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quarta-feira, 12 de julho de 2017

Diversidade Cultural no Brasil

Diversidade Cultural no Brasil
Manifestação cultural - carnaval no Rio de Janeiro*

A diversidade cultural refere-se aos diferentes costumes de uma sociedade, entre os quais podemos citar: vestimenta, culinária, manifestações religiosas, tradições, entre outros aspectos. O Brasil, por conter um extenso território, apresenta diferenças climáticas, econômicas, sociais e culturais entre as suas regiões.

Os principais disseminadores da cultura brasileira são os colonizadores europeus, a população indígena e os escravos africanos. Posteriormente, os imigrantes italianos, japoneses, alemães, poloneses, árabes, entre outros, contribuíram para a pluralidade cultural do Brasil.

Nesse contexto, alguns aspectos culturais das regiões brasileiras serão abordados.

Região Nordeste

Entre as manifestações culturais da região estão danças e festas como o bumba meu boi, maracatu, caboclinhos, carnaval, ciranda, coco, terno de zabumba, marujada, reisado, frevo, cavalhada e capoeira. Algumas manifestações religiosas são a festa de Iemanjá e a lavagem das escadarias do Bonfim. A literatura de Cordel é outro elemento forte da cultura nordestina. O artesanato é representado pelos trabalhos de rendas. Os pratos típicos são: carne de sol, peixes, frutos do mar, buchada de bode, sarapatel, acarajé, vatapá, cururu, feijão-verde, canjica, arroz-doce, bolo de fubá cozido, bolo de massa de mandioca, broa de milho verde, pamonha, cocada, tapioca, pé de moleque, entre tantos outros.

Festa do Nosso Senhor do Bonfim, Salvador, Bahia.*1
Região Norte

A quantidade de eventos culturais do Norte é imensa. As duas maiores festas populares do Norte são o Círio de Nazaré, em Belém (PA); e o Festival de Parintins, a mais conhecida festa do boi-bumbá do país, que ocorre em junho, no Amazonas. Outros elementos culturais da região Norte são: o carimbó, o congo ou congada, a folia de reis e a festa do divino.
A influência indígena é fortíssima na culinária do Norte, baseada na mandioca e em peixes. Outros alimentos típicos do povo nortista são: carne de sol, tucupi (caldo da mandioca cozida), tacacá (espécie de sopa quente feita com tucupi), jambu (um tipo de erva), camarão seco e pimenta-de-cheiro.

Festival de Parintins (AM)
Região Centro-Oeste

A cultura do Centro-Oeste brasileiro é bem diversificada, recebendo contribuições principalmente dos indígenas, paulistas, mineiros, gaúchos, bolivianos e paraguaios. São manifestações culturais típicas da região: a cavalhada e o fogaréu, no estado de Goiás; e o cururu, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A culinária regional é composta por arroz com pequi, sopa paraguaia, arroz carreteiro, arroz boliviano, maria-isabel, empadão goiano, pamonha, angu, cural, os peixes do Pantanal - como o pintado, pacu, dourado, entre outros.

Procissão do Fogaréu
Região Sudeste

Os principais elementos da cultura regional são: festa do divino, festejos da páscoa e dos santos padroeiros, congada, cavalhadas, bumba meu boi, carnaval, peão de boiadeiro, dança de velhos, batuque, samba de lenço, festa de Iemanjá, folia de reis, caiapó.
A culinária do Sudeste é bem diversificada e apresenta forte influência do índio, do escravo e dos diversos imigrantes europeus e asiáticos. Entre os pratos típicos se destacam a moqueca capixaba, pão de queijo, feijão-tropeiro, carne de porco, feijoada, aipim frito, bolinho de bacalhau, picadinho, virado à paulista, cuscuz paulista, farofa, pizza, etc.

Feijoada
Região Sul

O Sul apresenta aspectos culturais dos imigrantes portugueses, espanhóis e, principalmente, alemães e italianos. As festas típicas são: a Festa da Uva (italiana) e a Oktoberfest (alemã). Também integram a cultura sulista: o fandango de influência portuguesa, a tirana e o anuo de origem espanhola, a festa de Nossa Senhora dos Navegantes, a congada, o boi-de-mamão, a dança de fitas, boi na vara. Na culinária estão presentes: churrasco, chimarrão, camarão, pirão de peixe, marreco assado, barreado (cozido de carne em uma panela de barro), vinho.

Oktoberfest
*Créditos das imagens

Entrevista - Márcia Lima "As cotas raciais são uma política liberal"

Protesto
Na USP, as cotas raciais foram aprovadas no último dia 4, em reunião do Conselho Universitário
Professora do Departamento de Sociologia da USP afirma que as ações afirmativas também possuem um viés meritocrático.
Professora do Departamento de Sociologia da Faculdade Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH/USP), Márcia Lima é uma das 120 negras que lecionam entre os 6 mil docentes da Universidade de São Paulo. Defensora incondicional da cotas raciais, Lima não considera esta política pública uma revolução. “Temos sempre que pontuar que essa é uma política liberal, pois isso é o princípio de uma sociedade de classes, de uma sociedade individualista e capitalista.”
Signatária do abaixo-assinado que reuniu cerca de 300 professores da USP a favor davotação de cotas raciais no Conselho Universitário da instituição, Lima afirma que, além da necessidade de inclusão das minorias, é preciso reconhecer a inexistência de uma elite negra no País, algo necessário para as próximas gerações terem mais acesso a oportunidades.
Em entrevista a CartaCapital, a socióloga explica a necessidade da adoção da política e por qual motivo ela produz impactos para além dos muros das universidades.
CartaCapital: Qual percurso histórico é importante recuperar quando falamos sobre políticas de cotas raciais?
Márcia Lima: A decisão que iniciou o debate foi quando a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) se tornou a primeiras universidade pública a adotar política de cotas. Nesse momento o movimento social dentro e fora da universidade começou a se organizar para que outras universidades seguissem o processo.
Mas o fato que antecede foi a Conferência de Durban, em 2001, quando o Brasil foi signatário do tratado que o compromete com o combate à discriminação e à xenofobia.  Desta conferência, é importante destacar duas coisas: houve um preparo do Brasil para participar da conferência e que essas discussões começaram no governo do Fernando Henrique Cardoso. Em 1996, ele lançou um documento intitulado “Construindo a verdadeira democracia racial no Brasil”, onde ele criou o programa nacional de ações afirmativas.
Com certeza a forma como o ex-presidente Lula instituiu as ações afirmativas em seu governo pela criação da Secretaria de Igualdade Racial, pela ideia de igualdade racial, foi um fator que realmente talvez outro presidente teria feito de outra forma. Mas nenhum presidente que assumisse naquele momento poderia se isentar de enfrentar essa questão.
CC: O discurso daqueles que são contra as cotas raciais é frequentemente baseado na meritocracia. Isso prejudica o debate?
ML: O que as pessoas chamam de mérito? Ninguém em sã consciência vai dizer que é contra a meritocracia. Quando você nega o valor da meritocracia você diz que não importa o empenho, a dedicação. Mas as políticas de cotas não se opõem a isso na medida em que sociedades muito desiguais não possuem parâmetros para medir a meritocracia. Se você tem muita desigualdade de oportunidades, o resultado que cada um desses indivíduos alcança não é unicamente em função de seus próprios méritos.
E outro aspecto é que a política de cotas tem seu lado meritocrático. Primeiro porque as pessoas vão competir para entrar na universidade, a reserva de vagas não elimina a competição. O terceiro aspecto em relação ao mérito é colocar o vestibular, no caso a Fuvest, como um balizador de mérito inquestionável. O vestibular é uma forma de seleção.
Os comentários negativos dizem coisas como não querer ser atendido por um médico que foi cotista, por um advogado cotista. A Fuvest não diploma ninguém, quem diploma é a Universidade de São Paulo. Esse aluno vai ingressar por um sistema de cotas mas vai passar pelas mesmas avaliações que qualquer aluno. Não existe um sistema diferenciado, um conteúdo diferenciado. Se dá ao processo seletivo um peso muito excessivo, e isso é um problema.
CC: Esses argumentos se sofisticaram ao longo do tempo?
Márcia Lima
A professora é a única mulher negra a lecionar no seu departamento
ML: Os argumentos de fundo serão sempre os mesmos porque as pessoas são contra o princípio da ação afirmativa. As políticas de ação afirmativas são políticas públicas ou privadas voltadas para corrigir desigualdades relacionadas a determinados grupos. Esse é o princípio. A oposição é com a ideia de criar essa diferença, portanto o argumento de fundo não muda. A questão foi discutida e aprovada pelo Supremo Tribunal Federal, então já é constitucional.
Você apelar pro princípio de igualdade numa sociedade que gera tanta desigualdade gera contrassenso. Não tem como corrigir desigualdades tão profundas se você não atenuar especificamente nos grupos mais atingidos. Tem que melhorar a educação básica, tem que existir igualdade de direitos, mas enquanto a sociedade não produz direitos iguais ela tem que corrigir as formas de acesso à oportunidade.
CC: Outro ponto frequentemente levantado é a possibilidade de fraude na autodeclaração feita pelo candidato para se adequar ao perfil de preto, pardo ou indígena. Isso prejudica a política?
ML: A gente tem fraude em todos os programas, existe essa possibilidade. A exemplo do seguro desemprego. Ou seja, isso é residual na política, em todas as políticas que você tem. Existem grandes fraudadores nacionais da previdência, por aí a fora. Não é uma coisa que não dá pra controlar e não se deve controlar. Eu defendo radicalmente a autoclassificação. O indivíduo tem que se autodeclarar, e a partir do momento que tem essa postura, ele lida também com as consequências da sua classificação.
CC: A USP foi uma das últimas a adotar a política de cotas no seu processo seletivo. Como você enxerga a demora da maior universidade do País a tomar essa decisão?
ML: Existe uma confusão muito grande na ideia de uma universidade de elite com uma universidade de elite econômica, de hegemonia branca e massivamente branca. A ideia de formar uma universidade de elite é de uma universidade de qualidade, que forma os principais pesquisadores, as principais mentes do país. Forma pessoas que formarão outras pessoas. A ideia de uma universidade de elite é de um ensino de ponta, com recursos, com condições de fazer diferenças na produção de conhecimento. Uma universidade de elite não é uma universidade racialmente hegemônica.
Então, é assustador que a USP não tenha se preocupado de fato em entender o quão importante é formar uma elite que conviva com a diferença, com trajetórias diferentes, pessoas diferentes, origens sociais e econômicas diferentes. É uma resistência que passa por uma concepção equivocada do que é ser uma universidade de elite.
CC: Um novo perfil de estudantes vai começar a entrar na USP. A universidade terá que se adequar a esse novo perfil?
ML: Isso é uma agenda para não repetirmos erros históricos. Espero que universidade esteja aberta para criar um espaço de acolhimento. Mas tem-se a ideia que os alunos que vão competir para entrar na USP pelas cotas não sabem falar, não sabem ler, não sabem escrever.
Eles já chegaram em algum lugar para poder estar ali. Sobreviveram dentro do sistema educacional brasileiro, o que não é pouca coisa. Eles vão acompanhar e se não acompanhar vão receber a nota de quem não acompanhou.
Mas é fato que a USP precisa pensar em políticas de permanência. A proposta de uma uma universidade mais inclusiva não termina no vestibular, começa nele. Ou seja, ela não está preparada mas terá que aprender como as outras aprenderam.
Fonte: Carta Capital

terça-feira, 11 de julho de 2017

Ouça “História Hoje” 11/07: Há 48 anos, morria o poeta Guilherme de Almeida

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Em 11 de julho de 1969 morria em São Paulo Guilherme de Andrade Almeida. Poeta brasileiro de formação parnasiano simbolista que integrou o movimento modernista e foi um dos autores mais versáteis e populares de seu tempo.
Apresentação Gláucia Gomes
ANTES DE OUVIR O ÁUDIO DESLIGUE O SOM DA RÁDIO BRASIL CULTURA NO TOPO DA PAGINA
Ele foi o primeiro modernista a entrar para Academia Brasileira de Letras. Ocupou a cadeira número 15.
História Hoje: Programete sobre fatos históricos relacionados às datas do calendário. Vai ao ar pela Rádio Brasil Cultura de segunda a sexta-feira.
Fonte: Brasil Cultura

Documentário retrata cena punk feminista dos anos 1990

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Riot Grrrl é o nome do movimento na época e surgiu quando garotas da cena punk underground começaram a formar bandas só de mulheres. O projeto do filme traz representatividade tanto na produção, com uma equipe formada somente pelo sexo feminino, quanto no conteúdo, que trata deste momento praticamente não lembrado da cena musical do rock no Brasil. A equipe também vivenciou a cena punk feminista: continuam tocando em bandas até hoje.
Letícia conta como surgiu a ideia do longa: “A Patricia Saltara, que faz o documentário comigo, me chamou e falou ‘cadê a Letícia pra fazer o filme sobre a cena?’. E isso vinha das conversas de que não estava tendo representatividade feminina nos documentários da cena brasileira musical”.
O nome Riot Grrl tem origem no inglês e faz referência à rebeldia. Em uma cena musical dominada por homens, o movimento abordava temas feministas, fazendo com que o público fosse em sua maioria composto por mulheres, que viam nos encontros uma forma de se fortalecerem. A quantidade de bandas que surgiram nos anos 1990 foi grande, podendo se citar nomes como Dominatrix, TPM, Lamina, Kolica, Kaos Klitoriano, Anti-Corpos, entre outras.
O intuito do projeto, segundo Letícia, é resgatar as histórias das protagonistas do movimento, seus desdobramentos o que ele significou na vida destas mulheres: “A intenção é que ele possa trazer essa identificação pra outras mulheres e pra outras pessoas. Lá no início do projeto, eu bati na tecla de dar esse reconhecimento a essa história. Esse é um registro inédito de fato, essa história nunca foi contada, como muitas histórias das mulheres nunca foram contadas e não estão escritas na história”.
Ainda em fase de produção, o documentário Faça Você Mesma está com campanha de financiamento coletivo no Catarse, para dar continuidade às entrevistas, cobrir despesas e finalizar as gravações. “A gente tá num momento que tem que ter cada vez mais diversidade pra gente ter sociedades mais justas, tolerantes e igualitárias.”
Fonte: Brasil de Fato

Cais do Valongo Patrimônio da Humanidade: E agora...


Marco da herança africana no Rio de Janeiro, o Cais do Valongo agora é Patrimônio da Humanidade. O Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura)

Principal porto de entrada de africanos escravizados no Brasil e nas Américas, o Cais do Valongo, no Rio 
de Janeiro (RJ), teve sua candidatura aceita pelo Centro do Patrimônio Mundial, para ser reconhecido como Patrimônio da Humanidade. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, receberam nesta terça-feira, 1° de março, comunicado da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), por intermédio do Ministério das Relações Exteriores, informando que aceitou o dossiê da candidatura como completo e apto a iniciar os trâmites de análise por suas instâncias técnicas.

Elaborado pelo Iphan e a Prefeitura do Rio de Janeiro, com o aporte de um qualificado corpo de especialistas contratados, o dossiê servirá como base para o trabalho de uma missão de avaliação, formada por representantes dos órgãos consultivos da UNESCO, que visitará a região portuária e o Cais do Valongo nos próximos meses. O trabalho técnico prosseguirá com a participação da comunidade e do Comitê Consultivo da Candidatura, composto por várias instituições governamentais e da sociedade civil, especialmente as representativas da preservação e valorização da herança africana.

O Iphan e a Prefeitura do Rio veem com muito otimismo a possibilidade de inscrição do Cais do Valongo na lista do Patrimônio Mundial que, uma vez concretizada, representará o reconhecimento do seu valor universal excepcional, como memória da violência contra a humanidade representada pela escravidão, e de resistência, liberdade e herança, fortalecendo as responsabilidades históricas, não só do Estado brasileiro, como de todos os países membros da UNESCO. É, ainda, o reconhecimento da inestimável contribuição dos africanos e seus descendentes à formação e desenvolvimento cultural, econômico e social do Brasil e do continente americano.

A grande porta de entrada de africanos escravizados no Brasil
O Brasil recebeu cerca de quatro milhões de escravos nos mais de três séculos de duração do regime escravagista, 40% de todos os africanos que chegaram vivos nas Américas, entre os séculos XVI e XIX. Destes, aproximadamente 60% entraram pelo Rio de Janeiro, sendo que aproximadamente hum milhão pelo
Cais do Valongo. A partir de 1774, por determinação do Marquês do Lavradio, Vice-Rei do Brasil, o desembarque de escravos no Rio foi integralmente concentrado na região da Praia do Valongo, onde se instalou o mercado de escravos que, além das casas de comércio, incluía um cemitério e um lazareto.

O objetivo era retirar da Rua Direita, atual Primeiro de Março, o desembarque e comércio de africanos escravizados. Após a chegada eles eram destinados as plantações de café, fumo e açúcar do interior e de outras regiões do Brasil. Os que ficavam no Rio de Janeiro, geralmente eram os utilizados em trabalhos domésticos, ou nas obras públicas. A vinda da família real portuguesa para o Brasil e a intensificação da cafeicultura ampliaram consideravelmente o tráfico escravagista.

Em 1811, com o incremento do tráfico e o fluxo de outras mercadorias, foram feitas obras de infraestrutura, incluindo o calçamento de pedra de um trecho da Praia do Valongo, que constitui o Sítio Arqueológico do Cais do Valongo. 

O local foi desativado como porto de desembarque de escravos em 1831, quando o tráfico transatlântico foi proibido por pressão da Inglaterra – norma solenemente ignorada, que recebeu a denominação irônica de lei para inglês ver. Doze anos depois, em 1843, o Cais do Valongo foi aterrado para receber a Princesa das Duas Sicílias e Princesa de Bourbon-Anjou, Teresa Cristina, esposa do Imperador Dom Pedro II, recebendo o nome de Cais da Imperatriz. 

"Com a assinatura da Lei Eusébio de Queirós, em 1850, pôs-se fim verdadeiramente ao tráfico para o Brasil, embora a última remessa conhecida date de 1872 e a escravidão tenha persistido até a Abolição, em 1888." 
Em 1911, com as reformas urbanísticas da cidade, o Cais da Imperatriz foi aterrado. No entanto, durante as obras do Porto Maravilha, com as escavações realizadas no local em 2011, foram encontrados milhares de objetos como parte de calçados, botões feitos com ossos, colares, amuletos, anéis e pulseiras em piaçava de extrema delicadeza, jogos de búzios e outras peças usadas em rituais religiosos. Entre os achados raros, 
há uma caixinha de joias, esculpida em antimônio, com desenhos de uma caravela e de figuras geométricas na tampa.

Em 2012, a prefeitura do Rio de janeiro acatou a sugestão das Organizações dos Movimentos Negros e, em julho do mesmo ano, transformou o espaço em monumento preservado e aberto à visitação pública. O Cais do Valongo passou a integrar o Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, que estabelece marcos da cultura afro-brasileira na Região Portuária, ao lado do Jardim Suspenso do Valongo, Largo do Depósito, Pedra do Sal, Centro Cultural José Bonifácio e Cemitério dos Pretos Novos.

Em 20 de novembro de 2013, Dia da Consciência Negra, o Cais do Valongo foi alçado a patrimônio cultural da cidade do Rio de Janeiro, por meio do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). Representantes da UNESCO também consideraram o sítio arqueológico como parte da Rota dos Escravos, sendo o primeiro lugar no mundo reconhecido pela UNESCO. O evento reforçou ainda mais a intenção da cidade de lançar a candidatura do Cais do Valongo a Patrimônio da Humanidade.

O dossiê elaborado ao longo de um ano de trabalho, coordenado pelo antropólogo Milton Guran, resgata a história trágica e cruel do tráfico negreiro e analisa com detalhes a importância histórica e o simbolismo do sítio arqueológico para todos os brasileiros, em especial os afrodescendentes. 

O Sítio Arqueológico do Cais do Valongo não só representa o principal cais de desembarque de africanos escravizados em todas as Américas, como é o único que se preservou materialmente. Pela magnitude do que reprsenta, coloca-se como o mais destacadi vstígio do tráfico negreiro no continente americano.

O Comitê do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) se reuniu, neste deste domingo (2), em Cracóvia, na Polônia. Quase 200 países devem enviar representantes para o encontro, que vai durar 11 dias. O comitê analisa uma lista de sítios, como são chamados os locais candidatos a Patrimônio da Humanidade.

Este ano, são 26 os indicados a patrimônio cultural, sete a natural e um a patrimônio mundial misto. O Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, é o candidato brasileiro a patrimônio cultural.

É algo que, certamente, tem que ser celebrado, pois vai pode significar (não obrigatoriamente, dado o descaso que envolve tudo que tem a ver com os patrimônios históricos, artísticos e culturais) a preservação do local.
Se liga: Também quer dizer também uma daquelas histórias cercadas das contradições e exemplar do racismo e de tudo que diz respeito a negros e negras no Brasil. Uma história que, inclusive, já fica evidente na matéria publicada pela Folha. O artigo começa dizendo que o local é um marco da “herança africana no Brasil”, quando, na verdade, de acordo com os próprios critérios da Unesco, Valongo é um patrimônio da humanidade exatamente por ser um registro de ações criminosas da humanidade e um local de memória e sofrimento (o que o coloca na mesma categoria de patrimônios tombados como o campo de concentração de Auschwitz e a cidade de Hiroshima).

Inaugurado em 1811, o cais foi o principal ponto de desembarque de escravos africanos nas três Américas. Em 1911, o Cais do Valongo foi aterrado e redescoberto 100 anos depois, durante as obras para a Olimpíada do Rio.

Debaixo da terra estavam milhares de objetos como calçados, botões feitos com ossos, colares, amuletos, anéis, pulseiras, jogos de búzios e outras peças usadas em rituais religiosos.
De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Cais do Valongo é um local de preservação da memória, com valor extraordinário para toda a humanidade.

Na reunião, um grupo técnico do Comitê do Patrimônio Mundial também vai avaliar o estado de conservação dos locais que estão na lista. A coordenadora de Cultura da Unesco no Brasil, Rebeca Otero, 
disse que os governos precisam se comprometer com a preservação.

A organização reconhece 20 patrimônios culturais e naturais no Brasil. Um deles é o conjunto de reservas do Cerrado, formado pelos parques nacionais das Emas e da Chapada dos Veadeiros, que ficam em Goiás. Esse conjunto está na pauta para ser avaliado.

O principal problema é que o perímetro de proteção da Chapada dos Veadeiros diminuiu nos últimos anos. Os técnicos do Patrimônio Mundial recomendaram que, até fevereiro deste ano, o governo federal garantisse a preservação da área, mas isso não ocorreu. Agora, os parques podem ser declarados em estado de risco e sair da lista do patrimônio. Há um mês, no entanto, o presidente Michel Temer assinou decreto ampliando a área de preservação em quase quatro vezes, passando de 65 mil para 240 mil hectares.
Um afro abraço.
Claudia Vitalino.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

TROTE NA UFERSA TERMINA COM CALOURA EM COMA ALCOÓLICO E TRÊS ESTUDANTES PRESOS

Três estudantes da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), campus Mossoró, foram presos depois que uma caloura de 17 anos entrou em coma alcoólico quando participava de um trote na tarde da quinta-feira, 07 de julho. Os estudantes cursam Ciência e Tecnologia e foram presos por darem bebida alcoólica a menor de idade.
A caloura foi levada inconsciente para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Alto de São Manoel. A polícia foi acionada por um dos funcionários da unidade e prendeu os três jovens que levaram a estudante até a UPA. A jovem passa bem.

Na delegacia, um dos estudantes afirmou que os alunos veteranos ordenavam que os alunos novatos ingerissem bebidas alcoólicas, como parte do trote. Os três estudantes pagaram fiança e foram liberados para responder ao processo em liberdade.
*O Mossoroense

http://jornalggn.com.br/noticia/raio-x-dos-ritmos-coco

Este é um dos principais ritmos tocados nas festas juninas, forte nas tradições nordestinas. O ritmo é marcado pela levada dos instrumentos de percussão: ganzá, surdo, pandeiro e triângulo, e não tem origem demarcada, reconhecida ou estabelecida.
Diz-se que nos tempos de antanho, a modalidade nasceu inspirada pelo ritmo dos cocos sendo quebrados após sua extração. Estudiosos dizem que o ritmo nasceu em Pernambuco, lá pras bandas da divisa com Alagoas. Mas que alagoanos e paraibanos também querem o coco e reivindicam a paternidade da manifestação folclórica.
O ritmo carrega influências indígenas e africanas, a dança tem uma estrutura básica, com algumas variações. Muitas vezes chefiadas pelo mestre cantador, que vai puxando as músicas, as rodas são iniciadas com os participantes enfileirados. Quando se dá o emparelhamento, os dançarinos acompanham o ritmo dos instrumentos com palmas e sapateado.
Quando planejaram lançar a música nordestina, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira estavam em dúvida entre o baião e o coco. Ganhou o baião, porque consideravam que o carioca levaria muito tempo para aprender a tocar coco.
Vamos a um bom levantamento sobre o coco.

Fonte: http://jornalggn.com.br

Raio X dos ritmos: Marchinha


Jornal GGN - A marchinha foi reconhecida como a música de carnaval no Brasil. E isso mais até do que o samba-enredo. Ela foi cultuada dos anos 1920 aos anos 1960, responsável por algumas das canções mais populares do país, com um time de compositores dos mais importantes, célebres no mundo da música popular.
A marchinha trouxe para suas fileiras nomes como Chiquinha Gonzaga, que nos brindou com Ô Abre Alas, escrita para o cordão Rosa de Ouro, em 1899, e foi a primeira música escrita especialmente para o carnaval. E vai até Moraes Moreira, passando por Noel Rosa, João de Barro, Ary Barroso, Lamartine Babo e Mário Lago, muitos deles se superando para trazer a música que seria a preferida dos foliões no carnaval daquele ano.
Carregando o compasso binário da marcha militar e andamento acelerado, parte do período carregando a influência das big bands de jazz, a marchinha trazia melodias simples e alegres, para que os foliões aprendessem bem rápido as letras cheias de picardia.
A marchinha teve um período de ouro, a partir da década de 1930, com intérpretes do naipe de Carmen Miranda, Almirante, Mário Reis, Dalva de Oliveira, Silvio Caldas, Jorge Veiga e Black-Out. Essas eram as vozes que enchiam o carnaval de ritmo pelas composições de João de Barro, Ary Barroso e Lamartine Babo.
No começo dos anos 1960, a popularização do carnaval marcou o início da era do samba-enredo e o declínio das marchinhas e dos blocos. Uma das últimas marchinhas a ganhar brilho foi Cabeleira do Zezé e Mulata Iê-Iê-Iê, de José Roberto Kelly. Após o advento do AI-5, na ditadura militar, instalada a censura no Brasil, a marchinha ressurgiu em iniciativas isoladas, como forma de driblar a fera, nas tintas de Caetano Veloso e Chico Buarque. 
Fonte: http://jornalggn.com.br

CULTURA: Salvador: samba junino pode virar patrimônio

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Já são 40 anos de tradição

Samba Junino tomou conta das ruas do Pelô na quinta-feira (Reprodução: saojoaonabahia.com.br).

Do portal Bahia Notícias:

O processo de registro do samba junino como Patrimônio Imaterial de Salvador tem previsão de ser concluído ainda este ano pela Fundação Gregório de Mattos (FGM). Segundo informações do jornal A Tarde, a estimativa foi feita pelo gerente de patrimônio cultural da FGM, Magnair Barbosa, e é um prazo menor do que o previsto na Lei Municipal 8.552 que determinou as regras para o tombamento e registro de bens materiais e imateriais na capital baiana.

Magnair aponta que a norma permite que o processo de tombamento seja feito em, no máximo três anos, a partir da abertura do processo. No caso do samba junino, o processo foi aberto em junho do ano passado, logo o limite para o registro é junho de 2019. Apesar de prever o fim do processo ainda neste ano, a gestora não quis estipular uma data para a inscrição no Livro de Registro Especial de Patrimônio Cultural do Município.

O samba junino tem 40 anos de tradição e alia o samba-duro com ritmos como xote, xaxado, baião e galope, tocado com timbaus, marcação e tamborim.