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sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Bolsonaro representa uma vergonha nacional e internacional para o Brasil, diz o general Santos Cruz

(Foto: Fabio Pozzebom - ABR)

Sputnik – O ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, se posicionou nesta quinta-feira (28) sobre a reação irritada de Bolsonaro à divulgação de detalhes sobre os gastos do governo federal com alimentos em 2020.

Pelo Twitter, Santos Cruz, que foi demitido em junho de 2019, disse que os ataques à imprensa realizados pelo presidente em uma churrascaria em Brasília são uma "vergonha nacional e internacional" e afirmou que Bolsonaro não tem "noção institucional" do cargo que ocupa.

Nesta quarta-feira (27), Bolsonaro se irritou com a divulgação do gasto de mais de R$ 1,8 bilhão do governo em alimentos. O valor é 20% maior do que o gasto em 2019. Só em alfafa, por exemplo, foram gastos mais de um milhão de reais (R$ 1.042.974,22). Com leite condensado, mais de 15 milhões (R$ 15.641.777,49).

Em resposta, o presidente disse: "Quando eu vejo a imprensa me atacar, dizendo que comprei dois milhões e meio de latas de leite condensado, vai para a p***, imprensa de m***! É pra enfiar no r*** de vocês da imprensa essas latas de leite condensado".

O Ministério Público (MP) entrou com uma representação junto ao Tribunal de Contas da União para que sejam apuradas "supostas irregularidades" no caso da compra de alimentos pelo governo federal. Segundo o subprocurador-geral do MP, Lucas Furtado, "notam-se claros indícios de pagamentos em valores acima do mercado a configurar superfaturamento dos gastos do governo".

© REUTERS / UESLEI MARCELINO

Presidente Jair Bolsonaro conversa com jornalistas após encontro com ministro da Economia, Paulo Guedes

Santos Cruz é amigo de Bolsonaro há mais de vinte anos. Desde que foi exonerado, já fez outros ataques ao presidente, como a declaração de que o governo federal "é um show de besteiras". Em outra oportunidade, afirmou que Olavo de Carvalho, tido por Bolsonaro como um ideólogo, é um "vigarista profissional".

Fonte: BRASIL 247

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Pandemia, cultura e tecnologia na era da precarização

O cantor e compositor César Lacerda reflete sobre as relações de consumo e produção cultural em tempos isolamento social e como elas podem desenhar o futuro.

Durante os últimos dez meses, período em que estive isolado em casa por conta da pandemia do vírus SARS-CoV-2, fui convidado frequentemente por amigos e colegas, mas também através de sugestões nas redes, a assistir pela internet a palestras, entrevistas, aulas, as mais diversas e apresentações artísticas. O fato de ter havido uma migração em massa em direção ao “mundo digital”, como uma reação frente ao impacto causado pelo isolamento social, tem me levado a perguntar que tipo de influências ou consequências este novo formato pode ter sobre a realização de shows e concertos no futuro.

Pergunta semelhante se poderia fazer a respeito de espetáculos teatrais, de dança, exposições e performances em geral. Mas também, sobre a formação em escolas e universidades, e ainda sobre o trabalho nas mais diversas áreas. Apesar de a tecnologia que permite realizar transmissões ao vivo estar disponível anteriormente, a pandemia parecer ter acelerado diversos processos dentro da sociedade brasileira, que, por sua vez, tem sido levada a naturalizar rapidamente noções como as de teletrabalho ou as de apresentações artísticas transmitidas pela internet. É sobre estes fatos que tenho tentado refletir: velocidade e naturalização.

Partindo do pressuposto que as lives, da forma como se desenvolveram nos últimos meses, “vieram para ficar”, como se faz saber a partir da opinião manifestada publicamente por diferentes artistas, produtores, agentes culturais, curadores e empresários, considero importante analisar e problematizar essa guinada em direção ao “digital” atentando-se às transformações e também a possíveis desequilíbrios que venham a se manifestar. Em um contexto de pandemia, e da consequente retração das atividades do campo da cultura, a adaptação veloz a essas ferramentas rivaliza com a necessidade de tentar compreender, ponderar, apresentar diagnósticos e alternativas frente a este cenário inédito. Ao investigar o porquê de tal aceleração, observo, antes de mais nada, a necessidade se de reatualizar o debate sobre o papel do Estado, e consequentemente, das políticas públicas destinadas ao setor da cultura num momento como este. Ademais, é preciso indagar sobre a interferência das gigantes tecnológicas em diversos processos culturais através das plataformas que elas disponibilizam, avaliando aspectos de precarização, acirramento e competição que elas produzem, e as múltiplas consequências desse processo nos ambientes de criação artística.

Imagem: Débora Gonzalez/Folhapress

Nos últimos anos, assistimos a um desmonte de estruturas e de ferramentas que fortaleciam e protegiam os cenários culturais no país: uma série de políticas públicas e editais que fomentavam a criação, formação, transmissão, circulação e distribuição, deixaram de existir. Em decorrência disso, casas de espetáculo distribuídas pelo país fecharam; mostras e festivais, por falta de verba, não conseguiram realizar a edição seguinte; artistas pausaram ou até abandonaram as suas carreiras; veículos de crítica, pensamento e discussão não conseguiram mais produzir seus conteúdos, e assim por diante. Essas políticas tentavam atuar contra uma lógica global do mercado, reconhecendo que se havia promovido ao longo do tempo assimetrias que afunilavam condições de produção, realização e acessibilidade, mas também uma percepção de diversidade própria das culturas do Brasil. Desde a saída de Juca Ferreira do Ministério da Cultura, em 2010, nota-se que há uma subversão dessas práticas políticas, o que nos conduz, dez anos depois, ao atual cenário: a pasta ministerial tornou-se na gestão do presidente Jair Bolsonaro uma Secretaria alocada como órgão dentro do Ministério do Turismo. Com o intuito de arrefecer, ou até mesmo, eliminar políticas culturais conquistadas, uma articulação é turbinada pelo governo e grupos associados: a depreciação de uma parcela da classe artística e de políticas culturais como a “Lei Rouanet”; fato que encontra abrigo na opinião popular, que vem sendo conduzida a fazer uma associação entre a corrupção novelizada diariamente em rede nacional e supostos privilégios que esta classe teria por associar-se ideologicamente com políticos da esquerda. O ano de 2020 começa assim, com a combinação de cortes em fomentos, discurso de ódio e censura. Estas estratégias de guerra híbrida somadas ao agravamento de sucessivas crises econômicas que levam ao desemprego e empobrecimento, produzem aridez, incerteza e temeridade nos cenários cultural e artístico, incutindo sobre todo o campo desesperança e medo pelas impossibilidades que se somam.

A pandemia chega no Brasil nesse contexto, agravando ainda mais a situação. E com todos os impedimentos trazidos por ela, a internet apresenta-se como uma ferramenta imediatamente acessível e um espaço seguro em termos sanitários para uma reacomodação de atividades culturais. No caso da música, as lives rapidamente se convertem numa plataforma de apresentação de espetáculos, e os mais diversos artistas passam a realizar transmissões através do Instagram, Facebook, YouTube, Zoom ou Twitch.

De um lado, um grupo volumoso e diverso de artistas independentes, atuando fora da grande mídia ou do mercado convencional, tem produzido as suas lives em busca de realizar uma via de interlocução com o seu público. Lidando com toda sorte de obstáculos, realizam transmissões através dos seus próprios telefones celulares e de forma gratuita. Alguns, buscando formas de monetizar suas apresentações, apostam em ações que variam desde a venda de produtos, como camisetas, até a sugestão ao público para realização de contribuições colaborativas. Em suma, a difusão e naturalização dessas “noções de empreendedorismo” na rede reflete é que o país sob o governo de Bolsonaro empurrou quase metade da sua população ocupada para a informalidade, e os músicos não estão alheios a essa situação bárbara de precarização do trabalho. Pesquisa realizada pela União Brasileira dos Compositores em parceria com a cRio revela que 56% dos músicos não receberam por suas lives durante este período.

Ilustração: Éder

Na outra ponta deste cenário há as/ os artistas do mainstream, que têm produzido espetáculos grandiosos, financiados por grandes marcas de fast fashion, bebida alcoólica, cartão de crédito ou automóveis. São, em muitos casos, concertos apoteóticos que divergem emocionalmente, mas também economicamente, com a carga um tanto sufocante dos dias. Estima-se que o cantor sertanejo Gusttavo Lima pode ter recebido até R$ 3 milhões por apresentação transmitida pelo canal Band TV, segundo matéria da Rolling Stone Country. No ranking mundial divulgado pelo YouTube listando as lives de maior audiência, os artistas brasileiros figuram em peso. Representantes da música sertaneja, como Marília Mendonça e Jorge & Mateus, lideram a disputa com números expressivos. Coincidência ou não, a música comercialmente mais popular do Brasil é também aquela que está associada ao setor da economia com um dos índices mais relevantes de crescimento na pandemia, que é o agronegócio.

Além de audiência, as lives cativaram a adesão de empresários e produtores executivos de várias áreas que avaliam positivamente o modelo e enxergam a possibilidade de, no futuro, levar espetáculos neste formato para todo o país. Seria uma forma de lidar com os inúmeros obstáculos que se impõem na hora de rodar o Brasil com apresentações artísticas. Não obstante, há ainda uma discussão fundamental a respeito da redução de impactos e a crise climática — um tema que ocupará com centralidade as nossas vidas daqui para frente.

No entanto, nesse trânsito rumo ao “digital”, ainda outras questões se apresentam. Uma primeira pergunta que faço a respeito deste novo modelo é se ele atenderia, mais uma vez, somente a um grupo mais seleto de artistas que responde às demandas de patrocinadores, visto que um projeto com essa estatura e alcance precisaria de um aporte financeiro significativo responsável pela sua execução. Por outro lado, se a opção for por vender ingressos para que as pessoas assistam a estes espetáculos em suas casas, imaginemos o tipo de impacto que isso teria sobre toda a cadeia de produção artística, desde teatros e casas de espetáculos distribuídos pelo país se tornando espaços empurrados para uma obsolescência, bem como setores associados; o pipoqueiro, a gráfica, diversos segmentos do turismo nas cidades, enfim, a cultura gera empregos de formas muito amplas e diversas. Por fim, imaginemos que tipo de impacto esse isolamento experienciado pela área cultural teria sobre as sociedades, cada vez mais, segmentadas, repartidas, polarizadas.

É interessante observar se há propriamente uma demanda por ações de transferência como esta, ou seja, se há a inclinação de uma parcela suficientemente importante da sociedade a favor de trocar a possibilidade de ir presencialmente a um show pela de assistir a espetáculos em formatos digitais. O que há, objetivamente, é o desejo de expansão do negócio de artistas de notória expressão comercial que veem nesse modelo formas de nacionalizar o seu produto, derrubando assim, barreiras territoriais e culturais.

Para explicar melhor o que busco refletir, aqui valeria tomar de empréstimo a análise de um tema vizinho: a economia do compartilhamento. Segundo Bianca Tavolari em artigo para Quatro cinco um: “Grandes plataformas da economia do compartilhamento não desestabilizam apenas potenciais concorrentes diretos. No caso do Uber, pesquisadores e pesquisadoras já começam a medir os efeitos que o aplicativo tem no transporte público. Sistemas de metrô em grandes cidades já começam a ter dificuldade de manter os subsídios de tarifa dados os baixos preços de Uber e similares”. O mercado que se deseja construir a partir das lives parece se estruturar em consonância com perspectivas desta economia. E o resultado disso, via de regra, é que as populações mais desassistidas vão sendo cada vez mais afetadas, seja na sua mobilidade ou moradia, seja na possibilidade de produção e fruição à cultura. O ciberespaço gerenciado por essas gigantes tecnológicas, vai se tornando, e com estímulo estatal, um espaço de reprodução da lógica da precarização no campo cultural.

Nas últimas décadas, com o estabelecimento da internet e os avanços na tecnologia, e com o fato destas transformações estarem conjugadas à um maior acesso a equipamentos e softwares, a indústria da música se viu confrontada por um novo e insurgente cenário onde músicos os mais diversos puderam gravar e compartilhar as suas criações de forma mais direta, barata e imediata. E ainda, sem se orientar pelo crivo de diretores executivos, artísticos ou de marketing de grandes gravadoras. A internet se tornava, então, um importante fator disseminador e nela se assistiu ao fortalecimento de elos de diálogo — não nos faltariam bons exemplos de artistas na música popular, por exemplo, que surgiram e ganharam muita expressão pública neste período tendo sua representatividade conseguida através das redes sociais. Esses processos de descentralização foram muito importantes para estabelecer novas ideias de capilaridade e diversidade dentro do mercado da música.

Foto: Reprodução Facebook/ @Pawel Kuczynski

Mas essa cultura emergente que se desenhava ali, tem sido conduzida para dentro do modelo gerenciado por essas grandes empresas transnacionais, que redefinem a circulação de música na internet, agora, via streaming. Tornou-se usual que um/a músico/a, independente das peculiaridades da sua produção artística e dos seus desejos enquanto criador/a, ao lançar um novo trabalho, seja orientado/a a fazê-lo dentro dessas plataformas, com o objetivo de alcançar mais visibilidade. Uma primeira questão que surge é que o modelo comercial das plataformas reforça uma lógica precarizante: essas empresas lucram exorbitantemente e pagam indevidamente. Uma outra questão, é que as ações no interior dessas plataformas estão condicionadas a formações de “bolhas”. Isso porque, a mecânica por trás de seu funcionamento responde a uma lógica responsável por atomizar um sistema de nichos: a experiência da escolha é fabricada por algoritmos que sugerem qual música o usuário deve ouvir, através de um mapeamento de perfil. Com isso, a chance de se escutar músicas diferentes, em gênero ou estilo, se restringe, afinal o dispositivo está condicionado a realizar previsões esquemáticas processadas em máquinas. Há, então, uma tendência a um achatamento na experimentação da própria diversidade de estéticas e abordagens artísticas. Além disso, em um contexto em que essas plataformas passam de distribuidoras de conteúdo a verdadeiras mediadoras culturais, aquilo que escapa de seus radares pende à condição de invisível.

Além disso, essas plataformas exacerbam, através de ferramentas de quantificação, o estímulo para se operar através de mecanismos que incentivam uma rivalidade: “número de seguidores”, “número de plays”, “número de visualizações”, etc., se tornam marcadores comparativos de qualificação artística. Reitera-se e intensifica-se, dessa maneira, uma “cultura da concorrência”, como se as trajetórias artísticas se validassem apenas ao responderem, de maneira quase atlética, por essa proficiência em alcançar números.

Em seu livro “Depois do Futuro”, o filósofo italiano Franco Berardi comenta: “A rede, argumenta Formenti [em “Cybersoviet — Utopie postdemocratiche e nuovi media”], foi uma formidável ocasião para a elaboração utópica, estimulando a imaginação política e social e abrindo possibilidades impensáveis de concatenação e riqueza. Mas a ideia de que na rede a democracia encontrasse finalmente seu ambiente ideal, de onde irradiar-se em direção ao mundo real, pouco a pouco confrontou-se com a realidade do mundo territorial no qual a dimensão virtual também corre o risco de ser dominada pelos interesses econômicos e militares”.

Recentemente, foram divulgados dados por Daniel Ek, presidente do Spotify, revelando que a plataforma faz upload de aproximadamente 40.000 músicas por dia, mais de 1 milhão de músicas por mês — o que nos oferece uma medida relativa sobre o volume excepcional de material musical na internet. Essa produção intensa radicaliza a exposição da criação artística à lógica do efêmero. Mas não somente. Também o público tem sido levado a responder a altíssima e incessante fabricação de conteúdo com a presença constante nas redes. O fato do usuário ser instigado a passar demasiado tempo na internet, produzindo ou consumindo conteúdos variados, já se tornou objeto de estudos que sugerem que problemas como depressão, ansiedade, distúrbio do sono e arritmia podem estar associados à quantidade de tempo que se passa conectado. No entanto, há uma circunstância intrigante sobre o impacto da superexposição à internet em nossas vidas. Trata-se da tendência de substituir atividades que se davam em ambiente relacional, e que agora vêm, pouco a pouco, sendo oferecidas ao público em configurações que privilegiam um contexto mais solitário. Mark Fisher, em seu “Realismo Capitalista”, observa: “O uso de fones de ouvido é significativo aqui — o pop é experimentado não como algo que poderia ter impactos sobre o espaço público, mas como uma fuga em direção ao privado ‘ÉdIpod’ [OedIpod] do prazer de consumo, uma parede contra o social”. Ou como conclui o sociólogo canadense Arthur Krorker, “a ciberinteratividade é o oposto da relação social”. E é aí que temos uma grave ameaça.

Em matéria na Radio France do dia 28 de setembro, lê-se que estudo realizado pela The Musicians’ Union, sindicato que representa mais de 30.000 músicos, revela que um terço destes profissionais no Reino Unido está pensando abandonar a profissão por dificuldades financeiras motivadas pela pandemia (o Reino Unido contou com ações de auxílio emergencial como o Fundo criado pela instituição Help Musicians, que disponibilizou cerca de 5 milhões de libras esterlinas para o setor, além de programas do Governo e também outros fundos). Horace Trubridge, representante-geral da União de Músicos do Reino Unido, entrevistado pela NME, disse que este número de músicos que abandonará o seu ofício pode ser ainda maior, e culpa a natureza do modelo de negócios das plataformas de streaming, cuja renda gerada virtualmente, é muito baixa e impede os músicos de ficarem em casa ou de se manterem na profissão, sobretudo, se comparada esta renda virtual aos cachês que receberiam se pudessem se apresentar em festivais ou casas de espetáculo. No Brasil do governo Bolsonaro, a ausência de transparência sobre os impactos da pandemia também se manifesta no setor cultural, e é possível especular que nossa situação talvez seja ainda mais catastrófica.

Desde que a pandemia chegou aqui e medidas de segurança sanitária foram impostas, assistimos a uma aceleração vertiginosa da desarticulação de estruturas de promoção cultural: o impedimento de aglomerações levou ao fechamento de teatros e casas de espetáculo, e ao cancelamento de shows, mostras e festivais. Essa realidade, porém, não deixou de suscitar debates sobre o lugar da cultura em um momento tão dramático e sobre a capacidade do setor de promover suas atividades em acordo com as exigências sanitárias impostas pela crise. Com o tempo, governos estaduais e prefeituras mudaram suas políticas a respeito do isolamento social reabrindo shoppings, bares e restaurantes, e academias de musculação. No entanto, optaram por não retornar shows e concertos — salvo pontuais eventos, como os shows no formato drive-in em grandes estádios. É importante ressaltar que iniciativas como essa partem de grupos privados, atendendo a uma demanda específica, relativa a venda de espetáculos de artistas de expressão mercadológica. O que fica expresso, portanto, é que políticas como as adotadas pelos governos Federal, Estadual e Municipal, de forma geral, cumprem uma agenda de descaso e perseguição com os setores artístico e cultural, levando a classe a uma situação degradante e consolidando uma ideologia que a despreza, marginaliza e estigmatiza.

A gravidade da situação aqui tomou feições escandalosas e afetou até mesmo artistas de renome como Nelson Sargento, Arnaldo Baptista, Angela Ro Ro, entre outros, que foram até as redes pedir ajuda financeira. Vale ainda registrar as condições trágicas como o compositor Aldir Blanc morreu vítima de complicações causadas pelo coronavírus. Autor de dezenas de canções seminais da música popular brasileira, em seus últimos dias de vida, num hospital público, sua família precisou recorrer a amigos e fãs em busca de doações que custeassem seu tratamento. Seu nome batizaria em seguida a lei que seria aprovada em julho de 2020 pelo Congresso Nacional e destinaria recursos ao setor cultural. Muitos dos mais de 5 milhões de profissionais que esperavam essa ajuda do governo, até hoje, em janeiro de 2021, encontram dificuldades de receber o auxílio.

Aldir Blanc | Ilustração: Mello Menezes

Estamos gravemente feridos: sangramos pela atuação de um Governo bárbaro e cruel que, praticando a desassistência como solução dos problemas, empurra o campo cultural à lógica de um empreendedorismo individualista e do “salve-se quem puder”. A este cenário, desprovido de políticas públicas destinadas à cultura, se somam as múltiplas interdições decorrentes da pandemia. Na impossibilidade do contato corporal, adaptamos, muitas vezes impossibilitados de resistir, nossas práticas ao mundo digital, tornando-nos cada vez mais reféns da internet, como meio de interação e de distribuição do nosso trabalho. Porém, a internet, que outrora era ferramenta de promoção e descoberta de diversidades, hoje se define como protagonista fundamental de um processo de precarização do nosso próprio ofício pela lógica ostensivamente brutal conferida pelas gigantes tecnológicas. Tem-se, com isso, um mecanismo que se retroalimenta e que busca se consolidar para além da conjuntura de crise atual. Por mais que este processo seja repleto de desvios, apropriações e ressignificações potentes, nos possibilitando vislumbrar cenários alternativos, considero importante insistir no caráter artificial e oportunista que se manifesta nessa reconfiguração das práticas culturais e na pressa de sua validação. Se crise é sinônimo de oportunidade, a crise atual tem sido o cenário perfeito para que as velhas forças do atraso, da dominação e da promoção da desigualdade, se rearticulem e projetem um futuro. Esse futuro não me interessa. O que está em jogo é a velha questão do lugar da cultura na nossa sociedade. Trata-se de um embate permanente que, mesmo diante do quadro desolador que presenciamos, não deve ser negligenciado, ou postergado. É no embate da cultura, na cultura e pela cultura que disputaremos futuros melhores.

(*) César Lacerda é cantor, músico e compositor. Lançou em 2013 o seu primeiro disco, “Porquê da Voz”

Fonte: Revista Bravo!

É HOJE!!! (25/01/2021!!! - COMISSÃO HOMENAGEIA LUIZ IGNÁCIO MARANHÃO FILHO COM A PRESENÇA DA GOVERNADORA FÁTIMA BEZERRA - DIA 25/01/2021 (YOUTUBE)

COMISSÃO HOMENAGEIA LUIZ IGNÁCIO MARANHÃO FILHO COM APRESENÇA DA GOVERNADORA FÁTIMA BEZERRA.

Contando com a presença da Governadora do Estado do RN, Professora Fátima Bezerra, o Governo do Estado, a Fundação José Augusto e a Comissão do Centenário de Nascimento de Luiz Ignácio Maranhão Filho estarão promovendo uma Solenidade em homenagem a esse ilustre potiguar.

O Evento será realizado HOJE (25) de Janeiro, data do Centenário de Nascimento de Luiz Maranhão e constará do Lançamento de um Selo Postal comemorativo e da apresentação de um Cordel escrito pelo poeta Crispiniano Neto, que também é Diretor Geral da Fundação José Augusto.

Por motivos de restrições sanitárias e prevenção á COVID 19, O Evento será transmitido através do Youtube, através do endereço do canal Universidade Popular DHnet pelo link:

https://youtu.be/xjJx3nyq0Vw

LUIZ IGNÁCIO MARANHÃO FILHO nasceu em 25 de janeiro de 1921, em Natal (RN), filho de Luiz Ignácio Maranhão e Maria Salomé Carvalho Maranhão.

Era casado com Odette Roselli Garcia Maranhão. Advogado, professor do Atheneu Norteriograndense, onde havia estudado, e também da Fundação José Augusto e da UFRN. Professor e jornalista, colaborou com diversos jornais do estado, particularmente com o Diário de Natal, e publicou vários artigos na Revista Civilização Brasileira.

Em 1945, iniciou sua militância no PCB. Preso em 1952 pela Aeronáutica, em Parnamirim (RN), foi muito torturado. Sua história constituiu um capítulo do livro A História Militar do Brasil, de Nelson Werneck Sodré. Em 1958, foi eleito deputado estadual, pela legenda do Partido Trabalhista Nacional (PTN), desempenhando o mandato até 1962.

No início de 1964, visitou Cuba a convite de Fidel Castro. Quando ocorreu o golpe de Estado em abril do mesmo ano, Luiz foi preso e, novamente, submetido à tortura. Foi atingido pelo primeiro Ato Institucional, com suspensão de direitos políticos e cassação do mandato de deputado estadual no Rio Grande do Norte em 8 de junho de 1964. Permaneceu preso na ilha de Fernando de Noronha (PE) até fins de 1964, junto com o governador de Pernambuco Miguel Arraes e seu irmão, todos cassados.

Libertado, imediatamente passou à clandestinidade, no Rio de Janeiro. Durante o período de vida clandestina, Luiz Ignácio atuou em diversas atividades partidárias. Foi eleito membro do Comitê Central do PCB no seu VI Congresso, em 1967.

Era importante elo nos contatos do PCB com a Igreja católica e políticos da oposição legal. Defendia o diálogo entre marxistas e cristãos, conforme o filósofo filiado ao PCF, Roger Garaudy, com quem se correspondia. Em 1967, organizou a publicação de três Encíclicas: Mater et Magistra, Pacem in Terris, de João XXIII, e Populorum Progressio, de Paulo VI, em um volume intitulado A Marcha Social da Igreja, cuja introdução foi escrita por Alceu Amoroso Lima, o Tristão de Athayde, importante pensador cristão. Ele acreditava em uma aproximação com a Igreja para realizar um trabalho conjunto contra a ditadura.

Prisões no Rio de Janeiro, em junho de 1970, originaram um IPM no Primeiro Distrito Naval para apurar a atividade de militantes do PCB. Um processo nesse distrito, que se desdobrou em cinco IPMs, procurou colher informações sobre Luiz Maranhão. Ele foi indiciado como revel no IPM de agosto de 1970, sendo denunciado como incurso nos art. 23, 43 e 45 da LSN. Em 23 de janeiro de 1973, porém, foi absolvido por insuficiência de provas. Em 27 de março de 1973, o Superior Tribunal Militar julgou a apelação e, por maioria de votos, o absolveu.

Luiz Maranhão foi preso no dia 03 de abril de 1974 numa praça em São Paulo, capital. Pessoas que presenciaram a cena, informam que ele foi algemado e conduzido num transporte de presos pelos agentes do DOI-CODI do II Exército. A ditadura militar jamais reconheceu a prisão do militante político; foi incluído no rol dos desaparecidos. Sua esposa denunciou, através do Secretário Geral do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), deputado Thales Ramalho, que Luiz estava sendo torturado em São Paulo pelo famigerado assassino Sergio Fleury. Em 15 de maio de 1974, o vice-líder da ARENA, Deputado Garcia Neto prometia "que o governo tomaria providências para elucidar os sequestros de presos políticos, inclusive de Luiz Maranhão Filho". Providências nunca encaminhadas. Em 08 de abril de 1987, o ex-médico e torturador Amilcar Lobo revelou, em entrevista à Revista Isto É, que viu Luiz sendo torturado no DOI-CODI do I Exército no Rio de Janeiro. Em 1993 o ex-agente do DOI-CODI, Marival Chaves, em entrevista à Revista Veja, disse que Luiz fora trucidado pelos órgãos de segurança da ditadura militar; seu corpo não foi localizado. 

Luiz Ignácio Maranhão Filho foi homenageado em 1993 com a criação do Instituto Prof. Luiz Maranhão Filho, entidade vinculada à campanha de legalização do PCB no início da década de 80. Com a Lei no. 9l40/95, seu nome consta da primeira relação dos mortos e desaparecidos políticos, tendo a União reconhecido sua responsabilidade pela morte desses militantes.

A Comissão de Comemorações ao Centenário de Luiz Ignácio Maranhão Filho foi criada em 10 de Novembro de 2020, através da Portaria 110/2020. A Comissão, através da Fundação José Augusto-FJA, será responsável por propor, organizar e preparar atividades e eventos comemorativos ao transcurso do Centenário de Nascimento de Luiz Ignácio Maranhão Filho, que ocorrerá em 25 de Janeiro e que transcorrerá até 31 de dezembro de 2021.           

Informações e Contatos:

Roberto Monte - 084 99977.8702                                                                                      Aluizio Matias  -  084 98721.7705                                                                                              Ailton Medeiros  084  99915.2797

domingo, 24 de janeiro de 2021

Fiocruz libera neste sábado distribuição de vacina aos estados

 Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

As 2 milhões de doses da vacina Oxford-AstraZeneca, desenvolvida em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), começarão a seguir para os estados na tarde deste sábado (23). Depois de chegar em voo da Emirates no Aeroporto de Guarulhos, às 17h20 dessa sexta-feira (22), a carga foi transportada em um avião da Azul até a Base Aérea do Galeão, onde chegou às 22h.
 
As 2 milhões de doses da vacina Oxford-AstraZeneca, desenvolvida em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), começarão a seguir para os estados na tarde deste sábado (23). Depois de chegar em voo da Emirates no Aeroporto de Guarulhos, às 17h20 dessa sexta-feira (22), a carga foi transportada em um avião da Azul até a Base Aérea do Galeão, onde chegou às 22h.
 
As vacinas prontas foram fabricadas pelo Instituto Serum, na Índia, e eram aguardadas desde sábado (16), mas tiverem atraso no envio por questões internas da Índia.
 
O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, recebeu o lote em solo brasileiro, ao lado dos ministros das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e das Comunicações, Fábio Faria. Também estavam presentes o embaixador da Índia, Suresh Reddy, e a presidente da Fiocruz, Nisia Trindade. Esta última se juntou ao grupo no Rio de Janeiro.
 
"A encomenda tecnológica prevê 100 milhões de doses para o primeiro semestre. Essas 2 milhões de doses são apenas o início. É o começo do processo. O objetivo do Ministério da Saúde é a vacinação em massa do povo brasileiro. E isso vai nos colocar, rapidamente, no topo da lista do número de vacinados. Com 8 milhões de doses, nós passaremos a ser o segundo país do ocidente que mais vacinou", disse Pazuello, em pronunciamento à imprensa na Base Aérea.
 
O ministro Ernesto Araújo ressaltou a cooperação e a relação diplomática com a Índia. "Isto aqui é o começo de uma parceria tanto na área farmacêutica quanto em muitas outras áreas com a Índia. País pelo qual temos uma admiração imensa, uma amizade imensa, que agora se consolida ainda mais", disse Araújo.
 
O embaixador indiano classificou o momento como um dia histórico entre os dois países. "Este dia traz sorrisos e otimismo a muitas pessoas. O Brasil é o primeiro país a receber esta carga e nós estamos muito orgulhosos de fazer parte deste processo. A Índia assegurará vacinas para todos os países e todos os povos", disse Suresh Reddy.
 
Para a presidente da Fiocruz, a chegada da vacina é uma vitória da ciência. "Neste momento de perdas, ter a vacina é uma esperança que vem da ciência, que vem do Sistema Único de Saúde. É uma vacina com 70% de eficácia e que poderá ser administrada no intervalo de 12 semanas. Isto será muito importante para o nosso sistema de saúde", ressaltou Nísia Trindade.
 
Fiocruz
 
Da Base Aérea, as vacinas seguiram em caminhões refrigerados para o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), para checagem de qualidade e segurança, além de rotulagem, com etiquetagem das caixas com informações em português.
 
Esse processo será feito ao longo da madrugada e da manhã de sábado e será realizado por equipes treinadas em boas práticas de produção. A previsão é de que as vacinas estejam prontas para distribuição para todos os estados brasileiros no período da tarde.
 
Toda a logística de distribuição ficará sob a responsabilidade do Ministério da Saúde, por meio do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19.


Fonte: Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro

Com Potiguar Notícias

Fora Bolsonaro: Folha cobra que próximo presidente da Câmara paute impeachment

Por Julinho Bittencourt

O jornal lembra, ao comentar Datafolha, que “desde Fernando Collor, que não concluiu seu mandato, um presidente eleito não ostentava números tão ruins a esta altura”.

O jornal Folha de S.Paulo cobrou em se editorial, deste domingo (24), que o próximo presidente da Câmara dos Deputados paute o impeachment do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido).

De acordo com o texto, analisar a matéria “é imperativo para o próximo presidente da Câmara, e congressistas não devem se esquivar de debater às claras seus fundamentos. Trata-se de resposta que não pode ser sonegada à sociedade”.

A Folha lembra ainda que “o impeachment é recurso extremo, vagaroso e sempre traumático. Infelizmente não há como ignorar, todavia, a conduta indigna de Bolsonaro, nem os quase 60 pedidos de abertura de processo que aguardam decisão já tardia —e cujas motivações têm amparo em não poucos pareceres jurídicos, como mostrou o jornal”.

O texto lembra ainda, ao comentar a queda da aprovação de Bolsonaro no Datafolha mais recente, que “desde Fernando Collor, que não concluiu seu mandato, um presidente eleito não ostentava números tão ruins a esta altura”.

Fonte: Revista Fórum

“Vai, vai no Butantan”: MC Fioti fez muito mais pela vacina do que Bolsonaro - Por Diário do Centro do Mundo - DCM

 Em live, Bolsonaro faz propaganda de cloroquina

por
 Kiko Nogueira

MC Fioti, aliás Leandro Aparecido Ferreira, de 26 anos, fez mais pela vacina que o presidente do Brasil.

Seu hit “Bum Bum Tam Tam”, de 2017, com 1,5 bilhão de views no YouTube, viralizou na pandemia.

Ele acabou gravando uma versão filmada no Instituto Butantan com a participação de jovens pesquisadores e funcionários.

O resultado é uma homenagem emocionante — sim, emocionante — a quem está salvando vidas no Brasil, por meio de um gênero musical estigmatizado por ser “da favela”.

“É a flauta envolvente / que mexe com a mente / de quem tá presente / a novinha saliente / fica loucona e se joga pra gente / Aí falei assim pra ela: / Vai com bum bum tam tam”, canta ele no original.

Esses versos viraram: “É a vacina envolvente / que mexe com a mente / de quem tá presente / é a vacina saliente / vai curar ‘nóis’ do vírus e salvar muita gente / aí eu falei assim pra ela: ‘Vai, vai no Butantan’”.

Já viralizou, como era de se esperar, e a mensagem vai chegar a um público massivo. Veio de um funkeiro a melhor resposta ao negacionismo canalha de Bolsonaro.

Fioti não conhece o pai, que abandonou a família quando ele nasceu, é o caçula de seis irmãos e foi criado pela mãe, Lúcia, no Capão Redondo, periferia de São Paulo.

Tem muito mais consciência que a corja no Palácio do Planalto.

“O pessoal tem que tomar vergonha na cara. Se uma vacina vai me transformar em jacaré, eu diria para os cientistas criarem uma para eu ter superpoder”, diz.

“Acho que a minha música, o funk, conversa muito com a comunidade. Por meio dessa nova versão e do clipe a gente vai conseguir passar a mensagem e eles vão se conscientizar de que a solução para a gente é se vacinar”.

Livro traz mais uma pista de ‘golpe branco’ por Bolsonaro na eleição

 O general Villas Bôas e seu garoto

Publicado originalmente no site da CartaCapital

POR ANDRÉ BARROCAL

Na terça-feira anterior ao domingo da votação final na eleição de 2018, houve uma reunião no Tribunal Superior Eleitoral entre juízes da corte e o general então à frente dos órgãos de inteligência do governo, Sérgio Etchegoyen. A presidente do TSE, Rosa Weber, ainda hoje no cargo, havia sido xingada e ameaçada via redes sociais por um coronel bolsonarista, Antonio Carlos Alves Correia.

Quando a reunião terminava, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, também ainda hoje no cargo, avisou os presentes que iria ao TSE e queria dizer uma coisas. O que ele falou ali é relatado em um livro que acaba de ser lançado com histórias da mais alta corte, Os Onze – O STF, seus bastidores e suas crises.

“Toffoli descreveu um cenário sombrio”, escrevem os autores Felipe Recondo e Luiz Weber, ambos jornalistas. “Lembrou que o então comandante do Exército, general (Eduardo) Villas Bôas, tinha 300 mil homens armados que majoritariamente apoiavam a candidatura de Jair Bolsonaro.”

O relato do livro é outro tijolinho em um enredo que um dia a História com letra maiúscula contará sobre o Brasil e eleição de 2018. Sobram pistas de que as Forças Armadas deram um “golpe branco” pró-Bolsonaro, emparedaram o STF para impedir a soltura e a candidatura de Lula, algo até hoje a desanimar muito lulista quanto à libertação dele, e não aceitavam a volta do PT ao poder.

Em 9 de outubro de 2018, duas semanas antes de Toffoli falar no TSE dos 300 mil soldados, que é a tropa brasileira da ativa, um dos chefes da campanha de Fernando Haddad havia recebido um alerta. Todos os cardeiais do QG eleitoral petista estavam monitorados pelos órgãos de inteligência do governo, aqueles de Etchegoyen. Mais: Toffoli também estava, até havia um dossiê contra ele.

Seria um dossiê abastecido com investigações ilegais da força-tarefa da Operação Lava Jato reveladas recentemente pelo Intercept?

O alerta recebido pelos petistas foi relatado por CartaCapital na edição da revista que chegou três dias depois às bancas. A reportagem contava ainda que naquele momento circulava no gabinete de Toffoli no STF uma história espantosa.

Quando Bolsonaro tomou uma facada, em 6 de setembro, altos oficiais haviam se rebelado e decidido ir às ruas. A ameaça de golpe era real. Como o então presidente Michel Temer não tinha autoridade moral para enquadrá-los, sobrou para Toffoli, que assumiria o comando do STF uma semana depois, descascar o abacaxi.

Toffoli assumiu o comando da corte em 13 de setembro, tendo nomeado como assessor especial o número 2 do Exército na época, o general Fernando de Azevedo e Silva, que chefiava o Estado Maior do Exército. Era uma tentativa de ter um canal com o Exército. A indicação do general tinha partido de Villas Bôas, que era o número 1 do Exército, o chefe dos 300 mil bolsonaristas.

Azevedo e Silva é agora ministro da Defesa de Bolsonaro. Villas Bôas é assessor especial do GSI, o órgão de inteligência do Palácio do Planalto.

Autor de um artigo publicado em abril deste ano intitulado “Bolsonaro e os quartéis: a loucura com método”, Eduardo Costa Pinto, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que o Exército pavimentou a vitória de Bolsonaro com um “golpe branco”, ao emparedar o Supremo. E que o maestro do golpe foi Villas Bôas.

Costa Pinto observa que ao empossar Azevedo e Silva como ministro da Defesa, Bolsonaro reconheceu enigmaticamente quem merecia: “Meu muito obrigado, comandante Villas Bôas. O que nós já conversamos morrerá entre nós. O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui”.

Ao deixar o comando do Exército para ser assessor especial da Presidência, Villas Bôas, hoje uma pessoa doente dependente de cadeira de rodas, disse publicamente ao presidente: “O senhor traz a necessária renovação e a liberação das amarras ideológicas que sequestraram o livre pensar”.

“O Villas Bôas deu um ultimato no Bolsonaro numa conversa: ‘Só temos você’”, disse a CartaCapital um general aposentado. Tradução: só ele seria um candidato palatável para o que o Exército achava certo fazer no País.

Para Costa Pinto, as manifestações públicas do general quando chefe do Exército, de 2015 a 2018, mostram que Villas Bôas impediu um “golpe clássico”, uma quartelada, com sua pregação de legalidade, de resolução eleitoral dos problemas do País. Mas foi “o grande armador” do “golpe branco” que levou Bolsonaro ao poder, ao agir para alijar Lula do páreo.

Na véspera de o Supremo decidir sobre a soltura de Lula, em abril de 2018, Villas Bôas ameaçou o tribunal via Twitter. “Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais.”

O general praticamente reconheceu a ameaça, em entrevista à Folha em novembro de 2018. “Ali, nós conscientemente trabalhamos sabendo que estávamos no limite. Mas sentimos que a coisa poderia fugir ao nosso controle se eu não me expressasse. Porque outras pessoas, militares da reserva e civis identificados conosco, estavam se pronunciando de maneira mais enfática.”

Houve mais uma ação eleitoral digna de nota por parte Villas Boas. Quando o comitê de Direitos Humanos da ONU defendeu a candidatura de Lula, o general reagiu no Estadão: “Tentativa de invasão da soberania nacional”.

Cenas de um enredo à espera de entrar para os livros de História.

Fonte: Diário do Centro do Mundo - DCM

Ao contrário da mãe, Gabriela Duarte comemora chegada da vacina

Gabriela Duarte e Regina Duarte (Foto: Reprodução)

A atriz comemorou a chegada da vacina com foto da enfermeira Monica Calazans, a primeira pessoa imunizada no Brasil.

Revista Fórum - A atriz Gabriela Duarte comemorou a chegada da vacina contra o corona vírus, ao contrário de sua mãe, a ex-secretária de Cultura do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido).

“Alegria é pouco! Como esperamos esse momento! #tapassando #vacinacovid2021”, escreveu Gabriela em post com uma foto da enfermeira Monica Calazans, a primeira pessoa vacinada no Brasil.

Leia mais na Fórum.

Fonte: BRASIL 247

REVISTA FÓRUM