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quarta-feira, 28 de março de 2018

10 coisas que você precisa saber sobre a morte de Edson Luis

O episódio histórico completa 50 anos com protestos nesta quarta (28/03)


Dizem que o ano de 1968 ainda não terminou. Cinquenta anos depois, muitas questões colocadas naquela época não foram resolvidas. É por isso que os estudantes brasileiros continuam se lembrando e homenageando o garoto de 17 anos morto naquele 28 de março. Aproveite a Jornada de Lutas Edson Luís para conhecer melhor esta história.

 1. Naquele ano, manifestações e organizações estudantis eram proibidas


A primeira coisa que os militares fizeram, no dia seguinte ao Golpe Militar de 1964, foi fechar as entidades estudantis e demolir a sede da UBES e da UNE.
Desde então, foram reprimidos todos os protestos por uma educação pública de qualidade ou que questionassem o regime.
Mesmo assim, estudantes insistiam na liberdade de expressão. Marcavam protestos relâmpagos, tentavam driblar policiais e agentes infiltrados nos movimentos, apanhavam e resistiam.
Circulava um “manual do protesto” distribuído pelo Comando Intelectual, com recomendações como “ir em jejum” e usar “leite de magnésia em torno dos olhos, para anular o gás”.

2. Mataram um estudante comum

Sabe quando tentam dizer que “na ditadura só morria quem fazia coisa errada”? Pois é. Edson Luís de Souto Lima, 17 anos, saiu de Belém (PA) e só queria cursar a escola técnica no Rio de Janeiro. Era a maior perspectiva de estudos para os pobres, que nem sonhavam com universidade.
Filho de lavadeira, ele fazia bicos de faxina para se manter e comia no restaurante universitário Calabouço, para jovens de renda baix

3. Morreu por querer assistência estudantil

Estudantes tentam protestar na frente do Restaurante Calabouço (Acervo O Globo)
Edson fazia parte da FUEC – Frente Unida dos Estudantes do Calabouço. No dia em que morreu com um tiro, policiais tentavam reprimir um protesto pelo preço da comida do Calabouço.
Uma mentira que insistem em repetir sobre a ditadura é que “as escolas eram melhores”. Veja só: em 1969, a Emenda Constitucional número 1 desobrigou o Estado de reverter 12% do PIB para Educação. O percentual caiu de 7,6%, em 1970, para 4,31%, em 1975. Ficou em 5% em 1978. Quem podia começou a ir para escola particular. E ai de quem reclamasse.

4. Edson não foi o único morto naquele dia


Benedito Dutra também levou um tiro da polícia militar. Também foi em seguida levado até a Assembleia Legislativa pelos colegas, que temiam que os policiais sumissem com os corpos. Lá, um deputado médico viu que Benedito tinha vida. Ele chegou a ser internado em um hospital, por isso não foi velado com Edson, mas acabou falecendo no dia seguinte.

5. O Rio de Janeiro parou por um estudante

Multidão abre caminho para caixão de Edson Luís na Cinelândia, em 29 de março de 1968
No velório de Edson Luís, pela primeira vez em quatro anos, desde o Golpe de 1964, a população em peso foi às ruas indignada.
“Mataram um estudante. Podia ser seu filho”. A manchete chocou até a classe média, que compareceu na Cinelândia naquele 29 de março.

6. Na missa de sétimo dia, policiais cercaram a igreja

Cenas de horror: na missa de sétimo dia de Edson Luís, a cavalaria da polícia cercava a Candelária

Incomodado com o levante popular, o Exército baixou medida: “As autoridades não permitirão atos públicos após as missas”. No sétimo dia de Edson Luís, a Igreja da Candelária foi cercada pela cavalaria e os presentes só puderam sair cercados pelos padres.

7. Depois de Edson Luís, Cem Mil foram às ruas

Passeata dos Cem Mil, em junho de 1968. Artistas, intelectuais e clero com estudantes
O acirramento entre estudantes e Exército só aumentou, com mais protestos relâmpagos e mais violência explícita. A Passeata dos Cem Mil, na Cinelândia, Rio de Janeiro, foi a demonstração de que a sociedade não concordava com isso.

8. O episódio Edson Luís levou à fase mais tensa da ditadura


Em vez de permitir a liberdade de expressão e a democracia, sob pressão o regime autoritário se tornou ainda mais cruel. O ano de 1968 terminou com o Ato Institucional número 5 (AI-5): não existiam mais deputados nem Congresso Nacional. E as pessoas estavam proibidas de se reunir, em clubes, sindicatos, até nos próprios lares.
O regime iria durar nesses termos por mais 17 anos. A UBES não conseguiu atuar nem na ilegalidade por 10 anos, de 1971 a 1981.

9. O mesmo ano foi decisivo para estudantes de outros lugares do mundo

Greve na Universidade de Columbia, EUA (Don Hogan Charles – The New York Times)
É um fenômeno de 1968 a existência de estudantes que contestavam a realidade, acreditavam num mundo diferente e acabaram presos, feridos ou mortos pelo Estado em vários lugares do mundo.
Nos Estados Unidos, a juventude criticava a Guerra do Vietnã, o racismo e a exploração econômica da sociedade americana, por meio de manifestações, barricadas, ocupações.
Na França, maio de 1968 entrou para a história pelos protestos estudantis que pediam reforma da educação. No México, estudantes pediam direitos civis e fim da repressão policial. Centenas foram mortos no “Massacre de Tlatelolco”, às vésperas da Olimpíada.

10. Depois de Edson, mais de 200 jovens foram assassinados durante a ditadura

Apenas entre as vítimas oficiais do Estado brasileiro, pelo menos 220 dos 434 mortos, “sumidos” e violentados até a morte tinham menos de 30 anos.

30% das vítimas da ditadura não tinham ou tinham muito pouco envolvimento político, como Edson Luís.
Fonte: UBES

A máquina de matar e encarcerar negros de chama Racismo!



"Desafios mais profundos"- Metade do país acusa a polícia de racismo, a outra metade defende as forças de segurança. 

Hoje no mundo uma alternativa e até uma “utopia de civilização”, que poderia ser oferecida ao mundo em um momento de obscuridade e ameaças de novas barbáries que degradam a Humanidade.É uma forma de institucionalizar o racismo. A máquina de encarcerar e matar negros é a chamada “guerra às drogas”. Uma das principais lideranças norte-americanas na luta pela reforma das políticas de drogas e no enfrentamento ao racismo é a ativista e advogada Deborah Peterson Small, 60 anos, graduada em Direito e Políticas Públicas pela Universidade de Harvard. 


Revolta e frustração:Quase todos os casos têm um elemento comum, e a única excepção será ainda mais trágica do que os restantes como as relatada a baixo:

Stephon Clark foi morto com 20 tiros no jardim da casa de sua vó

A policia havia recebido uma denúncia de que um homem estava quebrando janelas de veículos e se escondera no quintal de uma casa.

Stephon Clark, de 22 anos, parecia o principal suspeito para as autoridades. Quando o viram com o celular na mão, disseram "Arma! Arma!" e atiraram 20 vezes no homem, no jardim da casa de sua avó.

O incidente aconteceu no último dia 18 de março, em Sacramento, na Califórnia. Após o assassinato do jovem, diversos protestos foram organizados para pedir justiça e trazendo novamente à tona o debate sobre violência policial contra negros nos EUA.

Bloqueando vias e gritando "Acabem com isso", em referência às mortes de pessoas negras desarmadas por policiais, diversas pessoas se reuniram na porta da arena do Sacramento Kings.

O próprio time e o Boston Celtics, que disputam a NBA, se manifestaram a respeito, utilizando uma camiseta em homenagem à vítima e dando declarações a respeito do assassinato ao final de uma partida.

Além disso, celebridades se pronunciaram sobre a morte do jovem, cobrando a resolução do caso, inclusive a atriz Amy Schumer.

Em uma coletiva de imprensa, a avó da vítima, Sequita Thompson, questionou a crueldade do ato. "Por que vocês não atiraram nele no braço? Nas pernas? Por quê? Por quê? Justiça! Eu quero justiça para meu bebê. Eu só quero justiça para Stephon Clark. Por favor, nos deem justiça!", pediu.

Um amigo da família também criticou a ação da polícia. "Quem policia a polícia? Precisamos de voz", disse Darron Powe.

Lembrando outros casos:

Anthony Hill- Aos 27 anos, Anthony Hill foi assassinado por um policial branco, em março, na Geórgia. Hill, que sofria de problemas psiquiátricos, estava desarmado e teria atacado um dos agentes, enquanto corria nu em um complexo residencial da região metropolitana de Atlanta

Tamir Rice- O menino de 12 anos de Cleveland, em Ohio, foi morto com dois tiros em 21 de novembro de 2014 ao usar uma arma de brinquedo em um parque. A denúncia feita à polícia dizia que uma pessoa apontava uma arma para pedestres, mas ressaltava que poderia ser de brinquedo. O funcionário que atendeu a ligação perguntou duas vezes se o jovem era negro ou não

Michael Brown -Um caso que também gerou protestos nos Estados Unidos foi o de Michael Brown, de 18 anos. Brown estava desarmado ao ser abordado pela polícia em Ferguson, Missouri, em 9 de agosto do ano passado. Ele era suspeito de roubar um maço de cigarros de uma loja. Segundo a autópsia, o jovem levou seis tiros

Eric Garner -A decisão de um júri popular em não indiciar o policial envolvido na morte de Eric Garner gerou manifestações em cidades americanas, em dezembro de 2014. Pai de seis filhos, Garner, de 43 anos, morreu asfixiado durante uma detenção em Nova York, em 17 de julho daquele ano. Era suspeito de vender cigarros ilegalmente na rua. Garner disse ao agente

Kajieme Powell- Dias depois da morte de Brown, outro jovem negro foi morto em St. Louis, vizinha de Ferguson. Segundo policiais, Kajieme Powell, de 23 anos, tinha uma faca e ameaçava as pessoas. Testemunhas dizem que o jovem não oferecia perigo. Ele teria problemas mentais.


Se liga:Um negro, um indígena ou um mestiço podem ser alvo de preconceito por motivos diferentes. Um negro pode ser essa vítima simplesmente por ser negro. Trataria-se, na verdade de reconhecer que ele pertence a uma "raça inferior". É o racismo que não tem saída. Quando nos Estados Unidos no passado o os negros não podiam andar de ônibus ao lado dos brancos nem usar o mesmo banheiro, a discriminação era de raça. Era como se estivessem deixando os porcos entrarem em casa.

No Brasil:Quando no Brasil a polícia, na rua, flagra um assalto e um negro e um branco saem correndo, o mais certo é que tente deter o negro, que para o policial é o mais provável que seja um bandido. Nesse caso, o racismo não é necessariamente racial. A noção geral é de que os negros estudam menos, sabem menos, são mais pobres e, portanto, são mais inclinados ao crime. É um racismo social sendo assim é urgente que se coloquem todas as forças a serviço de uma melhor escolaridade para os brasileiros negros, algo que castiga os mais pobres, discriminando-os e relegando-os aos trabalhos mais “inferiores”. É urgente que se aprofunde, desde a escola, o conceito de que não existem raças, mas sim etnias, todas elas igualmente humanas, igualmente ricas e dignas de respeito.


Mais enquanto isso vamos importar dos EUA as:Dez regras para sobreviver se for parado pela polícia

1. Seja educado e respeitoso se parado pela polícia. Mantenha a boca fechada.

2. Lembre que sua meta é chegar em casa em segurança. Se sentir que seus direitos foram violados, você e seus parentes têm o direito de fazer uma queixa em sua jurisdição policial.

3. Em nenhuma circunstância discuta com a polícia.

4. Sempre lembre que tudo que disser ou fizer pode ser usado contra você na Justiça.

5. Mantenha suas mãos à vista e se certifique de que a polícia pode vê-las o tempo todo.

6. Evite o contato físico com a polícia. Não faça nenhum movimento súbito e mantenha as mãos longe dos bolsos.

7. Não corra, mesmo que tenha medo da polícia.

8. Mesmo se acreditar que é inocente, não resista à prisão.

9. Não se pronuncie sobre o incidente até se encontrar com um advogado ou defensor público.

10. Fique calmo e mantenha o controle. Cuidado com as palavras, linguagem corporal e emoções.

“O Brasil nunca será um País de primeira classe enquanto considerar natural tratar os negros como cidadãos


de segunda classe”










Um afro abraço.
Claudia Vitalino.
Fonte: Cartilha da Igreja Batista Shiloh, em Washington

terça-feira, 27 de março de 2018

Sociedade é chamada a contribuir na construção da Política de Patrimônio Cultural Material

Randomica

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) dá um passo importante para o fortalecimento das ações de preservação dos bens culturais materiais do país, contando para isso com a participação de toda a sociedade. Abrindo um canal direto com a população, a partir do dia 1º de março estará disponível no site da instituição a Consulta Pública sobre a Política de Patrimônio Material, que consolida princípios, premissas, objetivos, procedimentos e conceitos para a preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro de natureza material, que foram se formando e se modificando ao longo das décadas.
consulta estará aberta entre os dias 1º de março e 1º de maio de 2018, e as contribuições podem ser feitas pelo e-mail ppm@iphan.gov.br. O objetivo da ação é contar com a participação da sociedade na construção de política tão importante para a cultura do país e que é responsabilidade compartilhada por todos. O documento também possibilita um maior esclarecimento sobre os principais conceitos que compõem os processos e as ações de preservação dos bens culturais portadores de referência à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira.
Cúpula do Teatro Amazonas, em Manaus (AM)
O anúncio da consulta aconteceu durante a abertura da 1ª Reunião Ordinária do Comitê Gestor do Iphan em 2018, realizada entre os dias 28 de fevereiro e 2 de março, com a presença do ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, da presidente do Iphan, Kátia Bogéa, seus diretores e os 27 superintendentes estaduais. O lançamento da política, após consolidação das propostas enviadas, está previsto para 17 de agosto, Dia Nacional do Patrimônio Cultural, que comemora também o aniversário do primeiro presidente do Iphan, Rodrigo Melo Franco de Andrade. O evento será realizado no Paço Imperial, no Rio de Janeiro (RJ).

Participação social
texto da proposta traz inovações importantes para os procedimentos que envolvem a preservação e valorização do patrimônio cultural. Mas, permeando todas elas, está o objetivo de promover a construção coletiva dos instrumentos de preservação, garantindo assim a legitimidade das ações do Iphan junto às comunidades e também entre os agentes públicos. Esse objetivo decorre de diversos princípios sugeridos, sobretudo da Indissociabilidade entre os bens culturais e as comunidades, da Participação ativa na elaboração de estratégias e da Colaboração entre as esferas do Poder Público e a comunidade.
Declaração de Lugares de Memória
Outra novidade que trará impactos imediatos, caso aprovada, é um instrumento de proteção inédito: a declaração de lugares de memória. Por meio desse reconhecimento, ainda que um bem cultural tenha perdido sua integridade e autenticidade, em consequência da ação humana ou do tempo, o Iphan poderá reconhecer a importância de seus valores simbólicos.
Povos e Comunidades Tradicionais
Também estão contempladas na política as especificidades culturais de povos e comunidades tradicionais. Em relação os povos indígenas, está previsto o direito de autodefinição de suas próprias prioridades em processos que envolvam a preservação de seu legado cultural. Dessa forma, vale para a política de patrimônio material o princípio que já era aplicado para o patrimônio imaterial, legando aos detentores dos bens culturais o protagonismo na construção das ações de preservação, o que contribui por sua vez com a superação da divisão entre as duas vertentes de proteção.
Natividade - Tocantins
Paleontologia e Espeleologia

A proposta irá clarear alguns pontos em relação às competências do Iphan, como é o caso do patrimônio paleontológico e do espeleológico. De acordo com o texto, a esses bens culturais somente cabe proteção do Iphan quando for constatada a existência de valores referentes à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira.
Vila de Paranapiacaba - São Paulo
Princípios, premissas e objetivos
Durante o período da consulta, o público poderá contribuir, também, para a pactuação dos princípios, das premissas e dos objetivos a serem adotados pela Política de Patrimônio Material. A proposta apresenta 18 princípios, que vão da Humanização, apontando para a melhoria na qualidade de vida do ser humano; até chegar ao Princípio do Controle Social, que estabelece que o cidadão é parte legítima para monitorar as ações desenvolvidas pelo Iphan.
Entre as premissas apresentadas no documento, encontram-se a busca da superação da divisão das dimensões materiais e imateriais do Patrimônio Cultural, a compreensão do tempo presente na abordagem dos bens culturais, a leitura do território e das di
nâmicas sociais nele existentes, o estímulo ao fortalecimento dos grupos sociais para preservação de seu Patrimônio Cultur
al e a articulação entre as esferas de governo para compartilhamento de competências.
Já os cinco objetivos propostos pelo texto do Iphan são a qualificação e ampliação das ações e atividades de Preservação do Patrimônio Cultural de Natureza Material; o estabelecimento de práticas para construção coletiva dos instrumentos de preservação; a institucionalização das práticas e instrumentos de preservação sugeridos pelo Comitê do Patrimônio Mundial; o detalhamento dos entendimentos institucionais sobre termos e conceitos específicos; e o fortalecimento da Preservação do Patrimônio Cultural de Natureza Material de povos e comunidade tradicionais.
Serviço:
Consulta Pública sobre a Política de Patrimônio Material

Período: 1º de março a 1º de maio de 2018
Contribuições pelo e-mail ppm@iphan.gov.br
Mais informações para a imprensa
Assessoria de Comunicação Iphan

comunicacao@iphan.gov.br
Fernanda Pereira – fernanda.pereira@iphan.gov.br 
Carmen Lustosa - carmen.costa@iphan.gov.br
(61) 2024-5511 - 2024-5533 / (61) 99381-7543
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O Mecanismo, raiva e desinformação em série


Por Tedddy Falcão*
Nas mesmas entrevistas, ele falava sobre a situação política e social do Brasil de forma (pelo menos aparente) imparcial e por consequência, responsável. Tudo o que não vemos nos 8 episódios da temporada liberada na última sexta-feira (23).
Como nos dois filmes Tropa de Elite, todo episódio se inicia com o aviso de que se trata de ficção, betc. Mas se contradiz no final quando revela a base de tudo, o livro “Lava Jato – o Juiz Sergio Moro e Os Bastidores da Operação Que Abalou o Brasil” de Vladimir Netto, repórter da Rede Globo, que ganhou notoriedade ao escrever e publicar essa, em nada disfarçada, homenagem ao juiz Sergio Moro.
A série tinha tudo pra ser incrível! Com um elenco brilhante tendo nomes como Leonardo Medeiros, Enrique Diaz, Selton Mello, Caroline Abras e diretores como o Daniel Rezende.
Mas escolheu clichês de construção de personagens em roteiros superficiais com informações deturpadas e diálogos desonestos. Um exemplo mais grave acontece no 5º episódio, escrito por Elena Soárez, quando Higino (caricatura de Lula, na série) reproduz a “necessidade de estancar a sangria”, sendo que na realidade a fala é do senador Romero Jucá em conversa com Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro. É forçada também Rigo, um vaidoso, mas determinado, imbatível e heróico Moro. Que anda de bicicleta e lê o “Vigilante Sombrio”, herói de HQ.
Temos ainda Thames, o Michel Temer representado, com aparições pontuais prometendo uma importância maior numa história de traição e ligações se estruturando com outros personagens como Lúcio Lemes, o Aécio Neves da bagunça toda.
“O Mecanismo” é uma decepção. Mas “perigosa” é a melhor definição para esse produto que está, claramente, a serviço da construção e perpetuação de heróis e personagens inventados com base na decepção e falta de esperança de um povo diante de toda essa usurpação e violência contra os direitos essenciais da população.
Diante de todo o ódio e mentiras espalhadas online e offline no Brasil, assistir “O Mecanismo” sem o conhecimento e discernimento mínimo da nossa história recente, só irá munir de mais raiva e desinformação uma população já propensa a guerrear, atacar e destruir possibilidades de diálogos e entendimentos tão necessários pra sair dessas crises todas que estão plantadas em nosso país.
*Teddy Falcão é realizador audiovisual e cineclubista acreano, mestrando em educação, arte e história da cultura na Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP), membro do Conselho Nacional de Cineclubes e do Cineclube Opiniões, e pesquisador do Laboratório de artes cinemáticas e visualização – LABCINE.
Fonte: Brasil Cultura

Emicida: “O Brasil carece de histórias de pretos bem sucedidos’


Ainda sem título definido, as filmagens da cinebiografia de Emicida devem começar no segundo semestre de 2018, sob a direção do cineasta baiano Aly Muritiba, que fez Para Minha Amada Morta, A Gente, Ferrugem, entre outros. O roteiro, que já está sendo desenvolvido em parceria com o rapper, deve debruçar nos momentos-chave da vida de Emicida, como a vitória na maior batalha de rimas do Brasil, aos 21 anos de idade, a reprovação da mãe, Dona Jacira, que não queria o filho envolvido com a música, a relação com o irmão mais novo, Evandro Fióti, também rapper e dono da Laboratório Fantasma, e seus dias como atendente na rede de fast food McDonald’s.
“Eu já tinha a ambição de invadir os cinemas, acho que construímos uma trajetória que, de alguma maneira, desaguaria nisso. A Laboratório Fantasma tem se aproximado lentamente do entretenimento e estendido seus tentáculos para além da música há algum tempo, tanto que participamos da SPFW (São Paulo Fashion Week), por exemplo. Estamos no meio de uma pesquisa bastante profunda para batermos o martelo em qual recorte usaremos, pois tem bastante assunto, fizemos muitas coisas, ano que vem completa 10 anos de nossa primeira mixtape, é uma efeméride importantíssima. O Brasil carece de histórias de pretos bem sucedidos sendo contadas em grande escala e por nós mesmos, nesse sentido já nascemos revolucionários”, declara Emicida em nota oficial.
O longa-metragem será feito pela mesma produtora responsável pelos filmes nacionais O Abismo Prateado, Tim Maia, Alemão e O Silêncio do Céu, além de Frances Ha, Love Is Strange, Indignation, A Bruxa, Patti Cake$, A Ciambra e o premiado Me Chame pelo Seu Nome, produzidos no exterior. “Estou muito feliz e honrado em poder contar a história de um dos principais artistas da música da atualidade no Brasil. Levar a trajetória do Emicida para as telonas é de um orgulho e uma responsabilidade enormes. Mas, ao mesmo tempo, é muito prazeroso poder contar uma história de vida tão inspiradora quanto a dele”, afirma o fundador e diretor da RT Features, Rodrigo Teixeira, que prevê o lançamento do longa em 2019.
Fonte: RBA

segunda-feira, 26 de março de 2018

Jornada de Lutas por Edson e Marielle: não nos calarão!


No dia 28 de março, secundaristas relembram 50 anos do assassinato de estudante. Grande ato acontece no Rio de Janeiro;

Quando Edson Luís foi assassinado por um policial militar, dia 28 de abril de 1968, apenas reivindicava com colegas para que a comida do restaurante universitário Calabouço fosse mais barata. Por isso em sua memória, há 50 anos o dia de sua morte é data para estudantes do Brasil todo se manifestarem. Por melhores condições na educação pública, pelo direito de se mobilizar.
“Este ano, unimos nossa luta pela educação à luta por Marielle Franco. Assim como Edson Luís, ela morreu por causa de um sistema opressor que não permite ser questionado. E queremos mostrar que, ainda assim, não podem matar a voz de Edson e a voz de Marielle”, explica Willamy Macedo, diretor de Relações Institucionais da UBES.

Rio de Janeiro, 50 anos depois

O grande ato “Por Marielle e Edson Luís!” sai da Igreja da Candelária até a Cinelândia. Para quem não sabe, no mesmo local foi velado o estudante Edson Luís, em 29 de março de 1968. Na última terça (20/03), o ato interreligioso por Marielle também foi partiu da Candelária em direção à Cinelândia.
Leia também:

“Por Edson Luís, Por Marielle”. O ato histórico chamado por secundas e outros movimentos nos 50 anos de morte do … Continue lendo

Brasil

Além do Rio de Janeiro, estudantes estão se mobilizando pelo Brasil todo, dos menores municípios às maiores capitais, para atos em defesa da educação pública e da democracia. Acompanhe pelas redes sociais da UBES!
Estudantes se mobilizam pela Jornada de Luta Edson Luís em Camaçari, interior da Bahia

Quem foi Edson Luís

Tudo que Edson Luis de Lima Souto queria era terminar o Ensino Médio no Rio de Janeiro e conseguir uma vida melhor do que sua família, que ficou em Belém do Pará. Ele fazia bicos de faxina e tentava se manter como podia. Por isso reivindicava pelo preço da comida com outros jovens da Frente Unida dos Estudantes do Calabouço (FUEC).
A morte do jovem aos 17 anos comoveu o Rio de Janeiro e enfureceu os estudantes mais rebeldes. Depois deste episódio, a ditadura passou para sua fase mais cruel e autoritária. Com o Ato Institucional número 5 (AI-5), meses depois, ficou proibido se reunir com outras pessoas em locais públicos, clubes, sindicatos e até nos lares. Além disso, mandaram os deputados para casa e encerraram as atividades do Congresso.
Fonte: UBES

100 frases selecionadas de Nelson Rodrigues

Nosso Rochefoucauld
Dos nossos arquivos:
Nelson Rodrigues foi o maior frasista brasileiro, o nosso Rochefoucauld. Com a contribuição milionária de Erika Nakanura, o DCM selecionou 100 máximas que provam isso.
  • A adúltera é a mais pura porque está salva do desejo que apodrecia nela.
  • A beleza interessa nos primeiros quinze dias; e morre, em seguida, num insuportável tédio visual.
  • A dúvida é autora das insônias mais cruéis. Ao passo que, inversamente, uma boa e sólida certeza vale como um barbitúrico irresistível.
  • A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem.
  • A liberdade é mais importante do que o pão.
  • A maioria das pessoas imagina que o importante, no diálogo, é a palavra. Engano, e repito: – o importante é a pausa. É na pausa que duas pessoas se entendem e entram em comunhão.
  • A pior forma de solidão é a companhia de um paulista.
  • A platéia só é respeitosa quando não está a entender nada.
  • A prostituta só enlouquece excepcionalmente. A mulher honesta, sim, é que, devorada pelos próprios escrúpulos, está sempre no limite, na implacável fronteira.
  • A televisão matou a janela.
  • A verdadeira grã-fina tem a aridez de três desertos.
  • Acho a velocidade um prazer de cretinos. Ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca.
  • Amar é dar razão a quem não tem.
  • Amar é ser fiel a quem nos trai.
  • Antigamente, o silêncio era dos imbecis; hoje, são os melhores que emudecem. O grito, a ênfase, o gesto, o punho cerrado, estão com os idiotas de ambos os sexos.
  • As grandes convivências estão a um milímetro do tédio.
  • Com sorte vc atravessa o mundo, sem sorte vc não atravessa a rua.
  • Começava a ter medo dos outros. Aprendia que a nossa solidão nasce da convivência humana.
  • Copacabana vive, por semana, sete domingos.
  • D. Helder só olha o céu para saber se leva ou não o guarda-chuva.
  • Desconfie da esposa amável, da esposa cordial, gentil. A virtude é triste, azeda e neurastênica.
  • Desconfio muito dos veementes. Via de regra, o sujeito que esbraveja está a um milímetro do erro e da obtusidade.
  • Deus está nas coincidências.
  • Dinheiro compra tudo, até amor verdadeiro.
  • É preciso ir ao fundo do ser humano. Ele tem uma face linda e outra hedionda. O ser humano só se salvará se, ao passar a mão no rosto, reconhecer a própria hediondez.
  • É preciso trair para não ser traído.
  • Em muitos casos, a raiva contra o subdesenvolvimento é profissional. Uns morrem de fome, outros vivem dela, com generosa abundância.
  • Entre o psicanalista e o doente, o mais perigoso é o psicanalista.
  • Está se deteriorando a bondade brasileira. De quinze em quinze minutos, aumenta o desgaste da nossa delicadeza.
  • Eu me nego a acreditar que um político, mesmo o mais doce político, tenha senso moral.
  • Existem situações em que até os idiotas perdem a modéstia.
  • Falta ao virtuoso a feérica, a irisada, a multicolorida variedade do vigarista.
  • Hoje é muito difícil não ser canalha. Todas as pressões trabalham para o nosso aviltamento pessoal e coletivo.
  • Hoje, o sujeito prefere que lhe xinguem a mãe e não o chamem de reacionário.
  • Invejo a burrice, porque é eterna.
  • Jovens: envelheçam rapidamente!.
  • Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos…
  • Na mulher, certas idades constituem, digamos assim, um afrodisíaco eficacíssimo. Por exemplo:- 14 anos!
  • Nada nos humilha mais do que a coragem alheia.
  • Não acredito em honestidade sem acidez, sem dieta e sem úlcera.
  • Não admito censura nem de Jesus Cristo.
  • Não damos importância ao beijo na boca. E, no entanto, o verdadeiro defloramento é o primeiro beijo na boca. A verdadeira posse é o beijo na boca, e repito: – é o beijo na boca que faz do casal o ser único, definitivo. Tudo mais é tão secundário, tão frágil, tão irreal.
  • Não existe família sem adúltera.
  • Não há nada que fazer pelo ser humano:o homem já fracassou.
  • Não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe.
  • Nem toda mulher gosta de apanhar. Só as normais.
  • Nossa ficção é cega para o cio nacional. Por exemplo: não há, na obra do Guimarães Rosa, uma só curra.
  • Num casamento, o importante não é a esposa, é a sogra. Uma esposa limita-se a repetir as qualidades e os defeitos da própria mãe.
  • Nunca a mulher foi menos amada do que em nossos dias.
  • O adulto não existe. O homem é um menino perene.
  • O amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira. É abjeto que um homem deseje a mãe de seus próprios filhos.
  • O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros. Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda.
  • O asmático é o único que não trai.
  • O biquíni é uma nudez pior do que a nudez.
  • O boteco é ressoante como uma concha marinha. Todas as vozes brasileiras passam por ele.
  • O Brasil é muito impopular no Brasil.
  • O brasileiro é um feriado.
  • O brasileiro, quando não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte.
  • O cardiologista não tem, como o analista, dez anos para curar o doente. Ou melhor: – dez anos para não curar. Não há no enfarte a paciência das neuroses.
  • O casamento é o máximo da solidão com a mínima privacidade.
  • O grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota.
  • O homem começa a morrer na sua primeira experiência sexual.
  • O homem não nasceu para ser grande. Um mínimo de grandeza já o desumaniza. Por exemplo: — um ministro. Não é nada, dirão. Mas o fato de ser ministro já o empalha. É como se ele tivesse algodão por dentro, e não entranhas vivas.
  • O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: o da imaturidade.
  • O morto esquecido é o único que repousa em paz.
  • O marido não deve ser o último a saber. O marido não deve saber nunca.
  • O Natal já foi festa, já foi um profundo gesto de amor. Hoje, o Natal é um orçamento.
  • O ônibus apinhado é o túmulo do pudor.
  • O pudor é a mais afrodisíaca das virtudes.
  • O puro é capaz de abjeções inesperadas e totais e o obsceno, de incoerências deslumbrantes. Somos aquela pureza e somos aquela miséria. Ora aparecemos varados de luz, como um santo de vitral, ora surgimos como faunos de tapete.
  • O sábado é uma ilusão.
  • O Ser Humano, tal como imaginamos, não existe.
  • Os homens mentiriam menos se as mulheres fizessem menos perguntas.
  • Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: — ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina.
  • Perfeição é coisa de menininha tocadora de piano.
  • Qualquer menino parece, hoje, um experimentado e perverso anão de 47 anos.
  • Quem nunca desejou morrer com o ser amado nunca amou, nem sabe o que é amar.
  • Se Euclides da Cunha fosse vivo teria preferido o Flamengo a Canudos para contar a história do povo brasileiro.
  • Se os fatos são contra mim, pior para os fatos.
  • Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém.
  • Sem paixão não dá nem para chupar picolé.
  • Sexta feira é o dia em que a virtude prevarica.
  • Só acredito nas pessoas que ainda se ruborizam.
  • Só não estamos de quatro, urrando no bosque, porque o sentimento de culpa nos salva.
  • Só o cinismo redime um casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de prata.
  • Só o rosto é indecente. Do pescoço para baixo podia-se andar nu.
  • Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta.
  • Subdesenvolvimento não se improvisa; é obra de séculos.
  • Tarado é toda pessoa normal pega em flagrante.
  • Toda coerência é, no mínimo, suspeita.
  • Toda mulher bonita leva em si, como uma lesão da alma, o ressentimento. É uma ressentida contra si mesma.
  • Toda mulher bonita tem um pouco de namorada lésbica em si mesmo.
  • Toda mulher gosta de apanhar. Só as neuróticas reagem.
  • Toda unanimidade é burra.
  • Todas as mulheres deviam ter catorze anos.
  • Todo amor é eterno. Se não é eterno, não era amor.
  • Todo desejo é vil.
  • Todo tímido é candidato a um crime sexual.
  • Tudo passa, menos a adúltera. Nos botecos e nos velórios, na esquina e nas farmácias, há sempre alguém falando nas senhoras que traem. O amor bem-sucedido não interessa a ninguém.
100. Um filho, numa mulher, é uma transformação. Até uma cretina, quando tem um filho, melhora.
Fonte: Diário do Centro do Mundo - DCM