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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Ouça “História Hoje” 03/10/: Em 1804, nascia o francês Allan Kardec fundador da doutrina espírita

No dia 3 de outubro de 1804 nasceu em Lyon, na França, Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido com Allan Kardec.
Apresentação José Carlos Andrade
ANTES DE OUVIR O ÁUDIO DESLIGUE O SOM DA RÁDIO BRASIL CULTURA NO TOPO DA PAGINA
Educador, escritor e tradutor francês que ficou famoso pela doutrina espírita.
Adotou o pseudônimo de Allan Kardec, segundo biografias, para diferenciar a codificação espírita de seus trabalhos pedagógicos anteriores.

Biografia de Allan Kardec

Allan Kardec (1804-1869) foi um importante propagador da doutrina espírita. Foi educador, escritor e tradutor francês.
Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte Léon Denizard Rivali, nasceu em Lyon, França, no dia 3 de outubro de 1804. Filho do juiz Jean-Baptiste Antoine Rivail e de Jeanne Louise Buhamel, descendentes de antigas famílias católicas de Lyon, foi criado no protestantismo. Iniciou seus estudos em sua cidade natal e desde jovem mostrou inclinação para o estudo das ciências e da filosofia. Foi levado para a o famoso Instituto de Educação Pestalozzi, em Yverdun, Suíça, onde estudou até formar-se pedagogo, em 1824.
Allan Kardec educador
Após retornar para Lyon e dominando vários idiomas, entre eles, alemão, inglês, holandês, italiano e espanhol. Allan Kardec traduziu para o alemão, diversas obras didáticas de educação. Em 1828, junto com sua esposa Amélie Gabrielle Boudet, fundou um grande estabelecimento de ensino e dedicou-se a ministrar aulas. Em 1830, alugou uma casa na Rua de Sèvres, onde oferecia palestras e cursos gratuitos de Química, Física, Anatomia Comparada, Astronomia etc.
Allan Kardec tornou-se membro de várias sociedades eruditas, entre elas, a Academia Real de Arras, que em 1831 lhe concedeu o Prêmio de Honra por um ensaio intitulado: “Qual é o Sistema de Estudo Mais em Harmonia com as Necessidades da Época?”. Publicou diversas obras educativas.
O Espiritismo
Durante vários anos, Allan Kardec foi secretário da Sociedade de Frenologia de Paris e participou ativamente dos trabalhos da Society of Magnetism, dedicando-se à investigação do sonambulismo, do transe, da clarividência e de vários outros fenômenos.
A partir de 1855, Allan Kardec iniciou suas experiências com o mundo da espiritualidade, numa época em que a Europa despertava a atenção para os fenômenos conhecidos como “espíritas”. Abriu mão de sua identidade, das atividades profissionais para tornar-se “Allan Kardec”, nome que teria origem em encarnações anteriores.
Em 1856, sob o pseudônimo de Allan Kardec publica “O Livro dos Espíritos”, onde expunha uma nova teoria da vida e do destino humano. O livro obteve rápido sucesso de vendas. Logo após a publicação, Allan Kardec fundou a “Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas”, da qual foi presidente até a sua morte. Posteriormente, associações semelhantes foram criadas em todo o mundo.
Em 1857, lançou uma edição revisada do Livro dos Espíritos, que se tornou o livro reconhecido da filosofia espírita da França. Entre os anos de 1855 e 1869, Allan Kardec dedicou-se a estabelecer as bases da Codificação da Doutrina Espírita, no aspecto filosófico, científico e religioso. Fundou e dirigiu a Revista Espírita, dedicada à defesa dos pontos de vista expostos no Livro dos Espíritos.
Allan Kardec faleceu em Paris, França, no dia 31 de março de 1869, vitima de um aneurisma. Seus restos mortais foram enterrados no cemitério de Montmartre.
Obras de Allan Kardec
Plano Proposto para Melhorias da Instrução Pública, 1828
Curso Prático e Teórico de Aritmética, 1824
Gramática Francesa Clássica, 1831
Catecismo Gramatical da Língua Francesa, 1848
Ditados Especiais Sobre as Dificuldades Ortográficas, 1849
O Livro dos Espíritos, Parte Filosófica, 1857
Revista Espírita, 1858
O Livro dos Médiuns, Parte Experimental e Científica, 1861
O Evangelho Segundo o Espiritismo, Parte Moral, 1864
O Céu e o Inferno, A justiça de Deus Segundo o Espiritismo,1865
A Gênese, os Milagres e as Predições, 1868
História Hoje: Programete sobre fatos históricos relacionados às datas do calendário. Vai ao ar pela Rádio Brasil Cultura de segunda a sexta-feira.

Inscrições abertas para prêmio de salvaguarda do jongo

Estão abertas as inscrições para a edição de 2018 do Prêmio de Salvaguarda do Jongo/Caxambu, destinado a grupos jongueiros e caxambuzeiros do Espírito Santo e a pessoas que atuam na salvaguarda dessa forma de expressão afro-brasileira. Serão premiadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), 10 iniciativas de caráter exemplar, com R$ 10 mil cada. As inscrições estão abertas até 1º de novembro.
O jongo, também chamado de caxambu ou tambu, reconhecido como Patrimônio Imaterial do Brasil, é uma manifestação cultural que integra a percussão de tambores, dança coletiva e elementos de espiritualidade. A salvaguarda de bens de natureza imaterial significa apoiar sua continuidade de modo sustentável, atuar para melhoria das condições sociais e materiais de transmissão e reprodução que possibilitam sua existência.
Existem hoje 22 grupos jongueiros identificados no estado do Espírito Santo. O fomento às iniciativas e ações dos jongueiros é uma reivindicação dos próprios praticantes, como forma de melhorar as condições sociais e materiais de transmissão e reprodução de saberes relacionados à manifestação.
Podem concorrer projetos de organização de festejos, celebrações ou expressões artísticas (dança, música, teatro, artes visuais); ações de intercâmbio entre os grupos; festivais; estruturação de Centros de Referência; compra ou manutenção de equipamentos e materiais; aquisição de instrumentos musicais; apoio a pesquisa e divulgação do jongo e do caxambu; produção bibliográfica; produção audiovisual; formação, mapeamento, conservação e disponibilização de acervos; ações educativas; formação; capacitação; transmissão de saberes (incluindo o apoio à grupos mirins); apoio à organização e à mobilização comunitária; seminários e encontros; e ações direcionadas para sustentabilidade dos grupos, com promoção da utilização sustentável dos recursos naturais.
Serviço
Prêmio Jongo e Caxambu no Espírito Santo
Inscrições: Até 1º de novembro
Acesse: http://portal.iphan.gov.br/

139 museus vão concorrer a 28 prêmios do Ibram para modernização de suas estruturas

O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), publicou nesta terça-feira (2) uma lista com 139 entidades museológicas aptas a concorrer a 28 prêmios de R$ 100 mil cada para desenvolverem projetos de modernização de museus. As instituições estavam entre as 197 inscritas no Edital de Chamamento Público Nº 1, de 5 de Julho de 2018, referente à Modernização de Museus – Prêmios, que disponibiliza um total de R$ 2,8 milhões para ações que vão desde digitalização do acervo até reforma da infraestrutura. Outras 58 entidades foram consideradas não aptas para a seleção.
Agora, uma Comissão de Seleção vai avaliar as iniciativas das instituições participantes cujas inscrições forem admitidas. O resultado final será publicado no Diário Oficial da União e divulgado no site do Ibram. Os recursos serão disponibilizados em parcela única em nome da instituição contemplada para desenvolvimento de ações de modernização.

O objetivo do edital é apoiar iniciativas voltadas à preservação do patrimônio museológico, implementadas por instituições museológicas ou mantenedores de museus constituídos como pessoas jurídicas de direito público estadual e municipal e pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos, com finalidade cultural, excetuando-se aquelas vinculadas à estrutura do MinC.

Entre as ações que poderão ser contempladas estão: preservação e digitalização de acervos museológicos; atividade editorial e curatorial em instituição museológica; capacitação de funcionários e gestores para atividades específicas no campo museológico; reforma, reaparelhamento e modernização de museus (infraestrutura); adaptação de espaços para acessibilidade de pessoas com mobilidade reduzida e pessoa com deficiência; ações para prevenção de riscos ao patrimônio museológico (como implementação de Plano de Gestão de Riscos, Plano de Emergência e Plano de Segurança para intervenções em bens imóveis), entre outras. Os recursos repassados às instituições contempladas neste chamamento público não poderão ser utilizados em serviços de manutenção administrativa.

Os interessados poderão entrar com recurso com relação à decisão da Comissão de Seleção, no prazo de cinco dias, contados a partir da data de hoje, com a publicação no Diário Oficial, conforme Formulário de Recurso (Anexo VI do edital) a ser enviado, exclusivamente, via e-mail, para o Ibram, ao endereço eletrônico: recurso.selecao@museus.gov.br, identificado com o Assunto: Recurso de Seleção Modernização de Museus – Prêmios.

Fonte: BRASIL CULTURA

terça-feira, 2 de outubro de 2018

EDUARDO VASCONCELOS-CPC/RN: "AUDIÊNCIA COM REITOR DO IFRN, WYLLYS TABOSA FOI SUPER PROVEITOSA!"

 Eduardo Vasconcelos - CPC/RN no momento da audiência com o Reitor do IFRN, WYLLYS TABOSA
 Audiência bastante proveitosa1

Após a chegada de Yara - presidenta da UEE/RN, pousamos para foto!
Ontem (1), o presidente do CPC/RN, Eduardo Vasconcelos foi recebido pelo reitor do IFRN WYLLYS TABOSA, cuja pauta foi solicitação de doação de materiais permanentes e um outro documento solicitando apoio a luta dos residentes da Casa dos Estudantes do Rio Grande do Norte, que sofrem pedido de intervenção na referida casa.

O primeiro pedido, foi protocolado e despachado para o setor competente e o segundo o reitor se prontificou a levá-lo para o Conselho de Reitores (IFRN/UFRN e UERN), que ocorrerá próxima semana, o que fortalecera ainda mais as lutas dos estudantes.

Eduardo Vasconcelos acompanhado da presidenta da UEE;RN (União Estadual dos Estudantes) de nível superior, YARA, que chegou posteriormente.

Após a audiência, Eduardo e Yara foram contactar autoridades judiciarias para marcar audiência, na pauta a CERN e em seguida fizeram uma ligeira reunião de avaliação do dia de hoje, ficando uma próxima na quinta feira.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Carta dos Povos Indígenas do Cerrado e da Caatinga – Desafios para a Gestão Ambiental e Territorial das Terras Indígenas


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(foto da capa: Terra Indígena do Povo Xavante - Edison Bueno/Funai)
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Os biomas Cerrado e Caatinga, riquíssimos em biodiversidade e provedores de importantes serviços ambientais, encontram-se há séculos ameaçados por vários ciclos econômicos e atualmente sofrem com o avanço do agronegócio e de grandes projetos de desenvolvimento. Ao mesmo tempo, apresentam alta vulnerabilidade aos efeitos das mudanças do clima, que ameaçam tanto os ecossistemas como o bem-estar de suas populações.

O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul. Representa um quarto do território brasileiro e compreende uma área de aproximadamente 2.000.000 km², abrangendo 12 estados. Além disso, está presente através de enclaves nos biomas da Mata Atlântica, Caatinga e Amazônia. Embora detenha 5% de toda a biodiversidade mundial, nas últimas cinco décadas 48% de sua cobertura nativa já foi convertida em monoculturas. As 109 Terras Indígenas que estão no Cerrado correspondem a uma área de 8.876.227 hectares, isto é, 4,35% do bioma, além de outras áreas em reivindicação e regularização. Elas são as áreas mais preservadas e têm um papel fundamental para a conservação ambiental do Cerrado. Em um cenário de transformações sociais e de pressões externas, a gestão territorial e ambiental das Terras Indígenas no Cerrado é uma agenda estratégica para os povos indígenas e para o país.

Diante desse cenário, a Funai, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Fundo Clima, lançou em 2014 a Chamada Pública Implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas – PNGATI (Edital nº 001/2014 – BRA PNGATI 13/019). A ação visou apoiar a elaboração de Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) nas Terras Indígenas dos biomas Cerrado e Caatinga e selecionou 14 projetos, que contemplaram 21 Terras Indígenas dos povos Terena, Karajá, Xavante, Bakairi, Kaxixó, Tapeba, Kapinawá, Xakriabá, Tremembé, Tapuio, Xerente, Pankararu, Kambiwá e Guajajara. Esses projetos abrangeram 785.152 hectares no Cerrado e 65.621 hectares na Caatinga, alcançando aproximadamente 39 mil pessoas nesses dois biomas.
Considerando ainda esse contexto, com base no resultado da Chamada de Apoio a Elaboração e Implementação de PGTAs do Fundo Amazônia, a Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável (SEDR/MMA) constatou a necessidade de elaborar um edital específico para o Estado do Maranhão. Em 2016, com recurso do BRA 08/012 do MMA, a SEDR lançou o edital Chamada Pública de Apoio a PGTAs no Estado do Maranhão. Para essa chamada, foram selecionados cinco projetos nas Terras Indígenas Caru, Governador, Canela, Porquinhos e Turiaçu.
A Caatinga é o bioma predominante na região Nordeste, ocupa 844.453 Km² e é o único bioma exclusivamente brasileiro. Entre os biomas de clima semiárido do mundo, é o mais biodiverso, com uma grande riqueza de ambientes de flora e fauna que caracterizam a paisagem de 10 estados do Brasil. Habitam hoje na Caatinga, 45 povos indígenas com uma população em torno de 90 mil habitantes. São 36 Terras Indígenas em diferentes situações fundiárias, numa área total 139.086 hectares. Elas têm em comum a caraterística de serem áreas reduzidas e sofrerem intensas pressões de projetos de mineração, agropecuária, hidroelétricas, usina nuclear, parques eólicos, linhas de transmissão de energia, rodovias, ferrovias, entre outros, que geram degradação sociocultural e socioambiental.
Os territórios indígenas cumprem papel central na conservação do Cerrado e da Caatinga e conectam diferentes biomas do país. Prestam importantes serviços ambientais como a manutenção de recursos hídricos, contenção do desmatamento e redução das emissões de carbono na atmosfera. Além de serem responsáveis pelas áreas protegidas mais bem conservadas nesses biomas, os povos desses territórios são detentores de conhecimentos e de práticas tradicionais de manejo, recuperação e conservação dessa biodiversidade.

(continuação: página 2)
Fonte: FUNAI

Edital de Bibliotecas Digitais: confira o resultado preliminar

O (MinC) divulgou no Diário Oficial da União, o resultado preliminar da fase de avaliação e seleção do Edital de Bibliotecas Digitais 2018. Das 86 propostas recebidas, 19 foram selecionadas.
O edital busca criar o conceito de Bibliotecas Digitais em bibliotecas públicas estaduais, municipais e do Distrito Federal. Os selecionados poderão adquirir leitores de livros digitais (e-readers), licenças e direitos para acesso digital a conteúdos e livros, além colocar em prática de ações de modernização e adequação de suas estruturas.
Os proponentes não selecionados que queiram entrar com pedido de reconsideração (recurso) têm até amanhã, terça -feira (2/10) para enviar o pedido, conforme o Anexo III do edital, preenchendo e enviando o referido documento para o e-mail edital.bibliotecasdigitais@cultura.gov.br. O campo de assunto da mensagem deve constar a seguinte informação: RECURSO AVALIAÇÃO. Após o período de interposição e análise dos recursos, será divulgado o resultado final do chamamento.
A Comissão de Avaliação e Seleção analisou todos os projetos habilitados e classificou aqueles que conseguiram atingir ao menos 12 pontos – pontuação mínima exigida conforme estabelecido no edital. Cada projeto foi avaliado por dois comissários e as notas foram somadas e dividas por dois, de modo a determinar a média final.
O edital Bibliotecas Digitais 2018 integra o Programa Leitura Gera Futuro, que inclui outros dois editais, voltados à realização de feiras literárias e à publicação de livros com temática relacionada aos 200 anos da Independência do Brasil. No total, os três editais preveem investimentos de R$ 6 milhões. No caso do Edital de Bibliotecas Digitais 2018, cada projeto selecionado receberá R$ 100 mil

Acesso rápido

IV SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PALEOINVERTEBRADOS - RIO DE JANEIRO/RJ

Mesmo diante da tragédia que se abateu sobre o Museu Nacional, a Comissão Organizadora do IV SBPI reforça que o evento será realizado na data prevista. Caso haja necessidade de alteração de local, os inscritos no evento serão previamente informados.

Fonte: MUSEU NACIONAl

Marilena Chauí e o neoliberalismo

A professora Emérita da USP e filosofa Marilena Chauí — ex secretária municipal de Cultura de São Paulo durante a gestão Luiza Erundina (1989-1992) — participou no último dia 14 de setembro de um seminário internacional patrocinado pela Fundação Perseu Abramo onde se debateu as “Ameaças à Democracia e a Ordem Multipolar”.
Ao seu lado estiveram presentes o ex-ministro de Relações Exteriores da França, Dominique de Villepin, o ex-Primeiro Ministro da Itália, Massimo D’Alema, o ex-Diretor Adjunto da UNESCO, o senegalês Pierre Sané, e Jorge Taiana, ex-Ministro de Relações Exteriores da Argentina. No início de sua palestra, a professora Chauí ousou dizer que não entendia nada de multilateralismo, mas que poderia falar da questão democrática, que ela assegurou ser a “sua praia”. Na verdade, como se poderá ver em seguida, ela tem ideias muito bem desenvolvidas não só a respeito do multilateralismo, mas dos processos em curso de aplicação do neoliberalismo no mundo e no Brasil.
A professora Chauí começou sua exposição contextualizando a crise na qual o país está engolfado depois do golpe perpetrado contra o mandato da ex-presidenta Dilma Rousseff, em fins de 2016, como sendo um momento trágico. Disse que o Brasil vive um processo de desinstitucionalização da República e de desmontagem da democracia sob a égide da economia política neoliberal. Em seguida, Chauí procurou conceituar o significado de dois termos importantes para sua argumentação: os conceitos de Instituição e de organização.
Instituição é uma ação e uma prática social, que é fundada no reconhecimento público da sua atividade e de suas atribuições, explica a professora. Uma instituição é estruturada por ordenamentos internos, por regras e normas, por valores de reconhecimento e de legitimidade. Organização difere da instituição, porque ela se define por uma outra prática, diz Chauí, pela prática da instrumentalidade e pela ideia de operação. Ela se concretiza através de meios que são utilizados para atingir objetivos pre determinados, levando em conta a gestão, o planejamento, a previsão e o controle para se conseguir êxito. A marca da organização é que ela opera num tempo determinado e delimitado — e não tem relação com a temporalidade histórica. Terminada essa operação, dá-se início a uma nova operação, sem conexão com a anterior.
Marilena Chauí sintetiza, nesta altura de sua fala, que a instituição é o locus da continuidade histórica, enquanto a organização é a área da fragmentação, da particularização. O neoliberalismo, segundo a filosofa, opera com a organização e a destruição das instituições. É assim que estamos assistindo a desinstitucionalização no Brasil, ou seja, a substituição das instituições pelas organizações. O neoliberalismo tem uma particularidade, explica Chauí, não se trata de uma mutação histórica do capitalismo com a passagem da hegemonia econômica do capital produtivo para o capital financeiro. O neoliberalismo é uma mutação sócio-política: é a nova forma do totalitarismo.
O que caracteriza o totalitarismo — na concepção de Chauí — não é a do chefe autocrata, como fazem crer os filmes de Hollywood, e não é fundamentalmente a presença do racismo, do nacionalismo. Estes fenômenos diz ela, estão à margem do totalitarismo. A questão é que o totalitarismo transforma todas as instituições sociais em uma única instituição homogênea: ele torna a sociedade indiferenciada, totalizando a sociedade inteira.
A forma pela qual o neoliberalismo totaliza a sociedade contemporânea completamente se dá através de um tipo determinado de organização: a empresa. A escola se transforma numa empresa, conclui Chauí, o Centro Cultural vira uma empresa, a cultura é encarada como empresa, assim como o próprio Estado. O que se dá é o bloqueio da diferenciação interna, das práticas pelas quais ela se realizam, ou em harmonia ou em conflito, em reconhecimento ou não-reconhecimento. Seguindo esse raciocínio, Chauí demonstra que o que é fundamental para a existência da democracia — que é a necessidade e a legitimidade da diferença e do conflito — isso é apagado sob o manto da homogeneidade da sociedade e da política como empresas. Desta maneira é que se processa da institucionalização à organização. Este é o fundamento do pensamento totalitário que estrutura a sociedade como empresa.
Esta concepção se dá não somente ao nível das instituições, pondera a filosofa, mas também no surgimento de uma ideologia peculiar que vai ajudar a compreensão do porque aparece o ódio, o ressentimento, o medo. O problema é que agora temos apenas indivíduos e não classes sociais, ou coletivos de pessoas. O indivíduo passa a ser o empresário de si mesmo. É o surgimento de um neo-calvinismo, onde reina o princípio universal da concorrência e da competição, uma verdadeira luta mortal onde impera a meritocracia. Como consequência, essa configuração explica certo tipo de comportamento nas redes sociais, onde polulam a pós-verdade e as fake news, fruto de uma subjetividade narcisista e propensa à depressão. Por outro lado, a inculcação da culpa naqueles que eventualmente perdem a competição, desencadeiam sentimentos de ódio e ressentimentos de todo o tipo como referido acima — particularmente contra imigrantes, migrantes, sindicalizados, os negros, mendigos, e os LGBT.
Os efeitos dessa estruturação organizacional é a destruição da concepção de que as pessoas são parte de algo, de uma classe, destruindo qualquer resquício de solidariedade humana, diz Marilena Chauí. Não é por acaso que vivemos um processo de deterioração da democracia sob o neoliberalismo, quando se dá a passagem da instituição para a organização. Isso significa que o Estado deixa de ser considerado uma instituição pública regida pelos princípios e valores democráticos e republicanos. Passa, assim, a ser encarado como uma empresa, onde se verifica o encolhimento do espaço público — da democracia e da república — e o alargamento do espaço privado. É em função disso que a política passa a ser encarada como uma questão técnica, administrativa, que deve ficar nas mãos de “técnicos competentes”. Passa-se a exigir que o governante se transforme num gestor.
Como desdobramento destas ideias a política neoliberal, segundo Chauí, passa a destinar os fundos públicos para o pagamento de dívidas, sendo que se procura cada vez mais eliminar os direitos do cidadão, em proveito de interesses privados, transformando na verdade os direitos em serviços, definidos pela lógica do mercado. Trata-se da privatização dos direitos, transformados em serviços, comprados e vendidos no mercado. Essa é a política que está em operação no Brasil, que apunhala a democracia por seus dois pilares: o conflito e a criação de direitos.
Quais são as consequências desse processo? Pergunta a professora. E ela mesma responde, dizendo que em primeiro lugar é o fim da democracia social, com a privatização de direitos. Em segundo, trata-se do fim da democracia representativa, na medida em que a política é encarada como gestão. A política deixa de ser encarada como uma prática, na qual os indivíduos são considerados gestores. A figura do Parlamento deixa de ter sentido. Ele se torna algo menor que tem como função policiar os interesses de fulano e beltrano. A função legislativa tal como ela é concebida numa Republica representativa desaparece, ou está em vias de desaparecimento no Brasil com a judicialização da política.
A judicialização é o efeito do neoliberalismo na política, na medida que a política é pensada de maneira empresarial e como um jogo de interesses privados. Como no mundo empresarial os conflitos são resolvidos?, pergunta a professora Chauí. Os conflitos dentro da empresa e entre empresas, diz ela, são resolvidos pela via jurídica. A judicialização que estamos assistindo no Brasil, lembra Chauí, não é um destempero de um bando de ignorantes ou malucos completamente servis, ela é mesmo a maneira de resolução dos problemas da política neoliberal. Judicializar é neutralizar qualquer possibilidade de dar voz e legitimidade ao conflito. É por isso que as eleições estão da forma como estão, conclui Chauí. Elas se tornaram um problema para a política neoliberal, porque não se esperava que depois de tudo feito, o impeachment de Dilma e a prisão de Lula, que ainda haveria vigor político de esquerda na sociedade brasileira que pudesse renascer. Por isso, argumenta Chauí, não devemos acreditar em leis históricas inexoráveis, nem o destino, nem a providência divina. Nós podemos mudar as coisas e a prova disso é a realidade atual, explica a professora.
Por fim, Marilena Chauí resolveu dar uma opinião sobre o multilateralismo. Diz ela que em consequência da nova forma assumida pelo imperialismo, o multilateralismo está sendo atacado de várias maneiras. Num primeiro momento, no pós-Segunda Grande Guerra, vivemos um período bipolar. Depois passamos a um mundo multipolar, na era da globalização. E, finalmente, chegamos a um novo imperialismo. Porque ele é de novo tipo? Responde Chauí: em primeiro lugar o paradigma deste novo imperialismo não é mais o capital produtivo, que exige uma ocupação de territórios no nível da própria infraestrutura. Ele passa a ter como paradigma o capital financeiro, que não precisa de infraestrutura territorial. O novo imperialismo opera com a destruição do multilateralismo. E também opera não mais com uma ocupação política de sua infraestrutura, mas com operações em determinado local de um território para exploração temporária, delimitada, ocupando através de suas empresas. Trata-se de uma operação com objetivo determinado. A organização delimita o seu êxito ou o seu fracasso. Esse é o modelo neoliberal: abocanhar o petróleo do Pre-Sal, a Embraer, a Embratel entre outras empresas.
Desta forma o novo imperialismo não precisa mais ter um plano para o mundo. O novo imperialismo é pontual e específico, e Donald Trump precisa apenas manter o poder dos Estados Unidos. Não precisa mais invadir outros países, mas apenas organizar operações em determinadas geografias. Note-se, assim, que a professora Marilena Chauí tem opiniões consistentes sobre o multilateralismo na atual conjuntura mundial.
Pedro de Oliveira
* Jornalista e assessor da presidência do PCdoB

domingo, 30 de setembro de 2018

06 ANOS SEM VOCÊ, FERNANDO LUIZ DE SOUZA!!! FERNANDO, PRESENTE!!!

Foto: EDUARDO - FERNANDO LUIZ DE SOUZA

Fernando Luiz de Souza (Fernando da Fundação), Fernando da AMES, do CPC/RN, da ANE/RN, hoje fazem 6 anos que você nos deixou! Falta algo dentro de nós... VOCÊ!

Hoje nos momentos felizes e nos momentos tristes sempre lembramos de você! Uma pessoa pronta para ajudar, dialogar, dá conselhos e evidentemente discordar quando fosse preciso.

Cada evento que promovemos ou participamos, vem sua lembrança! És uma pessoa única para nós, por isso que tua chama nunca apagará para nós!

Aqui vamos levando a vida como ela quer, mas seria bem melhor que estivesse conosco, mas quem somos nós, pois o nosso DEUS te chamou e hoje tu nos observa, nos protege e torce por nós aqui na terra!

Desculpa amigo, pelas raivas que ti fazia, mas você estava ali, sempre levando na esportiva! Hoje, FERNANDO aqui não é mais igual sem você, por isso sentimos tanto sua falta!

Só ns resta olhar para o CÉU e obsevar você em forma de UMA ESTRELA que BRILHA INTENSAMENTE PARA NÓS! A estrela NANDO!

Me despeço pedindo a DEUS que proteja sempre a sua alma!

Fica com DEUS, MEU IRMÃO CAMARADA, FERNANDO LUIZ DE SOUZA!

Saudades

EDUARDO VASCONCELOS

Brasil - Manifestação das mulheres instaura nova etapa das eleições



As manifestações das mulheres – que reuniram ao todo centenas de milhares por todo o país e também no exterior contra o candidato fascista Bolsonaro – são o grande acontecimento da campanha eleitoral neste primeiro turno das eleições.


Essa ampla e vigorosa mobilização #EleNão, que ocupa as redes sociais e transbordou para as ruas, representa uma decidida tomada de posição contra o que representa Bolsonaro: a mais forte ameaça contra a democracia, contra os direitos das mulheres e da classe trabalhadora, desde o fim da ditadura militar em 1985.

Dia 29 de setembro é um marco divisor destas eleições.

O brado #EleNão reverberado por um coral de centenas de milhares de vozes, com a força e a legitimidade das mulheres brasileiras, fez um chamado, uma convocação, ao conjunto das forças democráticas e progressistas a não se omitirem, conclamando uma firme atitude democrática diante das ameaças representadas pela chapa fascista. 

A mensagem do 29 de setembro, do #EleNão, é clara: o fascismo é uma ameaça real, que deve ser enfrentada e derrotada. A tarefa, neste momento, é enfrentar o fascismo e derrotá-lo nas ruas, nas ideias, e sobretudo nas urnas.

O êxito dessas manifestações vem da amplitude, aglutinando mulheres de classes sociais diversas, com ou sem militância política, muitas apoiadoras de diferentes candidaturas presidenciais. 

O ponto convergente é o repúdio ao que representa a chapa Bolsonaro-Mourão, bradando um forte e uníssono “não” à barbárie e à regressão civilizatória. 

A Manifestação das Mulheres Unidas contra Bolsonaro, ao se posicionar frontalmente contra a ameaça fascista, puxa todas as correntes políticas que se pautam pela democracia para um movimento ainda mais amplo, destinado a liquidar qualquer possibilidade de vitória dessa chapa nas urnas.

Bolsonaro, em que pese ter parado de crescer nas pesquisas, salvo algo imponderável, irá para o segundo turno quando será confrontado por uma candidatura única do amplo campo da democracia, da Nação e da classe trabalhadora.

Diante dessa probabilidade, essas manifestações, de certa forma, antecipam o cenário da campanha pós-7 de outubro. 

Objetivamente, a partir de hoje, o primeiro turno entrelaça-se com o segundo turno. Está instaurado o embate entre democracia e fascismo, liberdade e ditadura, entre direitos e império do rentismo. 

Nesse cenário, agiganta-se a importância da chapa Fernando Haddad-Manuela d’Ávila; não sem motivo em franca ascendência nas pesquisas de intenções de votos. Pelo seu programa popular, patriótico, pela tradição democrática dos partidos de esquerda coligados, pela tradução pulsante do ciclo de governos progressistas dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. São condições que chamam todos os setores da sociedade comprometidos com a democracia, com os direitos, com a civilização e com o futuro digno para as brasileiras e os brasileiros, a se unirem desde agora nesse amplo movimento democrático que irrompe com as manifestações das mulheres. 

Manuela d’Ávila, como candidata a vice-presidente, fez um amplo convite à marcha e participou, na linha de frente, do ato na cidade de São Paulo, o maior do Brasil, sendo acolhida de forma entusiástica e carinhosa. Fernando Haddad, candidato a presidente, disse que as mulheres e a juventude serão prioridade caso seja eleito. Disse, também, que Manuela d’Ávila, como vice-presidenta, terá o papel destaque no governo.

Personalidades de diferentes áreas, como juristas, religiosos, lideranças avançadas do povo e dos trabalhadores, mesmo com divergência com aspectos da chapa Fernando Haddad-Manuela d’Ávila, já se manifestaram publicamente contra qualquer retrocesso democrático, numa demonstração de que esse campo pode se alargar ainda mais. 

A democracia como alicerce de um projeto de nação é um valor político incondicional. Sem ela não é possível falar em qualquer projeto de desenvolvimento do país, de nação. 

Se a intolerância, o arbítrio e a violência, como forma de governo e prática social, triunfarem, a grave crise que sufoca o país se agravará. O Brasil tem experiências amargas que mostram os resultados trágicos da imposição de regimes autoritários e de feição fascista.

As brasileiras e os brasileiros precisam de um novo governo que promova a união, o diálogo, a paz e a tolerância. Um governo verdadeiramente democrático capaz de criar uma ampla convergência para retirar o país da crise e remover as travas que impedem o progresso do país.

A chapa Bolsonaro-Mourão representa exatamente o oposto dessa plataforma política, é uma reedição, com novas roupagens, de regimes arbitrários e sanguinários de triste memória. 

A democracia, a restauração do Estado Democrático de Direito e o respeito à soberania do voto (Bolsonaro chegou ao ponto de dizer que só reconhece o resultado das urnas se este lhe for favorável) devem ser a prioridade, o ponto de destaque para se constituir desde já uma ampla frente contra o fascismo. 

A chapa Fernando Haddad presidente, Manuela d’Ávila vice, está credenciada e chamada a liderar a formação desta ampla frente desde já.

As mulheres brasileiras fizeram o mais difícil: abriram o caminho. Cabe ao conjunto das forças progressistas e democráticas segui-las e marchar, lado a lado com elas, pela democracia, pelo Brasil, por uma vida digna aos brasileiros e brasileiras.

#EleNão, democracia sim!


 Do Portal Vermelho

UFRN: Ofício de uma nação democrática

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Imagem do Google
Williane Silva de Ascom – Reitoria/UFRN
Neste nono capítulo da série especial alusiva aos 60 anos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a Assessoria de Comunicação da Reitoria da UFRN realça a relevância da gente que faz a UFRN ser, nos seus 60 anos, um dos agentes propulsores do desenvolvimento econômico e social do Rio Grande do Norte: os seus servidores. Não apenas, trazemos a programação do mês do servidor, que neste ano traz o tema ‘Eu mudo pelo mundo’. 
O serviço público vai além de um trabalho, pois o seu exercício tem como principal objetivo cuidar da população, de forma a consolidar a soberania nacional, contribuir para o desenvolvimento sustentável do país e, dessa forma, construir uma sociedade democrática, onde todos os cidadãos tenham suas necessidades e anseios atendidos de forma digna.
Com raízes na época do Império, o serviço público brasileiro tem evoluído em vários aspectos ao longo dos anos. A começar pelo ingresso na carreira pública, que se dava pela troca de favores ou apadrinhamentos, fazendo com que o interesse coletivo ficasse muitas vezes em segundo plano. Hoje, consolidando o princípio da equidade ou igualdade, a entrada se dá por meio de concurso público. Nessa perspectiva, os trabalhadores do povo devem guiar seu serviço pela moralidade, impessoalidade, publicidade, eficiência e legalidade, conforme o Artigo 37 da Constituição Federal Brasileira.
Embora existam críticas ao serviço público, relacionadas à falta de recursos ou de profissionais, aos trâmites burocráticos ou ainda sobre o mau atendimento à população, encontram-se exemplos de dedicação ao trabalho. Um desses casos é o do professor do Centro de Ensino Superior do Seridó (Ceres-Currais Novos) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Márcio Vieira da Silva, que traz a superação e as oportunidades como ingredientes especiais da sua trajetória profissional (confira depoimento abaixo).

O docente começou a trabalhar na Universidade em 2015, mas antes desempenhou diversas atividades na vida. Ainda na infância ajudava o pai na agricultura e no manejo do gado; aos 15 anos, trabalhou com cerâmicas e, com 19 anos, passou no concurso da Prefeitura de Currais Novos para Servente de Obras, fato que o deixou muito orgulhoso, pois foi o primeiro filho a se tornar servidor público. Obs. Não foi possível baixar o vídeo. CPC/RN.

Quem observa Márcio Vieira da Silva na biblioteca, nem imagina que, apesar de sonhar que iria trabalhar com construção, nos seis anos e 11 meses de serviço no município, o hoje docente auxiliou coveiro, sepultou corpos, recolheu lixo e limpou mato e esgoto. Foto: Bruna Krummenauer


Nesse período, Márcio conta que ainda não tinha o Ensino Médio. Contudo, em um dia de trabalho, fazendo serviço de limpeza no esgotamento sanitário, caiu em uma caixa de gordura e ficou com boa parte do corpo coberto por esgoto. Esse episódio fez com que ele quisesse mudar de profissão e estudar, até que foi aprovado no vestibular da UFRN para cursar Matemática no município de Caicó, sendo mais uma vez o primeiro da família a fazer faculdade. Contudo, o recém-aprovado se viu com uma família para sustentar, trabalhando o dia todo, ganhando pouco e tendo que estudar em outra cidade. “Naquele período, nós não tínhamos os auxílios que temos hoje na universidade e que são muito importantes para a permanência do aluno”, conta, lembrando-se das dificuldades que passou para terminar o curso em 2005.
Em seguida, fez concurso para professor da rede estadual e para substituto da UFRN, sendo aprovado nas duas seleções. Foi aí que ele encontrou a docência, como profissão que considera sua vocação, e começou a se preparar para ser professor efetivo. Fez o Mestrado Profissional em Matemática (Profmat) e prestou concurso, sendo aprovado e, hoje, é docente do Magistério Superior.
Nesses 60 anos, a UFRN foi e é palco de muitas histórias de sucesso pessoal e profissional de personagens que contribuem para o crescimento e consolidação da instituição sexagenária. Outro exemplo de dedicação ao trabalho é o técnico-administrativo José Domingos de Oliveira, um dos servidores ativos mais antigos da universidade, que completa 45 anos de serviço neste mês de outubro. “Macarrão”, forma como ele é chamado carinhosamente pelos colegas, é o atual diretor de Orçamentos da Diretoria de Contabilidade e Finanças (DCF-UFRN) e observa que, ao longo das décadas, a instituição de ensino cresceu bastante. (confira depoimento acima).Obs. Não foi possível baixar o vídeo. CPC/RN.
“Na minha época era tudo manuscrito ou datilografado, hoje a informática mudou tudo e melhorou bastante, mas também foi um desafio”, conta sobre as principais transformações na sua área. Apesar de já ter tempo de serviço suficiente para solicitar a aposentadoria, Macarrão diz que nunca quis parar de trabalhar porque gosta do que faz. “Para mim, a UFRN é tudo porque da Universidade é que eu criei minhas filhas, que hoje estão encaminhadas na vida. Tenho uma casa própria, um carro e uma moto. A Universidade, como todo mundo diz, é uma mãe e para mim ela também foi”.

“Macarrão” guarda orgulhoso algumas relíquias, como um dos seus primeiros contracheques. Ao ser questionado sobre o segredo para se manter ativo por tantos anos, o servidor considera que é gostar do que faz e diz “adorar isso aqui”, além de se sentir bem na UFRN. Contudo, Macarrão confessa que está se preparando para deixar o trabalho, visto que a aposentadoria compulsória – a idade máxima para permanência no serviço público corresponde aos 75 anos de idade – está se aproximando para ele. Foto: Bruna Krummenauer.

Mês do Servidor
Para homenagear esses trabalhadores pelo Dia do Servidor Público, comemorado em 28 de outubro, a UFRN preparou uma programação alusiva à data que segue durante todo o mês de outubro com diversas atividades em todos os campi, como campanhas, oficinas, mesa-redonda, corrida, feira, entre outras atividades. Segundo a coordenadora de Qualidade de Vida no Trabalho – Viver em Harmonia, Gilvânia Morais, este ano o slogan é “Eu mudo pelo mundo”, abordando duas temáticas: O protagonismo do servidor nos 60 anos da UFRN e a Agenda 2030 e seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). “Estamos no oitavo ano de comemoração do dia do servidor na UFRN. No primeiro ano, começou como a semana do servidor e só contemplava o Campus Central. Mas, a partir de 2012, identificamos que precisávamos contemplar um mês, em todos os campi, porque o servidor merece”, explica.
Após definida a temática, a programação foi elaborada. Dessa forma, foram escolhidos alguns ODS para nortear a programação, como os Objetivos relativos à fome zero e agricultura sustentável; saúde e bem-estar; educação de qualidade; igualdade de gênero; redução das desigualdades; cidades e comunidades sustentáveis e consumo e produção responsáveis. As novidades deste ano são uma mesa-redonda sobre diversidade; a arrecadação de cabelo e lenços, devido à Campanha do Outubro Rosa; além de homenagem aos servidores que se aposentaram em 2018, ano do sexagenário da UFRN, e aos que atingiram o nível “Supera” na avaliação de desempenho. Confira a programação do Mês do Servidor clicando aqui ou no site: www.mesdoservidorufrn.com.br.
Qualidade de Vida no Trabalho
 Atualmente, a instituição de ensino conta com 5.889 servidores do quadro permanente, sendo 2.780 docentes e 3.109 técnico-administrativos. Com o objetivo de despertar na instituição a adoção de ações e práticas que promovam o bem-estar no trabalho de maneira sustentável e duradoura, a Política de Qualidade de Vida no Trabalho da Universidade Federal do Rio Grande do Norte foi institucionalizada em abril de 2017, pelo Conselho de Administração (Consad). No mesmo ano, houve ainda a aprovação do programa Viver em Harmonia – Programa de Qualidade de Vida no Trabalho, cuja competência é coordenar, executar e acompanhar ações de promoção à satisfação e reconhecimento socioprofissional, relações interpessoais harmoniosas, um ambiente laboral saudável e um equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal.
De acordo com a pró-reitora de Gestão de Pessoas (Progesp/UFRN), Mirian Dantas dos Santos, os projetos vinham sendo realizados desde 2012, mas foram institucionalizados em 2017, com ações de promoção da saúde e segurança no trabalho, desenvolvimento de pessoas, lazer e vida social, além de práticas de gestão do trabalho. Entre as principais conquistas dos últimos anos, a gestora citou a política de desenvolvimento e qualificação, com os programas de mestrado profissional, a reserva de vagas nos programas de pós-graduação e o desenvolvimento de um curso de graduação para os servidores; o investimento na gestão de pessoas, garantindo os direitos, com a concessão dos benefícios no menor tempo possível, por exemplo; houve ainda a ampliação de espaços para a voz dos servidores com o fortalecimento dos fóruns e dos comitês, que junto à criação do Escritório de Ideias garantem a participação e a representatividade de todos nas decisões.
Já sobre as metas para os próximos anos, Mirian diz que estão relacionadas à busca e oferta de um ambiente de bem-estar visando às relações, o desenvolvimento da política de capacitação e qualificação, a construção de um ambiente de trabalho onde as pessoas se identifiquem e encontrem um significado para o trabalho, além do repeito à diversidade e à inclusão, e no incentivo aos trabalhos colaborativos.
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Reportagens e Saberes é produzido pela Assessoria de Comunicação da Reitoria da UFRN – ASCOM/UFRN

Reitora: Ângela Maria Paiva Cruz
Vice-Reitor: José Daniel Diniz Melo
Assessor de Comunicação: Wilson Galvão de Freitas Teixeira
Jornalistas: Marina Ferreira Gadelha e Williane Elayne Ricardo da Silva
Fotografia: Cícero Oliveira Júnior
E-mail: ascom@reitoria.ufrn.br

Fonte: http://www.ufrn.br/imprensa/reportagens-e-saberes/20254/oficio-de-uma-nacao-democratica.

Obs. NÃO FOI POSSÍVEL BAIXAR O VÍDEO. - CENTRO POTIGUAR DE CULTURA.