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terça-feira, 2 de março de 2021
ARTE DO CORPO OFICIAL - NOVA CRUZ-RN
Poema sujo: a entrega sem fim - Portal BRASIL CULTURA
“Trata-se de um acontecimento dadivoso que se esquiva do controle autoral e envolve uma comunidade contingente, que partilha e reenvia a escuta dessa ausência presente, o sujeito exilado.”
Em “Traduzir-se”, ensaio célebre sobre a poesia de Ferreira Gullar, publicado no início dos anos 1980, João Luiz Lafetá traçou uma trajetória ascendente para o poeta que, ao longo da sua obra, teria ganhado forças e amadurecido. Para o crítico, os paralelos entre a realidade histórico-cultural brasileira e os posicionamentos do autor revelavam mais que “um poeta preocupado em perseguir os acontecimentos e em retratá-los”: mostravam um autor que mantinha um constante questionamento do eu, isto é, “uma exploração intensa da subjetividade”. Ponto culminante nesse caminho exemplar seria, é claro, o Poema sujo, publicado há 45 anos. Em seus versos, anota Lafetá, “o processo se completa”, uma vez que, “a procura de si mesmo (que é o primeiro nível do texto) se dá dentro de uma realidade cultural (os hábitos de vida em São Luís do Maranhão) e acaba por nos oferecer a imagem de pelo menos uma parcela da sociedade brasileira. Ou seja: a identidade pessoal revela-se como uma identidade cultural, inserida dentro de uma mais ampla identidade nacional”.
Sem dúvida essa questão se espraia e poderia ser percorrida longamente, em diversos textos e autores; quer dizer, Lafetá não estava sozinho nessa busca por identidades e identificações ao redor do poeta e do poema. Em 1976, em importante texto de intervenção publicado na revista Manchete, Vinicius de Moraes já afirmara que o Poema sujo era um dos mais importantes poemas do último meio século, escrito por aquele que, segundo ele, era “o último grande poeta brasileiro”.
E com as projeções identitárias ainda mais inflamadas (e para ficarmos apenas nestas três ocorrências bem conhecidas, numa série de várias outras), Otto Maria Carpeaux parece não ter hesitado quando declarou que o poema de Gullar deveria ser considerado o “poema nacional”, na medida em que encarnava “as experiências, vitórias, derrotas e esperanças da vida do homem brasileiro”. Para Carpeaux, o Poema sujo era “o Brasil mesmo, em versos ‘sujos’ e, portanto, sinceros”.
É certo que o complexo contexto político acirrava a luta, e os textos acima fazem parte dos debates de muito fôlego e pouco consenso que foram travados por anos em torno de definições positivas para o “nacional”, o “popular”, a “cultura brasileira”, a “vanguarda brasileira”, a “arte brasileira”… Para dizer de outro modo: a afirmação das identidades locais – não só a identidade brasileira, ou a argentina, ou a boliviana etc., mas também a latino-americana – era então, em linhas gerais, uma condição prioritária para estratégias que enfrentavam o subdesenvolvimento, a dependência, a padronização das práticas culturais e a indissociável violência das ditaduras militares que a partir da década de 1950 tomaram conta da região.
Seja como for, não deixa de ser interessante notar que o Poema sujo, esse “poema nacional” profundamente enraizado na memória mais pungente e nas experiências absolutamente singulares de um sujeito designado como brasileiro – enfim, não deixa de ser significativo que tal poema é, em uma palavra, estrangeiro. E não apenas porque tenha nascido sob a sombra do estranhamento e do exílio, uma condição imposta por Estados em regime de exceção e fartamente registrada pelo próprio poeta e seus críticos, em inúmeras oportunidades. Para além disso, eu diria que o Poema sujo é estrangeiro justamente porque resiste à cristalização identitária que, projetando-se sobre ele, tende a limitá-lo, fixando seu centro e seu sentido, sua origem e seu fim.
Sabemos a história da vertiginosa feitura do poema, entre maio e outubro de 1975, em Buenos Aires, após anos de uma vida errática constantemente ameaçada, transcorrida entre a clandestinidade do poeta no Brasil, depois em Moscou, Santiago, Lima e outras cidades. Temos notícia da espécie de embriaguez iluminada que envolveu sua escrita, relatada por Gullar reiteradamente. Uma e outra vez foi também afirmada a importância da leitura do poema, feita na casa de Augusto Boal, igualmente exilado na Argentina, e logo a importância da sua gravação em uma fica cassete, que ficou em mãos de Vinicius de Moraes. Sabemos que, já no Rio de Janeiro, Vinicius promoveu sessões para pequenos públicos, em que a voz ausente de Gullar ressoava por longos e emocionantes minutos; e que, antes da edição feita por Ênio Silveira (Editora Civilização Brasileira), no ano seguinte, cópias da gravação circulavam pela cidade, em pequenas audições.
Se eu retomo aqui essas circunstâncias é porque elas parecem apontar algo significativo: no limite dos versos – sobre uma margem móvel, sempre reposta, entre texto e contexto – é como se o poema emergisse marcado pelo signo do trânsito, o signo da repetição e da diferença.
Mais precisamente, é como se o poema fosse mesmo inseparável da entrega e do endereçamento aberto da escuta. Nesse caso, eu diria que a singularidade da experiência de Gullar e o acontecimento chamado Poema sujo comovem, antes de tudo, pela exteriorização de uma voz: uma voz que se projeta para a escuta alheia; voz que soa e, sobretudo, ressoa em repetições diferidas. Trata-se de um acontecimento dadivoso que se esquiva do controle autoral e envolve uma comunidade contingente, que partilha e reenvia a escuta dessa ausência presente, o sujeito exilado.
Ainda insistirei nisso, nessa potência da escuta do Poema sujo, a meu ver pouco explorada. Pois em geral encontramos entre leituras críticas um reforço da autoridade do autor e das figurações identitárias. Isso pode ser acompanhado na reincidência das interpretações sobre o que seria sujo no poema. Tais interpretações pouco se afastam das próprias declarações de Gullar. Como lemos em uma entrevista de 1998, publicada na revista Poesia sempre, o Poema sujo seria “sujo” por três razões: “em primeiro lugar ele é sujo porque é nordestino”, pela “miséria, a doença, a morte, o lodaçal, a favela, as palafitas”; em segundo lugar, é “sujo também porque, de acordo com a moral estabelecida, um poema que fala de boceta, de cancro, de todas as obscenidades, é sujo”, com “sujeira da vida”; e, finalmente, arremata Gullar, o poema é “sujo porque, estilisticamente, também assim cabia ser chamado, pois não obedece a nenhuma norma”, “porque mistura prosa, ritmo, rima – enfim, mistura tudo”.
Ora, claramente o poema vai além de tipificações, gêneros, moralidades; aliás, como todo poema, vai além da autoridade do autor ou da crítica, afastando-se portanto de qualquer tutela. Como afirmei acima, trata-se da entrega ou do endereçamento aberto da escuta. Uma proposição que pode ser reformulada deste modo: no exílio do autor, o Poema sujo ganhou corpo em contato com os sons de uma língua outra, próxima, mas muito distante da sua língua materna. Gullar escreve em “A história do poema”: “Inquieto, hanté, saía para a rua e ficava andando pelos quarteirões próximos à avenida Honorio Pueyrredón, onde eu morava, ou nas vizinhanças da estação Caballito do metrô, o coração aos baques, a transformar em palavras e imagens a enxurrada de lembranças, sentimentos e ideias que, desencadeada, ameaçava sufocar-me. Em seguida voltava para casa e redigia as novas estrofes”. Como não pensar que esse mesmo sujeito assombrado pelo exílio está sujeito a uma linguagem assombrada, também ela exílica?
É uma língua estrangeira que está à escuta do poema e a ele responde. Como certa vez escutei de Raúl Antelo, Poema sujo é escutado em castelhano como poema suyo, quer dizer, como poema dele, ou como seu poema. E o pronome possessivo corresponde, nesse caso, à terceira pessoa (“seu”, “sua”, “dele”, “dela” etc.), o que significa, como mostrou Roberto Esposito, que essas formas apontam figuras que permanecem ausentes do discurso dialógico, que necessariamente presentifica os sujeitos da enunciação; figuras das quais apenas se fala com a linguagem, ou às quais a linguagem se refere e continuamente se endereça, sem nunca tomar posse.
O poema é “sujo” porque ele está sempre em direção ao outro, a um qualquer. Porque, num contínuo movimento de exteriorização, é sempre remetido, e retorna, e de novo se doa, e arrasta para fora o eu, os limites da língua, as fronteiras da pátria. Essa entrega sem fim (com a qual são construídos os trânsitos, os tráficos, as traições e as traduções – todos os movimentos do desejo) por certo contagia as figurações do corpo, da memória, da terra natal; e a figura do poeta, sempre às voltas como a exploração subjetiva, pode encontrar sua expressão autobiográfica mais fiel numa sorte de desfazimento identitário: como uma voz alheia que, vindo de longe, dos confins da língua, ressoa nas entranhas do próprio corpo, ecoando o seu mais íntimo e inevitável desconhecimento de si.
[…]
Desce profundo o relâmpago
de tuas águas em meu corpo,
pra tantas mortes e vidas
que se desdobram
no escuro das claridades,
na minha nuca,
no meu cotovelo, na minha arcada dentária
inesperadas
mas nalgum ponto do corpo (do teu? do meu
corpo?)
ainda que sujo da pouca alegria reinante
[…]
Me levanto em teus espelhos
refletido
Talvez essa seja a verdadeira luta corporal do poeta: em busca de dizer-se, ele deve recorrer a uma linguagem que sustenta sempre, afinal, que “eu é um outro”. No túmulo da boca, esse palco de ressurreições inesperadas, falam sim muitas vozes. Escrito, lido, escutado, gravado, copiado, repetido, editado, reeditado, relido, o Poema sujo parece mostrar-se indissociável desse endereçamento: sua força recai nessa entrega a um outro que permanece imprevisto, contingente, nunca determinado previamente ou em definitivo; um outro não conciliável em termos ascendentes nem apaziguável em termos identitários. Um outro sempre outro que, em sua impossível inscrição, apresenta-se, em suma, como uma saída.
Artur de Vargas Giorgi é doutor em Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e professor de Teoria Literária da mesma instituição.
Fonte: Revista Cult
Folia de Reis
De origem portuguesa, é uma Festa católica ligada à comemoração do Natal, comemorada desde o século XIX. Segundo a lenda, quando Jesus nasceu, três reis magos foram visitá-lo, levando presentes.
Essa data, fixada em 6 de janeiro, passou a ter grande importância em países de origem latina, especialmente os que a cultura é de origem espanhola. Em alguns lugares esta comemoração se tornou mais importante até que o próprio Natal. Em Muqui, no Espírito Santo por exemplo, acontece desde 1950 o maior encontro nacional de folia de reis, reunindo cerca de 90 grupos de foliões do de regiões como Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo e Minas Gerais, organizado pela Secretaria Municipal de Cultura.
Cidades brasileiras como o Rio de Janeiro, realizam folias até o dia 20 de janeiro, dia de São Sebastião, padroeiro do estado. Em outros estados a comemoração acontece com frequência em cidades do interior. Grupos de foliões visitam as casas que os acolhem e fazem doações , cantando e tocando músicas de louvor a Jesus e aos Santos Reis , em volta do presépio, com muita alegria.
Os instrumentos utilizados normalmente são a viola caipira, o acordeom ou sanfona, a gaita, o reco-reco e a flauta. Liderados pelo Capitão da Folia, seguem reverenciando a bandeira, carregada pelo bandeireiro. A bandeira carrega o símbolo da folia. Decorada com figuras que levam ao menino Jesus, feita geralmente de tecido, é enfeitada com fitas e flores de plástico, tecido ou papel, sempre costuradas ou presas com alfinete, nunca amarradas com nós cegos, para segundo a crença não “amarrar” os foliões ou atrapalhar a caminhada
Ao chegar às casas que os recebem, a primeira a entrar é a bandeira, que fica hasteada e todos então cantam a canção de chegada. Em seguida acontecem as paradas para os almoços e jantares, oferecidos pelos donos das casas e que são agradecidos pelos foliões com modas de viola e danças como o cateretê e catira.
O Bastião ou palhaço, que usa roupas coloridas, máscara e carrega uma espada e é o responsável por abrir passagem para a Folia, também recita poesias e cita passagens da Bíblia. Os demais participantes se dividem de forma que cada um cante de uma maneira no coro de vozes e isso traz um som muito agradável.
O mestre, sempre inicia os cânticos, é a posição mais importante do bando, pois ele é o responsável pelo andamento dos cantos, da colocação das vozes, é uma espécie de maestro, além de ser o que conhece a origem do grupo, o fundamento e a história da trajetória.
Com versos improvisados de agradecimento pela acolhida, os demais, cada qual na sua voz e vez, repetem os versos acompanhados pelos seus instrumentos. Estes instrumentos são sempre enfeitados com fitas coloridas, cada cor representa um simbolismo, rosa, amarela e azul, podem representar Maria, a branca o Espírito Santo.
Na casa que recebe os foliões tem o festeiro, que é o responsável pela preparação da festa da chegada da bandeira. Ao sair os foliões então cantam a canção de despedida e agradecem os donativos e partem para outra casa que os receberão.
Este folclore nacional, embora um pouco desconhecido das grandes cidades tem grande significância no interior de grandes Estados. Algumas destas cidades são: Campo Mourão, Pinhais, São Jose dos Pinhais, Toledo, Maringá no Paraná, Araraquara, Barretos, Bebedouro, Bom Jesus dos Perdões, Campinas, Franca em São Paulo.
Fonte: Portal BRASIL CULTURA
Aniversário do Rio de Janeiro - " ONTEM (1) FOI O ANIVERSÁRIO DA CIDADE MARAVILHOSA! - RIO DE JANEIRO!
O Aniversário do Rio de Janeiro é comemorado em 1 de março na capital carioca.
A cidade do Rio de Janeiro é internacionalmente conhecida como uma das mais belas do mundo, pelas suas incríveis paisagens naturais e pelo caloroso e divertido povo carioca.
Muitas pessoas confundem o dia do aniversário do Rio de Janeiro (1º de março) com o dia do santo padroeiro da cidade: São Sebastião, que é celebrado em 20 de janeiro pela Igreja Católica.
No dia do aniversário do Rio de Janeiro, 1 de março, não é feriado, mas no Dia de São Sebastião, 20 de janeiro, é feriado municipal na capital carioca.
O aniversário do Rio de Janeiro é comemorado nesse dia, pois em 1º de março de 1565 Estácio de Sá fundou oficialmente a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, com o intuito afastar tentativas de invasões deste território por parte de nações estrangeiras – como os franceses e espanhóis.
Comemorações do aniversário do Rio de Janeiro
A prefeitura do Rio de Janeiro promove várias atividades para o público como forma de comemoração do aniversário da cidade. Shows ao vivo, exposições e demais atividades culturais são algumas das atrações que os cariocas podem aproveitar durante esta data.
Tradicionalmente, também é servido um bolo gigantesco para que os populares possam “cantar parabéns” para a cidade sob o Cristo Redentor, principal símbolo da capital fluminense. Depois, o bolo é repartido e distribuído entre os presentes;
Portal BRASIL CULTURA.
segunda-feira, 1 de março de 2021
Este foi o primeiro jornal de Mossoró (RN) e o mais antigo do interior do Brasil
O jornal "O Mossoroense" fundado em 17 de outubro de 1872, 64 anos após a criação da Impressa Régia e quase dois meses após a chegada do telégrafo à cidade. Ele foi o primeiro jornal da cidade Mossoró, que na época tinha apenas 20 anos de idade e cerca de 3 mil habitantes..
Seus idealizadores foram: Jeremias da Rocha, José Damião de Souza Melo e Ricardo Vieira de Couto, que o fizeram para ser um semanário de apenas quatro páginas, que difundia as principais notícias de Mossoró e do Rio Grande do Norte.
Em 1872 o Brasil passava pelo Segundo Império com economia fragilizada pós-Guerra do Paraguai. Mossoró era uma cidade escravocrata, provinciana e conservadora que mantinha-se em atraso em relação ao mundo civilizado.
José Damião de Souza Melo, um dos fundadores do O Mossoroense, foi um dos precursores dos ideais liberais e abolicionistas na cidade de Mossoró. Segundo Câmara Cascudo: “Homem de inteligência clara, poeta, um dos jornalistas históricos de Mossoró (...). Foi um dos animadores da Religião Reformada em Mossoró. Sua participação no movimento abolicionista foi direta e alta”.
Naquele mesmo ano de fundação o jornal se definia como semanário, político, comercial, noticioso e literário. Em sua primeira edição, possuía formato de 45cm x 31cm, diagramado em três colunas de 7 cm cada, até o número 56, publicado em 8 de novembro de 1873.
O encerramento da primeira fase de O Mossoroense possivelmente ocorreu em março de 1876, depois de publicar cerca de 158 números em edições dominicais, ao que parece, se deu por problemas financeiros que obrigaram Jeremias a vender o prelo principal ao coronel Antônio Soares Macedo.
A segunda fase de O Mossoroense tem início em 1901, quando o jornal ressurge como “Periódico humorístico e Ilustrado” (na foto ilustrativa do post), sob o comando de João da Escóssia, filho de Jeremias da Rocha, com o apoio dos redatores Antônio Gomes e Alfredo Mello.
João da Escóssia levou para as páginas de O Mossoroense, antes preenchidas apenas por textos, gravuras cujas matrizes (xilogravuras) ele próprio talhava em madeira utilizando-se apenas de um simples canivete.
Em 30 de setembro de 1933, sob a direção de Augusto da Escóssia, voltou a circular após mais de um ano parado. A circulação se estendeu até fins de 1934. A reabertura do jornal se deu em setembro de 1946, sob a direção de Lauro da Escóssia, um democrata, correligionário do Partido Republicano e do Partido Popular, que permaneceu por aproximadamente 30 anos. Filho de João da Escóssia e neto de Jeremias da Rocha Nogueira, Lauro levou O Mossoroense à sua terceira fase.
Por causa das posições políticas de Lauro o Mossoroense chegou a fechar por duas vezes, de acordo com Lauro da Escóssia Filho, Depoimento registrado no documentário dos 140 anos de O Mossoroense, intitulado “Resistência” (Pinto et al, 2012).
Com o avanço da idade de Lauro, seu filho, Lauro Filho, decidiu transferir o poder acionário do jornal ao médico Jerônimo Rosado Cantídio. Nessa 4ª fase, Dorian Jorge Freire estava a frente do jornal.
Em 6 de maio de 1984, O Mossoroense, aos 112 anos, sofreu mais um fechamento. A reabertura marcou o início da 5ª fase, e ocorreu em 1985, quando, também médico Laíre Rosado Filho, se tornou o diretor-presidente. O jornal, a partir de 1995, informatizou a diagramação e a redação.
O jornal continuou com a participação da mesma família desde sua fundação, passando pela quinta geração dos Escóssia, tendo como diretor de redação Cid Augusto da Escóssia. E passou também a ter sua versão on-line a partir de 1999.
Em 2015, tinha uma vendagem de aproximadamente 2 mil cópias impressas por dia, com um projeto gráfico no formato berliner, com colunas de opinião e editorias de política, policial, social, cotidiano, assuntos gerais e cidades.
O on-line tinha uma média de 50 mil acessos únicos diários. A intenção era o jornal unir o impresso com o site, com a veiculação de notícias mais breves e menos aprofundadas que as do impresso. O site, que passou por uma reformulação visual no final de 2015, ganhando a divisão entre as editorias cotidiano, regional, polícia, política, esporte, Brasil, mundo, opinião e artigos.
No dia 31 de dezembro de 2015, O Mossoroense encerrou seu ciclo no jornalismo impresso, migrando definitivamente para o meio on-line, onde se mantém até então. E se você quiser conferir as edições antigas do jornal o Museu Municipal de Mossoró mantém acervo com todas as edições.
PRESSÃO - Governo recua e retira cortes de gastos mínimos com saúde e educação da PEC 186
A reação de senadores de oposição, sindicalistas e representantes dos movimentos social e estudantil obrigaram o relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 186, chamada de PEC Emergencial, senador Márcio Bittar (MDB-AC), a recuar e retirar do texto o dispositivo que acabava com os gastos mínimos para a saúde e a educação, como queria o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), em troca da aprovação do novo auxílio emergencial.
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), já havia se comprometido com representantes da CUT e demais centrais sindicais, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), do Movimento dos Sem Terra (MST), da União Nacional dos Estudantes (UNE), e secretários estaduais de educação e da saúde, a negociar com os demais senadores a retirada do texto da PEC o parágrafo que estabelecia que estados, municípios e União ficariam desobrigados de investirem o mínimo em saúde e educação, como prevê a Constituição, e priorizar a aprovação de um novo auxílio emergencial.
Na manhã de sexta-feira (26-02), o senador bolsonarista Márcio Bittar finalmente reconheceu em entrevista que o projeto não será aprovado caso o fim do piso de gastos nessas áreas seja mantido e, por isso, fará o ajuste no texto, a ser apresentado na próxima semana, segundo reportagem publicada no UOL.
Contrários à ideia de desvincular os gastos da saúde e educação, os senadores da oposição, independentes e até da base do governo, não deixaram sequer que o relatório da PEC fosse lido em plenário do Senado, na quinta-feira (25).
A desistência em relação ao fim do piso de investimento mínimo em saúde e educação, tem o objetivo de preservar os demais dispositivos de controle de despesas.
domingo, 28 de fevereiro de 2021
Escolas não são depósitos de crianças e adolescentes - Autor: Mário Junior
A Educação não faz parte das prioridades do governo Bolsonaro. Prova disso são os cortes de verbas, que reduzem substancialmente todo o aporte financeiro das Instituições Federais de Ensino.
Após as eleições das Presidências para Senado e Câmara, na qual Bolsonaro empenhou R$ 3 bilhões para comprar seus resultados, o Governo Federal apresentou 35 prioridades ao Legislativo. Apenas uma delas tratava sobre Educação, e para falar de homeschooling.
A tentativa de colocar docentes, técnico-administrativos, terceirizados e estudantes em regime de ensino presencial sem a imunização de todos pode gerar milhares de novas mortes.
O SINASEFE não aceitará o retorno do trabalho presencial sem vacina, sem imunização coletiva e sem protocolo sanitário. Se for necessário, faremos greve sanitária em defesa da vida.
Queremos a volta da normalidade do ambiente educacional, mas não podemos caminhar na direção da irresponsabilidade e da morte contra qual o Governo Federal nos joga.
Aula presencial só com vacina para todos!

Fonte: SINASEFE
FORTALEZA - Nota de Repúdio: Basta de descaso, perseguição à comunidade escolar e destruição da escola pública
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação - CNTE, entidade representativa dos profissionais da educação básica do setor público brasileiro, expressa seu repúdio e sua imensa preocupação ao ataque deliberado à educação brasileira, seja por parte do Governo Federal, dos governos estaduais e municiais.
Mais uma afronta é a absurda propositura de Projeto de Lei, do vereador Inspetor Alberto, do PROS, que estabelece a obrigatoriedade da realização de exame toxicológico de uso de drogas ilícitas em professores da rede pública municipal de Fortaleza.
Destruição da educação pública, militarização das escolas, perseguição aos/às educadores/as, ameaças de censura ao livre exercício do magistério e fomento à mercantilização e privatização da educação pública são ações constantes do Governo Bolsonaro e de seus asseclas nas casas legislativas e nos poderes executivos de estados e municípios.
Esse rastro de ataque ganha agora na Câmara Municipal de Fortaleza a inaceitável proposição de realizar exame toxicológico em professores/as. Educadores/as não podem ser tratados com suspeição, como se cidadãos autônomos e responsáveis não fossem. Os poderes constituídos, sejam quais forem, não tem o direito de invasão na vida privada de quem quer que seja. É inadmissível tratar educadores/as de forma a desqualifica-los/as e levantar suspeitas sobre suas condutas diante de estudantes e da comunidade escolar. Essa atitude expressa claramente uma perseguição aos/às professores/as que lutam por seus direitos políticos, sociais, trabalhistas e pelo exercício de sua profissão com liberdade de cátedra, dignidade, ética e compromisso com a democracia.
É estarrecedora a maneira como a educação e educadores/as têm sido tratados nesses tempos sombrios que vivemos; tratamento esse que não deixa dúvidas sobre a afirmação de Darcy Ribeiro: “a crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto”.
As entidades da sociedade civil que representam a educação brasileira, dentre eles a CNTE, comprometidas com uma educação pública, gratuita, laica e socialmente referenciada, não se renderão diante de ataques, desqualificações e suspeições, venham de onde vierem!
Convida-nos Paulo Freire, o Patrono da Educação Brasileira: “Pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda.
Não à perseguição! Não ao desrespeito! Abaixo proposições que vigiam, desacreditam, desmerecem a educação e a comunidade escolar!
Não aceitamos a proposta de exame toxicológico nos professores/as de Fortaleza.
Haverá resistência
Brasília, 23 de fevereiro de 2021
Direção Executiva da CNTE
Márcia Tiburi: “o que temos pela frente é assustador”
A
filósofa e ativista analisou a conjuntura brasileira com pessimismo, notando
que ainda não chegamos no fundo do poço. No entanto, ela reforça a necessidade
da luta: “A luta é a única chance de que isso não aconteça, mas o cenário é
terrível”. Assista
247 - A filóso.fa e ativista Márcia Tiburi analisou a conjuntura brasileira atual com pessimismo, dizendo, em entrevista à TV 247, que ainda “não chegamos no fundo do poço” do fascismo.
Ela também reforçou a importância das lutas sociais como a única forma de evitar o pior: “O fascismo se instaurou e nós sabemos que isso ainda não acabou, vai continuar e os desdobramentos serão ainda mais terríveis. A luta é a única chance de que isso não aconteça, mas o cenário é terrível. É até meio ruim falar isso, mas, enfim, o fato é que o que temos pela frente é assustador e sabemos que não é assim que acaba um regime fascista, dissolvendo-se. Seja objetivamente, no nível institucional, seja subjetivamente na mentalidade das massas, a gente sabe que as coisas não vão ficar bem. As coisas estão cada vez piores e elas vão ficar ainda piores até a gente chegar no fundo do poço”.
“Às vezes parece que já chegamos ao fundo do poço, mas a gente ainda não chegou e é bom olhar para os exemplos históricos de outros países que viveram coisas parecidas com o Brasil (…). Enfim, tudo isso para dizer que a gente precisa seguir na luta, que é o que estamos fazendo”, concluiu Tiburi.
Fonte: BRASIL 247








