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FIQUEM LIGADOS! TODOS OS SÁBADOS NA RÁDIO AGRESTE FM - NOVA CRUZ-RN - 107.5 - DAS 19 HORAS ÁS 19 E 30: PROGRAMA 30 MINUTOS COM CULTURA" - PROMOÇÃO CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC-RN

Fiquem ligados nas ondas da Rádio Agreste FM - 107.5 - NOVA CRUZ, RIO GRANDE DO NORTE, todos os sábados: Programa "30 MINUTOS COM CULTU...

terça-feira, 15 de outubro de 2019

CASA DE CULTURA "LAURO ARRUDA CÂMARA" - A PRIMEIRA DO ESTADO DO RN

Fonte: FJA/Informática
NOVA CRUZ/RN
A Casa de Cultura Popular, Palácio “Lauro Arruda Câmara”, no município de Nova Cruz/RN, inaugurada em julho de 2003, situada a Rua Getúlio Vargas, nº 95, centro, localizada na região Agreste Potiguar, há 93 km da capital, com população estimada em 37.233 habitantes.
As Casas de Cultura

            As Casas de Cultura Popular foram pensadas para descentralizar e democratizar as ações do Estado na área da cultura. Com elas, o Estado deixa de concentrar suas ações na capital e nas maiores cidades e chega a um maior número de municípios. Sem dúvida nenhuma, elas são um equipamento cultural importante. Nossa esperança é vê-las dotadas de estrutura adequada para acolher os diversos eventos artísticos e culturais existentes nas diferentes regiões do estado do Rio Grande do Norte.

            Criadas em 2003, na gestão do escritor François Silvestre, muitas dessas casas destaca-se pela singularidade arquitetônica. Seguindo o objetivo inicial, e que se mantém até hoje, casarões históricos, sobrados neocoloniais e antigas estações de trem foram restaurados gradativamente para abrigar a programação cultural produzida espontaneamente pela sociedade civil e aquela derivada das políticas públicas planejadas pelo Governo do Estado por meio da Fundação José Augusto.

            Projeto ousado, ele antevia a existência de centros culturais em todos os municípios do estado. Isso possibilitaria a artistas, mestres populares, artesãos e a todos os produtores de bens culturais um lugar de encontro com o público. O projeto baseava-se no princípio republicano do acesso democrático à cultura, propondo transformar todas as cidades, pequenas, médias ou de grande porte, em potenciais promotoras de suas identidades artística e cultural.

            De fato, as Casas de Cultura, a depender de uma política pública consistente e de uma boa interação com a comunidade, podem transformar a cena cultural de cada cidade. Apesar da grande descontinuidade das políticas nessa área, as Casas de Cultura têm conseguido manter uma dinâmica surpreendentemente presente e criativa, com exposições de pintura, sessões de cinema, shows musicais, apresentações teatrais e formação artística.
            Com a participação das Prefeituras, de organizações não-governamentais, dos artistas, agentes culturais, produtores e demais atores sociais, as Casas de Cultura Popular têm sido o grande elo a integrar o poder público, a sociedade civil, a iniciativa privada e o mercado de bens culturais. Desse modo, agindo como elo integrador, elas contribuem para a preservação do patrimônio cultural, para a sustentabilidade da cadeia produtiva da cultura e para o desenvolvimento social e econômico da região. Ampliar e aprofundar esta missão é o grande desafio para as Casas de Cultura Popular e, consequentemente, para os seus gestores.
            Sejam bem-vindos. Para todos nós que participamos deste momento e deste desafio, é um privilégio ter a oportunidade de, em nome da cidadania e do bem comum, colaborar com a profissionalização da gestão pública estadual, dialogando com o universo da diversidade cultural. Somos todos convidados a deixar nossa “marca” na democratização da cultura do estado do Rio Grande do Norte.

Por, Aécio Cândido – Diretor Administrativo da FJA.

Clique em cada Casa de Cultura para maiores informações.

MUSEUS DO RIO GRANDE DO NORTE - FIQUEM POR DENTRO!

Centro de Documentação Cultural Eloy de Souza - Cedoc
O  Centro de Documentação Cultural Eloy de Souza (Cedoc) está sediado no Solar João Galvão de Medeiros,  construído no início do século XX. Pertenceu ao coronel João Aureliano de Medeiros. Adquirido do senhor João Alfredo, em 1908. Restaurado pela Fundação José Augusto, não sofreu reforma substancial, conservando seu frontão característico com cornijas e varandas laterais. Constitui juntamente com outras edificações um conjunto harmonioso, reminiscência da parte mais antiga da cidade. Tombado e restaurado pelo governo do estado em 1999. Em seus arquivos encontram-se acervos particulares do ex-governador Silvio Pedroza, José Augusto Bezerra de Medeiros, do acadêmico e sócio fundador da academia de letras do Rio Grande do Norte o Dr. Manoel Rodrigues de Melo. Atualmente, a Fundação José Augusto, através de uma equipe de estagiários e profissionais capacitados inventariando, catalogando  para disponibilização na internet.

Endereço: Av Câmara Cascudo, 431, Cidade Alta, Natal/RN - fone: 84 3232-9724/5363
Museu Arte Sacra
O Museu de Arte Sacra do RN, criado em 21 de dezembro de 1988 e instalado na Igreja Santo Antônio, tem como objetivo recolher, inventariar e expor objetos de arte religiosa do Estado, cujo patrimônio.
Museu Café Filho
O museu tem um acervo documental e iconográfico sobre o norte-rio-grandense presidente Café Filho, incluindo aspectos biográficos e informações sobre a vida política, com registro de fotos de suas viagens e de suas campanhas. O museu dispõ


O Memorial encontra-se organizado em dois pavimentos, funcionando no andar térreo um museu com temas ligados ao folclore e à cultura popular, além de objetos pessoais e homenagens ao nosso patrono. Neste andar funciona também um Atelier de Artes Plásticas, onde são ministrados cursos de desenho e pintura a cargo do renomado artista Jomar Jackson. No andar superior contamos com um auditório para 200 pessoas, para exibição de vídeos e documentários sobre Câmara Cascudo e a cultura popular brasileira.
 O prédio que abriga o Memorial foi construído nas últimas décadas do século XVIII, para nele funcionar os serviços administrativos da Fazenda Real. Em 1875 o prédio foi reconstruído, abrigando, em 1922 a “Delegacia Fiscal”, já no período da República. Em 1946, surgiu a idéia de demolir o lugar, mas várias pessoas protestaram contra a demolição, inclusive Cascudo. Restaurado, foi ocupado em 1955 como sede do “Quartel General da 7ª. R. M.”, em Natal, até 1977. O prédio, em estilo neoclássico, foi tombado a nível estadual em 24 de agosto de 1989, e foi palco de acontecimentos históricos de importância nacional, como o Movimento Republicano de 1817.
 O histórico sobrado possuiu vários nomes, tendo como variantes: Provedoria Real, Fazenda Real, Real Erário, tendo ainda o curioso apelido de “Vaca Amarela”. Segundo Cascudo, a origem do apelido vem do fato de ser pintado de amarelo, cor privativa dos edifícios públicos do Império, e em alusão “ao fato de amamentar numerosos bezerros bípedes”, uma vez que “daria leite dourado”.
Esse edifício tem seu valor histórico, não só pela função específica, para o qual foi construído, servindo aos negócios fazendários do Reino, nos tempos da Capitania e Província, mas, sobretudo testemunhando acontecimentos políticos de importância nacional, como o Movimento Republicano de 1817, em Pernambuco, quando repercutiu no Rio Grande do Norte. Hoje este prédio homenageia o maior intelectual que este estado já conheceu. Nele, sua vida e sua obra, estão vivas e presentes no cotidiano de uma terra e de um povo que ninguém amou mais do que ele.
Restauração 
O Governador do Estado entregou à população norte-riograndense, no dia 13 de agosto de 2018, o Memorial Câmara Cascudo totalmente restaurado. Com investimento na ordem de R$ 300 mil, o espaço teve suas instalações hidráulicas e elétricas renovadas, bem como os revestimentos, esquadrias e pintura. A partir de agora, o Memorial está dotado de uma estrutura que possibilitará realização de eventos culturais e de lazer, uma vez que além da reforma do prédio, está sendo adquirido novo mobiliário e equipamentos como condicionadores de ar e elevadores para acessibilidade.
A obra foi financiada via Banco Mundial, e teve por objetivo promover e ampliar os equipamentos culturais do Estado, imprescindíveis para preservação da cultura e fomentação do turismo potiguar. Atualmente o Memorial está recebendo as aulas da Escola de Dança do Teatro Alberto Maranhão (EDTAM), enquanto o casarão histórico da escola também passa por reforma.


( Clique na Foto para visualizar album do Memorial Câmara Cascudo )
Memorial Câmara Cascudo: 
Praça André de Albuquerque, 30, Centro, Natal/RN, CEP: 59.025-580
Visitação: 
Segunda a sexta-feira: 08h às 17h
Sábado: 08h às 13h
Direção: Gilberto Alves dos Santos
Contato: (84) 9642.0515
Memorial Câmara Cascudo
A 10 de fevereiro de 1987, o Governo do Estado do Rio Grande do Norte, representado pela Fundação José Augusto, criou o MEMORIAL CÂMARA CASCUDO, com o objetivo de homenagear o maior nome intelectual do Estado.

Pinacoteca Potiguar
A atual Pinacoteca do Rio Grande do Norte já foi o Palácio do Governo e é a maior expressão da arquitetura neoclássica em Natal. Inaugurado em 1873, o governador Alberto Maranhão, transformou-o em 1902 na sede do Governo Estadual.

Fonte: cultura.rn.gov.br

Sertão Branco - A cadeia produtiva do gesso em Pernambuco



Fonte: Jornalistas Livres

NOSSA SOLIDARIEDADE A E. E. ALBERTO MARANHÃO - NOVA CRUZ/RN

 DIRIGENTES DA E. E. ALBERTO MARANHÃO ADERINDO AO PROGRAMA RONDA ESCOLAR em 2016
 CULTURA ABRAÇADA PELA E. E. ALBERTO MARANHÃO - NOVA CRUZ-RN
ESCOLA ALBERTO MARANHÃO ONTEM E HOJE

O Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, entidade cultural e sem fins lucrativos com sede e foro em Nova Cruz/RN, vem de público solidarizar-se com a ESCOLA ESTADUAL ALBERTO MARANHÃO de Ensino Fundamental sobre  caso acontecido recentemente no âmbito escolar.

Para o caso ocorrido  no âmbito da escola nenhuma instituição escolar deseja ou sonha, mas ocorre, isolado, mas ocorre!  Tão logo o fato com duas adolescente ocorrido na escola a Direção, juntamente com a Equipe Pedagógica tomaram as medidas cabíveis de imediato. Inclusive convocando os pais das mesmas.

Isto quer dizer que o que tinha de ser feito foi feito.  Agora por isso a escola não ser tachada disto ou daquilo, muto pelo contrário, a comunidade escolar, juntamente com os pais tem que abraçar a escola e fortalecer os laços afetivos, educacionais, culturais, religiosos e fraternos, só assim a escola retoma sua rotina e acelera o desenvolvimento democrático e educacionais, que todos querem.

Somos conhecedor das lutas constantes e das ações que a escola vem fazendo, principalmente nos últimos anos.

A ESCOLA ESTADUAL ALBERTO MARANHÃO TEM TRADIÇÃO, TEM MEMÓRIA, TEM EXEMPLO DE QUALIDADE E COMPROMISSO COM A SOCIEDADE E ESPECIAL COM SEUS ALUNADOS!

A nossa SOLIDARIEDADE ao professor e diretor, MATIAS FRANCISCO DA COSTA JÚNIOR e toda a sua equipe!

Portanto, estamos juntos para a escola continue com os seus avanços e que a comunidade escolar se una em torno da mesma para que siga em frente, atingindo assim seus objetivos, que o AMOR AO PRÓXIMO, UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE, RESPEITANDO O PRÓXIMO e nós do CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC/RN, assinamos embaixo.

"Sua história merece ser respeitada! Todos nós somos um pouco da Escola Estadual ALBERTO MARANHÃO!" - Eduardo Vasconcelos - Presidente do CPC/RN

Leia a matéria abaixo e conheça um pouco da E. E. Alberto Maranhão

Escola Estadual Alberto Maranhão :Primeira Escola Pública


Em 22/06/1850,pela resolução 217, foi criada uma cadeira de primeiras letras para meninos. Em 01/01/1912, o governador Alberto de Albuquerque Maranhão, construiu o primeiro prédio escolar na Praça. Dix-Sept Rosado (atualmente Central do Cidadão). Em 1919, um prédio maior foi construido; dessa vez na Pça.Barão do Rio Branco (atualmente os Correios)Em 1934, o Interventor Federal Dr. Mário Câmara que juntamente com o Dr. Amphiloquio ,Diretor Geral do Departamento de Educação de Estado e o então Prefeito Antônio Arruda Câmara. inauguraram as obras de construção do edifício do Grupo Escolar "Alberto Maranhão que foi reformado desde a fachada ao piso, aumentando duas salas de aula e um pavilhão para educação física. Em 1951 o prédio foi demolido em consequência de um episódio dramático para a administração da cidade na época: Era prefeito o Exmo. Lauro Arruda Câmara que num ato de solidariedade, permitiu a um portador de hanseníase- em passagem pela cidade- que se abrigasse durante alguns dias, nas dependências do então Grupo Escolar Alberto Maranhão.Era período de férias.Chegado o inicio das aulas, mesmo o referido hanseniano tendo ido embora da cidade, os pais dos alunos recusaram-se a permitir que seus filhos voltassem às salas de aula .Sem outra alternativa, tendo em vista o preconceito e a falta de informações que a medicina da época não dispunha sobre esse mal , o Prefeito Lauro Arruda Câmara, viu-se obrigado a mandar demolir o belo prédio do Grupo Escolar e construir um outro que começou a funcionar em 1954 - o que atualmente conhecemos como Escola Estadual Alberto Maranhão- localizado na Rua 1º de Maio.

Texto: Ilvaíta Maria Costa

Fonte: Joaquina Tavares Costa (Donzinha)

Clic no link e conheça mais sobre a escola Alberto Maranhão https://www.escol.as/77330-escola-estadual-alberto-maranhao-ens-1-e-2-graus

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Para especialista, governo é intencionalmente omisso na contenção do óleo que atingiu o litoral do Nordeste

Uma das maiores autoridades no assunto afirma que governo federal não vem cumprindo a legislação e os protocolos que poderiam ter minimizado os danos ambientais
“ESTAMOS SENDO FEITOS DE TOLOS. COMO VEEM MANCHAS CHEGAREM ÀS PRAIAS E NÃO ACIONAM IMAGENS DOS SATÉLITES?”

A frase resume a revolta de Yara Schaeffer Novelli, doutora e professora sênior da Universidade de São Paulo (USP), em relação ao vazamento de óleo que já é considerado o maior desastre ambiental do Nordeste.
Ela foi a primeira perita judicial da primeira ação civil pública movida no Brasil por dano ambiental, em 1983, num rompimento de oleoduto da Petrobras na Baixada Santista.
Naquela época, o Brasil tinha recém-publicado e regulamentado a Lei 6938, de 1981, da Política Nacional do Meio Ambiente.
Desde então, leis, normas, protocolos, planos nacionais e experiências foram sendo acumulados.
Marcos legais não faltam, mas eles não estão sendo cumpridos.
O descaso e o silêncio do governo federal são ensurdecedores. A Marco Zero Conteúdoconversou por quase 1h ao telefone com a cientista, considerada umas das maiores conhecedoras do assunto no País e sócia-fundadora da ONG Instituto Bioma Brasil.
“Nós (o Brasil) começamos com o pé errado. Mas, com todo esse tempo – as primeiras manchas de óleo apareceram em 30 de agosto –, para mim foi intencional não se envolver pessoas e grupos que poderiam definitivamente ter colaborado. Teríamos tudo para ter agido de forma organizada, legal e dentro das normas desde o primeiro momento em que se avistou óleo chegando às praias. Não precisa de muito, está tudo aí no Google”, avalia Yara, autora de mais de 100 artigos científicos e escritora ou organizadora de mais de 40 livros.
A Lei 9.966, de 2000, estabelece o que deve ser feito em termos de prevenção, controle e fiscalização de poluição causada por lançamento de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas em águas sob jurisdição nacional.
São os princípios básicos a serem seguidos por todos os tipos de embarcações, portos, plataformas e instalações, nacionais ou estrangeiros, que estejam em águas brasileiras.
“Está tudo lá, mastigado”, reforça.
A lei mostra desde o que deve ser feito quando se registram as primeiras aparições de óleo, como classificar, controlar, prevenir e transportar as substâncias, incluindo marcos legais de infrações e punições, além de elencar quem são os responsáveis pelo cumprimento.
A legislação, porém, não está sendo cumprida.
Foi necessário que o problema se espalhasse assustadoramente para que, só no último sábado (7) – quase 40 dias depois dos primeiros registros –, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) determinasse que a Polícia Federal e a Marinha investigassem as causas e as responsabilidades do que, com atraso, passou a ser considerado um crime ambiental de grandes proporções.
As ações de mitigação e prevenção estão sendo realizadas num trabalho de formiguinha, que muitas vezes envolve mais o ativismo do que o cumprimento governamental.
Nada deveria ter sigilo, explica Yara: “o próprio Plano Nacional de Contingência diz que imprensa tem que ser comunicada e que é para haver reuniões diárias e divulgações de tudo que está acontecendo. Eu fico pasma, esse é o adjetivo que configura o que estou sentindo no momento”, lamenta.
A professora explica que a Lei 9.966 também atribuiu ao Ministério do Meio Ambiente a responsabilidade na identificação, localização e definição dos limites das áreas ecologicamente sensíveis à poluição causada por lançamento de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas.
Em 2008, uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) estabeleceu que esse mapeamento deveria ser representado pelas chamadas Cartas SAO (Cartas de Sensibilidade Ambiental a Derramamentos de Óleo).
A maior parte das bacias nordestinas são mapeadas: Ceará e Potiguar (Rio Grande do Norte), em 2004; Sul da Bahia, em 2013; Sergipe-Alagoas/Pernambuco-Paraíba, em 2013; e Pará-Maranhão/Barreirinhas, em 2017.
Essas cartas se juntam à Lei 9.966. Mas isso também não aconteceu, e agora o vazamento já atingiu mais de 2 mil quilômetros de costa.
“As Cartas SAO identificam a sensibilidade ambiental que deve ser protegida, os recursos biológicos sensíveis ao óleo. Está tudo lá, cheio de figurinhas, mapa, bichos, atividades socioeconômicas que podem vir a ser prejudicadas”, frisa Yara.
Isso significa, portanto, que o governo federal deveria estar protegendo o que já está mapeado e usando imagens de satélite para prevenção, para saber onde colocar as barreiras de contenção e absorção.
“O Porto de Suape, por exemplo, é obrigado a ter essas barreiras. O mesmo vale para a Petrobras no Recôncavo Baiano. E onde elas estão?”, questiona a professora.
“Até palha de coqueiro poderia ter sido colocada na praia”, diz ela para provar mais uma vez o quão absurda é a situação.
A Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) do Governo de Sergipe, que declarou situação de emergência e onde o óleo já atingiu a foz do Rio São Francisco, informou que a Petrobras não tem mais disponíveis as boias absorventes que seriam enviadas para conter as manchas de óleo no Rio Vaza Barris, em Aracaju.
O estado precisará investir R$ 100 mil na compra dos equipamentos.
Como se não bastassem a Lei 9966 e as Cartas SAO, ainda existe um Plano Nacional de Contingência, de 2012, que prevê as medidas a serem tomadas pelo governo diante de grandes vazamentos de petróleo no mar e que deveria ter sido ativado desde o início para evitar que problemas maiores acontecessem.
Na época em que foi anunciado, período ainda de início da exploração do pré-sal, o plano tinha um orçamento de R$ 1 bilhão, uma espécie de seguro que funciona apenas em caso de grandes acidentes, nos quais os responsáveis não são identificados imediatamente.
“Será possível que não fizeram nada disso? Eu uma idosa de 76 anos fico sabendo disso e o seu ministro do meio ambiente não sabe? Porque ele não perguntou aos técnicos do ministério, Ibama, ICMBio, que são competentes? E isso eu afirmo e assino embaixo”, ironiza Yara.
“Começo a desconfiar que existe uma ordem superior para que não se manifestem. Essa mudez total, esse silêncio, só podem ser orquestrados. O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) se calou, mas eles têm oceanógrafos físicos e pessoal especializado em estudo de imagens de satélite de primeira qualidade”.
No início de agosto, o diretor Ricardo Galvão foi exonerado do Inpe depois que Bolsonaro contestou os dados sobre o monitoramento do desmatamento da Amazônia.
“Como alguém vê as manchas chegarem às praias e não aciona as imagens dos satélites? Elas dizem onde as manchas estavam ontem, onde estavam antes de ontem… Elas estão aí para isso. Acho impossível não terem feito. Se alguém foi impedido de divulgar, isso é muito sério”, levanta a professora.
“Estou realmente abismada e aborrecida. Estamos passando para os brasileiros que ouvem essas notícias há mais de um mês que a gente pagas aos pesquisadores que não sabem dizer nada. Não posso ver uma coisa dessas e não reagir. Temos obrigação legal e cidadã de tentar contribuir e colaborar. Fomos financiados a vida inteira pra fazer uma devolutiva para sociedade”, comenta a cientista da USP.
Durante a conversa, Yara também comentou que a ação da Marinha de notificar 30 navios de 10 países após a triagem das manchas de óleo é “uma tremenda confusão”.
O navio pode ser de uma país e ter bandeira registrada em outro.
Existem os chamados “países de conveniência”, como por exemplo, a Libéria, pouco exigentes em relação às condições das embarcações.
Tanto que algumas delas não têm permissão para entrar em portos europeus, mas entram em portos da América Latina.
Isto significa que a embarcação não necessariamente tem a bandeira do país do armador.
Na avaliação de Yara, sem nenhuma imagem para dizer como esse óleo está se deslocando, fica complicado chegar a alguma conclusão.
“Não vimos a análise do óleo para dizer de onde ele é. Todo óleo tem uma assinatura. Ninguém mostrou nada”.
“É tragicômico” um presidente do Brasil, que tem nomes internacionais de cientistas, “falar em quase certezas”.
“Você já viu alguém estar quase grávido?”, ironiza Yara.
“Já vi áreas costeiras em São Paulo impactadas por óleo, é bem diferente dessa quantidade que está chegando ao Nordeste. E imaginar que esse óleo sofreu intemperismo e já mudou muito… Essa mancha quando foi exposta pela primeira vez na superfície do mar, era enorme. Ela vai secando, se dissolvendo na coluna d’água, perdendo componentes, grudando mais e diminuindo o tamanho da mancha”, ensina.
Se esse óleo realmente tiver sido despejado em alto-mar, a recomendação era que se tivesse usado tensoativos, como se fossem detergentes que dissolvem o material.
Mas agora que o material está na costa, essa ação não é recomendada, porque podem fazer mal aos seres humanos, à fauna e à flora.
A curto prazo, os danos já estão sendo conhecidos: tartarugas mortas, filhotes que não estão podendo ser chegar ao mar nos locais de desova, redes de pesca e corais sujos de óleo.
Os tratores que estão sendo usados para a limpeza das praias estão levando uma camada considerável de areia da superfície onde há muita vida, isso sem contar com a compressão da areia.
“Isso é uma perda muito grande. Há animais, crustáceos pequenos, larvas e outros organismos vivos importantes para o início da cadeia alimentar”, mostra Yara.
Eles são inclusive alimentos para as aves que se deslocam do hemisfério norte para cá para se alimentar na época de inverno.
As algas sujas de óleo tendem a ir para o fundo do mar e lá se decomporem.
“Muita coisa é irreversível, um efeito crônico de longo prazo”.
Universidades diferentes, hipóteses diferentes
Se o professor de Oceanografia da UFPE Marcus Silva informou ter descoberto que o óleo teria sido derramado por um navio a 50 quilômetros da costa, entre os litorais de Pernambuco e Paraíba, cientistas do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) sugerem que o óleo que atinge nove estados do Nordeste pode ter sido lançado ao mar em águas internacionais, a até mil quilômetros do litoral brasileiro.
Em Salvador, a equipe da Universidade Federal da Bahia (UFBA) confirmou que o petróleo encontrado nas praias nordestinas teria origem venezuelana.
O óleo analisado usado no estudo foi coletado nas costas sergipana e baiana em parceria com a Universidade Federal de Sergipe (UFS) e a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs).
Fonte: Jornalistas Livres

Jeosafá Gonçalves: Mário do quê?

Para a maioria dos paulistanos que já ouviu falar em Mário de Andrade, ele é apenas um nome de biblioteca no centro da cidade. Entre esses, poucos se dignaram sequer a entrar na biblioteca à qual ele emprestou o nome. No entanto, todos os que habitam, trabalham e sofrem no emaranhado de ruas de São Paulo lhe são devedores. Antes dele, esta cidade estava praticamente fora do mapa literário do país.
Por Jeosafá Fernandez Gonçalves*
O escritor paulista Mário de Andrade (1893-1945), na biblioteca de sua casa, na Rua Lopes Chaves, em São Paulo O escritor paulista Mário de Andrade (1893-1945), na biblioteca de sua casa, na Rua Lopes Chaves, em São Paulo
Aliás, quando da Semana de 22, cuja importância cresce quanto mais nos distanciamos dela, São Paulo tinha 200 mil habitantes menos do que o Rio de Janeiro (mais ou menos 700 mil contra 500 mil), e o centro cultural do Brasil era a então capital da República.
É Mário e os que o acompanharam, como Alcântara Machado e Oswald de Andrade, que construíram a São Paulo literária, que chamaram a atenção para a poesia da neblina, da garoa (“garoa, sai dos meus olhos”), da noite urbana (“é noite, e tudo é noite”), do zum zum zum dos calhambeques e das máquinas; e do clarão das lâmpadas elétricas da Pauliceia Desvairada.
Enquanto a capital federal comemorava o centenário da Independência, de pouca relevância para os dias de hoje, o espírito moderno nascia no Theatro Municipal da atual praça Ramos de Azevedo entre provocações e vaias. A discussão estéril sobre quem tivera primeiro a ideia da Semana de 22 foi superada pelo que veio depois. E o que veio depois transformou a cultura brasileira e tem no centro a monumental obra de Mário de Andrade.
Uma forma de os paulistanos de nascença e os de adoção reduzirem sua dívida para com este verdadeiro inventor da São Paulo moderna é visitar-lhe a obra, senão sempre, ao menos com alguma frequência.
Porém constato que milhões viveram, vivem e viverão nesta cidade sem sequer lhe ter ouvido o nome. E isto explica muito da indigência cultural e do fascismo político em que estamos mergulhados.
* Jeosafá Fernandez Gonçalves, escritor, é doutor em Letras e pesquisador colaborador do Departamento de História da USP. É colaborador do Prosa, Poesia e Arte.

Morre em SP o poeta Marco Pezão, fundador da Cooperifa

O poeta e ativista cultural Marco Pezão morreu neste domingo (13), aos 68 anos. Ele estava hospitalizado devido a um câncer de fígado. Ao lado do também poeta Sérgio Vaz, Pezão foi fundador da Cooperifa, movimento que promove eventos culturais na periferia de São Paulo.
Foi o próprio Sérgio Vaz quem noticiou a morte do amigo e parceiro, na página da Cooperifa no Facebook. “Marco Pezão, poeta, cofundador do Sarau da Cooperifa, fotógrafo, amante do futebol de várzea, da poesia, da rua, do teatro, acaba de nos deixar nesta manhã”, registrou Vaz, num texto intitulado “Nóis é ponte e atravessa qualquer rio”.
“Neste momento faltam palavras, mas nos falamos mais tarde. Vá em paz guerreiro, é uma honra que nossos caminhos tenham se cruzados. Gratidão por ter dado um pouco da sua existência ao meu lado. Grato pelas lições”, escreveu Vaz. “Foi e pra sempre vai ser um ponto de luminosidade em minha vida. Sigo na missão que aprendemos juntos. Obrigado.”
Portal BRASIL CULTURA

"Nós é ponte e atravessa qualquer rio" - Morre em SP o poeta Marco Pezão, fundador da Cooperifa