Cultura significa todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membros,. ativistas, poetas, escritores, produtores culturais, grupos culturais, violeiros, pensantes e os que admiram e lutam pela cultura potiguar. Cultura! A Cultura, VIVE e Resiste! "Blog do CPC/RN, notícias variadas na BASE DA CULTURA!
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quinta-feira, 6 de setembro de 2018
Necessário refletirmos sobre os problemas ambientais que afetam o pulmão do mundo
Celebrado anualmente em 5 de setembro, o Dia da Amazônia foi criado para conscientização das pessoas sobre a importância da maior floresta tropical do mundo e da sua biodiversidade para o planeta.
Na floresta são encontrados vários recursos naturais que contribuem para o equilíbrio da estabilidade ambiental do planeta. Suas árvores são responsáveis pela liberação de aproximadamente sete trilhões de toneladas de água para a atmosfera, no processo de evapotranspiração e o Rio Amazonas desagua 20% de água doce no Oceano Atlântico a cada ano."Se fizermos uma analogia entre a Amazônia e o corpo humano, ela representa o coração do Brasil e o pulmão do mundo. Porque pulsa com toda a sua vivacidade de espécies ecossistêmicas aqui no nosso país, mas influencia a vida em todas as suas múltiplas diversidades, no mundo inteiro", ressalta a secretária de Meio Ambiente da CONTAG, Rosmari Malheiros.
Mesmo com tamanha importância, o governo Temer em troca de apoio político, vem sinalizando aos proprietários de terras que aumentem o desmatamento, colocando em risco a contribuição do país para o Acordo de Paris que tem o objetivo de minimizar as consequências do aquecimento global. Adotado durante a Conferência das Partes - COP 21, em Paris, no ano de 2015, o Acordo é um compromisso internacional discutido entre 195 países, entre eles o Brasil.
Na sangria contra o Meio Ambiente e a Floresta Amazônica, Temer ainda tentou abrir a Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca), para a exploração das mineradoras entre os Estados do Pará e Amapá, para a entrada de empresas de mineração de ouro, cobre e outros tesouros na região, que alcança o tamanho da Dinamarca.
Foto: Greenpeace Brasil
O desmonte temeroso continua com a flexibilização do licenciamento ambiental no Brasil, retirada de direitos indígenas e quilombolas, negociação dos recursos hidrícos do País com as grandes empresas internacionais, projeto de lei para a liberação de ainda mais veneno no prato do brasileiro e diminuição de áreas de conservação na Amazônia. "É inadmissível que a maioria das ações realizadas na Amazônia, que desafiaram interesses econômicos, tenham terminado em tragédias, desde assassinatos a expulsão dos povos de suas áreas. É inadmissível que os ditos 'sistemas de mercado' sejam mais importantes do que a VIDA."
Foto: Greenpeace Brasil
Para Rosmari não apenas hoje, por considerarmos o Dia da Amazônia, mas durante todos os demais dias, faz-se necessário refletirmos sobre os problemas ambientais que afetam o pulmão do mundo, dentre eles os desmatamentos, que são provocados pelos interesses econômicos que visam lucros cada vez mais exagerados em detrimento da destruição da maior floresta de ecossistemas do planeta.
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FONTE: Comunicação CONTAG, com informações da Secretaria de Meio Ambiente
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Fundo Brasil lança Prêmio Fotográfico para apoiados/as
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| Olá, Centro, tudo bem?
O Fundo Brasil acaba de lançar o concurso fotográfico "2018 com todos os direitos". A premiação é uma forma de estimular a comunicação como estratégia de luta pelos direitos humanos no país.
As três melhores fotos serão premiadas após uma pré-seleção feita por profissionais, seguida de votação popular.
O concurso é destinado a organizações, grupos e coletivos apoiados pelo Fundo Brasil ao longo de mais de uma década de existência da fundação.
Para saber mais, leia o texto publicado em nosso site. Um abraço, |
| Maíra Junqueira Coordenadora Executiva Adjunta |
Descadastre-se caso não queira receber mais e-mails. |
Atriz Beatriz Segall morre aos 92 anos
A atriz Beatriz Segall morreu nesta quarta-feira (5) aos 92 anos, em São Paulo capital
A atriz havia sido internada por problemas respiratórios, mas teve alta no dia 21 de agosto. O hospital onde ela estava ainda não informou quando voltou a ser internada, ou qual foi a causa da morte.
Em uma carreira de mais de 70 anos dedicada aos palcos e à TV, Beatriz Segall viveu em 1988 o papel que a eternizou na teledramaturgia brasileira. Após 192 capítulos da novela “Vale tudo”, a vilã interpretada pela atriz carioca morria com três tiros e fazia o país inteiro se perguntar: “Quem matou Odete Roitman?”.
Nascida em 25 de julho de 1926 no Rio de Janeiro, Segall fez sua primeira peça durante um exercício de língua em uma conceituada escola de francês. Convidada para se tornar profissional, recusou por causa da desaprovação do pai, que queria que ela fosse professora.
Pouco depois ela participou de um filme, “A beleza do diabo” (1950), quando decidiu fazer um curso de interpretação. Após participar de um trabalho semiamador com outras atrizes que também estavam começando, como Fernanda Montenegro e Nicette Bruno, foi à França estudar teatro e literatura.
Ao retornar ao Brasil, recusou outra peça e ficou por 14 anos como dona de casa, após se casar com o museólogo, exonomista e autor teatral Maurício Segall, filho do artista Lasar Segall. Até que em 1964 aceitou um papel no Teatro Oficina a convite do diretor José Martinez Corrêa.
Além de atuar em algumas novelas e filmes, recuperou com o marido o Teatro São Paulo, que administrou até 1974.
Em 1978 estreou uma novela com “Dancin’ days”. Após agradar o público, no ano seguinte esteve na novela “Pai herói”, quando viveu a vilã Norah.
Em 1980, participou do premiado filme “Pixote, a lei do mais fraco”, dirigido por Hector Babenco. Oito anos depois, seria a vez de seu papel mais icônico, Odete Roitman.
Do Portal Vermelho
Apenas dois candidatos à presidência propõem preservação de museus
O incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, neste último domingo (2), intensificou o debate sobre preservação do patrimônio e investimento em Cultura e Ciência no Brasil. Com vistas nas eleições presidenciais de outubro, o Portal Vermelho buscou saber o que dizem os dois projetos de governo que propõem preservar o patrimônio cultural.
Por Mariana Serafini
Divulgação Museu Nacional antes do incêndio Museu Nacional antes do incêndio
Apenas o programa de governo do PT, representado atualmente pelo vice Haddad, e da Marina Silva, da Rede, apresentam propostas específicas com relação a museus. Segundo um levantamento apresentado pela Agência Lupa, 7, dos 13 candidatos, têm propostas para a área da Cultura, mas não necessariamente relacionadas a patrimônio.
O programa do PT propõe retomar “de forma ativa as políticas para o patrimônio e museus através do IPHAN e do IBRAM. Essas duas instituições serão dotadas das condições para que conduzam iniciativas amplas e diversificadas de proteção e promoção do patrimônio cultural e de fortalecimento da política nacional de museus.
O Iphan é o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, criado em 1937 e vinculado ao Ministério da Cultura com o objetivo de preservar e divulgar o acervo patrimonial material e imaterial do Brasil. Para fortalecer estas políticas, foi criado em 2009 o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), uma autarquia federal dotada de personalidade jurídica com autonomia administrativa e financeira para as políticas públicas voltadas à preservação e ampliação do patrimônio.
Não foi revelada ainda a causa do incêndio que destruiu o Museu Nacional, sabe-se, porém, que a falta de manutenção agravou o caso, inclusive na dificuldade encontrada para conter o fogo. Vale destacar que neste ano o governo havia repassado pouco mais de 10% do orçamento total necessário para a preservação da instituição que era, até então, a mais antiga casa de pesquisa do Brasil, com 200 anos.
O programa propõe também destinar investimentos à Biblioteca Nacional, à Fundação Cultural Palmares e à Casa de Rui Barbosa “proporcionais à sua imensa importância para memória, pesquisa e acervo da cultura brasileira”.
Rede
Já o programa de governo da candidata da Rede, Marina Silva, entende que “o patrimônio cultural é fundamental para garantir a memória de nossos povos, para que as presentes e futuras gerações conheçam sua ancestralidade, história, costumes e tradições” e neste sentido propõe uma “política de preservação do patrimônio” que “abrange o patrimônio natural e o conhecimento científico”.
A proposta é “oferecer condições de funcionamento a museus, arquivos e bibliotecas; valorizar os registros escritos, sonoros e visuais de tradições orais e da produção contemporânea; e realizar tombamentos, a preservação e revitalização ambiental”. Não especifica, entretanto, de que forma tais “condições” serão aplicadas.
BRASIL CULTURA
quarta-feira, 5 de setembro de 2018
Com a PEC 241, incêndio do Museu Nacional foi tragédia anunciada
O incêndio do Museu Nacional é uma tragédia cultural, de enormes proporções, para o Brasil e para a humanidade. Comparável ao incêndio da Biblioteca de Alexandria, à destruição da cidade de Pompéia, à explosão dos Budas de Mianmar pelos Talibãs no Afeganistão.
Por Jandira Feghali e Alexandre Santini*
Tania Rego / Agência Brasil “O Brasil, como uma fênix, precisará renascer das cinzas” “O Brasil, como uma fênix, precisará renascer das cinzas”
Mais que um Museu, é parte da história brasileira, do império à república, que se esvai ardendo em chamas. Além da história do Brasil, foram destruídos patrimônios que remontam à história do mundo, antes mesmo da própria existência do ser humano. A coleção de paleontologia, com os Dinossauros que permearam a imaginação de gerações de crianças. As múmias egípcias, o acervo de arte africana doado pelo Rei do Daomé, todo o acervo de arte indígena, o fóssil de Luzia, nossa ancestral de 12 mil anos, são apenas alguns exemplos desta perda irreparável, desta ferida profunda que se abre em nossa história e em nossa memória com este trágico acontecimento de proporções irreparáveis.
Devemos lembrar que no Museu Nacional funcionava parte importante do trabalho de ensino e pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ali até ontem eram formados e trabalhavam antropólogos, museólogos, restauradores, arquivistas, pesquisadores. Não é só o passado, portanto, que se perde. O futuro também fica seriamente comprometido, em um momento que o país atravessa uma profunda crise, com o sucateamento do Estado, e dos serviços públicos essenciais. Não há como não associar esta tragédia ao golpe em curso contra o povo brasileiro. Trata-se de um incêndio criminoso, e como tal cabe apurar responsabilidades, apontando seus mandantes, co-autores e cúmplices.
Em todo o mundo, instituições como o Museu Nacional não só são sustentáveis, como também lucrativos. O Museu de História Natural de Nova York, os Museus do Ouro da Colômbia e do Peru, o Louvre, o Hermitage, o complexo museológico do Vaticano, são parte do “soft power” e das estratégias de desenvolvimento de seus países, fomentam a economia, o turismo, formam profissionais, empregam mão de obra especializada, geram trabalho e renda, são parte do orgulho nacional. É vergonhoso constatar que, até abril deste ano, um Museu dessa importância tenha recebido irrisórios 54 mil reais para o desenvolvimento de suas atividades, e que seus funcionários tinham que fazer vaquinha para comprar café e produtos de limpeza.
Assistimos, estarrecidos, à entrevista do Ministro da Cultura do governo golpista de Michel Temer, que ao vivo em rede nacional, diante da imagem do museu em chamas, tentou politizar a tragédia, e ainda se eximir de responsabilidade, declarando que o Museu Nacional era gerido pela UFRJ, e não pelo MinC. Ora, a quem cabe a gestão da política nacional de patrimônio artístico e histórico do Brasil, se não ao Ministério da Cultura?
Sabemos que o problema da falta de investimentos em nossa cultura e patrimônio não é de hoje. Há tempos temos chamado atenção para a necessidade de colocar as políticas culturais na centralidade de um projeto de desenvolvimento para o país. Mas é necessário reconhecer que, no governo Lula, junto a toda uma nova concepção de política cultural construída a partir da gestão de Gilberto Gil, a política de patrimônio museal ganhou novo impulso com a criação do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), da Política Nacional de Museus, do Estatuto dos Museus e de 14 novos cursos de Museologia nas universidades públicas.
Trata-se de tragédia anunciada, em um governo que aprova a PEC do teto de gastos, que cortou mais de 60% do orçamento de manutenção nas universidades públicas, que eliminou qualquer investimento em educação, ciência e cultura. O Museu Nacional em chamas é o símbolo da dilapidação do país, de seu patrimônio, memória, e inteligência. Não é fato isolado. A destruição do Museu Nacional é expressão de um projeto orientado para a destruição do Brasil, que se reflete na precarização dos serviços públicos, da explosão do desemprego e da fome, da volta de doenças já erradicadas, da explosão do desemprego e da violência. As chamas são uma trágica evocação das consequências sombrias do golpe para o futuro do Brasil.
O cenário da manhã desta segunda-feira de cinzas, em frente ao Museu Nacional, era a visão de um velório. O choro, a tristeza e a revolta dos servidores públicos, estudantes, técnico-administrativos, funcionários terceirizados da segurança e da limpeza, pessoas que dedicaram anos de sua vida àquele lugar. O Museu Nacional é aquele que boa parte toda a população fluminense visitou em sua infância, ou levou seus filhos para visitar, pela facilidade do acesso, pela localização privilegiada em um dos nossos maiores e melhores parques públicos, pela proximidade com o Jardim Zoológico. Aos trabalhadores e trabalhadoras do Museu Nacional e da UFRJ, todo o nosso apoio e solidariedade.
O Brasil, como uma fênix, precisará renascer das cinzas. Essa é a batalha diária que precisaremos enfrentar, a partir de agora, todas as horas do dia, para interromper a destruição de nosso país. O Brasil, que na última década se afirmava como uma esperança para o mundo, hoje emite sinais diários de degradação política e institucional. “Nem os mortos estarão em segurança se o inimigo vencer” dizia o filósofo alemão Walter Benjamin, em seu célebre ensaio “Sobre o conceito de história”. O Museu Nacional em chamas é o alerta máximo de que é preciso salvar o Brasil, devolvendo ao povo nosso passado e nosso futuro, hoje sequestrados por um consórcio de oportunistas, bandoleiros e saqueadores do patrimônio público.
*Jandira Feghali é deputada federal pelo PCdoB-RJ e Alexandre Santini é diretor do Teatro Popular de Niterói Oscar Niemeyer
O Brasil queimou – e não tinha água para apagar o fogo
O Brasil queimou – e não tinha água para apagar o fogo
Eu vim ao Rio para um evento no Museu do Amanhã.
Então descobri que não tinha mais passado.
Diante de mim, o Museu Nacional do Rio queimava.
Por Eliane Brum*
Francisco Proner O incêndio destruiu todo o acervo do Museu Nacional, mais antiga casa de pesquisa do Brasil O incêndio destruiu todo o acervo do Museu Nacional, mais antiga casa de pesquisa do Brasil
O crânio de Luzia, a “primeira brasileira”, entre 12.500 e 13 mil anos, queimava. Uma das mais completas coleções de pterossauros do mundo queimava. Objetos que sobreviveram à destruição de Pompeia queimavam. A múmia do antigo Egito queimava. Milhares de artefatos dos povos indígenas do Brasil queimavam.
Vinte milhões de memória de alguma coisa tentando ser um país queimavam.
O Brasil perdeu a possibilidade da metáfora. Isso já sabíamos. O excesso de realidade nos joga no não tempo. No sem tempo. No fora do tempo.
O Museu Nacional em chamas. Um bombeiro esguichando água com uma mangueira um pouco maior do que a que eu tenho na minha casa. O Museu Nacional queimando. Sem água em parte dos hidrantes, depois de quatro horas de incêndio ainda chegavam caminhões-pipa com água potável. O Museu Nacional queimando. Uma equipe tentava tirar água do lago da Quinta da Boa Vista. O Museu Nacional queimando. A PM impedia as pessoas de avançar para tentar salvar alguma coisa. O Museu Nacional queimando. Outras pessoas tentavam furtar o celular e a carteira de quem tentava entrar para ajudar ou só estava imóvel diante dos portões tentando compreender como viver sem metáforas.
Brasil, é você. Não posso ser aquele que não é.
O Museu Nacional queimando.
O que há mais para dizer agora que as palavras já não dizem e a realidade se colocou além da interpretação?
Diante do Museu Nacional em chamas, de costas para o palácio, de frente para onde deveria estar o povo, Dom Pedro II em estátua. Sua família tinha tentado inventar um país e o fundaram sobre corpos humanos. Seu avô, Dom João VI, criou aquele museu no Palácio de São Cristóvão. Dom Pedro II está no centro, circunspecto, um homem feito de pedra, um imperador. Diante da parte esquerda do museu, indígenas de diferentes etnias observam as chamas como se mais uma vez fossem eles que estivessem queimando. Estão. É o maior acervo de línguas indígenas da América Latina, diz Urutau Guajajara. É a nossa memória que estão apagando. É o golpe, é o golpe. Poderiam ter salvo, e não salvaram, ele grita.
Nunca salvaram. Há 500 anos não salvam.
As costas de Pedro ferviam.
Quando soube que o museu queimava, eu dividi um táxi com um jornalista britânico e uma atriz brasileira com uma câmera na mão. “Não é só como se o British Museum estivesse queimando, é como se junto com ele estivesse também o Palácio de Buckingham”, disse Jonathan Watts. “Não há mais possibilidade de fazer documentário”, afirmou Gabriela Carneiro da Cunha. “A realidade é Science Fiction.”
Eu, que vivo com as palavras e das palavras, não consigo dizer. Sem passado, indo para o Museu do Amanhã, sou convertida em muda. Esvazio de memória como o Museu Nacional. Chamas dentro de todo ele, uma casca do lado de fora. Sou também eu. Uma casca que anda por um país sem país. Eu, sem Luzia, uma não mulher em lugar nenhum.
A frase ecoa em mim. E ecoa. Fere minhas paredes em carne viva.
“O Brasil é um construtor de ruínas. O Brasil constrói ruínas em dimensões continentais.”
A frase reverbera nos corredores vazios do meu corpo. Se a primeira brasileira incendiou-se, que brasileira posso ser eu?
O que poderia expressar melhor este momento? A história do Brasil queima. A matriz europeia que inventou um palácio e fez dele um museu. Os indígenas que choram do lado de fora porque suas línguas se incineram lá dentro. E eu preciso alcançar o Museu do Amanhã. Mas o Brasil já não é o país do futuro. O Brasil perdeu a possibilidade de imaginar um futuro. O Brasil está em chamas.
O Museu Nacional sem recursos do Governo federal. Os funcionários do Museu Nacional fazendo vaquinha na Internet para reabrir a sala principal. O Museu Nacional morrendo de abandono. O Museu Nacional sem manutenção. O Rio de Janeiro. Flagelado e roubado e arrancado Rio de Janeiro. Entre todos os Brasis, tinha que ser o Rio.
Ouço então um chefe de bombeiros dar uma coletiva diante do Museu Nacional, as labaredas lambem o cenário atrás dele. O bombeiro explica para as câmeras de TV que não tinha água, ele conta dos caminhões-pipa. E ele declara: “Está tudo sob controle”.
Eu quero gargalhar, me botar louca, queimar junto, ser aquela que ensandece para poder gritar para sempre a única frase lúcida que agora conheço: “O Museu Nacional está queimando! O Museu Nacional está queimando!”.
O Brasil está queimando.
E o meteorito estava dentro do museu.
*Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes – o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos, e do romance Uma Duas.
Fonte: BRASIL CULTURA
terça-feira, 4 de setembro de 2018
Aprendizado dos alunos: Nova Cruz/RN
Com base nos resultados da Prova Brasil 2015, é possível calcular a proporção de alunos com aprendizado adequado à sua etapa escolar
Português, 5º ano
27%
É a proporção de alunos que aprenderam o adequado na competência de leitura e interpretação de textos até o 5º ano na rede pública de ensino.
Dos 474 alunos, 131 demonstraram o aprendizado adequado.
Português, 9º ano
19%
É a proporção de alunos que aprenderam o adequado na competência de leitura e interpretação de textos até o 9º ano na rede pública de ensino.
Dos 409 alunos, 78 demonstraram o aprendizado adequado.
Matemática, 5º ano
16%
É a proporção de alunos que aprenderam o adequado na competência de resolução de problemas até o 5º ano na rede pública de ensino.
Dos 474 alunos, 75 demonstraram o aprendizado adequado.
Matemática, 9º ano
11%
É a proporção de alunos que aprenderam o adequado na competência de resolução de problemas até o 9º ano na rede pública de ensino.
Dos 409 alunos, 45 demonstraram o aprendizado adequado.
Confira o Ideb 2017 no QEdu
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Lançados oficialmente pelo Inep ontem, segunda-feira 3, os resultados podem ser conferidos em detalhes na maior plataforma de dados educacionais do Brasil. No Portal QEdu, é possível acessar os dados detalhados de Aprendizado e Fluxo, como a média em Português e Matemática; o indicador de rendimento de cada ano em cada etapa escolar (anos iniciais, anos finais e ensino médio); a evolução histórica do Fluxo, para cada ano de cada etapa escolar; e a evolução histórica do Aprendizado em Português e Matemática.
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Os números apontam uma ligeira melhora na qualidade da educação nos anos iniciais do Ensino Fundamental (do 1º ao 5º ano), atingindo a meta do governo. Já no que se refere aos últimos anos do Ensino Fundamental (do 6º ao 9º ano), apesar da melhora no indicador, os dados revelam que vários estados e municípios não conseguiram atingir as notas estipuladas pelo Ministério da Educação (MEC). No Ensino Médio, o resultado geral das escolas públicas se manteve o mesmo que 2015, não atingindo a meta.
Criado em 2007, o índice é usado como parâmetro para medir a qualidade da educação no Brasil e estabelecer políticas públicas na área. O cálculo leva em consideração o Fluxo (que representa a taxa de aprovação dos alunos) e o Aprendizado (a média padronizada na Prova Brasil, que avalia o aprendizado em Português e Matemática). Para a educação básica pública, a análise é feita por escola, município, estado e país. Na Academia QEdu, você pode conferir mais informações sobre o índice: academia.qedu.org.br.
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#AEducaçãoQueEuVejo
Abraços, Vitor do QEdu |
RIO DE JANEIRO - Prédio do Museu Nacional não tinha seguro

De acordo com vice-diretora, 'era um custo a mais' para a instituição
Por RAFAEL NASCIMENTO
Rio - O prédio do Museu Nacional não possui seguro, de acordo com a vice-diretora, Cristiana Serejo. O incêndio destruiu 90% do acervo do local, entre as obras perdidas está a coleção egípcia. "Não existia aqui no museu e acredito que em nenhum outro museu exista uma brigada de incêndio. Este é um 'custo a mais'. Nenhuma peça era assegurada que eu saiba", afirma.
De acordo com a vice-diretora, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), responsável pelo museu, gasta R$ 8 milhões só com terceirizados no local. "Infelizmente, a gente sabe a importância de uma brigada de incêndio, mas é muito caro manter lá", comenta.
Cristina Serejo diz que o Museu Nacional está recebendo várias ofertas de doações, inclusive de instituições estrangeiras. "Vamos começar a fazer uma campanha para receber e reerguer o Museu com as coleções. Temos muitos contatos internacionais e a ideia é receber esse material. Este é o momento de clamor público e estamos nos organizando internamente", afirma.
"Foram ofertados acervos de insetos. Recebi hoje o contato de um fóssil de baleia que será doado, que inclusive era material do Museu. Estamos em contato com várias áreas, como de etimologia", declara. "Muitas coisas que estão em outros países são materiais do século XIX como: material de invertebrados, peixes — que foram emprestados aos pesquisadores do século 19 que vieram aqui, coletaram o material e levaram naquela época", completa.
Acervo recuperado
Segundo a vice-diretora, os materiais, que estão sendo encontrados, são recebidos e catalogados. "Estamos recebendo parceria para saber como vai ser esse tipo de acondicionamento dos materiais encontrados. Não é algo que pode ser de uma hora para outra ou de qualquer jeito", conta a vice-diretora. Uma empresa especializada será contratada para fazer a retirada dos escombros.
Segundo Serejo, a coleção egípcia foi totalmente perdida, mas foram salvos vertebrados, invertebrados, herbários (exsicatas, mas de 500 mil plantas), o acervo de 500 mil livros da biblioteca central — que fica no prédio anexo, alguns meteoritos, além de itens do Departamento de Paleontologia e Antropologia ainda não contabilizados. Entretanto, a Biblioteca Francisca Keller, de Antropologia Social, que ficava no prédio incendiado foi totalmente destruída, salvando somente o que estava emprestado. Ela não soube dizer quantos exemplares tinham neste espaço.
"Ainda é muito cedo pra dizer qual é a porcentagem do que sobrou, mas pode ser de 10 a 15%. Tivemos uma perda muito grande e agora nós vamos avaliar o que restou. Está sendo feito um levantamento com os especialistas nos escombros para salvar o maior número de coisas", disse a vice-diretora.
A população que encontrar objeto ou fragmento do Museu Nacional deve levar até a biblioteca, que fica em um prédio anexo na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio.
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