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segunda-feira, 1 de abril de 2019

#DitaduraNuncaMais: 10 fatos reveladores sobre a morte de Edson Luis

Jornada de Lutas nesta quinta (28/3) homenageia o estudante, o primeiro de centenas de jovens mortos durante a Ditadura Militar, em 28 de março de 1968.
Na última quinta-feira, 28 de março, o assassinato do secundarista Edson Luís completou 51 anos com atos de estudantes em todo o Brasil. Tratatou-se da tradicional Jornada de Lutas da Juventude, que homenageia o estudante anualmente e reivindica melhorias para a educação. Este ano, o tema é “Mais democracia, menos mordaça”, em protesto contra a Lei da Mordaça.
O episódio Edson Luis é apenas uma das brutalidades acontecidas durante a Ditadura Militar (1964-1985). Apesar do período de exceção e totalitarismo ser reconhecido dessa forma pelos livros de história, o atual governo brasileiro, comandado por Jair Bolsonaro (PSL), insiste em “comemorar” o início do regime, em 1º de abril de 1964.
Conheça a história de Edson Luís e entenda por que os “Anos de Chumbo” colocaram fim à democracia e aos direitos humanos no Brasil.

 1. NAQUELE ANO, MANIFESTAÇÕES E ORGANIZAÇÕES ESTUDANTIS ERAM PROIBIDAS

A primeira coisa que os militares fizeram, no dia seguinte ao Golpe Militar de 1964, foi fechar as entidades estudantis e demolir a sede da UBES e da UNE.
Desde então, foram reprimidos todos os protestos por uma educação pública de qualidade ou que questionassem o regime.
Mesmo assim, estudantes insistiam para ter expressão. Marcavam protestos relâmpagos, tentavam driblar policiais e agentes infiltrados nos movimentos, apanhavam e resistiam.
Circulava um “manual do protesto” distribuído pelo Comando Intelectual, com recomendações como “ir em jejum” e usar “leite de magnésia em torno dos olhos, para anular o gás”.

2. MATARAM UM ESTUDANTE COMUM

Sabe quando tentam dizer que “na ditadura só morria quem fazia coisa errada”? Pois é. Edson Luís de Souto Lima, 17 anos, saiu de Belém (PA) e só queria cursar a escola técnica no Rio de Janeiro. Era a maior perspectiva de estudos para os pobres, que nem sonhavam com universidade.
Filho de lavadeira, ele fazia bicos de faxina para se manter e comia no restaurante universitário Calabouço, para jovens de renda baixa.

3. MORREU POR QUERER ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL

Estudantes tentam protestar na frente do Restaurante Calabouço (Acervo O Globo)
Edson fazia parte da FUEC – Frente Unida dos Estudantes do Calabouço. No dia em que morreu com um tiro, policiais tentavam reprimir um protesto pelo preço da comida do Calabouço.
Uma mentira que insistem em repetir sobre a ditadura é que “as escolas eram melhores”. Veja só: em 1969, a Emenda Constitucional número 1 desobrigou o Estado de reverter 12% do PIB para Educação. O percentual caiu de 7,6%, em 1970, para 4,31%, em 1975. Ficou em 5% em 1978. Quem podia começou a ir para escola particular. E ai de quem reclamasse.

4. EDSON NÃO FOI O ÚNICO MORTO NAQUELE DIA

Benedito Dutra também levou um tiro da polícia militar. Também foi em seguida levado até a Assembleia Legislativa pelos colegas, que temiam que os policiais sumissem com os corpos. Lá, um deputado médico viu que Benedito tinha vida. Ele chegou a ser internado em um hospital, por isso não foi velado com Edson, mas acabou falecendo no dia seguinte.

5. O RIO DE JANEIRO PAROU POR UM ESTUDANTE

Multidão abre caminho para caixão de Edson Luís na Cinelândia, em 29 de março de 1968
No velório de Edson Luís, pela primeira vez em quatro anos, desde o Golpe de 1964, a população em peso foi às ruas indignada.
“Mataram um estudante. Podia ser seu filho”. A manchete chocou até a classe média, que compareceu na Cinelândia naquele 29 de março.

6. NA MISSA DE SÉTIMO DIA, POLICIAIS CERCARAM A IGREJA

Cenas de horror: na missa de sétimo dia de Edson Luís, a cavalaria da polícia cercava a Candelária
Incomodado com o levante popular, o Exército baixou medida: “As autoridades não permitirão atos públicos após as missas”. No sétimo dia de Edson Luís, a Igreja da Candelária foi cercada pela cavalaria, em uma cena assustadora, e os presentes só puderam sair cercados pelos padres.

7. DEPOIS DE EDSON LUÍS, CEM MIL FORAM ÀS RUAS

Passeata dos Cem Mil, em junho de 1968. Artistas, intelectuais e clero com estudantes
O acirramento entre estudantes e Exército só aumentou, com mais protestos relâmpagos e mais violência explícita. A Passeata dos Cem Mil, na Cinelândia, Rio de Janeiro, foi a demonstração de que a sociedade não concordava com isso.

8. O EPISÓDIO EDSON LUÍS LEVOU À FASE MAIS TENSA DA DITADURA

Em vez de permitir a liberdade de expressão e a democracia, sob pressão o regime autoritário se tornou ainda mais cruel. O ano de 1968 terminou com o Ato Institucional número 5 (AI-5): não existiam mais deputados nem Congresso Nacional. E as pessoas estavam proibidas de se reunir, em clubes, sindicatos, até nos próprios lares.
O regime iria durar nesses termos por mais 17 anos. A UNE até então atuava na clandestinidade e só voltou a legalidade no Congresso de reconstrução da entidade que aconteceu Salvador, em 1979. A UBES ficou impossibilitada de atuar por 10 anos, de 1971 a 1981.

9. O MESMO ANO FOI DECISIVO PARA ESTUDANTES DE OUTROS LUGARES DO MUNDO

Greve na Universidade de Columbia, EUA (Don Hogan Charles – The New York Times)
É um fenômeno de 1968 a existência de estudantes que contestavam a realidade, acreditavam num mundo diferente e acabaram presos, feridos ou mortos pelo Estado em vários lugares do mundo.
Nos Estados Unidos, a juventude criticava a Guerra do Vietnã, o racismo e a exploração econômica da sociedade americana, por meio de manifestações, barricadas, ocupações.
Na França, maio de 1968 entrou para a história pelos protestos estudantis que pediam reforma da educação. No México, estudantes pediam direitos civis e fim da repressão policial. Centenas foram mortos no “Massacre de Tlatelolco”, às vésperas da Olimpíada naquele país.

10. DEPOIS DE EDSON, MAIS DE 200 JOVENS FORAM ASSASSINADOS DURANTE A DITADURA

Apenas entre as vítimas oficiais do Estado brasileiro, pelo menos 220 dos 434 mortos, “sumidos” e violentados até a morte tinham menos de 30 anos. Alguns foram perseguidos devido a sua militância contra contra o regime como a ex-vice-presidenta da UNE em 1968, Helenira Rezende, assassinada em 1972 e o presidente da UNE durante seu período de clandestinidade, Honestino Guimarães, assassinado em 1973. Sabe-se ainda que 30% das vítimas da ditadura não tinham ou tinham muito pouco envolvimento político, como Edson Luís.
Fonte: UNE
Adaptado pelo CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC/RN, 01/04/2019.

Após agressões em ato contra “regime militar genocida”, Democracia Corintiana reitera luta contra “tirania” do bolsonarismo

Coletivo Democracia Corintiana reafirma luta contra tirania bolsonarista (Reprodução)


Em nota, coletivo Democracia Corinthiana relata ter reagido a fascistas que empunhavam sprays de pimenta, bastões de madeira e até um aparelho manual de eletrochoque.
O Coletivo Democracia Corintiana relata que seus membros sofreram agressões, neste domingo (31), durante ato contra o “regime militar genocida” iniciado com o golpe de 1964. Sprays de pimenta, bastões de madeira e até um aparelho manual de eletrochoque teriam sido usados contra mulheres do grupo, em frente a uma estação de metrô, de acordo com nota publicada nas redes sociais do grupo.
Os ataques são atribuídos a um grupo fascista e incluíram também ofensas e xingamentos. “Chamaram nossas companheiras de ‘putas feministas’ e essa provocação só mostra que estamos incomodando o patriarcado, os machistas e os adeptos da misoginia”.
O coletivo informa ainda que, em legítima defesa, seus integrantes reagiram para cessar o “ataque covarde”, enfrentando “um grupo numeroso de bolsonaristas”.
“Toda vez que mexerem em nosso vespeiro, sentirão os ferrões de quem preza a democracia, a liberdade e a civilidade. Não nos calaram hoje, não nos calarão jamais”, diz a nota.
A Democracia Corintiana encerra, pontuando que ajudou a vencer a ditadura militar imposta em 1964 e seguirá cumprindo a missão para derrotar “a irracionalidade e a tirania do bolsonarismo”.
Fonte: REVISTA FÓRUM

Ditadura de1964 – a inteligência vence o medo e o arbítrio

Ditadura de1964 – a inteligência vence o medo e o arbítrio
A ditadura tentou destruir a inteligência brasileira – investiu contra artistas e pensadores para calar suas vozes e destruir os meios de comunicá-las. Mas a inteligência foi mais forte, e criou o Brasil moderno
Por José Carlos Ruy*
Artistas foram à luta contra a censura e a ditadura .
O ministro de Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, dizia “quando ouço falar em cultura, levo a mão ao coldre de meu revólver”, frase que resume a atitude de muita gente da extrema direita quando se trata de valores civilizatórios.
Foi também a atitude de muita gente, no Brasil, sob a ditadura militar de 1964.
Havia, é claro, aqueles conservadores que, embora não admitissem posições progressistas e libertárias, ancoravam-se valores culturais que, mesmo sendo considerados por muitos como ultrapassados, não os renegavam.
Mas houve, sobretudo no aparato repressivo da ditadura e na censura, aqueles cuja posição era extremista de direita. E que, sobretudo depois do Ato Institucional nº 5 (AI-5), de 13 de dezembro de 1968, agiram não só para calar mas para destruir a cultura brasileira.
A censura e a perseguição a artistas e produtores culturais foi, ao lado da sangrenta repressão, da tortura e assassinatos políticos, a marca mais reconhecida da ditadura. É incontável o número de canções, peças de teatro, livros, filmes, reportagens e mesmo exposições de arte, que foram pura e simplesmente proibidos pelos censores da ditadura.
O jornalista Zuenir Ventura calculou que, somente durante a vigência do AI-5 (1968-1978), foram proibidos cerca de 500 filmes, 450 peças de teatro, 200 livros e mais de 500 letras de música.
O objetivo dessa fúria repressiva não se limitava à insânia ditatorial de calar as vozes da oposição democrática; era destruir os instrumentos de transmissão do pensamento democrático anti-ditatorial.
Um exemplo desse afã destrutivo foi a atuação contra a imprensa, principalmente os jornais alternativos, democráticos. Como a censura imposta ao jornal “Movimento” desde – pasmem! – seu número zero, em julho de 1975, por ordem direta do general Ernesto Geisel, ocupante da presidência da República, e de seu ministro da Justiça. Armando Falcão. A censura e a repressão a “Movimento” foi de uma severidade inaudita. Em uma das edições, por exemplo, foram cortadas todas as palavras “não” em um artigo, deixando claro que o objetivo não era proibir mas desfigurar o jornal, tornando-o incompreensível para os eleitores e, assim, os afastando do jornal.
Esta barbárie censória pode ser avaliada a partir de informações dadas por seu editor, o jornalista Raimundo Rodrigues Pereira. Somente nas quinze primeira edições do jornal foram censuradas 184 reportagens (média de 12 por edição), e parcialmente proibidas outras 177, num total de 1099 laudas de matérias jornalísticas.
Este é um exemplo da fúria repressiva contra as vozes que se levantavam contra o arbítrio da ditadura.
Um dos exemplos mais lembrados da ação dos vândalos da extrema direita contra a cultura foi o ataque de arruaceiros do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), em 18 de julho de 1968, ao Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, quando era encenada a peça “Roda Viva”, de Chico Buarque de Hollanda, sob direção de José Celso Martinez Corrêa. Um grupo de uns vinte desordeiros do CCC agrediu artistas e a plateia e depredou o cenário.
Foi talvez o mais visível ataque da extrema direita contra a cultura durante a ditadura, numa sucessão de outros atos violentos contra o teatro como a proibição pura e simples de textos teatrais (como “O Rei da Vela”, de Oswald Andrade), o sequestro da atriz Norma Bengel, no mesmo ano, e as ações que contra os teatros Arena, Oficina e Opinião.
O ataque contra ao Teatro Ruth Escobar e à peça “Roda Viva” pode ser encarado como um símbolo da ação da direita – levar a mão ao revólver.
Mas a violência desse gesto enfrentou a decidida resistência dos brasileiros contra a barbárie, impedindo-a de cumprir seu objetivo – destruir o pensamento livre e avançado no Brasil.
O Brasil viveu, desde 1930, transformações sociais e econômicas profundas. A velha e anacrônica “fazendona” que até então o país foi deixava de existir. A indústria se generalizou e as cidades cresceram. Entre 1960 (quando 55% dos brasileiros ainda moravam na roça, e 45% nas cidades) e 1970 a população urbana ultrapassou, em número, a população rural.
Foi um verdadeiro terremoto social com reflexos importantes em todas as áreas da vida nacional. A cultura registrou a mudança a despeito – e contra – as tentativas da censura e da ditadura de esvaziar qualquer reflexão crítica.
Sob a ditadura, a emoção e a indignação contra o arbítrio levou o pensamento e a ação a atitudes políticas e culturais que registraram a repulsa contra o cerceamento da liberdade.
A canção “Parque Industrial”, de Tom Zé, resumiu, pode-se dizer, o espírito da época e registrou: “O avanço industrial / Vem trazer nossa redenção”, entusiasmo repetido no refrão “Porque é made, made, / made, made in Brazil.”
A direita – sobretudo a extrema direita – tentou, com a força das armas, prisões arbitrárias, perseguições e assassinatos – impedir os brasileiros de pensar e exprimir, através da arte, seus sentimentos de liberdade.
Mas o pensamento livre foi mais forte. As contradições da época, a opressão, as mudanças que ocorreram, ficaram registradas em inúmeras obras célebres. Como “A Hora dos Ruminantes (1966), de José J. Veiga; Quarup (1967), de Antonio Callado, Incidente em Antares (1971), de Érico Veríssimo. Ou os filmes “São Bernardo” (1971), de Leon Hirszman, baseado no romance do mesmo título, de Graciliano Ramos; “Terra em Transe” (1967) e “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” (1969), ambos de Glauber Rocha; “Pra frente, Brasil” (1982), de Roberto Farias. Na canção, além da Parque Industrial, já citada, cabe lembrar algumas (numa lista certamente injusta por sua parcialidade) “Pedro Pedreiro” e “Construção”, de Chico Buarque de Hollanda; “Ouro de Tolo”, de Raul Seixas; “Terra”, Caetano Veloso; “Como nossos pais”, de Belchior; “Pra não dizer que não falei das flores “, de Geraldo Vandré – a lista é quase infinita.
O certo é que a ditadura e a extrema direita apontaram o revólver contra a cultura sem conseguir destruí-la – a inteligência foi mais forte do que a força bruta!
O que a modernização conservadora da ditadura conseguiu foi subordinar parte da cultura brasileira às regras do mercado capitalista – mas isso ocorreria de qualquer forma pois, sob o capitalismo, o deus dinheiro fala alto.
A indústria cultural que surgiu e se fortaleceu, sobretudo desde a década de 1970, manifestou-se de várias maneiras. Uma delas foi a televisão, cujo grande produto cultural, fortalecido desde então (e que Dias Gomes considerou “única invenção da televisão brasileira”) foram as telenovelas – elas próprias submetidas a severa ação da censura, que proibiu inúmeras delas, como por exemplo “O Bem Amado” (TV Globo, 1973) do próprio Dias Gomes.
A indústria cultural esteve também em outras áreas como, por exemplo, na proliferação de discos, livros, revistas, jornais, fascículos e outros produtos de consumo de massa.
Mesmo as agências de publicidade, se encaradas como produtoras de cultura (ao influenciar a população pela veiculação massiva) foram modernizadas.
Se há algo que um exame, mesmo sumário, que a história da ditadura revela, é que a inteligência vence o medo e o arbítrio.
O Brasil hoje é um país moderno, mesmo submetido ao retrocesso promovido pela extrema direita e seu governo, com Jair Bolsonaro à frente. O Brasil moderno é aquele que reage ao arbítrio e exige o respeito ao Estado Democrático de Direito. Um Brasil construído pelos brasileiros, contra a tentativa da extrema direita de destruir a cultura brasileira.
*José Carlos Ruy é jornalista, escritor e colaborador do Portal Vermelho

Receita de Pastel de feira

pastel
Deu vontade de comer um pastel delicioso, crocante e sequinho como os de fera? Confira a receita de Pastel de Feira do Portal Brasil Cultura. Só vai faltar o caldo de cana.
Ingredientes
Massa
Água morna
1 colher (café) de álcool ou cachaça (pinga)
Sal a gosto
½ kg de farinha de trigo
1 colher (sopa) de óleo para a massa
Recheio
300 g de carne moída duas vezes
Azeite
Limão
Pimenta verde
Sal a gosto
Cebolinha verde picadinha
1 colher (sopa) de cebola batidinha
3 colheres (sopa) de azeitona picadinha
200 g de queijo minas
100 g de queijo gruyère
100 g de tomate seco
Tabela de conversão de medidas
Modo de preparo
Misture a farinha com o sal, o óleo e a pinga.
Vá acrescentando a água morna aos poucos até dar ponto de sova.
Sove bem e abra com o rolo.
Recheie e frite os pastéis em 1 litro de óleo bem quente.
Enquanto os pastéis estiverem sendo fritos, use a escumadeira para cobri-los o tempo todo com óleo, de modo que cresçam bastante.
Escorra os pastéis em papel toalha.
Recheio de carne

Tempere a carne com sal, pimenta verde e limão.
Doure a cebola até quase desaparecer.
Acrescente a carne moída e cozinhe dourando ao mesmo tempo.
Fora do fogo acrescente a cebolinha verde e a azeitona.
Espere esfriar para utilizar.
Recheio de queijo
Corte o queijo em fatias grossas e depois em retângulos.
Recheio de tomate seco
Rale o queijo gruyère e misture com o tomate seco picadinho.
Dica
Corte cada pastel de forma diferente para facilitar a identificação dos recheios.
Rendimento: 30 porções.

domingo, 31 de março de 2019

Antes do exílio, educador alfabetizou de 300 adultos no interior do Rio Grande do Norte em curso que, ironicamente, foi financiado pelos EUA



Por Marcelle Souza, da Repórter Brasil
Um povoado desconhecido no sertão brasileiro, com alta taxa de pobreza e uma multidão de trabalhadores analfabetos, viveu uma revolução: em apenas 40 horas, um grupo de professores liderados pelo educador Paulo Freire ensinou 300 adultos a ler e a escrever. Mais do que criar novos leitores, a primeira experiência de alfabetização em massa do país, realizada em 1963, em Angicos, no Rio Grande do Norte, gerou novas possibilidades de emprego, deu aos trabalhadores o tão sonhado poder do voto e os ensinou sobre seus direitos – especialmente os trabalhistas.
O resultado deu tão certo que inspirou o Plano Nacional de Alfabetização, que nunca chegou a sair do papel por causa do golpe militar de 1964. Alguns dos principais articuladores da ideia, entre eles o próprio Paulo Freire, terminaram exilados.
Mais de cinco décadas depois, o ódio ao educador voltou à cena e guia a atual política educacional no país. O presidente Jair Bolsonaro afirmou, enquanto candidato, que entraria com um “lança-chamas no MEC para expulsar Paulo Freire lá de dentro”.
O EX-ALUNO PAULO ALVES DE SOUSA DIZ QUE NÃO GUARDOU NADA DA ÉPOCA DO CURSO DE ALFABETIZAÇÃO: “SE A POLÍCIA PEGASSE, A GENTE IA PRESO” (FOTO: CAIO CASTOR/REPÓRTER BRASIL)
Ironicamente, o projeto executado em Angicos foi financiado pela Aliança para o Progresso, do governo dos Estados Unidos, que via na alfabetização dos brasileiros uma das armas na luta contra o avanço do comunismo na América Latina.
Enquanto o método Paulo Freire virou uma bandeira a ser combatida, 13 milhões de jovens e adultos com mais de 15 anos ainda não sabem ler nem escrever, dado que coloca o Brasil entre os dez países com mais analfabetos no mundo, segundo a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
“O projeto de Angicos custava 36 dólares por aluno e o prazo de aprendizagem era curto. Se até hoje não foi retomado, é por intenção de não gerar condições de aprendizagem para uma parte da população, que termina por não desenvolver o seu potencial”, diz o advogado Marcos Guerra, que foi o coordenador da experiência na cidade. Ele explica que a cidade foi escolhida por ter, na década de 1960, o maior índice de analfabetismo do Rio Grande do Norte.

A palavra é TRABALHO

Para angariar os alunos em Angicos, professores percorreram a cidade anunciando porta-a-porta a nova escola. Como a cidade não tinha escolas suficientes, salas de aulas foram improvisadas em casas de moradores e até na delegacia, onde tinham presos e policiais analfabetos. Na década de 1960, 40% dos brasileiros eram analfabetos e só um terço das crianças frequentavam a escola.
CERCA DE 300 MORADORES DE ANGICOS PARTICIPARAM DO CURSO DE ALFABETIZAÇÃO DE ADULTOS E GANHARAM O DIREITO AO VOTO (FOTO: ARQUIVO)
Considerada subversiva pelos militares, a metodologia consistia, primeiro, em levantar palavras que faziam parte do cotidiano dos alunos. “Por exemplo, ‘tijolo’. A professora perguntava quem sabia fazer tijolo, quanto vendia, quem comprava, de quem era o lucro maior — se do proprietário ou do trabalhador que o fabrica. Chamavam isso de aula de politização”, lembra a ex-aluna Maria Eneide de Araújo Melo, 62, que hoje é professora aposentada.
Naquela época, as condições de trabalho na região eram precárias, havia muita desigualdade social, e a maior discussão se deu quando os professores projetaram para os alunos a palavra ‘trabalho’. A partir desse momento, foram incentivados a ler em sala artigos da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).
“Eles passaram a reivindicar direitos, como repouso semanal remunerado e jornada de trabalho, que era intensiva e ultrapassava as horas estabelecidas pela lei. A carteira assinada os entusiasmava”, conta a juíza aposentada Valquíria Félix da Silva, 78, que foi uma das professoras do curso na cidade.
Depois do curso, uma greve na cidade parou a construção de uma obra. Acredita-se que eles teriam sido inspirados pelo ensino dos direitos trabalhistas em sala de aula, com a metodologia freiriana. “Os trabalhadores disseram ao dono da empresa que sabiam que tinham direitos. Eles pediam carteira assinada, repouso semanal remunerado e férias. E o patrão disse: ‘eu não dou isso não, ninguém dá’”, lembra Guerra.
O EDUCADOR PAULO FREIRE FAZ FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA REPLICAREM SUA METODOLOGIA (FOTO: ARQUIVO)

Novos caminhos

Maria Eneide nem tinha completado os 7 anos necessários para iniciar a alfabetização, quando tratou de convencer a mãe e o pai analfabetos de que precisavam aproveitar a nova escola que chegava na cidade. “Meu pai trabalhava na agricultura, saía de manhã e só voltava à noite. Às vezes, ele estava cansado, pensava em faltar, mas a professora ia lá em casa buscá-lo para a escola”, lembra ela, que acompanhou os pais no curso.
Depois da formatura, o pai deixou o trabalho no campo para ser pedreiro e, por fim, virou comerciante na cidade. A mãe, por sua vez, decidiu realizar o sonho de entrar para a aula de corte e costura, porque agora já sabia anotar as medidas.
FRANCISCA DE BRITO, EX-ALUNA, FREQUENTOU O CURSO DE ALFABETIZAÇÃO MESMO SOB AMEAÇAS DA MÃE (FOTO: CAIO CASTOR/REPÓRTER BRASIL)
Mas a pequena Maria Eneide queria ser professora como “a dona Valquíria”, com quem aprendeu a ler na turma de adultos. “Fui alfabetizada no curso de Paulo Freire. Daí, quando eu entrei para o primeiro ano do fundamental, eu já falava de reforma agrária, das leis da Constituição. As professoras não gostavam, diziam que eu estava mentindo. As pessoas não eram esclarecidas naquela época”, diz ela, que acabou estudando pedagogia e hoje é professora na cidade.

Novos leitores e eleitores

A revolução em Angicos aconteceu também pela realização de um desejo antigo de muita gente: o poder do voto. Naquela época, analfabetos não podiam votar. Antes do curso, havia cerca de 800 eleitores cadastrados na cidade. Depois da formatura, o município ganhou 300 novas inscrições.
“A gente que era pobre não era nem bem visto, ninguém podia nem entrar no meio da sociedade, em festa desse povo, porque era pobre, era da cor morena. Mas daí a professora começou a explicar que a gente ia aprender a ler para conhecer os nossos direitos, e eu tinha vontade de aprender, fazer meu nome que era pra votar. E eu aprendi”, lembra Luzia de Andrade, 88.
A CIDADE DE ANGICOS FOI ESCOLHIDA POR TER, NA DÉCADA DE 1960, O MAIOR ÍNDICE DE ANALFABETISMO DO RIO GRANDE DO NORTE (FOTO: CAIO CASTOR/REPÓRTER BRASIL)
Apesar do entusiasmo de todos, o clima em 1963 já era tenso no país. Logo após o golpe militar, Paulo Freire foi demitido da então Universidade do Recife, permaneceu 70 dias preso e, em seguida, teve que deixar o país, assim como outros educadores do projeto, como Marcos Guerra.
Em Angicos, estabeleceu-se um silêncio que durou quase 30 anos. Estava proibido falar e lembrar das 40 horas que haviam mudado a cidade. “Quando chegou essa notícia de que o homem [Paulo Freire] tinha sido exilado, que tinha sido preso, muita gente, com medo, escondeu caderno, escondeu livro, queimou”, conta Francisca de Brito, 74. “A gente não tem nada guardado dessa época porque se a polícia pegasse, a gente ia preso”, diz Paulo Alves de Sousa, 77, outro ex-aluno.

A massa virou povo

Antes do golpe de 1964, a experiência era tão importante para o país que o último dia de aulas em Angicos contou com a presença do então o presidente João Goulart, do presidente da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) Celso Furtado e de governadores de estados do Nordeste.
MARCOS GUERRA, COORDENADOR DO CURSO EM ANGICOS, FOI EXILADO APÓS O GOLPE DE 1964 (FOTO: CAIO CASTOR/REPÓRTER BRASIL)
Em meio às autoridades, um aluno pediu a palavra e improvisou um discurso sobre a experiência na cerimônia de formatura. “Em outra hora, nós era massa, hoje já não somos massa, estamos sendo povo”, disse o agricultor Antônio Ferreira.
O presidente João Goulart ainda ficou curioso ao saber que uma criança tinha aprendido a ler com a metodologia voltada para os adultos. Era Maria Eneide, chamada à frente para testar as novas habilidades para o público ilustre.



“Ele disse: ‘lê aqui’. E eu li. Depois me perguntou: ‘você quer ganhar o que?’ E respondi que queria uma bolsa para levar o material para a escola”. Trinta anos depois, em visita a Angicos, Paulo Freire decidiu refazer a pergunta para a ex-aluna: “se o presidente hoje perguntasse o que você queria de presente, o que você diria?”. “Eu queria salário digno a todos os professores”.
Fonte: CARTA CAPITAL

COMEMORAR O GOLPE/DITADURA? TÔ FORA! AS IMAGENS ABAIXO RETRATA A VERDADEIRA HISTÓRIA!




Comemorar o Golpe de 64 é não ter memória e nem tão respeitar as centenas de famílias que até hoje querem descobrir onde estão os restos mortais de seus filhos, que lutaram por um Brasil melhor e muitos destes foram mortos, desapareceram do nada!  Os que ainda estão vivos, muitos destes tem traumas grave!

Defender ou mesmo comemorar o golpe de 64 é ser puramente cruel, deveriam sim, esclarecer de uma vez por toda o desaparecimentos de milhares de pessoas eliminadas por não concordar a realidade cruel daquela época e por isso muitos desapareceram, outros foram assassinados, milhares com traumas e outros graças a Deus ainda vivo para contar os crimes cometidos por um regime autoritário e fascista!

Brasil mostra a tua garra!

O BRASIL É DOS BRASILEIROS! DITADURA NUNCA MAIS!

“Coisa mais linda” é uma série sobre mulheres que se libertam, música e felicidade

Foto: Aline Arruda/Divulgação/Netflix

Ambientada em plena era da Bossa Nova, a série resgata um ambiente onde tudo em volta era moderno, menos o mundo feminino, que continuava a ser aquele trancado pela moral, a casa, o forno e o fogão.

As primeiras imagens da série brasileira “Coisa mais linda”, de Giuliano Cedroni e Heather Roth, em cartaz no Netflix, são deslumbrantes. A trilha sonora, idem. Afinal, trata-se do Rio de Janeiro do final da década de 50, ou seja, o período áureo do surgimento da Bossa Nova. As reconstruções em computação gráfica, misturadas às cenas reais são excelentes.
O roteiro, no entanto, engasga em clichês. Logo no primeiro capítulo, ouvimos explicações didáticas sobre a nova música que surge, uma mistura do jazz com o samba. A um dado momento, um dos personagens fala pro músico protagonista: “vai, toma ai o seu cachorro engarrafado”, repetindo a gasta frase do poetinha Vinícius de Moraes a respeito do uísque.
O que parecia ser, no entanto, mais uma dessas séries baseadas nos desenhos do Zé Carioca, mostrando um Rio de Janeiro idílico, com um baticum meio gringo no samba (sim, há algumas variações da trilha que nos remetem a isso), vai se desdobrando em uma história bem estruturada sobre mulheres.
Sobretudo sobre a árdua libertação das mulheres, em um ambiente onde tudo em volta era moderno, a música, roupas, arquitetura (Brasília estava prestes a ser inaugurada), menos o mundo feminino, que continuava a ser aquele trancado pela moral, a casa, o forno e o fogão.
Foto: Aline Arruda/Netflix
A protagonista principal é Maria Luiza, vivida pela talentosa atriz Maria Casadevall. Ela é paulista e, ao chegar no Rio para encontrar o marido, descobre que ele se mandou com outra e com a grana da família. Após um breve abatimento, ela percebe o Rio à sua volta explodindo em amores, sorrisos e flores. E embarca nele, contra tudo e todos.
Resolve então ficar e realizar um velho e intangível sonho: montar uma casa noturna com música. Exatamente aquela música brasileira que encantou o mundo por todos os anos seguintes: a Bossa Nova.
O universo feminino em todas as suas vozes, crenças e etnias explode na série a partir de Maria Luiza e outras três amigas: Adélia (Pathy Dejesus), negra, empregada doméstica, mãe solteira e favelada; Lígia (Fernanda Vasconcellos), cantora frustrada e oprimida pelo marido agressivo; e Thereza (Mel Lisboa), cunhada de Lígia e uma jornalista completamente independente, bissexual que luta pela presença feminina na revista em que trabalha.
Foto: Aline Arruda/Netflix
Thereza aponta para um outro traço marcante do Rio na época. A importância esmagadora dos colunistas dos jornais e revistas, que funcionavam como uma espécie de oráculo para tudo o que se vivia, lia, ouvia e assistia.
A série se desenrola, em um primeiro momento, com vários pontos de tensão. O espectador quase não relaxa. Ao contrário do ambiente idílico, a música suave e, o que parece ser alegria e encanto espalhado por todos os lados, permanecem os problemas, que explodem de maneira surpreendente quase a todos os momentos.
O resultado deixa o espectador preso, eletrizado. Aos mais novos, a série cumpre bem o papel de mostrar o tanto que a vida não era fácil para as suas mamães e avós, a despeito da classe social a que pertenciam.
Foto: Aline Arruda/Netflix
Em um dos pontos de tensão, no entanto, as personagens de Maria Luiza e Adélia se contrapõe, numa das melhores cenas da primeira temporada. Depois de ouvir os choramingos da amiga branca, Adélia responde que trabalha desde os oito anos e nunca teve escolha.
Ao que tudo indica, em breve teremos a segunda temporada de “Coisa mais linda”, pois o final da primeira teve o grande defeito que toda boa série apresenta. Nos deixar loucos pra saber como continua.
Fonte: REVISTA FÓRUM