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quinta-feira, 5 de julho de 2018

Avanço no negro no cenário atual...


É uma reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. A semana dentro da qual está esse dia recebe o nome de Semana da Consciência Negra.

A lei N.º 10.639, de 9 de janeiro de 2003, incluiu o dia 20 de novembro no calendário escolar, data em que comemoramos o Dia Nacional da Consciência Negra. A mesma lei também tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira. Com isso, professores devem inserir em seus programas aulas sobre os seguintes temas: História da África e dos africanos, luta dos negros no Brasil, cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional. 

Com a implementação dessa lei, o governo brasileiro espera contribuir para o resgate da contribuição dos povos negros nas áreas social, econômica e política ao longo da história do país. 

A escolha dessa data não foi por acaso: em 20 de novembro de 1695, Zumbi - líder do Quilombo dos Palmares- foi morto em uma emboscada na Serra Dois Irmãos, em Pernambuco, após liderar uma resistência que culminou com o início da destruição do quilombo Palmares. 

Então, comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra nessa data é uma forma de homenagear e manter viva em nossa memória essa figura histórica. Não somente a imagem do líder, como também sua importância na luta pela libertação dos escravos, concretizada em 1888. 

Muito embora tenhamos estatísticas sobre o povo brasileiro ainda espelham desigualdades entre a população de brancos e a de pretos e pardos. Por isso, é importante conhecermos algumas informações sobre o assunto. 

Entidades do mov. Negro, como a UNEGRO e outras organizam palestras e eventos educativos, visando concientização da população negra da capital do Rio de Janeiro e em todo pais. Procura-se evitar o desenvolvimento do auto-preconceito, ou seja, da inferiorização perante a sociedade.

Nos lembramos nesta data do assassinato de Zumbi, em 1665, o mais importante líder dos quilombos de Palmares, que representou a maior e mais importante comunidade de escravos fugidos nas Américas, com uma população estimada de mais 30 mil.

Em várias sociedades escravistas nas Américas existiram fugas de escravos e formação de comunidades como os quilombos. Na Venezuela, foram chamados de cumbes, na Colômbia de palanques e de marrons nos EUA e Caribe. Palmares durou cerca de 140 anos: as primeiras evidências de Palmares são de 1585 e há informações de escravos fugidos na Serra da Barriga até 1740, ou seja, bem depois do assassinato de Zumbi.

Embora tenham existido tentativas de tratados de paz os acordos fracassaram e prevaleceu o furor destruidor do poder colonial contra Palmares. A diversidade de formas de celebração do 20 de novembro permite ter uma dimensão de como essa data tem propiciado congregar os mais diferentes grupos sociais. "Os adeptos das diferentes religiões manifestam-se segundo a leitura de sua cultura, para dali tirar elementos de rejeição à situação em que se encontra grande parte da população afro-descendente”.
A luta ainda é grande.
Na semana do dia 20 de novembro, inúmeros temas são abordados pela comunidade negra e os que ganham evidência são: inserção do negro no mercado de trabalho, cotas universitárias, se há discriminação por parte da polícia, identificação de etnias, moda e beleza negra, etc. Algumas entidades organizam palestras e eventos educativos em que se procura evitar o desenvolvimento do auto-preconceito, ou seja, da inferiorização perante a sociedade.
A marginalização dos negros ocorre dentro de um contexto histórico, processo de abolição da escravidão e formação econômica moderna, em que a estrutura de classes da sociedade está se constituindo tendo como conseqüência o posicionamento desfavorável dos negros, devido à forma de inserção desigual na estrutura de classes, no que se refere à renda, escolaridade e ocupação. 

Nesse sentido, uma das características marcantes do mercado de trabalho brasileiro até hoje é a desigualdade de oportunidades entre os grupos raciais. As estatísticas revelam um quadro assustador sobre a maneira de como brancos e negros estão distribuídos na estrutura ocupacional. Dados estatísticos do IBGE mostram que o rendimento médio da população branca no Brasil é de em media R$ 812; e a dos negros é de R$ 409.

Estas desigualdades presentes no mercado de trabalho estão presentes, também na educação. Pesquisa revela a baixa freqüência dos negros nas universidades brasileiras. Enquanto 80% dos universitários são brancos, somente 2,2% são negros. Juridicamente discute-se a constitucionalidade da política de quotas para negros nas universidades a partir do dispositivo do princípio da igualdade do artigo 5º da Constituição Federal de 1988. Apesar de muitos defenderem essa política como forma de assegurar ao negro a sua participação na sociedade, muitos estudiosos vêem nessa política o aumento da discriminação entre brancos e negros.

São essas práticas discriminatórias presentes no cotidiano que indicam a permanência do racismo. A sociedade brasileira preserva profundas desigualdades raciais, de rendimentos, educacionais e ocupacionais.

A marginalização dos negros ocorre dentro de um contexto histórico, processo de abolição da escravidão e formação econômica moderna, onde a estrutura de classes da sociedade nacional está se constituindo e como conseqüência terá o posicionamento desfavorável dos negros, devido à forma de inserção desigual na estrutura de classes, no que se refere à renda, escolaridade e ocupação. 

Em outros termos, poderíamos dizer que o Estado a partir da segunda metade do século XIX, pós-1850, e, principalmente, início do século XX, até meados dos anos 40, foi o veículo primordial da formação de um mercado de trabalho fundado na exclusão dos negros e descendentes. 


Esse mercado de trabalho, estruturado de cima para baixo pelo poder estatal, privilegiava os indivíduos brancos e dificultava o acesso de outros grupos raciais tendo em vista a crença, então em voga por aqui, a respeito da superioridade dos brancos. Essa ideologia racial irá, evidentemente, dificultar a inserção dos negros no nascente mercado de trabalho tendo em vista sua suposta inferioridade e a discriminação racial será, então, uma das marcas visíveis que o negro encontrará na busca por trabalho.

O Dia da Consciência Negra, portanto, deve ser comemorado como uma data para se lembrar da resistência do negro à escravidão em contraposição ao 13 de maio quando foi decretada a abolição da escravatura pela princesa Isabel. É a celebração da generosidade de uma branca em relação aos negros. Neste dia, os negros exaltam a sua origem africana e exaltam a sua luta pela liberdade de informação, religião e cultural. Buscam maior participação e cidadania para os afro-brasileiros associando-se a outros grupos para dizer não ao racismo, à discriminação e ao preconceito racial.

O dia da consciência negra procura ser uma data para se lembrar a resistência do negro à escravidão de forma geral, desde o primeiro transporte de africanos para o solo brasileiro (1594) portante é acima de tudo um mês de reflexão e que a festividade, alegria renove as energias para continuar a trajetória para a conquista de direitos e igualdade de oportunidades. Estejamos todos engajados nesta caminhada pela liberdade e pela consciência da riqueza da diversidade racial para toda a sociedade brasileira.

Por: Claudia Vitalino.
Fonte: ultimainstancia.uol.com.br/artigos/pt.wikipedia.org/wiki/IBGE/UNEGROO.

José Leite de Santana (Jararaca) Cangaceiro

José Leite de Santana, conhecido por Jararaca (Buíque, 5 de maio de 1901 –Mossoró, 18 de junho de 1927), foi um cangaceiro brasileiro.
Fez parte do bando de Lampião, porém, entre 1920 e 1926 foi soldado do exército, onde participou da Revolta Paulista de 1924, sob o comando de Isidoro Dias Lopes, mas deixou a farda para entrar para o cangaço, com uma participação, neste grupo, muito curta, pois no ataque a cidade de Mossoró, em junho de 1927, foi preso e justiçado (morto sumariamente sem julgamento, após 4 dias de prisão) pelo soldado João Arcanjo.
Acredita-se que Jararaca é um santo , pois antes de morrer, arrependeu-se dos crimes praticados e depois de morto, credita-se a ele algumas graças alcançadas, portanto, é considerado um santo popular na região de Mossoró
Nome completo José Leite de Santana
Nascimento - 5 de maio de 1901 - Buíque
Morte:18 de  junho de 1927 (26 anos)
Mossoró - Nacionalidade   brasileiro - Ocupação Cangaceiro

Oito militares chilenos são condenados pelo assassinato do cantor Victor Jara

Oito militares chilenos da reserva foram sentenciados a 15 anos de prisão nesta terça-feira (03/07/2018) pelo assassinato do popular cantor Victor Jara durante o golpe de 1973 que colocou o falecido ditador Augusto Pinochet no poder.
Um juiz apresentou as sentenças após um longo inquérito sobre a morte de Jara há 45 anos, no dia 16 de setembro, informou a autoridade judiciária do Chile em comunicado.
Miguel Vázquez sentenciou os oito homens a 15 anos e um dia de prisão pelo assassinato de Jara e do ex-diretor prisional Littre Quiroga Carvajal.
Um nono suspeito foi sentenciado a cinco anos por seu papel no acobertamento dos assassinatos.
Jara, na época com 40 anos, era um conhecido cantor, diretor teatral e professor universitário que simpatizava com o governo socialista de Salvador Allende, que foi deposto no golpe de 1973.
O trabalho de Jara e a natureza da sua morte inspiraram tributos de artistas incluindo Bruce Springsteen, The Clash e U2.
Ele foi detido junto a alunos, colegas acadêmicos e diversos outros simpatizantes da esquerda em um estádio de futebol no Chile, que desde então foi renomeado em sua homenagem.
De acordo com detidos no estádio que sobreviveram, as mãos de Jara foram esmagadas com o cano de uma arma e ele foi duramente espancado durante seu encarceramento. Quando seu corpo foi descoberto três dias após seu desaparecimento, próximo a um cemitério, ele possuía 44 buracos de tiros.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Professor Luis Felipe Miguel revela como foi o primeiro semestre do curso sobre o golpe



Para o cientista político, que começou com a disciplina na UnB, o movimento dos cursos contribui “para sacudir a letargia da universidade brasileira”
O professor Luis Felipe Miguel, da Universidade de Brasília (UnB), pioneiro na ideia de montar um curso sobre o golpe de 2016, que tirou da presidência Dilma Rousseff e conduziu Michel Temer ao poder, postou no Facebook um balanço do primeiro semestre da disciplina. Acompanhe a íntegra do texto:
Chega ao final o semestre letivo da UnB e, com ele, o “famoso” curso sobre o golpe de 2016. Hora de fazer um balanço da experiência.
Aqui na UnB, depois das ameaças iniciais do então ocupante do MEC e da tensão gerada pela agitação da extrema-direita, a disciplina ocorreu sem sobressaltos. Na verdade, foi muito tranquila. Os estudantes bolsonarianos que haviam se matriculado nela nem sequer apareceram – creio que desistiram quando perceberam que não ia ter tumulto, mas debate e reflexão. Ainda assim, o começo do semestre foi marcante. Nunca imaginei que, em minha vida de professor, teria que dar aula sob esquema de segurança e temor de pancadaria. Creio que este é um dos efeitos mais lamentáveis da campanha fascista do “Escola Sem Partido”: transformar as salas de aula em espaço de hostilidade, em vez de construção conjunta de conhecimento e de discussão franca.
Mendonça Filho recuou de seus propósitos persecutórios, em parte pela péssima repercussão de sua desastrada iniciativa, em parte porque já havia feito a mise-en-scène para sua base radicalizada. Até onde sei, a UnB só recebeu um pedido de esclarecimento pro forma, do TCU, que foi acionado por um deputado retrógrado. “Até onde sei” porque a minha instituição assumiu toda a responsabilidade pela defesa jurídica da disciplina. Quero agradecer, uma vez mais, à reitora Márcia Abrahão e a seu vice, Enrique Huelva, pelo compromisso firme com a autonomia universitária.
Em outras universidades, porém, a situação foi mais tensa. Onde o Ministério Público está instrumentalizado pela extrema-direita e onde juízes ativistas altamente ideologizados atuam, houve tentativas sérias de censura e de bizarra interferência na universidade. O caso mais lamentável vem da Universidade Federal de São Carlos, em que a própria reitoria, controlada por um grupo reacionário, sustou a oferta de um curso sobre o golpe. Uma reitoria agindo contra a autonomia universitária – é de lascar.
A proliferação de cursos sobre o golpe indicou uma magnífica determinação da universidade brasileira para lutar pela preservação da sua autonomia, que é a condição básica para que possamos fazer bem nosso trabalho como docentes e pesquisadores e para que possamos devolver à sociedade, em forma de conhecimento e diálogo, aquilo que ela nos dá. Foi também, como tenho repetido, uma tocante demonstração de solidariedade que recebi de centenas de colegas, muitos dos quais sequer me conheciam, que se levantaram para dividir comigo o ônus das pressões e das perseguições. A todos, meu agradecimento mais sincero.
Graças a generosos convites, pude estar presente em vários dos cursos – e muitos outros convites eu infelizmente não pude aceitar. Somando a outros compromissos, do início de março para cá estive fora de Brasília por alguns dias em praticamente todas as semanas. Embora tenha sido sempre bem acolhido, encontrado pessoas queridas em cada cidade e participado de discussões proveitosas, confirmei que esta vida de globe-trotter não é para mim e jurei que, daqui para a frente, esse ritmo será diminuído.
O movimento dos cursos sobre o golpe é, a meu ver, amplamente positivo. Está contribuindo para sacudir a letargia da universidade brasileira. O saldo pessoal, para mim, da notoriedade indesejada que recebi, é mais ambíguo. Confesso que me diverti mais do que me zanguei com as absurdidades que, durante um punhado de dias, os jornalistas da direita despejaram sobre mim, sobre o curso, sobre a universidade. Meu favorito pessoal é o mentor do “Escola Sem Partido” dizendo que a disciplina sobre o golpe não era uma disciplina de Ciência Política porque não tinha nem Platão, nem Aristóteles na bibliografia.
A imprensa fez, como de costume, um papelão. Desde o pequeno site local que deflagrou o “escândalo” de um curso sobre o golpe “em uma universidade paga pelo governo” (sic) até os jornalões, que reforçaram a tese de que a educação tem que ser “neutra” e de que não se pode falar do golpe – e deram espaço nenhum para o contraditório. Por exemplo, quando os colegas da Unicamp escreveram para a Folha uma resposta a um texto feroz contra a universidade e o pensamento crítico, tiveram dificuldade até para arrancar a informação de que o jornal não iria publicá-lo.
Dentro da academia, foram pouquíssimos os que defenderam a censura ao curso. A posição mais comum, à direita, foi tentar desqualificar o programa e o professor, “anticientíficos” e “doutrinadores”, lamentar a presença de tais excrescências, mas reconhecer que, uma vez que eles existem, o direito de oferecer a matéria precisa ser garantido. Em alguns casos, colegas conservadores manifestaram suas divergências de forma ponderada, e suas defesas da liberdade de cátedra foram particularmente importantes. Das manifestações desonestas de colegas de direita, só uma me incomodou pessoalmente, vinda de um ex-comunista convertido ao fernandismo radical, que eu julgava que, apesar de seu reacionarismo galopante, ainda podia merecer respeito.
O pior, no entanto, é o movimento mais sutil de emparedar, a mim e a outros colegas mais intensamente envolvidos nos cursos pelo país afora, na posição de “militantes”, logo, desprovidos de respeitabilidade acadêmica. Trata-se de novo round do embate permanente contra a noção positivista de “neutralidade” nas ciências sociais. É uma manobra conveniente porque, ao nos desqualificar como interlocutores, permite que fujam do debate conosco. Mas a ciência que eu procuro fazer e que vi nos cursos sobre o golpe pelo Brasil afora não tem nada de “militante” (no sentido de movida por paixão partidária cega). Ela é, isto sim, engajada: assume sem rodeios seus valores ético-políticos, não nega que faz parte do mundo social que procura desvendar, recusa a ficção da neutralidade e, em seu lugar, coloca a honestidade de assumir o lugar de onde fala. É um engajamento que se combina com o rigor científico e do qual tem saído a maior e a melhor parte do conhecimento produzido nas ciências sociais.
O emparedamento almejado prejudica nossas posições no campo acadêmico e visa comprometer a continuidade de nosso próprio trabalho. Lembro que, nos corredores do último encontro da Associação Brasileira de Ciência Política, que ocorreu no momento em que o Senado aprovava o afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff, um “colega” particularmente desqualificado dizia o seguinte: “Esses aí que estão falando em ‘golpe’ vão mudar de discurso assim que seus financiamentos de pesquisa começarem a ser cortados”.
Parece que não há muito com o que nos ameaçar. Os financiamentos de pesquisa foram cortados em geral, pelas políticas de desmonte do investimento público pelo governo golpista, sem discriminar ninguém.
E, assim como sabemos que nenhum cientista social produziu conhecimento digno de nota aderindo ao golpe de 1964, hoje todos os pesquisadores mais respeitáveis se alinham ao entendimento de que em 2016 ocorreu uma ruptura ilegal da ordem constitucional – ainda que aplicando ênfases diferenciadas. Uma vez mais, a proliferação das disciplinas sobre o golpe, que reuniram, como já disse antes, um verdadeiro dream team das ciências humanas no Brasil, foi essencial para marcar esta situação.
Fonte: REVISTA FÓRUM

Internacional - América Central - Por que latino-americanos insistem em migrar para os EUA?

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Foto: Reuters/Latinstock
A realidade da violência deixa poucas escolhas além da emigração

por Anna-Catherine Brigida e Heather Gies, em San Salvador (El Salvador) 
Em El Salvador os jovens são especialmente vulneráveis às ameaças crime organizado e violência é a força motora da para a saída do país
Diante do centro de atendimento a migrantes em San Salvador, os olhos de Berenice Cruz, 19 anos, movem-se nervosamente antes que ela sussurre que fugiu de El Salvador “por causa do crime”. Quase toda a sua família no leste do país pertence a um bando criminoso, diz Cruz, mas ela não quer se envolver. O bando ameaçou matá-la, por isso ela tentou fazer a perigosa viagem até Reno, em Nevada (EUA), onde mora uma tia e ela teria proteção garantida. Não conseguiu.
“Se eu voltar para onde moro, eles vão me matar”, diz ela, pouco depois de retornar ao seu país natal, vinda de um centro de detenção em McAllen, no Texas, onde esteve detida depois de cruzar a fronteira. Cruz é um dos 11.748 salvadorenhos deportados dos Estados Unidos e do México desde o início deste ano. 
Os migrantes sofreram ataques incansáveis desde que Donald Trump começou sua campanha para presidente. A política das autoridades americanas de separar as crianças dos pais em nome de uma estratégia de imigração de “tolerância zero” provocou indignação na semana passada, de Washington a San Salvador.
Trump acabou forçado a recuar em um decreto que, segundo os críticos, ainda não vai longe o suficiente. Mas sua política continua a ignorar as difíceis realidades de milhares de migrantes que fogem da violência e da miséria no chamado Triângulo Norte – El Salvador, Guatemala e Honduras, países centro-americanos assolados pela corrupção, pelo crime organizado e a impunidade.
“Eles declaram (El Salvador) o país mais violento do mundo, mas depois dizem que não nos darão refúgio, asilo ou qualquer tipo de proteção por motivos de violência”, disse Aquiles Magaña, secretário do Conselho Nacional para Proteção e Desenvolvimento de Pessoas Migrantes, conhecido como Conmigrantes, criticando a “mudança drástica” de Trump nas políticas de asilo como hostil, racista e contraditória. 
O índice de assassinatos em El Salvador caiu no ano passado em comparação com 2015 e 2016, mas continuava alto, com mais de dez homicídios por dia, em média, em 2017. O país de 6 milhões de habitantes é um dos mais letais do mundo fora das zonas de guerra. As guerras por território entre bandos rivais conduzem à violência e perpetuam a desigualdade e a insegurança.
Esses bandos nasceram em Los Angeles e foram transportados para as ruas de El Salvador com as deportações maciças em meados dos anos 1990 de migrantes que fugiram da guerra civil no país, que durou 12 anos. Não é de surpreender que 9 em cada 10 famílias que têm crianças em El Salvador esperem migrar no futuro.
Iris Martínez, 40 anos, deixou El Salvador há duas semanas, com a intenção de escapar da intimidação dos bandos porque presenciou um assassinato dois anos atrás. “Eu sempre recebi ameaças”, diz ela depois de sair de um ônibus com 35 deportados detidos no México. Martínez pretende fazer a rota novamente, desta vez com documentos para solicitar asilo, e reunir-se a um de seus três filhos que já estão nos Estados Unidos.
Casos como o de Iris Martínez enfrentam ainda maior incerteza depois que o secretário da Justiça dos EUA, Jeff Sessions, ordenou, no início deste mês, que os juízes de imigração do país neguem asilo na maioria dos casos de violência doméstica e de gangues.
Em uma sexta-feira recente, 93 migrantes chegaram em El Salvador vindos dos EUA. Alguns tinham vivido lá por anos ou décadas. Outros foram apanhados imediatamente ao cruzar a fronteira. Em seu país, os deportados são recebidos com um sorriso dos funcionários públicos, um suco de laranja e um sanduíche, antes de ser entrevistados por autoridades e seguirem com todos os seus pertences em uma pequena sacola vermelha.
Mas a volta ao lar não é tão fácil. Há quase consenso entre os deportados no centro de que as políticas de Trump não impedirão que os migrantes sigam para o norte. “Processar quem pede asilo por cruzar a fronteira, deter famílias que buscam proteção e limitar os critérios para conceder asilo são atos cruéis e desumanos, e ignoram as condições que estão levando muitas mulheres, crianças e famílias centro-americanas a fugir de suas comunidades em busca de segurança”, disse Adriana Beltrán, do Escritório de Washington para a América Latina. 
Leia também:

Segundo estatísticas do governo de 2016, quase 75% dos adultos deportados citaram fatores econômicos como motivo para deixar seu país, onde mais de um terço da população vive na pobreza. As razões para as crianças deportadas se dividiam quase igualmente entre motivos econômicos, insegurança e reunificação da família. 
Tessie Borden, porta-voz de uma organização sediada em Los Angeles, a Clero e Laicos Unidos pela Justiça Econômica, contestou as rígidas distinções que colocam os motivos econômicos para migração como menos válidos que as preocupações de segurança. “Esses fatores estão todos conectados”, disse ela. “O tipo de vida que essas pessoas levam não lhes deixa muitas opções, para começar.”
Josué, 18 anos, outro devolvido a El Salvador, foi para os EUA com sua mãe quando tinha 7 anos, em busca de “um futuro melhor”. Ele diz que pretende tentar a travessia da fronteira novamente assim que possível, esperando fazê-lo em tempo para o nascimento de seu segundo filho, em julho. Ele se diz mais preocupado por estar em El Salvador do que com as políticas de Donald Trump. “Este não é um lugar seguro”, afirma, mudando do espanhol para o inglês. “Ser jovem aqui é um crime.”
Os jovens são especialmente vulneráveis às ameaças e à violência dos bandos criminosos, que são as forças motoras de seu deslocamento em El Salvador, segundo um relatório da organização de direitos humanos Cristosal. “Muitas vítimas da violência não encontram proteção das autoridades”, disse Beltrán. “Na verdade, muitas temem a polícia tanto quanto os bandidos.”
Outro jovem, Enrique Valle, 29 anos, voltou de Los Angeles para El Salvador recentemente. Ele diz que seu país é lindo, mas “há lugares aonde não se pode ir, principalmente se for jovem”. O pai de Valle foi assassinado por bandidos há seis anos, quando não pagou a extorsão cobrada por sua padaria. A extorsão é generalizada em El Salvador, afetando nove em cada dez pequenas empresas, segundo o Conselho Nacional de Pequenas Empresas de El Salvador.
Enfrentando ameaças de gangues, Valle fugiu. Ele diz que em El Salvador não tem futuro – nem seu filho de 2 anos que deixou em Los Angeles. Passar mais que alguns dias com seu único irmão no bairro dominado por bandidos é perigoso demais, por isso Valle rumará para o norte em breve. “Não sei se vou conseguir cruzar novamente”, disse. “Mas vou tentar por meu filho e por minha mãe. Não dá para viver aqui do jeito que está.”
Fonte: CARTA CAPITAL

A hora e a vez de um feiticeiro no cinema

“Se tivesse a idade dos rapazes do cinema novo creio que não escreveria mais: faria cinema”. Essa frase dita por qualquer ser humano, portador ou não do dom da escrita, brasileiro ou estrangeiro, revela o quanto o cinema pode ser sedutor. Essa frase dita – como foi dita – por Guimarães Rosa, em confidência a Glauber Rocha, revela o quanto o cinema, e o poder da imagem que carrega, é uma tentação diabólica até para o maior de nossos feiticeiros imbuído do poder da palavra.
Por Evandro Souza*
Ilustração: Helena Enne Gostaria de ser um crocodilo, porque amo os grandes rios, pois são profundos como a alma do homem – Ilustração: Helena Enne Gostaria de ser um crocodilo, porque amo os grandes rios, pois são profundos como a alma do homem – Ilustração: Helena Enne
Felizmente, o “rapaz” Guimarães Rosa nunca esteve diante desse dilema e a câmera nunca foi uma alternativa à sua escrita. Se o Brasil perdeu a oportunidade de ter o seu John Ford, nunca saberemos, mas os textos do maior escritor em língua portuguesa do século 20 estão preservados pela generosidade do destino. Se o cinema realizado às sombras do Monument Valley proporcionou por meio da imaginação de um diretor o mito de criação da grande nação do norte no Velho Oeste, o sertão mítico de Guimarães Rosa é a vereda que nos leva com muito mais verdade, via literatura, até a fronteira entre o corpo e a alma brasileira.
Embora o “cineasta Guimarães Rosa” tenha sido apenas o devaneio de um mestre de uma arte milenar, a obra de Rosa não escapou à fome dessa nova forma de arte que devora desde seu nascimento suas irmãs mais velhas, como o teatro, a música, a pintura e, entre outras, a literatura.
O cinema brasileiro, que em princípio cogitou encontrar nos textos de Guimarães Rosa aspectos “infilmáveis”, logo tentaria superar essa timidez. Em 1954 um ainda jovem e desconhecido François Truffaut – que viria a ser um dos pais da nouvelle vague – no célebre artigo “Uma certa tendência do cinema francês”, ponderava se existia realmente em algum romance cenas infilmáveis e se cenas assim decretadas seriam infilmáveis para “todos”. No caso do universo literário roseano, ao menos para um autor, a saber, Roberto Santos, o “infilmável” não se impôs.
“A Hora e a Vez de Augusto Matraga”, filme de 1965, baseado no conto homônimo e última novela da coletânea “Sagarana”, livro de estreia de Guimarães Rosa, além de figurar na galeria das maiores obras da cinematografia brasileira, talvez seja a única tentativa de traduzir a literatura de Rosa para a tela que logrou êxito. E diversas outras tentativas foram feitas. O próprio “Nhô Augusto” ganhou em 2011 um novo longa metragem sob o mesmo título. Produção premiada, pomposa, tecnicamente competente e medíocre, pode ser ignorada juntamente com as outras aproximações cinematográficas sem dor na consciência por parte de quem aprecia a obra de Guimarães Rosa e é cioso de seu tempo. É possível encontrar, sim, diversos documentários interessantes sobre Rosa e sua literatura. Mas, no âmbito ficcional, para além da obra de Roberto Santos, apenas o deserto, embora o cinema brasileiro que se auto-congratula possa não concordar.
Obviamente, o diálogo entre o sertão de Rosa e o sertão de Glauber não entra nessa solução ácida. Muita tinta já foi gasta para descrever o quanto “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de 1964, é o mais próximo que o cinema chegou de Guimarães Rosa, sem fazer nenhuma tentativa de tradução textual direta. Mas o sertão revolucionário de Glauber, que quer virar mar, pertence a Glauber. E o sertão oriundo de um mar de longa-duração de Rosa, pertence a Rosa. O grande feito de Roberto Santos em seu filme de 1965 foi conseguir traduzir diretamente esse último do universo da palavra escrita para o da imagem e do som. E isso não é pouca coisa.
Como toda estória que vale a pena ser contada, “A Hora e a Vez de Augusto Matraga” é um conto universal. Sem perder a sua essência, a trama poderia se desenrolar entre samurais no Japão feudal e ser levada às telas por um Kurossawa. Poderia ser um western americano como “Rastros de Ódio” (1956) embora John Wayne não seja tão dramático quanto Leonardo Villar no papel de Augusto Matraga, ou ainda algo como a raiva contida e a busca de redenção de Clint Eastwood em “Os Imperdoáveis” (1992). Roberto Santos soube preservar esse valor universal do conto de Rosa sem cair na tentação de utilizar um tesouro literário para expressar o vazio da classe média urbana como não é raro em um cinema feito pela elite intelectual e dado a arroubos subjetivistas.
O filme de Santos, embora preserve essa capacidade de conto inteligível em qualquer lugar onde exista ser humano e, por consequência, disputa, violência, paixão e tragédia, não deixa de ter o seu brilho próprio como expressão cinematográfica à parte da fonte de genialidade originária. A música de Geraldo Vandré, por exemplo, que permeia o filme, causa um estranhamento e acrescenta camadas de interpretação que leva a resultado muito diverso do que um diretor tacanho faria ao descarregar modas de viola no que imaginaria ser um conto regionalista. Tão bom quanto a viola em uma canção sobre astronautas e galáxias, como se ouviu em “2001” – dos Mutantes e não de Kubrick – o violão de Vandré deixa claro que o filme não está alienado de seu tempo histórico. As estrofes do “Réquiem Para Matraga”, que abrem e fecham o filme, revelam um diretor atento ao desenrolar dos acontecimentos à sua volta ainda na metade da década de 1960.
A decupagem com liberdade de câmera, a montagem que dá um ritmo de trote lento à estória com algumas galopadas esparsas, a literalidade de alguns diálogos ora mais engessados, ora mais livres e menos textuais, o aspecto preto e branco com personagens pedidos nas sombras muitas vezes, marcam um estilo que pode causar estranhamento ao espectador jovem não iniciado em coisas velhas e boas. É “ferrugem em bom ferro” diria Joãozinho Bem-Bem. Ainda em 1965 ao ver apenas duas sequências completas do filme de Roberto Santos na I Semana do Cinema Brasileiro em Brasília, o grande crítico Paulo Emílio Salles Gomes disse ter se sentido diante do melhor já visto em cinema brasileiro. E não por acaso o filme foi o vencedor do festival onde figuraram obras como “Menino de Engenho” de Walter Lima Jr. e “São Paulo, Sociedade Anônima” de Luís Sergio Person.
O sucesso de Roberto Santos na empreitada onde tantos outros fracassaram antes e depois dele ao se aventurarem com suas câmeras no sertão roseano, se deve, muito provavelmente, à busca de um olhar a partir de dentro e não de fora. Um diretor que se porta como o sacerdote que entra no santuário com a humildade de um aprendiz afastando qualquer postura didática e professoral.
Esse respeito com o material que tinha em mãos foi mostrado por Roberto Santos uma vez mais em 1968 no curta-metragem “A João Guimarães Rosa”, produzido pelo Departamento de Cinema da USP, onde o diretor foi convidado por Rudá de Andrade a lecionar como forma de se preservar da repressão política que assolava o país. Agora, em um tom muito mais lírico do que narrativo como no filme de 1965 (embora no longa-metragem possam ser encontrados belos momentos de lirismo como a luta de Matraga para domesticar o burrinho Valente), o curta-metragem feito a partir de fotografias de still é Guimarães Rosa em poesia e imagem.
Se a vez de Augusto Matraga – ou de algum outro elemento da herança deixada por Guimarães Rosa à cultura universal – há de chegar outra vez ao cinema, é incerto. Talvez o consiga um diretor que tenha o espírito de repetir o feito de Roberto Santos nem que “seja à porrete”, sem a utilização de editais como bilhete premiado para a realização de cinema divorciado de público, ou sem as mãos mercadológicas que jamais poderiam captar a riqueza da obra de Rosa em um enlatado para ser exibido fraturado em quatro partes na TV aberta.
Roberto Santos foi um privilegiado. Em 1987 tentou mais uma vez a sorte. Dessa vez com Machado de Assis ao exibir seu filme “Quincas Borbas” no Festival de Gramado. Foi um fracasso retumbante. Ao voltar de Gramado, com esse insucesso na bagagem, Roberto Santos morreu de infarto no aeroporto de Guarulhos. A generosidade dos deuses do cinema e da literatura não chegam a tanto. Obter a graça do Feiticieiro e do Bruxo seria glória demais para um homem só.
*Evandro Souza é bacharel em História pela USP, aventureiro em expedições arqueológicas pelos sertões brasileiros e espectador de cinema

Primeiro palhaço negro


Era difícil encontrar uma pessoa no Rio de Janeiro entre o fim do século 19 e o início do 20 que não conhecesse o Circo Spinelli – e, principalmente, sua maior atração, Benjamin de Oliveira. O palhaço, acrobata, instrumentista, dramaturgo, produtor e ator era um dos artistas mais populares da capital do País. Foi o primeiro palhaço negro brasileiro. Há quem defenda que tenha sido o primeiro do mundo.
Nascido na mineira Pará de Minas em 1870, fugiu de casa aos 12 anos para seguir o Circo Sotero. No picadeiro, aprendeu as artes do trapézio e da acrobacia. Depois, migrou para outros circos e, aproveitando-se de que um dos palhaços havia ficado doente, tomou seu lugar.
Com o tempo, Benjamin passou a elaborar os próprios espetáculos. É considerado um dos precursores do circo-teatro no País. Escreveu peças como Vingança Operária, Matutos da Cidade e A Noiva do Sargento. Encenou até Shakespeare no picadeiro. Entre seus admiradores estavam o dramaturgo Artur de Azevedo e o presidente Floriano Peixoto.
Benjamin também gravou sete discos, deu espaço para Catulo da Paixão Cearense se apresentar e, em 1908, dirigiu o curta-metragem Os Guaranis, um dos primeiros filmes do cinema brasileiro.
“Foi o mais ousado exemplo de fusão cultural negro-americano-europeu jamais tentada em qualquer parte do mundo”, exalta o rigoroso pesquisador José Ramos Tinhorão sobre uma peça do artista. Benjamin fez suas palhaçadas até 1947, quando se aposentou dos picadeiros aos 77 anos.
Autor Brasil Cultura

terça-feira, 3 de julho de 2018

AS ‘DUNAS DO ROSADO’ É CENÁRIO AINDA DESCONHECIDO DO RIO GRANDE DO NORTE

Entre Areia Branca e Porto do Mangue, no extremo Norte do Rio Grande do Norte, existe uma sequência de montanhas de “areias coloridas” com 10 km² de extensão. São as Dunas do Rosado, uma nova etapa na história do turismo potiguar.
O lugar ainda é bem pouco conhecido pelos turistas, só quem já fez roteiros litorâneos, como em Ponta do Mel, vilarejo do município de Areia Branca, pôde ter a oportunidade de vê-las de perto. Mas elas já serviram de cenário para novelas como “Flor do Caribe” e “O Clone”, da TV Globo.
O blog Viagem em Pauta fez um vídeo bem explicativo por lá, e conseguiu resgatar toda a beleza do local. Confira:
No decorrer do dia a areia parece mudar de cor, isso por causa da incidência da luz do sol. Os visitantes que querem observar esta diferença devem ir no começo da manhã e no fim do dia.
E você? Iria lá ver de perto estas dunas coloridas? Só não esqueça sua roupa com proteção e o bom e velho bloqueador solar, viu? Se gostou siga a gente no Instagram clicando aqui.
Por Henrique Araújo

‘Caravana da Cultura’ deixa legado artístico em Parintins

A iniciativa contou com pockets de espetáculos teatrais, revitalização de muros, oficinas de carimbo e graffiti, entre muitas outras atividades
Karla Mendes
Durante quatro dias, a “Caravana da Cultura”, projeto do Governo do Amazonas, realizado pela Secretaria de Estado de Cultura (SEC), integrou diferentes vertentes artísticas nas ruas e praças de Parintins, com artistas de Manaus e da Ilha Tupinambarana.
A iniciativa contou com pockets de espetáculos teatrais, trupe de palhaços, revitalização de muros, oficinas de carimbo, graffiti, tecido aéreo, sessões de filmes, encontro com realizadores audiovisuais, stand up e visita do Ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão.
Cerca de duas mil pessoas prestigiaram as atividades propostas pela “Caravana”. O secretário de Cultura, Denilson Novo, conta que a ação mobilizou o público e artistas locais a ponto de serem criadas atividades para atender as novas demandas no município.
“Parintins é um celeiro de inúmeros talentos. Neste ano, com a ação integrada de todo o Governo do Amazonas, conseguimos, por meio da Secretaria de Cultura, gerar novas oportunidades para a diversidade artística do município, promovendo novos atrativos à população local e aos turistas. Estamos fomentando o desenvolvimento de novos potenciais que muito podem contribuir para a expansão econômica e cultural de Parintins. Sem dúvida, a cultura e o conhecimento são os caminhos mais promissores para o fortalecimento de todo o Amazonas”.
Legado
Em Parintins, a “Caravana da Cultura” deixa um legado. Os muros revitalizados por Turenko Beça, Raiz Campos e Romahs Mascarenhas, junto com estudantes e artistas, foram o início de outras ações que acontecerão na cidade, isso porque materiais foram doados para que os alunos e artistas envolvidos na revitalização continuem a produção.
O cadastramento de artistas locais feito pela SEC fará circular o talento do parintinense em outras edições da “Caravana da Cultura”, que acontecerão ao longo do ano.
Formação teatral e intercâmbio
Além disso, a SEC investirá em formação de teatro local e realizará um intercâmbio de artistas entre Parintins e Manaus  em uma exposição prevista para os próximos meses.
Taciano Soares, secretário executivo da SEC, destaca a importância da “Caravana” para o fomento da cultura no Estado.
“A ‘Caravana’ é a efetiva ocupação das cidades do Amazonas com a difusão das artes e o fomento à produção local. Isso é mais que necessário, é urgente, porque o Estado do Amazonas, com sua complexidade étnica, geográfica, identitária e cultural, precisa de uma política pública que efetivamente corrobore para a efervescência cultural do Estado”, comenta.
Ministério da Cultura
No dia 29 de junho, o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão chegou na Ilha Tupinambarana acompanhado do secretário de Cultura, Denilson Novo.
Juntos, eles visitaram o Bumbódromo, no local de concentração dos bumbás e acompanharam as ações da “Caravana da Cultura” em diversos pontos da cidade, além de assistirem a apresentações dos alunos do Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro de Parintins.
Aprovação do Público
Turistas e parintinenses aprovaram as intervenções culturais no município.
O casal Alailse de Castro e Odacir Cruz estava assistindo a intervenção que aconteceu no fim da tarde de 1º de julho, na Praça da Catedral, com a família. Eles contam que já tinham assistido a uma peça teatral no início da “Caravana da Cultura” e voltaram para acompanhar mais intervenções.
“Viemos de Tefé para assistir ao Festival de Parintins e, na primeira noite, enquanto estávamos passeando pela praça, assistimos a uma apresentação teatral e gostamos muito. Achamos muito interessante e resolvemos voltar para assistir mais intervenções”, disse. “Esperamos que a ‘Caravana da Cultura’ vá até o município de Tefé para que os nossos jovens possam usufruir da arte”.

Seminário debate participação feminina no setor audiovisual

Agência Nacional do Cinema (Ancine), promove, na próxima quarta-feira (4), em São Paulo (SP), a segunda edição do Seminário Internacional Mulheres no Audiovisual. Realizado em parceria com o SESC-SP, o evento integra a programação do 1º Festival Internacional de Mulheres (FIM), que conta com duas mostras competitivas e programas especiais com filmes sobre protagonismo feminino.
O seminário vai abordar as políticas públicas e as ações da sociedade civil no Brasil e no mundo que propõem a redução da desigualdade de gênero no setor e que buscam dar mais voz e visibilidade às mulheres no mercado audiovisual. Entre os debatedores estão duas influentes ativistas estadunidenses – a atriz e produtora Fanshen Cox, criadora do Inclusion Rider, iniciativa que propõe uma cláusula de equidade que os atores podem exigir como parte de seu contrato, estipulando que a narrativa do filme e as equipes de trabalho por trás dele reflitam a diversidade existente na sociedade, e a comunicóloga Mercedes Cooper, diretora de Marketing da Array, empresa fundada pela cineasta Ava DuVernay para a distribuição e divulgação de filmes produzidos por mulheres e pessoas negras.
Além das apresentações das duas estadunidenses, que ocorrerão no painel “Sociedade Civil e Empresas em Prol da Diversidade – A experiência norte-americana”, o seminário vai contar com mais quatro mesas de debate: Panorama da diversidade na TV e no Vídeo por Demanda; Panorama da diversidade na publicidade brasileira; Mudando a percepção sobre o assédio; e Apresentação e assinatura do Pacto Antiassédio do setor audiovisual.
Políticas afirmativas
Este ano, no lançamento do programa #AudiovisualGeraFuturo, o MinC incluiu cotas de gênero e raça em 10 dos 11 editais publicados. A adoção de cotas se deu a partir de estudo feito pela Ancine e divulgado em janeiro de 2018. A Ancine, utilizou como base os 142 longas-metragens brasileiros lançados comercialmente em salas de exibição no ano de 2016. De acordo com o estudo, dos 142 longas-metragens brasileiros lançados comercialmente em salas de exibição em 2016, 75,4% foram dirigidos por homens brancos e as 19,7% por mulheres brancas. Apenas 2,1% foram dirigidos por homens negros e nenhum filme foi dirigido ou roteirizado por mulheres negras.
A programação e ao formulário de inscrição para participar do evento gratuito podem ser acessados no site https://www.ancine.gov.br/sites/default/files/Programa.pdf
Serviço
Data: quarta-feira, 4 de julho
Local: Cine SESC – SP (Rua Augusta, 2075 – Cerqueira César)
Horário: 9h30 às 18h
Fonte: BRASIL CULTURA

segunda-feira, 2 de julho de 2018

A violência contra pessoas LGBT - Pabllo Vittar - Indestrutível (Vídeoclipe Oficial)


A violência contra pessoas LGBT- lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros- são acções que podem ocorrer tanto pelas mãos de indivíduos ou grupos, como por parte da aplicação de leis governamentais visando as pessoas que contrariam as regras da heterocisnormatividade.

Um crime de ódio ocorre simplesmente quando os indivíduos são vitimados por causa da sua raça, etnia, religião, sexo, identidade de gênero ou orientação sexual. Os crimes de ódio contra as pessoas LGBT muitas vezes ocorrem porque os autores são homofóbicos, bifóbicos, transfóbicos, entre outros. Os ataques também podem ser atribuídos à própria sociedade. Uma variedade de grupos religiosos, bem como os defensores de ideologias extremistas condenam a homossexualidade, bissexualidade, transexualidade, etc, definindo-a a termos como: fraco, doente e moralmente errado. A violência dirigida às pessoas por causa de sua sexualidade e identidade de gênero pode ser de forma psicológica e física, incluindo o assassinato. Estas ações podem ser causadas por hábitos culturais, religiosos ou políticos e preconceitos.

Por DJ Nanda.
Coletivo de Juventude da UNEGRO RJ\UNEGRO CULTURATURA
Fonte:clipe yortube

Respiração Artificial - Por Bruno Lorenzatto

Ricardo Piglia mais se assemelha – na esteira de Borges, Vila-Matas, Roberto Bolaño e outros escritores contemporâneos – a um ávido e atento leitor que escreve, e se propõe a escrever colocando em questão sobretudo a própria literatura, repetindo-a, citando-a, para daí extrair sua singularidade como criador, como artista.
Por Bruno Lorenzatto
Respiração Artificial, um dos principais livros do escritor argentino, publicado em 1980, é uma narrativa em parte epistolar, labiríntica e com diversos narradores (os autores das cartas). O livro repete a forma e os temas de um romance que um personagem do próprio livro pretendia escrever. Procedimentos desse tipo criam ao longo do texto um jogo de espelhos falsos que multiplicam as interpretações possíveis, não permitindo tirar conclusões definitivas sobre a história, nem sobre os personagens que a contam – aquele que lê participa ativamente do texto. Há incursões pela história argentina, crítica literária, e reflexões filosóficas. Desprovido de linearidade temporal, o livro faz com o leitor se perca em épocas e lugares distintos enquanto busca um pouco inutilmente juntar os fragmentos díspares que o compõem.
Tudo se passa como se Ricardo Piglia fosse também um dos narradores do romance, presente na voz de Emilio Renzi, personagem constante em sua obra e narrador de, entre outros livros, Os diários de Emilio Renzi (ele também um escritor argentino com dados biográficos parecidos com os de Piglia), última publicação do autor antes de morrer, no ano passado. Renzi é então um personagem que funciona como um duplo de Ricardo Piglia, uma repetição, um simulacro. Este fato indica um viés de autoficção que percorre seus textos, ou seja, a insinuação ambígua da presença do autor “real” no interior de seu trabalho ficcional.
“Viver em terceira pessoa” é a ideia central que orienta a conduta de Marcelo, um dos personagens de Respiração Artificial – princípio retomado mais tarde, praticamente nos mesmos termos, em Os diários de Emilio Renzi. “Pensar contra si próprio” como um método “quase infalível de lucidez”. “A primeira coisa que pensamos está sempre errada, (…) é um reflexo condicionado.” Em outro sentido, é o princípio que parece colocar em prática o próprio Piglia em seu trabalho literário quando pensamos em Emilio Renzi, o personagem Renzi, que, como sabemos, é Piglia ficcionalizado. Pois o que é isso senão uma forma do autor falar de si na terceira pessoa, ou mesmo, ainda que por metáfora, de viver em terceira pessoa? Procedimento literário, mas também ético, como veremos.
Se “a primeira coisa que pensamos está sempre errada”, é porque os seres humanos se encontram pensando no âmbito dos reflexos condicionados, “somos adestrados durante um tempo excessivamente longo na estupidez, e no fim ela se transforma numa segunda natureza”, é a tese de Marcelo, contada por Renzi. Nesse sentido, algo como a liberdade nunca poderia ser definida como a capacidade de fazer o que se quer ou o que se tem vontade, pois o que queremos ou pensamos que queremos a princípio está determinado por um condicionamento específico proveniente da cultura e incorporado pelo indivíduo. De modo que a liberdade seria então a capacidade de não aceitar ou não agir a partir do condicionamento com o qual nos identificamos, questionando sistematicamente os pensamentos que nos parecem mais evidentes à primeira vista – donde poderíamos estranhamente concluir: viver em terceira pessoa significa ser livre.
A parte final de Respiração Artificial é notável não tanto pelo conteúdo das ideias filosóficas engendradas com perspicácia, mas sobretudo pela forma como o autor propõe um ensaio que relaciona história, filosofia e literatura, na voz de um dos personagens, misturando com virtuosismo dados ficcionais e históricos. Para isso, toma como uma de suas bases a hipótese de um encontro juvenil entre Kafka e Hitler, a partir do qual Kafka – profundamente impactado e horrorizado com as ideias do então jovem pintor frustrado Adolf – teria se inspirado para criar o horror em sua literatura antes que ninguém, a não ser ele mesmo, Kafka, pudesse vislumbrar de modo visionário esse horror e que isso pudesse se tornar real com a ascensão política de alguém como Hitler. Uma articulação, além disso, segundo a qual o Mein Kampf seria a culminação filosófica do subjetivismo inaugurado por Descartes, tendo em Heidegger o símbolo maior da adesão da filosofia ao nazismo (o que lembra a tese de Derrida sobre Heidegger, em que é estabelecida uma relação entre a filosofia alemã e o nazismo).
De todo modo, nessa longa trajetória do racionalismo ocidental, é certo que o eu figura como fonte privilegiada das verdades. “Um filósofo sentado diante da lareira, (…) não é essa a situação básica? É totalmente lógico (…) que quando o filósofo se levanta de sua poltrona, depois de ter se convencido de que é o proprietário exclusivo da verdade além de toda dúvida, o que faz é pegar uma daquelas achas inflamadas e dedicar-se a incendiar com o fogo de sua razão o mundo inteiro. Aconteceu quatrocentos anos depois, mas era lógico, era uma consequência inevitável.” Em Hitler, o método da dúvida – proposto por Descartes – se converteria no método da certeza assegurada pelo eu, levando às últimas consequências o ideário e a razão burguesa europeia em toda sua monstruosidade. Enfim, talvez seja esse outro motivo – político – pelo qual seja preciso viver contra o eu, ou como diz Piglia, pensar contra si próprio, viver em terceira pessoa.
Fonte: Outras Palavras

Cordelista cearense envia “Antologia do Golpe” a Lula


Detido na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, no Paraná, há mais de 80 dias, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem recebido milhares de cartas de brasileiras e brasileiros que o apoiam.
Por Cristiane Brito
Arquivo pessoal Coletânea “Antologia do golpe”, enviada a Lula (PT), aborda temas políticos dos últimos anos no país Coletânea “Antologia do golpe”, enviada a Lula (PT), aborda temas políticos dos últimos anos no país
De mensagens de cidadãos comuns a documentos assinados por entidades e figuras de renome, passando por intelectuais, artistas e aliados políticos, o petista tem sido o destinatário mais cativo das correspondências que chegam atualmente à Polícia Federal em terras paranaenses.
Nos próximos dias, um envelope especial deve se somar às milhares de cartas já enviadas a Lula: ele irá receber uma coletânea de cordéis postada diretamente de Juazeiro do Norte, na região do Cariri, no Ceará.
É a “Antologia do Golpe”, de autoria do cordelista Hamurábi Batista, que há 27 anos se dedica à literatura. O material reúne ao todo 19 cordéis, que foram produzidos nos últimos anos, no contexto da crise política que levou ao golpe de 2016 e seus desdobramentos.
Segundo o autor, a ideia é que a criatividade típica da narrativa de cordel ajude o petista a dar mais leveza ao tema.
“É um tema duro, não tem nada pra ficar alegre, mas a energia com que eu estou mandando é com tanto carinho que acho que pode chegar até ele. Minha intenção é dar um pouco de alegria pra ele”, afirma.
As histórias narradas na coletânea abordam os mais diferentes temas, como os protestos de 2013; a Operação Lava Jato; o golpe que levou à destituição da ex-presidenta Dilma Russeff (PT); a morte do ministro do Supremo Teori Zavaski; a condenação do petista José Dirceu; a reforma da Previdência; o petróleo brasileiro; a dívida pública e o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL).
Outros livretos trazem Lula como figura central das narrativas, abordando a sentença do caso do triplex e a perseguição política, judicial e midiática ao petista.
Livro 
O pesquisador Alberto Perdigão, que acompanha o trabalho de Batista e ajudou no processo de envio dos cordéis para Curitiba, destaca que o material tem grande relevância literária especialmente por oferecer um viés que contrasta com o discurso dos jornais tradicionais sobre o golpe.
“O cordel é um dispositivo midiático informativo que pode servir como mídia alternativa ao jornalismo hegemônico. Fiquei muito impressionado com a fertilidade dessa produção volumosa e de muita qualidade [da coletânea]. Não tenho a menor dúvida de que ele [Lula] vai gostar muito”.
Hamurábi Batista busca atualmente um financiamento para tentar transformar a “Antologia do Golpe” em livro. Segundo ele, a ideia é disseminar ainda mais a narrativa sobre o golpe, para que mais leitores acessem, por meio do cordel, informações não divulgadas pela mídia tradicional.
“O cordel é jornalismo popular. Ele tem uma força e um respaldo grandes. A partir disso, as pessoas que têm dúvidas podem esclarecer suas dúvidas através dessa linguagem”, complementa.
A obra completa do cordelista pode ser acessada aqui
Fonte: Brasil de Fato