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segunda-feira, 23 de abril de 2018

BNCC joga ainda mais incertezas sobre o Ensino Médio

Base Nacional Comum Curricular garante apenas português e matemática como disciplinas e pode permitir mais precarização no ensino público.

Para quem não sabe, a Base Nacional Comum Curricular do ensino médio era um documento muito aguardado por quem pretende entender melhor o funcionamento do ensino médio pós “reforma” imposta pelo governo Temer. Isso porque muitas coisas não ficaram claras com a Medida Provisória 746.
Na proposta de BNCC apresentada pelo Ministério da Educação este mês, ficam estipuladas as habilidades e competências a serem desenvolvidas pelos estudantes em cada grande área do conhecimento (linguagens, matemática, ciências humanas e ciências da natureza). Mas apenas dois “componentes curriculares”, como agora são chamadas as disciplinas, tiveram os objetivos específicos detalhados, ano a ano: português e matemática.
Para Pedro Gorki, presidente da UBES, o documento é “muito perigoso”, ao abrir possibilidade para que os sistemas de ensino não ofereçam todas as disciplinas ou não tenham professores próprios para cada matéria. “Sabemos da situação das secretarias de educação nos estados e da precarização da escola pública. A tendência é fazerem todos os cortes possíveis”, denuncia Gorki.
César Callegari, presidente da comissão que analisa a BNCC no Conselho Nacional de Educação, também se manifesta sobre a insegurança que o documento transmite ao não determinar todas as disciplinas:
“Uma pergunta que se sobrepõe é: quantas aulas de história, geografia, filosofia serão cortadas? Para mim, como está, cria-se uma instabilidade na estrutura do ensino médio e também aos professores, que ficaram inseguros em relação às aulas que terão”
Hoje, sem nenhuma BNCC, quase metade dos professores do ensino médio já não têm formação específica para a disciplina que lecionam.
Um pouco confuso? Vamos organizar:

GLOSSÁRIO DO ENSINO MÉDIO


Base Nacional Comum Curricular: documento para criar uma padronização para a qualidade do ensino em todo o país, valerá para as 190 mil escolas brasileiras, públicas ou privadas. Deveria ter sido concluído em 2016, segundo o Plano Nacional de Educação.Com o texto final do MEC, passará pela avaliação do Conselho Nacional de Educação e audiências públicas.
Componentes curriculares: é o novo nome para “disciplinas”. Apenas matemática e português são componentes curriculares com objetivos específicos estipulados pela BNCC.
Áreas do conhecimento: o ensino médio agora é organizado em 4 grandes áreas: linguagens e suas tecnologias, matemática e suas tecnologias, ciências da natureza e ciências humanas. São estipuladas habilidades e capacidades a serem desenvolvidas por área, não por disciplinas.
Itinerário formativo: é parte de “aprofundamento” do ensino médio, que teoricamente pode ser escolhida por cada estudante. A BNCC não fala nada sobre os itinerários, que devem ser criados pelos próprios sistemas de ensino em cada uma das áreas do conhecimento ou em ensino tecnológico. Cada escola precisa oferecer no mínimo duas opções de itinerários, o que indica que muitos estudantes terão apenas duas opções de aprofundamento.

Quase metade do ensino médio fica sem orientação

O ensino médio tem sido alvo de mudanças antidemocráticas desde o começo do governo Temer. Segundo a “reforma” na etapa definida por uma Medida Provisória em 2016, as disciplinas iguais para todos os estudantes preenchem 60% dos três anos.
A área dos outros 40% teoricamente pode ser escolhida por cada um, como aprofundamento. O problema é que, pela MP da reforma, cada unidade precisa oferecer apenas duas das cinco opções de itinerários formativos.
Para piorar, esta parte de aprofundamento fica totalmente sem especificações, pois a BNCC contempla apenas a parte comum a todos.
“No nível de precariedade que funciona o ensino médio público do Brasil, não especificar os itinerários formativos é deixar os direitos de aprender ao campo da incerteza”, opina Cesar Callegari, do Conselho Nacional de Educação (CNE).
“Estamos muito preocupados sobre como as mudanças podem aumentar ainda mais as diferenças de qualidade entre as escolas particulares e as públicas”, afirma o presidente da UBES. “A educação deveria servir para anular as diferenças sociais, para despertar o senso crítico, não para enfatizar ainda mais as diferenças de oportunidades.”
Fonte: UBES

Museu Afro Brasil inaugura cinco exposições e homenageia Mestre Didi e Frans Krajcberg


Museu Afro Brasil, da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, em parceria com a Associação Museu Afro Brasil – organização social de cultura, abre simultaneamente no sábado, 21 de abril, às 11h00, cinco novas exposições: Um Frans, a natureza – Exposição em memória de Krajcberg: Esculturas, relevos e fotografiasUm Deoscóredes – 100 anos do Alapini Deoscóredes Maximiliano dos Santos: Arte e ReligiosidadeOs Africanos – O olhar europeu da fotografia contemporâneaÁfrica Contemporânea e África e a presença dos espíritos.
Com curadoria de Emanoel Araujo, os destaques das exposições ficam por conta das homenagens póstumas a dois nomes fundamentais das artes visuais no Brasil no século 20, ambos, coincidentemente, com íntima relação com a natureza: o pintor, escultor, gravurista e fotógrafo Frans Krajcberg (1921-2017), falecido no ano passado, e Mestre Didi (1917-2013), cujo centenário de nascimento foi celebrado no último dia 2 de dezembro.
Sombra V, de Frans Krajcberg (foto: João Liberato)
Um Frans
Conhecido por dedicar sua vida e obra à defesa da natureza brasileira, a mostra individual Um Frans, a natureza reúne esculturas, relevos e fotografias de Krjacberg que revelam a revolta do artista contra a destruição do planeta.  A exposição destaca o modo criativo com que utilizava troncos de árvores, folhas e cipós como matéria-prima e fonte de inspiração para suas criações, que o próprio artista costumava chamar de “um grito da natureza por socorro”.
“Frans foi um eterno encantado e um defensor da natureza que trazia dentro de sua alma peregrina as matas e florestas do Brasil. Em sua longa vida artística, Frans esteve intrinsicamente ligado as terras do país, nos convidando a fazer mais forte o seu eco irradiador em defesa das nossas matas, das florestas que ainda nos sobram, como a esperança e a beleza que emanam da sua obra”, ressalta o curador.
Espírito da árvore I, de Mestre Didi (foto: Miguel Aun)
Um Deoscóredes
A exposição Um Deoscóredes – 100 anos do Alapini Deoscóredes Maximiliano dos Santos: Arte e Religiosidade é uma homenagem ao centenário de nascimento de Mestre Didi (1917-2013), Alapini do Ilê Asipa e filho de Mãe Senhora (1890-1967) – iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá. A mostra celebra a obra de fôlego inesgotável e as tradicionais e potentes esculturas do artista, produzidas com materiais naturais como búzios, sementes, couro, nervuras e folhas de palmeira.
Repleta de elementos da cultura afro-brasileira, a produção artística de Mestre Didi “é como a união da antiga sabedoria, a expressão viva da continuidade e da permanência histórica da criação de uma nova estética que une o presente ao passado, o antigo ao contemporâneo, a abstração à figuração, formas compostas ora como totens, ora como entrelaçadas curvas. Suas esculturas, em sua interioridade, são uma relação entre o homem e o sacerdote que detém o espírito íntimo das coisas e de como elas se entrelaçam entre a sabedoria do sagrado e do profano”, define Emanoel Araujo.
Dentro da exposição, será exibido pela primeira vez em São Paulo o documentário Alapini: A Herança Ancestral do Mestre Didi Asipá, de Silvana Moura, Emilio Le Roux e Hans Herold.
África Contemporânea
A exposição África Contemporânea apresenta trabalhos de artistas de países como Moçambique, Benin, Senegal, Angola e Gana, tais como Dominique Zinkpè, Aston, Soly Cissé, Yonamine, Gérard Quenun, Owusu-Ankomah, Oswald, Celestino Mudaulane, Edwige Aplogan, Francisco Vidal e Cyprien Tokoudagba, criadores conhecidos por exporem as próprias feridas e acumulações por meio de pinturas, esculturas, instalações, desenhos e colagens.
Sobre a atual produção artística em África, Emanoel destaca o compromisso das novas gerações com temas da atualidade: “A arte contemporânea tem grande comprometimento com seu tempo, fala através de metáforas, é menos contemplativa, no sentido clássico da expressão. A arte fala não só do seu tempo, mas de experiências culturais e políticas, e o artista africano, submetido a grandes impulsos, como diferenças econômicas e sociais, extrai daí sua invenção plástica”.
Manuel Correia (Portugal)

Os Africanos
Muitos foram os fotógrafos que fizeram extraordinários registros dos povos e das manifestações culturais África afora. Os Africanos – O olhar europeu da fotografia contemporânea reúne trabalhos de quatro fotógrafos do chamado velho continente que conseguiram contribuir, com profundo requinte estético, para uma melhor compreensão artística da África atual. São eles: Hans Silvester (Alemanha), Isabel Muñoz (Espanha), Alfred Weidinger (Áustria) e Manuel Correia (Portugal).
África Contemporânea
A exposição África Contemporânea apresenta trabalhos de artistas de países como Moçambique, Benin, Senegal, Angola e Gana, tais como Dominique Zinkpè, Aston, Soly Cissé, Yonamine, Gérard Quenun, Owusu-Ankomah, Oswald, Celestino Mudaulane, Edwige Aplogan, Francisco Vidal e Cyprien Tokoudagba, criadores conhecidos por exporem as próprias feridas e acumulações por meio de pinturas, esculturas, instalações, desenhos e colagens.
Sobre a atual produção artística em África, Emanoel destaca o compromisso das novas gerações com temas da atualidade: “A arte contemporânea tem grande comprometimento com seu tempo, fala através de metáforas, é menos contemplativa, no sentido clássico da expressão. A arte fala não só do seu tempo, mas de experiências culturais e políticas, e o artista africano, submetido a grandes impulsos, como diferenças econômicas e sociais, extrai daí sua invenção plástica”.
África e a Presença dos Espíritos
A mostra África e a Presença dos Espíritos reúne esculturas, máscaras, asens e moedas produzidas em cobre, madeira, tecido, miçangas e fibra vegetal dos tradicionais povos africanos Guro, Fon, Senufo, Iorubá, entre outras etnias. “A arte tradicional africana foi criada por artistas anônimos, dentro dos dogmas que a situa entre a grande criação: o homem, a natureza e os deuses em comunhão espiritual desses diferentes povos”, explica Emanoel.
Período das Exposições: até 10 de junho de 2018
Museu Afro Brasil
Av. Pedro Álvares Cabral, s/n
Parque Ibirapuera – Portão 10
São Paulo / SP – 04094 050
Fone: 55 11 3320-8900

Entrada R$ 6,00 | Meia entrada R$ 3,00 | Gratuito aos sábados
#FransKrajcberg   #ANatureza     #Mestredidi100anos    #ArteeReligiosidade   #Africanos   #fotografiacontemporanea
#AfricaContemporanea    #AfricaTradicional   #EspiritosAfricanos  #‎mab   #‎museuafrobrasil   #‎culturabrasileira #‎arte #‎culturasp  #‎museu   #‎saopaulo  #‎sp  #‎Ibirapuera   #‎parqueibirapuera
Fonte: Brasil Cultura

domingo, 22 de abril de 2018

Sindicato condena homenagem que a justiça presta ao relator da reforma trabalhista


A diretoria do ADURN-Sindicato vem a público expressar sua indignação e estarrecimento com a inacreditável homenagem que o TRT 21 presta ao deputado federal Rogério Marinho (PSDB), que amanhã será brindado com o título de Comendador, por ter, segundo o entendimento da comenda, ajudado a engrandecer a sociedade, seja por trabalhos ou influências sociais, econômicas e políticas.
Não cabe à essa diretoria questionar os parâmetros utilizados por qualquer entidade para homenagear quem quer que seja, mas consideramos inapropriado um tribunal, que é um espaço para onde se apreciam processos trabalhistas e onde os trabalhadores buscam apoio para suas demandas relativas à relação entre o Capital e o Trabalho,  homenagear um deputado que foi o relator de uma proposta que atingiu duramente as relações de trabalho desse país e tornou o mercado de trabalho mais precarizado e o trabalhador mais fragilizado.
No momento em que vivenciamos uma conjuntura de retirada de direitos sociais, ver um tribunal homenagear exatamente uma pessoa que contribuiu decisivamente para esse retirada de direitos, merece nossa discordância e negativa surpresa.
Diretoria do ADURN-Sindicato

Homem que acusou professora de “incentivar homossexualidade” terá de indenizá-la na Justiça


Do Facebook:
Propagar em rede social que determinado professor incentiva a homossexualidade e o adultério em aulas sobre questões de gênero e identidade fere direitos de personalidade e gera danos morais. Assim entendeu a 2ª Turma Recursal Cível, dos Juizados Especiais Cíveis  (JECs) do Rio Grande do Sul, ao manter a condenação de um homem que veiculou ofensas contra uma professora no Facebook.
O caso envolve o irmão de um aluno que fez publicações em duas páginas na rede social. O colegiado, no entanto, reduziu o valor indenizatório fixado em primeiro grau, de R$ 5 mil para R$ 3 mil.
A autora do pedido de indenização por danos morais disse que as críticas violarem a sua imagem no Facebook e na comunidade, pois se sentiu exposta e difamada por uma pessoa que nem sequer assistiu suas aulas.
O réu respondeu que o texto apenas refletiu preocupações normais, em especial pela formação religiosa da sua família. Alegou que a professora extrapolou os limites pedagógicos ao ‘‘incentivar’’ a traição conjugal e dizer aos alunos que todos são livres para ‘‘escolher’’ a sua orientação sexual. Ele disse que em momento algum utilizou palavras de baixo calão, xingamentos ou qualquer outro tipo de ofensa.
Conduta imprópria
O juiz leigo Denis Augusto de Oliveira avaliou que a discussão envolvia direitos básicos assegurados na Constituição. De um lado, o direito à liberdade de expressão do réu; de outro, o direito à honra e a imagem da autora demandante. Assim, em princípio, a demonstração de insatisfação com o teor da aula da professora não levaria, por si só, a condenação do réu, pois ainda não havia citado o nome dela em rede social. Porém, insatisfeito com a repercussão do fato, acabou expondo o nome dela perante a sociedade de Novo Hamburgo, onde a professora leciona.
‘‘É preciso pensar e ter discernimento antes de tomar qualquer atitude. A conduta do réu é imprópria, inconveniente e totalmente desproporcional. Poderia o demandado se dirigir à direção do educandário para manifestar a sua insatisfação e não à internet. Mostra-se claro, pois, que o objetivo primeiro do réu não era o de alertar os pais pela suposta má conduta da autora, mas sim denegrir a sua imagem’’, escreveu, fixando indenização em R$ 5 mil.
Para Oliveira, a liberdade de expressão deve ser utilizada com responsabilidade, nunca para expor ou denegrir a imagem de alguém. O entendimento do juiz leigo foi homologado pelo juiz de carreira Vinícius Tatsch dos Santos, titular da vara.
O relator na turma recursal, juiz Roberto Behrensdorf Gomes da Silva, disse que caberia ao réu, discordando do conteúdo ministrado em aula, ter procurado os ‘‘canais competentes’’. O primeiro deles seria a direção da escola. Não poderia levar a professora à exposição pública, pois esta teve a sua conduta exposta, criticada e condenada por várias pessoas no ‘‘tribunal das redes sociais’’.
‘‘A exposição indevida da autora no Facebook, por mais de uma vez, desprovida de demonstração das práticas a ela atribuídas, a meu sentir configurou danos de ordem moral, tendo sido a autora indevidamente atingida em sua reputação e imagem pelas publicações feitas pelo ora recorrente, o que ampara o direito de ser contemplada com compensação pecuniária pelos prejuízos imateriais resultantes’’, definiu no acórdão.
Fonte: DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO - DCM

REGIÃO AGRESTE CRIA A FRENTE POPULAR EM DEFESA DO BRASIL!

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 Reunião ocorrida ontem (21) ocorrida no SINTE de Nova Cruz
Foto: Várias reuniões preliminares foram realizadas no decorrer do mês
Lideranças petistas!

Ontem (21), sindicalistas e lideranças estudantis, reuniram-se no SINTE - Nova Cruz e após horas de debates foi criada a FRENTE POPULAR REGIÃO AGRESTE LULA LIVRE E EM DEFESA DO BRASIL

No final da reunião foi deliberado que no próximo dia 30/04 a FRENTE POPULAR realizará um grande ATO PÚBLICO na Freira Livre de Nova Cruz com a participação de várias lideranças e populações de outras cidades, que se concentrarão na Praça de Eventos localizada na entrada da cidade e de lá seguirá em uma CAMINHADA até a Feira Livre, onde haverá pronunciamentos de lideranças e entidades. Haverá distribuição de panfletos tanto na passeata como na feira esclarecendo a população importância e os objetivos da Frente Popular, além das ameaças aos direitos dos trabalhadores, estudantes e da população em geral legalmente constituídos e garantido na Constituição Federal. Tendo como inimigo do povo brasileiro o desgoverno TEMER!

Participaram da reunião lideranças da cidade de São Tomé (Miguel Salustino, Manoel Amador , Nelcilei e Cícero. Nova Cruz estiveram presentes: Professor, Sindicalista e Poeta Antonio Barbosa; Antonio Duarte e João Maria Campos (SINTE), Romário Anulino (IFRN), Delaias Barbosa  (CA-IFRN-NOVA CRUZ) e Daniel Barbosa (Dirigente do PT de Nova Cruz), Eduardo Vasconcelos, representando o Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, STRAF/STTR de Nova Cruz e o PCdoB de Nova Cruz.

Obs: Participam da FRENTE POPULAR várias cidades do Agreste Potiguar, entre elas Nova Cruz, Santo Antonio. Montanhas, Várzea, Espirito Santo, Passa e Fica, Monte das Gameleiras, entre outras.

CONTAGEM REGRESSIVA! FALTAM 07 DIAS PARA O V ENCONTRO DE LIDERANÇAS CULTURAIS DO CPC/RN!!!

Dia 27 de abril no IFRN de Parelhas-RN, o Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN com apoio de lideranças sindicais, culturais e instituições educacionais realizará o seu V ENCONTRO ESTADUAL DE LIDERANÇAS CULTURAIS DO CPC/RN, com debates, apresentações culturais, informes, aprovação de propostas e muito mais. AGUARDEM!!!

UNE volante: Resistência estudantil por democracia, educação e liberdade

Leia artigo escrito pela vice-presidenta da UNE Jessy Dayane
No mês de abril, que marca os 54 anos do golpe militar de 1964 e que o golpe jurídico-parlamentar-midiático de 2016 completa dois anos, a União Nacional dos Estudantes realiza a reedição da UNE Volante.
Na década de 60, essa iniciativa cumpriu um papel fundamental na organização dos estudantes nas universidades – que anos depois foram fundamentais na resistência à ditadura. Dessa vez, ao enfrentar os desafios da nossa geração, organizaremos a resistência contra o golpe que está em curso na defesa das eleições livres e democráticas e na construção do debate sobre o projeto de Brasil que os estudantes defendem.
No ano de 1962, a UNE Volante, junto com o Centro Popular de Cultura (CPC), percorreu o país e debateu sobre a reforma universitária no bojo das reformas de base propostas pelo governo Jango. Nesse processo, com muita arte, cultura e diálogo com a comunidade acadêmica, foi possível produzir uma importante reflexão sobre a realidade nacional, suas contradições e potencialidades. Uma das principais bandeiras do momento foi a reivindicação da paridade nos conselhos universitários, que resultou numa grande greve estudantil conhecida como “greve do 1/3”.
Nesse período a universidade era bem diferente da que conhecemos hoje. Exemplo disso é a peça teatral do CPC, “Auto dos 99”, que criticava o fato de apenas 1% da juventude brasileira estar nas universidades.
A UNE volante volta a percorrer o país numa realidade diferente; a universidade brasileira passou por um processo de maior democratização e popularização através das políticas educacionais dos governos Lula e Dilma. Entretanto, há um caminho longo até a universidade que queremos. As universidades ainda preservam muitos dilemas da nossa realidade social, econômica, cultural e política; apenas 15% da juventude acessa a universidade sendo que cerca de 70% via instituições particulares.
Além disso, também temos os novos dilemas do nosso tempo. Após o golpe de 2016 uma série de ameaças à existência da educação pública e gratuita a nível superior estão postas. Com a Emenda Constitucional 95, que congela os gastos sociais por 20 anos, todo processo de ampliação do acesso ao ensino superior está ameaçado, assim como a permanência daqueles estudantes mais pobres que precisam de assistência estudantil para concluir sua graduação.
Somam-se a esse desmonte os ataques à autonomia universitária e livre produção do conhecimento que aconteceram na Universidade Federal de Santa Catarina e na Universidade Federal de Minas Gerais, com um espetáculo midiático visando a desmoralização das instituições públicas. Também a interferência do Ministério Público Federal nas universidades que aprovaram a disciplina “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”, a exemplo da Universidade de Brasília, com o intuito de censurar o pensamento crítico na universidade.
Esse avanço de uma política retrógrada não se restringe às universidades. No seio da sociedade vivenciamos mudanças que retiram direitos trabalhistas historicamente conquistados, que desnacionalizam nossas empresas, entregam nossas riquezas naturais e violam a constituição.
Temos um judiciário partidarizado e seletivo, com a prisão de um ex-presidente sem provas e sem transitado e julgado. Vivemos tempos de avanço do ódio, do fascismo, da intolerância e de uma grave crise econômica, política e institucional.
Nossos dilemas nas universidades não estão isolados da crise na sociedade. Por isso as saídas para os problemas do país também estão nas mãos dos estudantes.
Não é novidade a participação decisiva dos estudantes nas grandes transformações do nosso país, na defesa da democracia, da justiça e da soberania. Nesse momento, cabe a nós assumirmos a tarefa de restabelecer a democracia, de resistir por nossas conquistas e direitos e de lutar pelo Brasil que sonhamos: para os brasileiros e brasileiras.
Vamos percorrer o país a partir de 20 de abril começando pela região norte, na Universidade Federal do Pará. De lá, seguiremos por dois meses, realizando debates e festivais culturais de resistência em todas as regiões do país.
Nosso objetivo é proporcionar a troca de ideias entre os estudantes sobre o projeto de país e de universidade que queremos para construir a resistência e a reação estudantil. Nesse sentido, lutar pela liberdade de Lula e seu direito de se candidatar é um dever para nós que defendemos a democracia.
Vamos espalhar essa ideia através dos comitês pela liberdade de Lula que criaremos em todo país. Não baixaremos a cabeça diante da sanha golpista e, seguindo o exemplo de Helenira Rezende e Honestino Guimarães, seremos a chama que incendeia o país por democracia, justiça e liberdade!
Jessy Dayane
Vice-presidenta da UNE

Às amoras: a nova literatura brasileira vem cheia de identidade


Essa é a dedicatória do livro “Amora”, de Natalia Borges Polesso, que ganhou o Prêmio Jabuti em 2016. A obra composta por 33 contos entra como destaque latino-americano na literatura por muitos outros motivos além do prêmio: estética, forma, política. Não à toa a autora está na lista Bogotá-39, que elege os melhores de autores do continente com menos de 40 anos
Por Alessandra Monterastelli
Descoberta, amores não correspondidos, relação entre mãe e filha, observar e narrar a descoberta da outra, raízes, descrições psicológicas, curiosidade e ingenuidade diante do diferente, dor, solidão, companheirismo, o pesar dos anos para uma relação. Tudo isso, e muitas outras coisas essenciais são narradas dentro dos contos que compõem “Amora”.
Por meio de uma escrita simples, mas extremamente bem estruturada, mergulhamos rapidamente no momento em que a personagem se encontra, na sua memória, ou no seu sentimento. As vezes em primeira pessoa, as vezes quem lê é apenas observador, mas das duas formas é difícil não se identificar com a situação que está sendo contada. Os contos despertam, inevitavelmente, um sentimento de comunidade. Vemos a vida das personagens, sua forma de olhar o mundo, e acabamos lembrando de alguma forma da nossa história.
A impressão passada no começo da leitura é de que a autora escreveu sem muito objetivo além do de contar, como quem joga pensamentos em um diário. Engano devido à naturalidade com que as palavras estão no papel: conforme avançamos nos contos, eles nos arrastam para questões maiores, nos convidam a sentir o que sentem as personagens e a lembrar de nossas próprias vivências.
“O tempo era bonito às quintas-feiras, aos dezessete anos”: de forma sutil, mas bonita, a descoberta. Amora têm vários contos que tratam do descobrir ser e estar fora dos padrões sociais, às vezes de forma mais sensível, às vezes de uma forma mais realista e desconcertante. Trata, essencialmente, de relacionamentos homoafetivos entre mulheres, mas fugindo completamente do habitual para esse tema. Conta o que é estar em um relacionamento, o que é se relacionar, o que é amar, algo narrado de forma constante em romances heterossexuais.

É comum que na maioria das histórias entre duas mulheres uma delas morra ou a relação acabe sendo sexualizada mais do que contada. Não em Amora. Quando a morte aparece, nos contos, não parece como uma interrupção que incomoda, mas apenas como a história, assim como na a vida. Os relacionamentos narrados são contados de pontos de vista múltiplos, entre diversos estágios: mulheres com diferentes idades, solteiras ou casadas; amores rápidos e amores adultos; às vezes contam memórias, às vezes fatos que estão acontecendo agora; traição, tesão, dor, paixão, rancor, solidão.

Existem as descobertas da juventude, mas também a vida cotidiana de duas senhoras que vivem juntas há anos e que estão inseguras diante dos primeiros sinais que a vida dá sobre a velhice e depois, do fim. Alguns contos com mais humor e ironia, outros com dor e frieza. Afinal, somos humanas.
E Natalia Borges Polesso parece, enfim, ter transmitido exatamente o que esperava. “O erotismo tangencia alguns contos, mas estou mais preocupada em contar histórias de vida. Os textos tratam de vários tipos de relação, desde curiosidades infantis por figuras enigmáticas ou estranhas até amores adultos e na velhice. Nesses três livros que publiquei, tratei direta ou indiretamente de relações homoafetivas. Com o tempo, fiz desse ponto de vista uma escolha estética, porque acho importante que essa experiência seja vista, reconhecida e respeitada”, explicou em uma entrevista após vencer o Prêmio Jabuti.
Por retratar lésbicas e o relacionamento entre mulheres, o livro é político, mas em nenhum momento panfletário; existe um pensamento estético, e a mensagem é passada através dele. Daí também a entrada do livro no espectro da literatura latino-americana, e de Natalia na lista do Bogotá-39: a política está presente no que é escrito de forma natural.
“A gente precisa se reconhecer. A gente vive em um país e em um momento em que precisamos nos assumir mulher […] Ser escritora, ser mulher, ser lésbica: para mim a escrita viabiliza todos esses pontos”, disse Natalia em certa entrevista, ao que completou: “vivemos em sociedade, somos todos seres políticos. Fazemos política todo momento”. Um fato óbvio, mas que muitas vezes passa desapercebido. A sinceridade política na literatura não deixa de ser importante, e também não precisa estar escancarada para atingir quem lê. Às vezes, o que não está escrito de forma direta é até mais pungente, e alcança (para ferir ou não) mais precisamente.
A escritora Natalia Borges Polesso
A última parte do livro reúne contos “pequenos e ácidos”, que se caracterizam por serem tiros emocionais compostos por pequenos parágrafos. Fazem refletir sobre como é sentir o ser mulher diante de diferentes situações, que por sua vez desencadeiam emoções cotidianas, momentâneas, epifânicas e as vezes dolorosas. Que talvez todas já tenhamos sentido; mais uma vez, o identificar-se está presente na escrita de Natália. É um livro sobre relacionamentos, mas também sobre identidade, no final das contas, as duas coisas nunca andam totalmente separadas.
Do Portal Vermelho

sábado, 21 de abril de 2018

COMUNIDADES DA CONCEIÇÃO E DO MARANHÃO CRIAM ENTIDADE CULTURAL E DESPORTIVA - NOVA CRUZ-RN

 Momento da votação para aprovação dos Estatuto e Eleições da sua primeira Diretoria e Conselho Fiscal da ACDCCM-NOVA CRUZ-RN
 Agradecimento do presidente eleito da ACDCCM-NOVA CRUZ-RN, o popular BETINHO
 Momentos da Leitura e Aprovação do Estatuto da ACDCCM-NOVA CRUZ e /ELEIÇÕES DA 1º DIRETORIA E CONSELHO FISCAL
 Leitura da proposta do Estatuto da ACDCCM-Nova Cruz-RN e na sequência das Eleições da Diretoria e Conselho Fiscal
Eduardo Vasconcelos, Presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC;RN, lendo a proposta do Estatuto da ACDCCM-NOVA CRUZ/RN

Hoje (20) os moradores/as das Comunidades de Conceição e do Maranhão, reuniram-se para a aprovar seus ESTATUTOS e eleger sua primeira diretoria e seu conselho fiscal.

O evento aconteceu na comunidade do CONCEIÇÃO , apesar das chuvas, mas a comunidade, iva, portanto da Conceição como do Maranhão se fizeram presentes.

Após a estiagem da chuva as comunidades se reuniram e atingiram seus objetivos.

Estiveram presentes como convidados o atual presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, Eduardo Vasconcelos e o popular zé do Tempero, suplente de vereador pelo PCdoB de Nova Cruz;

Diretoria eleita para mandato de 2 anos é composta por:

- ROBERTO MARCONE GUEDES - Presidente
- JOSÉ RICARDO CORDEIRO - Vice Presidente
- SABRINA FRANÇA - Secretária Geral
- MÔNICA TEODÓSIO - 1ª Secretária
- FRANCISCO CANINDÉ - Tesoureiro Geral
- WEDMA CORDEIRO - 1º TESOUREIRO 
- MAGNO DE FARIAS - Diretor de Cultura e Eventos

Conselho Fiscal
- TIAGO CARDOSO
- ANA LÚCIA CARDOS
- MARLON DO VALE


Joaquim José da Silva Xavier – Tiradentes 21 de abril


Vida deste importante personagem da História do Brasil, sua luta pela independência do Brasil, o movimento da Inconfidência Mineira, morte de Tiradentes.
Introdução 
O nome do líder da Inconfidência Mineira era Joaquim José da Silva Xavier. Nasceu na Vila de São Jose Del Rei (atual cidade de Tiradentes, Minas Gerais) em 1746, porém foi criado na cidade de Vila Rica (atual Ouro Preto).
Biografia resumida
Exerceu diversos trabalhos entre eles minerador e tropeiro. Tiradentes também foi alferes, fazendo parte do regimento militar dos Dragões de Minas Gerais.
Junto com vários integrantes da aristocracia mineira, entre eles poetas e advogados, Tiradentes começa a fazer parte do movimento dos inconfidentes mineiros, cujo objetivo principal era conquistar a Independência do Brasil. Tiradentes era um excelente comunicador e orador. Sua capacidade de organização e liderança fez com que fosse o escolhido para liderar a Inconfidência Mineira. Em 1789, após ser delatado por Joaquim Silvério dos Reis, o movimento foi descoberto e interrompido pelas tropas oficiais. Os inconfidentes foram julgados em 1792. Alguns filhos da aristocracia ganharam penas mais brandas como, por exemplo, o açoite em praça pública ou o degredo.
Tiradentes, com poucas influências econômicas e políticas, foi condenado à forca. Foi executado em 21 de abril de 1792. Partes do seu corpo foram expostas em postes na estrada que ligava o Rio de Janeiro a Minas Gerais. Sua casa foi queimada e seus bens confiscados.
Conclusão
Tiradentes pode ser considerado um herói nacional. Lutou pela independência do Brasil, num período em que nosso país sofria o domínio e a exploração de Portugal. O Brasil não tinha uma constituição, direitos de desenvolver indústrias em seu território e o povo sofria com os altos impostos cobrados pela metrópole. Nas regiões mineradoras, o quinto (imposto pago sobre o ouro) e a derrama causavam revolta na população. O movimento da Inconfidência Mineira, liderado por Tiradentes, pretendia transformar o Brasil numa república independente de Portugal.
Para saber mais: livros e filmes
Filme:
Os Inconfidentes. Joaquim Pedro de Andrade. Brasil, 1972
Livros:
BENTES, Ivana. “Independência ou Morte ”. Joaquim Pedro de Andrade: a revolução intimista. Rio de Janeiro : Relume-Dumará, 1996.
BERNADET, Jean-Claude. “O caso Tiradentes: notas ”. Piranha no mar de rosas . São Paulo: Nobel, 1982. RAMOS , Alcides Freire. “ A conjuntura política (1964-1972) e Os inconfidentes ”.  Canibalismo dos fracos: cinema e história do Brasil. São Paulo: Edusp, 2002.
Fonte: Brasil Cultura

Coprodução Brasil-Portugal concorrerá no Festival de Cannes


O longa-metragem brasileiro, em coprodução com Portugal, Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos concorrerá na principal mostra paralela do Festival de Cannes, Un Certain Regard (Um Certo Olhar). O documentário é dirigido pelo cineasta português João Salaviza e pela brasileira Renée Nader. Selecionado em 2014, a produção conta com recursos do Ministério da Cultura, por meio do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), em parceria com a Agência Nacional do Cinema (Ancine).
Gravado na aldeia Pedra Branca, terra indígena Krahô, em Tocantins, o filme apresenta Ihjãc, um jovem Krahô que, depois de um encontro com o espírito do falecido pai, se vê obrigado a fazer sua festa de fim de luto.
Neste ano, a seção paralela terá avaliação de um júri liderado pelo ator Benicio Del Toro. A 71ª edição do Festival de Cannes ocorrerá de 8 a 19 de maio na cidade francesa.

Brasil em Cannes

Outro representante do Brasil em Cannes será O Grande Circo Místico, de Cacá Diegues. O longa-metragem, que recebeu R$ 3 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual, é uma coprodução Brasil-França-Portugal e um dos sete filmes a serem exibidos na Sessão Especial do evento. Com os atores franceses Vincent Cassel e Catherine Mouchet e os brasileiros Mariana Ximenes, Jesuíta Barbosa, Bruna Linzmeyer e Juliano Cazarré no elenco, O Grande Circo Místico conta a história dos 100 anos de existência do Grande Circo e das cinco gerações de uma mesma família que estiveram à frente do espetáculo com suas histórias.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Mauro, o juiz que tortura a justiça. Por Luís Felipe MIguel

Por Luís Felipe MIguel

PUBLICADO NO FACEBOOK DO AUTOR
Com um surto de inspiração, comecei a escrever um romance. Uma obra de ficção inspirada livremente em eventos reais, com personagens, situações e outros elementos adaptados para efeito dramático, como dizem por aí. Escrevi a seguinte cena:
“O juiz afrouxou o nó da gravata preta e pendurou o terno preto nas costas da cadeira. Chegava em casa cansado. O trabalho era sempre exaustivo: a Constituição não é um livro muito grosso, mas ainda assim é preciso força para rasgá-la, dia após dia. Passou pela cozinha gourmet em que servira bons vinhos a seu amigo, o popular filósofo Kalvo, e olhou para a mesinha com o telefone, que os brasileiros todos conheciam das fotos que sua esposa divulgava na sua página de Facebook, ‘Mauro com ele’. O sinal de novo recado piscava. O juiz suou frio – podiam ser novas instruções vindas de seus superiores nos Estados Unidos. Os recados eram em inglês, e como ele faria sem Joel Santana para ajudá-lo a traduzir? Ele não confiava em outras pessoas. Auxiliar, como ele gostava de dizer, ‘tem que ser um que a gente mate’. Intranquilo, precisando de algo que o animasse, ele foi até o armário dos fundos. Atrás de todas as caixas com as provas e evidências ignoradas, do velho processo do Bandestado até hoje, estava seu brinquedo favorito. Era um bonequinho de vodu representando uma mulher de olhos vendados segurando uma espada numa mão e uma balança na outra. Uma alfinetada na presunção de inocência, outra no amplo direito de defesa, uma terceira no respeito ao sigilo telefônico… As paredes do apartamento tremiam com as gargalhadas do juiz Mauro, enquanto ele torturava a justiça.”
Só escrevi este parágrafo, mas acho que já me credencio para ganhar o Nobel de Literatura. Uma dobradinha brasileira com Lula no Nobel da Paz, já pensaram?
Fonte: Diário do Centro do Mundo - DCM

África Negra na obra de Cheikh Anta Diop



A realidade vivida pelos povos da África Negra durante o período colonial, bem como, apósas chamadas independências da grande maioria dos países que compõem a África Negra, provocou dentre os próprios africanos diversos sentimentos


No pensamento de Cheikh Anta Diop, podemos dizer que as independências poderiam favorecer uma configuração prejudicial para a África Negra, no sentido que não se livrariam de um contexto geográfico e geopolítico que precisaria ser mudado com certa urgência. É neste sentido que nasce o projeto de criação um Estado Federal da África Negra, no qual se percebe respostas a fatos históricos desta parte do planeta negados pelo Ocidente. É justamente a partir de tal restauração dos fatos que Diop apresenta, não só as razões para a unidade da África Negra, como também os caminhos para sua realização. Na primeira parte do trabalho, procurou-se expor as razões para a criação do Estado Federal da África Negra e, na segunda, falar da atualidade do pensamento de Cheikh Anta Diop, considerando a África Negra nos dias de hoje. 



O sistema de exploração e opressão colonial entra em período áureo central à volta dos anos 1920 e 1950, depois de reprimidas as resistências internas de cada país africano e uma vez terminadas as invasões em todo continente. Este é de facto o período de ouro do colonialismo e a coroação das decisões acordadas na famosa Conferência de Berlim de 1884/ 85, onde as grandes nações Europeias dividiram entre si todo o continente africano como um bolo de aniversário, sem terem qualquer consideração pelos africanos (…) que as colônias existiam para darem lucros aos seus possuidores europeus e não beneficiar os africanos, e que os africanos eram obrigados a fornecer as matérias primas para a Europa – 


O centro do mundo. Quanto à obtenção dos lucros, que era o fim principal porque possuíam colônias, havia também duas formas de exploração dos africanos(as) obrigar os negros a trabalharem nas minas dos brancos ou nas roças de café, cacau, cana-de-açúcar etc. Sempre com salários baixos de miséria e nunca lhes permitir que tivessem roças próprias (KAMABAYA, 2011:102)


História e História da África

Cabe dizer que na ótica de Diop o legado da Conferência de Berlim não poderia trazer mais vantagens para os africanos do que para os próprios europeus. Daí toda a legitimidade de qualquer novo projeto pensado por africanos e que levaria à implementação de um novo mapa para os africanos. Este projeto de partilha da África é, sem dúvida, uma das violências proferidas e sofridas por europeus e africanos, respectivamente. Não sendo um projeto ingênuo, a não ser para a grande maioria dos africanos de hoje, esta partilha almejava, dentre outros objetivos, embaralhar as antigas formas de organização dos africanos, enfraquecer as relações entre africanos, apagar sua história, impor-lhes uma nova, na qual se enxergam a partir de do seu colonizador, perpetrar sua dominação, em todos os sentidos, sobre eles próprios.



“Mil anos antes dos pensadores gregos, Sócrates, Platão, Zenão, etc., os egípcios, com a reforma de Amenófis IV, tinham claramente em mente a ideia de um Deus universal responsável pela criação e que todos os homens sem exceção podiam louvar: ele não era o Deus de nenhuma tribo, de nenhuma cidade, tampouco de nenhuma nação, mas sim o do gênero humano.3” (DIOP, 1987:37).



Como Diop costuma afirmar: “O Egito foi para a África o que a Grécia foi para o Ocidente”. Portanto, a negação arbitrária de presença negra dominante no passado do Egito seria no mínimo um “crime intelectual” motivado pelo racismo, que embaçaria as bases comuns de






Historiografia contemporânea- Seria uma grande lacuna procurar entender o projeto de criação de um Estado Federal da África Negra, perdendo de vista a colonização da África em geral, e da África Negra em particular. A propósito, Aimé Césaire, no Discurso sobre o Colonialismo mostra que a colonização exercida pelos europeus, em vez levar a civilização para os povos supostos carecer dela, desumanizou os colonizados, ao passo que provocou o mesmo efeito no próprio europeu.


.É importante sublinhar que Diop não era solitário nesta na busca de soluções para a libertação da África Negra. Já no final dos anos 1950, grandes pensadores políticos africanos, como kwame Nkrumah, Patrice Lumumba, Amílcar Cabral e, mais tarde, Thomas Sankara apontaram o dilema fundamental dos africanos (MOORE, 2010:33). Antes da manifestação destes, já se falava de pan-africanismo, movimento mais defendido fora do que dentro da África. Na ótica deste movimento, a união dos povos africanos, desconsiderando as fronteiras, seria uma resposta prática à condição de violentados na qual se encontram. Para Diop a resolução deste problema, ao qual a África está submetida, começaria por outro projeto intelectual de autoconhecimento por meio da própria história, após o qual, o projeto de um espaço territorial africano se realizaria paulatinamente e, em médio prazo, levaria a um território único da África Negra.



Finalizando:

Um ambiente geopolítico coerente e estável sobre as bases de uma racionalidade centralizada em suas atividades econômicas internas e externas era imprescindível. Sem esta, as nações africanas “desapareceriam” uma após outra, engolidas pelas duras realidades do cenário internacional e pelas incessantes guerras civis, tal qual os líderes já o perfilhavam nos anos 60.


recentes da historiografia sobre a África têm sido um ataque considerável ao eurocentrismo na História disciplinar. É perceptível, sobretudo, que o esforço por uma história interdisciplinar, nesta área do conhecimento, tem permitido uma reconstrução histórica mais complexa, em que a utilização cruzada de fontes se tornou uma premissa metodológica. Tal fato tornou-se uma condição necessária para uma história menos eurocêntrica em relação à África; e, como colocou Ki-Zerbo (1980: 377), uma premissa para a concretização de um projeto transdisciplinar do conhecimento, ainda a ser construído.


 Por outro lado, a continuidade de uma perspectiva que visou descolonizar a História da África, em um âmbito mais geral, reforçou um viés de interpretação heurística deveras interessante. Assim, os conceitos de trabalho historiográfico parecem cada vez mais imanentes à própria história, em vez de basearem em categorias fechadas, construídas a posteriori. Tal tendência tem aproximado, cada vez mais, a História da Antropologia. Aí, a 
novidade tem sido a difusão de uma “antropologização” dos conceitos historiográficos, que postula uma visão crítico-assimilativa acerca das categorias clássicas de entendimento dos fatos sociais. Neste sentido, por exemplo, desde uma perspectiva africana, autores como Akinjogbin et al. (1981), vêm postulando uma ressignificação conceitual de categorias 
Um afro abraço.


Claudia Vitalino.



Fonte:www.pordentrodaafrica.com /https://www.revistas.usp.br