural da cidade. Foi na Garraux que José Olympio deu início à sua atividade como livreiro. Depois de passar três anos como livreiro, J. Olympio, com sua influência entre os intelectuais, passou a conquistá-los e a editar suas obras. Foi um pioneiro na época, pois além de suas boas relações, pagava adiantado os direitos autorais e lançava novos autores, que se tornaram os maiores nomes da época. J. Olympio soube explorar a precariedade da então ingrata profissão de escritor que, durante décadas careceu até de legislação de direitos autorais. O profissionalismo de Olympio fez a Garraux fechar as portas.
Foi nessa época também que surgiu em São Paulo a Grande Livraria Paulista, primeiro nome da Livraria Teixeira, dos portugueses Antonio Maria e José Joaquim.
Nela trabalhou o jovem José Vieira Pontes, que criou em torno da Teixeira uma clientela culta e famosa. Até o Imperador Pedro II fez uma visita à livraria. Ficou conhecida também por ter iniciado as tardes de autógrafo e a primeira edição de A Carne, de Júlio Ribeiro. A Teixeira é, até hoje, a livraria mais antiga de São Paulo.
Fonte: Portal BRASIL CULTURA

História do Brasil

História do Brasil é dividida, consensualmente e para fins didáticos, em três períodos principais: Período Colonial, Período Imperial e Período Republicano. Entretanto, tais divisões existem apenas para organizar esquematicamente os principais conteúdos sobre a formação do Brasil, tendo como ponto de partida o ano do descobrimento, isto é, 1500. Entretanto, é sabido que, no território em que se “formou o Brasil”, havia, antes, várias tribos nativas com aspectos culturais muito particulares. Mesmo antes da formação dessas tribos, houve também povos primitivos que deixaram os vestígios de sua cultura em vários lugares do território brasileiro (Veja Pré-história brasileira) há milhares de anos.
A esse período da História do Brasil cujo tema central é o estudo dos povos nativos, isto é, dos povos indígenas, dá-se o nome de Período Pré-Cabralino. Essa nomenclatura faz referência a Pedro Álvares Cabral, cuja chegada em terras brasileiras é considerada o marco inaugural da História do Brasil. A partir de então, de 1500 em diante, sobretudo a partir da década de 1530, teve início a fase do Brasil Colônia.
O Brasil começou a ser efetivamente colonizado em razão da preocupação que Portugal passou a ter com as ameaças de invasões das terras brasileiras por outras nações, como viriam a ocorrer décadas depois. O primeiro sistema de ocupação e administração colonial foi o das Capitanias Hereditárias, que, posteriormente, foi regido pelo Governo Geral, que tinha o objetivo de organizar melhor a ocupação do território, bem como desenvolvê-lo. O período do Brasil Colonial estendeu-se até o início do século XIX, especificamente até 1808, quando a Família Real veio para o Brasil e integrou-o ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Foi nesse período em que se desenvolveram a economia e a sociedade açucareira e, depois, a economia e a sociedade mineradora. Dataram ainda do período Colonial as várias Rebeliões Nativistas e Rebeliões Separatistas, merecendo destaque especial a Inconfidência Mineira.
Em 1822, teve início a fase do Brasil Império, ou Período Imperial. Desde a vinda da Família Real (1808) para o Brasil até 1822 houve intensas transformações políticas tanto no Brasil quanto em Portugal, que acabaram por conduzir as elites brasileiras e o Príncipe D. Pedro I a declararem o Brasil um Império independente. Após a estruturação do Império, seguiu o Período Regencial, período esse marcado pelo governo dos regentes daquele que se tronou o segundo imperador brasileiro, Dom Pedro II, que, à época em que o pai deixou o poder (1831), ainda não estava em idade hábil para governar o país. O Segundo Reinado só começou de fato no ano de 1840, estendendo-se até 1889, ano da Proclamação da República. Um ano antes, ainda sob a vigência do Império, foi decretada a Abolição da Escravatura.
A partir de 15 de novembro de 1889, teve início o período do Brasil República. Esse período caracterizou-se pela montagem de uma estrutura política completamente diversa daquela do Império. A busca pela efetividade dos ideais políticos republicanos, influenciados pelo positivismo, guiou a formação da república brasileira, que se dividiu, esquematicamente, entre República Velha (1889-1930), cujas rebeliões que nela ocorreram merecem destaque; Era Vargas (1930-1945), que foi marcada pelo longo governo do político gaúcho Getúlio Dornelles Vargas; fase da República Populista (1945-1964), que se situou no período inicial da Guerra Fria e caracterizou-se pela estrutura política baseada no fenômeno do populismo; e, por fim, a fase dos Governo Militares (1964-1985), marcada pelo Golpe Militar de 31 de março de 1964 e, depois, pelo Ato Institucional nº5, de 13 de dezembro de 1968, que estendeu o regime militar (com cassação de direitos políticos e liberdades individuais) até o ano de 1985.
Ainda há a fase do Brasil Atual, que é estudada de acordo com as pesquisas mais recentes que são feitas sobre a conjuntura política, sociocultural e econômica do Brasil dos últimos 30 anos.
Por Me. Cláudio Fernandes

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Diretor da Funarte ofende Fernanda Montenegro após atriz criticar Bolsonaro

A fala de Roberto Alvim foi classificada pela classe artística como um ataque à liberdade de expressão
O diretor do Centro de Artes Cênicas da Funarte, o dramaturgo Roberto Alvim foi até suas redes sociais neste domingo 22 para se  pronunciar sobre a atriz Fernanda Montenegro, que recentemente foi capa da revista literária “Quatro cinco um”. Na edição de outubro da publicação, Fernanda é retratada como uma bruxa prestes a ser queimada em uma fogueira com livros, fazendo uma referência aos recentes casos de censura feitas pelo governo.
“A foto da sórdida Fernanda Montenegro como bruxa sendo queimada em fogueira de livros, publicada hoje na capa de uma revista esquerdista, mostra muito bem a canalhice abissal destas pessoas, assim como demonstra a separação entre eles e o povo brasileiro”, diz Alvim,
O dramaturgo classifica as atitude de Fernanda Montenegro como mentirosas e diz que pessoas como ela estão deturpando os valores mais nobres de nossa civilização. “Nada pode ser mais infantil, mentiroso e canalha do que essa senhora diz na referida matéria. Fernanda Montenegro já assistiu várias peças minhas no passado, e já nutri alguma admiração por ela. Hoje, só o que sinto por essa mulher é o mais absoluto desprezo. Triste fim de carreira”, argumenta o diretor.
Alvim, que é bolsonarista e foi cotado para o cargo após enaltecer o presidente nas redes sociais, defende que a classe teatral passe por uma renovação contra a “doutrinação da esquerda”, como ele classifica. “É o único jeito de criarmos um renascimento da Arte no Teatro nacional, porque a classe teatral que aí está é radicalmente podre”, afirmou.
Roberto Alvim
Há 19 horas
um amigo meu, bem-intencionado,
me perguntou hoje se não era hora de mudar de estratégia e chamar a classe artística pra dialogar.
Após a repercussão de sua fala, o dramaturgo voltou na manhã deste segunda-feira 23 em suas redes para continuar o ataque contra Fernanda. Alvim diz que está sendo criticado por sua declaração e que nçao volta atrás do que disse. ” Então acuso Fernanda de mentirosa ,além de expor meu desprezo por ela, oriundo de sua deliberada distorção abjeta dos fatos”, afirmou.
Roberto Alvim
“Amiguinhos esquerdistas: sua velha chantagem não funciona mais”, conclui Alvim.
A fala foi criticada pela classe artística. Em comunicado, a Associação dos Produtores de Teatro (APTR) repudiou as declarações de Alvim. “É absolutamente inadmissível que uma atriz com a sua trajetória seja atacada em seu livre exercício de expressão”, diz a nota.
“Como cidadão, o Sr. Roberto Alvim pode expressar opinião, independentemente do campo social, cultural e ideológico. Já como gestor público de relevância nacional – ou seja, representando o país como um todo – o mesmo deveria atentar-se à natureza do seu cargo, pautando-se pelo respeito à classe que representa e aos profissionais consagrados por sua atuação”, afirma a APTR.
Leia a nota na íntegra
A APTR repudia veementemente as declarações do diretor de Artes Cênicas da Funarte, Sr. Roberto Alvim, em suas redes sociais, onde classifica o não diálogo com a classe artística como uma “guerra irrevogável”.
Com a mesma intensidade, repudiamos a classificação da fala de dona Fernanda Montenegro como infantil, mentirosa e canalha. É absolutamente inadmissível que uma atriz com a sua trajetória seja atacada em seu livre exercício de expressão.
Desde que o mundo é mundo, as identidades de todos os povos são construídas através de símbolos, plenos de significados, originando histórias transmitidas de geração em geração. Por este motivo, quando o objetivo é destruir algo, o alvo é sempre o sagrado, o simbólico ou aquilo de maior valor afetivo.
Como cidadão, o Sr. Roberto Alvim pode expressar opinião, independentemente do campo social, cultural e ideológico. Já como gestor público de relevância nacional – ou seja, representando o país como um todo – o mesmo deveria atentar-se à natureza do seu cargo, pautando-se pelo respeito à classe que representa e aos profissionais consagrados por sua atuação.
Cuidar da cultura como um importante setor para a economia e a formação de um país trata-se de um exercício diário, ético e respeitoso. O mesmo se aplica ao cuidado que deveria ser adotado ao se referir a uma atriz como Fernanda Montenegro, um símbolo da identidade nacional, com reconhecimento em todo o mundo.
Persistiremos  na busca pelo diálogo, pela liberdade de expressão, pelo afeto ao fazer artístico e cultural  de nosso país. Tudo isso de forma civilizada e com total respeito à diversidade.

domingo, 22 de setembro de 2019

Paulo Freire 19 de setembro - "PRESENTE!" - Eduardo Vasconcelos - CPC/RN

Paulo Freire (1921-1997) foi um educador brasileiro, criador do método inovador no ensino da alfabetização, para adultos, trabalhando com palavras geradas a partir da realidade dos alunos. Seu método foi levado para diversos países.
Paulo Freire nasceu no Recife, Pernambuco, no dia 19 de setembro de 1921. Filho de Joaquim Temístocles Freire, capitão da Polícia Militar e de Edeltrudes Neves Freire morou na cidade do Recife até 1931, quando foi morar no município vizinho de Jaboatão dos Guararapes, onde permaneceu durante dez anos.
Formação
Iniciou o curso ginasial no Colégio 14 de Julho, no centro do Recife. Com 13 anos perdeu seu pai e coube a sua mãe a responsabilidade de sustentar todos os 4 filhos. Sem condições de continuar pagando a escola, sua mãe pediu ajuda ao diretor de Colégio Oswaldo Cruz, que lhe concedeu matrícula gratuita e o transformou em auxiliar de disciplina, e posteriormente em professor de língua portuguesa.
Em 1943 ingressou na Faculdade de Direito do Recife. Em 1944 se casou com Elza Maria Costa de Oliveira, professora primária, com quem teve cinco filhos. Depois de formado continuou como professor de português no Colégio Oswaldo Cruz e de Filosofia da Educação na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco.
Em 1947, Paulo Freire foi nomeado diretor do setor de Educação e Cultura do Serviço Social da Indústria. Em 1955, junto com outros educadores fundou, no Recife, o Instituto Capibaribe, uma escola inovadora que atraiu muitos intelectuais da época, e que continua em atividades até hoje.
Método de Alfabetização Paulo Freire
Preocupado com o grande número de adultos analfabetos na área rural dos estados nordestinos, que formavam um grande número de excluídos, Paulo Freire desenvolveu um método de alfabetização baseado no vocabulário do cotidiano e da realidade dos alunos.
As palavras eram discutidas e colocadas no contexto social do indivíduo. Por exemplo: o agricultor aprendia as palavras, cana, enxada, terra, colheita, fogo etc. e os alunos eram levados a pensar nas questões sociais relacionadas ao seu trabalho. A partir das palavras base, ia se construindo novas palavras e ampliando o vocabulário.
A iniciativa do educador foi aplicada pela primeira vez, em 1962, na cidade de Angicos no sertão do Rio Grande do Norte, quando foram alfabetizados 300 trabalhadores da agricultura. O projeto ficou conhecido como “Quarenta horas de Angicos”. Os fazendeiros da região chamavam o processo educativo de “praga comunista”.
Exílio
Com o golpe militar de 1964, Paulo Freire foi acusado de agitador e levado para a prisão onde passou 70 dias, e em seguida se exilou no Chile. Durante cinco anos desenvolveu trabalhos em programas de educação de adultos no Instituto Chileno para a Reforma Agrária.
Em 1969, Paulo Freire lecionou na Universidade de Harvard. Durante dez anos, foi consultor especial do Departamento de Educação do Conselho Municipal das Igrejas, em Genebra, na Suíça. Viajou por vários países do Terceiro Mundo dando consultoria educacional.
Em 1980, com a anistia, Paulo Freire retornou ao Brasil, estabelecendo-se em São Paulo. Foi professor da UNICAMP e da PUC. Foi Secretário de Educação da Prefeitura de São Paulo, na gestão de Luísa Erundina. Após a morte de sua primeira esposa, casou-se com Ana Maria Araújo Freire, conhecida como Nita Freire, uma ex-aluna do Colégio Oswaldo Cruz.
Reconhecimento
Por seu trabalho na área educacional, Paulo Freire foi reconhecido mundialmente. É o brasileiro com mais títulos de Doutor Honoris Causa de diversas universidades, são 41, ao todo, entre elas, Harvard, Cambridge e Oxford.
Paulo Freire faleceu em São Paulo, no dia 2 de maio de 1997.
Obras de Paulo Freire
Educação Como Prática da Liberdade (1967)
Pedagogia do Oprimido (1968)
Cartas à Guiné-Bissau (1975)
Educação e Mudança (1981)
Prática e Educação (1985)
Por Uma Pedagogia da Pergunta (1985)
Pedagogia da Esperança (1992)
Professora Sim, Tia Não: Carta a Quem Ousa Ensinar (1993)
À Sombra Desta Mangueira (1995)
Pedagogia da Autonomia (1997)

Marieta Severo relembra fim da Embrafilme e fala de crise na Ancine: ‘Cultura sempre renasce’

Em um período de crise no cinema nacional, com cortes de orçamento, patrocínio, e crises na gestão da Ancine, Marieta Severo se diz surpresa com os rumos que a política cultural têm tomado e faz até um paralelo com o fim da Embrafilme, no governo Collor, em 1990.
“Que momento é esse muito louco que eu achei que não ia viver de novo na minha vida? O Collor, ele terminou com a Embrafilme, em um processo muito vingativo também com os artistas. Tínhamos uma produção na Embrafilme de cento e poucos filmes por ano. Eu me lembro que a gente caiu para um filme. Foi uma catástrofe. Mas não adianta. O que aconteceu: é que eu tenho essa honra suprema de “Carlota Joaquina” ter virado símbolo da retomada. Graças à Carla Camurati. A arte, a ficção, a cultura, sempre, sempre, renasce”, disse Marieta em entrevista ao “Cinejornal”, do Canal Brasil.
Cena de “Carlota Joaquina” Foto: Reprodução
A atriz fez ainda uma reflexão sobre a importância de se valorizar a cultura nacional.
“Cultura é fundamental para o ser humano, é a alma do país, é quem mostra para todo mundo quem somos. Agora vieram, de novo para cima de nós (artistas). Foram em cima da Ancine, pararam as produções. Tudo que o ser humano faz está sempre impregnado de erro. A gente erra, a gente é humano. Então existe erro na Ancine? Vamos corrigir. Existia erro na Embrafilme? Vamos corrigir. Mas essa política de sempre arrasar o que o governo anterior fez… Isso é um vício da cultura política brasileira que é catastrófico. Só que a gente retoma. A gente sempre retomará”.
Portal BRASIL CULTURA