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terça-feira, 10 de outubro de 2017

A Guerra Civil dos Estados Unidos e a crise da escravidão no Brasil*

1863: Estados Unidos abolem a escravidão.

Em 1° de janeiro de 1863, entrava em vigor o Ato de Emancipação assinado pelo presidente Abraham Lincoln. O ponto central da lei era a libertação de cerca de 4 milhões de escravos negros.

A abolição visava também acabar com os maus-tratos impostos aos negros nos EUA

"Não haverá tranquilidade nem sossego na América enquanto o negro não tiver garantidos os seus direitos de cidadão… Enquanto não chegar o radiante dia da justiça… A luta dos negros por liberdade e igualdade de direitos ainda está longe do fim", declarou Martin Luther King na lendária marcha pelos direitos civis rumo a Washington em 1963.

Essa era a situação nos Estados Unidos cem anos após a abolição da escravatura através da chamada Emancipation Proclamation, promulgada a 1° de janeiro de 1863 pelo presidente Abraham Lincoln.

Desde o início da colonização, em 1619, quando os primeiros escravos chegaram a Jamestown, os problemas da escravidão e a luta pela libertação dos negros marcaram a história dos EUA e, muitas vezes, dividiram a nação.

Às vésperas da Guerra da Secessão (1861–1865), 8 milhões de brancos e 4 milhões de negros (cerca de 500 mil livres) viviam no Sul dos EUA. A estrutura agrária servia de argumento para se afirmar a necessidade da escravidão na região. A discriminação racial era justificada pela crença na suposta desigualdade entre os seres humanos.

Estopim do conflito- Quando o Congresso proibiu oficialmente a importação de escravos em 1808, 
ninguém imaginava que as divergências entre o Norte industrializado e o Sul agrícola fossem se agravar tanto, a ponto de culminar numa guerra civil. A escravidão foi o estopim do conflito, mas suas causas foram um complexo emaranhado de fatores socioeconômicos e político-culturais.

Na primeira fase do conflito, o Norte lutou pela unidade da nação e não pela abolição da escravatura. Tanto que o presidente Abraham Lincoln escreveu a um jornalista: "Se eu pudesse salvar a união sem libertar um único escravo, eu o faria".
Ao ver que os nortistas não conquistavam vitórias decisivas, Lincoln aderiu às reivindicações dos republicanos radicais e abolicionistas, e transformou a guerra contra os "Estados rebeldes" numa luta contra a escravidão.

Proibição tardia- Os Estados do Norte vincularam ao Ato de Emancipação de 1° de janeiro de 1863 uma reestruturação do sistema social do Sul. Os negros passaram a ser recrutados pelo exército nortista, mas a proclamação de Lincoln não significou uma abolição institucionalizada da escravatura.
Os 4 milhões de negros ainda tiveram de esperar até dezembro de 1865, quando o Congresso proibiu oficialmente a escravidão nos Estados Unidos através da 13ª Emenda Constitucional.

Pelo artigo suplementar 14, os negros obtiveram direitos iguais aos brancos em 1868. Dois anos mais tarde, 
o artigo 15 garantiu-lhes a igualdade de direito eleitoral. Estados como Carolina do Sul, Mississippi e Louisiana, porém, deram um jeito de burlar os direitos dos escravos libertados, mantendo restrições legais, os chamados black codes.
Alguns Estados e municípios, não só no Sul dos EUA, encontram ainda hoje meios e caminhos para "manter o negro em seu lugar". Vinculam, por exemplo, o direito de votar a complicadas provas ou inatingíveis patamares de renda mínima.

Igualdade não concretizada- Uma situação que persiste até a atualidade, segundo Martin Luther King 3º, filho do líder negro assassinado: "Naturalmente, hoje temos liberdade de opinião, imprensa e religião. Mas algumas outras liberdades faltam. Basta pensar, por exemplo, nos altos escalões empresariais, claramente dominados por homens brancos. Por isso, temos de nos esforçar para sermos a nação que pretendemos ser".

Se liga: A Declaração de Emancipação de Lincoln não conseguiu acabar, de repente, com a humilhação da raça negra. Ela também não impediu a violência contra os negros. Ao contrário, motivou até mesmo a criação de sociedades secretas, como a Ku Klux Klan, que estabeleceram como objetivo manter a hegemonia branca no Sul do país. Uma prova do êxito desse tipo de organização é que somente em 1967 foram anuladas as últimas leis de proibição de casamentos mistos.

E o Brasil ? - Guerra Civil norte-americana (1861-1865) conformou o quadro da crise da escravidão no 
Brasil. Para tanto, ele é desenvolvido em dois planos. O primeiro se refere ao impacto político direto da Guerra Civil, da abolição em 1865 e da Reconstrução sobre o debate político e as deliberações parlamentares relativas à escravidão no Brasil, com as lentes especialmente voltadas para o período de 1861 a 1871. O segundo se reporta ao impacto do notável crescimento econômico dos Estados Unidos postbellum sobre as relações sociais escravistas do Império do Brasil, após a aprovação da lei do ventre livre em 1871.
Para finalizar, gostaria de registrar duas dimensões específicas do impacto da Guerra Civil norte-americana sobre a escravidão brasileira, cada qual com tessituras temporais distintas.56 Em primeiro lugar, o impacto direto, observável pelos atores coevos, com desdobramentos evidentes no encaminhamento político da matéria. Foi esse impacto que levou tanto à proposição e aprovação da lei do ventre livre, como à conformação um campo de experiências que orientou a atuação dos atores políticos e sociais do Império do Brasil após 1871. A cada debate público em que se evocava o passado e o presente globais, a experiência dos Estados Unidos informava os horizontes de atuação disponíveis aos atores brasileiros. Mesmo que tenha sido utilizada quase que exclusivamente pelos abolicionistas, a trajetória norte-americana estava aberta a múltiplas leituras, como exemplo concreto e como arma retórica. Em segundo lugar, o impacto da reorganização da economia mundial que se seguiu à Guerra Civil. Pouco compreendida pelos contemporâneos, talvez esta tenha sido a força mais decisiva a conformar o campo de atuação disponível aos brasileiros daquela época. A crise da escravidão brasileira, com polarizações regionais a travejá-la a 
cada passo, deve ser compreendida como uma crise econômica com dimensões globais, que estabeleceram os limites do possível no processo de transformação histórica local. A abolição da escravidão em 1888 resultou de ações e decisões tomadas dentro dos marcos do Estado nacional brasileiro, por múltiplos atores sociais. 57 Mas, sem o acontecimento da Guerra Civil norte-americana, o fim da escravidão do Brasil não teria se dado como se deu. Muito provavelmente, a instituição teria entrado vigorosa no século XX – e sabe-se lá quando teria sido abolida.

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.
Fonte: http://p.dw.com/p/1Ym1

VALE ESTE – Festival de Cinema no ParkShoppingCampoGrande RJ

CINERJ
Fonte: BRASIL CULTURA
RIO DE JANEIRO –  O maior festival de cinema da Zona Oeste acontecerá de 11 a 15 de outubro e espera 20 mil pessoas, em cinco dias de evento, no ParkShoppingCampoGrande. Para exibir grandes sucessos da indústria cinematográfica, o shopping disponibilizou uma área de 3.600 m2, incluindo um gramado sintético com pufes e espreguiçadeiras, praça de alimentação com 400 lugares, food e beer trucks, e um telão de 112 m2 com projetor de alta definição.
As crianças terão sessões especiais a partir de 18h15, mas desde as 15h já terá muitas atividades lúdicas, com caricaturistas ao vivo, cover do Charlie Chaplin fazendo mímicas e mímicos-sombra. O público poderá tirar fotos gratuitas com personagens e também em ambientes especiais com decorações alusivas a cenários de cinema.
Para os adultos, a sessão começa às 21h15 e o evento encerra às 23h, com DJ e músicos apresentando trilhas sonoras conhecidas. As ações de interação vão entreter toda a família, todos os dias, de 16h às 19h. No último dia do evento, 15 de outubro, haverá uma sessão única às 19h30.
Programação:
4ª feira, dia 11/10:
19h – ‘Shrek’ (livre)
21h15 – ‘O Bebê de Bridget Jones’ (12 anos)
5ª feira, dia 12/10:
18h15 – ‘Moana’ (livre)
20h20 – ‘Minions’ (livre)
6ª feira, dia 13/10:
19h – ‘Os pinguins de Madagascar’ (livre)
21h15 – ‘Um Espião e Meio’ (14 anos)
Sábado, dia 14/10:
19h – ‘Trolls’ (livre)
21h15 – ‘Capitão América: Guerra Civil’ (12 anos)
Domingo, dia 15/10:
Sessão única às 19h30 – ‘Os Caça Fantasmas’ (10 anos)
SERVIÇO: Festival de cinema
Dias: 11/10 a 15/10 (quarta a domingo).
Hora: 15h à meia-noite.
Sessões: de 11/10 a 14/10, infantil a partir de 18h15 e adulto às 21h15. No dia 15/10, sessão única às 19h30.
Ações interativas: 16h às 19h.
Programação completa no site www.parkshoppingcampogrande.com.br
Endereço: Estrada do Monteiro, 1200 – Campo Grande, Rio de Janeiro. Tel.: 2414-7417 – Call Center: 3003-4175.
Entrada: 1 kg de alimento não perecível ou itens de higiene pessoal.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

ASSISTA NO BLOGUE À OBRA-PRIMA DO CINEMA POLÍTICO QUE MAIS FAZ LEMBRAR O CASO BATTISTI: "SACCO E VANZETTI".

Cucciola e Volonté, magníficos...
Foi um verdadeiro achado, o filme certo no momento exato: acabo de encontrar novamente disponibilizado no Youtube, agora com legendas em espanhol, a obra-prima de Giuliano Montaldo, seguramente uma das melhores reconstituições cinematográficas de um assassinato de inocentes pela via judicial em todos os tempos:Sacco e Vanzetti.

A dramaticidade do episódio se deve a ter sido um dos piores assassinatos legalizados cometidos pela Justiça estadunidense em todos os tempos: um sapateiro e um peixeiro italianos foram condenados à pena capital, sem provas, por um latrocínio ocorrido em abril de 1920.

A evidente tendenciosidade do tribunal de Massachussetts causou enorme indignação –manifestações de protesto reuniram multidões por todo o mundo, um sem-número de celebridades e juristas deram declarações candentes e até o Papa tentou evitar que eles fossem executados. Tudo inútil.

O fato de serem ambos anarquistas havia sido o fator preponderante para sua condenação –os EUA viviam um período de histeria anticomunista após a revolução soviética de 1917– e a inevitável politização do caso acabou determinando a não aceitação, por parte do tribunal, de provas e de uma confissão que os inocentavam.
 
 ...nos papéis dos anarquistas eletrocutados.
Ou seja, quando surgiram gritantes evidências de que os crimes haviam sido cometidos por bandidos comuns, as autoridades já tinham ido muito longe e preferiram perseverar no erro do que o admitir honestamente. Cometeram homicídio premeditado, portanto; elas sim mereciam a cadeira elétrica!

Em agosto de 1927, após mais de sete anos de tensão e sofrimento, foram eletrocutados. Meio século depois, o governador do Massachussets reconheceu-lhes oficialmente a inocência.

Esta saga foi levada às telas em 1971 pelo diretor e roteirista Giuliano Montaldo, um especialista em cinebiografias e dramas que têm acontecimentos históricos como pano de fundo (Giordano BrunoDeus está conoscoL'Agnese va a morireL'addio a Enrico Berlinguer, a mini-série Marco Polo, etc.).

Ele foi feliz em apresentar uma síntese bem essencializada do caso, sem prejuízo da sua enorme carga emocional. E teve a felicidade de contar com uma dupla de atores magníficos, extremamente identificados com seus papéis (Gian-Maria Volonté e Riccardo Cucciola); e com mais uma trilha musical memorável do gênio Ennio Morricone, incluindo a felicíssima escolha de Joan Baez para interpretar as três partes da Balada de Sacco e Vanzetti e o tema final, Here's to You.

Na minha opinião, o Caso Battisti foi um Caso Sacco e Vanzetti que, pelo menos por enquanto, acabou bem. A tendenciosidade dos dois relatores do processo no STF (primeiramente Cezar Peluso e depois Gilmar Mendes) foi, p. ex., idêntica à dos promotores estadunidenses. 


E o empenho de reacionários poderosos, no sentido de que o assassinato de ambos servisse como exemplo para intimidar os movimentos de inconformismo com as injustiças sociais que estavam pipocando nos EUA, também tem tudo a ver com a santa aliança que aqui se formou para impingir uma narrativa falsa e justificar o que seria uma decisão tão infame quanto a entrega de Olga Benário aos carrascos nazistas no século passado.


Vejam e avaliem. É um filmaço!

Victor Jara faria 85 anos, sua obra permanece atual na América Latina

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Em 12 de setembro de 1973, cerca de 600 professores e estudantes da Universidade Técnica do Estado (UTE), em Santiago, faziam vigília no campus. O grupo manifestava seu apoio ao presidente Salvador Allende, deposto na véspera por um golpe militar patrocinado por Augusto Pinochet, quando foi conduzido ao Estádio Chile. Era um ginásio de esportes no qual se realizavam shows, partidas de vôlei e basquete, que tinha sido convertido desde o dia anterior em centro de detenção e quartel general da repressão. Entre os presos estava um conhecido compositor de cabelo encaracolado, logo identificado por um dos soldados. “Não o tratem como mulherzinha”, orientou o oficial. Seu nome era Víctor Jara.
Professor da Faculdade de Comunicação da UTE, Víctor Jara militava no Partido Comunista, havia apoiado a eleição de Allende pela Unidade Popular em 1971, e firmava-se como o maior nome da canção de protesto em seu país. Instantes depois de pisar no Estádio Chile, Víctor Jara foi brutalmente espancado. Seu rosto vertia sangue quando lhe esmigalharam também as mãos, a coronhadas, diante de todos. Seus torturadores afirmavam fazer aquilo para que ele nunca mais empunhasse um violão.
Cinco dias após a prisão, Víctor Jara foi assassinado. O laudo emitido após a autópsia, feita quando localizaram o cadáver num matagal, indicou uma porção de ossos quebrados e 44 marcas de balas. Antes de morrer, conseguiu redigir um poema, entregue aos companheiros de cárcere, que providenciaram cópias e conseguiram preservá-lo, dando-lhe mais tarde o título de “Estádio Chile“: “Somos cinco mil aquí/ en esta pequeña parte de la ciudad/ (…) Seis de los nuestros se perdieron/ en el espacio de las estrellas./ Uno muerto, un golpeado como jamás creí/ se podría golpear a un ser humano./ Los otros cuatro quisieron quitarse/ todos los temores, / uno saltando al vacío,/ otro golpeándose la cabeza contra un muro/ pero todos con la mirada fija en la muerte./ ¡Qué espanto produce el rostro del fascismo!”. Trinta anos depois, em setembro de 2003, o mesmo Estádio Chile foi nomeado Estádio Víctor Jara.
Filho de lavrador, Víctor Jara tocava e cantava num grupo de música folclórica quando conheceu Violeta Parra, na segunda metade dos anos 1950, e foi convencido por ela a continuar insistindo na carreira. Em 1965, já tinha gravado um disco com o conjunto quando passou a frequentar a Peña de los Parra. Seus dois primeiros LPs como artista solo foram lançados em 1967.
Aos poucos, a canção folclórica e os temas rurais foram cedendo espaço para a música de protesto, mais urbana e, ao mesmo tempo, profundamente alinhada às bandeiras políticas da época. Víctor apoia o líder vietnamita Ho Chi Min, citando-o nominalmente em plena guerra fria na canção “El Derecho de Vivir en Paz“. Grava “Cruz de Luz”, de Daniel Viglietti, solidarizando-se com o padre e guerrilheiro colombiano Camilo Torres. Monta um repertório com canções em homenagem a Pancho Villa, Che Guevara e Salvador Allende. Musica o poema de Neruda “Aquí me Quedo“: “Eu não quero a pátria dividida / cabemos todos na minha terra”.
Mais conhecido como compositor de “Te Recuerdo Amanda”, gravada por Mercedes Sosa, Joan Baez, Ivan Lins e muitos outros, Víctor Jara registrou sua missão na primeira estrofe da canção “Manifesto“: “Eu não canto por cantar/ nem por ter uma voz bonita/ Canto porque o violão/ tem sentido e razão.”
Fonte: Outras Palavras
C/ Brasil Cultura

NO ÚLTIMO SÁBADO (7) FOI CELEBRADO O DIA DO COMPOSITOR BRASILEIRO!

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Dia do Compositor Brasileiro é celebrado anualmente em 7 de outubro.
Os compositores são as pessoas que compõem músicas, seja a letra ou a sua melodia. Esta data é uma homenagem aos artistas brasileiros que se imortalizaram como mestres da composição musical.
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Dia Mundial do Compositor é comemorado em 15 de janeiro, no entanto, o Brasil é o berço de grandes compositores, merecendo uma data especialmente dedicada a esses nomes.





Fonte: Brasil Cultura
Adaptado por CPC/RN

domingo, 8 de outubro de 2017

A peleja da Cobra Coral e do Lobo contra os gigantes estrangeiros – Por Inácio França*

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Quanto um clube de futebol recebe a cada camisa oficial vendida a preços próximos ao patamar de R$ 300,00? Talvez seja difícil acreditar, mas na maioria dos contratos assinados entre clubes e as grandes marcas de material esportivo, o percentual de royalties raramente chega a 10% do preço final.
Na verdade, só os maiores clubes de massa, a exemplo de Flamengo e Corinthians, conseguem contratos tão “bons” assim. Para esses, compensam também as luvas milionárias oferecidas pela fornecedora para adquirir o direito de produzir camisas valiosas, fáceis de vender em quase todos os cantos do país.
Para os clubes de massa fora do eixo Rio-São Paulo, as marcas globais não abrem os cofres com facilidade: fornecem o material de jogo em quantidade, repassam os royalties correspondentes às vendas e, no ato da assinatura, pagam luvas muito aquém daquilo que os torcedores imaginam.
Nesses casos, os clubes não interferem na criação do design das camisas – resignando-se aos templates -, e sequer têm o direito de cobrar a venda de produtos alternativos, como camisas de passeio, agasalhos ou calções.
Até o final de 2015, o momento de renovar um contrato ou procurar um novo fornecedor de material gerava mais frustração que alegrias. Então, o Paysandu pensou “fora-da-caixa”, quebrou paradigmas e deu origem a uma tendência que começa a preocupar tanto as multinacionais quanto as brasileiras do ramo.
Naquele ano, o clube paraense era atendido pela Puma, empresa que, no início da gestão do ex-jogador Vandick como presidente, havia se negado a renegociar um contrato draconiano. Na época, o diretor jurídico era Alberto Maia, eleito presidente para o mandato 2015-2016, quando terminava o contrato com a marca. Maia esperou e deu o troco com estilo: ignorou os afagos da multinacional e mudou as regras e as fronteiras do mercado.
Em vez da Puma, o Paysandu entrou em campo no início de 2016 com outro animal estampado no peito: o Lobo, mascote que a torcida tinha relegado ao segundo plano e foi resgatado para batizar a primeira marca própria de um time de futebol brasileiro.
O Paysandu quase caiu de volta para a série C, mas vendeu mais de 120 mil peças e lucrou pouco menos de R$ 9 milhões. Para ter ideia do que isso significa, na mesma temporada o Atlético-PR conseguiu vaga na Libertadores, mas vendeu menos de 80 mil peças.
A marca Lobo apontou um caminho: de gargalo, a escolha da marca a vestir atletas e torcedores se transformou em tática para diversificar as fontes de receitas dos clubes que não faziam parte do famigerado Clube dos 13 e não recebem as cotas privilegiadas de TV.
Depois do Paysandu, outros cinco clubes fizeram a mesma opção. Por ordem cronológica:
Fortaleza (marca Leão 1918 ), no primeiro semestre de 2016;
Juventude (marca 19Treze) em meados de 2016;
Joinville (marca 8CTA), em janeiro deste ano;
Treze de Campina Grande (marca Galo), em março de 2017;
finalmente, o Santa Cruz (marca Cobra Coral), em maio de 2017.
Para Juventude e Joinville a mudança é apenas tática, pois pouca coisa mudou na oferta de produtos, na comercialização e na comunicação.
Nos clubes do Norte e Nordeste, principalmente Santa Cruz, Paysandu e Fortaleza, a opção pela marca própria tem valor estratégico, com modificações nas relações do clube com o mercado e com a própria torcida, influenciando também a rotina das respectivas gestões.
O objetivo é um só: otimizar o potencial das marcas próprias, diversificando ainda mais as receitas, reduzindo a dependência das emissoras de TV e das multinacionais do setor.
O Paysandu tem quatro lojas próprias, criou um departamento exclusivamente para tratar da estrutura de comercialização e da imagem da marca, vinculando a comunicação do clube e da Lobo. Várias campanhas publicitárias tornaram a marca respeitada até pelos rivais locais.
A Leão 1918 do Fortaleza demorou um pouco mais para ser aceita pelos torcedores cearenses, mas com duas lojas instaladas pela empresa fabricante do enxoval, criou mecanismos de marketing para superar as barreiras iniciais.
Seguindo a tendência há menos tempo, o Santa Cruz tenta aproximar-se do modelo do clube de Belém que, aliás, vem compartilhando informações estratégicas com o tricolor pernambucano, exemplo de solidariedade incomum no competitivo ambiente do futebol.
Com lojas terceirizadas, o Santinha – como é chamado pelos seus torcedores – está criando um departamento autônomo para desvincular a operação da Cobra Coral da voracidade do dia-a-dia, algo comum aos clubes de massa. Com quatro meses de atividade, a nova marca já rendeu ao clube valores superiores àqueles que o contrato com a fornecedora anterior renderia em um ano inteiro de execução.
Um traço comum às lojas Lobo, Leão 1918 e Cobra Coral: o torcedor dispõe de dezenas de produtos diferentes, incluindo peças que as grandes marcas jamais colocariam à venda em razão da procura limitada, a exemplo de agasalhos de frio ou camisas usadas pelos jogadores na concentração.
A tendência parece estar consolidada e deverá incomodar ainda mais Nike, Adidas, Umbro, Topper, Puma, Under Armour e as concorrentes menores, pois outros três clubes já começaram a prospectar fabricantes para produzir suas próprias marcas a partir de 2018: o Clube do Remo (PA), CSA (AL) e o Vasco da Gama, que seria o primeiro gigante do eixo Rio-São Paulo a fazer essa opção.

* Inácio França é jornalista, diretor de comunicação do Santa Cruz e autor do romance “Terezas”.

Fonte: UJS

Maior festa alemã no Brasil, Oktoberfest movimenta Blumenau neste mês

Oktoberfest

Para coroar a tradição cervejeira, a cidade de Blumenau (SC) irá celebrar, a partir desta quarta-feira (4), a 34ª edição da Oktoberfest. O evento, que já recebeu 21 milhões de pessoas, responsáveis pelo consumo de 11 milhões de litros de cerveja, deu à cidade o título de Capital Brasileira da Cerveja e garantiu à festa a posição de segunda mais importante do mundo, perdendo apenas para Munique, na Alemanha.
Os 19 dias de atividades (a festa segue até 22 de outubro) preservam o folclore, memória e tradições alemãs. A riqueza cultural da Oktoberfest se revela nas músicas, danças e na gastronomia típica. O turista interage com a cultura germânica por meio de sociedades esportivas, recreativas e culturais como os clubes de caça e tiro, de danças folclóricas, entre outros, que dão o colorido especial ao evento.
As apresentações e os desfiles no centro da cidade e nos pavilhões da festa contagiam os visitantes e moradores com seus trajes típicos. Bandas e fanfarras passam por uma seletiva para desfilar na Oktoberfest. Os turistas, previamente inscritos, também participam dos desfiles com três mil participantes e 15 grupos folclóricos por apresentação.
O Concurso Nacional de Tomadores de Chope em Metro sempre anima o Parque Vila Germânica. A disputa ocorre todas as noites, entre homens e mulheres, maiores de 18 anos, com a participação de blumenauenses e turistas. Vence a competição o concorrente que beber um metro de chope (600 ml), em menos tempo, sem babar e sem tirar a tulipa da boca. Como o objetivo da brincadeira é premiar o mais rápido bebedor, o chope da competição é sem álcool, ou seja, até o motorista da rodada pode participar da disputa.
Origem
A festa de Blumenau foi inspirada na Oktoberfest de Munique, consolidada em 1845 e que atualmente reúne cerca de 10 milhões de participantes. O consumo de cerveja chega a 7 milhões de litros por edição. A origem remonta a um casamento real da Baviera, em 12 de outubro de 1810, comemorado com uma corrida de cavalos. A cerveja, combustível atual da festa, era proibida e só entrou para as comemorações em 1918.
No Brasil, a Oktoberfest de Blumenau teve sua primeira edição organizada em 1984 para ajudar na reconstrução da cidade, que havia sido inundada pelo rio Itajaí. Em 10 dias, o festival reuniu 100 mil participantes. Nas últimas edições foram registradas, em média, 500 mil participantes.
Fonte: Governo do Brasil, com informações do Ministério do Turismo 

sábado, 7 de outubro de 2017

PRESIDENTE DO CPC/RN PRESENTE A NOITE CULTURAL 2017 PROMOVIDO PELA COMUNIDADE QUILOMBOLA BOA VISTA DOS NEGROS - PARELHAS/RN

 Na Noite Cultural 2017 da Comunidade Quilombola BOA VISTA DOS NEGROS, Prefeito Alexandre Petronilo recebo das mãos do Eduardo Vasconcelos - CPC/RN o Diploma de Honra ao Mérito
 Várias apresentações culturais! Foi SHOW

 Canindé, coordenador de cultura de Parelhas recebe das mãos de Preta o Prêmio de Participação, juntamente com o vereador, FRANK
Outra maravilhosa apresentação cultural
Eduardo Vasconcelos - CPC/RN recebe das mãos de Preta o Prêmio de Participação da Noite cultural 2017, promovido pela Comunidade Quilombola "BOA VISTA DOS NEGROS" - Parelhas/RN

A Comunidade Quilombola "BOA VISTA DOS NEGROS", promoveu hoje (7) uma linda festa, denominada de NOITE CULTURAL 2017, com as presenças de autoridades local, como o Prefeito de Parelha,  Alexandre Petronilo, entre outros.

Foram várias apresentações culturais de várias modalidades de danças com musicas variadas, como forró, reggae, orquestras, danças e muito mais. Mas antes de tudo isso foi celebrada uma missa em graças a festividade da comunidade.

Essa foi uma oportunidade para que o presidente do CPC/RN, Eduardo Vasconcelos quebrasse o protocolo e homenageasse o prefeito de Parelhas, ALEXANDRE PETRONILO com o diploma de Honra ao Mérito, que inclusive era para ter sido entregue no último 22 de setembro no IFRN da Cidade Alta, promovido pelo CPC/RN, mas por motivos maiores o prefeito não pode participar.

Luiz Gama, o poeta abolicionista baiano


Luiz Gonzaga Pinto da Gama nasceu no dia 21 de junho de 1830, no estado da Bahia. Era filho de um fidalgo português e de Luiza Mahin, negra livre que participou de diversas insurreições de escravos.

A POESIA LIBERTÁRIA ...

A poesia de Luiz Gama se destaca por ir de contra o lirismo abordado na época em que viveu e principalmente pela forma ao qual o poeta de maneira satírica transplantava qualificativamente seu ideal a favor da cultura negra e da defesa desta identidade. Em 1859, quando trabalhava na Secretária de Policia, publicou pela tipografia Dois de Dezembro, de São Paulo, suas sátiras com o pseudônimo de Getulino. Seu livro, Primeira trovas burlescas, foi publicado em 1859, livro este que possui por assim dizer, um dos seus mais conhecidos poemas denominado “Quem sou eu?” popularmente chamado de “Bodarrada”, nome este que vem da palavra “bode” que na gíria da época significava mulato, negro. Nesta parte grandiosa do poema vemos uma critica consciente e não elitizada, nos versos:
“[...]Eu bem sei que sou qual grilo  
De maçante e mau estilo;
E que os homens poderosos
Desta arenga receosos
Hão de chamar-me — tarelo,
Bode, negro, Mongibelo;
Porém eu que não me abalo,
Vou tangendo o meu badalo
Com repique impertinente,
Pondo a trote muita gente.
Se negro sou, ou sou bode
Pouco importa. O que isto pode?
Bodes há de toda a casta,
Pois que a espécie é muito vasta.
Há cinzentos, há rajados,
Baios, pampas e malhados,
Bodes negros, bodes brancos,
E, sejamos todos francos,
Uns plebeus, e outros nobres,
Bodes ricos, bodes pobres,
Bodes sábios, importantes,
E também alguns tratantes
Aqui, nesta boa terra
Marram todos, tudo berra;
Nobres Condes e Duquesas,
Ricas Damas e Marquesas,
Deputados, senadores,
Gentis-homens, veadores;
Belas Damas emproadas,
De nobreza empatufadas;
 Repimpados principotes,Orgulhosos fidalgotes,
Frades, Bispos, Cardeais,
Fanfarrões imperiais,
Gentes pobres, nobres gentes                                  
Em todos há meus parentes.
Entre a brava militança
Fulge e brilha alta bodança;              
Guardas, Cabos, Furriéis,
Brigadeiros, Coronéis,
Destemidos Marechais,
Rutilantes Generais,
Capitães-de-mar-e-guerra,
— Tudo marra, tudo berra —     
Na suprema eternidade,
Onde habita a Divindade,
Bodes há santificados,
Que por nós são adorados.
Entre o coro dos Anjinhos
Também há muitos bodinhos...[...]”

Luiz Gama foi um dos maiores líderes abolicionistas do Brasil. Sempre esteve engajado nos movimentos contra a escravidão e a favor da liberdade dos negros. Em 1869, fundou com Rui Barbosa o Jornal Radical Paulistano. Em 1880 foi líder da Mocidade Abolicionista e Republicana. Devido a sua luta a favor da libertação dos escravos era hostilizado pelo Partido Conservador e chegou a ser demitido do cargo de amanuense por motivos políticos.

Nos Tribunais, usando de sua oratória impecável e seus conhecimentos jurídicos, conseguiu libertar mais de 500 escravos, algumas estimativas falam em 1000 escravos. As causas eram diversas, muitas envolviam negros que podiam pagar cartas de alforria, mas eram impedidos pelos seus senhores de serem libertos, ou que haviam entrado no território nacional após a proibição do tráfico negreiro em 1850. Luiz Gama também ganhou notoriedade por defender que ao matar seu senhor, o escravo agia em legítima defesa.

Faleceu em 24 de agosto de 1882 e foi sepultado no Cemitério da Consolação, na presença de 3.000 pessoas numa São Paulo de 40.000 habitantes. O poeta Raul Pompéia (1863-1895) imortalizou Luiz 
Gama e seus feitos escrevendo na ocasião:" (...) não sei que grandeza admirava naquele advogado, a receber constantemente em casa um mundo de gente faminta de liberdade, uns escravos humildes, esfarrapados, implorando libertação, como quem pede esmola; outros mostrando as mãos inflamadas 
e sangrentas das pancadas que lhes dera um bárbaro senhor; outros... inúmeros. E Luís Gama os recebia a todos com a sua aspereza afável e atraente; e a todos satisfazia, praticando as mas angélicas ações, por entre uma saraivada de grossas pilhérias de velho sargento. Toda essa clientela miserável saía satisfeita, levando este uma consolação, aquele uma promessa, outro a liberdade, alguns um conselho fortificante. E Luís Gama fazia tudo: libertava, consolava, dava conselhos, demandava, sacrificava-se, lutava, exauria-se no próprio ardor, como uma candeia ilumi nando à custa da própria vida as trevas do desespero daquele povo de infelizes, sem auferir uma sobra de lucro...E, por essa filosofia, empenhava-se de corpo e alma, fazia-se matar pelo bom...Pobre, muito pobre, deixava para os outros tudo o que lhe vinha das mãos de algum cliente mais abastado."

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.

Fonte:https://pt.wikipedia.org/wiki/institutoluizgama.org.br/

A defesa dos museus passa por sua democratização radical

Impossibilitados de criticar os governos no poder, porque são seus aliados, grupos de direita optaram recentemente por mudar a pauta do debate, da “política” para a “cultura”. As aspas em “política” e “cultura” se justificam porque estes grupos nunca debatem o tema em si, mas o usam de trampolim para atacar adversários e aumentar o número de seus seguidores. Leia mais na coluna de Tomaz Amorim
Por Tomaz Amorim*
Qualquer um que siga a movimentação política dos últimos quatro anos no Brasil entende que não há “debate sobre arte” em andamento, mas simplesmente uma troca de pautas. Sem PT no governo ou grande movimento social organizado para culpabilizar pelo péssimo estado político e econômico do país, grupos de extrema direita precisam inventar e requentar pautas para não desaparecerem do feed de notícias de seus leitores. Impossibilitados de criticar os governos no poder, porque são seus aliados, optaram recentemente por mudar a pauta do debate, da “política” para a “cultura”. As aspas em “política” e “cultura” se justificam porque estes grupos nunca debatem o tema em si, mas o usam de trampolim para atacar adversários e aumentar o número de seus seguidores. Se não fosse assim, o debate sério sobre “pedofilia”, por exemplo, estaria focado na casa familiar, lugar em que a maior parte dos abusos acontece, ou nas igrejas, ou nas beiras de estrada, ou nos hotéis de turismo sexual, e não em um espaço público, visível a todos e controlado por câmeras como são os museus que estão sendo atacados neste momento. Se estivessem interessados em debater cultura nos museus, eles participariam de seus conselhos, da luta por mais financiamento público para a diversidade cultural e dos esforços por sua democratização. Nem um, nem outro. Seus esforços se reduzem ao fechamento dos museus e aniquilação dos “adversários”.
Quando se coloca publicamente uma falsa polêmica como esta, que flutua tão inconsistentemente – uma hora é contra a “zoofilia”, em outra é “defesa das crianças contra pedofilia”, em outra é crítica sobre “o que é ou não arte”, em outras é uso apropriado de recursos da “lei Rouanet” – aqueles interessados no debate sério têm de fazer uma escolha estratégica: ou escolhem não cair no falso debate, evitando assim promover seus promotores e legitimar seus falsos pressupostos, na esperança de que, com o tempo, a própria contradição se dissipará; ou, assumindo que a falácia sem resposta está produzindo riscos graves e reais, escolhem intervir, buscando desmistificar a retórica em prol de uma posição legítima, com fundamentação factual e histórica, aproveitando a oportunidade para levantar questões relevantes sobre o “assunto”. As notícias de funcionários de museus agredidos, artistas perseguidos e abaixo-assinados pedindo o fechamento de museus apontam para a segunda conjuntura e o que aqui se faz é uma tentativa rápida de expor pressupostos e apontar uma solução a longo prazo para o que há de verdadeiro nesta crise.
É interessante notar, inclusive como sintoma estético-político da época, como os argumentos de ataque e defesa dos museus ironicamente têm vindo invertidos das posições mais históricas no espectro político. A direita “liberal” pede um controle do conteúdo das obras que leve em consideração seu interesse social, no melhor estilo da censura estatal. A esquerda “comunitária”, por sua vez, defende sua liberdade individual de fruição e de exposição dos seus filhos ao que acharem mais apropriado, no estilo liberdade do consumidor. A relação histórica com a população também se inverte: a direita reivindica o lado “popular” do debate, se colocando como voz das massas indignadas, em um clamor abertamente populista. A esquerda, por outro lado, parte em defesa das instituições e da tradição artística ameaçadas por um bando de “desinformados”, em uma postura difícil de não soar como elitista.
A luta política conhece nos exemplos comuns e tenebrosos do começo do século XX o ataque à autonomia intelectual e artística como primeiros sinais da ascensão de governos totalitários, à esquerda e à direita. A universidade pública e os museus costumam ser os primeiros espaços de resistência a serem fechados ou “normalizados”. No Brasil, não foi e não é diferente. A diferença daqui é que o chamado pela resistência, pela defesa destas instituições se choca com o elitismo estrutural – reproduzido e produzido nestas instituições – e pela consequente falta de relação da maior parte da população com elas. A maior parte da população, ao contrário do que a direita faz parecer, não está contra os museus. A maior parte da população não se importa com os museus, porque os museus e as universidades públicas não fazem parte das sua vida, do seu imaginário, não lhe dá nada diretamente (ou pelo menos é assim que ela pensa), mesmo que ela os financie. Como esperar, então, de alguém que nunca foi ao museu (como é o caso de dois terços dos brasileiros), que ele vá visitá-lo pela primeira vez para defender sua existência? A principal estratégia de defesa dessas instituições tão importantes para a democracia passa por sua democratização radical.
Apesar do esforço louvável de certas iniciativas, como a gratuidade em certos dias da semana, visita guiada para professores e alunos de escola pública e exposições com “apelo popular”, os museus têm poucas condições de sanar em suas portas de entrada a tragédia cultural produzida nas portas de saída das escolas brasileiras. Com isso não se desculpa, claro, o caráter colonial, classista, branco e patriarcal da história destas instituições e que estrutura o mercado da arte no Brasil e no mundo ainda hoje, por mais que esporádicos artistas e curadores bem intencionados se posicionem ativamente contra isso. Iniciativas como o Museu Afro Brasil, o caráter pedagógico da exposição permanente do Museu da Língua Portuguesa, as exposições populares do MIS e, mais recentemente, a exposição das Guerrilla Girls no MASP, para ficar apenas na cidade de São Paulo, são exemplos deste contramovimento. Com isto, não se defende, evidentemente, uma arte exclusivamente aplicada ao público, mas se leva em consideração esta importante relação, que nenhum museu do mundo pode ignorar, abrindo possibilidades para que o esporádico visitante se torne mais habitual e, com o tempo, mais capacitado para fruição de obras talvez mais experimentais, vanguardistas, etc. Se das galerias privadas, da quais não se pode exigir função social alguma que não seja comercial (ainda que haja exceções), não se pode esperar este cuidado na formação do público, dos museus públicos, sim, inclusive como raison d’être, como motivo da sua própria existência. Nestes tempos de ataque, vale a pena lembrar do material: quem funda o museu e para quem ele é fundado. Esta lembrança se concretiza no movimento duplo de criticar a ausência e celebrar seus bons programas que, é importante ressaltar em momentos como este, existem e têm se ampliado nos últimos anos. Não é por isso que eles estão sendo atacados (ou, numa leitura mais otimista, talvez seja justamente por isso).
Foto: Obra da exposição “Queermuseu”, em Porto Alegre (RS), que foi fechada recentemente depois de protestos de grupos de direita
*Tomaz Amorim Izabel, 29, tem graduação e mestrado em Estudos Literários pela Unicamp e é doutorando na mesma área na USP. É militante da UNEAfro Brasil. Além de crítica cultural, também escreve poesia [tomazizabel.blogspot.com] e coedita o blog Ponto Virgulina de traduções literárias. Publicou traduções para o português de Franz Kafka e Walt Whitman.
Fonte: Revista Fórum

Em vídeo, Caetano Veloso desanca Crivella, MBL e defende “Queermuseu”


O músico divulgou um vídeo em que comenta as declarações do prefeito Marcelo Crivella sobre a exposição Queermuseu e diz que o MBL é “conservador das desigualdades, da opressão e do horror”. Assista.
Por Redação
O Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR) já havia demonstrado interesse em receber a exposição “Queermuseu”, fechada em Porto Alegre (RS) após pressão de grupos de direita como o MBL. O prefeito Marcelo Crivella (PRB), no entanto, gravou um vídeo em que acusa a mostra de “pedofilia” e “zoofilia” e fez pressão para que o MAR cancelasse a exibição.
Em vídeo divulgado nesta sexta-feira (6), o músico Caetano Veloso saiu em defesa da exposição e criticou a postura de Crivella, bem como o discurso do MBL que, após a pressão ao “Queermuseu”, instaurou uma pauta moralista que já vem surtindo efeito em inúmeras exposições e exibições artísticas país afora.

“É uma invenção [pedofilia e zoofilia] de uns malucos [MBL] que são pessoas suspeitas. Conservadoras das desigualdades, da opressão, do horror”, disse Caetano.
Assista.
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Fonte: REVISTA FÓRUM

Dispara a taxa de suicídio entre indígenas


No ano passado, 106 indígenas tiraram a própria vida, aponta relatório. Aumento do número de suicídios coincide com investida na retirada de direitos do governo Temer.
Por Redação
Além das notícias de que Temer entregará territórios indígenas para o agronegócio, outro fato preocupante sobre essa população veio à tona essa semana. Um relatório divulgado pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário) nesta quinta-feira (5) apontou que o número de suicídios entre os indígenas disparou.
De acordo com o relatório anual de violência contra os povos indígenas, o número de índios que tiraram a própria vida aumentou em 18% em 2016, em comparação a 2015. Somente no ano passado 106 índios se mataram, com crescimento expressivo na região do Alto Rio Solimões, que saiu de 13 casos em 2016 para 30 no ano de 2016. A taxa de suicídios entre indígenas já chega a ser maior que em qualquer outro grupo. De acordo com o Ministério da Saúde, no período 2011-2015 foram 15,2 suicídios para cada grupo de 100 mil habitantes, o que representa quase o triplo da taxa registrada entre os não indígenas, de 5,9/100 mil.
O relatório do Cimi apontou ainda que a mortalidade entre crianças indígenas de até cinco anos de idade cresceu 18,5% com relação a 2015.
Para o coordenador regional do Cimi, Roberto Liebgott, o aumento da mortalidade de indígenas está diretamente ligado à uma postura de retirada de direitos do governo Temer. Para ele, o governo Dilma Rousseff foi omisso com os indígenas, mas Temer é ainda pior pois adota uma postura “ofensiva” contra essa população.
“Percebemos que desde a ascensão do novo governo, o Estado deixa de ser omisso e passa a ser um Estado propositivo na ofensiva contra os direitos indígenas. A gente percebe que se monta uma estratégia na perspectiva de desconstruir os direitos que os povos indígenas foram conquistando ao longo desses últimos 30 ou 40 anos”, afirmou.
Fonte: REVISTA FÓRUM

CPC/RN ENTREGA O DIPLOMA DE HONRA AO MÉRITO A LEMUEL RODRIGUES DA SILVA!

 LEMUEL RODRIGUES - EX-PRESIDENTE DA ADUERN RECEBE DIPLOMA DE HONRA AO MÉRITO DO CPC/RN AO LADO DE SEUS ESTIMADOS ALUNOS
Ontem (06), pela manhã antes de seguir para Parelhas/RN, o Presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, Eduardo Vasconcelos esteve se reunindo na ADUERN para entregar o Diploma de HONRA AO MÉRITO ao grande líder sindical, professor da UERN e recentemente presidente da ADUERN (Associação dos docentes da Universidade Estadual do Estado do Rio Grande do Norte) - (2015/2017), LEMUEL RODRIGUES DA SILVA! Mas do que merecedor! Lemuel é uma pessoa dedicada na defesa da autonomia financeira da UERN, um brigador no bom sentido nas lutas em defesa dos trabalhadores.

Com a convicção de que só a luta da classe trabalhadora, juntamente com a sociedade civil poderá mudar os rumos do Brasil! Por isso e tantos outros ingredientes como também a defesa da CULTURA POTIGUAR, o CPC/RN o reconhece como um LUTADOR AUTÊNTICO pela liberdade do povo brasileiro!  Parabéns, LEMUEL, juntos seremos mais fortes!