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sábado, 9 de maio de 2020

JN, da Globo, divulga manifesto de 500 artistas contra Regina Duarte

Foto: Reprodução TV Globo
"Ela não nos representa", diz trecho do manifesto divulgado neste sábado.
O Jornal Nacional da TV Globo reproduziu, neste sábado (9), trechos de uma manifesto assinado por mais de 500 artistas contra a secretária Especial de Cultura, Regina Duarte, e as declarações feitas por ela durante entrevista concedida à rede CNN Brasil.


“O grupo diz que faz parte da maioria de brasileiros que ‘não tolera os crimes cometidos por qualquer governo, que repudia a corrupção e a tortura e que não deseja a volta da ditadura militar'”, disse o apresentador Flavio Fachel ao ler trecho do manifesto.
“O manifesto termina dizendo: ‘Ela não nos representa'”, acrescentou.
O telejornal deu destaque à pluralidade do grupo, que é formado por atores, cantores, compositores, escritores, roteiristas, cineastas, artistas plásticos, fotógrafos e dançarinos.
Entre os signatários estão os cantores Caetano Veloso, Emicida, Chico Buarque e Rita Lee, as atrizes Marieta Severo, Elisa Lucinda e Patricia Pillar, os atores Paulo Betti e Tonico Pereira e os autores de novela Walter Carrasco e Maria Adelaide Amaral. Confira aqui a relação completa.
Leia o manifesto na íntegra:
Somos artistas brasileiros e fazemos parte da maioria de cidadãs e cidadãos que defende a democracia e apoia a independência das instituições para fazer valer a Constituição de 1988.
Fazemos parte da maioria que entende a gravidade do momento que estamos vivendo e pedimos respeito aos mortos e àqueles que lutam pela própria sobrevivência no país devastado pela pandemia e pela nefasta ineficiência do poder público.
Fazemos parte da maioria de brasileiros que não tolera os crimes cometidos por qualquer governo, que repudia a corrupção e a tortura e que não deseja a volta da ditadura militar.
Fazemos parte da maioria que não aceita os ataques reiterados à arte, à ciência e à imprensa, e que não admite a destruição do setor cultural ou qualquer ameaça à liberdade de expressão.
Como artistas, intelectuais e produtores culturais, formamos a maioria que repudia as palavras e as atitudes de Regina Duarte como Secretária de Cultura. Ela não nos representa.
Fonte: Revista Fórum

Segunda Guerra Mundial

A Segunda Guerra Mundial, iniciada em setembro de 1939, foi a maior catástrofe provocada pelo homem em toda a sua longa história.

Envolveu setenta e duas nações e foi travada em todos os continentes, de forma direta ou indiretamente. O número de mortos superou os cinquenta milhões, havendo ainda uns vinte e oito milhões de mutilados.

É difícil de calcular quantos outros milhões saíram do conflito vivos, mas completamente inutilizados devido aos traumatismos psíquicos a que foram submetidos (bombardeios aéreos, torturas, fome e medo permanente). Outra de suas características, talvez a mais brutal, foi a supressão da diferença entre aqueles que combatem no fronte e a população civil na retaguarda. Essa guerra foi total. Nenhum dos envolvidos selecionou seus objetivos militares excluindo os civis.

Soldados da Segunda Guerra
Atacar a retaguarda do inimigo, suas cidades, suas indústrias, suas mulheres, crianças e velhos passou a fazer parte daquilo que os estrategistas eufemisticamente classificavam como "guerra psicológica" ou "guerra de desgaste". Naturalmente que a evolução da aviação e das armas autopropulsadas permitiu-lhes que a antiga separação entre linha de frente e retaguarda fosse suprimida.

Se a Primeira Guerra Mundial provocou um custo de 208 bilhões de dólares, esta atingiu a impressionante cifra de 1 trilhão e 500 bilhões de dólares, quantia que, se investida no combate da miséria humana a teria suprimido da face da terra. Aproximadamente 110 milhões de homens e mulheres foram mobilizados, dos quais apenas 30% não sofreram morte ou ferimento.

Como em nenhuma outra, o engenho humano foi mobilizado integralmente para criar instrumentos cada vez mais mortíferos, sendo empregados a bomba de fósforo, a napalm e finalmente a bomba política de genocídio em massa, construindo-se campos especiais para tal fim. Com disse o historiador R.A.C. Parker: "O conceito que a humanidade tinha de si mesmo, nunca voltará a ser o mesmo".

Enfim a Liga das Nações, órgão instituído para manter a paz entre as nações, não conseguiu cumprir o seu papel, e esfacelou mediante a corrida militarista preparada pelas nações inconformadas pela hegemonia política e militar exercida pelos vencedores da Primeira Guerra Mundial. Sem possuir uma única razão, essa guerra foi consequência do exacerbado desenvolvimento industrial das nações europeias. De certa forma, levando em consideração suas especificidades, a Segunda Guerra parecia uma continuidade dos problemas da Primeira Guerra.

Desta forma, a Segunda Guerra é considerada como uma verdadeira guerra mundial, sendo uma consequência de um conjunto de continuidades e questões mal resolvidas pelos tratados de paz estabelecidos após a Primeira Guerra Mundial. Os confrontos foram divididos entre duas grandes coalizões militares: os Aliados, liderados por Estados Unidos, Inglaterra, França e União Soviética; e o Eixo, composto pela Itália, Alemanha e Japão. Em consequência de suas maiores dimensões, os conflitos foram desenvolvidos na Europa, Norte da África e países do Oceano Pacífico.

História e Cultura Afro - Zumbi dos Palmares

Zumbi dos Palmares

Zumbi dos Palmares nasceu no estado de Alagoas no ano de 1655. Foi um dos principais representantes da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial.

Foi líder do Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas. O Quilombo dos Palmares estava localizado na região da Serra da Barriga, que, atualmente, faz parte do município de União dos Palmares (Alagoas). Na época em que Zumbi era líder, o Quilombo dos Palmares alcançou uma população de aproximadamente trinta mil habitantes. Nos quilombos, os negros viviam livres, de acordo com sua cultura, produzindo tudo o que precisavam para viver.

Embora tenha nascido livre, foi capturado quando tinha por volta de sete anos de idade. Entregue a um padre católico, recebeu o batismo e ganhou o nome de Francisco. Aprendeu a língua portuguesa e a religião católica, chegando a ajudar o padre na celebração da missa. Porém, aos 15 anos de idade, voltou para viver no quilombo..

No ano de 1675, o quilombo é atacado por soldados portugueses. Zumbi ajuda na defesa e destaca-se como um grande guerreiro. Após um batalha sangrenta, os soldados portugueses são obrigados a retirar-se para a cidade de Recife. Três anos após, o governador da província de Pernambuco aproxima-se do líder Ganga Zumba para tentar um acordo, Zumbi coloca-se contra o acordo, pois não admitia a liberdade dos quilombolas, enquanto os negros das fazendas continuariam aprisionados.

Em 1680, com 25 anos de idade, Zumbi torna-se líder do quilombo dos Palmares, comandando a resistência contra as topas do governo. Durante seu “governo” a comunidade cresce e se fortalece, obtendo várias vitórias contra os soldados portugueses. O líder Zumbi mostra grande habilidade no planejamento e organização do quilombo, além de coragem e conhecimentos militares.

O bandeirante Domingos Jorge Velho organiza, no ano de 1694, um grande ataque ao Quilombo dos Palmares. Após uma intensa batalha, Macaco, a sede do quilombo, é totalmente destruída. Ferido, Zumbi consegue fugir, porém é traído por um antigo companheiro e entregue as tropas do bandeirante. Aos 40 anos de idade, foi degolado em 20 de novembro de 1695. 
Zumbi é considerado um dos grandes líderes de nossa história. Símbolo da resistência e luta contra a escravidão, lutou pela liberdade de culto, religião e pratica da cultura africana no Brasil Colonial. O dia de sua morte, 20 de novembro, é lembrado e comemorado em todo o território nacional como o Dia da Consciência Negra.

ZUMBI DOS PALMARES - A LUTA PELA LIBERDADE | EDUARDO BUENO - "TIREM SUAS DÚVIDAS!" - CPC/RN

QUEM SÃO OS VERDADEIROS HERÓIS NEGROS? | Especial Dia da Consciência Negra - "Verdade ou Não? - Tirem suas conclusões!"

A VERDADE SOBRE ZUMBI DOS PALMARES | por Fernando Holiday - "Tire suas dúvidas! - Verdade ou NÃO!" - CPC/RN




Fonte https://www.youtube.com/watch?v=zLgx7Njh__A

A vingança de Zumbi - Por Luis Mendes

Zumbi dos Palmares: quem foi, infos e resumo completo
Zumbi dos Palmares chegou a vomitar quando soube da notícia. Logo ele acostumado às guerras, as feridas abertas no campo de batalha, torrões de terras sanguinolentos abrigando corpos mutilados. Seus comandantes tentaram ampara-lo, mas o terrível guerrilheiro das selvas pernambucanas não se conteve.

- Que porra é essa que estão fazendo com o meu nome?

Zumbi ficou sabendo que o novo presidente da Fundação Palmares é um conhecido capitão do mato. Um negro que tem ojeriza a tudo que se relaciona à cultura negra. Um negro, como tantos outros, adestrado para proteger a casa grande. Negros sem nenhum compromisso com a luta de seus antepassados.

- Como esse negro cretino diz que a escravidão foi benéfica para os negros? Será que ele não ouviu o gemido de dor de nossas irmãs sendo estupradas nas senzalas e casa grande? Ouviu o grito de dor de nossos irmãos ao terem um membro decepado? Como ele ousa dizer que não existe racismo no Brasil? Um racismo que sob o positivismo, estava na constituição do Brasil.

De fato, qualquer criança negra que mora na periferia e que perdeu um irmão ou amigo por uma bala perdida, poderia dar uma aula de racismo estrutural! No entanto os valores na sociedade foram invertidos através da mentira. O evangelho através da chantagem e ameaça, abriu sua boca mentirosa nos púlpitos. Uma mentira que não se esconde mais na boca do diabo! Hoje usam o Cristo para mentir e consolidar uma sociedade fascista.

- Onde estão os negros remanescentes de quilombolas, movimentos sociais e negros para porem fim a essa farsa! Onde estão as lanças e coquetéis molotov? Nosso povo já perdeu tudo, agora querem sua memória? Mudem o nome para Fundação Domingos Jorge Velho, é mais honesto e vai de encontro com essa sociedade machista e racista! Aproveitem e chamem Calabar e Silvério dos Reis para compor essa quadrilha que chamam de governo! Camuanga, Dandara, Acotirene, Ganga Zona e Ganga Muiça não devemos permitir essas afrontas com o nosso povo em hipótese alguma!

Nisso chega Exu, Ogum, Yansan, Oxum Oxóssi e Xango, um calor toma conta do orum. Logo depois chega João Cândido, Luiza Mahin e outros e outras que lutaram e morreram pela liberdade do povo negro. Ogum, conhecido como aquele que vai primeiro cuja espada é fogo, vai até Zumbi e pergunta:

- Zumbi, você está pronto?

- Sim meu pai, respondeu Zumbi.

Aos poucos cabeças de negros traidores, poltrões, sabujos, capitães do mato e racistas aparecem nas periferias. Até então os negros só queriam reparação, agora querem vingança. Uma vingança de 388 anos de escravidão e estupros.

Instagram luismendes5230
Twitter @LuisMen98707774
Facebook Luis Mendes
Email luismendes328@gmail.com
Luis Mendes é autor do livro Conversa de Encruzilhada disponível através do 
Email desconcertos@gmail.com

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Familiares de Plínio Marcos querem que Regina Duarte apague foto do dramaturgo

Familiares de Plínio Marcos ficaram incomodados com a publicação feita pela secretária especial da Cultura, Regina Duarte, em seu Instagram, de uma foto do dramaturgo e pedem para que a atriz apague a imagem.
“A gente não quer que ela associe a imagem do Plínio com o governo Bolsonaro e com a política cultural desse governo. É inclusive estranho ela colocar a foto de um artista que não tem nada a ver com isso”, diz à reportagem o dramaturgo Leo Lama, filho de Plínio.
Leo afirma que tentou contato com a secretária, via redes sociais e por meio de interlocutores da atriz, pedindo para que a fotografia fosse retirada. Ele também publicou uma carta em seu perfil no Instagram.
Leia a nota completa abaixo:
Nós da Família de Plínio Marcos, surpresos com a postagem da Secretária de Cultura, Regina Duarte, que faz uso da imagem de Plínio Marcos, esclarecemos que repudiamos totalmente as atitudes do governo atual, em especial as relacionadas à cultura. Plínio sempre foi lutador e defensor da liberdade de expressão, valorizando a cultura brasileira em todas as formas de arte. Sabemos que esse governo não sabe nada sobre o grande artista Plínio Marcos e fica claro também que a secretária, omissa de suas funções, também não. A demência tem estado à frente da razão. Solicitamos diretamente que retirem a imagem de nosso pai e que não a usem de forma leviana. Os artistas, se encontram abandonados e órfãos, diante do caos que o governo gerou para seu povo.
Ricardo Barros, Filho e Representante legal da Obra de Plínio Marcos
O irmão de Ricardo, o também dramaturgo Léo Lama, também fez uma postagem de repúdio.
Fonte: Brasil Cultura

COVID-19 – Prorrogação do pagamento de parcelamentos de projetos culturais.

O Ministério da Cidadania, o Ministério do Turismo e a Secretaria Especial da Cultura (SECULT) elaboraram em conjunto a Instrução Normativa nº 6, publicada nesta quinta-feira (30), no Diário Oficial da União. A norma define procedimentos extraordinários referentes aos parcelamentos de débitos de projetos culturais apoiados pelo Programa Nacional de Cultura (Pronac).
A medida faz parte de um conjunto de ações executadas no esforço de mitigar os impactos da pandemia do coronavírus (COVID-19), no que se refere ao mecanismo incentivo fiscal.
A medida estabelece que os parcelamentos de débitos regulados na forma do artigo 1º poderão ser suspensos, excepcionalmente e a requerimento do proponente, pelo prazo de 120 dias, tendo em vista as medidas adotadas para combater a disseminação da COVID-19.
A seguir, a íntegra da Instrução Normativa nº 6, publicada no Diário Oficial da União, seção 1, página 17:


Fonte: Brasil Cultura

Morre a atriz e radialista Daisy Lúcidi, vítima do coronavírus

Morreu, na madrugada desta quinta-feira (7), aos 90 anos, a atriz e radialista Daisy Lúcidi. A artista estava internada no Hospital São Lucas, no Rio de Janeiro, desde o dia 25 de abril, após diagnóstico de coronavírus.
Daisy fez sua estreia na TV em 1960, após começar carreira no elenco de atores da Rádio Globo. Durante 40 anos, comandou o programa Alô Daisy, na Rádio Nacional. Participou de diversas novelas da Globo — a última foi Geração Brasil (2014). Ela também trilhou carreira política ao ser eleita vereadora e deputada estadual no Rio.
Realização no rádio
Daisy Lúcidi Mendes – o último sobrenome, herança do casamento de mais de 60 anos com o jornalista 
esportivo Luiz Mendes – nasceu no Rio de Janeiro, no dia 10 de agosto de 1929. Seus pais, Clarice Lopez e Quinto Lúcidi, eram de origem portuguesa e italiana, respectivamente. Foi acompanhando o pai, um ator amador, que ingressou no teatro aos seis anos.


Em 1941, integrou o elenco infantil da Rádio Tupi. Três anos depois, com a inauguração da Rádio Globo, Daisy foi contratada no primeiro elenco de atores para fazer radionovelas na emissora.
— Fui fazer parte do elenco da Rádio Globo, que começava com força total. Fizeram um grande elenco, porque a novela começava a aparecer — contou a atriz em depoimento ao Memória Globo.
Em 1953, passou a fazer parte do elenco de atores da Rádio Nacional, emissora onde comandou por 46 anos o programa Alô Daisy. Sua estreia na TV ocorreu em 1960, participando de uma minissérie dirigida por Janete Clair, na extinta TV Rio. Na Globo, sua primeira novela foi Homem Proibido (1967). Também atuou em O Casarão (1976), Supermanoela (1974) e Bravo! (1975).
Na mesma época, a artista fez uma pausa na carreira de atriz ao ingressar na política, quando foi vereadora e deputada estadual durante 18 anos no Rio.
— O rádio me dava embasamento para levar as coisas para política. Eu sabia o que estava acontecendo na cidade através do rádio. A comunidade vinha a mim e dizia — esclareceu a atriz.
Retorno à TV
Depois de 31 anos longe das telas, Daisy Lúcidi voltou à Globo no papel de uma síndica reacionária em Paraíso Tropical (2007). Mas foi como a cafetina Valentina, de Passione (2010), que reconquistou o público.
Em 2013, fez uma participação na série Tapas & Beijos, e, em 2014, viveu a elegante Consuelo, em Babilônia. No ano seguinte, teve a participação estendida na novela Geração Brasil, seu último trabalho na emissora.
Fonte: Brasil Cultura

SOCIEDADE Em duas semanas, número de negros mortos por coronavírus é cinco vezes maior no Brasil

(FOTO: Str / Marcos Pin / AFP)

Levantamento da Agência Pública mostra que mortes e hospitalizações de pretos e pardos sobem mais que em brancos

Em duas semanas, a quantidade de pessoas negras que morrem por Covid-19 no Brasil quintuplicou. De 11 a 26 de abril, mortes de pacientes negros confirmadas pelo Governo Federal foram de pouco mais de 180 para mais de 930. Além disso, a quantidade de brasileiros negros hospitalizados por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causada por coronavírus aumentou para 5,5 vezes..

Levantamento da Agência Pública mostra que mortes e hospitalizações de pretos e pardos sobem mais que em brancos

Em duas semanas, a quantidade de pessoas negras que morrem por Covid-19 no Brasil quintuplicou. De 11 a 26 de abril, mortes de pacientes negros confirmadas pelo Governo Federal foram de pouco mais de 180 para mais de 930. Além disso, a quantidade de brasileiros negros hospitalizados por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causada por coronavírus aumentou para 5,5 vezes.
Já o aumento de mortes de pacientes brancos foi bem menor: nas mesmas duas semanas, o número chegou a pouco mais que o triplo. E o número de brasileiros brancos hospitalizados aumentou em proporção parecida.
A explosão de casos de negros que são hospitalizados ou morrem por Covid-19 tem escancarado as desigualdades raciais no Brasil: entre negros, há uma morte a cada três hospitalizados por SRAG causada pelo coronavírus; já entre brancos, há uma morte a cada 4,4 hospitalizações.
Os dados são resultado de uma análise feita pela Agência Pública com base nos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde que possuem informações de raça e cor de internações e mortes por coronavírus. O Governo Federal divulgou esses números atualizados apenas até 26 de abril.
COVAS ABERTAS NO CEMITÉRIO VILA NOVA CACHOEIRINHA, QUE ATENDE A BRASILÂNDIA, BAIRRO ONDE NEGROS SÃO METADE DA POPULAÇÃO E TEM O MAIOR NÚMERO DE MORTES POR COVID-19. FOTO: JOSÉ CÍCERO DA SILVA/AGÊNCIA PÚBLICA

Para cada morte em Moema, quatro morrem na Brasilândia

Em São Paulo, na maior cidade do país e a que conta maior número de mortes por Covid-19, são os bairros onde a população negra está mais concentrada que trazem a maior quantidade de óbitos pela doença. Segundo a Pública apurou, dos dez bairros com maior número absoluto de mortes causadas pelo coronavírus, oito têm mais negros que a média de São Paulo.
O bairro com maior número absoluto de mortes é a Brasilândia, com 103 casos. A região tem cerca de 50% da população negra — a média de São Paulo é de 37%. No extremo oposto, o bairro com menos negros da cidade, Moema, teve 26 mortes. A média de negros na região é de menos de 6%.
Mesmo ajustando-se as mortes à população, os dois bairros têm realidades diferentes: em comparação ao número de moradores de Moema, Brasilândia tem cerca de 25% a mais de mortes. A Pública considerou os dados do último Censo (2010) para os cálculos de população e raça/cor dos moradores.
Bairros da periferia e com mais moradores negros que a média de São Paulo têm visto os casos de Covid-19 dispararem — e com eles, as mortes. O Jardim Ângela, bairro com maior porcentagem de negros de toda a cidade, viu as mortes por coronavírus quase que triplicarem em cerca de duas semanas. Grajaú, Parelheiros, Itaim Paulista, Jardim Helena, Capão Redondo e Pedreira, todos bairros com maioria da população negra, mais que dobraram as mortes por Covid-19 nesse mesmo período.
O avanço do coronavírus na periferia de São Paulo vem encurtando a distância de mortes entre bairros mais ricos, onde surgiram os primeiros casos de Covid-19. Em 17 de abril, bairros com menos população negra que a média da cidade tinham 13% a mais de mortes que as regiões onde moram mais negros. Duas semanas depois, essa diferença caiu para 3%. Se a tendência se mantiver, os bairros onde vivem mais negros que a média da cidade devem ultrapassar os bairros onde vivem menos negros.
O jornalista Lucas Veloso, cofundador da Agência Mural de Jornalismo das Periferias, mora em uma das principais avenidas de Guaianases, bairro localizado no extremo leste da cidade de São Paulo. Ele observa que o movimento de transeuntes no local aumentou nas últimas semanas, em comparação à semana do dia 24 de março, quando o governador João Doria (PSDB) instituiu a quarentena no estado. “Nas duas primeiras semanas [depois do anúncio do decreto], as ruas estavam de fato mais desertas. O movimento da feira que acontece às quartas, por exemplo, tinha caído muito. Havia poucas barracas, poucos feirantes. Mas depois da terceira e quarta semanas, percebi que isso mudou”, relata.
Segundo ele, parte da população local não conseguiu parar por questões de renda. “Muitos dos que moram nas periferias fazem parte dos serviços essenciais. Então, o transporte público de manhã, na estação de trem, não diminuiu tanto. São entregadores, enfermeiros, seguranças. Então, como é um bairro pobre, de periferia, que muitas pessoas estão sujeitas a subempregos, o bairro não consegue parar totalmente”, analisa o jornalista.
Agora, ele observa que até mesmo as pessoas que conseguiam ficar em casa relaxaram as restrições da quarentena. “As pessoas tinham a esperança, no começo, de conseguir o auxílio emergencial do governo e não precisar sair de casa. Só que tem todas essas burocracias que as pessoas não conseguiram resolver, muitas pessoas não têm qualidade de internet e não conseguiram baixar o aplicativo, aí o dinheiro do auxílio não vem. Isso também é um fator que faz as pessoas voltarem às ruas.”
Os locais onde vivem mais negros são justamente os com menor Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM). Os dez bairros com pior IDHM em São Paulo têm mais negros que a média da cidade. Já os dez com melhor IDHM têm menos negros que a média. Nos dez bairros com maior número absoluto de mortes, oito têm IDHM considerado médio, abaixo de 0,8. São justamente esses oito bairros onde a média de moradores negros está acima da média da cidade.

No Rio, bairros com mais negros que a média da cidade já acumulam mais mortes

NO RIO, CRESCIMENTO DE CASOS DE COVID-19 EM BAIRROS ONDE HÁ MAIS MORADORES NEGROS QUE A MÉDIA DA CIDADE TEM LEVADO ESSAS ÁREAS A REGISTRAREM CADA VEZ MAIS MORTES. FOTO: PMRJ
Na capital carioca, os bairros com mais negros que a média da cidade já têm mais mortes em número absoluto que os bairros com menos negros.
O crescimento de casos na periferia e nas favelas levou essas regiões a registrarem cada vez mais falecimentos. Atualmente, Campo Grande, com mais de 50% de moradores negros, é o bairro com mais mortes. A região passou Copacabana, que antes era o local com maior número absoluto de falecidos pela Covid-19. Após Copacabana, Bangu e Realengo, dois bairros com maioria da população negra, ocupam o 3 e 4º lugar com mais mortes na cidade.
A Rocinha, maior favela da cidade, já conta nove mortes nos dados oficiais. Médicos que atendem a comunidade contestam o número e apontam que já haveria 22 mortes na favela.
A relação entre quantidade de casos confirmados e mortes também é bastante diferente entre bairros ricos e pobres do Rio de Janeiro, o que pode apontar dificuldade de moradores das favelas e da periferia de fazerem exames. Na Rocinha, por exemplo, há mais que o dobro de mortes em relação aos casos confirmados que no Leblon. Os bairros com mais casos confirmados são Copacabana e a Barra da Tijuca.

No Amazonas, com colapso do SUS, brancos sobrevivem mais que negros

No Amazonas, entre as pessoas que desenvolvem quadros graves da Covid-19, são mais frequentes mortes de negros que brancos. Segundo a Pública apurou, a cada 2,4 negros em estado grave, há uma morte. Já entre brancos, uma morte foi registrada a cada 3,2 pacientes em situação grave.
O estado, que foi o primeiro a ter lotação máxima de unidades de terapia intensiva para pacientes com Covid-19, tem registrado um aumento mais expressivo entre negros em estado grave que entre brancos. No final de abril, em menos de uma semana, a quantidade de pacientes negros em situação grave mais que dobrou.
A maioria absoluta das mortes no Amazonas são de negros: mais de 13 negros morreram para cada falecimento de branco. A secretaria de saúde já registrou cerca de 850 doentes negros em situação grave e mais de 340 mortes. Já entre brancos, foram 81 casos graves e 25 mortes. Os dados de raça e cor foram atualizados em 29 de abril.
M MANAUS, A PRIMEIRA CIDADE BRASILEIRA A REGISTRAR COLAPSO DO SISTEMA DE SAÚDE PÚBLICO, MAIS DE 13 PACIENTES NEGROS MORRERAM PARA CADA MORTE ENTRE BRANCOS. FOTO: ALEX PAZUELLO/SEMCOM.

Ministério da Saúde diz que não há estudos que apontem raça como fator de risco

Apesar dos dados mostrarem que negros tiveram maior aumento de óbitos e registram mais mortes entre hospitalizados, o Governo Federal não divulga em detalhes essas informações. Não há, por exemplo, a informação de quantos casos foram confirmados por raça/cor ou o número de testes em negros, brancos e outros grupos.
Como explica Rita Borret, da Sociedade Brasileira de Medicina da Família e Comunidade, não divulgar esses dados impede que profissionais de saúde, a imprensa, pesquisadores e mesmo a população acompanhem se a subnotificação em negros é maior que em brancos. A médica explica que negros dependem mais do Sistema Único de Saúde (SUS) — uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicava que, em
2008, a população negra representava 67% dos usuários do SUS.

“Se o acesso ao exame está difícil no sistema público, como você consegue saber se um paciente negro confirmou ou não a doença? E se há pessoas que sequer estão tendo a chance de serem atendidas, inclusive para internação, sabemos que a Covid-19 está subnotificada na população negra, mas não sabemos quanto”, analisa.
Foi o grupo de trabalho de saúde da população negra, da qual Borret faz parte, que pediu ao Ministério da Saúde que publicasse dados de raça/cor de mortos por coronavírus. O governo só passou a divulgar os dados no boletim referente a 11 de abril, sem detalhar dados de casos confirmados ou de testes. Questionado sobre a falta de dados mais completos, o ministério, já sob a gestão de Nelson Teich, chegou a afirmar que não há “estudos técnicos ou científicos que apontem cor ou raça como fator de risco da doença”.
“Nós sabemos disso, o problema não é raça, mas o racismo, que dificulta o acesso de negros à saúde. O acesso à saúde da população negra é muito pior que da população branca no país. E a gente não tem tempo, o coronavírus não dá tempo para fazermos um trabalho pedagógico sobre a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. Precisamos que o Ministério esteja atento a essas questões o tempo todo, como está escrito na Lei.”, critica Borret.
Para Fernanda Campagnucci, diretora-executiva da Open Knowledge Brasil (OKBR), a ausência de dados sobre raça e cor é um problema para a análise do impacto que a Covid-19 tem em diferentes grupos. “Em alguns lugares começaram a fazer análises sobre como a população negra tem sido afetada de forma desproporcional, como nos Estados Unidos, por exemplo. Isso pode estar relacionado a diversos outros fatores, mas é importante ter o dado para começar a fazer esse tipo de análise aqui no Brasil”.
O último boletim Transparência Covid-19, publicação semanal organizada pela OKBR que avalia a transparência dos estados e Governo Federal na divulgação dos dados da pandemia, apontou que 32% dos estados divulgam seus microdados. Dos estados que disponibilizam seus microdados, apenas o Espírito Santo disponibiliza a base incluindo dados sobre raça/cor; no entanto, essa informação não é preenchida em todos os casos registrados (dos 3208 registros coletados até o dia 3 de maio, 1094 tinham o campo raça/cor ignorado).
No último dia 5, a Justiça Federal do Rio de Janeiro determinou que registro e divulgação de casos de coronavírus no país tenham obrigatoriamente informações sobre a raça/cor dos infectados.

Falta de dados sobre população negra é problema histórico no Brasil

A falta de dados oficiais sobre raça é histórica no país, afirma o advogado Daniel Teixeira. Ele é diretor do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), organização não-governamental voltada para a promoção da igualdade de raça e de gênero.
“Há vários fatores que podem explicar essa alta letalidade [da Covid-19 entre a população negra]. Justamente, ter informações melhores significa a gente, inclusive, confirmar ou até excluir a importância ou relevância de cada um desses fatores, conforme o caso. Porque aí está a riqueza que os dados podem fazer”, defende Teixeira, que diz que a falta deles pode ser “desastrosa”. O pesquisador pondera que a lacuna não ocorre apenas na área da saúde e é comum no país. “A falta desse tipo de recorte pode ser um impeditivo para que a gente tenha políticas públicas que deem conta dessa situação que, historicamente, desconsidera as dimensões de desigualdades estruturais no Brasil”, diz Teixeira.
A jornalista Christiane Gomes, coordenadora de projetos da Fundação Rosa Luxemburgo, em São Paulo, e integrante do coletivo negro Ilú Obá de Min, afirma que a pandemia escancara a desigualdade racial do Brasil, “fruto de um passado colonial que persiste ainda hoje”. “No começo da pandemia, se dizia muito que o vírus não escolhe classe social nem raça. Mas isso é uma falácia e os próprios números que comparam a quantidade de mortes em bairros como o Morumbi e a Brasilândia exemplificam isso”, afirma.
Ela pontua que o problema não é somente um reflexo da pobreza, mas que a discussão também tem que considerar gênero e raça. “Por exemplo, quem trabalha mais no trabalho doméstico? São as mulheres negras. Quem trabalha mais nos serviços de estrutura, de segurança? Enfim, que é a base da pirâmide social brasileira? É a população negra. Então, é essa população que está mais vulnerável e é a que menos consegue fazer isolamento social. Estamos falando de um problema macro, o Brasil é um país que tem o racismo na sua estrutura”, analisa Gomes, que defende maior transparência de dados da pandemia provocada pelo novo coronavírus, com o objetivo de orientar a gestão pública.

Nos EUA, letalidade do coronavírus também é maior entre negros

O advogado Daniel Teixeira, diretor do Ceert, lembra que a falta de transparência sobre os dados raciais da pandemia também ocorreu em outros países, como os EUA, que oficialmente lidera o número de casos de infecções pelo novo coronavírus no mundo. “No CDC, Centers for Disease Control and Prevention, órgão que monitora os dados referentes à Covid-19 e outras doenças, também não se tem tido uma leitura ampla em relação aos dados”, pondera o especialista.
A pouca disponibilidade dos dados raciais levou a Johns Hopkins University, instituição que é referência na área de saúde no país, lançar um mapa mostrando quais estados norte-americanos têm produzido recortes raciais sobre a nova pandemia. De acordo com o mapeamento da universidade, apenas dois dos 50 estados norte-americanos, Illinois e Kansas, têm estatísticas raciais completas sobre casos confirmados, óbitos e testes para o novo coronavírus.
Desde a publicação do levantamento, houve melhora na transparência: o número de estados que disponibilizam dados raciais sobre os casos confirmados subiu de 34 para 42; já o número de estados que também disponibilizam dados raciais sobre as mortes provocadas pela Covid-19 subiu de 26 para 38.
“Eles estão monitorando e falando da importância para que o façam. É um apelo da universidade, para que isso seja considerado, tendo em vista o impacto desproporcional que já se verifica nos estados e cidades que já fazem esse monitoramento com recorte”, diz Teixeira.
Com os dados, foi possível atestar a maior letalidade da doença entre as comunidades negras no país, como mostraram reportagens da Reuters, sobre maior probabilidade de negros morrerem ao contrair Covid-19 e do Washington Post que repercutiu um estudo na Geórgia, que revelou desproporcionalidade da hospitalização de pessoas negras por Covid-19 no estado.
Teixeira alerta que os números disponíveis, nos EUA e no Brasil, ressaltam “a doença constante do racismo estrutural que se auto reproduz. “Essa é questão central do racismo. Não à toa que um dos movimentos mais fortes dos EUA hoje é o Black Lives Matter, as vidas negras importam. Essa afirmação se dá porque a morte [da população negra] desde sempre e cada vez mais é vista como parte da paisagem social. A ponto de haver pouca revolta com relação a essas mortes, em tão maior quantidade da população negra.”
Fonte: Revista Fórum 

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Com Teich, dados sobre coronavírus demoram até 10 dias e contagem de casos pode estar defasada

Reprodução
Desde que Nelson Teich assumiu o Ministério da Saúde, no lugar de Luiz Henrique Mandetta, a pasta deixou de apresentar diariamente o perfil por gênero, raça/cor e faixa etária dos mortos pela Covid-19, assim como o percentual dos pacientes estariam no grupo de risco.
Dados sobre o perfil das vítimas da doença costumavam ser apresentados durante as entrevistas transmitidas ao vivo pelo ministro. Contudo, desde o dia 17 de abril, quando Teich assumiu a pasta, os dados deixaram de ser compartilhados e sem justificativa.
A mudança na forma de divulgação dos dados ocorre num momento em que o avanço da doença indica alteração no perfil das pessoas infectadas. Cresce o número de óbitos entre pacientes com menos de 60 anos. Dados do dia 1º de abril apontam que 89% dos pacientes que morreram eram idosos, mas esse percentual caiu para 70% no dia 27.
Em nota ao UOL, o ministério afirma que a divulgação “teve sua periodicidade de divulgação estendida com o objetivo de qualificar melhor os dados a serem apresentados à população” e diz que apresenta os dados detalhados semanalmente. A pasta, no entanto, não divulga novo boletim há dez dias.
Fonte: Revista Fórum