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sábado, 14 de julho de 2018

SANTA TERESA DE JESUS - As cartas de Santa Teresa para seu amor secreto no século XVI

Santa Teresa de Jesus

Duas cartas manuscritas de Santa Teresa de Jesus recuperadas pela Guarda Civil juntamente com outras 17 obras de arte.  EFE

Guarda Civil espanhola encontra parte de uma correspondência manuscrita da freira com frei Jerónimo Gracián durante uma operação para recuperar obras de arte.

Santa Teresa de Jesus teve outro amor, além de Deus. Um amor mais carnal e menos confessável: Jerónimo Gracián. Ela dirige a Gracián uma de suas duas cartas manuscritas inéditas descobertas durante uma operação da Guarda Civil espanhola, juntamente com outras 17 obras de arte. Santa Teresa já estava com quase 60 anos, mas isso não impediu que se apaixonasse por aquele frade jovem disposto a acompanhá-la na renovação de uma Igreja corroída pela depravação existente naquela época (1578), com freiras corrompidas e frades bêbados envolvidos com prostitutas. A esfera eclesiástica estava mergulhada em duras disputas de poder entre os dois grupos de carmelitas, os calçados e os descalços.
“Para meu padre e mestre, frei Jerónimo Gracián da mãe de Deus, em suas mãos...”, começa a missiva. Teresa de Jesus, também conhecida como Teresa de Ávila, e Gracián tiveram de suportar as fofocas que seu relacionamento provocava em sua comunidade religiosa. Principalmente Gracián: ele acabou fugindo de seus próprios irmãos, os carmelitas descalços, que conseguiram expulsá-lo da Espanha. “Foi perseguido por seguir as ideias de uma mulher, foi capturado por corsários e acabou sendo acolhido por aqueles que tinham sido seus adversários: os carmelitas calçados”, comentou o jornalista e escritor Fernando Delgado, que escreveu um romance baseado na relação entre os dois, Sus Ojos en Mí (“seus olhos em mim”).
“Em muita graça nos caiu o que respondeu aos calçados sobre o trabalho que eles realizam em Medina e como convencem as freiras a obedecer ao provincial”, escreve Teresa em 19 de agosto de 1578 em Ávila. “Ali está como vigário Valdemoro, que não obteve votos para prior e o provincial o deixou como vigário para que remediasse aquela casa; e ele, desde aquele episódio bem conhecido, está muito mal com a prioresa Alberta. Andam dizendo que terão de servi-lo e muita coisa. As outras morrem de medo dele. Já as dobrou”.
São muitas as preocupações da santa nesse momento. Gracián está em Madri, bem alojado, mas meio escondido e sem ousar apresentar-se ante o núncio Filippo Sega. O frei Juan de la Cruz fugiu da prisão. Ela não sabe disso e continua angustiada pelo destino desse santo. O chefe de sua ordem religiosa, que mantém silêncio absoluto com ela, escreveu uma carta desanimadora para uma freira. Teresa de Ávila tem de tranquilizar as carmelitas de Medina, aterrorizadas pela chegada de Valdemoro, um dos carcereiros de Juan de la Cruz.
As duas cartas foram encontradas quando o Serviço de Proteção da Natureza (Seprona) da Guarda Civil em Valladolid, como parte de suas operações destinadas a proteger o patrimônio histórico e arqueológico, recuperou 19 obras de arte que estavam no mercado ilegal. Entre elas, cinco peças cujo paradeiro era considerado desconhecido pelo arcebispado de Valladolid.

Um antiquário e uma casa de leilões

O dono de um antiquário e o administrador de uma casa de leilões foram os principais investigados por supostos crimes de fraude, receptação e venda ilícita de sete obras de arte do patrimônio histórico.
A Operação Camarim começou em março, quando os agentes do Seprona descobriram que tinha sido vendida em um leilão em Madri uma pintura que poderia corresponder a uma pertencente às Carmelitas Descalças do Convento de São José de Medina de Rioseco (Valladolid), com as quais tanto se preocupava Santa Teresa. A pintura estava incluída tanto no catálogo “Clausuras —O Patrimônio dos Conventos da Província de Valladolid” como no “Catálogo Monumental da Província de Valladolid”—.
Os agentes solicitaram a colaboração do serviço de proteção da Direção Geral de Patrimônio Cultural, do Serviço Territorial de Cultura e Turismo da Junta de Castela e Leão em Valladolid, do Museu Provincial de Valladolid Fabio Nelli, do Governo Provincial de Valladolid e da Delegação Diocesana de Patrimônio do Arcebispado de Valladolid. Houve numerosos contatos, reuniões e trocas de informações com o objetivo de descobrir os supostos delitos penais ou as infrações administrativas e recuperar as peças.
Com isso, foi possível comprovar que a tela leiloada pertencia a uma coleção composta por um total de 174 peças, das quais 28 se encontravam em paradeiro desconhecido desde 2005. As investigações conduziram as autoridades até um antiquário de Valladolid, aonde chegaram por meio de uma casa de leilões de Madri que havia analisado e avaliado a obra. Na ficha do catálogo do leilão foi ocultada a procedência da pintura e alterada sua data de criação. A tela foi localizada e recuperada em Madri, onde foi entregue voluntariamente pelo comprador de boa fé.
Os agentes descobriram, ao inspecionar o estabelecimento, que a obra leiloada tinha sido ocultada com outro nome nos registros. Além disso, durante as inspeções, os investigadores apreenderam sete obras procedentes da coleção, assim como outras sete peças catalogadas.
A análise das informações obtidas permitiu também a localização de outras cinco peças da mesma coleção em edifícios institucionais de Salamanca, Toledo, Viana de Cega e Medina de Rioseco (Valladolid). Estas obras, cujo paradeiro também era considerado desconhecido, são de origem lícita.
Finalmente, outras quatro peças da coleção citada foram entregues voluntariamente pelas freiras do Mosteiro do Coração de Jesus e São José das Carmelitas Descalças.
Na investigação também se descobriu que o antiquário tinha vendido ilegalmente outras sete obras da coleção a pessoas desconhecidas.

Do convento ao museu

Todos esses bens fazem parte do patrimônio histórico espanhol, assim como do patrimônio cultural de Castela e Leão, segundo a Lei 16/1985, de 25 de junho de 1985, do Patrimônio Histórico Espanhol e a Lei 12/2002, de 11 de julho de 2002, do Patrimônio Cultural de Castela e Leão.
As obras de arte recuperadas e as que foram cedidas voluntariamente pelas freiras carmelitas foram depositadas no Museu São Francisco de Medina de Rioseco. Esse museu abriga a maioria das obras da coleção da qual fazem parte, incluindo agora as duas cartas manuscritas, assinadas e inéditas de Santa Teresa de Jesus.
Fonte: https://brasil.elpais.com

Funai apoia evento acadêmico sobre línguas e culturas dos povos Macro-Jê

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Maria Helena Fialho, servidora aposentada da Funai, foi uma das mulheres homenageadas no evento. Foto: Maíra Ribeiro/Funai
Representantes dos povos Macro-Jê reuniram-se a indigenistas, linguistas, antropólogos e educadores no IX Encontro Macro-Jê, realizado na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) entre os dias 19 a 22.


A 9ª edição do evento teve apoio da Funai, por meio da Coordenação Regional (CR) Xavante, e contou com a participação de integrantes das comunidades Kĩsêdjê, Karajá, Mentuktire, Rikbáktsa, Tapayuna e Xavante, de Mato Grosso; Javaé, Krahô e Xerente, de Tocantins; Kaingáng, do Paraná, e Laklãnõ (Xokléng).

Oficinas, rodas de conversa e mesas-redondas promoveram o debate de temas sobre antropologia, linguística e direitos indígenas durante o Encontro Macro-Jê que busca, ao longo de cada edição, valorizar e fortalecer os povos indígenas e as pesquisas científicas que abordam temas relativos a sua cultura, língua, pensamento, modos de vida e saberes tradicionais.

Alguns servidores da Funai apresentaram trabalhos desenvolvidos no âmbito institucional e pesquisas relacionadas aos povos indígenas. Maíra Ribeiro, indigenista especializada, relatou aos participantes do encontro a experiência da CR Xavante com o lançamento de edital que selecionou 94 instituições interessadas em realizar atividades arte-educativas, com o objetivo de difundir a produção audiovisual indígena, para fornecer caixa de DVDs com 7 filmes indígenas produzidos no projeto Cinema nas Aldeias Xavante: ver, ouvir e debater, de 2017.

Ribeiro destacou a simplicidade e abrangência da ação e mencionou a importância de apresentar o trabalho para representantes do povo Xavante que, na ocasião, ficaram a par da divulgação externa dos produtos audiovisuais desenvolvidos pela comunidade: "Foi uma ação simples, que não contou com recursos financeiros diretos e passeou de forma capilarizada pelos mais diversos locais do Brasil. É perceptível a carência em material arte-educativo e didático sobre os povos indígenas, especialmente para escolas, que almejam cumprir a lei 11.645/2018".

Além de Ribeiro, Eduardo Monteiro, servidor da CR Xavante, apresentou reflexões sobre trabalho de campo etnográfico com os Krahô e Lílian Calçavara, indigenista da CR Araguaia Tocantins, discursou sobre os Xerente do Araguaia e a luta pelo "reconhecimento" étnico, pesquisa de campo desenvolvida sob solicitação da Funai, e o manejo do fogo na Ilha do Bananal, território Karajá.

Maria Helena Fialho, servidora aposentada da Funai que se dedicou por mais de 30 anos às questões indígenas, foi homenageada durante o evento ao lado de antropólogas, linguistas e outras mulheres que, a partir do seu trabalho pioneiro, contribuíram para o estudo das línguas e culturas indígenas.

Está previsto para 2020 o próximo Encontro Macro-Jê, que será realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Kézia Abiorana (Ascom/Funai) - Com informações e colaboração do Professor Maxwell Miranda (UFMT)
Fonte: FUNAI

Se Nego do Borel queria homenagear os LGBTQ, poderia começar beijando seu ídolo Bolsonaro. Por Nathalí Macedo

 
por 
Nathalí Macedo
Chegamos ao fundo do poço da lacração capitalizada: um homem heterossexual beijou outro homem em seu clipe – com mais de três milhões de vews antes de completar 24 horas – para levantar a bandeira LGBTQ(cêdário).
O clipe da música “Me solta”, de Nego do Borel, é a receita perfeita da lacração: ambientado numa favela, no maior estilo fetichização da pobreza, com muita mulher negra dançando, homens se beijando e um gordinho pra fechar o pacote representatividade.
A lacrolândia vai à loucura.
O cantor lançou recentemente um clipe com lacrantora Anitta, que por sua vez é adorada pelos militontos mas apoia a candidatura João Doria, inimigo dos pobres e dos pixos. Nego do Borel também tem lá seus camaradas duvidosos: posou todo orgulhoso em uma foto ao lado de Jair Bolsonaro, o político mais escancaradamente homofóbico do país.
A militância identitária dos que se intitulam pós-modernos é um grande e lucrativo negócio. Divas da lacração – e seus produtores, evidentemente – ganham milhões com representatividade e “homenagens” – vide a própria Anitta e Pablo Vittar, rainhas das bee.
A apropriação da “lacração” pelo capital não é exatamente uma novidade, mas dessa vez passamos dos limites.  Um homem heterossexual beijar outro homem em homenagem aos LGBTQ é como um branco fazer black face como uma homenagem aos negros.
A militância identitária frenética tem alimentado uma geração de artistas pautados quase unicamente na questão idenditária. A busca por representatividade tem ultrapassado o talento e ultimamente até o tão adorado lugar de fala.
Pouca coisa importa. No fim, importante mesmo é lacrar.
Se a intenção de Nego do Borel era homenagear aos LGBTQ, poderia começar não tendo sua imagem associada à de um homofóbico declarado que disse que seus filhos não se tornariam gays porque foram muito bem-educados.
Quer homenagear às bichas? Use sua influência na opinião pública para combater a homofobia. Não fetichizar a sexualidade alheia é também uma bela homenagem.  Quer homenagear os LGBTQ?
Contribua com o trabalho artístico de mulheres lésbicas. Deixe que as próprias Gays e Lésbicas e Bissexuais e Trans e Queers se beijem em praça pública ou em uma superprodução ambientada na favela.
Por falar em favela, quer bancar o favelado? Vai morar na favela.
Especialmente em dia de visita do caveirão.
Fonte: Diário do Centro do Mundo - DCM

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Assembleia aprova nova ação jurídica e indica data pra ato na reitoria da UFRN

A assembleia geral da categoria dos técnico-administrativos ocorrida ontem  (12) na área da saúde, no auditório Mariano Coelho, localizado no Hospital Universitário Onofre Lopes. Na pauta, os temas: informes, avaliação, ação jurídica, 30 horas e encaminhamentos.
A escolha pela área da saúde tem sido proposital, uma vez que os servidores técnicos dos hospitais universitários (HUs) têm sido alvo de ataques constantes na tentativa de retirada da conquista da flexibilização da jornada.  Inclusive, a crise dos hospitais universitários foi levada à discussão em recente audiência pública na Câmara Municipal de Natal, promovida pelo vereador Sandro Pimentel. A Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC) tem sofrido diretamente com a questão em virtude de uma resolução do Tribunal de Contas da União (TCU) que determina o pagamento de Adicionais por Plantão Hospitalar (APHs) exclusivamente para quem ultrapassar a jornada de 40 horas, trazendo à tona a discussão da jornada flexibilizada. Sobre isso, os servidores já deliberaram e a decisão é manter a carga horária de 30 horas semanais preservando assim a qualidade de vida, cientes de que tal decisão acarreta na possibilidade do não recebimento de APHs. Os mesmos de dispõem a fazer os plantões, desde que sejam mantidas as 30 horas semanais.

Deliberações aprovadas: 
– Nova ação jurídica que incide sobre adicional noturno e horas extras –  esta ação refere-se à correção nos cálculos que determinam o valor devido ao servidor que, segundo os contracheques, estão sendo feito “a menor” pela UFRN. A interpretação jurídica a esse respeito é quase inexistente e já há jurisprudência a nosso favor, ou seja, temos uma chance enorme de vitória e execução desse pedido.
– Criação de Grupos de Trabalho nos HUs, preferencialmente por setor, que reunirão informações estatísticas e dados que auxiliarão o sindicato e sua assessoria jurídica, na parte de argumentos e reivindicações nas instâncias pelas quais passar, desde a administração central até o Ministério Público, por exemplo. Os grupos para serem formados precisarão da iniciativa e do apoio dos servidores lotados nos mesmos.
– Realização de assembleia-ato na reitoria da UFRN, com indicação da data de 25 de julho, objetivando pressionar a reitoria a trazer respostas satisfatórias sobre o problema dos técnico dos hospitais a respeito das 30 horas, bem como ampliar a discussão do tema para todos os servidores da UFRN. Essa medida se dá em virtude de todos os pedidos de setores referentes às 30 horas estarem sendo negados no Conselho de Administração (CONSAD), bem como aqueles que já conquistaram o direito, estão passando por processos de revogação.
 Vale ressaltar que a pauta das 30 horas semanais tem sido a principal reivindicação dos trabalhadores ao longo do tempo, passando por gerações várias e sendo abraçada com mais força ainda pelos novos servidores que estão nas universidades federais e ainda terão uma vida de contribuição ao serviço público.

Fonte SINTEST/RN
Adaptado pelo CPC/RN, em 13/07/2018

Malala Yousafzai visita o Brasil e declara apoio à educação de jovens indígenas

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Foto: instagram.com/malalafund
Malala Yousafzai, ativista pelo direito à educação que ficou conhecida como a pessoa mais nova a ganhar o Prêmio Nobel da Paz, em 2014, veio ao Brasil no último dia 10 e conheceu indígenas dos povos Pataxó, Pataxó-hã-hã-hãe e Tupinambá.

Uma das indígenas que a jovem conheceu em sua visita a Salvador (BA), a Tupinambá Maikele, contou para ela sua história. Seu pai foi morto em um conflito territorial, deixando ela e mais oito irmãos para sua mãe criar. No entanto, mesmo em meio às dificuldades, Maikele acorda às 4 horas da manhã, percorre oito quilômetros a pé e leva uma hora de ônibus até chegar à escola.

Além de Maikele, Malala passou o dia em que comemorava seus 21 anos com outras indígenas para, dessa forma, aprender mais sobre as barreiras que as mulheres enfrentam apenas tentando obter educação. "Eu também estou aqui para destacar as questões que essas meninas jovens estão enfrentando. Existem 1,5 milhão de meninas no Brasil que estão fora da escola, e nós vemos essa grande disparidade quando se trata da população indígena e afrodescendente", afirmou a ativista.

A paquistanesa aproveitou para anunciar apoio a três brasileiras que passarão a fazer parte da Rede Gulmakai, uma iniciativa do Fundo Malala que apoia ativistas da área da educação de meninas e mulheres em vários países: Denise Carreira, da Organização não governamental Ação Educativa, Sylvia Siqueira Campos, do Movimento Infanto-juvenil de Reivindicação, e Ana Paula Ferreira de Lima, da Associação Nacional de Ação Indigenista – Anaí.

Ana Paula, Coordenadora da Ong Anaí, em entrevista à Funai afirmou que "em um momento tão difícil da história do Brasil, as meninas indígenas da Bahia e do nordeste receberem o apoio de uma pessoa de relevância internacional, como Malala Yousafzai é de fundamental importância para a luta por uma educação, gratuita, segura, de qualidade e diferenciada, com professores qualificados e boas escolas de Ensino Médio dentro das aldeias".

Já Malala completou: "Algo precisa ser feito. Estou aqui para levantar a minha voz e ficar com elas e investir em ativistas locais no Brasil. Meu presente de aniversário é que todas as garotas possam ter acesso à educação segura e de qualidade."

A Fundação Malala publicou uma foto da ativista com as meninas indígenas em sua página no Instagram afirmando: "Para muitas meninas indígenas no Brasil, a jornada para a escola é quase maior do que o próprio dia letivo - e enfrentar a discriminação dificulta ainda mais a permanência na escola". Malala ficou conhecida pela defesa dos direitos humanos das mulheres e do acesso à educação no vale do Swat (Paquistão), onde nasceu. Lá, os talibãs locais impedem as jovens de frequentar a escola. Desde então, o ativismo de Malala tornou-se um movimento internacional.

Ana Carolina Vilela
Ascom/Funai

Animação inspirada nos indígenas Guajajara (MA) vence Prêmio Mercosul de Direitos Humanos

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O curta-metragem "Festa dos Encantados", inspirado no projeto Alma Brasileira – Coisa de Índio, produzido pela Coletivo 105, Idade da Pedra e Instituto Makarapy, é vencedor do Prêmio Mercosul de Direitos Humanos no 22º Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM 2018).

Além do troféu, os autores receberam como premiação o valor de US$ 500,00. O dinheiro será destinado ao Fundo de Produção Audiovisual para Jovens Indígenas do Maranhão do Instituto Makarapy.

A animação conta a saga de um índio Guajajara em busca do irmão perdido em terras maranhenses, que encontrou um mundo subterrâneo habitado por seres encantados e ali permaneceu até aprender todos os rituais e cânticos de várias celebrações.

O projeto Alma Brasileira – Coisa de Índio é uma iniciativa da Suzano Papel e Celulose e tem como principal objetivo fomentar a autonomia dos indígenas por meio da formação de jovens em técnicas de linguagem audiovisual, nos povoados Krikati, Gavião e Guajajara (MA).

"Com este projeto, apoiamos o fortalecimento das celebrações tradicionais por meio de registros audiovisuais realizados pelos jovens indígenas. A partir do conhecimento adquirido, esses jovens se tornam multiplicadores das tradições", afirma Ana Paula Soares, coordenadora de Sustentabilidade da empresa.

O curta também já foi reconhecido, em 2016, no 11º Encontro Nacional de Cinema e Vídeo dos Sertões como Melhor Direção de Arte. A próxima exibição será na 1a edição do Jumara Festival Internacional de Cine Indígena, no Panamá, entre os dias 12 e 14 de julho.

Para assistir ao curta metragem, clique aqui.

Divulgação Suzano 
Fonte: FUNAI

Arte e feminismo: para além do gênero, uma arte política

Por volta das décadas de 1970 e 1980, artistas sob influência dos movimentos feministas e das teorias pós-estruturalistas começaram a questionar e a colocar em prática a importância de expressar em sua arte aspectos da personalidade individual e de certa dimensão particular de gênero em suas produções artísticas.
Por Naymme Moraes*
Naymme: Se todas as relações são marcadas pelas divisões de gênero, nada melhor que a arte para questionar essa diferença, que é pura e simplesmente cultural, promovida e patrocinada por instâncias de poder, dentre elas os museus e galerias de arte Naymme: Se todas as relações são marcadas pelas divisões de gênero, nada melhor que a arte para questionar essa diferença, que é pura e simplesmente cultural, promovida e patrocinada por instâncias de poder, dentre elas os museus e galerias de arte
Apesar de não existir um movimento de arte propriamente feminista, o que divide opiniões quanto ao termo até hoje, por conta de uma diversidade de produção e de artistas que não são analisadas em conjunto, é possível criar correspondências entre as principais artistas que reuniram temáticas similares naquele período e considerar os passos formais de mulheres de diferentes épocas e países, analisando também do ponto de vista filosófico e teórico essa produção em um caminho comum.
Apesar da crítica conservadora da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos na década de 1980, quando as teorias feministas nas artes visuais mal haviam insurgido e essa era arte acusada de feminização, a década posterior, de 1990, redescobre o radicalismo político e o contato viceral com a experiência subjetiva.
Os anos de 1990 inauguram exposições no mundo inteiro sobre a temática, inclusive resgatando histórias de suas precursoras tanto da década de 70 quanto de décadas anteriores, com umas das primeiras mostras de 1993,”Bad Girls”, na Grã-Bretanha.
A relação entre arte e feminismo encontrou abertura dentro das inquietações da arte contemporânea e de suas interpretações diversas sobre questões tais como corpo, gênero, sexualidade, identidade, autobiografia e memória, oferecendo uma quebra a partir do uso dessas temáticas do olhar de críticos, teóricos e do público, gerando a possibilidade de questionamento da própria arte.
Uma das artistas mais importantes do século XX, Louise Bourgeois, construiu uma vasta obra, onde as temáticas presentes nas suas esculturas nos remetem a fábulas como também às relações íntimas entre mães e filhos, através da influência dos estudos da psicanálise lacaniana da primeira metade do século passado.
A artista costumava dizer “o inconsciente é meu amigo”, quando se referia aos seus trabalhos,Trani Episode (1971-72); Pregnant Woman (1947-49) e Janus in Leather Jacket (1968); Femme Couteau (1969-70); Janus Fleuri (1968).
Louise Bourgeois Femme Couteau 1982. Collection Ellen Kern, New York
De outro lado, artistas como Adrian Piper e Shirin Neshat – que operam politicamente em seus trabalhos, não só em relação à misoginia, mas também em causas como o racismo, xenofobia e questões como as relações das mulheres no islã – estão cada vez mais atuantes.
Shirin Neshat, artista visual iraniana, vive em Nova York e é conhecida principalmente por seu trabalho em cinema, vídeo e fotografia. Sua obra faz uma ponte entre a antiguidade/modernidade de seu país e os contrastes entre “Oriente/Ocidente”, onde vive hoje, New York, além das questões como feminilidade e masculinidade, vida pública e vida privada.
Talvez uma das artistas mais atuantes da cena política contemporânea nas artes visuais seja Adrian Piper. Em abril desse ano, o MoMa fez uma retrospectiva de 50 anos de carreira da artista americana e de sua luta contra o racismo e a misoginia. As relações de gênero e o patriarcado sempre foram um dos alvos da artista.
Em 1986, ela projetou um cartão de visita que deveria ser distribuído para desarmar casos de agressão sexual. O cartão dizia: “Caro amigo, não estou aqui para pegar alguém ou ser pego. Estou aqui sozinha porque quero estar aqui, sozinha”. Adrian Piper procurou transcender as fronteiras entre arte e discurso público colocando o conceito de raça e gênero como fundamental para suas investigações. Com sua pele clara de ascendência afro-americana e branca, ela utilizou seu próprio corpo como catalisador social explorando a identidade não como uma categoria fixa, mas como um processo.
Apesar de todo o debate, o tema arte e feminismo ainda é considerado polêmico e causa desconforto na área artística. Existe uma resistência em alguns países, e o Brasil é um deles, quando se propõe um olhar mais atento para alguns trabalhos, como os deTarsila do Amaral, Maria Martins, Lygia Clark ou Lygia Pape, por exemplo. Isso sem levar em consideração a enorme resistência à mulher no mercado das artes visuais no Brasil, tornando a relutância por parte de algumas artistas em se assumir feministas ainda maior.
Estamos em 2018 e muitas questões ainda não são discutidas do ponto de vista de políticas públicas e educacionais, de inclusão artística e de representatividade. Quase não ouvimos falar em artistas negras e na estética queer, por exemplo, que assim como a política do feminismo nas artes visuais fogem das expectativas de um olhar direcionado de uma ideia clássica de beleza e de uma filosofia artística que corresponde a uma linguagem pré-vanguardista e naturalista, causando desconforto e desestabilizando o mundo familiar da arte.
Enfim, se existe ou não uma arte feminista, a questão central aqui é que modos de representação do feminino mudaram e as questões de gênero integram de modo indissociável a avaliação e a criação do objeto artístico. Se todas as nossas relações, das mais cotidianas, das mais simples às mais complexas, são marcadas pelas divisões de gênero, por esse fosso e pela violência que o patriarcado exerce sobre nós, nada melhor que a arte para questionar essa diferença, que é pura e simplesmente cultural, promovida e patrocinada pelas instâncias de poder, dentre elas os museus e galerias de arte.
Aqui vai uma listinha totalmente arbitrária e idiossincrática para começar a conversa e dar um gostinho para um próximo papo: Nancy Spero; Barbara Kruger; Niki de Saint Phalle; Lygia Clark; Yoko Ono; ChantalAkerman; Judy Chicago; Gina Pane; Marina Abramovic; Cindy Sherman; Sophie Calle; Barbara Hammer; Kiki Smith; NanGoldin; Francesca Woodman; Barbara Chase-Riboud; Senga Nengudi.
*Naymme Moraes é feminista, mestra em História e doutoranda em Sociologia pela UFPE.

Estão abertas as inscrições para o 1º Encontro de Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria

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A ADUFPB promove, de 23 a 26 de julho, o 1º Encontro de Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria. A proposta é reunir docentes aposentados da UFPB, da UFCG e da UEPB em torno de debates sobre temas como conjuntura política nacional, Reforma da Previdência, políticas públicas para idosos. Além disso,o evento oferecerá oficinas focadas na melhoria da qualidade de vida do profissional aposentado.
Interessados em participar já podem se inscrever presencialmente, comparecendo à sede da ADUFPB, localizada no Centro de Vivência do campus I. Ou, ainda, pela internet, clicando aqui. No ato da inscrição é necessário informar contatos, dados funcionais e se há interesse em participar das oficinas oferecidas.
A abertura do Encontro será no dia 23, às 9h, no auditório da Reitoria da UFPB, com apresentação da Orquestra de Violões da Paraíba e do Coral Vozes da ADUFPB. A mesa de abertura será composta por representantes da reitoria, da organização do evento, das seções sindicais que representam os docentes das universidades participantes e do Andes – Sindicato Nacional. Após as falas, terá início a primeira palestra do evento, com o tema “Aposentados frente à conjuntura nacional atual – Desafios em lutas”, ministrada pelo professor Jaldes Meneses.
As demais atividades serão realizadas na sede sociocultural da ADUFPB, localizada na rua Gilvan Muribeca, nº 88, bairro do Cabo Branco. Além das palestras, também serão realizadas seis oficinas gratuitas: “Construindo fuxico”, “Origami”, “Atividades funcionais para o idoso”, “O que as quedas falam do estado ativo de presença”, “Uso de dispositivos móveis com segurança” e “A linguagem expressiva da marcha da terceira idade”.
Confira a programação completa abaixo:
ABERTURA
Dia 23 de Julho de 2018 (segunda-feira) – Horário: 9horas
Local: Auditório da Reitoria da UFPB
 
MOMENTO CULTURAL

Apresentação da Orquestra de Violões da Paraíba
Maestrina: Carla Santos (Dept. de Música da UFPB)
Apresentação do Coral “Vozes da ADUFPB”
Maestro: Carlos Anísio

PALESTRA DE ABERTURA

Aposentados frente à conjuntura nacional atual – Desafios em lutas
Palestrante:  Profº Doutor Jaldes Meneses
Horário: 10h30
 
COFFEE BREAK 

Hall do Auditório da Reitoria

Horário:  11h30  
COMPOSIÇÃO DA MESA DE ABERTURA
Representação do ANDES-SN/Regional Nordeste II – Profº Doutor Josevaldo Pessoa da Cunha
Representação da UFPB – Profª Doutora Margareth Formiga Diniz ou Profª Doutora Bernardina Freire
Presidente da ADUFPB – Profº Doutor Cristiano Bonneau
Coordenadora do GT de Aposentados e Diretora de Aposentados da ADUFPB – Profª Terezinha Diniz
Presidente da ASIP/PB – Carlito Gondim
Coordenadores e Representantes de Seções Sindicais:
Universidade Federal de Campina Grande – Thiago Romeu de Souza (ADUFCG)
Universidade Estadual da Paraíba – Leonardo Soares (ADUEPB)
Diretoria do Aposentado, Pensionista e Assuntos Previdenciários do Sintespb – João Manoel dos Anjos


DIA 24 de julho de 2018 ( Terça-feira)
Local: Sede sociocultural da ADUFPB

Manhã – PALESTRA E DEBATE
Horário: 09h00
TEMA: A reforma da Previdência e suas
contradições com relação aos aposentados
Palestrante: Profº Doutor Paulo Maia, Presidente da OAB – Paraíba

10h30 – Apresentação Cultural
Apresentação: Grupo de Dança dos Idosos
- Profª Helena Holanda

11h30 – Coffee break
Tarde – oficinas
A PARTIR DAS 14h30

OFICINA 1: O que as quedas falam do
estado ativo de presença
Facilitadora: Profª Maria Aparecida Bezerra

OFICINA 2: Uso de dispositivos móveis
com segurança (Trazer o seu celular)
Facilitador: Profº Francisco Ribeiro dos Santos Júnior

OFICINA 3: Construindo fuxico
Facilitadora: Profª Meriland Filgueira de Araújo

OFICINA 4: Origami
Facilitadora: Maria Gorete Xavier da Costa

DIA 25 de julho de 2018 (Quarta-feira)
Local: Sede Sociocultural da ADUFPB

Manhã – PALESTRA E DEBATE
Horário: 09h00
TEMA: Saúde em 1º lugar – Do acordar ao
dormir (distribuição de mudas medicinais)
Palestrante: Profª Doutora Maria das Graças Toscano

Tarde – oficinas – A PARTIR DAS 14h30
OFICINA 1: Construindo fuxico
Facilitadora: Profª Meriland Filgueira de Araújo

OFICINA 2 : Origami
Facilitadora: Maria Gorete Xavier da Costa

OFICINA 3: A Linguagem Expressiva da Marcha da Terceira Idade
Facilitadora: Proª Sandra Barbosa (CCS)

DIA 26 de julho de 2018 (Quinta-feira)
Local: Sede Sociocultural da ADUFPB

Manhã – PALESTRA E DEBATE
Horário: 09h00
TEMA: Política públicas com foco no projeto Cidade Madura
Palestrante: Profª Doutora Maria Aparecida Ramos

Tarde – oficinas – A PARTIR DAS 14h30
OFICINA 1: Atividades funcionais para o idoso
Facilitadora: Ingrid Obermark

NOITE DE Encerramento do Encontro (CONFRATERNIZAÇÃO)
COQUETEL na Sede Sociocultural, a partir das 20 horas, com show da Banda Quarteto Nordestino

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Aprovado projeto que aumenta potência das rádios comunitárias

O Plenário aprovou  o Projeto de Lei do Senado (PLS) 513/2017, que aumenta a potência de transmissão para rádios comunitárias. A proposta segue para a Câmara dos Deputados.
A proposta estabelece aumento da potência para até 150 watts, com altura irradiante não superior a 30 metros e possibilidade de acesso a dois canais específicos em nível nacional para as emissoras em frequência modulada. O relator da matéria, senador Otto Alencar (PSD-BA), destacou que houve acordo com as lideranças partidárias para aprovação do projeto. Antes de iniciada a votação, o presidente do Senado, Eunício Oliveira, também anunciou a retirada de dois requerimentos para exame do texto por outras comissões.
Potência
O texto original do projeto previa que a potência das rádios comunitárias seria aumentada de 25 para até 300 watts, com três canais designados, em vez de um, para a execução de radiodifusão comunitária voltada a uma comunidade, bairro ou vila.
O autor do projeto, senador Hélio José (Pros-DF), argumenta que o aumento da potência é necessário devido à grande diversidade geográfica do Brasil. Para ele, 25 watts são insuficientes para operação nas áreas de população esparsa, particularmente na zona rural. A ideia é viabilizar o serviço em regiões rurais, nas quais a cobertura de uma única comunidade, com moradias dispersas, exige alcance maior que o atualmente estabelecido. Segundo ele, a atual potência atinge até um quilômetro de raio de cobertura, limitando e restringindo o alcance da rádio, muitas vezes menor do que seu público potencial.
Caberá à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estabelecer a potência autorizada para cada rádio comunitária para preservar a característica da cobertura restrita do serviço. A alteração possibilita a cobertura de múltiplas comunidades, bairros ou vilas pela mesma rádio comunitária, o que desvirtuaria a essência desse serviço, destaca Hélio José.
Discussão
A aprovação da matéria foi comemorada pela senadora Kátia Abreu (PDT-TO). Segundo ela, os ajustes feitos na proposta não indicam a interferência das rádios comunitárias na faixa de transmissão destinada a rádios comerciais.
A aprovação do projeto também foi saudada pela senadora Ana Amélia (PP-RS), pelos senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Lindbergh Farias (PT-RJ), Waldemir Moka (MDB-MS), Paulo Rocha (PT-PA) e pelo líder do governo no Congresso, senador Romero Jucá (MDB-RR).
O senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) disse que o projeto atende a todas as rádios comunitárias espalhadas pelo Brasil. Por sua vez, o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) afirmou que o projeto favorece a democratização e a participação popular. Já o senador Hélio José cumprimentou as lideranças políticas pelo apoio dado à proposição.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Aberta exposição sobre cotidiano das comunidades Guarani

nossojeitodeserguarani
Nesta quarta-feira (11), o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal do Paraná (MAE-UFPR) inaugurou a exposição Nhande Mbya Reko: Nosso jeito de ser Guarani. 
O trabalho, aberto ao público até agosto de 2019, é resultado da colaboração entre o museu e cinco comunidades da região litorânea do Paraná: Pindoty, da Terra Indígena (TI) Ilha da Cotinga/Paranaguá, Kuaray Guata Porã, da TI Cerco Grande-Guaraqueçaba, Guaviraty e Karaguata Poty, da TI Sambaqui/Pontal do Paraná e Kuaray Haxa de Morretes. 

Para mostrar o cotidiano dessas comunidades tradicionais, a exposição traz ao público aspectos da forma de vida, arte, cosmologia e religiosidade Guarani a partir do artesanato, apresentando o contraste entre peças fabricadas para venda aos jurua (não indígenas) e os objetos tradicionais, voltados para as dinâmicas próprias das comunidades Guarani Mbya.

A mostra é parte do projeto Mutirão Mais Cultura na UFPR que, sob financiamento do Ministério da Cultura e Ministério da Educação, desenvolve ações em vários municípios da região litorânea do Paraná em parceria com associações de comunidades tradicionais de pescadores, quilombolas, indígenas, carnavalescos e artesãos. 

Com informações do MAE-UFPR
Fonte: FUNAI

PRESIDENTE DO CPC/RN VIAJA A BRASILIA - RIO E SP NA BUSCA DE PARCERIAS PARA PROJETOS E EVENTOS DO CPC/RN


No último sábado (7), Eduardo Vasconcelos - CPC/RN participou por telefone nas Rádios Curimataú (103;5) e Agreste FM (107.5) para falar dos futuros eventos do CPC/RN (Seminário: Sindicato e Cultura - Baía Formosa-RN, final de agosto/setembro), Ato em Defesa da UERN de Nova Cruz/RN (setembro), Evento em prol da Consciência Negra - 20 de novembro, Aniversário de 09 anos do CPC/RN e audiências com órgãos públicos estaduais e autarquias).

Eduardo Vasconcelos falou da viagens que fará de 12 a 30 de julho o presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, Eduardo Vasconcelos estará em viagens a Brasília Ministérios das Comunicações (MCTIC), (MinC (Proejtos/Fomento), Congresso Nacional (Projeto de Reconhecimento de Utilidade Pública Nacional), FUNAI (Em Defesa dos Índios Potiguaras - Aldeia Sagi-Trabanda -  Baía Formosa - RN), Editora da UnB, entre outros.

No Rio de Janeiro: Audiências na FUNARTE e Biblioteca Nacional, Museus, Editoras, entre outros.

Em São Paulo: Editoras Museus, parcerias com sindicatos e federações, entre outros.

Eduardo finalizou sua participações nas rádios conclamando a todos para se engajarem nas lutas, preservação e defesa da cultura e educação potiguar.

Acesse, também: uerneufrncampusja.blogspot.com

O rolezinho do preto na TV pública é tema de livro inovador

Branquitude e televisão. A Nova África (?) na TV pública trata, com linguagem clara e despretensiosa, da criação do programa A Nova África na TV Brasil durante o governo Dilma.
Por Gabriel Nascimento*
A presença do preto (escolhi substituir a categoria “negro” por “preto” proposital e politicamente neste texto) nos mais diversos espaços de poder tem sido uma demanda crescente também em trabalhos acadêmicos. Com o crescimento da demanda em torno do local de fala (que prefiro chamar de lócus de enunciação, por entender que lugar de fala não traduz todas as hierarquias móveis do discurso que se fixam e se impermeabilizam na fala como algo fixo), os trabalhos acadêmicos têm questionado com muita legitimidade o chamado racismo epistêmico como sendo aquele que não só mata fisicamente as vítimas, mas mata também seu conhecimento e sua memória de vítima (ao ignorar a possibilidade de seu conhecimento ser legitimado enquanto verdade).
Nesse sentido, uma das maiores lideranças negras do nosso tempo, o estudioso Richard Santos, o Big Richard, da Nação Hip Hop, ex-jornalista de portais de comunicação (em seu currículo profissional passou pela Globo, MTV e TV Record) se debruça sobre a representação do negro também na TV pública. Atuando do sul da Bahia, na Universidade Federal do Sul da Bahia, Richard Santos fala também a partir do Sul Global e a partir da necessidade de cooperação Sul-Sul, epistemicamente afrocentrada e não necessariamente afroessencializada.
Por isso, ele se apresenta ao seu trabalho e ao seu público: “Não me pretendo africanista ou nomenclatura parecida: estas construções ideológico-intelectuais eu deixo para os pesquisadores em seus laboratórios de centros europeus e estadunidenses”, diz ele já na apresentação de Branquitude e televisão. A Nova África (?) na TV pública (Editora Gramma). Ao contrário, ele se diz “afro-brasileiro/afrodescendente/ negro/crioulo, amefricano” (amefricano é o termo utilizado por Lélia González para falar da africanidade da América Latina), mas alerta: “isso é apenas um carimbo racial imputado pelo outro”.
Ao introduzir Branquitude e televisão. A Nova África (?) na TV pública (Editora Gramma), Richard Santos compreende que não é possível aceitar o lugar racializado como natural. Por isso, ele funda o termo “maiorias minorizadas” como uma das grandes inovações terminológicas do nosso tempo, que compreende que não há “minorias”, mas um processo de “minorização” de maiorias, como é o caso dos negros e das mulheres. Portanto, ele fala como negro e quer que o negro seja representado como negro, mas não sem antes compreender as amarras raciais da colonialidade e do capitalismo que o trouxeram até aqui. Trata, mas não aceita a condição racial como imposta. Ela é, antes, sua armadura ancestral, aqui suplementada. Tal como a burguesia criou o proletariado para submissão e, que, após criado se tornou a arma da insubmissão na Europa, assim é o negro na colonialidade. Lendo claramente e muito bem o filósofo Achille Mbembe, o pesquisador Richard Santos é assertivo: a raça que foi criada para submissão agora é a arma ancestral de luta contra a submissão.
Branquitude e televisão. A Nova África (?) na TV pública trata, com linguagem clara e despretensiosa, da criação do programa A Nova África na TV Brasil durante o governo Dilma. Tendo sido criado numa TV de caráter público, fortalecida durante os governos progressistas e populares com intuito de gerar conteúdo democrático e popular, o programa teve 26 capítulos, com 26 minutos de duração cada. Com objetivo de tratar de maneira não estereotipada sobe a África, o programa apresentava em seu roteiro uma só apresentadora (africana). No entanto, como observa bem o pesquisador, não havia apenas uma apresentadora negra, mas outros dois apresentadores brancos brasileiros. Assim, o programa sobre a Nova África tinha dois apresentadores brancos em um país miscigenadamente preto.
Embora o ponto pacífico do ideal de miscigenação tenha sido o embranquecimento, o projeto racial brasileiro não deu conta de todo o território nacional. O Brasil é um país miscigenadamente preto. Se se quer construir a ideia de miscigenação e Nova África, ela deve passar necessariamente pela ideia de um país que ainda busca, dia após dia, embranquecer todos os espaços de poder. É o caso da TV Brasil, que, alcançando uma suposta tentativa de democratizar e popularizar a TV pública brasileira, consolida uma visão de branqueamento em seu programa destinado a (re) pensar a África.
Com prefácio de Rosane Borges e Amauri Mendes Pereira, o livro parte de seus questionamentos pensando politicamente a construção de negritude e branquitude no Brasil. Analisa, de maneira arguta, como o conceito de TV pública (com maioria branca, desde seu corpo administrativo até o seu conjunto de entrevistados, o que o faz através de dados consolidados) não modificou em nada o projeto político de construção da branquitude e negritude no país advindo da intensa colonização e escravidão negreira, em que a visão de desenvolvimento está entrelaçada diretamente à ideia de branqueamento do povo brasileiro.
Dialogando diretamente com pesquisadores na área, ele mostra como o projeto de branqueamento está profundamente emaranhado inclusive em governos populares ou mesmo no sentido de cooperação Sul-Sul. Assim, nesse conjunto de construção racista, o programa Nova África funcionou como uma espécie de “cota” de participação negra, em que, segundo próprio pesquisador, ocorreram uma série de problemas ligados ao próprio racismo epistêmico.
Desse modo, o texto por inteiro desconstrói a sanha racista estruturante no país postergada e reforçada por vários estudiosos da moderna sociologia brasileira, como Gilberto Freyre, Sérgio Buarque, Florestan Fernandes e Caio Prado Jr. O alicerce dessa sanha racista tem sido a construção de um projeto de nação em que os negros sejam o “eles” enquanto pessoas do discurso, portanto de quem se fala e não o “eu” ou o “nós”, que são as pessoas do discurso que falam. Toda a teoria sociológica, desde a ideia de cruzamento harmônico de Gilberto Freyre, a demonização do brasileiro cordial em Sérgio Buarque ou Raymundo Faoro, ou ainda a ideia de que bastava inserir o negro na sociedade de classes que o racismo acabaria de Florestan Fernandes vão encontrar forte oposição da fotografia crítica da realidade exposta no trabalho de Richard Santos.
Há alguns anos um movimento de flash mob e ocupação dos shoppings urbanos por jovens pretos e de periferia chamou muito a atenção nacional e ficou conhecido como rolezinho. Longe de ser uma ação estrutural ou se propor, o rolezinho se disseminou pelo país, após 10 anos de governos populares, para contestar a ação estruturante racista do mercado. Nesse ínterim, considero a passagem da africanidade nos programas de TV aberta também um rolezinho da africanidade nesse espaço de política do Estado brasileiro. Porém, como no âmbito do Estado, a ação não era pensada e criada a partir dos corpos negros pelos sujeitos identificadamente negros, mas o rolezinho do preto na TV pública era, como mostra a pesquisa de Richard Santos, disfarçado com posturas eurocêntricas, que há muito vêm sendo reproduzidas pelos canais de TV aberta ligados a grupos privados, como Globo e Record.
Branquitude e televisão. A Nova África (?) na TV pública é uma verdade da porteira para dentro. É um material riquíssimo escrito por um pesquisador progressista e apoiador dos governos de Lula e Dilma, mas marcado pelas políticas e signos de morte do racismo e consciente do seu papel tanto na defesa desses governos quanto nos questionamentos de como a branquitude e a colonialidade estão presentes também em espaços mais avançados e progressistas no espectro político. Não deve e nem pode ser menor contestar a estrutura da colonialidade e do capitalismo com esses dados, ao passo em que se fala de política com uma responsabilidade inarredável de quem não quer o negro lateralizado no lugar identitário da especificidade, mas como quem vê a negritude em toda forma de desigualdade latente no país e compreende que, para ser anticapitalista, é necessário antes ser verdadeiramente antirracista, combatendo desde o racismo institucional (que torna vítima o povo preto desde o genocídio até o encarceramento) até o racismo epistêmico (que continua permitindo a produção sobre o negro sem a presença e participação ativa de sujeitos identificadamente negros, os pretos).
O quê: Branquitude e Televisão: a Nova África (?) na TV pública
De quem: Richard Santos
Onde comprar: www.gramma.com.br
*Gabriel Nascimento é linguista, autor de dois livros, e professor da Universidade Federal do Sul da Bahia.