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terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Sivuca [Severino Dias de Oliveira] - Por Portal BRASIL CULTURA

O instrumentista, arranjador e compositor Severino Dias de Oliveira, conhecido artisticamente como Sivuca, nasceu em Itabaiana, cidade do interior da Paraíba, no dia 26 de maio de 1930, filho de José Dias de Oliveira e Abdólia Albertina de Oliveira. Diferente de boa parte de músicos que, na sua infância, aprendiam a tocar um instrumento musical com pessoas da família, Sivuca foi um auto-didata pois, na sua casa, nada via ou ouvia relacionado com a música. Seu pai era agricultor e também trabalhava com couro utilizando-o na confecção de selas. Seus irmãos eram sapateiros e ele acredita que, se não tivesse estudado música, fatalmente seria mais um sapateiro na família. Sua vocação foi mais forte do que toda e qualquer tendência.

Tal afirmação é comprovada por sua história. No dia 13 de junho de 1939, seu pai levara para casa uma sanfona de dois baixos para seu irmão. Desde então, até os quatorze anos, Sivuca tocou sanfona animando casamentos e festas pelo interior.

         Sua carreira profissional começou aos quinze anos, em 1945, no Recife. No Teatro Santa Isabel ele assistiu ao primeiro concerto sinfônico com a Orquestra Sinfônica do Recife. Este fato abriu portas para um mundo musical que Sivuca desconhecia. Posteriormente, teve a oportunidade de aprender suas primeiras lições de teoria musical com o clarinetista da Sinfônica, Lourival de Oliveira.

Ainda em 1945, foi se inscrever para um programa de calouros da Rádio Clube de Pernambuco e a pessoa responsável pela inscrição e seleção era o maestro Nelson Ferreira (compositor, violinista, pianista e regente pernambucano). Quando o maestro ouviu o som da sanfona de Sivuca,  indicou-o para tocar  num programa da Rádio do dia seguinte.  Foi Nelson Ferreira quem lhe deu o nome de Sivuca. N a opinião dele, Severino Dias de Oliveira parecia anunciar uma firma comercial de interior e era muito grande para um nome artístico.

Na Rádio Clube de Pernambuco, em 1946, Sivuca conheceu Luiz Gonzaga. Gonzaga gostou muito do que ouviu quando Sivuca tocou a sanfona. Gostou tanto que, uma semana depois, enviou um telegrama oferecendo um contrato de trabalho para a Rádio Nacional. Naquele momento, ele não pôde afastar-se do Recife por ter compromisso assinado com a Rádio Clube. Entretanto, quatro anos depois (1950), estreou na Rádio Record, em São Paulo, com a grande Orquestra Record, dirigida pelo maestro Gabriel Migliori.

Em 1948, aprendeu arranjo e composição com o maestro Guerra-Peixe (compositor, arranjador e musicólogo fluminense) que assim o encaminhou na arte de fazer orquestrações. Neste mesmo ano, firma contrato com a Rádio Jornal do Commercio, Recife.

No ano de 1950 grava, em parceria com Humberto Teixeira, o seu primeiro disco, pela gravadora Continental. Fixa residência no Rio de Janeiro (1955) e no período de 1955-1958, é contratado pelas emissoras Associadas de Radio e Televisão Tupi. Nesse período, compôs Homenagem à Velha Guarda e, em parceria com Humberto Teixeira, Adeus Maria Fulô e  Fogo Pagô. Fez arranjos e trilhas sonoras para os filmes de Roberto Farias: Rico ri à-toa e No mundo da lua e participou do LP (long play, disco em vinil) de Altamiro Carrilho, em 1957.

A Lei Humberto Teixeira, assinada pelo presidente Juscelino Kubitschek, em 1957, que estabelecia a promoção da música brasileira no exterior, favoreceu a ida de Sivuca para a Europa. Na época, Sivuca fazia parte do grupoOs Brasileiros que tinha também como participantes Guio de Moraes, Trio Irakitan, Abel Ferreira, Dimas e Pernambuco. Eles se apresentaram no Olympia de Paris, no London Palladium e na Exposição Internacional de Bruxelas (1958). Sivuca ficou na Europa por alguns anos. Neste período, gravou seu primeiro disco na Europa e fez shows na Bélgica, Suíça e sul da França.

De volta ao Brasil, em 1964, foi convidado para ir aos Estados Unidos. Sua intenção era passar seis meses e acabou ficando por 13 anos. Neste período, trabalhou como guitarrista do grupo da cantora africana Miriam Makeba (1965-1969) e com ela viajou pela África, Europa, Ásia. Gravou três discos e conquista, como arranjador e instrumentista, o sucesso internacional.

Trabalhou com diversos e renomados artistas como Hermeto Pascoal, Betty Midler, Paul Simon, entre outros.

Em 1975, casa-se com a compositora Glória Gadelha e com ela realiza um rico trabalho de composição.

A produção musical de Sivuca é extensa, reflete a sua genialidade musical e, dentre tantos sucessos destacamos:

1957, Motivo para Dançar nº 2, Sivuca e Seu Conjunto, (Copacabana)

1958, Os Brasileiros na Europa, Odeon

1959, Africaníssimo – Duo Ouro Negro com Sivuca, gravado e produzido em Portugal. 1º Disco produzido por Sivuca

1965, Rendez-vou a Rio nº 2, Barcley

1968, Sivuca med Putte Wickmans orkester. InterDisc – Suécia; Sivuca Grammonfon AB Electra– Suécia; Sivuca Golden Bossa Nova GuitarJapão – RCA

1969, Putte Wickman e Sivuca. Four Leaf Records

1970, Joy. RCA – Estados Unidos (from “Joy”A Musical Come to get  her)

1972, Sivuca. Vanguard – Estados Unidos; Sivuca at Village Gate.  Vanguard – Estados Unidos

1977, Sivuca e Rosinha de Valença. RCA; Sivuca. Copacabana

1978, Cabelo de Milho. Copacabana; Forró e Frevo nº 1. Copacabana

1979, Forró e Frevo nº 2. Copacabana; Vou Vida Afora. Copacabana

1980, Onça Caetana. Copacabana; Forró e Frevo nº 3. Copacabana

1981, Forró e Frevo nº 4. Copacabana

1982, Sivuca e Chiquinho do Acordeom; Todos os Sons – Barclay

1985, Sivuca – Som Brasil. Sonet; Rendez-vou in Rio. Toots – Sylvia – Sivuca. Sonet Grammofon AB

1985, escreve sua primeira peça sinfônica o Concerto Sinfônico para Asa Branca

1985, grava Coração do Povo (em compact disc), canção-tema do 4º Centenário da Paraíba

1986, Chico‘s Bar – Sivuca e Toots Thielemans Sonet

1987, Sivuca e Rildo Hora – Sanfona e Realejo. 3M; Let’s Vamos – Sivuca e Guitars Unlimited Sonet

1990, Um pé no asfalto. CBS / Copacabana

1992, One Good Turn – Sivuca e Erik Petersen. Music Partner – Dinamarca; O Melhor do Forró. Movie-Play

1992, Pau Doido. Milan /Kuarup

1997, Sivuca – Enfim Solo. Kuarup

2002, grava o CD Cada Um Belisca um Pouco (lançado em 2004 pela Biscoito Fino)

2003, grava o CD Sivuca e Quinteto Uirapuru (lançado em 2004 pela Kuarup)

2004, grava CD Sivuca Sinfônico (lançado em 2005 pela Biscoito Fino)

2004-2005 grava CD Terra Esperança (lançado em 2006 pela Kuarup), seu único DVD O Poeta do Som (lançado em 2007 pela 2007), e escreve arranjos para o CD Tinto e Especial, de Glória Gadelha

Em 2004, nos festejos juninos organizados pela Prefeitura do Recife, Sivuca foi o homenageado da festa.

No dia 14 de dezembro de 2006, depois de mais de um ano em tratamento de um câncer de laringe, Sivuca, aos 76 anos, falece em João Pessoa, capital da Paraíba.

Recife, 14 de junho de 2006.

(Atualizado em 27 de outubro de 2009).

FONTES CONSULTADAS:

GADELHA, Glória (Coord.). Sivuca: partituras. João Pessoa: Ed. Universitária, 2009. 218 p.

GRANDE ENCICLOPÉDIA DELTA LAROUSSE. São Paulo: Nova Cultural, 1998. v. 22. p. 5420: Sivuca [Severino Dias de Oliveira].

RECIFE vai virar um grande arraial. Jornal do Commercio, Recife, 2 jun. 2004. Cidades. p. 3.

SIVUCA. Disponível em: <http://biscoitofino.uol.com.br/bf/art_cada.php?id=93>. Acesso em: 30 maio 2006.

SIVUCA. Disponível em: <http://www.icd.com.br/yahoo/artista.asp?Id=453> Acesso em: 30 maio 2006.

SIVUCA na rede. Disponível em: Acesso em: 2 jun. 2006.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Morre o escritor britânico John le Carré, aos 89 anos


Faleceu aos 89 anos, no Reino Unido, o escritor britânico David John Moore Cornwell, mais conhecido pelo pseudônimo John le Carré, autor de uma série de romances de espionagem de grande sucesso internacional.

"É com grande tristeza que devo compartilhar a notícia de que David Cornwell, conhecido mundialmente como John le Carré, faleceu após uma curta doença (não relacionada à COVID-19) na Cornualha, na noite de sábado, 12 de dezembro de 2020", disse o agente literário do autor por meio de um comunicado. 

​John le Carré, o grande cronista de nossa época, morreu. Leia a declaração da Penguin Books aqui.

Nascido em Poole, Inglaterra, em 19 de outubro de 1931, Cornwell foi professor do Eton College, em Berkshire, antes de se juntar ao serviço diplomático britânico, onde trabalhou de 1960 a 1964.

Sua primeira obra publicada foi "O Morto ao telefone", de 1961. Mas foi com "O Espião que saiu do frio", de 1963, que o escritor foi lançado à cena global, período em que também foi revelada sua atuação junto aos serviços de inteligência britânicos.

Com mais de 20 livros, John le Carré acumulou diversas premiações, sendo considerado um dos maiores escritores do Reino Unido das últimas décadas.

A causa oficial da morte do escritor foi uma pneumonia. Ele deixa esposa e quatro filhos.

Fonte: https://br.sputniknews.com

Comida caipira: histórias e receitas do tempo do fogão a lenha - Por Portal BRASIL CULTURA

Falou em “caipira” para um paulistano ou paranaense e já vem à mente o fogão a lenha, a broa de milho e o lombo de porco. A culinária tradicional do interior de São Paulo ou Paraná, baseada em ingredientes como milho, feijão, couve, carne de porco e de galinha, está presente até no dia a dia de quem nunca sai da capital do estado.

“Pratos como cuscuz e virado à paulista são coisas que você encontra no cardápio de qualquer boteco”, conta Nicolas Ferreira Rodrigues, professor de Gastronomia no Senac Aclimação, em São Paulo. “Dificilmente você encontra alguém que não come”.

E seja no formato original -no fogão a lenha- ou em versão adaptada nos restaurantes, o fato é que a comida caipira rende mais do que um dedo de prosa acompanhada de café e bolo de fubá…

Jefferson Coppola/Folhapress
Imagem: Jefferson Coppola/Folhapress


Afinal, é paulista ou mineira?

Virado de feijão com linguiça, lombo de porco… Quando se trata de comida caipira, os dois estados dividem a autoria dos pratos mais clássicos da culinária caipira. “Em termos de comida, temos a mesma base de formação”, conta a chef Ana Luiza Trajano, do restaurante Brasil a Gosto. “A culinária nasce paulista e se transforma em mineira”.

“Os tropeiros são os principais responsáveis pela  dúvida sobre o que é de origem paulista e o que é de origem mineira, já que saíam  com os ingredientes e seguiam para os garimpos de Minas. À medida em que iam parando, acabavam influenciando a região. Afinal, uma hora todo mundo precisa parar para comer”, conta Nicolau. “E a comida, afinal, não tem fronteiras geográficas!”
Apu Gomes/Folhapress
Imagem: Apu Gomes/Folhapress

Quem manda é o fogão

Uma coisa é preciso ser dita: os pratos mais típicos da culinária caipira demandam tempo para serem feitos. Isso é reflexo dos equipamentos da época – panelas de barro ou de ferro, cocção com muito líquido no fogo a lenha. Isso resulta em sabor mais concentrado e rico em temperos. “Era algo com o qual você não precisava se preocupar: você poderia deixar por várias horas cozinhando”, explica Nicolas. “Tutu de feijão,cuscuz e canjiquinha são todas receitas relativamente fáceis e que podem ser incrementadas a gosto”.

Na estrada, valia a arte do improviso: cozinhava-se em fogos de chão e até em tucuruvas – cupinzeiros abandonados que eram escavados e transformados em fornos para a preparação da comida. Dos índios, herdou-se a arte de moquear – ou assar – carnes e peixes. E, dos europeus, o uso da gordura de porco para fritar e também conservar os alimentos.
Divulgação
Imagem: Divulgação

“No interior,quem não tinha um porquinho no quintal?”, comenta Nicolau, que é originário de Ribeirão Preto (a 290 quilômetros de São Paulo). O animal se tornou um dos produtos mais marcantes da culinária caipira pela facilidade no manejo. “Dificilmente você erra no cozimento e mesmo com outros ingredientes, você consegue manter o sabor”, diz o professor.

Natural de Franca (a 344 quilômetros de São Paulo), Ana Luiza Trajano se lembra de quando porcos eram abatidos para preparo de linguiça e de carne na lata, conservada em banha para durar mais e ter mais sabor. A chef ganha até hoje de uma tia-avó um suprimento de linguiças caseiras, feitas na fazenda. “Ela mata dois porcos e temos linguiça para o ano inteiro, para comer assada – uma delícia!”, conta.
TV UOL
Imagem: TV UOL
Sua majestade, o milho
Na forma de canjiquinha, fubá, polenta, angu ou farinha, o milho é onipresente no menu. “Ao contrário do Norte e Nordeste, onde há uma predominância da mandioca, em São Paulo a base da alimentação indígena era o milho”, explica Ana Luiza Trajano. O ingrediente permeia todo o menu e não se escapa nem na hora da sobremesa: o doce mais marcante da roça, afinal, é o conhecidíssimo bolo de fubá.
Divulgação
Imagem: Divulgação
Adaptando

Muitos pratos da culinária caipira ganhavam outra roupagem ou ingredientes extras à medida que chegavam na capital. Um exemplo é o cuscuz paulista. “A receita clássica é com galinha. A versão com frutos do mar é bem paulistana, por conta da proximidade com Santos”, explica Ana Luiza Trajano. Outra diferença são os cortes de porco: enquanto na capital usa-se muito a bisteca (por influência italiana), “à medida que você vai subindo pelo interior, você nota mais o uso de leitoa a pururuca e lombo”, diz a chef.

Anna Fagundes

Do UOL,

FONTE

domingo, 13 de dezembro de 2020

Lei Aldir Blanc e as emergências para a cultura


Fonte O POVO - CBN

Marieta Severo recebe alta após 8 dias internada com Covid-19 e pneumonia

A atriz já está em casa, de repouso, sem sintoma da pneumonia e vai seguir fazendo exames para se certificar sobre o coronavírus.

247 - A atriz Marieta Severo, 74 anos, recebeu alta neste sábado (12), após ficar internada por oito dias no hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, com Covid-19 e ser diagnosticada com pneumonia.

Segundo informou a assessoria de imprensa informou ao jornal Extra, Marieta Severo já está em casa, de repouso, sem sintoma da pneumonia e vai seguir fazendo exames para se certificar sobre o coronavírus.

O marido de Marieta, Aderbal Freira-Filho, segue internado na mesma unidade desde junho, após sofrer um AVC hemorrágico

Fonte: Brasil 247

Como as democracias morrem: 2020 entre Ciro e Lula - Por JORNALISTAS LIVRES

 

Obest-seller “Como as democracias morrem” nos traz lições e apontamentos acerca do fenômeno histórico de um suposto lento falecimento das democracias modernas. O livro traz a tese de que democracias não morrem de um dia para outro, pelo menos na sua grande maioria das vezes.

Fernando Mendonça*

As democracias seriam restringidas dentro de um lento processo de ataque a instituições basilares democráticas. Ataque esse que, muitas vezes, seriam providos de outsiders políticos que conseguiram ter sucesso para superar barreiras políticas dentro de seus partidos. Segundo os autores, Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, os partidos políticos teriam uma função não escrita de guarda democrático, e, dentro dessa função, o dever de impedir extremistas de alcançar legitimidade e, por conseguinte, indicações para participar do pleito eleitoral por meio das instituições partidárias.

Na iminência da ascensão de outsiders políticos que apontassem um viés autoritário, defendem os autores um verdadeiro pacto entre as forças democráticas para impedir a eventual vitória desta onda autoritária populista. A recente eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos, e de Jair Bolsonaro (sem partido) no Brasil, se encaixariam no exemplo de como estes outsiders políticos chegam ao poder e, através de ações autoritárias, testam as instituições, a própria democracia, ao seu limite para estender o seu próprio poder. É nesse lento e gradual processo de enfraquecimento dos pilares democráticos que haveria o falecimento das democracias.

Muito se fala no Brasil da construção de uma chamada “frente ampla” que arregimentasse forças democráticas para superar a base sólida de votos de Jair Bolsonaro. O que poucos comentam, é que é justamente, em parte, desse livro que advém a inspiração desta estratégia. A tese central do livro é que essa frente democrática deve ser formada por partidos, mesmo que não tenham mesma afinidade ideológica. Se afastar dos extremos, escolhendo um candidato competitivo e moderado, que possa arregimentar diversos segmentos pulverizados da sociedade para vencer a ameaça autoritária.

Tal tese se baseia em dados empíricos nas quais se observa diversas situações espalhadas no mundo, na qual democracias enfrentaram a ameaça autoritária populista. Os autores apontam que, nos casos em que houve êxito nesse enfrentamento, essa frente foi composta inclusive por partidos que eventualmente tinham alguma afinidade ideológica com as figuras autoritárias. Mesmo que momentaneamente tal fato trouxesse uma contradição aos membros do partido e uma eventual diminuição na base de apoiadores, a médio e longo prazo esses mesmos partidos demonstrariam um crescimento eleitoral em comparação ao período anterior ao da frente ampla. Porém um dado muitas vezes passa despercebido ao leitor do livro: que esta estratégia da FRENTE AMPLA obtém uma vitória geralmente apertada contra os outsiders autoritários, ficando latente que não se pode subestimar a capilaridade e o poder do discurso populista em movimentar massas na corrida eleitoral.

No Brasil, duas correntes trouxeram versões diferentes da tática de FRENTE AMPLA para enfrentar o Bolsonaro em 2022. Uma primeira corrente, que tem como protagonista o ex-presidente Lula (PT), fala da criação de uma “frente ampla de esquerda” para vencer a onda bolsonarista. A corrente se arvora da ser a legítima correlação de forças anti-bolsonarista, se apoiando no fato de que essa chamada esquerda, através da figura de Lula, ainda conseguiria arregimentar um considerável nicho de votos que garantiria uma vaga no segundo turno da eleição presidencial. E um recall de votos que adviriam do período de crescimento econômico do primeiro e segundo mandato do presidente Lula.

A segunda corrente tem como grande artífice o ex-ministro Ciro Gomes. Ciro, já em 2018 defendia uma aliança baseada em um projeto de desenvolvimento que comunicasse da centro-esquerda ao centro. Com a vitória de Bolsonaro, sua concepção se amplia inclusive incluindo, ainda mais, nas conversações partidos de centro-direita. Se aproximando muito da tese defendida no livro de Levitsky e Ziblatt. Se apoiaria na ideia de que um candidato mais moderado, com uma base mais ampla pudesse, em segundo turno, congregar o maior número de setores de eleitores fragmentados contra ascensão antidemocrática representada por Bolsonaro.

Os Estados Unidos, recentemente, aplicaram na prática a tese defendida por Levitsky e Ziblatt ao elevar Joe Biden como representante do Partido Democrata para enfrentar o republicano Donald Trump, que tentava a sua reeleição. Era sabido que apenas um presidente em toda a história Estados Unidos não havia conseguido se reeleger, sendo a tarefa de enfrentamento a esta força extremista autoritária ainda mais complicada. Todavia, vemos a tese defendida sendo aplicada quando o pré-candidato à presidência, Bernie Sanders, de uma ala mais à esquerda da política americana, abre mão de sua pré-candidatura para apoiar o moderado Biden, ex-vice-presidente de Barack Obama.

Biden, após a confirmação de sua candidatura pelo partido Democrata, ainda optou por ter como candidata à vice-presidência, uma mulher negra, a senadora democrata Kamala Harris, apontando para essa ala mais à esquerda do eleitorado americano.

Com o transcorrer do período eleitoral, os democratas imaginaram uma “Onda Azul”, em referência às cores do partido Democrata, nos Estados Unidos. Uma verdadeira vitória fácil contra Donald Trump. Entretanto, tal expectativa não se confirmou. Mesmo derrotado, Trump, no mapa eleitoral americano, teve diversas vitórias em condados no interior dos estados americanos, confirmando a tese de que a vitória contra um populismo autoritário é sempre apertada, não podendo se subestimar a sua capacidade de mobilização popular.

A corrente defendida pelo entorno lulopetista encontra problemas ao trazer em seu bojo uma alta rejeição à esquerda que, por tática comunicacional do Partido dos Trabalhadores, é automaticamente associado a um apoio ao PT, por conseguinte, uma defesa ao presidente Lula das suas condenações por corrupção. Um segundo problema, é que, além de enfrentar uma opinião de cunho lava-jatista de parte do eleitorado brasileiro, a nova esquerda brasileira é associada à defesa de algumas pautas no campo moral, defendidas, na maior parte das vezes, com uma prática política identitária, que ocasionalmente entram em colisão com grupos moralmente conservadores. Um confronto que, para muitos, é interpretado como um embate a valores cristãos, estes ainda muito em voga em boa parte da sociedade brasileira, atraindo rejeição em uma parcela religiosa do eleitorado.

Já o arranjo defendido por Ciro Gomes parece se aproximar mais ao que foi desenhado em torno de Joe Biden nos Estados Unidos. O arranjo padece de uma fragilidade: de não contar com o nicho de votos sólidos que lhe garantam um lugar em eventual segundo turno contra o bolsonarismo. Dando chance, inclusive, a uma eventual candidatura de centro-direita, corrente que ainda não possui um nome claro e tem grande dificuldade de se desvencilhar das pautas econômicas defendidas por Paulo Guedes no governo Bolsonaro. Portanto, a tentativa de aproximação de Ciro com partidos de centro-direita, como DEM e PSD não é só estratégica, mas também vital para superar essa primeira dificuldade, atraindo outros perfis de eleitorado ao momento inicial da eleição presidencial.

O segundo turno das eleições municipais de 2020 parecem ter trazido ensaios para as duas correntes. Em Porto Alegre, tivemos uma chamada “frente ampla de esquerda” em torno da candidata Manuela d’Ávila do PCdoB, a qual, em primeiro turno, teve uma votação expressiva que lhe garantiu vaga no segundo turno. Já em São Paulo, superando candidaturas petista e socialista, Guilherme Boulos, do PSOL, se firmou como a opção à esquerda para o pleito municipal da cidade de São Paulo. Embora ambos tenham recebido pronto apoio de todo segmento à esquerda da política brasileira, ambos sofreram sólidas derrotas no segundo turno. Manuela e Boulos acabaram por ter de lidar com o atual cenário de anti-esquerdismo, inflado pelo ainda presente sentimento de anti-petismo na população brasileira. Manuela d’Ávila foi candidata a vice-presidente em 2018 na chapa de Fernando Haddad, do PT, derrotada por Bolsonaro. Boulos ainda sofre com a memória da sua defesa a Lula durante sua candidatura à presidência em 2018. Ainda é presente a lembrança do seu inesperado “Boa Noite, Presidente Lula”, dito em debate presidencial transmitido a todo o país, mesmo, naquele momento, sendo adversário de um candidato petista. Acrescido a esses fatos, ambas as figuras, ainda possuíam em si, de forma muito clara, a defesa das chamadas pautas morais identitárias.

Estava, assim, muito bem configurado nesses casos, a chamada “Frente Ampla de Esquerda”. Nos dois casos sofreram do calcanhar de Aquiles dessa corrente, uma população, em sua maioria, ainda muito anti-petista e conservadora, recebendo um verdadeiro veto em suas pretensões.

Já em Fortaleza, território político de Ciro Gomes, uma “Frente Ampla” foi organizada em torno do moderado José Sarto (PDT), médico, que em nenhum momento acenou ao “extremo” lulo-petismo, mesmo tendo o apoio de PT e PSOL no segundo turno. Sarto enfrentava uma candidatura manifestadamente bolsonarista, Capitão Wagner (PROS), que em primeiro turno teve um nicho de voto muito consolidado que lhe deu a vaga, sem muito sustos, no segundo turno. A exemplo do caso Biden, o entorno de Sarto também imaginou uma vitória tranquila em segundo turno, porém, como acontecido nas eleições norte-americanas, a Frente Ampla de Fortaleza foi surpreendida com uma vitória apertada, na qual Capitão Wagner teve uma votação muito acima da esperada. Confirmando novamente a tese do livro de que o populismo autoritário possui, sim, uma alta capacidade de votação, que muitas vezes não são detectadas em pesquisas eleitorais.

Um outro caso que pode ser lembrado pelo leitor seria a eleição em Belém, vencida pelo candidato Edimilson Rodrigues, do PSOL, que também reuniu em torno de si uma ampla gama de apoios perante uma candidatura bolsonarista. Não seria o caso de uma vitória de uma Frente Ampla de Esquerda? A atenuante no caso de Edimilson é ser o candidato eleito uma figura já conhecida da política local, ex-prefeito da capital por dois mandatos, 1997-2004. Também conseguiu uma vitória apertada na capital paraense.

É certo que o livro “Como as Democracias Morrem” traz uma visão estadunidense de fatos históricos ocorridos no mundo. Entretanto, traz também em seu bojo observações empíricas que sustentam a sua tese. As derrotas em segundo turno dos dois ensaios da estratégia de “Frente Ampla de Esquerda”, a vitória de candidatos moderados dentro de uma lógica de frente ampla, e o sucesso de candidaturas de centro, que procuraram se afastar do rótulo de esquerda/direita, muitas destas candidaturas de políticos “experientes”, parecem dar um recado de qual das duas correntes de “frente ampla” têm maior chance de sucesso com a população.

Ciro é constantemente criticado por conta de uma eventual inconstância ideológica. Boa parte dessa crítica, advém da prática política do ex-ministro de observar experimentações econômicas, políticas e sociais pelo mundo, depreendido de preconceitos doutrinários e ideológicos. O que para alguns é motivo de descrédito, para Ciro tem sido um dos motivos da sua exitosa carreira política: seguir a óbvia lógica de traduzir e implementar práticas que deram certo em outras partes do globo aqui no Brasil. Tal postura guarda, inclusive, coerência com a filosofia política de seu guru Roberto Mangabeira Unger, que tem no centro da sua admiração o modelo federalista de Estado, justamente a capacidade de produzir diversas experimentações institucionais nos entes autônomos. Experimentações que podem posteriormente ser usadas pelos outros entes federativos.

A adoção da tese defendida em “Como as Democracias Morrem”, uma experimentação exitosa em diversos países do mundo que enfrentaram a questão populista autoritária, parece mover o ex-ministro. E o resultado das eleições municipais de 2020 podem justificar a sua aposta. Ousa-se dizer que, talvez, seja o único caminho de um projeto desenvolvimentista progressista alcançar o poder em 2022. Um desafio que tem em seu calcanhar de Aquiles a construção de um bloco de votos, que vá da centro-esquerda a centro-direita, que possibilitem a ida desta FRENTE AMPLA para um acirrado segundo turno.

(*) Advogado, formado pela Universidade Federal Fluminense, especialista em Direito Público.

Fonte: Jornalistas Livres

 


CANTOR DANIEL DO ARROCHA PROMOVEU ONTEM (12) AÇÃO EM DEFESA DOS ANIMAIS - CONFIRAM!

 


Momento do inicio da ação em defesa dos animais.
Momento alegre com direito a música

Ontem (12) o cantor DANIEL DO ARROCHA, promoveu uma AÇÃO SALUTAR EM DEFESA DOS ANIMAIS! Uma ação para que as pessoas doarem alimentos, entre outros para os animais abandonados pelos "seus donos".  Uma ação que merece apoio de toda a sociedade!

Foi muito legal inclusive para despertar a SOCIEDADE que os ANIMAIS também são SERES VIVOS e precisam de apoio!

São esses tipos de ações que a sociedade e as autoridades públicas precisam também a abraçar e ajudar! Mas em muitos casos isso não ocorre!

Mas o bom que pessoas como o DANIEL DO ARROCHA, juntamente com sua família e amigos abraçam essa boa causa e que devem sim ter o APOIO DA SOCIEDADE!  Os animais não tem culpa de nascerem e serem abandonados pelos "seus donos".

Parabenizamos o Cantor DANIEL e sua equipe pela excelente iniciativa e que continuem assim com este espírito de solidariedade humana!

Apõem essas ações! Os animais agradecem!

Apoio: CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC/RN E CASA DE CULTURA "LAURO ARRUDA CÂMARA" - NOVA CRUZ/RN.