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segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Articulações negras importam

Manifestantes invadem prédio do Congresso americano  em Washington  - Foto: Win Macnamee.6/jan/2021/AFP

Fonte: Por Flávio Thales Ribeiro Francisco, Enviado para o Portal Geledés

Em um cenário marcado por uma crise de caráter econômico, político e social causada pela pandemia, a disputa eleitoral nos Estados Unidos aprofundou ainda mais as tensões criadas pela administração do presidente Donald Trump. Enquanto um fenômeno multidimensional da política estadunidense que envolve dinâmicas de classe, gênero e raça, o trumpismo revelou diferentes faces, que na maioria das vezes se materializou em manifestações públicas de homens brancos da classe trabalhadora. Desde as primárias republicanas, Donald Trump flertava com supremacistas brancos que já tinham um canal aberto no Partido Republicano. É sempre bom lembrar que alguns republicanos estimularam a aproximação com o Tea Party, uma organização que construiu uma agenda libertária em 2009, mas, sob a presidência de Barack Obama, logo se metamorfoseou em um grupo de feição racista. Nesse sentido, Trump apenas cumpriu a função de reconduzir supremacistas brancos à política mainstream dos Estados Unidos, inflamando o debate racial que sempre esteve presente entre os temas mais discutidos na esfera pública. Entre discursos sobre o perigo dos imigrantes legais, as trapaças dos chineses e as badernas do Black Lives Matter, o presidente de forma direta ou codificada foi reforçando a associação entre cidadania de primeira classe e as experiências de branquitude.

A América Grande Novamente, embora apoiada por figuras como o rapper Kanye West, não apresentava uma natureza inclusiva, nas entrelinhas o Trump falava do retorno a uma época não exata, provavelmente a década de 1950, em que a ideia de Sonho Americano foi sinônimo de prosperidade branca. Nesse quadro, em uma trajetória de levantes contra a violência institucional da polícia estadunidense que se iniciou no final da era Obama, a militância do Black Lives Matter se transformou em um dos movimentos sociais que mobilizaram a oposição ao governo de Trump. Desde 2013, o movimento vinha pautando o debate sobre a questão racial e as políticas públicas, que ganhou uma dimensão muito maior com o assassinato de George Floyd pela polícia e as manifestações que se espalharam pelas cidades dos Estados Unidos. Donald Trump se esforçou para enquadrar os levantes como insurreições antidemocráticas, mas a força das mobilizações negras contribuiu para o avanço das narrativas sobre racismos institucionais e sistemáticos que prevaleceram nas interpretações sobre as causas das tensões raciais.

Entretanto, os termos levantes e insurreições para se referir aos protestos liderados pelo Black Lives Matter são limitados para dimensionar os esforços dos ativistas negros de diferentes localidades que ao longo dos anos articularam as suas bases e constituíram agendas que englobavam temas além da violência policial, como a precarização do trabalho e o acesso à saúde entre as comunidades negras. No momento em que a crise pandêmica e o assassinato de Floyd deflagraram as manifestações nas cidades estadunidenses, o impulso agressivo das comunidades negras foi conduzido por lideranças que já tinham experiências com as táticas de manifestações de ruas e, por outro lado, já haviam construído o debate sobre o financiamento das polícias. O que num primeiro momento apareceu ser um movimento espontâneo na imprensa era, na verdade, consequência do trabalho de lideranças negras. Essas mesmas articulações seriam retomadas em vários distritos eleitorais para mobilizar o voto negro, incitado pelos discursos racistas do presidente Donald Trump.

Os eleitores negros desde a década de 1940 votavam predominantemente no Partido Democrata, entretanto, apesar de porcentagens entre 85 e 90 por cento para o partido, o comparecimento era menor em comparação aos demais eleitores. O primeiro teste do Black Lives Matters, e tão importante quanto a eleição presidencial, aconteceu no final de junho, quando as lideranças do movimento registraram eleitores negros para apoiar os candidatos ao congresso nas primárias democratas que estavam alinhados com a sua agenda. Jamaal Bowman, da cidade de Nova Iorque, foi um dos mais bem sucedidos e se elegeu para compor “o esquadrão” – grupo de congressistas democratas de esquerda. Para algumas lideranças do Black Lives Matter, a moderação de Joe Biden e de grande parte do partido não poderiam contemplar as demandas das ruas, a estratégia era eleger congressistas mais progressistas e radicais para pautar a agenda do movimento. Entretanto, todo o esforço nessa etapa foi fundamental para impulsionar e ampliar o voto negro, favorecendo Biden na disputa com Donald Trump.

Para além do entusiasmo anti-trump, havia iniciativas financiadas por jogadores da NBA, que incorporaram o protesto do Black Lives Matter aos jogos da liga de basquete. Esse cenário de “levantes negros” foi obviamente capturado pelos democratas que eletrizaram a suas redes tradicionais conectadas com as igrejas, que são espaços tradicionais da política afro-americana. Entretanto, como acima observado, antes das manifestações, os democratas já promoviam o registro de eleitores negros para primárias que envolveram grupos associados ao Bernie Sanders, que contou com o apoio de algumas figuras do Black Lives Matter, e a construção da base de Joe Biden, que contou com as redes mais tradicionais do ativismo afro-americano. Na Carolina do Sul, o congressista negro Jim Clyburn organizou o eleitorado negro que foi o grande responsável pela primeira vitória de Biden em uma das rodadas das primárias democratas. O triunfo no estado viabilizou a candidatura de Biden, considerada até então natimorta, mesmo com o apoio do ex-presidente Barack Obama.

Ao confirmar sua candidatura para as eleições presidenciais, Biden selou o seu compromisso com a agenda negra, escolhendo a senadora negra Kamala Harris para compor a chapa. Obama, que havia participado pouco do processo, começou a fazer discursos mais contundentes e importantes do que os de Biden, explorando a má condução da crise de Donald Trump durante a pandemia. Enquanto os candidatos à presidência se digladiavam, em diferentes partes do território, onde havia a possibilidade de vitória do democrata, as bases negras foram acionadas. Um dos destaques das eleições de 2020 foi o desempenho dos democratas no estado da Geórgia, que tradicionalmente elegia os candidatos republicanos. A vitória foi alcançada graças ao trabalho de Stacey Abrams, que desde 2013 coordenava um projeto de registro de votos de eleitores negros e latinos. Em sua trajetória política, Abrams foi eleita para a Câmara dos Representantes da Geórgia e depois se tornou a primeira mulher negra a disputar as eleições para o governo em 2018, perdendo por uma pequena margem de 55 mil votos. Em 2020, Stacey Abrams assumiu a responsabilidade de “virar o voto” a favor de Joe Biden, retomando a sua experiência de registro de votos e confirmando a vitória no estado.

Essa mesma base mobilizada por Abrams para a eleição presidencial ajudou a eleger os dois senadores democratas: Jon Ossof, o senador eleito mais jovem desde a década de 1970, e Raphael Warnock, o primeiro negro eleito para o Senado no estado. Warnock, durante o processo eleitoral, explorou as suas conexões com a igreja batista em Atlanta e reforçou em sua agenda as desigualdades de raça e classe, recuperando elementos do evangelho social de Martin Luther King, figura histórica do Movimento pelos Direitos Civis que também atuou como liderança religiosa na cidade. Essas disputas eleitorais ganharam destaque da imprensa porque definiram uma maioria favorável aos democratas no Senado, mas também porque, nesse momento de desfecho, reforçaram o simbolismo da mobilização do eleitorado negro que derrotou um presidente que passou quatro anos flertando com supremacistas brancos e elegeu uma chapa democrata moderada que trouxe a reboque figuras negras progressistas.

Os democratas, no entanto, não puderam celebrar a segunda vitória na Geórgia da maneira como desejavam. Antes de se encerrar a transição governamental, Trump foi protagonista de um evento que interrompeu as formalidades para a oficialização da eleição de Joe Biden. Mais uma vez, veio à tona a questão racial, dessa vez não a partir do envolvimento de negros, mas do fracasso de uma turba de brancos que invadiu o Capitólio estimulada pela narrativa de fraude eleitoral sem evidências do presidente. Os indivíduos presentes na manifestação ostentavam símbolos associados à supremacia branca, como bandeiras confederadas, cartazes associados a milícias e camisetas que estampavam frases antissemitas. Um dos pontos mais debatidos foi a condescendência da segurança com os manifestantes, que não enfrentaram o rigor de ações que são comuns contra grupos e movimentos sociais de outras orientações ideológicas, principalmente as organizações negras. Um outro aspecto, comum tanto na cobertura da imprensa estadunidense quanto brasileira, foi o caráter anômalo atribuído ao evento, supostamente sem precedentes históricos.

Ainda que a invasão pudesse ser considerada algo inédito, vários elementos que a compuseram faziam parte da tradição política estadunidense. O ataque a autoridades políticas é um deles, os Estados Unidos tiveram quatro presidentes assassinados: Abraham Lincoln (1865), James A. Garfield (1881), William McKinley (1901), e John F. Kennedy (1963), além de Theodore Roosevelt e Ronald Reagan que foram vítimas de atentados. A formação de turbas para invasão de espaços de autoridade foi recorrente, nos estados do Sul as populações brancas se reuniam em frente a delegacias ou tribunais para linchar negros acusados injustamente de cometerem crimes. Em muitas ocasiões, os policiais convocados para garantir a ordem faziam vistas grossas às movimentações dos linchadores, revelando uma fronteira sem definição entre repressão policial e supremacia branca. Não faltaram casos de cooperação entre policiais e supremacistas para conter manifestantes do Movimento pelos Direitos Civis na década de 1960, que em várias situações acabaram mortos em ataques violentos. Mas esse é um comportamento que não ficou no passado, em uma das manifestações do Black Lives Matter nas recentes jornadas, um adolescente branco de 17 anos armado atirou e matou dois manifestantes enquanto “cooperava” com as forças policiais.

As articulações negras que se traduziram em uma forte presença do eleitorado negro nessas eleições contribuíram para dar um fim ao governo de Donald Trump. Entretanto não há um consenso sobre o futuro dessa base extremista e supremacista que se transformou em um ativo eleitoral, garantindo uma votação contundente em alguns estados democratas, inclusive Nova Iorque, evitando uma onda pró-Biden. A invasão no Capitólio pode ter sido o início da retração dos supremacistas na política mainstream, ou o primeiro passo para a reconfiguração dessa base sob a liderança de outro republicano. O fato é que, assim como os demais elementos elencados acima, a supremacia branca tem o seu lugar cativo na sociedade. Esse fenômeno não pode ser tratado como uma anomalia, a não ser que se aceite o discurso do excepcionalismo da democracia estadunidense. Manifestações públicas de supremacistas ocorreram ao longo da história sem violar o sentimento de normalidade democrática de muitos cidadãos. Em 1939, por exemplo, o Madison Square Garden, um dos mais importantes palcos de eventos na cidade de Nova Iorque, recebeu um encontro de 20 mil nazistas em um ato pró-América. Já David Duke, que serviu como Wizard da Ku Klux Klan, foi membro dos dois partidos políticos nos Estados Unidos e eleito representante na câmara legislativa da Louisiana na década de 1980. O negacionismo e o conspiracionismo presentes nos discursos de Donald Trump foram reproduzidos por outros nomes do Partido Republicano e também sempre tiveram espaço na programação da Fox News.

Portanto, os Estados Unidos, em sua complexidade, produziram figuras como o Martin Luther King, que tinha uma ideia radical de democracia, e autoritários como George Wallace, que encarnou o espírito da supremacia branca nos anos 60. O simbolismo do engajamento negro nas últimas eleições por si só não é suficiente para assegurar iniciativas voltadas para a população negra, por isso as articulações negras que elegeram os democratas cumprirão um papel importante na reconfiguração da democracia estadunidense na era pós-Trump.

Flávio Thales Ribeiro Francisco. Professor dos Bacharelados de Ciências Humanas e Relações internacionais da UFABC.
** ESTE ARTIGO É DE AUTORIA DE COLABORADORES OU ARTICULISTAS DO PORTAL GELEDÉS E NÃO REPRESENTA IDEIAS OU OPINIÕES DO VEÍCULO. PORTAL GELEDÉS OFERECE ESPAÇO PARA VOZES DIVERSAS DA ESFERA PÚBLICA, GARANTINDO ASSIM A PLURALIDADE DO DEBATE NA SOCIEDADE. 
Fonte: https://www.geledes.org.br

Posicionamento das entidades estudantis: Por um Enem em segurança e sem desigualdade - POR UNE/UBES

Faltando apenas 09 dias para o Exame, não há respostas sobre as medidas de segurança sanitária que deveriam ser tomadas, nem sequer como os recursos destinados a esse fim teriam sido utilizados.

Desde o início da pandemia no Brasil, temos alertado ao governo e às autoridades dos enormes impactos que seriam causados à educação, situação que exigiu, e ainda exige, medidas firmes do poder público, de investimentos à coordenação de ações e estratégias, porém elas não estão acontecendo ou têm sido absolutamente insuficientes.

Assim tem sido também em relação ao ENEM 2020, uma prova de dimensão nacional, que envolve quase 6 milhões de estudantes na maior parte dos municípios do Brasil. Soma-se a isso, o fato de que a ausência de aulas presenciais e a falta de iniciativa do Ministério da Educação em dar condições para que os estudantes pudessem ter o mínimo em redução de impactos, o que prejudica especialmente os jovens mais pobres das escolas públicas e que têm dificuldades de acesso à internet ou piores condições de estudo em suas casas, envolvidos em diversos problemas sociais, econômicos e psicológicos.

Logo, o que se esperava, desde o início, era que o MEC estivesse na linha de frente, propondo e coordenando um Grupo de Trabalho com ações estratégicas e investimentos que buscassem reduzir as desigualdades aprofundadas pela pandemia, seja no decorrer do ano letivo ou na realização da prova do ENEM.

Tanto essas medidas não aconteceram, quanto os números de contaminações e mortes por Covid-19 voltaram a crescer exponencialmente recentemente, o que ocasionou por sua vez o endurecimento em restrições de contato social em diversos estados, com novamente fechamento de estabelecimentos.

Diante da situação atual, mais uma vez, o MEC não dialoga com entidades e com a sociedade sobre a situação do ENEM, e como ela poderá ser realizada em segurança, mesmo sendo cobrado diversas vezes pela UNE e pela UBES. Vale ressaltar ainda que diante da consulta pública feita pelo próprio MEC a escolha dos estudantes para realização da prova foi o mês de Maio, resultado que foi desconsiderado.

Portanto, faltando apenas 12 dias para o Exame, não há respostas sobre as medidas de segurança sanitária que deveriam ser tomadas, nem sequer como os recursos destinados a esse fim teriam sido utilizados.

Essa instabilidade gera não só um impacto emocional elevado aos milhões de jovens e adultos que se preparam para o ENEM, como também coloca em risco a segurança da vida das pessoas com a realização das provas em um ambiente de crescente contaminação (milhões de pessoas em salas de aulas fechadas distribuídas por todo o país e com poucas informações acerca da segurança necessária podem ocasionar em um verdadeiro desastre). Além do fato de que não há confiança por parte de muitos estudantes, seja pelo cuidado com a saúde, muitos em grupo de risco, ou mesmo pelas restrições impostas nos estados e municípios. Para nós, o ENEM e os demais programas de acesso à universidade, são importantes e não podem ser enfraquecidos, se utilizando dessa situação, porém, em um claro posicionamento pela segurança e em defesa da vida e para que não haja ainda mais desigualdade entre os candidatos, acreditamos que a necessidade de adiamento do ENEM é fruto da falta de organização e transparência do MEC, e serviria para a criação de uma estratégia efetiva de garantia da segurança sanitária para realização da prova, sem prejuízos para os instrumentos de seleção como o SISU, PROUNI e FIES.

7 de janeiro de 2021,

União Brasileira dos Estudantes Secundaristas
União Nacional dos Estudante

Adaptado em 11/01/2021 - CPC/RN

Morre o jornalista e produtor artístico Raphael Acioli, de apenas 36

Jornalista e produtor cultural Raphael Acioli (Foto: Reprodução - Instagram).

247 - O jornalista e produtor cultural Raphael Acioli morreu nesse domingo (10), aos 36 anos, no Recife, depois de ser internado há mais de um mês no hospital Memorial São José, na capital, por causa de complicações renais. Na UTI, foi infectado pela Covid-19.

O velório de Raphael será realizado, nesta segunda-feira (11), a partir das 8h, no cemitério Morada da Paz, no município de Paulista, região metropolitana. O sepultamento está marcado para as 14h.

De acordo com a jornalista Hígia Oliveira, amiga de Raphael, o produtor "foi internado, no fim de novembro, devido a complicações de um problema renal crônico". "Teve uma crise e foi para o Hospital Memorial São José. Fez o teste de covid-19 no início do internamento e deu negativo. Precisou fazer diálise. Depois, na UTI (unidade de terapia intensiva), realizou novamente o exame, que positivou. Ficou recuperado da covid-19 e foi para a UTI geral, mas não conseguiu restabelecer o quadro renal", disse.

Fonte: Brasil 247 - Cultura

sábado, 9 de janeiro de 2021

Genival Lacerda morre aos 89 anos, vítima da Covid-19 - Potiguar Notícias

O cantor Genival Lacerda, de 89 anos de idade, morreu por complicações da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus na manhã desta quinta-feira (7). Ele estava internado na UTI desde o dia 30 de novembro e, segundo recentes comunicados da assessoria de imprensa dele, seu estado era grave e ele respirava com a ajuda de aparelhos.

Com mensagem breve em seu Instagram, o filho do cantor, Genival Lacerda Filho, revelou a informação no começo da manhã desta quinta-feira (7). "Painho faleceu", disse em seus stories.
 
O artista deu entrada no hospital no último dia 30 de novembro para tratamento da doença e chegou até a ter uma breve melhora no quadro clínico. Aos 89 anos de idade e 68 anos de carreira, Genival, que era paraibano e cidadão recifense, seguiu lutando até o último minuto.
 
O Rei da Munganga, como ficou conhecido em todo o Brasil, será eterno na memória de todos que o acompanharam durante mais de meio século; Eram crianças, adolescentes, jovens e idosos que admiravam o trabalho desse artista que elevou o nome da sua cidade natal, Campina Grande, e que representou o povo do Nordeste bravamente com a irreverência que será lembrada para sempre por todos os Brasileiros.
 
O Paraibano ficou conhecido pelo estilo musical e pelo espírito cômico que tinha. Também com o estilo próprio de cantar, pela alegria de ser nordestino e mostrar que música pode ter bom humor. Genival começou os trabalhos como radialista nas rádios Borborema e Caturité, o programa era líder em audiência e se chamava O Forró de Seu Vavá. A música Severina Xique Xique foi um marco na carreira para os outros sucessos como Radinho de Pilha, fenômeno, que vendeu mais de quinhentas mil cópias em todo o Brasil. Emplacando logo em seguida Mate o Véio que caiu rapidamente no gosto popular. A música Quem Dera ficou em primeiro lugar de audiência nas rádios de todo o Brasil durante muitos anos"
 
ÚLTIMO LAUDO
 
No dia 3 de janeiro, o cantor apresentou piora no quadro clínico com nova infecção no pulmão. "No dia 31 de dezembro de 2020 houve uma piora no quadro de saúde de Genival Lacerda, uma queda na pressão arterial que precisou ser controlada com medicamentos e uma nova infecção no pulmão, sendo necessário novos antibióticos para combater a infecção", disse o filho de Genival, João Lacerda, que também contou, em recente entrevista para Quem, que a família chegou a tomar todos os cuidados para tentar evitar que ele fosse acometido pela doença.
 
No último 30 de novembro, Genival Lacerda foi internado na UTI após testar positivo para a Covid-19. Em meados de maio, o cantor já tinha passado pelo hospital e sido internado após sofrer um AVC. Segundo o Jornal do Comércio, o cantor paraibano estava em casa quando passou mal.

Fonte: Potiguar Notícias

Diário do bolso: esse Lira eu toco - Por JORNALISTAS LIVRES

É que em 2012, seu assessor parlamentar Jaymerson José Gomes foi detido pela Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas com dinheiro escondido embaixo da roupa. E, por causa disso, seis anos depois a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o Lira por lavagem de dinheiro e corrupção. Mas até agora não deu em nada. Isso mostra que ele também é experiente em enrolar a justiça, o que é muito importante.

Por José Roberto Torero* Diário, o Arthur Lira, meu candidato à presidência da Câmara, é um cara muito experiente.

Por exemplo, ele já tem uma boa experiência com essa história de dinheiro na cueca.

É que em 2012, seu assessor parlamentar Jaymerson José Gomes foi detido pela Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas com dinheiro escondido embaixo da roupa.

E, por causa disso, seis anos depois a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o Lira por lavagem de dinheiro e corrupção. Mas até agora não deu em nada. Isso mostra que ele também é experiente em enrolar a justiça, o que é muito importante.

Ele também é experiente nesse negócio de rachadinha, e por isso não vai encher o saco do Flavinho. O Lira (que devia se chamar Dólar) foi acusado pelo Ministério Público Federal de chefiar um rachadão na Assembleia Legislativa de Alagoas. E digo rachadão porque a bufunfa deu uns R$ 250 milhões, entre 2001 e 2007.

Só para ele, esse esquema teria dado uns R$ 500 mil por mês. E o Lira (que devia se chamarEuro) até está pagando (parceladamente, sem nenhuma pressa) quase R$ 2 milhões de Imposto de Renda sobre esses “recursos de origem desconhecida”. Ou seja, o cara também é experiente em botar tapete em cima da sujeira.

Segundo o Ministério Público Federal, ele também é experiente em usar empresas para simular negócios. E fez isso na Assembleia Legislativa de Alagoas para “lavar” dinheiro desviado.

E ainda não acabou não, pô!

O Lira (que devia se chamar Libra Esterlina) já foi condenado em segunda instância por improbidade administrativa. Mas, apesar da Lei da Ficha Limpa, ele conseguiu uma liminar na Justiça de Alagoas e tomou posse em 2018 como deputado federal. Ou seja, o cara também é bom no trato com juízes.

Diário, ele é experiente em enrolar a lei, em rachadinha, em lavar dinheiro, em esconder umas notas na cueca (do assessor, o que é mais higiênico) e em convencer juízes. Pô, o cara é perfeito para mim!

Tenho que eleger esse sujeito de qualquer jeito. O Lira se encaixa no meu estilo de governo feito uma mão na luva. Ou um dedo no nariz.

*José Roberto Torero é autor de livros, como “O Chalaça”, vencedor do Prêmio Jabuti de 1995. Além disso, escreveu roteiros para cinema e tevê, como em Retrato Falado para Rede Globo do Brasil. Também foi colunista de Esportes da Folha de S. Paulo entre 1998 e 2012.

#diariodobolso


Ferréz: falta tirar da invisibilidade o que a periferia já faz

Ferréz (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247)

Escritor diz que a periferia já promove todos os tipos de atividades políticas e culturais, mas a sociedade como um todo não enxerga a riqueza desta região e suas iniciativas. “A periferia tem muita coisa e já faz muita coisa, o que falta é as pessoas acordarem”. Assista na TV 247.

247 - Novo comentarista semanal do programa Boa Noite 247, onde participará às terças-feiras, o escritor Ferréz, do Capão Redondo, zona sul de São Paulo, trouxe o olhar da periferia sobre a situação do Brasil, das fake news relacionadas à vacina e a opinião dos moradores sobre Jair Bolsonaro.Comentando a proposta do jurista Alysson Mascaro de criar pelo Brasil centros socialistas de discussão para romper com a lógica do capital, Ferréz afirmou que a iniciativa não tem chances de dar certo na periferia.

Segundo ele, as zonas mais pobres do país já contam com todos os tipos de atividades culturais, mas a elite brasileira não enxerga este fato. Para o escritor, é preciso tirar da invisibilidade os eventos promovidos por esses bairros, e não “reinventar a roda”.

“O que falta é tirar da invisibilidade, o que falta é dizer: ‘tem um sarau na Zona Sul de São Paulo que junta 300 poetas anônimos e todos eles recitam, e tem público para assistir esses poetas anônimos. A maioria deles que não tem nem livros’. Falta tirar da invisibilidade o que a periferia já faz. A periferia tem muita coisa e já faz muita coisa, o que falta é as pessoas acordarem e falarem: ‘bom, isso aqui eu reconheço, eu participo, eu faço parte’. Por que é isso, o político sempre está de um lado e a população está do outro. Então como demonizaram a política fica muito mais fácil de dominar, mas a periferia já tem tudo, não adianta inventar nada. Se você falar, ‘quero um centro de discussões para pensadores marxistas’. Tem. É só você procurar no lugar certo que você vai achar. ‘Quero uma editora de periferia’. Tem. Gravadora de periferia tem, estúdio tem, tem tudo. O que não tem é a legitimidade, é tirar da invisibilidade, é você mostrar para o povo, o outro lado, da elite, que isso existe, é tirar mesmo da margem”, falou.

Fonte: Brasil 247

Lady Gaga pede impeachment de Trump após invasão do Capitólio

Lady Gaga (Foto: Reuters)

"Ele incitou o terror doméstico - quanta violência mais precisa acontecer? Isso é terrorismo”, afirmou a cantora pop Lady Gaga.

247 - A cantora pop Lady Gaga, que fez campanha para Joe Biden (Democrata) nas eleições norte-americanas de 2018, se juntou ao coro de celebridades que estão pedindo o impeachment de Donald Trump (Republicano) após o presidente dos Estados Unidos incitar a invasão do Capitólio, sede do Legislativo nos EUA.

Em publicação no Twitter nesta sexta-feira, 8, Gaga disse preferir o impeachment ao afastamento de Trump pela 25ª Emenda, porque esta última não impede Trump de voltar a se candidatar.

“Espero que nos concentremos no impeachment de Trump para que o Congresso tenha autoridade constitucional para possivelmente desqualificá-lo de futuras eleições - a Emenda 25 não o desqualifica. Ele incitou o terror doméstico - quanta violência mais precisa acontecer? Isso é terrorismo”, afirmou a cantora.

Fonte: Brasil 247


sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Jovens serão mais de 4 mil representantes nas Câmaras - por Cristiane Tada . Por UNE

É do movimento estudantil e partidos e esquerda que vieram grande parte dos candidatos na faixa etária de 18 a 29 anos.

O pleito municipal de 2020 foi uma eleição que marcou a história. Jovens, mulheres, negros e LGBTs ampliaram sua participação nas prefeituras e em Câmaras de Vereadores de todo o Brasil. As sementes das novas regras eleitorais e o avanço de candidaturas do campo progressista em resposta ao Bolsonarismo tem dado frutos, pequenos ainda, mas expressivos como um passo a frente sem volta.

Entre os jovens é preciso ter 18 anos até a data de posse para se candidatar, e nessa faixa até os 29 anos, denominação estabelecida pelo Estatuto da Juventude para o termo jovem, eles serão 7,09% na vereança. Ou seja dos 57.091 vereadores eleitos para as Câmaras Municipais de todos os estados da federações, 4.047 são jovens.

Apesar do aumento das candidaturas infelizmente o número efetivo de eleitos diminuiu um pouco desde a eleição de 2016. Naquele ano o percentual foi de 7,8%.

Mesmo com o cenário adverso de pandemia, ainda sim vemos vários candidatos eleitos que vieram do movimento estudantil, que aprenderam dentro da UNE que é pela via política que podemos mudar esse país o que nos orgulha muito. E mesmo os não eleitos só de colocar sua candidatura na rua estão provando que a juventude está convencida de que os espaços de decisão nesse país precisam dela”, comentou o presidente da UNE, Iago Montalvão.

Diversidade avança

Entre este jovens que estarão nos legislativos locais em 2021 ainda predominam os homens: são 83% deles. O que deriva exatamente do dado total dos eleitos 65% homens e 34,7% são mulheres. Mas em relação a eleição anterior as vereadoras aumentaram em quase 3%.

Para o presidente da UNE partidos de esquerda tem responsabilidade direta nesse aumento das candidaturas jovens e diversas.

Assim como a ex-vice presidenta da UNE, Moara Saboia, primeira mulher negra no cargo da entidade foi eleita vereadora pelo PT em Contagem, Minas Gerais, e a ex-diretora da UNE Vivi Reis eleita pelo PSOL a vereadora mais votada de Belém no Pará temos muitos exemplos em todas as regiões do país.

Estes partidos trazem em seus quadros percentuais reais de mudança”, destacou.

Sim, de um modo geral a diversidade está mais presente. Na soma das 25 capitais que tiveram eleições, mulheres e homens pretos ou pardos serão 44% dos vereadores. Nas dez cidades com maior número de vereadores – como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador,… – a participação de mulheres cresceu 43%, passando de 58 para 83 cadeiras de um total de 421.

Se eleita prefeita pelo PCdoB no segundo turno a ex- diretora da UNE, Manuela D’Ávila vai governar Porto Alegre com um legislativo que será a maior representação feminina entre os vereadores do Brasil. A capital do Rio Grande do Sul elegeu 11 mulheres para a Câmara Municipal, 30% do total de vereadores que iniciarão o mandato em janeiro.

Em relação à raça mesmo com aumento das candidaturas negras a avanço tem sido tímido, as Câmaras Municipais seguem com maioria branca no país.

A proporção de brancos diminuiu de 2016, quando eles foram 57,1% dos eleitos vereadores. Neste quesito o partido PC do B merece destaque por ter 70% dos seus vereadores eleitos pretos ou pardos.

Ainda assim os legislativos no próximo ano continuam mais brancos do que a população brasileira em geral com 53% dos políticos que assim se declararam. Segundo o IBGE, 42,7% dos brasileiros são brancos, e 56,2%, negros.

Essa também é a realidade da maioria da federação. Contrapondo o perfil racial dos vereadores eleitos e o da população de cada estado, é possível constatar que 22 dos 26 estados devem ter Câmaras Municipais mais brancas e menos negras que os habitantes locais.

Ainda temos muito que avançar, mas é inegável que esta eleição mostrou que estamos virando o jogo”, afirmou Iago.

DIVERSIDADE Magazine Luiza aumenta número de contratados em trainee para negros... Leia mais em https://www.cartacapital. direito autoral.

FOTO DE DIVULGAÇÃO DO PROCESSO SELETIVO PARA TRAINEE DA MAGAZINE LUIZA (FOTO: DIVULGAÇÃO/99JOBS).

A repercussão fez as inscrições ultrapassarem o número de 22,5 mil. A empresa anunciou que vai contratar 19 trainees, em vez de dez, como era o habitual.

“Gente boa a gente quer, ainda mais para cumprir um propósito que, para nós, é relevante, de aj... Leia mais em https://www.cartacapital.com.br/diversidade/magazine-luiza-aumenta-numero-de-contratados-em-trainee-de-negros/. 

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Na argumentação, o defensor utilizou do Estatuto da Igualdade Racial para apontar “discriminação” por parte da empresa. Como exemplo, citou uma crítica do atual presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo – famoso também por atacar const... Leia mais em https://www.cartacapital.com.br/diversidade/magazine-luiza-aumenta-numero-de-contratados-em-trainee-de-negros/. O conteúdo de CartaCapital está protegido pela legislação brasileira sobre direito autoral. Essa defesa é necessária para manter o jornalismo corajoso e transparente de CartaCapital vivo e acessível a todos.

Fonte: https://www.cartacapital.com.br

As mentiras de Bolsonaro sobre o “país quebrado’ e os privilégios - Por JORNALISTAS LIVRES


A nota da unafisco mostra que é viável cumprir a promessa de Bolsonaro de dar isenção de imposto de renda para quem ganha até cinco salários mínimos, que custa aproximadamente 46 bilhões.E para tal bastaria reduzir os R$ 300 bilhões de privilégios tributários. Por outro lado a criação do imposto de grande fortunas geraria R$ 59 bilhões por ano. Já a cobrança de imposto sobre lucros e dividendos para pessoa jurídica renderia R$ 60 bilhões por ano.

Duas notas importantes do Unicom (sindicato nacional dos auditores e técnicos federais de finanças e controle) e da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco) rejeitam a idéia de que o país está quebrado, como afirmou o despresidente.

A nota da unafisco mostra que é viável  cumprir a promessa de Bolsonaro de dar isenção de imposto de renda  para quem ganha até cinco salários mínimos, que custa aproximadamente 46 bilhões.E para tal bastaria reduzir os R$ 300 bilhões de privilégios tributários. Por outro lado a criação do imposto de grande fortunas geraria R$ 59 bilhões por ano. Já a cobrança de imposto sobre lucros e dividendos para pessoa jurídica renderia R$ 60 bilhões por ano.

Portanto saída há, mas como mostra a nota da Unicon

“Estes problemas passam pela ausência de projetos e de perspectiva de desenvolvimento inclusivo, uma vez que a insistência em cortes indiscriminados de gastos em plena emergência sanitária, na redução de direitos, no arrocho de salários e na venda a qualquer preço a qualquer momento do patrimônio público, aponta para um futuro de regressão produtiva com pobreza, miséria e desigualdades crescentes, perpassado por instabilidade política e social”.

Ou seja, enquanto ficarmos presos a lógica do teto do gastos e do rentismo, o país só irá afundar. O teto do gasto significa na pratica a redução de direitos e de serviços públicos oferecidos a população, tal como vimos na reforma da previdência.

E a Unicom aponta “o que induz o governo brasileiro a ‘não fazer nada’ em 2021 são opções políticas e restrições administrativas, como uma regra de teto de gastos mal desenhada e absolutamente inadequada à situação de crise atual”

do vermelho – Unafisco: Bolsonaro mente sobre país “quebrado” e mantém privilégios

O presidente da República, Jair Bolsonaro, mente ao dizer que o Brasil está “quebrado” e por isso não consegue ampliar a isenção na tabela do Imposto de Renda, disse Mauro Silva, presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco). Segundo Silva, Bolsonaro poderia isentar mais faixas de renda acabando com privilégios tributários.

“Chefe, o Brasil está quebrado, chefe. Eu não consigo fazer nada. Eu queria mexer na tabela do Imposto de Renda, teve aí esse vírus, potencializado pela mídia que nós temos aí, essa mídia sem caráter”, disse Bolsonaro nesta terça (5) a apoiadores, em fala que gerou forte repercussão negativa.

A ampliação das isenções do Imposto de Renda para quem ganha até cinco salários mínimos foi uma promessa de campanha de Jair Bolsonaro. Atualmente, são isentos de recolher imposto à os brasileiros com renda mensal inferior a R$ 1,9 mil. Apesar de promessa, a ideia de isentar uma parcela maior de assalariados nunca foi bem-vista pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

De acordo com Mauro Silva, no entanto, seria possível conceder a isenção a mais contribuintes retirando menos de 10% dos privilégios tributários listados no Privilegiômetro, contador lançado pela Unafisco que mede quanto o Brasil perde concedendo abatimentos e isenções tributárias sem retorno à sociedade.

Segundo o Privilegiômetro, até esta quarta-feira a perda de arrecadação com privilégios tributários somava R$ 300,7 bilhões apenas na esfera federal, sem considerar estados e municípios. “Bolsonaro prefere manter o Estado mínimo para o povo e o Estado máximo para os super-ricos. Ele provou que é o presidente dos privilegiados, não dos pobres ”, afirmou o presidente da Unafisco.

O Privilegiômetro contabiliza, por exemplo, a isenção da tributação sobre lucros e dividendos para pessoa jurídica, que representará uma renúncia fiscal de R$ 60 bilhões em 2020.

Também leva em conta o que poderia ser arrecadado com a implementação do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), já previsto na Constituição Federal e que só precisa ser regulamentado por lei complementar. Segundo a Unafisco, o IGF proporcionaria uma receita de R$ 59 bilhões.

A Unafisco computa ainda os gastos de dois programas para empresários. Um deles é o Simples Nacional, mas de maneira parcial. Os benefícios do regime especial para pequenas empresas são considerados privilégio somente para empresas com faturamento anual acima de R$ 1,2 milhão, representando R$ 34 bilhões em renúncia fiscal que, para o Unafisco, não deveria existir.

“O Simples traz de gasto tributário R$ 83 bilhões. Se olhar o nível de emprego, [as empresas com faturamento] até R$ 1,2 milhão geram 60% dos empregos. Aí é que está realmente o interesse público. Agora, a concessão de benefício tributário para a faixa [de faturamento] de R$ 1,2 milhão até R$ 4,8 milhão, não condiz com nenhum país”, afirma Mauro Silva.

NOTA PÚBLICA: O BRASIL NÃO ESTÁ QUEBRADO, MAS NÃO É UMA MARAVILHA A Diretoria Executiva Nacional (DEN) do Unacon Sindical vem a público manifestar-se em relação às recentes declarações do presidente da República e do ministro da Economia de que “o Brasil está quebrado” e a “culpa da situação financeira difícil é do setor público”.

Passadas 24 horas, o presidente voltou atrás, como em outras ocasiões, afirmando que “não, o Brasil está bem, está uma maravilha”. As manifestações foram publicadas na imprensa nesta primeira semana de 2021.

O Brasil não está quebrado, mas certamente não é uma maravilha. O país se aproxima dos 200 mil óbitos oficiais decorrentes da pandemia com quase 8 milhões de infectados, sem perspectiva de reversão da trajetória de contágio e com o sistema de saúde novamente à beira do colapso. A taxa de desemprego em ascensão supera 14% da força de trabalho, enquanto a informalidade chega a 34%. A miséria atinge 14 milhões de famílias, e deverá se agravar com o fim do auxílio emergencial. Depois da crise de 2015-2016 e da semi-estagnação do triênio 2017-2019, o PIB volta a mergulhar em 2020 regredindo ao nível de 2010. Apesar do desemprego e da compressão de salários, a inflação acelera em função da alta do dólar, da desorganização das cadeias produtivas, do desmonte dos estoques reguladores de alimentos e da crise da infraestrutura.

Estes problemas passam pela ausência de projetos e de perspectiva de desenvolvimento inclusivo, uma vez que a insistência em cortes indiscriminados de gastos em plena emergência sanitária, na redução de direitos, no arrocho de salários e na venda a qualquer preço a qualquer momento do patrimônio público, aponta para um futuro de regressão produtiva com pobreza, miséria e desigualdades crescentes, perpassado por instabilidade política e social.

Alternativas existem, assim como muita coisa a fazer: vacinar imediata, gratuita e universalmente a população, manter o auxílio emergencial pelo período que for necessário, planejar a retomada com sustentabilidade ambiental, recuperar o investimento público, recompor salários, tributar os mais ricos etc. A hora é de lutar por elas.

Brasília, 6 de janeiro de 2021.A Diretoria Executiva Nacional do Unacon Sindical

O trabalhador paga mais impostos
Fonte: Jornalistas Livres

Mulheres de luta e arte: as filhas do Rio Arrojado

 

Texto de Méle Dornelas

 POR NINJA

Em umas das regiões mais ameaçadas do Cerrado brasileiro, a arte se soma às vozes das mulheres que se movimentam para transformar um lugar

Agricultoras, camponesas, nordestinas e “cerrativistas”. São essas mulheres, residentes e resistentes do Oeste da Bahia, que Conchita Silva, também defensora do bioma Cerrado, retrata e homenageia em sua obra a luta dessas protetoras da natureza. O Projeto “Gravando a Resistência: desde a década de 70, prefiro…” foi um dos contemplados pelo edital da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, da Prefeitura Municipal de Correntina, a 830 km de Salvador.

Com o recurso conquistado, Conchita dará continuidade à visibilização das guardiãs dos saberes e culturas ancestrais. “A coragem, a representatividade e a afirmação das múltiplas identidades dessas mulheres me estimularam a escutar e registrar quem são elas e contribuir, por meio da arte, para a visibilidade de seus papéis na luta e resistência dos territórios correntinenses com seus rostos e vozes gravados em xilogravuras”, conta Silva sobre o trabalho, composto por xilogravuras e artes de rua como cartazes e “lambe-lambes”.

Estudante de artes visuais e neta de geraizeiros, Conchita também diz que a inserção da palavra “prefiro” aconteceu por essa ser uma expressão muito manifestada pelas personagens. “Prefiro… Prefiro não morrer, mas prefiro morrer lutando” é uma das afirmações escritas em letras manuais na xilogravura que retrata a agricultora familiar do município de Correntina, Dona Ana, uma das personagens deste trabalho.

A resistência vem das mulheres e da arte

Correntina, localizada no Oeste da Bahia, é uma das regiões mais ameaçadas do Cerrado brasileiro. Desde a chegada e expansão desenfreada do agronegócio na década de 70, a região se viu envolvida em conflitos socioambientais, principalmente a violência contra a população local relacionada aos casos de grilagem de terras e à concentração de água voltada aos grandes empreendimentos. Segundo o portal de notícias Mongabay, com base no Diário Oficial, o Cerrado baiano perdeu quase 2 bilhões de litros de água por dia para o agronegócio durante a pandemia da Covid-19.

São centenas de povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares que dependem da biodiversidade do Cerrado para sobreviverem na Bahia. São elas também que se articulam e protagonizam movimentos de luta em defesa de seus territórios e da conservação da biodiversidade e das águas. O Rio Arrojado é um forte exemplo. Um dos mais degradados pela ação das empresas, ele é símbolo de identidade para as comunidades geraizeiras, de fundo e fecho de pasto, quilombolas e tantas outras que aprenderam com seus ancestrais que para viver é preciso manter o Cerrado vivo.

Articuladas em movimentos e organizações, as populações do Oeste da Bahia já protagonizaram diversos levantes contra a ofensiva desordenada das grandes empresas produtoras de commodities. A “Revolta da Água” foi uma delas e conseguiu alcance na mídia nacional. No entanto, há quem seja importante nesses processos de luta, mas permaneça com suas vozes silenciadas. “Sempre escutamos que as mulheres são as mais atingidas, que são as que mais se articulam, mas, quando vamos ver, o protagonismo é sempre tomado pelos homens. Por isso quero trazer o olhar das mulheres, amplificar as vozes delas sobre a luta”, conta Conchita.

As mulheres do Rio Arrojado

Foto: Conchita Silva

Além de Dona Ana, outras camponesas e ribeirinhas ganham traços de xilogravura para contar suas histórias e de seu povo. “Aqui é todo mundo de paz, Ninguém quer guerra. Só queremos nossos rios preservados, só isso. Ninguém vai morrer de sede nas margens do Arrojado, ninguém!”, essa frase, que marcou a luta da população de Correntina, é da professora do meio rural Marinês, e se encontra com os traços cuidadosamente desenhados por Conchita.

A camponesa e mulher negra, como gosta politicamente de se descrever, Dona Nena, também ganha formas artísticas e sua luta e de seus filhos pelo Cerrado se reveste da tinta vinda da umburana. Nena passou dez anos lavando roupa no vale do Rio Arrojado e hoje, a agente de saúde também se considera uma defensora do Cerrado e das riquezas que o bioma traz para sua comunidade e sociedade.

Também recebe traços e poesias de luta no decalque de seu sorriso a geraizeira e ribeirinha Aliene. Diariamente, a correntinense luta em defesa da permanência de sua família em seu território para garantir que gerações futuras tenham o direito de existir com as águas e o Cerrado vivos. Junto com sua representação, pode-se ler o texto da poetisa e também moradora e filha do Cerrado, Jaqueline Honório:

“E não permitiremos que esse grito seja esquecido. Não permitiremos que esse grito morra. Porque não permitiremos que o nosso povo morra.”

O trabalho de Conchita mostra que a luta das mulheres do oeste da Bahia traduz uma realidade que acompanha a trajetória do Brasil. Como não lembrar do legado da mineira Carolina Maria de Jesus ao ouvir as falas e conhecer a história das mulheres baianas? Dona Ana, dona Nena, Marinês e Aliene estão presentes nos quatro cantos brasileiros. São elas que estão em movimento para manter o Cerrado, a Amazônia, a Caatinga e todos os nossos biomas em pé. E são elas que merecem ter suas vozes ecoando país e mundo afora. Vozes que falam em defesa dos territórios conservados, da vida e de quem somos.


Fonte: Mídia Ninja