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quinta-feira, 20 de julho de 2017

Exposição celebra 38 anos do Museu do Homem do Nordeste

MUSEUNORDESTE
Exposição: MUSEU DO HOMEM DO NORDESTE
Museu do Homem do Nordeste (Muhne) celebra seus 38 anos reunindo arte, artesanato e design nordestinos. É a exposição Nordeste Mix. A mostra será inaugurada nesta sexta-feira (21), e poderá ser visitada até 4 de fevereiro do ano que vem, na Sala Mauro Mota. O Muhne, localizado em Recife, é vinculado à Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e ao Ministério da Educação.
A Nordeste Mix mescla arte, artesanato e design em um exercício de antropologia da memória. Dos quadros de José Patrício à arte popular de Nuca da Tracunhém, passando por nomes como o do fotógrafo Josias Benício, peças da arte popular e objetos utilitários dividem o mesmo espaço que peças de designers contemporâneos.
O objetivo da exposição é discutir a representação da região Nordeste por meio de sua cultura material. A curadoria foi realizada pela antropóloga Ciema Mello e pelo museólogo Maximiliano Roger. Já a identidade visual e a expografia são assinadas pelo designer Pedro Henrique de Oliveira.
“O museu tem uma particular afeição pelo homem comum. Não estamos interessados em heróis e sim nas pessoas que estão todos os dias na rua, que pegam ônibus, que entram na fila do supermercado. São elas que criam a diversidade e a originalidade da cultura nordestina”, explica a curadora Ciema Mello.
História
Fundado em 1979, um dos mais importantes museus antropológicos do Brasil, o Muhne é oriundo da fusão de três outros museus: o Museu de Antropologia, o Museu de Arte Popular e o Museu do Açúcar. O acervo, hoje, possui aproximadamente 15 mil peças de caráter histórico, etnográfico e antropológico.
Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério da Educação.

A dramaturga negra que representa a periferia

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MARIA SHU
Foi em um trem para a estação da Luz que encontrei, pela primeira vez, Maria Shu. O ano era de 2010, ela entrou na estação do Jaraguá, bairro na região noroeste onde ainda hoje reside e, em meio à multidão do horário de rushmatutino, o acaso do cotidiano naturalmente nos apresentou.

Por Jéssica Moreira

Eu conversava sobre teatro com uma amiga, quando aquela moça de sorriso doce e olhar e voz firmes se aproximou com seus livros nas mãos. Naquela época, ela estava no primeiro semestre do curso de dramaturgia da SP Escola de Teatro e, mesmo sem saber, reacendeu em mim a esperança de um dia também ser dramaturga, já que eu não havia passado no processo seletivo.

Hoje, após sete anos desse encontro, tenho o prazer de divulgar que, daqui a alguns dias, a obra “Epifania”, escrita por Shu em 2016, irá também criar voo e pousar no país africano de Cabo Verde, no 3º Festival Nacional de Teatro do Mindelo, que acontece de 23 a 29 de julho.

O texto, inspirado no romance “A Hora da Estrela”, faz um diálogo entre a personagem principal, Macabéa, e a autora Clarice Lispector, trazendo como pano de fundo diversas questões do universo feminino. A dramaturgia irá ganhar vida na interpretação da atriz Lilian Prado, do Grupo de Teatro Onironautas.

Essa, porém, não é a primeira vez que um texto de Shu, hoje com 40 anos, é encenado fora do país. Com este, a dramaturga já soma quatro trabalhos. Giz (2011/2013) foi o primeiro, que ganhou leitura dramática de Lavinía Pannuzio e, mais tarde, foi dirigida por Marcelo Valle. “Giz me possibilitou perceber que eu havia encontrado a minha singularidade, meu estilo dramatúrgico de escrever: uma verve poética, metafórica, híbrida de linguagens e referências”.

A partir de um processo colaborativo com a Cia Os Satyros, Shu colocou na rua Cabaret Stravaganza (2011), espetáculo que ficou quase dois anos em cartaz em São Paulo e, depois, foi levado para a Suécia. Ainda em 2017, a peça Epifania ficará em cartaz no Viga Espaço Cênico e, em setembro, a peça Ar rarefeito (2013) – 1º lugar no Prêmio Heleny Guariba de dramaturgia em 2014 – irá ganhar uma leitura dramática em Portugal.

“A minha filha Heloísa é minha maior inspiração”

A dramaturga conta que a filha, Heloísa, de dez anos, é sua maior inspiração. “Quero ser uma mulher forte para ela. Ela sonha como eu, com uma carreira artística. Ela desenha todos os dias, desde que eu lhe apresentei ao giz de cera, antes dos dois de idade. Quero que a minha filha saiba que ela pode ser o que quiser e que resistiremos e existiremos por meio da nossa arte: a minha, cênica; a dela, provavelmente, a plástica”.

Dentre as referências literárias, Shu destaca a admiração que possui pelo trabalho da mineira Grace Passô, uma mulher negra, que vem ganhando destaque com as letras. ” Por eu me identificar com o tipo de dramaturgia que ela cria, que espanca;por ela ser uma artista negra da palavra, premiada e com grande reconhecimento, por Grace se permitir permear dentro de projetos artísticos coletivos”. Além dela, alguns autores nacionais e também internacionais atravessaram a trajetória literária de Shu, como Silvia Gomez, Luciano Mazza, Newton Moreno e entre os estrangeiros Sarah Kane, Koltès, Visniec edetsaca-se Grace Passô.

A dramaturgia como cura

A chegada até aqui, porém, não foi um percurso simples. Foi aos 30 anos que a então professora de Português decidiu deixar a sala de aula para se arriscar nos palcos. Matriculou-se em um escola de artes cênicas, mas no decorrer das aulas não conseguia se enxergar atuando. “Eu não me enxergava talentosa, não me encaixava mais como professora. Entrei em depressão”. Foi quando o companheiro de Shu viu uma chamada na tevê sobre a inauguração da SP Escola de Teatro e a incentivou a se inscrever no processo seletivo.

“Agarrei a dramaturgia como uma tábua de salvação. Eu escrevia contos, crônicas, haicais, mas a dramaturgia foi a soma das minhas paixões. É minha maneira de estar no palco, de me sacudir, de me questionar o tempo todo junto com o espectador. É como se eu atravessasse de novo aquela avenida perigosa , saísse ilesa e, de quebra, renovasse completamente meu olhar cada vez que uma peça minha entra em cartaz, recebe uma leitura dramática.

“Eu gostava de brincar com palavras”

Chegar até aqui e ver seu trabalho ganhando o mundo faz Shu remontar aos sonhos que nutre desde a infância vivida nas proximidades da Rodovia Anhanguera, local onde foi acolhida por sua família adotiva, ainda bebê recém-chegada da Bahia. Das coisas que mais gostava naquele tempo, brincar com as palavras era uma de suas preferidas.

O movimento local, no entanto, impedia que a meninada saísse pelas ruas. “Lembro-me de uma vez em que eu e um dos afilhados da minha mãe atravessamos a rua. Ganhamos do outro lado da calçada, onde só havia uma faixa de grama antes da rodovia, mas chegar a outra margem ampliou nossa perspectiva; era como se olhássemos o mundo por outro viés e fôssemos os donos dos nossos horizontes, porque a partir daquele momento, nosso olhar não era mais dirigido por nenhum adulto. Decidimos voltar. Assim que Jean pôs o pé na rua foi atropelado. Inacreditavelmente, ele só quebrou um braço. Eu recuei a tempo e me salvei. Tínhamos uns seis anos”. Na maioria das vezes, a fantasia se dava dentro dos limites do pequeno quintal, onde as crianças da vizinhança se encontravam para inventar de tudo um pouco. Um dia, os adultos tiveram uma briga tão feia, que a casa cheia de felicidade de repente se esvaziou, fazendo a menina se refugiar no universo das palavras.

“Foi quando eu me entreguei à leitura e à escrita de diários, poemas, passei a frequentar assiduamente a biblioteca da escola, que promovia encontros com escritores. Lembro-me perfeitamente do Marcos Rey e do Pedro Bandeira cercado pelo olhar curioso das crianças num piso de assoalho lustroso, se desdobrando para responder perguntas ingênuas e elaboradas. Foi aí, mais ou menos com oito anos de idade que comecei a sonhar com uma carreira literária”.

Na escola, não havia dúvida, sua disciplina favorita era Português, prelúdio da primeira formação, que alguns anos mais tarde seria em Letras. Durante as aulas, era a professora Roseli, que a acompanhou do 5º ao 8º ano, que dava o incentivo para a então futura escritora ler para toda a turma as longas redações que costumava escrever. Foi em uma dessas leituras que a menina viu, pela primeira vez, um estilo diferente no livro didático.

Era uma conversa entre uma avó e sua neta, que Shu rapidamente decorou e, na aula seguinte, se caracterizou a partir do que imaginava ser a personagem idosa. Nesse dia, encenou o texto com a ajuda de uma colega. “Sempre que possível, eu encenava um texto do livro didático em sala de aula. Assim, sem saber, nasceu minha paixão pelo teatro. Em datas comemorativas na escola, eu apresentava peças que eu escrevia, dirigia, criava o cenário: devo ter sido a primeira menina negra a interpretar o herói grego Hércules“.

Mesmo apaixonada pelo teatro, foi na Pedagogia que Shu buscou curar algumas das feridas que ressoavam ainda do período escolar. Uma das poucas negras em uma escola de brancos na região oeste, Shu saiu do ensino fundamental e foi direto para uma escola de ensino médio técnica (na época, chamada de magistério), para fugir do racismo e do bullying que sofria por conta do tamanho de suas mamas.

“Beirava o insuportável e eu imaginei que eu só teria um pouco de paz se fosse pra uma escola majoritariamente de meninas: a saída foi o magistério e me apaixonei pelo ofício. Concluí os quatro anos e migrei para o curso de Letras, para amalgamar o magistério e minha paixão pelas palavras”.

Agora, já faz mais de sete anos que Shu tem na dramaturgia sua profissão. Seus últimos textos, ainda inéditos, tratam essencialmente da questão racial, já que a escritora sentiu a necessidade de entender suas subjetividades e o contexto de preconceitos que viveu e ainda enxerga também no meio artístico. “Tem artista branco lidando com o racismo como uma simples questão comercial”.


Fonte: Geledés

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Os árabes descobrem a América



Achavam, muitas vezes, que estavam indo para os EUA, mas acabavam no Brasil ou na Argentina (Foto: Reprodução)

Os portos de Trípoli, no Líbano, de Gênova, na Itália, e Rio de Janeiro e Santos, no Brasil, fazem parte desta história

Os cristãos sempre foram a grande maioria de imigrantes árabes. Porém, alguns islamitas podem ter até chegado antes deles ao Brasil. Os primeiros vieram no período colonial. Uma boa leva era formada de escravos convertidos ao Islã. Eram chamados de malês. Concentrados na região de Salvador (BA), a participação dos malês nas reformas contra a escravidão está documentada.

Existe material sobre o tema no Arquivo Público da Bahia. Mas a atual presença muçulmana no Brasil remonta à segunda metade do século 19, com a imigração de sírios e libaneses portadores de documentos emitidos pela administração do Império Otomano, o que explica a denominação “turco” para todos os imigrantes árabes.

A maioria dos que vinham tanto do Líbano, quanto da Síria e de outros países árabes, porém, era de cristãos maronitas e também de católicos ortodoxos. Poucos islamitas.

Visita de Pedro II

A emigração de sírios e libaneses cresceu depois de 1860. Este processo se acentuou depois que, em 1877, D. Pedro II visitou a Síria, o Líbano e a Palestina, explica Denise Crispim, gerente de pesquisa do Centro de Estudo Family, de São Paulo.

“Os motivos principais foram as duas guerras mundiais, as crises econômicas do período, a falta de trabalho. Eles eram chamados de turcos, mas tiveram suas nacionalidades resgatadas”.

As estatísticas mostram que o fluxo de imigrantes não cessa de crescer até à véspera da Primeira Guerra Mundial: mais de onze mil pessoas foram registradas em 1913. Nos anos 1920 e até a Grande Depressão, em 1929, contava-se em torno de cinco mil entradas por ano.

No recenseamento de 1920, o Estado de São Paulo apresentava cerca de vinte mil sírios e libaneses, aproximadamente 40% do total nacional (os demais estavam instalados nos estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais). Numerosos grupos se estabeleceram no interior de São Paulo e no litoral paulista.

Esses imigrantes iniciaram sua vida como mascates nas pequenas cidades e nas fazendas. Depois, se estabeleceram com pequenas “vendas” que evoluíram para grandes lojas e até pequenas indústrias.
O imigrante se estabelece, cria família, se mescla com a população local e passa a viver o cotidiano dos brasileiros tomando-lhes os hábitos, mas também, conservando suas tradições.

São várias as causas que levaram os árabes cristãos a emigrar em massa. Entre elas, destaca-se a intolerância política dos otomanos, a pobreza do país gerada pela economia insustentável, a incapacidade de alcançar um alto nível educacional e a falta de oportunidade de trabalho em seu país de origem, além da perseguição religiosa.

Foi troca de ‘riquezas’

“Se por um lado a emigração foi um mal necessário para a população e para o país que perdeu força de trabalho, por outro este êxodo representou um alento para os que lá ficaram. Os imigrantes transferiram, para o seu país de origem, grandes somas em dinheiro, um apoio econômico de grande valia para o país”, anota Denise Crispim. A gerente do Family acrescenta que a presença árabe na América Latina representa uma força para os interesses e relações comerciais e políticas com os países deste continente, em especial para o Brasil. O imigrante árabe representou um importante papel na distribuição da produção industrial e sua comercialização pelo interior do país, com a venda, de casa em casa”.

Foi o imigrante árabe que trouxe para o Brasil novas técnicas da industrialização da lã, seda e algodão. Depois da 2ª Guerra, os fios sintéticos foram introduzidos pelos alemães e japoneses.

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A Cultura e a Dança Popular do Brasil

Foto: Ebah.com.br

Cultura Popular define todas as manifestações culturais de um determinado país, estado ou cidade, e se referem a danças, literatura, folclore, arte, festas, gastronomia e músicas. Os principais exemplos de manifestações da cultura popular brasileira são: festas folclóricas, literatura de cordel, sambas, carnaval, capoeira, artesanato, contos, fábulas, superstições, lendas urbanas, provérbios, festa junina, frevo, artesanato, lendas urbanas, MPB (Música Popular Brasileira) e cantigas de roda. Como estamos na semana do Dia Mundial da Dança, vou abordar os tipos de danças da cultura brasileira.

As danças constituem um importante componente cultural da humanidade. E no caso do Brasil, que possui uma cultura tão rica e diversificada, a gama de modalidades são enormes, e muito importantes para a cultura brasileira. O folclore brasileiro é rico em danças que representam as tradições e a cultura de uma determinada região. 

Estão ligadas aos aspectos religiosos, festas, lendas, fatos históricos, acontecimentos do cotidiano e brincadeiras. As danças folclóricas brasileiras caracterizam-se pelas músicas animadas (com letras simples e populares) e figurinos e cenários representativos. Estas danças são realizadas, geralmente, em espaços públicos: praças, ruas e largos.

As danças folclóricas são uma forma de desenvolver essa expressão artística com base em tradições e costumes de um povo. Elas podem ser executadas de várias formas com pares ou em grupos e a forma original de dançar e cantar permanece praticamente a mesma. Em diversos países, a dança folclórica é a expressão daquele povo.

No Brasil, as danças folclóricas sofreram influências das tradições dos estados, dos povos africanos e europeus. Dessa forma, dependendo do estado, as danças podem ser mais influenciadas pelos africanos, indígenas ou europeus. 

Além disso, a Igreja Católica também ajudou no surgimento de personagens e contos da história brasileira. Uma das principais características das danças folclóricas do país são as músicas simples e os personagens chamativos.


Algumas das principais danças folclóricas do Brasil

O Samba
O samba chegou junto com os negros ao Brasil e primeiramente era dançado apenas nas senzalas pelos escravos. Os primeiros estados brasileiros a difundirem esse ritmo foram o Rio de Janeiro, a Bahia e o Maranhão. A dança tinha sons de percussão e batidas com os pés. Já o samba de roda surgiu na África e também veio para o Brasil através dos escravos. O samba de roda é praticado em círculos e as pessoas têm a liberdade nos movimentos. Pode ser visto principalmente em estados como Rio de Janeiro e Bahia. Conheça mais sobre o samba, visitando o site Samba Enredo.

O Samba de Roda
Trata-se de um estilo musical caracterizado por elementos da cultura afro-brasileira. Surgida no estado da Bahia, no século XIX, é a variante mais tradicional do samba. Os dançarinos dançam numa roda ao som de músicas, acompanhadas por palmas e cantos. Chocalho, pandeiro, viola, atabaque e berimbau são os instrumentos musicais mais utilizados.

Maracatu
Trata-se de um ritmo musical com dança, típico da região pernambucana, que reúne a mistura de elementos culturais afro-brasileiros, indígenas, e europeus, e com forte característica religiosa. Os dançarinos representam personagens históricos, como duques, duquesas, embaixadores, o rei e a rainha, e o cortejo é acompanhado por uma banda que vai tocando instrumentos de percussão, como tambores, caixas, taróis, e ganzás.

Frevo
Este é o estilo pernambucano de carnaval, surgida por volta de 1910, é uma espécie de marchinha muito acelerada, que, ao contrário de outras músicas de carnaval, não possui letra, sendo simplesmente tocada por uma banda que segue os blocos carnavalescos, enquanto os dançarinos se divertem dançando. Os dançarinos de frevo usam, geralmente, um pequeno guarda-chuva colorido como elemento coreográfico, e usam diversos passos de danças com malabarismos, passos elaborados, rodopios e saltos.

Baião
O baião é um ritmo musical, com dança típica da região nordeste do Brasil, onde os músicos tocam instrumentos como o triângulo, a viola, o acordeom e a flauta doce. A dança é realizada em pares, entre homem e mulher, com movimentos parecidos com o do forró, que é uma dança onde o casal, dança com os corpos colados. O maior representante do baião no Brasil foi Luiz Gonzaga.

Catira
A catira, é também conhecida como cateretê, é uma dança caracterizada pelos passos, batidas de pés, e palmas dos dançarinos, e está ligada à cultura caipira, ela é comum no interior dos estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais , Goiás e Mato Grosso. O instrumento usado é a viola, geralmente tocada por um par de músicos.

Quadrilha
Esta é uma dança típica da época de festa junina, onde um animador vai anunciando frases, e marcando os momentos da dança, e os casais de dançarinos, vestem roupas típicas da cultura caipira, como camisas e vestido xadrez, e chapéu de palha. Os dançarinos realizam uma coreografia especial, e muito animada, com muitos movimentos coreografados, e as músicas de festa junina são parecidas com marchinhas, mas nada semelhante com as marchinhas de carnaval. As mais conhecidas são: Capelinha de Melão, Pula Fogueira e Cai,Cai balão.

Reisado
Uma dança popular realizada entre a véspera de natal e o dia seis de janeiro, Dia de Reis. Também chamada de folia de Reis, essa dança envolve cantores e músicos que vão até as casas para anunciar a chegada de um Messias. As pessoas que participam possuem diversos personagens e são acompanhados por instrumentos como o violão, a sanfona, o triângulo e a zabumba. 

Caninha Verde
Dança portuguesa que foi inserida no país durante o Ciclo do Açúcar. Também foi praticada em colônias de pescadores, festa de casamento e cordões.
Pau da bandeira
Estilo de dança realizado principalmente na região nordeste que acontece principalmente durante o dia de Santo Antônio. Um tronco é escolhido e carregado pelos homens da cidade. Como manda a tradição, as mulheres que desejam casar devem tocar esse tronco.

Maneiro-Pau
Dança com maior influência no estado do Ceará, Maneiro-Pau conta com dançarinos que realizam os passos em rodas e com pedaços de pau nas mãos. Esses pedaços são batidos no chão formando o ritmo da dança. Durante toda a coreografia, alguns participantes duelam enquanto outros batem no chão.

Bumba meu Boi
Um dos símbolos folclóricos do Brasil, o Bumba meu Boi mescla dança, música e teatro. Além disso, é praticado nas mais variadas regiões do país. Os personagens cantam e dançam para contar a história de um boi que morreu e ressuscitou após ter sua língua cortada para satisfazer os desejos de uma mulher grávida.

Fandango
Essa dança chegou à região sul do Brasil por volta de 1750 e foi trazida por portugueses. Os dançarinos recebiam o nome de folgadores e folgadeiras, dançavam em festas executando diversos passos. Atualmente, permanece preservado na região com passos, música e canto. Os instrumentos mais usados são as violas, a rabeca, o acordeão e o pandeiro. Os dançarinos vestem roupas típicas da região e rodam próximo ao seu par, mas sem se tocar.  Eles se movimentam para atrair a atenção do outro e os homens sapateiam de forma contínua. A dança contém traços de valsas e bailes e forte presença de sensualidade.

Carimbó
Enquanto os homens vestem camisas e calças lisas, as mulheres utilizam blusas com ombros à mostra e saias rodadas. Os casais ficam em fileiras e o homem se aproxima de seu par batendo palmas. Segue-se passos de volteio e as mulheres também jogam um lenço no chão para que seu parceiro possa pegar como forma de respeito.

A congada
As dança dos congos foi trazida pelos escravos negros e usada pelos jesuítas para sublimar o instinto guerreiro do negro, criando uma luta irreal entre cristãos e pagãos.

Cabaçais do Cariri
O nome cabaçal é pejorativo, em virtude de a caixa, o zabumba e os pífaros – seus instrumentos básicos – fazerem um ruído semelhante a muitas cabaças secas entrechocando-se. São dança e música, de ritmo forte, tanto que os cabaçais eram também chamados de “esquenta mulher”, porque, à sua chegada ou passagem, o mulheril se afogueava...

Torém
É dança que Aracajú nos legou como uma herança dos índios tremembés, que habitavam a região. Ao sabor do mocororó (aguardente do caju), cerca de 20 caboclos (homens e mulheres) iniciam a dança ao ritmo do “aguaim”, espécie de maracá, empunhado pela figura do “chefe”.

Côco
Na praia de Majorlândia, município de Aracati, ainda se pode presenciar exibições de dança do Coco, também denominada de pagode, zambé, bambelô. É apresentado ao som de caixas, pandeiros, ganzás, íngonos, numa batida contagiante. Homens e mulheres reúnem-se em roda, com um solista no centro, fazendo passos ritmados, “puxando o côco”, e ao cumprimentar e a despedir-se dos parceiros com umbigadas, fazendo vênia ou com batida do pé.

Xaxado
Muito popular no Nordeste brasileiro, o xaxado era inicialmente praticado pelo grupo de Lampião, o Rei do cangaço, como uma forma de afrontar a polícia. Substituindo as parceiras, os cangaceiros dançavam com seus rifles, seguindo em fila e arrastando as alpargatas no chão. Devido aos movimentos da dança, os calçados produziam um som de “xá, xá, xá”, que deu origem ao nome do ritmo. Em meio a um bailado cheio de ritmo e vigor, a música é simples e de fácil aprendizado, sendo acompanhada da sanfona, da zabumba e do triângulo.

E ainda temos: 

Axé - Origem na capoeira - descendência Baiana.

Pagode - Origem no samba - descendência Brasileira com desenvolvimento em São Paulo.

Gafieira - Origem no samba - descendência brasileira com desenvolvimento no Rio de Janeiro.

Forró - Origem nordestina - descendência do xote e baião.

Lambada - Origem no zouk com desenvolvimento no Brasil.

Zouk - Origem francesa com desenvolvimento na Europa e no Brasil.

Xote - Origem indígena com descendência e desenvolvimento nordestino.

Vaneirão - Origem alemã com desenvolvimento no Rio Grande do Sul.

Chorinho - Origem de ritmos musicais populares no Brasil até ser desenvolvido para a dança.

Sem mencionar o Quilombo, Jongo, Tambor de Crioula, Araruna, Bugio, Danças indígenas, Funk, Lpinha, Lundu, Maculelê, Maxixe, Mazuca, Merengue, Rasqueado, Rancheira, Siriri, Tecnobrega, Ticumbi... 
E muito mais!

A lista de estilos de danças brasileiras é vasta, e suas origens também são bem diversificadas, porque o Brasil é muito rico em diversidade cultural, influenciada pelas diversas culturas presentes no país, e certamente sua cultura popular e suas danças compõem essa vasta riqueza sem fim. 

Eu poderia pesquisar por todas as modalidades existentes e ainda sim, eu acabaria deixando algum estilo de fora, porque o brasileiro está sempre criando, inventando, e restaurando estilos adormecidos e esquecidos de estilos de danças desde o inicio da colonização até os dias atuais.

Fonte: Suapesquisa.com, Zun.com.br, Tiposdedança.info, Wikipédia e outras....

Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute


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História e cultura negras serão tema de debates em escolas públicas


Escolas públicas de todo o País vão receber debates sobre a história e a cultura negras, por meio do projeto Conhecendo nossa História: da África ao Brasil, organizado pela Fundação Cultural Palmares, em parceria com o Ministério da Educação (MEC).
A ação, cujo objetivo é levar conhecimento aos estudantes sobre a contribuição do continente africano na construção da identidade e do desenvolvimento nacional, está distribuindo 40 mil kits educativos para alunos e professores em 16 cidades do Brasil.
O material inclui o livro O que Você Sabe sobre a África?, que narra a trajetória do povo afro-brasileiro, e uma revista de palavras cruzadas Passatempo.
Servidores das secretarias de educação municipais receberam capacitação para utilizar o kit. “Desejamos que esses profissionais entendam a proposta do projeto, que vai além do kit. Queremos que eles façam uma leitura crítica desse material didático e que estimulem seus alunos a refletirem e a dialogarem sobre questões que nos atingem”, destaca o presidente da Fundação Palmares, Erivaldo Oliveira.
Para 2018, a Fundação Palmares já planeja ampliar o número de municípios atendidos. A medida está de acordo com a Lei nº 9394/96 (com a redação dada pelas Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008), que estabelece a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira, africana e indígena.
Municípios contemplados
O projeto piloto contempla estados das cinco regiões do País.
  • Nordeste: Bahia (Salvador e Santo Amaro da Purificação), Alagoas (Maceió e União dos Palmares) e Paraíba (Campina Grande e João Pessoa).
  • Norte: Amapá (Macapá).
  • Sudeste: Rio de Janeiro (São Gonçalo, a confirmar; e Paraty), Minas Gerais (Belo Horizonte e Ouro Preto) e Espírito Santo (Vila Velha e Cariacica).
  • Sul: Rio Grande do Sul (Porto Alegre e Pelotas) e Santa Catarina (Florianópolis).
  • Centro Oeste: Mato Grosso do Sul (Campo Grande).

Questionada se “faz faxina”, historiadora negra responde: “Não. Sou professora. Faço mestrado”


Em contundente relato, a historiadora Luana Tolentino, que já foi babá e empregada doméstica e que recebeu a Medalha da Inconfidência de 2016, contou essa e outras experiências que passou ao longo de sua vida por conta do racismo institucional enraizado em nosso país. “No imaginário social está arraigada a ideia de que nós negros devemos ocupar somente funções de baixa remuneração e que exigem pouca escolaridade”. Leia a íntegra e se emocione.

Hoje uma senhora me parou na rua e perguntou se eu fazia faxina.

Altiva e segura, respondi:

– Não. Faço mestrado. Sou professora.

Da boca dela não ouvi mais nenhuma palavra. Acho que a incredulidade e o constrangimento impediram que ela dissesse qualquer coisa.

Não me senti ofendida com a pergunta. Durante uma passagem da minha vida arrumei casas, lavei banheiros e limpei quintais. Foi com o dinheiro que recebia que por diversas vezes ajudei minha mãe a comprar comida e consegui pagar o primeiro período da faculdade.

O que me deixa indignada e entristecida é perceber o quanto as pessoas são entorpecidas pela ideologia racista. Sim. A senhora só perguntou se eu faço faxina porque carrego no corpo a pele escura.

No imaginário social está arraigada a ideia de que nós negros devemos ocupar somente funções de baixa remuneração e que exigem pouca escolaridade. Quando se trata das mulheres negras, espera-se que o nosso lugar seja o da empregada doméstica, da faxineira, dos serviços gerais, da babá, da catadora de papel.

É esse olhar que fez com que o porteiro perguntasse no meu primeiro dia de trabalho se eu estava procurando vaga para serviços gerais. É essa mentalidade que levou um porteiro a perguntar se eu era a faxineira de uma amiga que fui visitar. É essa construção racista que induziu uma recepcionista da cerimônia de entrega da Medalha da Inconfidência, a maior honraria concedida pelo Governo do Estado de Minas Gerais, a questionar se fui convidada por alguém, quando na verdade, eu era uma das homenageadas.

Não importa os caminhos que a vida me leve, os espaços que eu transite, os títulos que eu venha a ter, os prêmios que eu receba. Perguntas como a feita pela senhora que nem sequer sei o nome em algum momento ecoarão nos meus ouvidos. É o que nos lembra o grande Mestre Milton Santos:

“Quando se é negro, é evidente que não se pode ser outra coisa, só excepcionalmente não se será o pobre. (…) Não será humilhado, porque a questão central é a humilhação cotidiana. Ninguém escapa, não importa que fique rico.”

É o que também afirma Ângela Davis. E ela vai além. Segundo a intelectual negra norte-americana, sempre haverá alguém para nos chamar de “macaca/o”. Desde a tenra idade os brancos sabem que nenhum outro xingamento fere de maneira tão profunda a nossa alma e a nossa dignidade.

O racismo é uma chaga da humanidade. Dificilmente as manifestações racistas serão extirpadas por completo. Em função disso, Ângela Davis nos encoraja a concentrar todos os nossos esforços no combate ao racismo institucional.

É o racismo institucional que cria mecanismos para a construção de imagens que nos depreciam e inferiorizam.

É ele que empurra a população negra para a pobreza e para a miséria. No Brasil, “a pobreza tem cor. A pobreza é negra.”

É o racismo institucional que impede que os crimes de racismo sejam punidos.

É ele também que impõe à população negra os maiores índices de analfabetismo e evasão escolar.

É o racismo institucional que “autoriza” a polícia a executar jovens negros com tiros de fuzil na cabeça, na nuca e nas costas.

É o racismo institucional que faz com que as mulheres negras sejam as maiores vítimas da mortalidade materna.

É o racismo institucional que alija os negros dos espaços de poder.

O racismo institucional é o nosso maior inimigo. É contra ele que devemos lutar.

A recente aprovação da política de cotas na UNICAMP e na USP evidencia que estamos no caminho certo.

No Fórum

terça-feira, 18 de julho de 2017

19°Congresso e 3ª Bienal de Cultura e Arte da UEE/RJ começam nesta quinta

por Cristiane Tada.
A UENF de Campos dos Goytacazes vai receber estudantes de todo o Rio de Janeiro que vão unir arte e luta
De 20 a 23 de julho estudantes fluminenses de todo o Estado se reunirão na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro em Campos dos Goytacazes (275 KM) para o 19° Congresso da União Estadual dos Estudantes do Estado do Rio de Janeiro.
Na ocasião serão discutidas as bandeiras de luta da UEE-RJ para os próximos dois anos e também será eleita a nova diretoria da entidade. Na pauta principal estará a resistência estudantil diante a crise nos serviços públicos colocados em cheque pelo Governo Temer e Pezão, a educação pública, gratuita e de qualidade em risco, o avanço da mercantilização do ensino privado e o papel da universidade no desenvolvimento regional.
O presidente da UEE-RJ, Leonardo Guimarães que termina seu mandato da gestão 2015/2017 destaca que o período foi marcado pela dificuldade de construir o movimento estudantil e o movimento social.
“Iniciamos num processo de lutas que já se avizinhava a crise estadual, onde atuamos com muita força nas universidades estaduais, nas ocupações dessas universidades, na greve na Estadual no Norte Fluminense, enfrentamos as maldades de Eduardo Cunha que era daqui do Rio e exercia forte influência. Tivemos grande participação contra ele na luta contra a Redução da Maioridade Penal e também na Primavera das Mulheres onde as mulheres universitárias mandaram muito bem em manifestações históricas que tiveram bastante repercussão contra a lei que proibia a pílula do dia seguinte”, destacou.
Ele ressaltou também a luta nas instituições privadas. “Saímos dessa gestão maiores do que entramos, hoje temos mais movimento estudantil organizado, mais DCEs, e inclusive essa nossa forte atuação nas universidades privadas nos fez aprovar a primeira lei do país que proíbe a cobrança de algumas taxas, como de repetência, de eletiva e de prova. Acho que é uma iniciativa importante que deve ser repetida em todo o Brasil. A UEE já formulou uma lei em tramitação na Alerj que proíbe as principais que são a de taxas de comprovante de matrícula e histórico escolar”.

3ª BIENAL DE CULTURA E ARTE DA UEE/RJ

Junto com o o maior encontro do movimento estudantil do Rio de Janeiro acontecerá também a 3ª Bienal de Cultura e Arte da UEE/RJ, que vai reunir mostras selecionadas de Música, Audiovisual, Artes Cênicas e Literatura de universitários de todo o estado, promover debates acerca do papel da cultura na universidade, além de valorizar a cultura local por meio de apresentações, oficinas e vivências.
“Certamente isso vai ajudar a fazer com o que movimento estudantil consiga ampliar sua capacidade de diálogo com todos os estudantes do Estado”, destacou Leonardo.

SERVIÇO

Quando? 20 a 23 de julho de 2017
Onde? Centro de Convenções da UENF em Campos dos Goytacazes/RJ
Quanto? Valor da inscrição antecipada: R$ 30,00.
Inscrição inclui participação em todas as atividades do 19º Congresso/3ª Bienal, alimentação, alojamento (levar barraca e/ou colchão), transporte interno e certificado de participação com 40 horas.

Faça sua inscrição para o 19º Congresso e 3ª Bienal da UEE-RJ nos links abaixo:
>> Para realizar sua inscrição preencha o formulário: https://goo.gl/ko8UN1
>> Para pagar antecipadamente o valor de R$ 30, 00 (trinta reais) acesse: https://goo.gl/7P8sVd
* Até o dia 16 de julho de 2017, as inscrições serão online e no valor de R$ 30,00 (trinta reais). Posterior a esta data, somente será possível se inscrever nos dias do evento, no valor de R$ 40,00 (quarenta reais).
>> O edital da 3ª Bienal da UEE/RJ está disponível em: https://goo.gl/vue7s3
* Para participar da mostra estudantil da 3ª Bienal da UEE/RJ é necessário mandar um release/fotos/mostra do seu trabalho para o e-mail contato.ueerj@gmail.com com o assunto INSCRIÇÃO BIENAL – e a linguagem que você pretende inscrever seu trabalho.
* As inscrições para a Bienal só vão até o dia 14 de julho de 2017. E-mails enviados posteriormente a esta data serão desconsiderados.

* As inscrições do congresso e bienal somente serão confirmadas mediante e-mail de confirmação de inscrição deste formulário e do e-mail de confirmação de pagamento do Sympla.
>> Inscrição para a Cobertura Colaborativa: https://goo.gl/forms/Z3ei3FsKKtwLu9ut1
Fonte: UNE

Clementina de Jesus: A Voz da Cor e Arte....

Clementina de Jesus

Sambista fluminense, dona de uma voz inconfundível, potente e ancestral, Clementina de Jesus foi a síntese do Brasil, expressão de um país de forte herança africana e de singular formação religiosa. Conhecida como Rainha Quelé, carregava consigo os banzos de seus ancestrais, transformados em cantos, encantos e segredos nos jongos, no partido-alto e nas curimbas que cantava. Diferentemente das conhecidas e famosas “divas do rádio” que brilharam na primeira metade do século XX, a cantora negra tinha um timbre de voz grave, mas com grande extensão e um repertório de músicas afro-brasileiras tradicionais.


Se liga:"Seu pai, Paulo Batista dos Santos, foi mestre de capoeira, violeiro e estucador. Com a mãe, Amélia de Jesus dos Santos, parteira, aprendeu os cantos de trabalho, partido-alto, ladainhas e jongos, assim como corimás e ponto de candomblé. A família residia na Rua Carambita e depois se transferiu para o bairro de Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro, quando Clementina tinha entre oito e dez anos de idade, onde ganhou o apelido de "Quelé"."

Nascida na cidade de Valença (RJ), região do Vale do Paraíba, tradicional reduto de jongueiros, Clementina era filha da parteira Amélia de Jesus dos Santos e de Paulo Batista dos Santos, capoeira e violeiro da região. Uma de suas avós chamava-se Teresa Mina. A pequena Clementina viveu a infância na cidade natal, ouvindo sua mãe cantar enquanto lavava as roupas a beira do rio. Assim foi guardando na memória tesouros que mais tarde gravaria em discos. Aos sete anos veio com a família para a cidade do Rio de Janeiro, bairro de Oswaldo Cruz, onde mais tarde surgiria a tradicional Escola de Samba Portela. Lá frequentou em regime semi-interno o Orfanato Santo Antonio e “Cresceu assim num misticismo estranho: vendo a mãe rezar em jejê nagô e cantar num dialeto provavelmente iorubano, e ao mesmo tempo apegada a crença católica.” (Hermínio Bello de Carvalho).

Até os quinze anos, Clementina participou do grupo de Folia de Reis de seu João Cartolinha, renomado mestre da região. Foi João quem levou a moça para o Bloco As Moreninhas das Campinas, embrião da 
Escola de Samba Portela, onde ocorriam de rodas de samba e onde Clementina conheceu grandes bambas como Paulo da Portela, Claudionor e Ismael Silva. Nesse tempo, a voz de Clementina já chamava a atenção e ela foi convidada por Heitor dos Prazeres para ensaiar suas pastoras, o que fez durante muitos anos. Casou-se com Albino Pé Grande e foi morar no Morro da Mangueira, de onde não saiu mais. Ao longo destes anos Clementina trabalhou como lavadeira e empregada doméstica. Sua atividade de cantora ela exercia sem intenção de fazer-se profissional, cantava porque preciso era cantar, por prazer, por alegria. 

A carreira profissional de Clementina de Jesus como cantora começou aos 63 anos, depois que o produtor e compositor Herminio Bello de Carvalho a encontrou na festa da Penha em 1963, quando ela cantava na Taberna da Glória. Hermínio ficou fascinado pela sambista e quando a reencontrou, na inauguração do restaurante Zicartola, passou a ensaia-la em sua casa, preparando-a para o espetáculo Rosa de Ouro, show que a consagraria. Participavam do show, além de Clementina de Jesus e da cantora Aracy Côrtes, diversos sambistas das Escolas de Samba cariocas, entre os quais os ainda desconhecidos Paulinho da Viola e Elton Medeiros. A crítica foi unânime em exaltar Clementina e seu desempenho, tanto no show quanto nos dois LPs gravados ao vivo, as primeiras gravações da cantora. Nos anos seguintes Clementina participou dos discos Mudando de conversa, Fala Mangueira! e Gente da antiga, este último um disco antológico da música brasileira, ao lado de João da Baiana e Pixinguinha. No continente africano, participou do encontro das artes negras de Dakar em 1966, ao lado de outros bambas como Martinho da Vila e artistas como Rubem Valentin. Clementina foi o maior sucesso do festival e grande destaque. Ao final do show da cantora as pessoas invadiam o palco para abraçá-la, contou Sérgio Cabral. Também no mesmo ano ela representou a música brasileira no festival de cinema de Cannes, na França.

Naquele mesmo ano de 1966, Clementina gravou seu primeiro disco solo, intitulado Clementina de Jesus, com repertório de jongo, curima, sambas e partido-alto. A capacidade de Clementina de transmitir poderosa emoção através do canto chamou a atenção dos críticos, que, de novo, renderam-se aos encantos 
de sua voz. Também Milton Nascimento, fascinado pelo banzo de Clementina, convidou a cantora para participar de seu disco chamado Milagre dos Peixes gravando a excepcional faixa Escravos de Jó.

Ao todo a cantora gravou 13 LPs entre álbuns solos e participações em álbuns coletivos, com destaque para o disco O Canto dos Escravos, composto de vissungos de escravos da região de Diamantina, recolhidos por Aires da Mata Machado. Unanimidade entre a crítica, Clementina foi louvada como elo entre África e Brasil, tendo sido reverenciada por grandes nomes da música brasileira, como Elis Regina, João Nogueira, Clara Nunes, Caetano Veloso, Maria Bethânia e João Bosco. Todos a tratavam com muito carinho, inclusive alguns a chamavam carinhosamente de mãe Clementina. O sambista Candeia compôs um samba em homenagem à Rainha Quelé chamado “Partido Clementina de Jesus”, que a cantora gravou ao lado de Clara Nunes em 1977 no LP “As Forças da Natureza”.

Em 1983 houve uma grande homenagem à cantora no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com participação de grandes sambistas como Paulinho da Viola, Beth Carvalho e João Nogueira. Clementina faleceu vítima de derrame em Inhaúma, Rio de Janeiro, no ano de 1987, aos oitenta e seis anos.
  
Um afro abraço.
Claudia Vitalino.

Fonte:https://pt.wikipedia.org/dicionariompb.com.br/clementina-de-jesus