Cultura significa todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membros,. ativistas, poetas, escritores, produtores culturais, grupos culturais, violeiros, pensantes e os que admiram e lutam pela cultura potiguar. Cultura! A Cultura, VIVE e Resiste! "Blog do CPC/RN, notícias variadas na BASE DA CULTURA!
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sexta-feira, 21 de abril de 2017
quinta-feira, 20 de abril de 2017
Dia do Índio e pra se comemorar???
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Antes da chegada dos primeiros europeus em terras americanas, todos os países que formam este continente eram amplamente povoados por grandes nações indígenas. Infelizmente, a ganância e a crueldade humana fizeram com que muitas tribos fossem totalmente dizimadas e grande parte da cultura indígena foi esquecida.
Na tentativa de preservar as tradições e identidade dos indígenas, o Dia do Índio surgiu para não deixar as novas gerações esquecerem das verdadeiras raízes que formam o povo brasileiro.
Devemos lembrar também, que os índios já habitavam nosso país quando os portugueses aqui chegaram em 1500. Desde esta data, o que vimos foi o desrespeito e a diminuição das populações indígenas. Este processo ainda ocorre, pois com a mineração e a exploração dos recursos naturais, muitos povos indígenas estão perdendo suas terras.
DIFERENTE, MAS IGUAL
Hoje, existem muitos índios que vivem em casas que têm luz elétrica e som. Já somam 5 mil os índios matriculados em universidades, estudando Medicina e Direito, por exemplo, e 20 mil os professores indígenas que ensinam nas línguas que falam. “O que caracteriza ser índio ou não é o jeito de viver, que está muito ligado a símbolos: por exemplo, o jeito de eles explicarem como acontecem os fenômenos da natureza, como os trovões, a chuva...é tudo mitológico”, diz a professora.
Ela conta, ainda, que mitos não são mentirinhas, mas são as maneiras com que cada tribo explica o mundo, é a ciência delas. “Os Xacriabá não falam língua indígena, mas preservam o mito de Iaiá Cabocla, que é uma onça que protege o território, as crianças e a aldeia. Um índio não deixa de ser índio porque tem carro”, defende.
“Os índios mantêm um espírito de continuidade, voltam às suas terras para fazer seus rituais. Alguns
ainda vivem caçando e pescando como fizeram na vinda dos portugueses, outros vivem de em contato com os brancos, mas preservam sua cultura. O contato com outras culturas leva à adaptação. Os brasileiros também vivem com uma série de criações dos europeus e norte-americanos”...
ESCOLA DE ÍNDIO
Aproximadamente, 0,5% da população brasileira é indígena, está distribuída em todos os estados do país com maior concentração no Norte. Existem 180 línguas diferentes e essa é apenas uma das características que diferencia um grupo dos outros.
De acordo com Verônica, a partir da legislação de 1988, conhecida como Constituição Cidadã, os índios conquistaram seus direitos, o que colaborou para o aumento das populações. O professor Mércio discorda. Ele afirma que, mesmo antes dessa Constituição, o número de indígenas crescia e eles já tinham alguns direitos.
“A grande alegria para a nação brasileira é que passados 500 anos da chegada dos portugueses, os povos indígenas estão crescendo. Na década de 1970, eles pareciam entrar em extinção, porque eles morriam de varíola, tuberculose e sarampo. Com o tempo, os remédios foram chegando, algumas doenças acabaram, eles adquiriram imunidade e, hoje, eles crescem a 4% ao ano enquanto o Brasil cresce a menos de 2%”, conta o professor. A população era de 100 mil, em 1955, e, agora, eles são 500 mil. Em cinqüenta anos, eles quase quintuplicaram!
Uma vitória indiscutível da Constituição de 1988 é a escola indígena, um lugar de ensino onde os alunos e os professores são índios. Nelas, eles podem ensinar apenas na língua própria, em português, ou nos dois idiomas. Os professores que dão aula nesses colégios são preparados por outras pessoas que trabalham em universidades, como a Verônica.
A ideia é que a escola tenha “um pé dentro da aldeia e o outro fora dela”, o que significa que os estudantes aprendem conteúdos ligados à cultura deles, como na disciplina “o uso da terra” que ensina a composição do solo, o tipo de plantas que nasceram ali, quais os chás que podem ser feitos e para que eles servem. Ao mesmo tempo, estudam como o governo e a sociedade podem ajudá-los, que direitos eles têm, entre outras utilidades. Aliás, um problema comum aos índios é a demarcação de terras – espaço destinados para eles
morarem.
Origem da data
Todo ano, aos dezenove dias do mês de abril, a sua escola organiza algum evento em homenagem aoDia do Índio ou, ao menos, seu professor de história pede a você algum trabalho sobre esse tema. Pois bem, mas você se lembra do motivo pelo qual o Dia do Índio é celebrado em 19 de abril?
Bom, para começar, apenas nos países do continente americano oDia do Índio é celebrado nessa data. No restante do mundo, os povos indígenas são homenageados no dia 09 de agosto desde o ano de 1995, uma determinação das Organizações das Nações Unidas (ONU).
Em países como México, Chile e Brasil, convencionou-se determinar a comemoração do Dia do Índio em 19 de abril em respeito à realização do Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. Esse congresso foi realizado no México, em 1940, e, como o próprio nome “indigenista” indica, tratou dos problemas relacionados com a situação dos povos indígenas nas Américas (do Norte, Central e do Sul); por isso recebeu o nome de “interamericano”.
Além de contar com a participação de diversas autoridades governamentais dos países da América, vários líderes indígenas deste contimente foram convidados para participarem das reuniões e decisões. Porém, os índios não compareceram nos primeiros dias do evento, pois estavam preocupados e temerosos. Este comportamento era compreensível, pois os índios há séculos estavam sendo perseguidos, agredidos e dizimados pelos “homens brancos”.
No caso específico do Brasil, o acatamento da sugestão do dia 19 de abril veio em 1943, sob o governo de Getúlio Vargas, em forma de decreto-lei. Nessa época, Vargas governava de forma autoritária (na chamada ditadura do Estado Novo), de modo que as leis não eram apreciadas pelo Congresso Nacional, mas passavam a vigorar na forma de decreto.
O texto do decreto-lei pode ser lido a seguir:
“O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atribuição que lhe confere o artigo 180 da Constituição, e tendo em vista que o Primeira Congresso Indigenista Interamericano, reunido no México, em 1940, propôs aos países da América a adoção da data de 19 de abril para o "Dia do Índio",
DECRETA:
Art. 1º É considerada - "Dia do Índio" - a data de 19 de abril.
Art. 2º Revogam-se as disposições em contrário.
Rio de Janeiro, 2 de junho de 1943, 122º da Independência e 55º da República.”
GETÚLIO VARGAS
Percebe-se que, no parágrafo de apresentação do texto, há uma referência ao Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, que havia sugerido, como dissemos, a data para a comemoração. Assim, até os
dias de hoje, os povos indígenas são homenageados, no Brasil, nessa data.
Um afro abraço.
Claudia Vitalino.
fonte:https://www.calendarr.com/brasil/www.suapesquisa.com/datascomemorativas/
Fonte: UNEGRO/Rio de Janeiro
Um ano do golpe: a história vai fazer justiça
| Foto: UBES |
Motivos políticos que levaram ao golpe parlamentar sobre a presidenta Dilma Rousseff ficam cada vez mais evidentes. "Nunca foi pelo fim da corrupção, nunca foi pelo povo", diz diretora da UBES.
Um ano depois que a Câmara dos Deputados votou pela abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, a operação Lava Jato e delações de empresários têm mostrado que a corrupção brasileira é muito mais complexa do que acreditou uma parcela da população na época.
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Dos 39 deputados investigados hoje no Supremo Tribunal Federal, por corrupção e caixa dois, 21 votaram pelo impeachment como solução para desvio de dinheiro no País naquele 17 de março de 2016. Ao longo das seis horas de votação daquele domingo, a palavra “corrupção” foi citada 65 vezes, mais de 10 vezes por hora.
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“O Congresso Nacional, este que em tese deveria nos representar, mas em nada está comprometido com os interesses do povo, cassou por motivos políticos o mandato de Dilma Rousseff”, declarou a diretoria da UBES em 31 de agosto, quando o processo de golpe parlamentar terminou de ser consumado.
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Nunca foi pela corrupção
Neste domingo (16), Michel Temer assumiu, em entrevista à TV Band, teoria que Dilma vem sustentando desde seu afastamento: o processo de impeachment foi uma chantagem do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, por ter sido cassado na comissão de ética.
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Enquanto condenação judicial da ex-presidente nunca saiu, Cunha foi condenado no mês passado a 15 anos de prisão por corrupção passiva, recebimento indevido de vantagens e lavagem de dinheiro.
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Desde que assumiu a presidência, o presidente ilegítimo Michel Temer inverteu as prioridades federais, ao atacar direitos conquistados pelo povo: a PEC “do fim do mundo” (PEC 55) congela os gastos primários por 20 anos, inviabilizando os 10% do PIB para educação, como determina o Plano Nacional de Educação. A Lei da Terceirização ameaça direitos trabalhistas e a Reforma da Previdência a ser votada na Câmara pode acabar com o direito de milhares à aposentadoria.
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“Um ano do golpe na democracia brasileira equivale a vinte anos de retrocesso. Nunca foi pelo fim da corrupção, nunca foi em prol do povo”, afirma Jéssica Lawane, diretora de Movimentos Sociais da UBES.
Linha do tempo do golpe
2/12/2015
Eduardo Cunha é cassado pelo Conselho de Ética da Câmara. Como vingança ao Partido dos Trabalhadores, que votou pela sua cassação, no mesmo dia o ex-deputado e então presidente da Casa abriu o processo de impeachment.
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4/3/2016
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi ilegalmente levado com algemas de sua casa em São Bernardo do Campo (SP) por agentes da Polícia Federal. O juiz Sérgio Moro reconheceu que mandato de condução coercitiva só deveria ter sido usado caso Lula se negasse a depor, mas que acabou aplicado devido “às circunstâncias”.
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13/3/2016
Insuflada pela condução coercitiva de Lula, pela mídia e por grupos do empresariado, como a Fiesp, manifestação verde e amarela dá fôlego para afastamento da presidenta.
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17/4/2016
Em nome de suas famílias e de Deus, 367 dos 513 deputados aprovaram a abertura do processo de impeachment.
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12/5/2016
Abertura do processo de impeachment foi aprovado no Senado. Dilma foi afastada da previdência por três meses.
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31/8/2016
Votação final do impeachment no Senado Federal
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+ Jogo da memória: compare personagens envolvidos nos golpes de 1964 e 2016.
Fonte: UBES
domingo, 16 de abril de 2017
MOVIMENTOS: Desafios, falta de perspectiva e luta: A juventude e o Governo Temer
| Mídia Ninja |
Desemprego, falta de perspectiva e insegurança com o futuro. Esse é o cenário que o jovem brasileiro enfrenta atualmente, reflexo da crise econômica somada às reformas encaminhadas pelo Governo Temer, que deteriorarão as relações de trabalho e inviabilizarão a aposentadoria de milhões. Ao Portal Vermelho, especialistas falaram sobre os desafios e perspectivas no recorte da juventude, parcela que já representa um quarto da população do país¹.
Por Laís Gouveia
No Brasil do governo Temer, o desemprego entre os jovens bate recordes negativos. Segundo informa o IBGE, o número de desempregados entre 18 a 24 anos atingiu sua máxima em 2016, totalizando 25,7%.
Euzébio Jorge, Economista, Coordenador do Centro de Memória da Juventude (CEMJ) e especialista em democracia participativa, afirma que o Brasil possui problemas estruturais no mercado de trabalho, com índices elevados de desemprego, alta rotatividade e baixos salários. “E os jovens são os mais atingidos, por terem vínculos menos formais, pela facilidade de demissão, pois eles são menos indispensáveis e novatos no mercado de trabalho", explica.
O economista afirma que as reformas do Temer visam, prioritariamente, ampliar a terceirização, estabelecer o negociado sobre o legislado e flexibilizar o trabalho. "As maiores vítimas são os jovens, pois serão os primeiros a serem impactados com o declínio econômico do país, por consequência o desemprego cresce mais na juventude, que será duplamente afetada se somada as mudanças na legislação trabalhista”, avalia.
| Nina, 21 anos, estudante "Aposentar depois dos 70 anos é um desrespeito com os jovens que estão ingressando agora no Mercado de Trabalho. Essa Reforma da Previdência só beneficia o governo Temer e os empresários. Então, seguiremos fortes na luta!". |
Euzébio esclarece que a redução da renda nos últimos anos, promovida pela crise econômica e a instabilidade gerada pelo golpe de Estado, aumentou a taxa de jovens que buscam um emprego para complementar a renda familiar, mas não possuem uma qualificação, fazendo com que ele aceite condições de trabalho precárias. “Com isso, a juventude se torna mais vulnerável”, ressalta.
As reformas trabalhista e da Previdência são ligadas a setores do empresariado nacional vinculados à rentistas internacionais, com objetivo de lucro máximo, seja com o capitalismo produtivo ou com a taxa de juros. “Certamente, a pressão para destruir a Previdência Pública é para tornar a previdência privada a única solução de aposentadoria do povo, impedindo que um conjunto de pessoas realizem as suas contribuições periodicamente", prevê Euzébio.
"Com esse cenário, provavelmente o jovem não conseguirá se aposentar. A desconstrução da previdência pública é muito perigosa", conclui Euzébio.
| Larissa, 18 anos, estudante "A verdade é que eu não consigo enxergar um futuro com o governo Temer. Nós, que não ocupamos nenhum cargo na política brasileira, estamos todos no mesmo barco, isso é muito triste". |
Educação e trabalho
Helena Abramo, cientista social, desenvolve pesquisas na área da juventude e considera o momento que o Brasil vive de ruptura com as políticas sociais que promoveram a ascensão dos jovens nos últimos anos. "Essa geração é fruto de uma melhoria do acesso à educação e trabalho. Todo o esforço feito por um maior financiamento do ensino público, mesmo que ainda longe do ideal, promoveram melhorias nos índices de acesso e permanência, por exemplo: Nas décadas anteriores, metade dos jovens não concluíram o Ensino Médio, hoje, 70% possuem seu diploma, aumentando também o ingresso no Ensino Superior, com programas como o ProUni, Fies e a expansão das Universidades e Institutos Federais", analisa.
A cientista social revela que, a partir do momento que a economia melhorou, o adolescente adiou o ingresso ao mundo do trabalho, projetando suas perspectivas no ensino. "Então, a partir dos 18 anos, ele divide seu tempo entre estudo e trabalho, aumentando seu grau de escolaridade e protegido com os direitos trabalhistas", reitera.
Helena destaca que tanto o acesso à educação quanto a proteção no mercado de trabalho estão ameaçados com Temer. "Esses adolescentes que ingressam hoje na etapa juvenil irão sofrer muito o impacto dessas ações. A situação atual, com a crise econômica, somada às reformas promovidas pelo governo, irão afetar profundamente o presente e perspectivas de futuro desses jovens", diz.
Ela considera que as reformas, caso aprovadas, serão um fator nocivo à juventude brasileira, "Essa dificuldade de perceber um retorno da Seguridade Social poderá afetar o investimento desse jovem na sua formação e na sua trajetória profissional com a formalidade", conclui Helena.
Luta
Apesar do cenário de crise e a incerteza com o futuro, a juventude brasileira demonstra sua insatisfação com um Brasil que padece. Seja ocupando sua escola, montando um grêmio, denunciando o machismo ou lutando em defesa da democracia, eles estão presentes.
| Gabriel, 18 anos, estudante e Analista de Sistemas. “Essa é a geração conhecida como a do "mimimi", mas também será conhecida como a geração sem aposentadoria, sem CLT, do "Morreu trabalhando" ou "Trabalhou e morreu", seremos reconhecidos como a geração da saúde e educação congeladas, sem história, filosofia e sociologia dentro de nossas escolas ”. |
¹Senso IBGE 2014
Do Portal Vermelho
sábado, 15 de abril de 2017
Trabalho escravo avança sobre a África e o Brasil com a imposição da agenda neoliberal imperialista
Africanos tentam fugir para a Europa e são escravizados (Foto: AFP)
A BBC (emissora estatal britânica) publica em seu site nesta quarta-feira (12), uma reportagem na qual denuncia um “mercado de escravos” de africanos que tentam chegar à Europa, passando pela Líbia, no norte do continente.
De acordo com a reportagem, a Organização Internacional para as Migrações (OIM), da Organização das Nações Unidas (ONU), os refugiados são detidos por contrabandistas ou milícias e são “levadas para praças ou estacionamentos para serem vendidas”.
Mônica Custódio, secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), afirma que está acontecendo uma reedição da Conferência de Berlim (realizada entre 15 de novembro de 1884 e 26 de fevereiro de 1885 para organizar a ocupação da África pelas potências coloniais).
“Em pleno século 21, o avanço do imperialismo sobre a África para se apropriar das riquezas do solo”, diz. “Esse avanço se dá na América Latina e em outras partes, deixando o mundo à beira da 3ª Guerra Mundial”.
Para Mônica Custódio a escravidão avança com agenda neoliberal (Foto: Fernanda Ruy)
“Centenas de jovens africanos subsaarianos foram encontrados nos chamados mercados de escravos, segundo o relatório da OIM”, afirma a matéria da BBC. “Mulheres também foram compradas por clientes da Líbia e levadas para casas onde foram forçadas a ser escravas sexuais”.
A onda neoliberal avança sobre os povos que têm menos proteção, diz. Para ela, essa invasão imperialista “tira o pertencimento, a vida e aos que sobrevivem tira a dignidade. Retorna à condição desumana de séculos atrás, onde seres humanos foram escravizados”.
Ela ressalta a Década Internacional de Afrodescendentes (saiba mais aqui), instaurada pela ONU, em 2015, para valorizar “os povos de origem africana e as suas contribuições para a construção de várias nações”.
“Em nosso país, as reformas do governo golpista de Temer”, diz Custódio, “aumenta a percepção da falta de valor que temos para o Estado”. Com isso, aumenta o número de moradores de rua, de pedintes e de famílias desempregadas.
Ouça Zumbi, de Jorge Ben Jor
“Deixa as mesas da classe trabalhadora vazias e as panelas esvaziadas. Coloca na mesma canoa furada, brancos pobres, negros, mulheres, jovens, população LGBT e indígenas. Tira a juventude da escola e a joga no desemprego e na possibilidade de aliciamento pelo tráfico”.
Tudo isso, para ela, para criar um amplo mercado de trabalho com mão-de-obra sem remuneração. “Querem reduzir a maioridade penal para encher os presídios, privatizá-los e explorar os presos com o trabalho escravo”, denuncia.
Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy
O jornalismo, aquela velha prostituta
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| by Fábio Pannunzio |
O modelo de jornalismo que conhecemos hoje está em declínio. O incrível é que muitos jornalistas vibram com isso. Ele se encontra na posição da mulher adúltera da Bíblia. Falta-lhe apenas o salvador para lembrar à turba que a primeira pedrada deve ser disferida por alguém sem pecados.
As pedras voam de todos os lados. Nas ruas, repórteres são acossados pela multidão imaculada. Impedidos de realizar a cobertura das grandes mobilizações populares, são logo culpados pela omissão da imprensa, sempre confundida com um partido político.
Quando, em nome do dever de informar, resolvem correr o risco do linchamento iminente, ali sempre haverá um policial com a arma apontada para um fotógrafo cujo olho será dilacerado não por um pedregulho, mas por uma bala de borracha.
E se o tiro falhar, há de haver muito bem posicionado um anarquista com um rojão adredemente apontado para a nuca de um cinegrafista.
Quando, em momento menos conturbados, se safam da refrega das ruas, jornalistas são logo apontados como causa das desgraças todas que andam a destruir o País. Confunde-se a mensagem com os mensageiros.
É deles a culpa pelas más notícias produzidas no campo da economia, bem como deles também é a dor infligida aos políticos corruptos e seus agremiações cleptocratas pela divulgação dos escândalos que não cansam de ocupar o espaço das manchetes.
Para o jornalismo, o tempo não passa. Os erros do passado, escancarados ou não, reconhecidos ou não, jamais prescrevem. O jornal tal era bancado pelo Barão de Ladário e fez um editorial contra a Proclamação da Repúbica. Quebrem-lhe as rotativas. A TV XPTO foi contra a volta de Dom joão Sexto a Portugal. Empalem seus repórteres!
Para um parte da opinião pública, as empresas de comunicação deveriam falir como forma de punição por tudo o que houve de errado desde que alguém gritou fiat lux. Em seu lugar, oferece-se a possibilidade da comunicação direta, sem mediação, da fonte para a fonte e do público para o público.
Emissoras de televisão seriam substituídas com vantagem por youtubers adolescentes e os blogues, que matariam os jornalões, ofereceriam notícias frescas e bem apuradas a pessoas cada vez mais seletivas e exigentes.
Não importa que o jornalismo possa ser definido como um arcabouço de técnicas embalado por um conjunto de valores e normas éticas que o jornalista de verdade defende com o sacrifício dos proventos — se nencessário, com o custo da própria vida, como fez Vladimir Herzog. Tudo isso está em desuso.
Tudo bem. Os argumentos são razoáveis e a tecnologia já possibilita a construção desse novo modelo comunicacional. A imprensa pecou no passado e continua pecando no presente. É possível inferir que continuará pecando no futuro, o que justificaria a necessidade premente de sua eliminação.
O desmonte, aliás, já começou. A profissão foi desregulamentada. Qualquer um pode se arvorar jornalista e sair por aí apregoando a sua visão de mundo. Afinal, se a imprensa sempre distorceu fatos, se ela sempre serviu genuflexa ao pensamento hegemônico, que mal pode haver ao estatuir-se como padrão o jornalismo individual fenomenológico ?
É isso. Punam-se os jornalistas. Elimine-se a comunicação de massa. Extinguam-se os jornais e as revistas. Calem-se as rádios e emissoras de televisão. Decapitem-se os jornalistas. Condenem à fome e à misária seus descendentes. Salguem os terrenos onde se deitam as redações.
Por fim, revogue-se do Art. 5ͦ da Constituição da República o Inciso XIV — aquele que diz que “é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”.
Postado por Sergio Rubim
sexta-feira, 14 de abril de 2017
quinta-feira, 13 de abril de 2017
MACAMBIRAIS DE PASSA E FICA CONFIRMA PARTICIPAÇÃO NO VII EEC - PROMOVIDO PELO CPC/RN
Eduardo Vasconcelo em reunião com o Grupo MACAMBIRAIS de Passa e Fica/RN
Uma parte dos troféus conquistados pela Companhia e Cultura Popular MACAMBIRAIS-Passa e Fica/RN
Hoje (13), após o Presidente do CPC/RN, Eduardo Vasconcelos passar pela Região do Seridó e Trairi, o mesmo ainda teve folego para passar em Tangará (ofício de solicitação de veiculo para locomover 4 (quatro) representantes para participarem do VII EEC/RN, que ocorrerá dia 29 de abril em Currais Novos e ainda teve folego para se reunir com o Grupo Macambirais da cidade de Passa e Fica - Região do Agreste Potiguar, o que agradou a todos, garantido assim a presença de 11 (onze) membros do grupo ao evento.
Apesar das dificuldades, caso não seja concretizado o transporte, mas isso ocorrendo os mesmos irão no transporte de Nova Cruz, garantiu, Eduardo.
Diga-se de passagem que o Grupo Macambirais é um dos mais que se destaca em suas grandes apresentações pelo Estado e pelo Brasil com vários troféus conquistados.
O Grupo Macambirais tem um profissionalismo fora do comum e de causar inveja. Pessoas que vestem a camisa e faz com amor e dedicação, ganhando assim o carinho e respeito do público potiguar, concluiu Eduardo Vasconcelos - CPC/RN.
PRESIDENTE DO CPC/RN ESTEVE EM CURRAIS NOVOS, LAGES PINTADA E TANGARÁ, OBJETIVO: VII EEC/RN
Eduardo Vasconcelos - Presidente do CPC/RN, concede entrevista a Rádio 95.1 - Currais Novos/RN
Na Rádio Ouro Branco de Currais Novos - RN, Eduardo Vasconcelos, concede entrevista ao radialista e poeta, Léo Medeiros sobre o VII EEC/RN, promovido pelo CPC/RN, dia 29/04/2017, em Currais Novos. Foto do radialista, Léo Medeiros.
Presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, Eduardo Vasconcelos, antes de dá entrevista a emissora de Currais Novos, 95.1, faz pose para foto
O presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, Eduardo Vasconcelos esteve durante toda semana na Região do Seridó Potiguar, após passar por Natal, depois de manter contatos com vários líderes sindicais como também contatos com o diretor do Campus do IFRN - Currais Novos, professor, Andreilson Oliveira da Silva, que gentilmente após discutirem a estrutura do evento o mesmo se propôs a levar o Eduardo para conhecer as dependências do Auditório do IFRN e certificar-se que o mesmo comportaria o número de participantes no VII EEC. Eduardo imediatamente concordou, confirmando que estava ótimo! Após debaterem outros assuntos, Eduardo agradeceu ao nobre diretor, antecipando os agradecimentos pelo empenho e profissionalismo do mesmo, recebendo a resposta do mesmo que estaria presente ao evento, o que deixa todos muitos felizes com a presença do diretor do IFRN.
Já hoje, quinta-feira (13), Eduardo Vasconcelos se reuniu pela manhã com Emerson, professor do Grupo de Dança da E. E. Cap. Mor Galvão - Currais Novos, que garantiu presença, juntamente com o seu grupo, como também o produtor, Léo. Em seguida o presidente do CPC/RN concedeu entrevista a Rádio Ouro Branco, e em seguida Eduardo, também concedeu entrevista a exatamente meio dia a Rádio 95.1 (Rádio Sertaneja). Após, Vasconcelos conversar com os radialistas/funcionários; Kássio e Joelma. Lembrando que ambas entrevistas foram em torno do VII Encontro Estadual de Cultura.
Obs. Eduardo Vasconcelos adiantou que a cidade de Lagoa Nova garantiu presença ao evento.
Currais Novos será sem dúvida nenhuma a cidade que mais terá participantes no VII EEC/RN.
PROGRAMAÇÃO do VII EEC/RN
segunda-feira, 10 de abril de 2017
domingo, 9 de abril de 2017
Bancários disponibilizam cartilha “Entender e defender a Previdência Social”
| Foto: divulgação |
Publicação tem o propósito de esclarecer sobre funcionamento e direitos relacionados ao tema
O Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região lançaram uma cartilha para entender e defender a Previdência Social em parceria com os economistas João Sicsú e Eduardo Fagnani, professores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), respectivamente.
De acordo com a publicação “entender o funcionamento, saber os direitos e conhecer o financiamento da previdência são os primeiros passos para a sua defesa”.
De acordo com a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira a ideia é debater os falsos argumentos usados pelo atual governo, e sistematicamente reproduzidos pela grande mídia, que criticam a Previdência brasileira com o propósito de impor novas rodadas de supressão de direitos. “O que eles querem é acabar com conquistas trabalhistas e sociais previstas na Constituição de 1988, querem de volta um Brasil do início do século passado”, disse.
A Cartilha alerta que as reformas em curso neste governo ilegítimo visam mudar o que for possível, desde as instituições públicas aos direitos individuais e que no caso dos direitos sindicais, trabalhistas e previdenciários, os retrocessos anunciados e que tramitam no Congresso nacional representam um retorno ao início do século passado.
A publicação esclarece os itens do projeto de Reforma da Previdência em curso, argumenta contra e também sugere alternativas.
“O Brasil tem de crescer e, para isso, o estado precisa investir e não reduzir o seu tamanho. É preciso promover o desenvolvimento econômico com geração de emprego e transferência de
renda para a classe trabalhadora e não para uma minoria rica já privilegiada. Somente assim vamos conseguir solucionar os problemas da previdência social”.
MOVIMENTOS SOCIAIS E TRABALHADORES UNIDOS PELO PAÍS
No último dia 31 de março, as ruas do país acordaram novamente ocupadas por diversas manifestações contra os retrocessos propostos pelo governo ilegítimo de Michel Temer. Em trâmite no Congresso Nacional a Proposta de Emenda Constitucional 287 muda as regras da previdência vai inviabilizar a aposentaria de milhares de brasileiros e avançar ainda mais na desigualdade social. Já a terceirização aprovada na última semana na Câmara dos Deputados, prevê a flexibilização total das leis trabalhistas, ocasionando a diminuição de salários e perdas de benefícios. A mobilização continua rumo a uma greve geral encabeçada pelas centrais sindicais e as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo no dia 28 de Abril.
Fonte: UNE
sábado, 8 de abril de 2017
Educação Quilombola
É um trabalho contínuo para minimizar o preconceito, porque o preconceito nasce na ignorância. “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar. Nelson Mandela.
O Brasil é habitado por cerca de 76 milhões de negros e pardos, o equivalente a 45% da população. Portanto, os negros não podem ser considerados uma minoria num país que só perde para a Nigéria em quantidade de afro-descendentes no mundo. O curioso é saber que mesmo com toda a riqueza cultural, histórica e econômica que nós, brasileiros, herdamos da África, ainda conhecemos muito pouco sobre o continente, onde vivem mais de 780 milhões de pessoas das mais variadas etnias.
Não é de hoje que os livros escolares e as notícias da imprensa apresentam uma África estereotipada. Para ilustrar que imagem é essa, elaboramos um jogo bem interessante. Dez pessoas foram convidadas a classificar a região a partir de alternativas. Você acha que elas vêem a África como sinônimo de desenvolvimento ou atraso? Saúde ou doença? Riqueza ou pobreza? Estabilidade ou instabilidade política? Tribo ou civilização?
Para um senhor com sotaque português, a África tem riquezas, sim, mas são mal distribuídas. Uma jovem menciona a Aids como um dos fatores que a levam a afirmar que o continente africano é associado à doença. Outra entrevistada justifica a escolha de instabilidade política ao lembrar das guerras que assolam o continente. Um depoimento, em especial, se destaca. É a fala de uma moça que aponta todas as opções desfavoráveis e explica o motivo: “Escolhi os aspectos negativos porque é o que a televisão mostra”.
Claro que o continente africano enfrenta problemas muito graves, como estes indicados pelas pessoas que participaram do jogo, no entanto, não se pode negar que só temos acesso a alguns aspectos da realidade daquele país. A história da África reserva bons capítulos que os livros didáticos não contam. Para início de conversa, foi lá que surgiu o homo sapiens há cerca de 130 mil anos. Pesquisam indicam que os primeiros indivíduos da espécie humana eram negros, pequenos e com feições muito semelhantes às do africano de hoje.
A magistral civilização egípcia, notória pelos seus avançados conhecimentos em engenharia, geometria e matemática, é outro exemplo da contribuição da África para a humanidade. E mesmo sendo uma referência esplêndida daquela cultura ímpar, os livros costumam omitir que o Egito fica no continente africano. Quando desconhecemos todo o valor dos africanos reforçamos um sentimento de inferioridade nos afro-descendentes dos quatro cantos da terra. Tanto os negros quanto os brancos saem perdendo. Os brancos, sobretudo, porque são criados com a falsa ilusão de serem membros de uma raça superior.
A desinformação tem origem quando folheamos o livro didático, na sala de aula. Os capítulos dedicados à história da África são simbólicos e sempre relacionados ao tema ‘escravidão’. E mesmo a escravidão é abordada sob uma perspectiva eurocêntrica, isto é, do ponto de vista do colonizador, que ignora um item elementar: a diversidade étnica daquele povo. Ninguém explica que os escravos do Brasil possuíam as mais diversas origens, dialetos, valores, crenças e hábitos. Pelo contrário, eles sempre são rotulados como uma coisa só: negros africanos, serviçais dos brancos.
De acordo com o antropólogo Kabengele Munanga, professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e vice-diretor do Centro de Estudos Africanos da mesma instituição, “nossos livros didáticos têm uma orientação que não contempla as raízes africanas do Brasil, influenciando negativamente na formação da auto-estima dos jovens brasileiros de ascendência africana. Para qualquer pessoa se afirmar como ser humano ela tem que conhecer um pouco da sua identidade, das suas origens, da sua história”.
Com a implementação da lei 10.639, grande parte destas questões serão resolvidas. A lei torna obrigatório o ensino sobre a história e a cultura afro-brasileiras nas escolas do país inteiro. Além de entender acerca do Império Romano, do feudalismo na Europa, da Revolução Industrial na Inglaterra, da Revolução Francesa e da Guerra Civil norte-americana, os alunos serão informados, desde muito cedo, a respeito da África como um continente vivo e enriquecedor.
Quando esbarramos com as pessoas pelas ruas da cidade, não conseguimos descobrir onde elas moram, com o que trabalham, nem o quanto ganham. Mesmo assim, é comum que julguemos os outros pela aparência, ou seja, pelas roupas que vestem, o penteado dos cabelos, os objetos que carregam e pela cor da pele. Será que estes traços são suficientes para identificar moradia, profissão ou situação financeira de alguém?
Como o que nos interessa apurar no momento é o preconceito racial, inventamos um jogo para descobrir até que ponto a cor da pele de uma pessoa influencia, de fato, no julgamento que se faz pela aparência. Os vinte entrevistados, escolhidos aleatoriamente, relacionaram as fotografias de duas famílias, uma negra e outra branca, à habitação e ao local de trabalho do chefe de cada uma delas. Quer ver o resultado?
Um senhor negro foi o primeiro a apontar a família negra como moradora da casa mais humilde. Uma moça loura garantiu que qualquer um daquelas fotos poderia trabalhar no consultório médico. Já a jovem branca classifica a família negra com o aspecto mais feliz. Depois de um rapaz negro reclamar que a sociedade branca não oferece oportunidades aos afro-descendentes, um homem branco liga os negros à casa mal acabada, afirmando que fez esta associação motivado pela cor da pele de seus membros.
É lamentável, mas as pessoas vinculam mesmo os negros aos trabalhos braçais e às piores condições de moradia. Todos os dias nos deparamos com peças publicitárias, cenas de filmes e de novelas, personagens na literatura e nas histórias em quadrinhos que superestimam os brancos e subestimam os negros. Aos poucos, notamos um crescimento de exemplos positivos no negro na mídia, mas estas iniciativas, embora válidas, ainda são minoria. A atriz Zezé Motta, por exemplo, foi protagonista do filme ‘Xica da Silva’, dirigido por Cacá Diegues em 1976, e é hoje uma das figuras mais importantes da dramaturgia brasileira.
Zezé Motta vasculha suas mais remotas lembranças antes de afirmar que o negro é totalmente invisível no material escolar. “Não tenho lembrança de aprender sobre heróis ou celebridades negras na sala de aula, mas sempre encarei isso com naturalidade”, conta. E é verdade. Os negros sempre aparecem desempenhando funções subalternas, atividades exclusivamente manuais, em situações de penúria ou dignas de piedade na maioria dos livros didáticos e para-didáticos.
De acordo com Sueli Gonçalves, secretária de educação de Campinas, “nos livros de história, o negro costuma aparecer amarrado no tronco, recebendo o açoite. E se você tiver um olhar mais atento, aquele personagem negro aparenta ser pacífico, não sente dor e está ali numa boa”. Triste imagem, não? Por isso, é preciso bater incansavelmente nesta tecla: A escola tem um importante papel no combate à discriminação racial, a começar pela escolha do livros utilizados no decorrer do ano letivo.
Há muitos anos que a sociedade, principalmente através do movimento negro, vêm chamando atenção para os problemas educacionais que os negros enfrentam. Analfabetismo, evasão e baixa escolaridade são alguns dos mais graves. E as causas? Alguém já parou para estudar um meio de alterá-las? Pelo menos três motivos são lembrados: O acesso precário a uma educação pública de qualidade, a inexistência de políticas públicas de manutenção desses alunos em sala de aula e ao conteúdo – tanto do currículo quanto dos livros didáticos, que ora excluem ora reduzem a participação do negro na própria sociedade brasileira.
Vez ou outra os jornais publicam reportagens bastante reveladoras sobre desemprego no Brasil. Um índice se mantém inalterado: a maioria dos desempregados é afro-descencente. Os negros também lideram o ranking quando o assunto é trabalhar sem carteira assinada e em condições precárias. O que explica isso? Vamos espiar os classificados dos mesmos jornais?
Alguns anúncios pedem que o candidato tenha carro próprio, outros exigem nível superior. Há os que solicitam domínio do inglês ou experiência comprovada. Antigamente as pessoas deviam preencher um item importante para concorrer a uma posto de trabalho: a chamada “boa aparência”. Essa exigência foi considerada racista, o que torna a empresa passível de processos. Hoje, muitos empregadores substituíram a ‘boa aparência’ pelo envio de fotografias.
Será que o pedido de fotos dos candidatos é uma atitude inocente ou uma prova de preconceito racial? Para respondem estas questões, fizemos um jogo com pessoas comuns nas ruas. Diante das fotografias de cinco brasileiros em busca de emprego, entre brancos e negros, vamos ver quais foram escolhidas para ocupar as vagas fictícias, por parecerem representar melhor a empresa também sediada na ficção.
Uma moça branca escolheu três brancos e dois negros, alegando que o critério adotado foi “simpatia”. Houve um negro que selecionou, majoritariamente, afro-descendentes: “No mercado de trabalho seria o inverso. Enquanto não quebrarmos essa coisa de ‘o branco sabe mais do que o preto’, nunca vamos chegar a um mundo melhor”, opina. Uma garota loura selecionou três negros entre cinco candidatos. Um rapaz afro-descendente deu visível preferência a pessoas da etnia negra.
Nesta pesquisa informal, o público elegeu mais candidatos negros do que brancos, mas será que esta mesma tendência se repete no cotidiano do mercado de trabalho? “Quem é vítima da discriminação, muitas vezes não toma nem conhecimento de que está sendo discriminado”, rebate o advogado Eloá dos Santos Cruz, ele mesmo alvo de discriminação racial. A experiência da atriz Daniele Ornelas também indica que não.
“Fui fazer um teste para um filme em São Paulo, depois de conversar com a produtora pelo telefone. Ela havia ficado super empolgada com meu currículo, tanto que marcou um encontro. Chegando lá, estou vendo uma pessoa passar de um lado para o outro. Até que ela se aproximou e perguntou se eu estava procurando alguém. Quando me apresentei, a primeira reação foi de espanto: ‘Você é a Daniele? Nossa! Imaginei você tão diferente, não sabia que você era assim’. Assim negra. A gente percebe o preconceito velado”, lamenta a atriz.
O racismo aparece nas relações de trabalho de forma explícita e implícita. E muitas vezes os negros não só são discriminados pelo mercado profissional, mas também vêem caírem sobre seus ombros a culpa por não terem tido as mesmas oportunidades educacionais que os brancos. “A sociedade brasileira construiu ao longo dos séculos uma percepção muito negativa dos povos de origem africana e a escola tem um papel importantíssimo: mudar essa imagem, traduzir de outra forma o que é a história dessa comunidade negra no Brasil”, defende a historiadora Vânia Sant’anna.
Educação Escolar Quilombola
A palavra quilombo tem origem na língua banto e se refere a um tipo de instituição sociopolítica militar conhecida na África Central, mais especificamente entre Angola e a atual República do Congo.
No Brasil escravocrata a palavra foi usada para designar comunidades organizadas por escravos negros fugidos, mas que também abrigavam índios e brancos pobres. Um dos quilombos mais conhecidos é o de Palmares, situado no interior de Alagoas, num local de difícil acesso. Formou-se por volta de 1595, ocupando um espaço territorial equivalente a um terço de Portugal, com cerca de 30 mil pessoas, lideradas por Zumbi dos Palmares. Possuía, além de casas, oficinas, olarias, templos religiosos, plantações e um conselho político e de defesa.
Os quilombos eram sociedades organizadas que plantavam o que precisavam comer, tinham hierarquia e eram livres para manifestar suas crenças, sua cultura.
Somente com a Constituição de 1988, o governo brasileiro reconheceu a legitimidade das comunidades remanescentes de quilombo e abriu o espaço legal para que elas lutassem pela posse coletiva de suas terras. Atualmente, existem cerca de 1436 comunidades remanescentes de quilombos, que abrigam cerca de 1 milhão e 300 mil brasileiros, em dados recentes da Fundação Palmares.
Para um melhor entendimento do que são os remanescentes de quilombos, o Decreto nº 4887/03 estabelece que:
Consideram-se remanescentes das comunidades dos quilombos os grupos étnico-raciais, segundo critérios de autoatribuição, com trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com a opressão histórica sofrida.
Um dos grandes desafios de quem educa e forma alunos em comunidades remanescentes de quilombo é valorizar a tradição oral numa sociedade que prioriza a língua escrita.
Ubiratan D’Ambrosio, especialista em etnomatemática, afirma que a educação quilombola é realizada a partir de outros contextos culturais porque ela reconhece os saberes da criança ao chegar à escola. E os saberes ancestrais são as bases, as raízes daquela comunidade.
Para as comunidades quilombolas, o pensar e o fazer são indissociáveis; já a escola formal, ao contrário, valoriza o saber sobre o fazer. No projeto de ensino realizado no quilombo de Murumutuba, que fica no noroeste do Pará, o objetivo é associar o pensar e o fazer, valorizar as práticas do cotidiano dos quilombolas. E é isso que acontece no ensino da matemática, a etnomatemática.
Outra experiência rica de educação quilombola ocorre no Colégio Estadual Sinésio Costa onde é desenvolvido o projeto “Uma leitura da Cultura Negra Riachense” que é uma extensão da proposta do projeto “Rio das Rãs: origem, cultura e resistência numa comunidade quilombola”, 2º lugar na 2ª edição do Prêmio Educar para a Igualdade Racial.
Um dos principais objetivos do trabalho é o desenvolvimento do senso de pertinência social, pessoal e coletivo do aluno. E quando o aluno tem a possibilidade de conhecer o seu contexto histórico cultural, isso possibilita também o auto reconhecimento e ele vai legitimar os seus saberes históricos, culturais, artísticos.
A educação quilombola deve considerar as vivências, realidades e histórias das comunidades quilombolas do país, de forma a considerar suas especificidades étnico-culturais.
A discussão sobre a educação quilombola como campo da política educacional começou em 2010, durante a Conferência Nacional de Educação (Conae), em Brasília. Na época, houve uma proposta para a inclusão da educação quilombola como modalidade da educação básica e pela instituição das Diretrizes Curriculares Gerais para a Educação Básica. As propostas ainda estão em processo de homologação.
A importância da instituição da educação quilombola se dá, sobretudo, pela fotografia brasileira. Segundo informação do Ministério da Educação (MEC), levantamento feito pela Fundação Cultural Palmares, órgão do Ministério da Cultura, certificou mais de 2900 comunidades e mais de 1900 aguardam a certificação e 175 áreas com terras já tituladas.
Existem comunidades remanescentes de quilombos em quase todos os estados, exceto no Acre, Roraima e no Distrito Federal. Os que possuem o maior número de comunidades remanescentes de quilombos são Bahia, Maranhão, Minas Gerais, e Pará.
A educação escolar quilombola deve ter como referência valores culturais, sociais, históricos e econômicos dessas comunidades. Para tanto, a escola deve se constituir como um espaço de diálogo entre o conhecimento escolar e a realidade local, valorizando o desenvolvimento sustentável, o trabalho, a cultura, a luta pelo direito à terra e ao território.
Objetivo:
Fortalecer os sistemas municipais, estaduais e do Distrito Federal de educação, envolvendo o apoio à coordenação local na melhoria de infraestrutura, formação continuada de professores que atuam nas comunidades remanescentes de quilombos, visando à valorização e a afirmação dos valores étnico-raciais na escola e proporcionando instrumentos teóricos e conceituais necessários para compreender e refletir criticamente sobre a educação básica oferecida nas comunidades remanescentes de quilombos.
Ações:
Formação de Professores;
Produção de material didático específico;
Construção de escolas quilombolas, com vistas a dotar de infraestrutura básica as comunidades quilombolas para realização de educação de qualidade.
Produção de material didático específico;
Construção de escolas quilombolas, com vistas a dotar de infraestrutura básica as comunidades quilombolas para realização de educação de qualidade.
Como acessar:
As Secretarias de Educação dos municípios, estados e do Distrito Federal apresentam as demandas por meio do PAR – Plano de Ações Articuladas.
Fontes:
http://www.seppir.gov.br/portal-antigo/arquivos-pdf/diretrizes-curriculares
http://www.dhnet.org.br/dados/cartilhas/dht/cartilha_cclf_educ_quilombola_direito_a_ser_efetivado.pdf
http://mec.gov.br
CONAQ
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