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sábado, 9 de janeiro de 2021

Genival Lacerda morre aos 89 anos, vítima da Covid-19 - Potiguar Notícias

O cantor Genival Lacerda, de 89 anos de idade, morreu por complicações da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus na manhã desta quinta-feira (7). Ele estava internado na UTI desde o dia 30 de novembro e, segundo recentes comunicados da assessoria de imprensa dele, seu estado era grave e ele respirava com a ajuda de aparelhos.

Com mensagem breve em seu Instagram, o filho do cantor, Genival Lacerda Filho, revelou a informação no começo da manhã desta quinta-feira (7). "Painho faleceu", disse em seus stories.
 
O artista deu entrada no hospital no último dia 30 de novembro para tratamento da doença e chegou até a ter uma breve melhora no quadro clínico. Aos 89 anos de idade e 68 anos de carreira, Genival, que era paraibano e cidadão recifense, seguiu lutando até o último minuto.
 
O Rei da Munganga, como ficou conhecido em todo o Brasil, será eterno na memória de todos que o acompanharam durante mais de meio século; Eram crianças, adolescentes, jovens e idosos que admiravam o trabalho desse artista que elevou o nome da sua cidade natal, Campina Grande, e que representou o povo do Nordeste bravamente com a irreverência que será lembrada para sempre por todos os Brasileiros.
 
O Paraibano ficou conhecido pelo estilo musical e pelo espírito cômico que tinha. Também com o estilo próprio de cantar, pela alegria de ser nordestino e mostrar que música pode ter bom humor. Genival começou os trabalhos como radialista nas rádios Borborema e Caturité, o programa era líder em audiência e se chamava O Forró de Seu Vavá. A música Severina Xique Xique foi um marco na carreira para os outros sucessos como Radinho de Pilha, fenômeno, que vendeu mais de quinhentas mil cópias em todo o Brasil. Emplacando logo em seguida Mate o Véio que caiu rapidamente no gosto popular. A música Quem Dera ficou em primeiro lugar de audiência nas rádios de todo o Brasil durante muitos anos"
 
ÚLTIMO LAUDO
 
No dia 3 de janeiro, o cantor apresentou piora no quadro clínico com nova infecção no pulmão. "No dia 31 de dezembro de 2020 houve uma piora no quadro de saúde de Genival Lacerda, uma queda na pressão arterial que precisou ser controlada com medicamentos e uma nova infecção no pulmão, sendo necessário novos antibióticos para combater a infecção", disse o filho de Genival, João Lacerda, que também contou, em recente entrevista para Quem, que a família chegou a tomar todos os cuidados para tentar evitar que ele fosse acometido pela doença.
 
No último 30 de novembro, Genival Lacerda foi internado na UTI após testar positivo para a Covid-19. Em meados de maio, o cantor já tinha passado pelo hospital e sido internado após sofrer um AVC. Segundo o Jornal do Comércio, o cantor paraibano estava em casa quando passou mal.

Fonte: Potiguar Notícias

Diário do bolso: esse Lira eu toco - Por JORNALISTAS LIVRES

É que em 2012, seu assessor parlamentar Jaymerson José Gomes foi detido pela Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas com dinheiro escondido embaixo da roupa. E, por causa disso, seis anos depois a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o Lira por lavagem de dinheiro e corrupção. Mas até agora não deu em nada. Isso mostra que ele também é experiente em enrolar a justiça, o que é muito importante.

Por José Roberto Torero* Diário, o Arthur Lira, meu candidato à presidência da Câmara, é um cara muito experiente.

Por exemplo, ele já tem uma boa experiência com essa história de dinheiro na cueca.

É que em 2012, seu assessor parlamentar Jaymerson José Gomes foi detido pela Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas com dinheiro escondido embaixo da roupa.

E, por causa disso, seis anos depois a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o Lira por lavagem de dinheiro e corrupção. Mas até agora não deu em nada. Isso mostra que ele também é experiente em enrolar a justiça, o que é muito importante.

Ele também é experiente nesse negócio de rachadinha, e por isso não vai encher o saco do Flavinho. O Lira (que devia se chamar Dólar) foi acusado pelo Ministério Público Federal de chefiar um rachadão na Assembleia Legislativa de Alagoas. E digo rachadão porque a bufunfa deu uns R$ 250 milhões, entre 2001 e 2007.

Só para ele, esse esquema teria dado uns R$ 500 mil por mês. E o Lira (que devia se chamarEuro) até está pagando (parceladamente, sem nenhuma pressa) quase R$ 2 milhões de Imposto de Renda sobre esses “recursos de origem desconhecida”. Ou seja, o cara também é experiente em botar tapete em cima da sujeira.

Segundo o Ministério Público Federal, ele também é experiente em usar empresas para simular negócios. E fez isso na Assembleia Legislativa de Alagoas para “lavar” dinheiro desviado.

E ainda não acabou não, pô!

O Lira (que devia se chamar Libra Esterlina) já foi condenado em segunda instância por improbidade administrativa. Mas, apesar da Lei da Ficha Limpa, ele conseguiu uma liminar na Justiça de Alagoas e tomou posse em 2018 como deputado federal. Ou seja, o cara também é bom no trato com juízes.

Diário, ele é experiente em enrolar a lei, em rachadinha, em lavar dinheiro, em esconder umas notas na cueca (do assessor, o que é mais higiênico) e em convencer juízes. Pô, o cara é perfeito para mim!

Tenho que eleger esse sujeito de qualquer jeito. O Lira se encaixa no meu estilo de governo feito uma mão na luva. Ou um dedo no nariz.

*José Roberto Torero é autor de livros, como “O Chalaça”, vencedor do Prêmio Jabuti de 1995. Além disso, escreveu roteiros para cinema e tevê, como em Retrato Falado para Rede Globo do Brasil. Também foi colunista de Esportes da Folha de S. Paulo entre 1998 e 2012.

#diariodobolso


Ferréz: falta tirar da invisibilidade o que a periferia já faz

Ferréz (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247)

Escritor diz que a periferia já promove todos os tipos de atividades políticas e culturais, mas a sociedade como um todo não enxerga a riqueza desta região e suas iniciativas. “A periferia tem muita coisa e já faz muita coisa, o que falta é as pessoas acordarem”. Assista na TV 247.

247 - Novo comentarista semanal do programa Boa Noite 247, onde participará às terças-feiras, o escritor Ferréz, do Capão Redondo, zona sul de São Paulo, trouxe o olhar da periferia sobre a situação do Brasil, das fake news relacionadas à vacina e a opinião dos moradores sobre Jair Bolsonaro.Comentando a proposta do jurista Alysson Mascaro de criar pelo Brasil centros socialistas de discussão para romper com a lógica do capital, Ferréz afirmou que a iniciativa não tem chances de dar certo na periferia.

Segundo ele, as zonas mais pobres do país já contam com todos os tipos de atividades culturais, mas a elite brasileira não enxerga este fato. Para o escritor, é preciso tirar da invisibilidade os eventos promovidos por esses bairros, e não “reinventar a roda”.

“O que falta é tirar da invisibilidade, o que falta é dizer: ‘tem um sarau na Zona Sul de São Paulo que junta 300 poetas anônimos e todos eles recitam, e tem público para assistir esses poetas anônimos. A maioria deles que não tem nem livros’. Falta tirar da invisibilidade o que a periferia já faz. A periferia tem muita coisa e já faz muita coisa, o que falta é as pessoas acordarem e falarem: ‘bom, isso aqui eu reconheço, eu participo, eu faço parte’. Por que é isso, o político sempre está de um lado e a população está do outro. Então como demonizaram a política fica muito mais fácil de dominar, mas a periferia já tem tudo, não adianta inventar nada. Se você falar, ‘quero um centro de discussões para pensadores marxistas’. Tem. É só você procurar no lugar certo que você vai achar. ‘Quero uma editora de periferia’. Tem. Gravadora de periferia tem, estúdio tem, tem tudo. O que não tem é a legitimidade, é tirar da invisibilidade, é você mostrar para o povo, o outro lado, da elite, que isso existe, é tirar mesmo da margem”, falou.

Fonte: Brasil 247

Lady Gaga pede impeachment de Trump após invasão do Capitólio

Lady Gaga (Foto: Reuters)

"Ele incitou o terror doméstico - quanta violência mais precisa acontecer? Isso é terrorismo”, afirmou a cantora pop Lady Gaga.

247 - A cantora pop Lady Gaga, que fez campanha para Joe Biden (Democrata) nas eleições norte-americanas de 2018, se juntou ao coro de celebridades que estão pedindo o impeachment de Donald Trump (Republicano) após o presidente dos Estados Unidos incitar a invasão do Capitólio, sede do Legislativo nos EUA.

Em publicação no Twitter nesta sexta-feira, 8, Gaga disse preferir o impeachment ao afastamento de Trump pela 25ª Emenda, porque esta última não impede Trump de voltar a se candidatar.

“Espero que nos concentremos no impeachment de Trump para que o Congresso tenha autoridade constitucional para possivelmente desqualificá-lo de futuras eleições - a Emenda 25 não o desqualifica. Ele incitou o terror doméstico - quanta violência mais precisa acontecer? Isso é terrorismo”, afirmou a cantora.

Fonte: Brasil 247


sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Jovens serão mais de 4 mil representantes nas Câmaras - por Cristiane Tada . Por UNE

É do movimento estudantil e partidos e esquerda que vieram grande parte dos candidatos na faixa etária de 18 a 29 anos.

O pleito municipal de 2020 foi uma eleição que marcou a história. Jovens, mulheres, negros e LGBTs ampliaram sua participação nas prefeituras e em Câmaras de Vereadores de todo o Brasil. As sementes das novas regras eleitorais e o avanço de candidaturas do campo progressista em resposta ao Bolsonarismo tem dado frutos, pequenos ainda, mas expressivos como um passo a frente sem volta.

Entre os jovens é preciso ter 18 anos até a data de posse para se candidatar, e nessa faixa até os 29 anos, denominação estabelecida pelo Estatuto da Juventude para o termo jovem, eles serão 7,09% na vereança. Ou seja dos 57.091 vereadores eleitos para as Câmaras Municipais de todos os estados da federações, 4.047 são jovens.

Apesar do aumento das candidaturas infelizmente o número efetivo de eleitos diminuiu um pouco desde a eleição de 2016. Naquele ano o percentual foi de 7,8%.

“Mesmo com o cenário adverso de pandemia, ainda sim vemos vários candidatos eleitos que vieram do movimento estudantil, que aprenderam dentro da UNE que é pela via política que podemos mudar esse país o que nos orgulha muito. E mesmo os não eleitos só de colocar sua candidatura na rua estão provando que a juventude está convencida de que os espaços de decisão nesse país precisam dela”, comentou o presidente da UNE, Iago Montalvão.

Diversidade avança

Entre este jovens que estarão nos legislativos locais em 2021 ainda predominam os homens: são 83% deles. O que deriva exatamente do dado total dos eleitos 65% homens e 34,7% são mulheres. Mas em relação a eleição anterior as vereadoras aumentaram em quase 3%.

Para o presidente da UNE partidos de esquerda tem responsabilidade direta nesse aumento das candidaturas jovens e diversas.

“Assim como a ex-vice presidenta da UNE, Moara Saboia, primeira mulher negra no cargo da entidade foi eleita vereadora pelo PT em Contagem, Minas Gerais, e a ex-diretora da UNE Vivi Reis eleita pelo PSOL a vereadora mais votada de Belém no Pará temos muitos exemplos em todas as regiões do país.

Estes partidos trazem em seus quadros percentuais reais de mudança”, destacou.

Sim, de um modo geral a diversidade está mais presente. Na soma das 25 capitais que tiveram eleições, mulheres e homens pretos ou pardos serão 44% dos vereadores. Nas dez cidades com maior número de vereadores – como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador,… – a participação de mulheres cresceu 43%, passando de 58 para 83 cadeiras de um total de 421.

Se eleita prefeita pelo PCdoB no segundo turno a ex- diretora da UNE, Manuela D’Ávila vai governar Porto Alegre com um legislativo que será a maior representação feminina entre os vereadores do Brasil. A capital do Rio Grande do Sul elegeu 11 mulheres para a Câmara Municipal, 30% do total de vereadores que iniciarão o mandato em janeiro.

Em relação à raça mesmo com aumento das candidaturas negras a avanço tem sido tímido, as Câmaras Municipais seguem com maioria branca no país.

A proporção de brancos diminuiu de 2016, quando eles foram 57,1% dos eleitos vereadores. Neste quesito o partido PC do B merece destaque por ter 70% dos seus vereadores eleitos pretos ou pardos.

Ainda assim os legislativos no próximo ano continuam mais brancos do que a população brasileira em geral com 53% dos políticos que assim se declararam. Segundo o IBGE, 42,7% dos brasileiros são brancos, e 56,2%, negros.

Essa também é a realidade da maioria da federação. Contrapondo o perfil racial dos vereadores eleitos e o da população de cada estado, é possível constatar que 22 dos 26 estados devem ter Câmaras Municipais mais brancas e menos negras que os habitantes locais.

“Ainda temos muito que avançar, mas é inegável que esta eleição mostrou que estamos virando o jogo”, afirmou Iago.

DIVERSIDADE Magazine Luiza aumenta número de contratados em trainee para negros... Leia mais em https://www.cartacapital. direito autoral.

FOTO DE DIVULGAÇÃO DO PROCESSO SELETIVO PARA TRAINEE DA MAGAZINE LUIZA (FOTO: DIVULGAÇÃO/99JOBS).

A repercussão fez as inscrições ultrapassarem o número de 22,5 mil. A empresa anunciou que vai contratar 19 trainees, em vez de dez, como era o habitual.

“Gente boa a gente quer, ainda mais para cumprir um propósito que, para nós, é relevante, de aj... Leia mais em https://www.cartacapital.com.br/diversidade/magazine-luiza-aumenta-numero-de-contratados-em-trainee-de-negros/. 

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Na argumentação, o defensor utilizou do Estatuto da Igualdade Racial para apontar “discriminação” por parte da empresa. Como exemplo, citou uma crítica do atual presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo – famoso também por atacar const... Leia mais em https://www.cartacapital.com.br/diversidade/magazine-luiza-aumenta-numero-de-contratados-em-trainee-de-negros/. O conteúdo de CartaCapital está protegido pela legislação brasileira sobre direito autoral. Essa defesa é necessária para manter o jornalismo corajoso e transparente de CartaCapital vivo e acessível a todos.

Fonte: https://www.cartacapital.com.br

As mentiras de Bolsonaro sobre o “país quebrado’ e os privilégios - Por JORNALISTAS LIVRES


A nota da unafisco mostra que é viável cumprir a promessa de Bolsonaro de dar isenção de imposto de renda para quem ganha até cinco salários mínimos, que custa aproximadamente 46 bilhões.E para tal bastaria reduzir os R$ 300 bilhões de privilégios tributários. Por outro lado a criação do imposto de grande fortunas geraria R$ 59 bilhões por ano. Já a cobrança de imposto sobre lucros e dividendos para pessoa jurídica renderia R$ 60 bilhões por ano.

Duas notas importantes do Unicom (sindicato nacional dos auditores e técnicos federais de finanças e controle) e da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco) rejeitam a idéia de que o país está quebrado, como afirmou o despresidente.

A nota da unafisco mostra que é viável  cumprir a promessa de Bolsonaro de dar isenção de imposto de renda  para quem ganha até cinco salários mínimos, que custa aproximadamente 46 bilhões.E para tal bastaria reduzir os R$ 300 bilhões de privilégios tributários. Por outro lado a criação do imposto de grande fortunas geraria R$ 59 bilhões por ano. Já a cobrança de imposto sobre lucros e dividendos para pessoa jurídica renderia R$ 60 bilhões por ano.

Portanto saída há, mas como mostra a nota da Unicon

“Estes problemas passam pela ausência de projetos e de perspectiva de desenvolvimento inclusivo, uma vez que a insistência em cortes indiscriminados de gastos em plena emergência sanitária, na redução de direitos, no arrocho de salários e na venda a qualquer preço a qualquer momento do patrimônio público, aponta para um futuro de regressão produtiva com pobreza, miséria e desigualdades crescentes, perpassado por instabilidade política e social”.

Ou seja, enquanto ficarmos presos a lógica do teto do gastos e do rentismo, o país só irá afundar. O teto do gasto significa na pratica a redução de direitos e de serviços públicos oferecidos a população, tal como vimos na reforma da previdência.

E a Unicom aponta “o que induz o governo brasileiro a ‘não fazer nada’ em 2021 são opções políticas e restrições administrativas, como uma regra de teto de gastos mal desenhada e absolutamente inadequada à situação de crise atual”

do vermelho – Unafisco: Bolsonaro mente sobre país “quebrado” e mantém privilégios

O presidente da República, Jair Bolsonaro, mente ao dizer que o Brasil está “quebrado” e por isso não consegue ampliar a isenção na tabela do Imposto de Renda, disse Mauro Silva, presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco). Segundo Silva, Bolsonaro poderia isentar mais faixas de renda acabando com privilégios tributários.

“Chefe, o Brasil está quebrado, chefe. Eu não consigo fazer nada. Eu queria mexer na tabela do Imposto de Renda, teve aí esse vírus, potencializado pela mídia que nós temos aí, essa mídia sem caráter”, disse Bolsonaro nesta terça (5) a apoiadores, em fala que gerou forte repercussão negativa.

A ampliação das isenções do Imposto de Renda para quem ganha até cinco salários mínimos foi uma promessa de campanha de Jair Bolsonaro. Atualmente, são isentos de recolher imposto à os brasileiros com renda mensal inferior a R$ 1,9 mil. Apesar de promessa, a ideia de isentar uma parcela maior de assalariados nunca foi bem-vista pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

De acordo com Mauro Silva, no entanto, seria possível conceder a isenção a mais contribuintes retirando menos de 10% dos privilégios tributários listados no Privilegiômetro, contador lançado pela Unafisco que mede quanto o Brasil perde concedendo abatimentos e isenções tributárias sem retorno à sociedade.

Segundo o Privilegiômetro, até esta quarta-feira a perda de arrecadação com privilégios tributários somava R$ 300,7 bilhões apenas na esfera federal, sem considerar estados e municípios. “Bolsonaro prefere manter o Estado mínimo para o povo e o Estado máximo para os super-ricos. Ele provou que é o presidente dos privilegiados, não dos pobres ”, afirmou o presidente da Unafisco.

O Privilegiômetro contabiliza, por exemplo, a isenção da tributação sobre lucros e dividendos para pessoa jurídica, que representará uma renúncia fiscal de R$ 60 bilhões em 2020.

Também leva em conta o que poderia ser arrecadado com a implementação do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), já previsto na Constituição Federal e que só precisa ser regulamentado por lei complementar. Segundo a Unafisco, o IGF proporcionaria uma receita de R$ 59 bilhões.

A Unafisco computa ainda os gastos de dois programas para empresários. Um deles é o Simples Nacional, mas de maneira parcial. Os benefícios do regime especial para pequenas empresas são considerados privilégio somente para empresas com faturamento anual acima de R$ 1,2 milhão, representando R$ 34 bilhões em renúncia fiscal que, para o Unafisco, não deveria existir.

“O Simples traz de gasto tributário R$ 83 bilhões. Se olhar o nível de emprego, [as empresas com faturamento] até R$ 1,2 milhão geram 60% dos empregos. Aí é que está realmente o interesse público. Agora, a concessão de benefício tributário para a faixa [de faturamento] de R$ 1,2 milhão até R$ 4,8 milhão, não condiz com nenhum país”, afirma Mauro Silva.

NOTA PÚBLICA: O BRASIL NÃO ESTÁ QUEBRADO, MAS NÃO É UMA MARAVILHA A Diretoria Executiva Nacional (DEN) do Unacon Sindical vem a público manifestar-se em relação às recentes declarações do presidente da República e do ministro da Economia de que “o Brasil está quebrado” e a “culpa da situação financeira difícil é do setor público”.

Passadas 24 horas, o presidente voltou atrás, como em outras ocasiões, afirmando que “não, o Brasil está bem, está uma maravilha”. As manifestações foram publicadas na imprensa nesta primeira semana de 2021.

O Brasil não está quebrado, mas certamente não é uma maravilha. O país se aproxima dos 200 mil óbitos oficiais decorrentes da pandemia com quase 8 milhões de infectados, sem perspectiva de reversão da trajetória de contágio e com o sistema de saúde novamente à beira do colapso. A taxa de desemprego em ascensão supera 14% da força de trabalho, enquanto a informalidade chega a 34%. A miséria atinge 14 milhões de famílias, e deverá se agravar com o fim do auxílio emergencial. Depois da crise de 2015-2016 e da semi-estagnação do triênio 2017-2019, o PIB volta a mergulhar em 2020 regredindo ao nível de 2010. Apesar do desemprego e da compressão de salários, a inflação acelera em função da alta do dólar, da desorganização das cadeias produtivas, do desmonte dos estoques reguladores de alimentos e da crise da infraestrutura.

Estes problemas passam pela ausência de projetos e de perspectiva de desenvolvimento inclusivo, uma vez que a insistência em cortes indiscriminados de gastos em plena emergência sanitária, na redução de direitos, no arrocho de salários e na venda a qualquer preço a qualquer momento do patrimônio público, aponta para um futuro de regressão produtiva com pobreza, miséria e desigualdades crescentes, perpassado por instabilidade política e social.

Alternativas existem, assim como muita coisa a fazer: vacinar imediata, gratuita e universalmente a população, manter o auxílio emergencial pelo período que for necessário, planejar a retomada com sustentabilidade ambiental, recuperar o investimento público, recompor salários, tributar os mais ricos etc. A hora é de lutar por elas.

Brasília, 6 de janeiro de 2021.A Diretoria Executiva Nacional do Unacon Sindical

O trabalhador paga mais impostos
Fonte: Jornalistas Livres

Mulheres de luta e arte: as filhas do Rio Arrojado

 

Texto de Méle Dornelas

 POR NINJA

Em umas das regiões mais ameaçadas do Cerrado brasileiro, a arte se soma às vozes das mulheres que se movimentam para transformar um lugar

Agricultoras, camponesas, nordestinas e “cerrativistas”. São essas mulheres, residentes e resistentes do Oeste da Bahia, que Conchita Silva, também defensora do bioma Cerrado, retrata e homenageia em sua obra a luta dessas protetoras da natureza. O Projeto “Gravando a Resistência: desde a década de 70, prefiro…” foi um dos contemplados pelo edital da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, da Prefeitura Municipal de Correntina, a 830 km de Salvador.

Com o recurso conquistado, Conchita dará continuidade à visibilização das guardiãs dos saberes e culturas ancestrais. “A coragem, a representatividade e a afirmação das múltiplas identidades dessas mulheres me estimularam a escutar e registrar quem são elas e contribuir, por meio da arte, para a visibilidade de seus papéis na luta e resistência dos territórios correntinenses com seus rostos e vozes gravados em xilogravuras”, conta Silva sobre o trabalho, composto por xilogravuras e artes de rua como cartazes e “lambe-lambes”.

Estudante de artes visuais e neta de geraizeiros, Conchita também diz que a inserção da palavra “prefiro” aconteceu por essa ser uma expressão muito manifestada pelas personagens. “Prefiro… Prefiro não morrer, mas prefiro morrer lutando” é uma das afirmações escritas em letras manuais na xilogravura que retrata a agricultora familiar do município de Correntina, Dona Ana, uma das personagens deste trabalho.

A resistência vem das mulheres e da arte

Correntina, localizada no Oeste da Bahia, é uma das regiões mais ameaçadas do Cerrado brasileiro. Desde a chegada e expansão desenfreada do agronegócio na década de 70, a região se viu envolvida em conflitos socioambientais, principalmente a violência contra a população local relacionada aos casos de grilagem de terras e à concentração de água voltada aos grandes empreendimentos. Segundo o portal de notícias Mongabay, com base no Diário Oficial, o Cerrado baiano perdeu quase 2 bilhões de litros de água por dia para o agronegócio durante a pandemia da Covid-19.

São centenas de povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares que dependem da biodiversidade do Cerrado para sobreviverem na Bahia. São elas também que se articulam e protagonizam movimentos de luta em defesa de seus territórios e da conservação da biodiversidade e das águas. O Rio Arrojado é um forte exemplo. Um dos mais degradados pela ação das empresas, ele é símbolo de identidade para as comunidades geraizeiras, de fundo e fecho de pasto, quilombolas e tantas outras que aprenderam com seus ancestrais que para viver é preciso manter o Cerrado vivo.

Articuladas em movimentos e organizações, as populações do Oeste da Bahia já protagonizaram diversos levantes contra a ofensiva desordenada das grandes empresas produtoras de commodities. A “Revolta da Água” foi uma delas e conseguiu alcance na mídia nacional. No entanto, há quem seja importante nesses processos de luta, mas permaneça com suas vozes silenciadas. “Sempre escutamos que as mulheres são as mais atingidas, que são as que mais se articulam, mas, quando vamos ver, o protagonismo é sempre tomado pelos homens. Por isso quero trazer o olhar das mulheres, amplificar as vozes delas sobre a luta”, conta Conchita.

As mulheres do Rio Arrojado

Foto: Conchita Silva

Além de Dona Ana, outras camponesas e ribeirinhas ganham traços de xilogravura para contar suas histórias e de seu povo. “Aqui é todo mundo de paz, Ninguém quer guerra. Só queremos nossos rios preservados, só isso. Ninguém vai morrer de sede nas margens do Arrojado, ninguém!”, essa frase, que marcou a luta da população de Correntina, é da professora do meio rural Marinês, e se encontra com os traços cuidadosamente desenhados por Conchita.

A camponesa e mulher negra, como gosta politicamente de se descrever, Dona Nena, também ganha formas artísticas e sua luta e de seus filhos pelo Cerrado se reveste da tinta vinda da umburana. Nena passou dez anos lavando roupa no vale do Rio Arrojado e hoje, a agente de saúde também se considera uma defensora do Cerrado e das riquezas que o bioma traz para sua comunidade e sociedade.

Também recebe traços e poesias de luta no decalque de seu sorriso a geraizeira e ribeirinha Aliene. Diariamente, a correntinense luta em defesa da permanência de sua família em seu território para garantir que gerações futuras tenham o direito de existir com as águas e o Cerrado vivos. Junto com sua representação, pode-se ler o texto da poetisa e também moradora e filha do Cerrado, Jaqueline Honório:

“E não permitiremos que esse grito seja esquecido. Não permitiremos que esse grito morra. Porque não permitiremos que o nosso povo morra.”

O trabalho de Conchita mostra que a luta das mulheres do oeste da Bahia traduz uma realidade que acompanha a trajetória do Brasil. Como não lembrar do legado da mineira Carolina Maria de Jesus ao ouvir as falas e conhecer a história das mulheres baianas? Dona Ana, dona Nena, Marinês e Aliene estão presentes nos quatro cantos brasileiros. São elas que estão em movimento para manter o Cerrado, a Amazônia, a Caatinga e todos os nossos biomas em pé. E são elas que merecem ter suas vozes ecoando país e mundo afora. Vozes que falam em defesa dos territórios conservados, da vida e de quem somos.


Fonte: Mídia Ninja

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

2.500 anos depois, Antígona continua a desafiar o poder

Apesar da passagem do tempo, peça de Sófocles apresenta uma história de desobediência civil e de uma batalha devastadora que, até hoje, continua tocando as pessoas

Tudo começou há quase 2.500 anos, na Acrópole de Atenas, durante a festa em homenagem a Dionísio, o deus do teatro. Os gregos ali presentes conheciam as primeiras – e já marcantes – palavras com que o poeta Sófocles contava a história de Antígona: “Ismênia, minha querida irmã, companheira de meu destino, de todos os males que Édipo deixou, suspensos, sobre a sua descendência, haverá algum com que Júpiter ainda não tenha afligido nossa vida infeliz?”.

Antígona – o público sabia – era uma das duas filhas de Édipo Rei, protagonista da peça anterior de Sófocles e considerado o mais infeliz dos reis de Tebas. Sem saber, Édipo matou o pai, Laio, e se casou com a própria mãe, Jocasta. Quando o diálogo entre Antígona e Ismênia começa, Jocasta já havia se suicidado, e Édipo tinha furado os olhos, se exilado e morrido. Mas aos infortúnios da família se soma uma guerra em que lutaram os dois filhos de Édipo, Etéocles e Polinice.

Como destaca Ismênia, ela e a irmã perderam, “num só dia, dois irmãos, um derramando o sangue do outro, se dando mutuamente o golpe de extermínio”. O enredo que se desenrola a partir deste ponto é tão emocionante que “a peça de teatro mais representada no mundo não é uma das adaptações de Harry Potter, de Hamlet ou qualquer outra obra de Shakespeare: é Antígona”, diz o escritor irlandês Colm Tóibín.

E por que se trata de uma obra tão popular? “Porque é uma peça fantástica”, responde o diretor teatral Olivier Py. Apesar da passagem do tempo, essa história de desobediência civil e de uma batalha devastadora continua tocando as pessoas até hoje.  Vale a pena lembrar seu enredo, um dos mais influentes na história da cultura ocidental.

Com a morte de Édipo morre, quem herda o reino de Tebas são seus filhos Etéocles e Polinice – com a condição de que governem alternadamente. Mas, quando chega a hora de Etéocles ceder o poder ao irmão, ele se recusa, levando Polinice a formar um exército. Depois que os irmãos se matam, seu tio Creonte assume o poder. Sua primeira decisão é honrar a memória de Etéocles e não sepultar Polinice, para que as aves de rapina e as hienas o devorem.

Antígona não aceita isso. A seu ver, embora a sociedade o julgue negativamente, seu irmão merece descansar com dignidade – e ela fará de tudo para honrá-lo com um simples gesto: jogar terra sobre seu corpo.

Py montou Antígona em 2019 com detentos da prisão de Avignon-Le Pontet, na França. Segundo ele, os atores “entenderam profundamente esta ideia de que um homem ainda é um homem, independentemente do que ele tenha feito”. Eis a mensagem mais forte e mais longeva da peça de Sófocles. “O maravilhoso de Antígona é que ela luta pelo direito de expressão e de contar a história sob seu ponto de vista. Por isso, para mim, seu ato de desafiar o Estado ou o poder é importante”, diz Py. “Normalmente só ouvimos a história sob a perspectiva dos fortes, dos vitoriosos ou das autoridades.”

Enquanto estava preso, Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul conhecido por sua luta contra o apartheid, também atuou em uma versão de Antígona produzida na Ilha Robben, onde ficou encarcerado. Para refugiadas sírias no campo de Shatila, no Líbano, que encenaram uma versão da peça, foi um reflexo de suas lutas diárias. Esta versão da obra, criada pelo dramaturgo Mohammad Al Attar, mesclou as experiências das refugiadas.

Sem querer, Al Attar descobriu que várias compartilhavam a mesma angústia de Antígona por não poder enterrar seus entes queridos. “A ideia de honrar nossos mortos é tão fundamental”, diz Tóibín, “que nenhum decreto, nenhuma lei, pode mudá-la”. Ainda assim, suscita dilemas difíceis.

A partir do primeiro diálogo entre as irmãs, Sófocles apresenta o dilema – ou melhor, um dos complicados dilemas com que a peça nos confronta. Antígona leva Ismênia para fora do palácio e conta a ela o que Creonte decidiu fazer com o corpo de Polinice – e sobre o decreto proibindo todos os cidadãos de sepultá-lo ou sequer chorar por ele.

“Sua decisão é fria e ameaça quem a desrespeitar com a lapidação, morte a pedradas”, informa Antígona à irmã, enquanto a confronta com a realidade, sob seu ponto de vista. “Agora sabes tudo. Logo poderás demonstrar se tu mesma és nobre ou se és apenas filha degenerada de uma raça nobre.”

Ismênia, consternada, responde: “Minha pobre irmã, se o caso é esse, que importa o que eu faça ou o que eu não faça?” Para Antígona, a única opção é enterrá-lo: “Enterro meu irmão, que é também o teu. Farei a minha e a tua parte se tu te recusares. Poderão me matar, mas não dizer que eu o traí”.

Ismênia, porém, é mais racional e pede a ela que reflita: “Temos de lembrar, primeiro, que nascemos mulheres, não podemos competir com os homens; segundo, que somos todos dominados pelos que detêm a força e temos de obedecer a eles, não apenas nisso, mas em coisas bem mais humilhantes.” A ideia de “desafiar” é para ela um gesto excessivo e sem sentido: “Peço perdão aos mortos que só a terra oprime: não tenho como resistir aos poderosos. Constrangida a obedecer, obedeço”.

“Sófocles sempre usa esse tipo de dualidade: dois personagens expondo o dilema”, destaca Lydia Koniordou, atriz, diretora e ex-ministra da Cultura da Grécia. Em Antígona, cada irmã assume uma posição: Ismênia defende a sobrevivência; Antígona, a morte honrosa. Nenhuma delas é necessariamente boa ou má. Tudo depende do ponto de vista do público – e esta é uma das razões pelas quais a obra de Sófocles pôde ser apresentada a qualquer momento, em qualquer lugar.

A peça foi encenada até mesmo na França de 1944. Com uso inteligente da linguagem, o dramaturgo Jean Anouilh conseguiu fazer com que sua versão da obra fosse aceita pelos censores nazistas durante a ocupação alemã no país, embora permanecesse claramente uma reflexão sobre a submissão e resistência ao poder e ao controle.

E tem sido assim ao longo dos anos com esta peça, criada numa época em que o teatro tinha um papel muito especial. Atenas, a cidade-estado, foi uma das primeiras democracias do mundo – e, em sua Acrópole, estava um dos primeiros teatros da história… Nada foi por acaso. “O teatro era parte integrante da democracia”, explica Koniordou. “Era uma das instituições da democracia: o Parlamento era uma, o Judiciário era a segunda, e a terceira era o Teatro.”

Segundo a ex-ministra grega, “todos os cidadãos iam a Atenas para participar do diálogo e da discussão sobre assuntos públicos e privados da cidade. Para aqueles que não tinham dinheiro suficiente, a cidade dava ingressos grátis”. E Sófocles era um gênio fomentando essas discussões, não apenas convidando à reflexão ao criar situações complexas, mas também personagens multifacetados.

Creonte, o rei, tio de Antígona e pai de seu noivo, poderia facilmente ser classificado como “o vilão”. Mas ele é o homem responsável por unir a sociedade após uma guerra civil. “Ismênia é uma personagem poderosa e interessante, e não fraca como às vezes é retratada”, diz Koniordou.

Já Antígona é uma heroína nem sempre simpática. Ela manipula e despreza a irmã, não é totalmente correta e se aproveita ao máximo da sua situação de vítima. “Antígona é tão exagerada quanto Creonte e igualmente rígida em suas decisões”, afirma a Koniordou. Mas ela questiona o poder em um aspecto fundamental: seus limites. Creonte “não tem nenhum direito de me privar dos meus”, declara a personagem.

Tóibín nos convida a lembrar “de qualquer momento em que as mulheres tenham enfrentado governos e o poder”. Cita o caso do movimento #MeToo, que denunciou, sobretudo em Hollywood, casos de assédio e abuso sexual. Ou das Mães da Praça de Maio, que tiveram filhos mortos ou desaparecidos durante a ditadura na Argentina e ocuparam por décadas uma praça icônica de Buenos Aires.

“Elas disseram: ‘Representamos algo mais antigo e verdadeiro que um decreto ou uma legislação, ou o poder do Parlamento ou a ditadura’”, opina Tóibín. “Esta obra permite que a mulher fale e acuse, e permite que ela diga: ‘Eu sei algo que você não sabe sobre o poder e vou desafiá-lo, porque a forma como você o está usando é uma forma de abuso. Você pode ser o rei, mas está errado”, acrescenta o escritor irlandês.

Creonte se dá conta disso. Diferentemente dos políticos modernos “que nunca admitem que cometeram um erro”, diz Koniordou, Creonte tenta reparar os danos. Mas chega dolorosamente tarde demais. Tanto ele quanto Antígona pagam o preço mais alto pelas decisões que tomaram e arrastam seus entes queridos para as profundezas do luto, não sem antes de nos levar a questionar tudo – seja no século 5 a.C., neste século ou, provavelmente, nos que virão. Como diz Tóibín: “Esse mundo de 2.500 anos atrás ainda é, em certa medida, o nosso”.

Com informações da BBC Brasil

Portal BRASIL CULTURA

POETA BRAZ HOMENAGEA O CPC/RN PELOS SEUS 11 ANOS DE LUTAS - CONQUISTAS E RESGATE DA CULTURA POTIGUAR

Foto: BRAZ FAUSTINO
Nova Cruz está em festa/ Apesar das desventura/ Um ano de pandemia/ Mas sem perder a doçura/Hoje o nosso parabéns/ Vai para o Centro Potiguar de Cultura - CPC-RN, * Poeta, Braz Faustino.

"Agradeço-lhe de coração os apoios que o nobre poeta tem dado ao CPC/RN, principalmente depois deste lindo poema acima, valeu, grande amigo". Eduardo Vasconcelos - Presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN; Agente de Cultura, radialista. blogueiro e ativista.

# Braz Faustino. Natural de Passa e Fica. Membro da  ALAAP ( Academia de Letra e Arte do Agreste Potiguar) Poeta, Escultor e Prof. Na rede estadual de educação do RN e na rede municipal de educação de Nova Cruz

sábado, 26 de dezembro de 2020

Diretoria Executiva da UBES anuncia 12º Bienal de Cultura e Arte em 2021

Participação da UBES no evento em março ficou definida na última reunião do ano, que também analisou resultado das eleições municipais e vitórias do movimento secundarista em 2020.

No sábado, 19 de dezembro, a Diretoria Executiva da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas se reuniu virtualmente, analisou a resistência e vitórias de 2020, incluindo resultado das eleições municipais, e traçou batalhas para 2021, que poderão ser organizadas na 12º Bienal de Cultura e Arte, em março. Leia documento completo:

RESOLUÇÃO POLÍTICA – UBES 2020

Pela primeira vez, nossa entidade fez uma transição de gestão online, algo sem precedentes, o que foi um marco, tanto para UBES, quanto para o funcionamento do movimento estudantil. Isso exigiu um constante esforço de reorganização e reposicionamento da dinâmica da UBES para o momento em que o país e o mundo se encontravam.

Desde o começo de nossa gestão, travamos inúmeras lutas com exitosas vitórias no enfrentamento às nossas batalhas, majoritariamente nas redes, estivemos também nas ruas respeitando as normas sanitárias, garantindo importantes conquistas para o movimento secundarista e os estudantes brasileiros.

Ainda no início da gestão iniciamos o debate sobre a democratização do acesso à educação e à internet através da campanha “Internet Pra Geral”. Após o fechamento das Instituições de Ensino devido à pandemia do COVID-19, as redes de ensino foram transferidas para o mundo digital sem qualquer suporte de imediato do Estado. Precisamos continuar na batalha para que os secundaristas tenham condições de acesso ao ensino em meio a pandemia.

Entendendo as dificuldades dos estudantes em meio à pandemia, garantimos o adiamento do ENEM. Liderado pela UBES, o #AdiaENEM foi exitoso ao garantir o direito de realizar a prova para quase 6 milhões de brasileiros. Um movimento que mobilizou a sociedade e ganhou espaço no debate público. Essa conquista foi um verdadeiro contra-ataque à agenda política do governo Bolsonaro e do ministro que então viria a cair, Abraham Weintraub. Derrubamos Weintraub e, talvez, o principal alicerce deste governo. Certamente, um dos piores Ministros da Educação da história.

O “Estudo Pra Geral” alcançou diferentes regiões do país e se somou às outras tantas iniciativas que partiram do movimento estudantil e educacional, no intuito de construir caminhos e saídas para os problemas agravados e desencadeados pelo cenário da pandemia, coisa que o governo federal se furtou a fazer. Levamos aos cursinhos populares  nossas apostilas, entendendo que os jovens brasileiros, que sonham em ocupar as cadeiras das universidades, não poderiam ter esse sonho interrompido pela ingerência de Bolsonaro diante da crise sanitária, social e política que se erradicou no Brasil. Essas iniciativas foram responsáveis por ampliar a voz da UBES junto aos diversos setores da sociedade. Foram construídos fóruns de permanente discussão e composto por segmentos da educação e de representação da sociedade civil nos estados para forçar um debate consequente sobre as possibilidades de retorno às aulas.

Os desdobramentos da negligência de Bolsonaro e do Ministério da Saúde, instável e com diversas trocas ao longo da crise sanitária, contribuíram para  as mais de 180 mil mortes de brasileiros pela COVID-19. A luta em defesa da vida se tornou uma bandeira política diante de tanto atropelo e despreparo. É urgente que o Brasil realize todos os movimentos necessários para que possamos, no ano de 2021, garantir a vacina gratuita para todos os brasileiros, organizando um plano de distribuição, com etapas e que priorize segmentos, como os trabalhadores da educação, devemos combinar as lutas do movimento de educação, da saúde, do movimento negro e de todo o movimento social no Brasil, é nossa responsabilidade de unificar todas as lutas pela urgência da vacinação já!

A luta que travamos desde o Tsunami da educação fizeram parte da defesa do ensino técnico, especialmente dos Institutos Federais, instituições que são responsáveis por parte importante da produção científica do nosso país. A luta pelo IF está ligada às discussões de sua autonomia e democracia interna, a exemplo do Instituto Federal de Santa Catarina e do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, vítimas de intervenções pelo governo Bolsonaro, neste último, onde avançamos pela posse do reitor eleito. Seguiremos em defesa da nomeação dos reitores eleitos, na garantia da democracia e autonomia dos IF’s.

A nossa luta pela vida também está presente na luta pelo fim do genocídio da juventude negra. Estivemos nas ruas por João Pedro, e por tantos outros e outras que morrem todos os dias nas periferias brasileiras pela mão do Estado. Mais uma vez, a Redução da Maioridade Penal entra em pauta e é desta vez, aprovada em parecer pela Secretaria Nacional de Juventude. A UBES foi responsável em 2015 por derrotar, através de uma grande campanha e muito debate com a sociedade, a proposta de redução. Sem titubear, travaremos mais uma vez essa batalha. 

Em meio a todo esse processo, uma bandeira histórica do movimento secundarista, à beira de seu vencimento, através de uma ação coordenada pela UBES, em conjunto com as entidades da educação, tomou fôlego novamente e protagonizou o debate nacional. 

Conseguimos constitucionalizar o FUNDEB e com ampla articulação, garantir 100% do fundo para a educação pública, o qual traz condições de elevar a um alto patamar jamais alcançado pela educação brasileira, marchando, com isso, para universalização e qualidade do ensino básico público. No ano que vem, essa luta deve seguir em cada estado e município para não aceitar qualquer corte ao orçamento da educação, começando com a mobilização em janeiro em torno da votação da Lei Orçamentária.

Essa enorme vitória tem a digital da UBES, nossa pressão institucional e nas redes foi a força motriz para garantir a exclusividade do fundo para a educação básica pública.

São muitos os desafios postos à UBES e os setores da sociedade que fazem parte do enfrentamento à política implementada pelo governo Bolsonaro. Mesmo com a vitória do Enem, o Inep e o MEC de Milton Ribeiro, em sua desorganização, colocaram ainda mais impasses à juventude brasileira. O calendário absolutamente sem critérios do Sisu, Prouni e do Fies coloca em nosso horizonte próximo a necessidade de organizar a luta para garantir o direito da juventude que, apesar de todos os pesares, se preparou ao longo de 2020 para ingressar na universidade. Essa confusão acerca das datas atesta que, apesar da troca de ministro, a ineficiência do MEC e do Inep permanecem. 

Enfrentamos neste ano, também, o pleito eleitoral, mais uma vez estivemos na vanguarda da defesa da educação pública, apresentando nossa plataforma eleitoral a centenas de candidatos e candidatas às prefeituras e câmaras.

Das urnas, veio uma dura derrota ao Bolsonaro e um reconhecido enfraquecimento do bolsonarismo, fruto do desgaste produzido nas lutas travadas pelos movimentos sociais, mas também de sua desastrosa condução diante dos problemas vividos na pandemia. Contudo, o horizonte segue sendo de luta e de grandes batalhas: a expressão dos valores bolsonaristas ainda possuem capilaridade em meio ao povo, e foram capazes de pautar e polarizar importantes discussões na cena das eleições. 

O momento em que vivemos exige responsabilidade! Precisamos, com muita unidade, trabalhar diuturnamente para construir a resistência balizada pela defesa da educação e dos direitos de nosso povo. É nesse sentido, que deliberamos a participação da UBES na 12° Bienal de Cultura e Arte dos Estudantes, para que possamos construir um encontro com a produção científica e tecnológica, que aponte caminhos no que seria a educação pós pandemia, junto à visibilidade da produção artística e cultural que é gerada na escola pelos estudantes secundaristas.

Reunião da diretoria Executiva da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, 19 de  Dezembro de 2020.

Fonte: UBES