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domingo, 18 de setembro de 2022

PROIFES-Federação debate participação feminina na política e luta contra a violência de gênero em Encontro de Educadoras da América Latina


Com uma delegação composta por trinta docentes, o PROIFES-Federação participou neste sábado (17) do primeiro dia do Encontro Regional da Rede de Trabalhadoras em Educação da América Latina. O evento é promovido pela Internacional da Educação da América Latina (IEAL) e integra a programação das celebrações ao Centenário de Paulo Freire, que acontecem de 17 a 21 de setembro, na cidade de Recife/PE.

Presente à mesa de abertura do encontro, a diretora de seguridade social do PROIFES-Federação, Raquel Nery (APUB),  saudou os presentes e destacou o poder da palavra, principal instrumento de luta das e dos docentes. “De fato, a palavra é ferramenta muito poderosa e, ainda que eventualmente seja usada para violências, nós a usamos como instrumento que educa, como instrumento que institui a democracia. Com ela, nós contamos as nossas histórias, fazemos os nossos pactos e estabelecemos a igualdade”, disse a dirigente. Raquel ainda completou, “onde a palavra falha prevalece o assédio, prevalece a violência e se institui a guerra”.

Reunindo centenas de professoras e professores de países como Brasil, Argentina e Costa Rica,  durante o dia de hoje o evento discutiu caminhos para o fim da violência contra mulheres no local de trabalho e a defesa da ratificação da Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Também foram debatidos processos de construção de Políticas de Igualdade nas organizações sindicais. Antes dos debates, foi reservado um momento para homenagear as pessoas que partiram em virtude da COVID-19.

“Hoje, o dia inteiro foi de debates específicos sobre a participação das mulheres nos diferentes países da América Latina, mostrando a dificuldade que ainda existe e que ainda há muita luta e muito desafio para garantir a nossa participação nos movimentos e sindicatos”, explicou a diretora de comunicação do PROIFES-Federação, Gilka Pimentel (ADURN-Sindicato).

A vice-presidenta da ADUFRGS-Sindical, Ana Boff de Godoy, lembrou que as mulheres não são a maioria dos docentes do ensino superior, pois enfrentam dificuldades para acessar mestrado, doutorado e pós-doutorado. “É preciso ter uma dedicação muito intensa e são poucas as mulheres que conseguem. Não por vontade, mas por condições”, ressaltou. A dirigente falou sobre a culpa que muitas mães, incluindo ela, carregam por deixar seus filhos em casa para buscar qualificação e destacou a importância da força de outras companheiras para que essa culpa possa ser enfrentada.

No período da tarde ainda foi apresentado o resultado de uma pesquisa realizada pelo Centro Feminista de Información e Acción da Costa Rica (CEFEMINA), sobre os efeitos da pandemia nas educadoras. A programação do dia foi encerrada com a apresentação da canção da Campanha da Convenção 190 da OIT feita pelo grupo da Costa Rica, Y Somos Todas. As atividades do segundo e último dia do Encontro Regional das Trabalhadoras em Educação da América Latina tem início amanhã (18), às 8h.

Acompanhe a cobertura  em tempo real da celebração do centenário de Paulo Freire nas redes sociais do PROIFES-Federação.


Fonte: PROIFES


ELEIÇÕES 2022: Centrais e MPT vão combater assédio eleitoral dos patrões

Dirigentes das centrais sindicais vão desenvolver uma ação conjunta com o Ministério Público do Trabalho (MPT) para ampliar o combate a práticas ilegais dos patrões contra os trabalhadores nos locais de trabalho, como assédio eleitoral. Outro objetivo comum é intensificar o enfrentamento ao trabalho infantil e ao análogo ao escravo.

Segundo informações do presidente nacional da CTB, Adilson Araújo, esse compromisso é resultado da reunião realizada quinta-feira (15), entre as centrais sindicais e o procurador-geral do Ministério Público do Trabalho (MPT), José de Lima Ramos Pereira. Além de Araújo, participaram os presidentes da CUT, Sergio Nobre, da Força Sindical, Miguel Torres e da UGT, Ricardo Patah. O encontro foi em Brasília.

O procurador-geral do MPT pediu que as centrais sindicais esclareçam os sindicatos de base sobre a importância de denunciar ao Ministério Público do Trabalho os patrões que tentam obrigar o trabalhador a votar em determinado candidato. Também devem ser denunciados empresários e empresas que impeçam os trabalhadores e as trabalhadoras de expressar livremente sua opinião.

As reuniões para debater as ações serão marcadas para depois das eleições. O procurador-geral José de Lima disse aos sindicalistas que a instituição está preparada, em nível nacional, para atender a qualquer demanda relacionada a direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, seja urgente ou não.

As centrais entregaram ao procurador-geral a Pauta da Classe trabalhadora, documento aprovado durante a Conclat-2022. Participaram também da reunião o diretor-geral do MPT, Gláucio Araújo de Oliveira; o subprocurador-Geral do Trabalho Francisco Gérson Marques de Lima; o coordenador e o vice-coordenador da Coordenadoria Nacional de Promoção da Liberdade Sindical e do Diálogo Social (Conalis), respectivamente, Ronaldo Lima dos Santos e Jefferson Luiz Maciel Rodrigues; e a vice-coordenadora da Coordenadoria Nacional de Promoção de Igualdade de Oportunidades (Coordigualdade), Melícia Alves de Carvalho Mesel


Fonte: CTB NACIONAL

Bolsonaro não reajusta merenda e crianças dividem ovo ou comem bolachas com suco - Escrito por: Redação CUT | Editado por: Marize Muniz

FOTOS: REDES SOCIAIS/ARTE: DOLPHIN DI LUNA

Com a inflação dos alimentos em disparada e as verbas federais para a merenda congeladas desde 2017, itens básicos como carne e arroz sumiram dos pratos das crianças.


Em uma Escola Municipal de Educação Infantil, a Emei Ipiranga, de Belo Horizonte, cada criança recebe a quarta parte de um ovo, uma colher de arroz, pequena porção de verduras e um pouco de molho de carne.


No sertão baiano, as crianças da escola Francisca Mendes Guimarães, em Nova Fátima, recebem menos ainda, têm de escolher entre bolachas doces e salgadas e pegar um copo de suco de maracujá.


Com a inflação dos alimentos acumulando altas consecutivas e mais de 125 milhões de brasileiros passando fome, itens básicos como carne e arroz sumiram dos pratos das merendas nas escolas, muitas vezes as únicas refeições que as crianças tinham no dia.  


Esse é o resultado do congelamento das verbas federais destinadas à merenda escolar, que está sem aumento real há cinco anos, ou seja, desde o golpe que destituiu a presidenta Dilma Rousseff (PT).


E a tendência é piorar. No começo deste mês, o presidente Jair Bolsonaro (PL) vetou a emenda parlamentar à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que previa o reajuste com correção pela inflação de 34% ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).


Se aprovada, a emenda  destinaria pelo menos, R$ 5,53 bilhões à alimentação escolar, um aumento de R$ 1,5 bilhão em relação aos atuais R$ 3,96 bilhões.


Segundo dados do Ministério da Educação, atualmente, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) destina R$ 0,36 para a alimentação por dia de cada criança do ensino fundamental, em média R$ 0,53 por aluno da pré-escola e T$ 1,07 pra creches. O restante do valor da merenda é complementado pela arrecadação dos estados e municípios.  


“O valor do reajuste per capita não pagaria um pãozinho, isso quer dizer que tiramos um pãozinho de cada criança/jovem deste país”, afirma o presidente interino da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão. “O valor per capita com o reajuste já seria irrisório e isso só mostra o descaso de Bolsonaro com a educação”, acrescenta o dirigente.


O governo Bolsonaro alegou que vetou a emenda para não estourar o teto de gastos e afetar outros programas sociais. Lembrando que o presidente também cortou em 59% verba do Farmácia Popular e em 50,1% a do Mais Médicos.


O Projeto de Lei Orçamentária enviado ao Congresso também não prevê reajuste para o exercício de 2023.

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, os gestores municipais das escolas alegam que a  defasagem do Pnae, de responsabilidade do governo federal, tem elevado os custos municipais, mais impactada com a inflação dos alimentos.


O Pnae atende 41 milhões de estudantes e o valor é repassado diretamente para Estados e municípios. O valor diário é de R$ 1,07 para as creches, R$ 0,53 para a pré-escola e de R$ 0,36 para o ensino fundamental e médio.


Segundo dados da Dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) a fome dobrou nas famílias com crianças menores de 10 anos, passando de 9,4% em 2020 para 18,1% em 2022.


Estudo da Rede Penssan, divulgado na quinta-feira (15), aponta que 37,8% dos lares com crianças de até 10 anos sofrem com a fome ou redução da quantidade e da qualidade dos alimentos.


Fonte: CUT NACIONAL


sábado, 17 de setembro de 2022

Veja a nova programação da Celebração do Centenário de Paulo Freire

 

Neste ano de 2022, com a vacinação e todas as medidas de segurança sanitárias, a celebração do Centenário de Paulo Freire será realizada presencialmente de 17 a 20 de setembro em Recife (PE). Inclusive teve alteração do local do ato político e show cultural que terá no dia 18. [veja abaixo a programação completa]

A programação contará com plenárias e encontros durante os quatro dias de atividades. Será uma jornada com muita alegria e cultura popular para celebrar o legado e os ensinamentos do pedagogo, filósofo e educador do povo. Celebrar Paulo Freire é celebrar a luta em defesa da Educação como instrumento de transformação da nossa realidade, é celebrar a construção de uma sociedade mais justa e solidária!

Programação | Celebração Centenário Paulo Freire

Sábado, 17 de setembro de 2022
Encontro da Rede de Mulheres Trabalhadoras em Educação da Internacional da Educação para a América Latina.
Local: Mar Hotel

09h às 10h Boas vindas
10h às 11h – Exposição: Análise de Conjuntura na Perspectiva feminista na América Latina – Tatau Godinho.
11h às 12h30 – Campanha da Internacional da Educação sobre a Convenção 190: Intervenção lideranças local. Expositoras: Argentina, Chile, Uruguai e Peru.
12h30 às 14h – Almoço
14h às 15h30 – Exposição sobre as políticas de gênero nos Sindicatos da Educação: Maritza Rojas/Costa Rica.
17h às 22h – Apresentação Y Somos Todas: Canção da campanha C190 IEAL. Apresentação musical MAF Tula (Costa Rica) e Bruta Flor (Brasil).

Domingo, 18 de setembro de 2022
08h às 09h – Saudação e reconhecimento a mulheres presidentas de organizações Sindicais da Educação.
09h às 11h – Exposição: Conjuntura por país e organização – A voz das educadoras Latino-americana na perspectiva feminista.
11h às 11h30 – Linhas de trabalho da rede no futuro próximo.

Domingo, 18 de setembro de 2022
Ato Político – Cultural
Local: Praia do Pina

14h às 14h20 – 1º Bloco – Saudação da Comissão Organizadora (CNTE, REDESTRADO, CONTAG, CAMPANHA, ANFOPE).
14h20 às 15h – Show Y Somos Todas
15h às 15h30 – 2º Bloco – Saudação Entidades Locais
15h30 às 16h30 – Show Lia de Itamaracá
16h30 às 17h30 – 3º Bloco – Saudação Entidades Nacionais
17h30 às 18h30 – Show Silvério Pessoa
18h30 às 19h – 4º Bloco – Saudação Entidades Internacionais
20h – 21h30 – Show Chico César

Segunda, 19 de setembro de 2022
Plenária Popular Mundial da Educação
Local: Universidade Federal de Pernambuco – Concha Acústica Paulo Freire – Universidade Federal de Pernambuco

09h às 09h40 – Abertura Cultural – Afoxé Oyá Alaxé – Recife (PE) e Hilton Acioli

Mesa 1: O legado de Paulo Freire na Educação Mundial. Apresentação: África, Europa, América Latina.

Mesa 2: A importância de Paulo Freire na Educação Brasileira – Nita Freire, Eliete Santiago e Sérgio Haddad

Apresentação Cultural – Hilton Acioli
Encerramento – Caminhada até a estátua de Paulo Freire

Segunda, 19 de setembro de 2022
Movimento Pedagógico Latino-americano: VI Encontro Regional
Local: Mar Hotel Conventions.

17h – Abertura Hugo Yasky. Presidente do Comitê Regional da Internacional da Educação da América Latina.
Conferência Magistral: Jornalista e fundador do Opera Mundi: Breno Altman.

Terça, 20 de setembro de 2022
09h às 10h – Apresentação dos estudos realizados no período da pandemia.
Dra. Dalila Andrade: Trabalho Docente em tempos de pandemia: Um olhar regional latino-americana.
Lic. José Manuel Valverde. Experiências didáticas pedagógicas laborais das práticas docentes em tempos de Covid 19 na América Latina.
10h às 12h30 – Plenária
12h30 às 14h – Almoço
14h às 15h – Apresentação das conclusões da evolução do Movimento Pedagógico Latino-americano: Martiza Rojas – Flasco/Costa Rica.
15h às 16h – Reflexões em grupos de trabalho
16h às 17h30 – Plenária
17h30 – Apresentação da Declaração do VI Encontro do Movimento Pedagógico Latino-americano.
18h – Encerramento.

Fonte: FNPE - https://www.proifes.org.br

Gestão Bolsonaro na Educação é a pior da história

 Crédito da imagem: Antônio More/Gazeta do Povo 

Que a gestão Bolsonaro na Educação tem sido pior a cada dia não é novidade. Mas, segundo dados disponíveis, pode-se também falar em uma das piores gestões da história.

A vida dos estudantes tem sido cada vez mais difícil. Desde o início do (des)governo Bolsonaro, tanto o presidente quanto seus representantes nos ministérios têm contribuído para este cenário.

Cortes na educação, falas preconceituosas, insegurança alimentar, ameaças aos institutos federais e às universidades públicas. Estes são apenas alguns dos principais pontos de atenção quando se fala na gestão Bolsonaro na educação. 

MINISTRO DA EDUCAÇÃO VIROU LENDA NO BRASIL

A trajetória deste (des)governo já se iniciou com a gestão do Ministério da Educação. Uma sequência de ministros assumindo o cargo e conseguindo ser ainda piores que os anteriores. Além deles, as equipes no Ministério também se pautavam pela guerra cultural e ideológica que não traz nenhum tipo de benefício aos estudantes.

Ao todo, foram 4 ministros:

  • Ricardo Vélez, que ficou até 8 de abril de 2019. 
  • Abraham Weintraub, que durou até 20 de junho de 2020.
  • Carlos Alberto Decotelli, que só aguentou 5 dias no cargo.
  • Milton Ribeiro, que brincou bastante até 28 de março de 2022.
  • Victor Godoy, que está por lá hoje, mas vai saber até quando. 

E AÍ VEIO A PANDEMIA…

Se o que já caminhava para se tornar algo mal estabelecido e visando apenas a reeleição do presidente Jair Bolsonaro, com a pandemia, a gestão educacional sofreu um golpe certeiro. O impacto? Brutal e justamente maior pela falta de ações do órgão.

O que pôde ser comprovado com os dados negativos apresentados pelo Censo Escolar de 2021, que exemplificou, entre outras questões, uma taxa de abandono do Ensino Médio de 5% em comparação a 2,3% em 2020. 

BOLSOLÃO DO MEC 

Falando em ministros, Milton Ribeiro fez questão de marcar sua singela participação no Ministério com escândalos e uma pitada de desvios da verba que Bolsonaro já havia feito questão de diminuir. 

Ao todo, fala-se em um corte de R$3,2 bilhões de reais, que Ribeiro ainda negociou como propina com prefeitos e outros envolvidos em seu esquema, que Bolsonaro anunciou botar a cara no fogo para defender. 

Quer entender melhor sobre o esquema do Bolsolão do MEC? Clique aqui.

Não há dúvidas de que a gestão Bolsonaro faz a vida do estudante (que já não era fácil no Brasil) ficar ainda mais complexa. Mas, a UBES acredita que há como reverter este cenário. 

Clique aqui e saiba mais sobre como foi o #11A e a geração que vai derrotar o vacilão. 

Fonte: UBES

Senador protocola 150º pedido de impeachment de Bolsonaro por ‘pedalada’ na cultura - Escrito por: Redação RBA

Imagem: reprodução

Ministro da Economia, Paulo Guedes, também é alvo de questionamentos do senador Jean Paul Prates (PT-RN) que aponta violação em manobra de Bolsonaro para adiar repasses ao setor cultural e de eventos.


O senador Jean Paul Prates (PT-RN) apresenta nesta sexta-feira (16) novo pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro (PL). De acordo com o parlamentar, o mandatário, candidato à reeleição, cometeu novo crime de responsabilidade ao adiar a execução das leis Paulo Gustavo, Aldir Blanc e Perse – que preveem repasses para o setor cultural e de eventos – para liberar recursos ao orçamento secreto, o esquema paralelo bilionário barganhado pelo governo federal para conseguir o apoio do Centrão no Congresso Nacional. 

 

A manobra fiscal, ainda segundo Prates, configura uma “pedalada” e viola a legislação orçamentária. O pedido de impeachment também enquadra o ministro da Economia, Paulo Guedes, por contrariar o Legislativo.

 

“O chefe do Poder Executivo violou decisões provadas e reafirmadas pelo Congresso Nacional, em flagrante desrespeito ao Parlamento e ao processo legislativo e orçamentário previsto na Constituição Federal de 1988”, detalhou o senador à coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo.

 

Calote na cultura

 

A manobra consta em Medida Provisória (MPV) 1.135/2022 publicada pelo presidente no Diário Oficial da União no dia 29 de agosto. Ela permite ao governo federal adiar os repasses das leis Paulo Gustavo, Aldir Blanc 2 e Perse. No caso das duas primeiras legislações, elas chegaram a ser integralmente vetadas por Bolsonaro até que foram promulgadas, em julho, após o Congresso Nacional derrubar os vetos. O texto original estabelecia que a União deveria entregar a estados, Distrito Federal e mun icípios repasses de, respectivamente, R$ 3,862 bilhões e R$ 3 bilhões, respectivamente.

 

Já a Lei do Perse assegurava o teto de R$ 2,5 bilhões em indenizações a serem pagas ao setor de eventos pelos prejuízos provocados pela pandemia de covid-19, que paralisou as atividades culturais do país.

 

O governo Bolsonaro, no entanto, retirou o caráter impositivo das medidas, introduzindo a expressão “fica a União autorizada”. Além disso, acrescentou que a destinação do montante da lei Paulo Gustavo, que deveria ocorrer em, no máximo, 90 dias após a publicação da lei, portanto, ainda neste ano, fosse adiado para o “exercício de 2023”.

 

Na última segunda-feira (12), o chefe do Executivo publicou texto apresentando o calendário de execução da Lei Aldir Blanc para início em 2024. Quando, pelo texto aprovado no Congresso, o pagamento deveria ocorrer em parcela única “no primeiro exercício subsequente ao da entrada em vigor desta lei e nos quatro anos seguintes”.

 

150 pedidos de impeachment

 

A “pedalada” contra o setor cultural é agora o 150º pedido de impeachment protocolado contra Bolsonaro. Ao todo, de acordo com levantamento da Agência Pública, mais de 1.550 pessoas e mais de 550 organizações já assinaram pedidos de afastamento do presidente da República. 

 

Até o momento, no entanto, dos 149 documentos enviados ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), apenas sete foram analisados. Todos eles arquivados ou desconsiderados pelo deputado, que é aliado de Bolsonaro. Os outros 142 ainda aguardam análise. 

Fonte: CUT NACIONAL

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

CULTURA & MÍDIA, INTERNACIONAL - As relações obscuras e perigosas entre o Facebook e agentes da CIA

Uma série de documentos confidenciais revelados pelo Wikileaks e o analista de sistema Edward Joseph Snowden desde 2010 revelaram a existência de uma rede mundial de espionagem comandada pelos Estados Unidos com base nas plataformas digitais monopolizadas por um pequeno grupo de gigantes da internet, usada para espionar líderes e empresas estrangeiras, como Dilma Rousseff, desestabilizar governos progressistas e favorecer os interesses das classes dominantes do país.

As denúncias, escandalosas, tiveram ampla repercussão em todo o mundo. A reação dos imperialistas estadunidenses foi perseguir os especialistas que desnudaram seus crimes. Assange, editor chefe do Wikileaks, está preso na Inglaterra e sob ameaça de expulsão para os EUA, onde corre o risco de ser assassinado. Snowden fugiu e vive foragido, exilado na Rússia. A mídia burguesa noticiou os fatos sem fazer alarde e deixou que o tempo se encarregasse de acobertar as denúncias, gravíssimas, com o cínico manto do silêncio.

A rede de inteligência do Tio Sam não sofreu maiores abalos, continua funcionando normalmente. As relações entre as empresas privadas que controlam as plataforamas e os serviços de inteligência e espionagem de Washington é mais profunda do que em geral se imagina, conforme sugere o artigo reproduzido abaixo sobre a presença da CIA no Facebook.

Por Alan Macleod*

É um trabalho desconfortável para quem tenta traçar a linha entre “conteúdo prejudicial e proteger a liberdade de expressão. É um equilíbrio”, diz Aaron. Em vídeo o funcionário do Facebook, Aaron, identifica-se como o gestor da “equipe que escreve as regras para o Facebook”, determinando “o que é aceitável e o que não é”. Assim, ele e a sua equipe decidem efetivamente qual o conteúdo do que veem e do que não veem os 2,9 bilhões de utilizadores ativos da plataforma.

Aaron foi entrevistado num brilhante armazém que  foi transformado em estúdio. Veste um suéter roxo e jeans azuis. Aparece como uma pessoa muito simpática e sorridente. Não é um trabalho fácil, é claro, mas alguém tem de fazer essas chamadas. “A transparência é incrivelmente importante no trabalho que faço”, diz ele.

Aaron é funcionário da CIA ou, pelo menos, era, até julho de 2019, quando deixou o cargo de gestor analítico sénior da agência para se tornar gestor sênior de política de produtos para desinformação na Meta, empresa proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp. Na sua carreira de 15 anos, Aaron Berman tornou-se  um membro altamente influente da CIA. Durante anos, preparou e editou o resumo diário do presidente dos Estados Unidos, “escrevendo e supervisionando análises de inteligência para permitir que o presidente e altos funcionários dos EUA tomem decisões sobre as questões de segurança nacional mais críticas”, especialmente sobre “o impacto das operações de influência em movimentos sociais, segurança e democracia”, diz o seu perfil no LinkedIn . Nada disso é mencionado no vídeo do Facebook.

No entanto, o caso de Aaron Berman está longe de ser único. Estudando os relatórios da Meta, bem como sítios e bancos de dados de empregos, o MintPress descobriu que o Facebook recrutou dezenas de indivíduos da Agência Central de Inteligência (CIA), bem como muitos outros de outras agências como o FBI e o Departamento de Defesa (DoD). Essas contratações verificam-se principalmente em setores políticos altamente sensíveis, como confiança, segurança e moderação de conteúdo, a ponto de alguns acharem difícil ver onde termina a segurança nacional dos EUA e começa o Facebook.

Em investigações anteriores, este autor detalhou como o TikTok é inundado com funcionários da NATO, como ex-agentes do FBI abundam no Twitter e como o Reddit é liderado por um ex-planejador de guerra do think tank da OTAN, o Atlantic Council. Mas a grande escala de infiltração do Facebook  afasta-os. O Facebook, em suma, está repleto de fantasmas.

Confie em mim, amigo

No sentido político, confiança, segurança e desinformação são as partes mais sensíveis da operação da Meta. É aqui que são tomadas as decisões sobre qual o conteúdo permitido, o que será promovido e quem ou o que será suprimido. Essas decisões afetam as notícias e informações que milhares de milhões de pessoas veem todos os dias em todo o mundo. Portanto, os responsáveis pelos algoritmos detêm muito mais poder e influência sobre a esfera pública do que os editores dos maiores veículos de notícias.

Há vários outros ex-agentes da CIA a trabalhar nesses campos. Deborah Berman, por exemplo, passou 10 anos como analista de dados e inteligência na CIA antes de ser contratada recentemente como gestora de projetos de confiança e segurança da Meta. Pouco se sabe sobre o que ela fez na agência, mas as suas publicações  anteriores à ida para a CIA indicam que ela era especialista em Síria.

Entre 2006 e 2010, Bryan Weisbard era um funcionário de inteligência da CIA. O seu trabalho implicava, nas suas próprias palavras, liderar “equipes globais para conduzir o contra-terrorismo e investigações cibernéticas digitais”, “identificar propaganda de desinformação da média social online e campanhas de influência”. Logo depois disso,  tornou-se diplomata (sublinhando o quão próxima é a linha entre essas duas profissões) e atualmente é diretor de confiança e proteção, segurança e privacidade de dados da Meta.

Enquanto isso, o perfil do LinkedIn de Cameron Harris – analista da CIA até 2019 – observa que ele agora é um gestor de projetos de confiança e segurança da Meta.

Indivíduos de outras instituições estatais também são abundantes. Emily Vacher foi funcionária do FBI entre 2001 e 2011, chegando ao posto de agente especial de supervisão. A partir daí ela foi “caçada” pelo Facebook/Meta, e agora é diretora de confiança e segurança. Entre 2010 e 2020, Mike Bradow trabalhou para a Usaid, tornando-se vice-diretor de políticas da organização. A Usaid é uma organização financiada pelo governo dos EUA que financiou ou administrou várias golpes de Estado na América Latina, inclusive na Venezuela em 2002, Cuba em 2021 e tentativas em andamento na Nicarágua [NR: também teve papel proeminente no golpe militar de 1964 no Brasil]. Desde 2020, a Meta contratou Bradow como gestor de políticas de desinformação.

Outros têm passados semelhantes. Neil Potts, ex-funcionário de inteligência do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, é vice-presidente de confiança e segurança do Facebook. Em 2020, Sherif Kamal deixou o seu emprego como gestor de programa no Pentágono para assumir o cargo de gestor do programa de confiança e segurança da Meta.

Joey Chan atualmente detém o mesmo posto de confiança e segurança que Kamal. Até o ano passado, Chan era um funcionário do Exército dos EUA comandando uma companhia de mais de 100 soldados na região da Ásia-Pacífico.

Nada disto quer dizer que qualquer um dos citados não seja consciencioso, que seja uma pessoa má ou incompetente no seu trabalho . Vacher, por exemplo, ajudou a projetar o programa de alerta âmbar do Facebook, notificando as pessoas sobre crianças desaparecidas na sua área. Mas a contratação de tantos ex-funcionários estaduais dos EUA para administrar as operações politicamente mais sensíveis do Facebook levanta questões preocupantes sobre a imparcialidade da empresa e a sua proximidade com o poder do governo. A Meta está tão cheia de agentes de segurança nacional do Estado que, em algum momento, quase se torna mais difícil encontrar indivíduos em confiança e segurança que não tenham sido anteriormente agentes do Estado.

Apesar dos seus esforços para se autodenominar como uma organização progressista e “acordada”, a Agência Central de Inteligência permanece profundamente controversa. Foi acusada de tentar derrubar vários governos estrangeiros (alguns deles democraticamente eleitos), ajudar nazis proeminentes a escapar da punição após a Segunda Guerra Mundial, canalizar grandes quantidades de drogas e armas em redor do mundo, penetrar nos meios de comunicação nacionais, espalhar rotineiramente falsas informações e de funcionamento de uma rede global de “sítios negros” onde os prisioneiros são torturados repetidamente. Portanto, os críticos argumentam que colocar agentes dessa organização no controle dos nossos feeds de notícias é profundamente inadequado.

Uma dessas críticas é Elizabeth Murray que, em 2010, se aposentou de uma carreira de 27 anos na CIA e noutras organizações de inteligência dos EUA. “Isso é insidioso”, disse Murray ao MintPress , acrescentando:

                                   “Eu vejo isso como parte da migração gradual e sinistra de jovens profissionais ambiciosos originalmente treinados (com os recursos virtualmente ilimitados da CIA, financiados pelos contribuintes dos EUA) para vigiar e atacar ‘os bandidos’ durante a chamada Guerra Global ao Terror da era pós-11 de setembro.

O MintPress também entrou em contacto com o Facebook/Meta pedindo que  comentasse, mas não recebeu uma resposta.

Controle global

Alguns podem perguntar qual é a grande admiração. Há um grupo limitado de indivíduos com as habilidades e experiência necessárias nesses novos campos de tecnologia e segurança cibernética, e muitos deles vêm de instituições governamentais. Afinal, os casinos contratam regularmente profissionais de cartas para se protegerem. Mas há pouca evidência de que este seja um cenário de caçador furtivo que se tornou guarda-caça; o Facebook certamente não está a contratar denunciantes. O problema não é que esses indivíduos sejam incompetentes. O problema é que ter tantos ex-funcionários da CIA a administrar a plataforma de informações e notícias mais importante do mundo é apenas um pequeno passo para a própria agência decidir o que se vê e o que não se vê online – e tudo essencialmente sem supervisão pública.

Nesse sentido, esta combinação constitui o melhor dos dois mundos para Washington. Eles podem exercer influência significativa sobre os fluxos de notícias e informações globais, mas mantêm algum verniz de negação plausível. O governo dos EUA não precisa de informar diretamente o Facebook sobre quais políticas deve adotar. Isso ocorre porque as pessoas em posições de tomada de decisão são excessivamente aquelas que subiram na hierarquia da segurança do Estado de antemão, o que significa que as suas perspetivas coincidem com as de Washington. E se o Facebook não  brinca, ameaças silenciosas sobre regulamentação ou quebra do enorme monopólio da empresa também podem alcançar os resultados desejados.

Novamente, este artigo não está a afirmar que qualquer um dos indivíduos mencionados seja um ator nefasto, ou mesmo que seja qualquer coisa menos do que um funcionário-modelo. Este é um problema estrutural. Dito de outra forma, se o Facebook estivesse a contratar dezenas de gestores de agências de inteligência russas como o FSB ou o GRU, todos reconheceriam os perigos inerentes. Deveria ser um pouco diferente quando contrata indivíduos da CIA, uma organização responsável por alguns dos piores crimes da era moderna.

Da inteligência do Estado à inteligência privada

O Facebook também contratou uma infinidade de ex-funcionários de segurança nacional para executar as suas operações de inteligência e segurança online. Até 2013, Scott Stern era um funcionário de escolha de alvos da CIA, chegando a tornar-se  chefe desse setor. Nessa função, ele ajudou a selecionar os alvos dos ataques de drones dos EUA no sul e no oeste da Ásia. Hoje, no entanto, como gestor sênior de inteligência de risco da Meta, a “desinformação” e os “atores maliciosos” são os seus alvos. Espero que ele seja mais preciso no Facebook do que na CIA, onde as próprias avaliações internas do governo mostram que, pelo menos 90% dos afegãos mortos em ataques de drones eram civis inocentes.

Outros ex-agentes da CIA no Facebook incluem Mike Torrey, que deixou o seu emprego como analista sênior na agência para se tornar o líder técnico da Meta de detecção, investigação e interrupção de ameaças complexas de operações de informações, e o ex-contratado da CIA Hagan Barnett, que agora é chefe de operações de conteúdo malicioso na gigante do Vale do Silício.

A equipe de inteligência e segurança online da Meta inclui indivíduos de praticamente todas as agências governamentais imagináveis. Em 2015, a funcionário de inteligência do Departamento de Defesa, Suzanna Morrow, deixou o seu cargo para se tornar diretora de inteligência de segurança global da Meta. O FBI é representado pela gestora de investigações de ameaças Ellen Nixone e pelo chefe de investigações de espionagem cibernética Mike Dvilyanski. A gestora de políticas de operações de influência do Facebook, Olga Belogolova, teve passagens pelo Departamento de Estado e pelo Gabinete do Secretário de Defesa.

Antes da Meta, David Agranovich e Nathaniel Gleicher trabalharam para o Conselho de Segurança Nacional. Agranovich é diretor de interrupção de ameaças globais no Facebook, enquanto Gleicher é chefe de política de segurança. Hayley Chang, diretora e consultora geral associada de segurança cibernética e investigações, trabalhou anteriormente para o FBI e o Departamento de Segurança Interna. E o chefe global de operações de interação da Meta, David Hansell, já foi um homem da Força Aérea e da Agência de Inteligência de Defesa.

Um dos funcionários mais voltados para o exterior da Meta é o seu líder global de informações de ameaças para operações de influência, Ben Nimmo, um personagem que o MintPress já tratou antes. Entre 2011 e 2014, atuou como assessor de imprensa da OTAN, mudando-se no ano seguinte para o Institute for Statecraft, uma operação de propaganda financiada pelo governo do Reino Unido destinada a divulgar informações enganosas sobre inimigos do Estado britânico. Também foi membro sênior do Atlantic Council, o think tank semioficial da OTAN.

Então, talvez, não seja surpreendente que o Facebook nunca encontre operações de influência do governo dos EUA online – elas fazem parte de uma!

Guerra e guerreiros cibernéticos

Embora a Meta não tenha desmascarado nenhuma ação maliciosa do governo dos EUA,  descobre regularmente o que alega serem campanhas estrangeiras de desinformação. De acordo com um relatório recente do Facebook , os cinco principais locais de comportamento falso, coordenado entre 2017 e 2020 na sua plataforma, são a Rússia, o Irão, Mianmar, Estados Unidos e Ucrânia. No entanto, foi difícil detetar que as operações americanas foram conduzidas por franjas de elementos de extrema direita, supremacistas brancos e teóricos da conspiração, e não pelo governo.

Isto apesar do fato de que agora está bem estabelecido que o Pentágono possui um exército clandestino de pelo menos 60.000 pessoas cujo trabalho é influenciar a opinião pública, a maioria delas fazendo isso a partir dos seus teclados. Uma exposição da Newsweek do ano passado chamou-lhe “A maior força secreta que o mundo já conheceu”, acrescentando:

“Além disso, a explosão da guerra cibernética do Pentágono  implica milhares de espiões que realizam o seu trabalho diário sob a capa de várias personalidades inventadas, o mesmo tipo de operações nefastas que os Estados Unidos condenam quando espiões russos e chineses fazem o mesmo.“.

A Newsweek alertou que esse exército provavelmente estava violando leis dos EUA e internacionais ao fazê-lo, explicando que

“Estes são os combatentes cibernéticos de ponta e coletores de informação que assumem falsas identidades online, empregando técnicas de ‘não atribuição’ e ‘atribuição errônea’ para esconder o quem e o onde da sua presença online, enquanto procuram alvos de alto valor e recolhem o que é chamado ‘informações publicamente acessíveis’ — ou até mesmo participar em campanhas para influenciar e manipular os meios de comunicação social.

Já em 2011, o The Guardian relatava essa enorme força cibernética, cujo trabalho era “manipular secretamente sítios dos média sociais usando falsas identidades online para influenciar conversas na Internet e espalhar propaganda pró-americana”. No entanto, os ex-militares e ex-funcionários da CIA que o Facebook emprega parece não terem encontrado nenhum vestígio dos seus ex-colegas que trabalham na plataforma.

Eleições de oscilação digital

Desde o seu início, em 2004, o Facebook cresceu e tornou-se um enorme império global e, de longe, o distribuidor de notícias mais importante que o planeta já conheceu. A empresa possui quase 3 bilhões de utilizadores ativos, o que significa que quase 2 em cada 5 pessoas em todo o mundo usam a plataforma. Um estudo recente de 12 países sugeriu que cerca de 30% do mundo recebe as suas notícias através de seus feeds do Facebook. Isso dá um poder inestimável a quem está encarregado de tomar conta desses feeds e controlar esses algoritmos.

Também representa uma séria ameaça à segurança nacional para todos os outros países, especialmente aqueles que desejam seguir um caminho independente dos Estados Unidos. O fato de essas pessoas serem em grande parte ex-fantasmas torna essa ameaça ainda mais perigosa.

Isto está longe de ser um dilema hipotético. Em novembro, menos de uma semana antes das eleições do país, o Facebook tomou a decisão de excluir centenas de páginas e contas pertencentes a indivíduos e grupos que apoiavam o partido sandinista nicaraguense – um alvo de longa data dos EUA para a mudança de regime. Estes incluíam muitos dos jornalistas e meios de comunicação mais influentes do país. Considerando que cerca de metade do país usa a plataforma para notícias e entretenimento, a decisão dificilmente poderia ter sido mais intrusiva e provavelmente foi projetada para tentar mudar o resultado a favor do candidato pró-EUA.

O Facebook alega que essas contas eram robôs1  envolvidos em “comportamento falso”. Quando esses indivíduos migraram para o Twitter, gravando vídeos identificando quem eram para mostrar que não eram  robôs, o Twitter imediatamente excluiu também  essas contas, no que foi apelidado de tentativa coordenada de supressão.

O indivíduo por trás dessa tentativa foi o mencionado Ben Nimmo, coautor de um relatório pouco convincente , cheio de suposições e alegações questionáveis. Isso incluiu uma insinuação de que contas que seguiam um padrão de atividade cujos níveis de uso do Facebook atingiram o pico de manhã e à tarde e diminuíram para quase nada depois da meia-noite, horário da Nicarágua, sugeriam que eram robôs.

O Facebook também foi usado por cubanos de direita para tentar uma revolução colorida apoiada pelos EUA contra o governo comunista no ano passado.

Dar a qualquer indivíduo ou grupo tanto controle sobre as ondas de comunicação levanta grandes questões sobre segurança e soberania nacionais – duplamente, quando esses indivíduos estão tão intimamente ligados à segurança de Estado   dos EUA.

Quando perguntaram a Murray qual seria a reação do público à notícia de uma conexão tão íntima com o  Facebook, seu ex-patrão, este afirmou que não tinha certeza se muitos ficariam incomodados:

“Eu gostaria de pensar que o público americano se oporia vigorosamente. No entanto, a CIA e outras agências trabalharam durante muitas décadas para cultivar uma imagem positiva – na verdade quase deslumbrante – aos olhos da grande maioria do público, principalmente  através de séries de TV, filmes de Hollywood e cobertura pelos média favoráveis. Assim, infelizmente, o meu palpite é que a grande maioria do público provavelmente acredita que essas são as pessoas que deveriam estar no comando.

No entanto, disse ela, a notícia provavelmente chegaria de uma maneira muito diferente a países que foram alvo da ira de Washington. “Como você sem dúvida sabe, a CIA tem uma reputação pública atroz na maior parte do mundo”, acrescentou.

Fantasmas em todos os departamentos

O MintPress encontrou ex-representantes do aparelho de segurança nacional dos EUA em praticamente todos os departamentos politicamente sensíveis do Facebook. Isso inclui níveis ainda mais altos. Entre 2020 e 2021, Kris Rose foi membro do conselho de supervisão de gestão da Meta – o grupo responsável pela direção geral da plataforma. Deixou o seu emprego como Diretor de Inteligência Nacional como redator diário do presidente para assumir o cargo. Antes disso, passou seis anos na CIA como analista político e de contraterrorismo. Enquanto isso, Gina Kim Sumilas, diretora e consultora geral associada do Facebook para a região da Ásia-Pacífico, passou quase doze anos na CIA antes de entrar no setor privado de tecnologia.

Há também uma sobreposição considerável com o governo dos EUA na equipe principal de gestão da empresa. Kadia Koroma, por exemplo, foi retirada do seu cargo de porta-voz do FBI, em janeiro de 2020, para se tornar gestora de relações com os média no Facebook. Jeffrey Gelman, gestor de políticas de comunicação do conselho de supervisão do Facebook, é membro do Conselho de Relações Exteriores e ocupou cargos influentes no Departamento de Estado e no Conselho de Segurança Nacional. E o porta-voz executivo de comunicações Kevin Lewis esteve muitos anos na Casa Branca como porta-voz do presidente Obama.

A vice-presidente de estratégia legal da Meta é Rachel Carlson Lieber, que saiu diretamente da CIA para o Facebook. O seu primeiro papel na gigante do Vale do Silício foi como chefe da resposta regulatória e estratégica da América do Norte, um departamento que continua a contar com vários ex-funcionários estaduais. Isso inclui o chefe de programas estratégicos, Robert Flaim, que passou mais de vinte anos no FBI, e Erin Clancy, que deixou uma carreira de 16 anos no Departamento de Estado para se tornar gestora de política de resposta estratégica.

O trabalho de Clancy, enquanto funcionária do Estado, centrou-se na política dos EUA no Médio Oriente . A sua própria biografia orgulha-se de ter trabalhado no regime de sanções dos EUA imposto ao Iraque e ao Sudão. Também trabalhou na Embaixada dos EUA em Damasco na época da Primavera Árabe e no início da Guerra Civil na Síria. Sabe-se que também coordenou estreitamente com os Capacetes Brancos, uma controversa organização de ajuda que alguns alegam estar muito próxima da Al-Qaeda e dos seus filiados. Mesmo depois da sua nomeação no Facebook, Clancy trabalhou como membro do Conselho de Relações Exteriores e como membro do Conselho do Atlântico, o órgão agressivo que serve como o cérebro da OTAN.

Por que é que esses funcionários de segurança nacional do Estado são tão atraentes para a Meta? Uma razão, explicou Murray, é financeira. “Ao atrair um funcionário da CIA, uma empresa pode economizar uma quantia considerável”, disse ela, explicando que “o indivíduo provavelmente passou por um extenso treino profissional (à custa do contribuinte) e provavelmente tem uma autorização de segurança”, algo difícil, caro e demorado para obter trabalho no setor privado. Portanto, as empresas que lidam com questões de sigilo de Estado (como prestadores de serviços  de defesa) historicamente aliciaram tanto os atuais como os ex-funcionários para preencher as suas fileiras, atraindo-os com salários muito mais altos do que podem receber num serviço governamental.

“O que é novo (ou pelo menos recentemente conhecido por nós!) é que agora esses profissionais estão a ser procurados por empresas de comunicação social como o Facebook, o Google e outras que agora estão fortemente monitorizadas, vigiando e censurando conteúdos e depois partilhando dados sobre os utilizadorers com entidades governamentais dos EUA”, acrescentou Murray.

Tal é a necessidade destes indivíduos nesses campos que as empresas privadas muitas vezes contratam ex-agentes de segurança nacional para fazer recrutamento para eles. Por exemplo, John Papp , que passou 12 anos na CIA como funcionário sénior de inteligência e 4 anos como analista de imagens na Agência de Inteligência de Defesa, passou a trabalhar como recrutador para muitos dos maiores prestadores de serviços de defesa em Washington. Estes incluíam a Booz Allen Hamilton, Raytheon, Northrop Grumman, IBM e Lockheed Martin. Hoje, trabalha como recrutador da Meta.

Talvez sem surpresa, a Meta também emprega antigos espiões para as suas operações de segurança interna. O vice-presidente e chefe de segurança da empresa é Nick Lovrien, ex-funcionário de operações de contraterrorismo da CIA, enquanto a sua chefe de proteção interna é a ex-psicóloga operacional da CIA e “funcionária disfarçada” Nicole Alford.

Enquanto isso, a diretora de gestão da segurança global da Meta –  indivíduo supostamente responsável pela segurança pessoal do cofundador do Facebook, Mark Zuckerberg – é Jill Leavens Jones. Jones deixou o seu emprego como agente especial dos Serviços Secretos dos EUA para assumir a nomeação. E o diretor de operações de segurança global, Alexander Carrillo, continuou como tenente-comandante da Guarda Costeira durante vários meses após a sua nomeação para o Facebook. A empresa também contrata ex-funcionários federais para trabalhar diretamente com a aplicação da lei em questões legais. Um exemplo disso é o ex-agente especial do FBI Brian Kelley

Um longo padrão de infiltração

Há 45 anos, o lendário jornalista Carl Bernstein divulgou uma investigação documentando como a CIA conseguiu infiltrar-se nos média americanos e globais. A CIA colocou centenas de agentes nas redações e convenceu centenas de outros repórteres a colaborarem com eles. Estes incluíam indivíduos em alguns dos meios de comunicação mais influentes, incluindo o The New York Times. A CIA precisava de fazer isso clandestinamente porque qualquer tentativa de fazê-lo abertamente prejudicaria a eficácia da operação e provocaria forte resistência pública. Mas, em 2015, ainda mal se ouvia um murmúrio de desaprovação quando a Reuters anunciou que estava a contratar a gestora e diretora da CIA veterana de 33 anos Dawn Scalici como diretora global, mesmo quando a empresa anunciou que a sua principal responsabilidade era “aumentar a capacidade da Thomson Reuters de atender às diferentes necessidades do governo dos EUA”.O Facebook, no entanto, é muito mais influente do que o New York Times ou a Reuters, atingindo bilhões de pessoas diariamente. Nesse sentido, é lógico que seria um alvo principal de qualquer organização de inteligência. Tornou-se tão grande e onipresente, que muitos a consideram um bem público de fato e acreditam que não deve  já ser tratada como uma empresa privada. Considerando quem está a tomar muitas das decisões na plataforma, essa distinção entre entidades públicas e privadas é ainda mais obscura do que muitos supõem.

1 Um robô  –  de abreviatura ‘bot’ – é um programa de software que executa tarefas automatizadas, repetitivas e pré-definidas. Os bots normalmente imitam ou substituem o comportamento do utilizador humano. Por serem automatizados, operam muito mais rápido do que os utilizadores humanos. Realizam funções úteis, tais como serviço ao cliente ou indexação de motores de busca, mas também podem vir sob a forma de malware – usado para obter controle total sobre um computador.

Fonte: https://mronline.org/2022/07/14/meet-the-ex-cia-agents-deciding-facebooks-content-policy/

*Redator sênior da equipe do MintPress News. Publicou os livros “Bad News From Venezuela: Twenty Years of Fake News” e “Misreporting and Propaganda in the Information Age: Still Manufacturing Consent”. Também contribui com “FAIR”, “The Guardian”, “Salon”, “The Grayzone”, “Jacobin Magazine” e “Common Dreams”