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Fiquem ligados nas ondas da Rádio Agreste FM - 107.5 - NOVA CRUZ, RIO GRANDE DO NORTE, todos os sábados: Programa "30 MINUTOS COM CULTU...

sábado, 5 de outubro de 2019

SABIAM QUE ONTEM (4) FOI O DIA DE SÃO FRANCISCO? NÃO? ENTÃO LEIAM A MATÉRIA!

São Francisco de Assis se tornou o santo dos Italianos, e aos 24 anos renunciou toda a riqueza para se dedicar a “Senhora Pobreza”.
Partindo em missão de paz em alegria ao Cristo pobre, casto e obediente, São Francisco trabalhava no campo, pregava, visitava e consolava os doentes. Por seu amor aos pássaros e dedicação à natureza também é conhecido como o padroeiro dos animais.
Ordem Franciscana.

A Ordem Franciscana foi criada como uma Ordem de Irmãos, que assumiam a missão de viver e pregar o Evangelho. Não era uma Ordem Clerical (Ordem composta por sacerdotes), como outras que já existiam. O próprio São Francisco de Assis não quis ser sacerdote e os primeiros frades também não tinham esse objetivo.
Desde o início da ordem franciscana, houve o ingresso de alguns sacerdotes já formados, que desejavam ser membros. Algum tempo depois, sobretudo quando Santo Antonio, professor de Teologia, ingressou na Ordem, pois adimirava o exemplo de São Francisco, passou a ensinar Teologia aos frades e alguns deles passaram a se ordenar sacerdotes.
Mais tarde, devido principalmente às necessidades da Igreja, a maioria dos frades passou a se ordenar.Mas até hoje, dentro da ordem Franciscana, convivem como irmãos, em igualdade de condições, frades sacerdotes e não sacerdotes (estes chamados outrora de irmãos leigos, por não serem sacerdotes),cada um exercendo a sua função, mantendo assim vivas os ideais de São Francisco.
Esse é, sem dúvidas, um dos aspectos mais belos da Ordem criada por São Francisco.
As Clarissas Francisco, além de fundar a 1ª Ordem Franciscana (masculina), foi também o fundador da 2ª Ordem Franciscana, conhecida também por Ordem de Santa Clara, abrindo assim a vivência do ideal franciscano para o ramo feminino.

A primeira religiosa franciscana foi a jovem Clara Offreduccio, mais tarde chamada de Santa Clara de Assis, jovem de família nobre e admiradora de São Francisco desde que o conhecera como “Rei da Juventude” pelas ruas e festas de Assis.
Passou a admirar São Francisco mais ainda,quando se tornou um inflamado pregador da alegria e da paz, da pobreza e do amor de Deus, não só através de palavras, mas com o exemplo de sua própria vida.Era isso precisamente o que almejava a jovem Clara. Não estava satisfeita com os esplendores do palácio de sua família, nem com o sonho do futuro enlace principesco ao qual seus pais a estavam encaminhando. Sonhava com uma vida mais cheia de sentido, que lhe trouxesse uma verdadeira felicidade e realização.
O estilo de vida dos frades a atraía cada vez mais.Depois de muitas conversas com São Francisco, aos 18 de março de 1212, (Domingo de Ramos), saiu de casa sorrateiramente em plena noite, acompanhada apenas de sua prima Pacífica e de outra fiel amiga,e foi procurar Francisco na Igrejinha de Santa Maria dos Anjos, onde ele e seus companheiros já a aguardavam.Frente ao altar, Francisco cortou-lhe os longos e dourados cabelos, cobrindo-lhe a cabeça com um véu,sinal de que a donzela Clara fizera a sua consagração como Esposa de Cristo.
Nem a ira dos seus parentes, nem as lágrimas de seus pais conseguiram fazê-la retroceder em seu propósito. Poucos dias depois, sua irmã, Inês, veio lhe fazer companhia, imbuída do mesmo ideal. Alguns anos após, sua mãe,Ortulana, juntamente com sua terceira filha Beatriz, seguiu Clara, indo morar com ela no conventinho de São Damião, que foi a primeira moradia das seguidoras de São Francisco.Com o correr dos anos, rainhas e princesas, juntamente com humildes camponesas, ingressaram naquele convento para viver, à luz do Evangelho, a fascinante aventura das Damas Pobres, seguidoras de São Francisco, muitas das quais se tornaram grandes exemplos de santidade para toda a Igreja.

Frases de São Francisco de Assis

  • “Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível.”
  • “O que temer? Nada. A quem temer? Ninguém. Por que? Porque aqueles que se unem a Deus obtém três grandes privilégios: onipotência sem poder; embriaguez, sem vinho e vida sem morte.”
  • “Apenas um raio de sol é suficiente para afastar várias sombras.”
  • “Ninguém é suficientemente perfeito, que não possa aprender com o outro e, ninguém é totalmente destruído de valores que não possa ensinar algo ao seu irmão.”Oração de São Francisco de Assis.
Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.
Amém!

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Balneário Camboriú terá primeiro porto com terminal de passageiros exclusivo

O Brasil terá seu primeiro porto com terminal de passageiros exclusivo para cruzeiristas. Nesta quarta-feira, o Ministério da Infraestrutura assinou o contrato de adesão em Terminais de Uso Privado (UTPs) que permite a construção do porto de Balneário Camboriú pela empresa PDBS. No início de setembro, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, se reuniu com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, para articular e ressaltar a importância do investimento em um terminal exclusivo de passageiros, inédito no país.
O porto de Balneário Camboriú é o primeiro passo de um projeto que pretende construir 15 instalações voltadas para o turismo marítimo em todo o Brasil. A expectativa é de atrair mais empresas do setor de cruzeiros, mais navios para a costa brasileira, e aumentar significativamente o número de turistas e o impacto econômico do setor.
“Para que o turismo seja desenvolvido, precisamos de infraestrutura. O BNDES vai oferecer linhas de crédito para o financiamento de portos para receptivo de turistas. Serão pelo menos 15 portos, sendo o primeiro deles o de Balneário Camboriú. Exatamente para dar condições aos navios de aportarem e conseguirem fazer com que os turistas tenham acesso às cidades na costa brasileira. Isso é fundamental para girar a economia”, destacou o ministro Marcelo Álvaro Antônio.
Segundo dados da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Brasil), o país recebeu sete navios e teve 462,3 mil cruzeiristas na temporada 2018/2019, o que gerou uma movimentação de R$ 2,083 bilhões. Foram oferecidos quase 500 mil leitos no período, número 15% superior ao da temporada passada, e os navios registraram 100% de ocupação. Os turistas tiveram um tempo médio de permanência de 5,5 dias e um gasto médio de R$ 2.929. Em cada cidade de escala, o impacto econômico médio gerado pelos cruzeiristas foi de R$ 581,35.
Em termos de empregos, a temporada 2018/2019 gerou 31,9 mil postos de trabalho na economia brasileira, resultado 15,3% superior ao número alcançado em 2017/2018. Deste total, 2,1 mil foram de tripulantes dos navios e 29,8 mil de empregos diversos. Foi o melhor resultado das últimas quatro temporadas.

EXPECTATIVA DE CRESCIMENTO

Com a construção do primeiro terminal exclusivo de passageiros no porto de Balneário Camboriú, a estimativa é de que o impacto seja enorme no turismo marítimo brasileiro. De acordo com projeções, mais cinco navios seriam atraídos, colocando mais 300 mil turistas na costa brasileira, sendo 120 mil estrangeiros. Além disso, a expectativa é de criação de 1,5 mil empregos diretos e outros 10,5 mil indiretos. O impacto econômico seria de mais R$ 2 bilhões, um crescimento de 100% considerando os dados de 2018/2019.
Fonte: Portal BRASIL CULTURA

Zeca Pagodinho - Verdade - " TODOS TENHAM UM ÓTIMO FINAL DE SEMANA" - Eduardo Vasconcelos

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A quem interessa o desmonte da política cultural e da memória do país?

Santuário da Serra da Piedade – Patrimônio Paisagístico, Cultural, Ambiental, Histórico, Arquitetônico, Espeleológico e Religioso. Detalhe da Capela Nossa Senhora da Piedade. Município: Caeté, Minas Gerais. Foto: G. L. Moreira, 2019.
O povo que sabe da importância de cuidar da cultura e da memória do nosso país foi tomado por uma grande indignação no dia 25 de setembro de 2019 com a exoneração da Superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em Minas Gerais, a museóloga Dra. Célia Corsino, por meio de portaria assinada pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra. A museóloga Célia Corsino tem mais de 30 anos de carreira na proteção de patrimônio e atuava como superintendente desde 2015. Para perplexidade de todos e todas que se preocupam com a proteção ao patrimônio em Minas Gerais e no Brasil, foi nomeado para o cargo um desconhecido da área patrimonial e cultural, Jeyson Dias da Silva, ex-assessor de um vereador em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, indicado pelo deputado federal Charlles Evangelista (PSL-MG), partido do presidente Jair Bolsonaro. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) é uma autarquia federal atualmente vinculada ao Ministério da Cidadania que responde pela preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro. É importante lembrar que a autarquia era antes vinculada ao Ministério da Cultura, que foi fundido pelo (des)governo Bolsonaro no início de 2019 com os Ministérios do Esporte e do Desenvolvimento Social na estrutura “Frankenstein” do recém criado Ministério da Cidadania.
Seguindo a linha de aniquilamento da política de proteção do meio ambiente e das instituições afins, desrespeitando os processos de demarcação de terras dos povos indígenas, quilombolas e demais direitos dos povos tradicionais – protegidos pela Constituição de 1988 e também pela Convenção 169 da OIT2, da ONU3 -, incentivando conflitos e perseguição às lutas camponesas, movimentos por habitação, intolerância às comunidades LGBTqia+ e aos movimentos sociais e ambientais em geral, foi lançada agora mais uma cartada fatídica desse (des)governo: atacam a cultura e a memória de forma descarada com a clara desestruturação do IPHAN, instituição federal com 82 anos de história, criada em 1937, que responde pela preservação e proteção do patrimônio cultural brasileiro, com a substituição de seus experientes superintendentes por pessoas sem qualquer idoneidade técnica e cientifica. A Constituição Brasileira de 1988 reiterou a importância deste tema enquanto política primordial, quando, no artigo 216, definiu o patrimônio cultural de forma ainda mais detalhada, como formas de expressão, modos de criar, fazer e viver. São reconhecidas como memória nacional as criações científicas, artísticas e tecnológicas; as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; e, ainda, os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico. Ainda nos artigos 215 e 216 da Constituição de 1988 foi reconhecida a existência de bens culturais de natureza material e imaterial ou intangível, além de estabelecer as formas de preservação e acautelamento desse patrimônio, por meio do seu registro, inventário e tombamento. Por seu turno, em nível internacional, o IPHAN também é o responsável pela conservação, salvaguarda e monitoramento dos bens culturais brasileiros inscritos na Lista do Patrimônio Mundial e no Rol do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, conforme normas da UNESCO4, respeitando a Convenção do Patrimônio Mundial de 1972 e a Convenção do Patrimônio Cultural Imaterial de 2003, além de seguir as inúmeras Cartas e Recomendações Internacionais e Nacionais análogas das quais o país é signatário.
A mencionada exoneração da Superintendente do IPHAN em Minas Gerais seria assim somente a “ponta do iceberg”, já que nas últimas semanas se seguiram destituições em outros estados estratégicos como Goiás, Distrito Federal e Paraná, desrespeitando os critérios exigidos para a função de superintendência regional, tais como: idoneidade moral, reputação ilibada e perfil profissional compatível com o cargo. Certamente, tais orientações não foram aplicadas para a nomeação dos novos superintendentes e muito menos houve diálogo com a comunidade. Para além da perplexidade, houve reação de muitos segmentos da sociedade, sobretudo de profissionais da área do patrimônio cultural, comunidades tradicionais, grupos e agentes culturais, prefeitos de cidades históricas e até mesmo do Ministério Publico. Muitos outros superintendentes nos outros estados estão na corda bamba, dependendo de indicações de políticos da base governista e da correlação de força das “danças das cadeiras”- um jogo sórdido que vem se instalando nas autarquias, em geral.
Em Goiás, o Ministério Público reagiu de forma atenta e eficaz, recomendando ao ministro da Cidadania, que torne sem efeito a portaria que nomeou Allysson Cabral para o cargo de superintendente regional do IPHAN de Goiás. Tal documento foi assinado por procuradores da República em Goiás e por membros da Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico do Ministério Público Federal (MPF – 4CCR). No texto, ainda alegam que o indicado não possui perfil e formação adequados para o cargo e que a nomeação não atende ao interesse público e à legislação, configurando desvio de finalidade. Informam que quem o indicou foi o deputado federal Professor Alcides (PP-GO), que admitiu em entrevista que houve mesmo um sorteio entre os deputados federais goianos da base aliada do governo para definir quem indicaria o superintendente regional. Pelo sorteio, a indicação coube ao próprio deputado. O deputado ainda teria afirmado que o seu designado não teria formação, tampouco experiência para o cargo, mas que seria alguém de sua confiança, o que seria suficiente para motivar tal nomeação.
Minas Gerais (e aqui são lembrados os municípios de Ouro Preto, Congonhas, Diamantina, Mariana, Serro, Paracatu, Caeté, entre outros), Brasília e Goiás têm muito em comum, pois possuem sítios históricos e arquitetônicos inigualáveis, alguns deles com o título de Patrimônio da Humanidade, chancelado pela UNESCO/ONU, e possuem também conjuntos e bens isolados tombados em nível federal. O título de patrimônio da humanidade indica se tratar de ambientes de interesse global, fundamentais para a memória da humanidade, cujas políticas de gestão não devem ser restritas aos países onde os sítios se situam. Tal status pode arrebanhar muita verba e recursos em nível internacional.
Mas por que mesmo emperrar e controlar a atuação do IPHAN? O que está por trás desta rede de manipulação e desmantelamento também desta instituição? Em Minas Gerais (como na região amazônica e outros estados), há inúmeros sítios históricos arqueológicos, paisagísticos e hídricos de grande importância em localidades ambicionadas e ameaçadas por mineradoras, indústrias e pelo agronegócio. Muitos sítios de grande valor se encontram em terrenos de propriedade de mineradoras ou em áreas de decreto de lavra, cuja proteção deveria ser severamente fiscalizada e garantida pelos órgãos patrimoniais nos âmbitos federal, estadual e municipal. Vale lembrar o caso das comunidades das antigas vilas históricas Socorro e Congo Soco, município de Barão de Cocais, MG, retiradas de seus lugares de vida e de memória em função do alegado risco iminente do rompimento da Barragem Sul Superior da mineradora criminosa Vale. Estes territórios, caso a comunidade seja retirada em definitivo da sua localidade de origem, serão apropriados para domínio e expansão territorial e de exploração futura de empresas mineradoras. Outra situação que merece atenção é o caso fatídico e inaceitável da vila colonial Bento Rodrigues, pertencente ao município de Mariana, em Minas Gerais, situado no vale do Gualaxo do Norte, tributário do ex-rio Doce. Além de ter sido atingida diretamente pela lama tóxica da tragédia-crime da Samarco, BHP Billiton e Vale, oriunda do rompimento da barragem Fundão, com a conivência do Estado em 05 de novembro de 2015, ainda foi vitimada covardemente pela segunda vez, um ano depois, pelo alagamento parcial da barragem ou dique S4 que ali foi instalado – apesar dos inúmeros questionamentos feitos na ocasião pelo IPHAN de MG e pelos antigos procuradores da força-tarefa (“Lama Nunca Mais”) do Ministério Público de Minas Gerais (MPE/MG). Porém, com a tarja de “obra emergencial”, as mineradoras rés conseguiram, de forma muito questionável, a autorização para tal obra; o que pode ser comprovado se analisarmos atentamente a argumentação de memorandos e ofícios que constam no processo de referência no IPHAN de Brasília. Felizmente, parte dos atingidos de Bento Rodrigues, conscientes de seu território, de sua história e de seus direitos, têm resistido bravamente às investidas e manipulações das empresas criminosas, cujos interesses estão ocultados pela “Fundação” Renova (muitas vezes, com a cega conivência do poder público municipal, estadual e Ministério Público atual em seus diferentes âmbitos) reagindo de forma heroica a propostas e termos de ajustes que os condicionam à desapropriação de suas terras, que visam, no fundo e ao cabo, a apropriação do sítio de Bento Rodrigues por parte das mineradoras e de demais interesses econômicos e políticos escusos. A mineradora Herculano, que já foi responsável por um crime/tragédia ambiental de grandes proporções em setembro de 2014 com o rompimento de barragem de rejeito no córrego Silva, vale do rio Itabirito, MG, afluente do rio das Velhas, que ocasionou a morte de dois dos seus trabalhadores, insiste de forma perniciosa em se instalar no município de Serro, MG, em localidade que abrange reserva hídrica, além de um território histórico e sagrado de comunidade quilombola tradicional. São tantos os exemplos de desrespeitos, injustiça social e racismo ambiental que daria para tecer uma grande lista, mas ficam aqui estas revoltantes situações.
Outra questão muito emblemática em Minas Gerais e bastante preocupante se refere à proteção da magnífica Serra da Piedade situada no município de Caeté, também tombada em nível federal e em outras esferas, ameaçada severamente por interesse de mineradoras que pretendem obter a conclusão de licença para ali operar. Embora tendo o IPHAN, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA), o Instituto Estadual de Florestas (IEF) e a Secretaria de Meio Ambiente de MG (SEMAD) o dever e o compromisso histórico de cuidar e de zelar por este patrimônio, dia 22 de fevereiro de 2019, contra parecer do IBAMA, do IEPHA e do IPHAN, a maioria dos conselheiros da Câmara de Atividades Minerária do Conselho de Política do Meio Ambiente (COPAM) do Governo de Minas Gerais forneceu licença inconstitucional, injusta e imoral para reabrir mineração nesta localidade. O superintendente do IBAMA em MG, Júlio Grillo, foi exonerado no dia seguinte por ter se posicionado contra a retomada da mineração na Serra da Piedade. O licenciamento ambiental para reabrir mineração na Serra da Piedade ficou dependendo apenas da posição do IPHAN e IEPHA. Tal fato deixa claro que com um superintendente vassalo da política devastadora do meio ambiente do (des)governo federal, podemos esperar que em breve ele mudará o parecer expedido pela superintendente exonerada que tinha se posicionado contra a retomada da mineração na Serra da Piedade, posição justa, ética e necessária. A Serra da Piedade é responsável por parte significativa do abastecimento d’água de Belo Horizonte e região metropolitana (RMBH), que já perdeu o Rio Paraopeba (morto pela Vale e pelo Estado na tragédia/crime em Brumadinho em 25 de janeiro de 2019), que era responsável por 50% do abastecimento da RMBH. Está ainda inserida em unidades de conservação (Área de Proteção Ambiental (APA)), Águas da Serra da Piedade, Monumento Natural Estadual Serra da Piedade (MONAE) e nas Reservas da Biosfera da Serra do Espinhaço e da Mata Atlântica, integrando ainda por sua relevância o cadastro nacional dos Sítios Geológicos e Paleontológicos do Brasil (SIGEP).
Aproxima-se a ocasião do Sínodo da Amazônia, no qual o papa Francisco, inegável ícone da paz e da justiça socioambiental, e os bispos de nove países da Amazônia vão discutir como proteger as populações nativas e o riquíssimo conjunto ambiental e cultural da região amazônica. Espera-se que este importante debate contribua de forma eficaz e que influencie movimentos e programas internacionais que possam fortalecer para além da Amazônia a proteção de biomas e de todos os povos ameaçados em seus territórios, injustiçados, expulsos de suas terras, torturados e assassinados nos conflitos agrários e socioambientais, humilhados pelos poderosos do agronegócio e dos grandes projetos econômicos desenvolvimentistas, em especial a mineração, que tem massacrado tantas comunidades em Minas Gerais e tirado a vida e a saúde de tantas pessoas, além de matar e envenenar os rios Doce e Paraopeba.
Constata-se que o projeto de Jair Bolsonaro e de sua equipe de destruir a política cultural no país segue firme e a galope no Congresso Nacional, que prevê no projeto de Lei Orçamentária enviado para o ano que vem (2020) uma redução de aproximadamente 72% de recursos que a área recebe atualmente. Tais cortes e as restrições de qualidade técnica em seu quadro de gestores vão comprometer drasticamente a proteção de milhares de sítios históricos, bens móveis e imóveis, como também programas de pesquisa, proteção e de registro do patrimônio imaterial, de saberes e de fazeres tradicionais de vários povos e comunidades.
O que nos acalenta é que mesmo frente a todo este plano pérfido arquitetado que se revela, nada poderá destruir o soar dos corações ancestrais dos povos tradicionais, seus lugares, sítios milenares, memórias que fluem por gerações, sonhos e territórios. Histórias de resistência, força e luta que seguem. Em nome da nossa responsabilidade geracional urge crescer a luta popular para revertermos os descalabros do (des)governo de plantão no nosso país. Povos que não cuidam da sua cultura e memória estão matando seu próprio futuro. Felizes as pessoas e organizações que não medem esforços para resgatar e cuidar do seu patrimônio histórico e cultural. Maldito quem violenta a cultura e a memória de um povo!

Por Gilvander Moreira

Bolsonaro desmonta a Ancine e deixa cinema nacional à beira do colapso

Com somente um diretor, pressionada por crises e pelo TCU, a Agência Nacional do Cinema analisou só seis prestações de contas entre janeiro e agosto. O audiovisual brasileiro corre o risco de ficar paralisado. Desde a posse de Jair Bolsonaro na Presidência, o governo federal não assinou um único ato legal relativo ao cinema – não indiciou nenhum diretor para a Ancine, não nomeou o Conselho Superior de Cinema, nem publicou o decreto da cota de tela.
Por Ana Paula Souza*
Nesta quarta-feira (2), a Agência Nacional do Cinema, a Ancine, amanheceu com mais uma cadeira vazia em sua diretoria colegiada. É a terceira desde o início ano. Das quatro vagas previstas, só uma permanece ocupada. Nela, está Alex Braga, diretor desde 2017.
Formado em direito, Braga se tornou membro da Advocacia-Geral da União em 2002 e, no ano seguinte, foi designado para a procuradoria da Ancine. Entre 2009 e 2017, como procurador-chefe, respondeu pelos atos jurídicos da agência. Agora, responde por todos os atos.
Para evitar a paralisação do órgão que cuida do mercado audiovisual brasileiro, Braga e a última diretora a sair, Débora Ivanov, assinaram, na segunda-feira (30), uma portaria que permite que o diretor que ali restou possa aprovar projetos e liberar recursos. A solução, ao mesmo tempo em que salva o cinema do apagão, simboliza a situação-limite em que a Ancine se encontra.
A agência funciona, por lei, a partir de decisões coletivas de quatro diretores que passam por um longo rito antes de assumir o cargo. Entre fevereiro e agosto, a diretoria colegiada atuou com três membros. No fim de agosto, o diretor-presidente Christian de Castro, após ter se tornado réu num processo judicial, foi afastado do cargo. Sobraram dois. Ontem, encerrou-se o mandato de Débora Ivanov, também produtora cinematográfica. Restou um.
Todas as decisões tomadas por Braga e Ivanov no último mês foram decisões “ad referendum”, o que significa que terão de ser revistas quando a diretoria estiver recomposta. Entra elas, estão a criação de uma força-tarefa para o trabalho de prestação de contas e a junção de diferentes instruções normativas com o objetivo de simplificar processos. Conseguiram evitar a inação, mas não o colapso.
A palavra colapso apareceu, pela primeira vez, num relatório feito pelo Tribunal de Contas da União, o TCU, que exigia providências em relação a um enorme passivo na prestação de contas. Um ano e meio se passou e o passivo, por uma conjunção desastrosa de fatores, só aumentou. Entre janeiro e agosto deste ano, só seis prestações de contas foram concluídas. Seis. Outras tantas foram analisadas, mas estão paradas à espera da solução do impasse com o TCU.
Existem hoje em trâmite na agência, em diferentes etapas de análise e demanda, 4 mil projetos de séries e filmes. Para tentar fazer com que pelo menos uma pequeníssima parte disso deixe o limbo administrativo rumo às filmagens, Braga e Ivanov prometeram centrar esforços sobre 400 projetos que têm 80% do orçamento completo.
A medida, que dá fôlego a alguns, pode, no entanto, deixar os outros sem ar. É comum que um projeto comece a ser filmado com 50% do orçamento. Porque a outra metade pode ser conseguida, justamente, depois do filme rodado, seja com distribuidores interessados em entrar no projeto, seja por meio de recursos destinados à finalização. Detalhe: o produtor tem 24 meses para completar o seu orçamento depois da primeira parte do dinheiro liberado.
Os casos individuais escondidos sob essa pilha de projetos são a face humana – melhor seria dizer desumana – de uma crise institucional que, para quem não é do setor, pode soar incompreensível e distante. Ela inclui desde o produtor que espera a publicação, no Diário Oficial, de uma revisão de orçamento para que seja incluída a trilha sonora no filme pronto até aquele que cancelou as filmagens, depois da equipe montada, à espera da liberação de recursos prometidos desde 2018.
Ao se despedir dos servidores, na semana passada, a diretora Débora Ivanov, disse: “Nesses [meus] quatro anos de mandato, nós vivemos sob três presidentes da República, sete ministros [ou secretários] da Cultura, sete secretários do Audiovisual e sete diferentes diretores da Ancine, sendo que em dois períodos havia só dois diretores podendo agir ‘ad referendum’”.
Agora, a agência vive sob um único diretor. E sob um governo que, desde que assumiu, não assinou um único ato legal relativo ao cinema brasileiro. Leia-se —não indiciou nenhum diretor para a Ancine, não nomeou o Conselho Superior de Cinema, não indicou os membros do comitê que deve gerir os recursos públicos e não publicou o decreto da cota de tela.
O não agir vai, assim, se tornando uma forma de agir.
* Ana Paula Sousa, jornalista, é doutora em Sociologia

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

A EDUCAÇÃO EM DEBATE - #NaPraçaNaRuaNaLuta! - COM A DEPUTADA FEDERAL, NATÁLIA BONAVIDES

EM NOVA CRUZ-RN SINTE RN ÁS 19 HORAS
EM LAGOA DANTA ÁS 15 HORAS NA PRAÇA!
Debate Com a Companheira Natália Bonavides, Deputada Federal, e o Povo de Lagoa D'anta/RN.
Vamos debater a atual conjuntura da educação e a importância de instituirmos o FUNDEB PERMANENTE.
Vamos Chamar Gente e seguir fazendo a luta em defesa da educação pública.

E a noite na sede Regional do SINTE - Nova Cruz/RN! Participe e fique bem informado para a LUTA!
"Presença do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN" - Eduardo Vasconcelos, presidente

Esta é a família mais antiga do Rio Grande do Norte - Por Henrique Araújo

Família Albuquerque Maranhão. Foto: arquivo pessoal da família (via site Potiguarte).

Uma vez o filho de um nobre português e uma princesa índia pernambucana se conheceram, se casaram e tiveram um filho que criou um Estado brasileiro. Bonito, né? Pois foi assim que começou a história da família mais antiga do Rio Grande do Norte, e uma das primeiras do Brasil.

Mas o que esse casal tem a ver com o RN, se nem do estado eram?

Bom, vou explicar…

A história [e olha só que história!] dos “Albuquerques” no Brasil começa com Jerônimo de Albuquerque, filho do primeiro membro da linhagem a pisar em terras brasileiras.

Jerônimo, o pai, veio para o Brasil na condição de ser administrador colonial acompanhando seu cunhado Duarte Coelho, 1º donatário da capitania de Pernambuco, que era casado com sua irmã Brites de Albuquerque.

Em terras brasileiras Jerônimo foi o inicializador da atividade de moagem de cana-de-açúcar no Nordeste, montando vários engenhos nos arredores de Recife. Diz a lenda que ele teve mais de 100 filhos, mas cronistas da época falavam em “apenas” 24. Àquela altura ainda não existia de fato os “Albuquerque Maranhão”
Moagem de cana brasileira nos primórdios. Foto: jm1.com.br
Certo dia, Jerônimo, que era um exímio guerreiro, levou uma flechada próximo a cidade de Olinda (PE), em uma de suas lutas ao longo do litoral nordestino contra os índios da tribo Tabajara, e perdeu um dos olhos. Por causa disso ele ganhou o apelido de “O Torto”, foi feito prisioneiro pelos índios e condenado à morte.

Mas agora é que a história fica romântica. As jovens virgens da tribo Tabajara “recolheram e guardaram” Jerônimo enquanto ele esperava o momento do sacrifício junto com os companheiros. Foi assim que ele despertou a paixão de Muyrã Ubi, justamente filha do cacique Arco Verde, líder da tribo Tabira [que depois disso fez aliança com a tribo Tabajara].

O amor foi tão grande que Muyrã intercedeu por ele e conseguiu sua a liberdade e a dos demais prisioneiros. Jerônimo de Albuquerque se casou com a jovem índia, e ela foi batizada com o nome de Maria do Espírito Santo Arco Verde.

Esse capítulo da história é até idêntico ao acontecido na América do Norte com o inglês John Smith e a índia Pacahontas, fato que é lembrado por lá com o monumento do colonizador britânico no Capitólio:
Pocahontas é retratado salvando o capitão John Smith, um dos fundadores de Jamestown, na Virgínia, de ser espancado até a morte. Artista: Constantino Brumidi.
Romantismo demais? Concordo, mas toda essa história amorosa entre Jerônimo e a jovem Muyrã Ubi é citada por vários historiadores que trataram da divisão da colônia em Capitanias, tais como: Frei Vicente do Salvador, Porto Seguro, Capistrano, Câmara Cascudo e etc.

Bom, mas, continuando, aí o casamento, ao invés de causar mais confusão, por sorte selou a paz entre os tabajaras e os colonizadores. “A união de Jerônimo com a filha do cacique tabajara, gente da melhor estirpe da gente do Brasil com um importante Albuquerque de Portugal, fundou uma família genuinamente brasileira pela primeira vez”, afirmou Augusto Maranhão, empresário e aficionado por história.
A casa de Antônio Francisco de Albuquerque Cavalcanti (o Capitão Budá), na Fazenda Fundão, hoje no município de Arcoverde onde nasceram D. Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti e todos os seus irmãos. Fotografia do ano de 1935, onde se vê, entre outros, D. Adalberto Sobral (Bispo de Pesqueira), o Cel. Manuel Mulatinho, “seu” Ernesto Lima e Antônio Napoleão Arcoverde. (Foto à esquerda e legenda do livro “Roteiro de velhos e grandes sertanejos” – vol. 8 – pág.899. Luís Wilson, Recife, 1978).
E o interessante é que, segundo historiadores, esse acontecimento resultou em grandes vantagens para os Portugueses na época, sobretudo porque aumentou consideravelmente a possibilidade de expansão de seus domínios para todo o território que Cabral descobrira.

Da união com a princesinha tabajara, segundo menciona Gilberto Freire, vieram 8 filhos, todos devidamente perfilhados a requerimento do pai, por Carta Régia da rainha D. Catarina de Aragão, e entre eles:
Jerônimo de Albuquerque Maranhão, o fundador de Natal
Desenho de Jerônimo de Albuquerque Maranhão

Jerônimo (o filho) nasceu em Olinda (PE) em 1548. O primeiro “Albuquerque Maranhão” era um mameluco ilustre, viveu cheio de aventuras e êxitos extraordinários, reveladores de seus raros dotes pessoais. Criado com o avô Arco Verde, foi educado pelos jesuítas e dominava, de forma igual, o português e a língua dos nativos.

Quando o assunto era as armas ele sempre foi um vitorioso nas lutas se destacando no Rio Grande do Norte por conseguir apoio dos índios potiguaras já influenciados pelos franceses, segundo Câmara Cascudo em “História da Cidade de Natal”.

Inclusive, a criação do sobrenome “Maranhão”, e a formação do nome completo da família, teria surgido quando Jerônimo participou da expulsão dos franceses que estavam instalados há duas décadas na capitania do Maranhão, com uma expedição saída da capitania do Rio Grande em 1615. Por conta do feito o rei Felipe III autorizou a incorporação do nome “Maranhão” para eternizar a conquista militar.

A experiência de lidar com invasores franceses datava de 17 anos antes da expedição ao Maranhão, quando Jerônimo já tinha expulsado os franceses junto com Dom Manuel Mascarenhas Homem da região no entorno daquele que seria batizado de Rio Potengi, feito pelo qual ganharia o título de fidalgo.
Engenho Cunhaú, que pertenceu a Jerônimo Albuquerque Maranhão.
Começaria ali, na foz do rio Potengi, a construção da Fortaleza dos Reis Magos, nos idos de 1588 e toda a saga dos “Albuquerque Maranhão” em terras do futuro RN.

Em 9 de janeiro de 1603, Jerônimo de Albuquerque foi nomeado Capitão-mor do Rio Grande. No ano seguinte, concedeu “5000 braças de terra” aos seus filhos Matias e Antônio de Albuquerque. Nascia assim o engenho de cana de Cunhaú, que por centenas de anos teria uma forte importância econômica e histórica tanto para a família como para o Estado.

A partir daí só veio gente de grande importância histórica na família: chefes de governo, médicos, jornalistas, empresários, advogados.

E as homenagens a essa família estão por toda parte na cidade de Natal hoje em dia: na Praça Pedro Velho, no teatro Alberto Maranhão, na Praça André de Albuquerque, na Rua e no aeroporto Augusto Severo e etc. Até mesmo nos nomes de cidades como Pedro Velho e a antiga Augusto Severo, hoje Campo Grande.

Jerônimo faleceu em São Luís como Capitão-Mór do Maranhão em 1618 aos 70 anos.

As histórias da família são bem mais extensas, por isso fica o convite para que você procure, leia e se informe mais sobre a importante e curiosa história desta que foi a família que iniciou o RN!
Fonte: Curiozzzo

111 assassinatos em 25 minutos: ato marca os 27 anos do Massacre do Carandiru

“O Massacre do Carandiru está longe de ser um caso isolado e a história das barbáries passadas e recentes..." diz ex-preso do Carandiru.


No aniversário de 27 anos de um dos maiores massacres do país, a Frente Estadual pelo Desencarceramento de São Paulo (FEDSP) junto com as redes Amparar e De Proteção E Resistência Contra o Genocídio também compuseram o ato. realizou um ato em memória das vítimas do Carandiru. Passadas quase três décadas do caso, um dos mais notórios em violações de direitos humanos. O julgamento corre há anos na justiça paulista e é recheado de revezes e apenas responsabiliza policiais.
O ato começou por volta das 17:30h na praça da Sé, região central da capital, e contou com movimentos sociais e de Direitos Humanos. Mais cedo na mesma praça ocorreu uma violenta ação de PMs e GCMs contra pessoas em situação de rua, que habitualmente se abrigam no entorno da catedral.
O massacre do Carandiru teve como saldo 111 presos mortos pela polícia, de acordo com relatos oficiais, mas ex-detentos estimam que o número pode ser ainda maior. A operação, que contou com mais de 300 policiais militares de diversos destacamentos da corporação, durou apenas de 25 minutos. Esse foi o tempo necessário para entrarem em todo o pavilhão e saírem, após a chacina, com 22 policiais feridos por armas brancas. Entre os 111 mortos vinte sete anos atrás, 84 deles eram presos provisórios, ou seja, não tinham sido condenados.
O ato seguiu pelas ruas do centro, passando pela faculdade de Direito da USP E pela Secretária Estadual de Segurança Pública. Ao longo do caminho as palavras de ordem lembravam as diversas vítimas de violência policial e os problemas enfrentados por familiares de presos.
Claudenir José dos Santos, 62, o Claudinho da Cidade, passou mais dias presos do que em liberdade na vida e estava no Carandiru durante o massacre “tomaram a minha vida nas mãos deles e eu queria ter uma oportunidade de vida um recomeço. Eu sou escritor… sou escritor e sou poeta, mas não tive como oportunidade. Estava mo massacre, vi tudo acontecer. Foi premeditado, foi uma covardia pela polida militar”, contou.
Durante o ato diversas pessoas em situação de rua também falaram das situações que enfrentam na região central, como violência policial e descasos do poder público. As falas e movimentos que compuseram o ato não se restringiram ao caso específico do Carandiru. A todo momento se voltava a atenção para o genocídio da população negra e pobre.
A FEDSP chamou o ato pelo Facebook na convocatória aponta os principais motivos para sua realização “O Massacre do Carandiru está longe de ser um caso isolado e a história das barbáries passadas e recentes… entre maio e julho de 2019, mais de 110 pessoas foram mortas em presídios de Manaus e Altamira, mas a dor, o sofrimento e a indignação com a violência e a tortura estruturando políticas estatais não chocam a sociedade, pois quem está sendo morto são pessoas excluídas” diz o início do manifesto que finaliza com “É um dia para celebrarmos a resistência daqueles que sobrevivem aos massacres cotidianos e ainda encontram forças para lutar em memória aos que o Estado atuou para tirar a vida”.
Crick Cruz, 62, também ficou preso no Carandiru e contou o motivo de estar no ato “o brasileiro tem memória curta. A gente esquece o nosso passado, como a escravidão. Todos os anos estamos lembrando esses mortos. Mas não só do Carandiru e em presídios, mas tem ocorrido mortes nas quebradas também. esse ato é pra mostrar que tem pessoas que lembram” sobre o tempo no famoso presídio ele conta “passei vinte oito anos presos, vinte no Carandiru. Era um país. Cada pavilhao era um estado e cada galeria era uma cidade”.
O ato terminou em frente ao Tribunal de Justiça, ao lado da Sé, onde o caso ainda segue. Algumas falas foram feitas e os nomes dos mortos relembrados.
Relembre o episódio
No dia dois de outubro de 1992, pela manhã uma rebelião se inicia no pavilhão 9. Ao longo da manhã a rebelião tentou ser controlada por agente penitenciários, mas por volta das 15h a PM chega ao presidio, que ficava na zona norte da cidade e onde hoje é o parque da juventude. A PM assumiu a operação, com o Cel. Ubiratan Guimarães no comando. Por volta das 15:20 o diretor do presidio, José Ismael Pedrosa, faz uma última interlocução com os detentos. O governador Luiz Antonio Fleury autoriza o secretário de Segurança Pública, Pedro Franco de Campos, a dar seguimento a entrada da Policia Militar.
Entre as 15:20h e 15:30 a PM entra no pavilhão 9. Durante cerca de vinte minutos se dá o ataque policial, ao todo 102 presos foram baleados, sendo boa parte desses tiros no tórax ou na cabeça, de acordo com o laudo pericial. O laudo também indicou que a maior parte dos ataques se deu no 1° e 2° andares, mas ainda sim com mortes no 3° e 4° andares. As 17h termina a ação e os presos sobreviventes, obedecendo ordens da polícia, ficam nus e saem para o pátio. Por volta das 19h a PM manda que eles agrupem os cadáveres dentro do pavilhão. Na noite do dia dois Luiz Antonio Fleury anuncia oito mortos e a PM deixa o presido durante a madrugada. No dia seguinte, o saldo oficial de mortos é anunciado: 111 detentos.
O presídio do Carandiru, teve sua construção iniciada na década de 20 do século passado, mas foi crescendo ao longo do século e chegou a ser considerado o maior presidio da América Latina, sendo que passou a maior parte de sua existência com superlotação e condições precárias. Após o massacre o presidio continuou a ser utilizado até que foi desativado nos anos 2000.
Até hoje apenas uma pessoa foi condenada, o Cel. Ubiratan Guimarães que comandou a operação de dentro do presídio, a mais de 600 anos de prisão, em 2001. Ubiratan nunca cumpriu um dia de pena, por ter respondido em liberdade até se eleger deputado estadual em 2002. Em 2006 teve sua pena anulada, meses antes de morrer em circunstâncias suspeitas.
Em 2013, o julgamento de 74 policiais envolvidos teve início e seguiu para júri popular. Foram condenados, por pelo menos quatro júris, entre o início do julgamento e 2014. Mesmo assim nenhum chegou a ser preso, uma vez que em 2016 a justiça paulista anulou, pela primeira vez, todos os julgamentos realizados até então e determinou um novo júri. Já em 2017 e 2018 o Tribunal de Justiça de são Paulo seguiu mantendo a anulação dos julgamentos. Hoje o caso espera o novo julgamento, sem data definida.
Fonte: Jornalistas Livres

Artistas e ativistas lançam carta contra censura em Sinop – MT

Painéis grafitados com as imagens do cacique Raoni e da jovem Greta Thunberg em viaduto na periferia da cidade matogrossense foram vandalizados e podem ser apagados pela prefeitura por pressão de militantes da extrema-direita.


A cidade de Sinop, em Mato Grosso, está no centro de uma nova polêmica envolvendo censura artística e ideológica. A prefeitura do município tem um projeto para revitalizar e embelezar os pilares de sustentação dos viadutos com grafites que tenham como tema a flora e a fauna. Em tempos de queimadas recordes no estado e de manifestações pelo meio ambiente na Organização das Nações Unidas, os artistas Rai Campos e Matias Souza incluíram em seus grafites, pintados semana passada, as figuras do conhecido líder indígena Kayapó, Cacique Raoni, e da jovem ativista sueca Greta Thunberg, que fez um dos mais duros discursos em defesa da vida no planeta na abertura da Cúpula do Clima, na ONU. Apesar de estarem na periferia da cidade, os desenhos atraíram a fúria de adeptos da extrema direita, que têm tentado deslegitimar quem luta pela vida na Terra.
Segundo reportagem do portal Olhar Direto, o diretor de cultura do município de Sinop, Daniel Coutinho, defende que o rosto da ativista sueca não condiz com as regras do evento (1º Encontro Internacional de Graffiti – Matograff), que tem como tema principal a fauna e a flora. “Não será apagado devido à censura. Esse é um projeto de incentivo à cultura que foi feito pelos grafiteiros do município. E o tema é a fauna e a flora. Eles iam trabalhar elementos voltados à natureza, à floresta Amazônia, insetos, animais, enfim”, teria dito Coutinho. “Agora, o lance da imagem da polêmica é a Greta mesmo, por ela estar em evidência, ter toda essa situação política… então eu penso que se tivesse sido uma menina qualquer desenhada lá, estaria fora do contexto também, mas talvez não teria causado toda essa polêmica”.
O painel completo pintado por Matias Souza antes do vandalismo
Na manhã de ontem, o painel com o rosto da ativista sueca foi pichado citando de forma pejorativa a prisão ilegal do ex-presidente Lula. Até o momento, ainda não há uma decisão sobre o apagamento ou não do grafite com Raoni, que ontem também foi novamente alvo de ofensas pelo presidente Jair Bolsonaro em evento para mineradores.
Hoje, artistas e ativistas de Mato Grosso publicaram uma carta com dezenas de assinaturas contra a censura e em apoio aos grafiteiros. Veja abaixo na íntegra:
O artista Rai Campos publicou em suas redes sociais protestos contra o possível apagamento de sua obra
Carta em Apoio às Artes e Contra a Censura
Nós, artistas de Mato Grosso e sociedade civil, abaixo-assinados, vimos a público expressar nossa solidariedade aos artistas visuais, Rai Campos e Matias Souza que pintaram as imagens do Cacique Kayapó Raoni e da ativista sueca Greta Thunberg no contexto do 1º Encontro Internacional de Graffiti – Matograff, que reuniu artistas de toda a América Latina na cidade de Sinop-MT, entre 24 e 26 de setembro de 2019. Ao mesmo tempo, repudiamos a atitude vergonhosa de parlamentares da Câmara de Vereadores de Sinop e demais envolvidos que, de forma arbitrária e antidemocrática, censuram a expressão artística. Em diversas mídias foi divulgado que as obras serão apagadas e serão pintadas outras imagens no local com justificativas infundadas que se caracterizam como intolerantes e sem o mínimo de compreensão do papel da arte para a sociedade.
Gostaríamos de relembrar a Constituição da República de 1988 – artigo 5º, inciso IX – a qual garante a liberdade de pensamento e expressão artística como um direito fundamental do cidadão ao prescrever ser “livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.
Os artistas censurados fazem parte de uma geração de artistas que democratizam a arte por meio do grafite, linguagem contemporânea que sai dos espaços institucionalizados (como museus e galerias) e inserem as obras nos mais diversos suportes dos espaços públicos e particulares, tornando-as acessíveis à todos.
Queremos, portanto, reiterar o nosso posicionamento e ressaltar a importância da liberdade de expressão e respeito às manifestações culturais que fortalecem a democracia.

Mato Grosso 02/10/2019
Assinam:
Adnilson Silva Lara (Dj Taba) – Músico
Adir Sodré – Artista visual
Gervane de Paula – Artista visual
Ruth Albernaz – Artista visual / bióloga
Vitoria Basaia – Artista visual
Eduardo Mahon – Advogado / escritor
Ivens Scaff – Escritor
Willian Gama – Curador de Arte
Vinicius Souza – Jornalistas Livres / UFMT
Jean Siquera (Siq) – Grafiteiro / tatuador
Adriano Figueiredo – Artista Visual
Marília Beatriz de Figueiredo leite – Escritora
Luiz Marchetti – CALM Centro Visual Luiz Marchetti
Vera Capilé – Cantora / compositora / psicóloga
Maria Teresa Carrión Carracedo – Editora
Naine Terena – Artista / Jornalista
Ludmila Brandão – Professora UFMT
Rosylene Pinto – Artista Visual
Amanda Gama – Advogada / galerista
Adriano Souza – Secretário Adjunto de Cultura de Juína – MT
Rosemar Coenga – Escritor
Livia Bertges – Escritora
Imara Quadros – Arte educadora
Ivan Belém – Artista / arte educador
Lúcia Palma – Atriz
Roberto Ferreira – Ator / arte-educador
Anna Maria Ribeiro Fernandes Moreira da Costa – Antropóloga
Silvia Turina – Artista Visual
Zuleica Arruda – Arte educadora/ artista visual
Vera Baggetti – Arquiteta/ artista visual
Luciene Carvalho – Poeta
Flávio Ferreira – Diretor do teatro Cena Onze
Gloria Albues – Cineasta / jornalista
Otília Teófilo – Artista livre
Reinaldo Mota – Médico / professor
Amarildo Ferreira – Psicanalista
Santiago do Pântano – Tatuador / Músico
Jean Carlos Bass – Músico
Hector Flores – Músico
Roger Perisson – Publicitário / músico
Odilio Marcelo da Costa (Xito CondUta do Gueto) – Músico
Paulo Cesar – Rondonópolis MT
Jeff Keese – Arquiteto / curador / expógrafo
Claudete Rachid Jaudy – Atriz / professora
Carlina Rabello Leite – Produtora cultural
Volney Albano – Jornalista/Presidente Municipal do PT Cuiabá
Ricardo Correia – Diretor Artístico / Publicitário
Zilda Barradas – Conselheira Estadual de Cultura / Artes Visuais
Amandla Silva Sousa – Artista Livre
João Luiz do Couto – escritor / ator / contador de histórias
Caio Augusto Ribeiro – Coletivo Coma A Fronteira
Pedro Duarte – Coletivo Coma A Fronteira
Ligia da Silva Viana – Favelativa
Thaylayne Vanessa Cansi – Movimento Ocupa
Justina Fiori – Jornalista
Valdiná da Silva Ferreira/ Kaco do CPA – Coletivo Avante CPA
Hend – Músico
Ronaldo Adriano – Ator membro do Teatro Experimental de Alta Floresta
Carlos Augusto Abicalil – Professor / mestre em educação / ex-deputado federal
Instituto Superior de Cultura Gervásio Leite – Cuiabá/MT
CCF – Coletivo Correria Forte
Coletivo Não Reclame do Calor Plante uma Flor – Cuiabá/MT
Maloca do Quati Espaço D’Arte – Cuiabá/MT
Nelson Borges de Barros – Eng. Agrônomo/Assessor Parlamentar
Jefferson Jarcem – Diretor geral do Grupo Tibanaré
Elaine da Silva Santos – Produtora
Fonte: Jornalistas Livres