Postagem em destaque

FIQUEM LIGADOS! TODOS OS SÁBADOS NA RÁDIO AGRESTE FM - NOVA CRUZ-RN - 107.5 - DAS 19 HORAS ÁS 19 E 30: PROGRAMA 30 MINUTOS COM CULTURA" - PROMOÇÃO CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC-RN

Fiquem ligados nas ondas da Rádio Agreste FM - 107.5 - NOVA CRUZ, RIO GRANDE DO NORTE, todos os sábados: Programa "30 MINUTOS COM CULTU...

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Leci Brandão: Morte de Marielle fez acontecer muita coisa

Em entrevista à Mídia Ninja, a sambista e deputada estadual (PCdoB-SP) fala sobre samba, política e os desafios de uma mulher negra atuar no parlamento
Aos 75 anos, a sambista Leci Brandão é uma referência para a resistência negra. Ficou famosa por suas músicas – mas também pela sua representatividade no âmbito parlamentar. Em 2010, foi eleita pelo PCdoB a segunda deputada estadual negra da história da Assembleia Legislativa de São Paulo, sendo conduzida, em 2018, a seu terceiro mandato. Como parlamentar, dedica-se à defesa de mulheres, negros, indígenas, LGBT’s, dentre outros setores desprivilegiados da sociedade brasileira.
Nesta entrevista a Eduardo Sá, da Mídia Ninja, ela fala sobre samba, política e os desafios de uma mulher negra atuar no parlamento. Segundo ela, a tarefa agora é focar nas eleições municipais deste ano e conscientizar a população a votar de modo que suas necessidades se reflitam nas suas representatividades. Nesse sentido, a memória da liderança da vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em março de 2018, serve como inspiração.
“O protagonismo da mulher está aí com efervescência”, diz Leci. “A morte da Marielle fez acontecer muita coisa politicamente e socialmente. Foi uma coisa que tocou todo mundo: uma mulher lutadora, guerreira, que foi ousada, corajosa e morreu daquele jeito. Isso mexeu muito com o brio das mulheres. Para 2020, vai ter muita mulher candidata a vereadora.”
Confira trechos da entrevista.
Ninja: Você tem uma vasta trajetória no samba há décadas. Como vê a geração que está vindo?
Leci Brandão: Vou me reportar mais a São Paulo, onde estou morando há mais de 20 anos, e estou no meu terceiro mandato popular, que mexe com cultura, educação e essas coisas, movimento negro, mulheres, população indígena, quilombolas, LGBTs. Essa questão do samba é uma coisa muito presente. Temos muitas comunidades de samba em São Paulo – tantas que resolvemos fazer um guia com as rodas, os endereços, o que acontece no local, etc. É um pessoal que não tem apoio – não existe incentivo, políticas públicas. Eles conseguem fazer as suas rodas sem nenhum patrocínio ou auxílio. Mas fazem uma coisa legal, que é a entrada com alimentos, e tudo que recebem é distribuído nas comunidades. É um trabalho social. Paralelamente a isso, existe o negócio da economia criativa. As senhoras que moram perto dessas comunidades fazem bolinho, pastel, etc., vendem ali e o pessoal tem onde comer enquanto está tocando o samba.
Ninja: Aqui no Rio tem a Rede Carioca de Rodas de Samba, que gira toda uma economia em volta da roda com gastronomia, vestimentas, artesanato, etc.
LB: Como acontece na Praça Tiradentes. Fiquei muito feliz quando soube pelos meninos da Festa da Raça que essa coisa da roda de samba está se espalhando. Não há uma mídia que mostre esse tipo de samba. Não dão visibilidade para esse trabalho riquíssimo, que tem uma legitimidade muito grande. Infelizmente, o que interessa são outras coisas, outros ritmos, letras – e essa rapaziada tem um trabalho autoral muito legal. O que acho mais importante nessas comunidades é justamente as pessoas terem a oportunidade de demonstrar seus trabalhos e o povo que está ali vai aprendendo e cantando. Isso é muito bom. Em relação à nova geração do samba, sei que tem muita gente boa no Rio de Janeiro e em São Paulo. É difícil selecionar. Tenho muito cuidado, porque posso citar 99, mas faltará aquele centésimo, que fica muito triste e arrasado. O que posso dizer é que fico muito feliz de ver que essa turma vai dar continuidade, que está preservando e não vai deixar cair.
Ninja: É aquela frase clássica do Nelson Sargento: “Agoniza, mas não morre”. Acho que o samba está um pouco distante de morrer, não?
LB: Está morrendo para quem só fica ligado na emissora de rádio e nas paradas de sucesso ou programas de TV. Para quem está na esquina, na praça, no bairro e acompanha esse pessoal, está tudo maravilhoso. Recentemente, aconteceu aquela roda das mulheres (II Encontro Nacional de Mulheres na Roda de Samba – Ano Leci Brandão). Fiquei muito emocionada porque fui homenageada e não sabia. Houve um momento que tocaram em 16 estados do país, ao mesmo tempo, Zé do Caroço.
Ninja: Tem sido expressiva a inserção das mulheres no samba, um fenômeno que abrange muito além de apenas a interpretação musical nas rodas. Qual a sua avaliação sobre esse processo?
LB: É muito legal que agora estejam em evidência muitos grupos femininos, muitas meninas que tocam bem, não só percussão mas também harmonia. O protagonismo da mulher está aí com efervescência. As mulheres acordaram, e vou te dizer mais: a morte da Marielle fez acontecer muita coisa politicamente e socialmente. Foi uma coisa que tocou todo mundo: uma mulher lutadora, guerreira, que foi ousada, corajosa e morreu daquele jeito. Isso mexeu muito com o brio das mulheres. Para 2020, vai ter muita mulher candidata a vereadora – já estou sabendo, em vários estados, de mulheres negras, que é uma coisa que me fascina muito. Como os negros ainda não estão no poder, essa transformação que está ocorrendo será muito boa para a gente futuramente. Teremos um lugar de merecimento, legítimo, para brigar pelas demandas das mulheres negras. Elas são muito prejudicadas e injustiçadas, mas lutam muito.
Ninja: Você é uma parlamentar negra, como você vê a representação de vocês no parlamento?
LB: Na Assembleia Legislativa, onde estou, chegaram mais duas mulheres negras, e sei que fui referência para elas. Tanto a Erica Malunguinho como a Mônica Seixas, ambas do PSOL, sempre falaram isso. Nos ajuda porque a convivência ali é muito complicada. A vitória da Janaína Paschoal – que teve mais de 2 milhões de votos – arrastou 15 pessoas para lá. Ou seja, o PSL é a maior bancada hoje na Alesp. É muito complicado. A oposição diminuiu – a eleição (de 2018) foi muito difícil para a esquerda. A base do governo, o PSDB, o BolsoDória – de que falavam –, eles realmente são muitos, e nós, poucos. Mas pelo menos conseguimos uma coisa, que foi deixar para 2020 a reforma da previdência, que eles queriam fazer agora. Conseguimos barrar.
Ninja: Você participou de um conselho na pasta da igualdade racial no governo Lula [Leci foi a representante da sociedade civil no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPOR)]. De uma forma geral, o Brasil é um país racista?
LB: É – e, inclusive, mandei botar um cartaz na porta do meu gabinete: “O Brasil é racista”. É uma coisa muito cruel. A polícia tem a cor da pele que ela vai prender ou enquadrar. Sabemos disso, até porque temos um fato real de um oficial que falou para sua tropa: “Homem pardo ou negro, em princípio, é suspeito”. A maioria da população carcerária é negra. Por isso, falei hoje durante o show: “Ninguém nasceu para ser bandido! Você nasce para ser feliz e trabalhar”.
Ninja: Você atribui a que isso? Qual foi o equívoco histórico após a abolição da escravidão? A falta de reforma agrária?
LB: Foi uma Lei Áurea mentirosa. Dizer que acabou a escravidão ali é uma mentira. Assina-se uma lei sem dar nenhuma estrutura para ninguém. Os negros ficaram sem eira nem beira, com uma mão atrás e outra na frente, sem nenhuma oportunidade. Com os imigrantes, foi diferente. Vieram para cá com toda condição, e a negrada ficou como está até hoje – morando nas favelas, nos morros, sendo empregados, domésticas, lavadeiras, cozinheiras, etc. Quando você vai ao shopping, vê a população negra tomando conta do banheiro ou limpando as mesas na praça de alimentação. Mas não vê uma mulher negra vendendo nas lojas. Sei exatamente onde vou encontrar meu povo.
Ninja: Caminhando para agenda positiva, com propostas. Como é possível avançar?
LB: Educação, manutenção das cotas, cursinhos gratuitos. O governo tem de fazer políticas públicas para ajudar a estruturar quem faz trabalho voluntário nas comunidades. Há uma juventude fantástica que está fazendo muita coisa legal, muito jovem ensinando dança, pintura, incentivando literatura – a rapaziada do hip-hop faz isso muito bem. Esses jovens artistas dialogam muito com a juventude, vão para dentro das favelas e fazem coisas maravilhosas sem incentivo. Os gestores não conseguem entender esse trabalho maravilhoso que essa galera está fazendo.
Ninja: Você, como sambista, obviamente deve ser uma militante da cultura. Como vê tudo que está acontecendo no cenário político?
LB: O governo Lula deu condições para os pobres irem às universidades. Foram criadas várias universidades federais e fizeram o Enem – porque você tem de mostrar acesso e uma caminhada de inclusão às pessoas. Todo mundo tem inteligência, mas é preciso dar oportunidade para que aprendam a exercitar isso. Não podemos, por exemplo, achar que todo menino que mora na favela tem de tocar tamborim. É legal tocar na escola de samba – mas ele pode aprender um violino, piano, pode ser um cientista. É só dar oportunidade. Mas nós não damos. Tudo isso inclui educação.
Ninja: E este governo e os aspectos conjunturais?
LB: Este governo é ruim, misógino, homofóbico, machista, racista. Não gosto desse governo, não tenho nada a falar. Para você ter uma ideia, quando eles aparecem na TV, eu mudo de canal. Eles se acham donos do Brasil, mas quem é dono desse país é o povo brasileiro.
Ninja: E quais são as perspectivas. O que a esquerda está fazendo em relação a isso?
LB: A gente tem de aproveitar a próxima oportunidade, que será nas eleições municipais. Procurar votar nas pessoas das suas comunidades, em gente que cuida de gente, pessoas em que você tem confiança e conhece, que é ali do seu habitat. Votar em gente como você, gente que você se reconheça nela. Não votar no cara porque ele é bonitinho, filho de não sei quem, de um empresário, senão fica a mesma coisa. Você vai continuar votando em dono de cidade, votando em quem já tem ou já é – e que não está nem um pouquinho preocupado com a sua situação.
Ninja: Você chegou a falar sobre mídia e participou de uma novela antigamente (Leci interpretou a revolucionária quilombola Severina na novela Xica da Silva, da TV Manchete, entre 1996 e 1997). No último Censo do IBGE, consta que o povo negro é mais da metade da população brasileira. Isso é bem representado na televisão e nos grandes meios de comunicação?
LB: Fui convidada pelo diretor da novela (Walter Avancini). Ele disse que me via como uma quilombola do século 20 e me chamou para fazer uma escrava revolucionária, a Severina. Ela tacava o terror no quilombo – tanto que morre cheia de tiro. Apesar de sermos a maioria, isso não se reflete na televisão. Temos atores e atrizes maravilhosos. Entretanto, quando os novelistas vão fazer o negócio, não tem papel para negro. É por isso que afirmo que o Brasil é racista. Se você é um produtor ou um novelista, por que não se lembra das famílias negras? Por que só pode dar papel de bandido, traficante? Existem famílias em que os filhos estão estudando, sabem comer na mesa, se vestir, toda uma população negra que não é mostrada. Estou querendo saber o porquê também.
Ninja: Fale um pouco mais da sua atuação parlamentar.
LB: Vários projetos nossos viraram lei e, no entanto, não vejo nenhum jornal falar sobre isso. Será que é porque sou uma parlamentar ruim? Acho que não. Nosso projeto mais recente, por exemplo, toca na questão da religião: você não pode perseguir ninguém administrativamente por esse motivo, senão haverá punições. A religião de matriz africana é muito perseguida porque é oriunda da população negra. Fizemos em São Paulo o Dia Estadual do Samba, o Dia de Ogum, de Iemanjá – coisas que reafirmam minha religião. No entanto, nunca vejo meu nome no jornal falando sobre essas coisas. Falam do samba, mas na parte política não vejo uma linha.
Ninja: Como é na rotina o tratamento dos demais deputados na Assembleia. Existe muito preconceito?
LB: No início, era aquela coisa: “Vai para casa, sambista”; “Vai ficar um ano só e olhe lá”. Não, estamos no terceiro mandato, tenho mais de 40 leis aprovadas, faço muitas audiências públicas. Criamos a medalha Theodosina Ribeiro, que lembra a primeira negra deputada em São Paulo nos anos 70 e premia dez ou 20 mulheres negras ou não que fazem trabalhos importantes. Entra líder comunitária, médica, advogada, mãe de santo, cantora, um pouco de tudo. É uma diversidade danada.
Com informações da Mídia Ninja

GRUPO DE DANÇA "ARTE DO CORPO" DE NOVA CRUZ/RN RETOMA AOS ENSAIOS NA CASA DE CULTURA DE NOVA CRUZ/RN

 Grupo de Dança " ARTE DO CORPO-Nova Cruz/RN" - Ensaio na Casa de Cultura

Ontem (6) o Grupo de Dança "ARTE DO CORPO" retornou com os ensaios na Casa de Cultura "Lauro Arruda Câmara" - Nova Cruz/RN.  Grupo esse que vem se destacando cada vez mais na Região do Agreste Potiguar e em especial em Nova Cruz.

A Casa de Cultura e o Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN apoiam estas iniciativas de jovens e que os mesmos estão se destacando no cenário cultural de forma profissional e dedicada. Agora precisa que a sociedade e os poderes constituídos como o executivo, judiciário e legislativo os incentivem com projetos e condições através de emendas para que não só o Arte do Corpo, mas todos que vivem, amam e se dedicam uma boa parte do seu tempo ´para a cultura tenham seus valores reconhecidos. É assim que deve ser feito.

Esperamos que em 2020 a cultura possa finalmente reconhecida de verdade e que a sociedade a valorize.

Parabéns ao ARTE DO CORPO na pessoa do jovem talentoso, Júnior. Conte com a Casa sempre e como CPC/RN. Vocês são a essência da cultura!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Diário do Bolso: os novos livros e o caminho suave

A partir de 2021 os livros vão ser escolhidos pelo Weintraub (ou por quem estiver lá no lugar dele) e eu vou querer livro só com figuras, com bandeira do Brasil na capa e hino nacional na contracapa.
Diário, ontem eu disse uma coisa muito inteligente: “Os livros hoje em dia, como regra, é um montão, um amontoado, tem muita coisa escrita. Tem que suavizar aquilo”.
A partir de 2021 os livros vão ser escolhidos pelo Weintraub (ou por quem estiver lá no lugar dele) e eu vou querer livro só com figuras, com bandeira do Brasil na capa e hino nacional na contracapa.
E não tem que ter nada da ideologia do Paulo Freire. Eu nunca li nada dele, porque os livros dele não têm desenho, mas o meu pessoal garante que ele fala pros homens usarem saia e entrarem pro MST.
O único livro que eu li inteiro até hoje foi o “Caminho Suave” e cheguei a presidente, talkei? Então esse negócio de ler não tem muita utilidade, não.
Enfim, Diário, a verdade verdadeira é que muito texto cansa.
Aliás, este também já tá muito grande. Por hoje, chega!
*José Roberto Torero é autor de livros, como “O Chalaça”, vencedor do Prêmio Jabuti de 1995. Além disso, escreveu roteiros para cinema e tevê, como em Retrato Falado para Rede Globo do Brasil. Também foi colunista de Esportes da Folha de S. Paulo entre 1998 e 2012.
@diariodobolso
Fonte: Jornalistas Livres

Bolsonaro fez 116 ataques à imprensa em 2019

ALTAMIRO BORGES
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou nessa quinta-feira (2) um balanço final dos ataques do “capetão” Jair Bolsonaro à imprensa no ano passado. Os números são assustadores – o que torna ainda mais incompreensível a postura da mídia monopolista de apoiar, mesmo que parcialmente, as políticas do governo fascistizante. Segundo o levantamento, o ano de 2019 se encerrou com 116 agressões à jornalistas e veículos de comunicação. Um ataque a cada três dias do primeiro ano de existência desse regime autoritário.
Por Altamiro Borges*
De acordo com o monitoramento da Fenaj, foram 11 agressões diretas e 105 ações para desacreditar a mídia. Mesmo o mês de dezembro, que costuma ser mais ameno em função das festanças e do recesso dos poderes públicos, “registrou cinco ataques, todos classificados como tentativas de descredibilização da imprensa. Quatro deles foram pelo Twitter. No dia 13 de dezembro, por exemplo, o perfil oficial do presidente postou uma capa de jornal do dia, acompanhada do comentário: “A rendição da imprensa. O Brasil vai bem, apesar dela. Bom dia a todos”.
A entidade explica que esse monitoramento “inclui apenas pronunciamentos registrados por escrito nos meios oficiais do presidente, que são o Twitter e as entrevistas e discursos transcritos no site do Planalto. Por isso, o número de ataques ao jornalismo é ainda maior do que o já verificado até aqui”. Ela lembra que no dia 20 de dezembro, Jair Bolsonaro fez violentos ataques a jornalistas em entrevista na portaria do Palácio da Alvorada. As agressões foram de caráter pessoal e com forte teor homofóbico.
“No mesmo dia, em nota, a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal ressaltaram que os ataques tentavam desviar denúncias que ligam sua família e amigos a atividades criminosas. Também apelaram às redações que reavaliem a decisão de deslocar repórteres para cobrir entrada e saída do Palácio da Alvorada, onde os jornalistas dividem espaço com apoiadores do presidente, que constantemente ameaçam os profissionais... Quando um chefe de Estado ataca sistematicamente profissionais e veículos de imprensa, incentiva que seus apoiadores façam o mesmo, inclusive com intimidação, ameaças e até agressões. Bolsonaro potencializa a agressividade contra jornalistas, e com isso afronta os valores democráticos”, afirma Maria José Braga, presidenta da Fenaj.
“As declarações do presidente alimentaram a hostilidade contra jornalistas neste ano de 2019. Alguns ministros também passaram a fazer uso dessa tática, e isso incentivou apoiadores do governo a perseguir os jornalistas nos meios digitais, com mensagens ameaçadoras e exposição de dados privados. É uma tentativa desesperada de enfraquecer o exercício do jornalismo, e de desviar o foco das denúncias contra o governo que vêm se somando desde o início de 2019”, complementa Márcio Garoni, diretor da federação.
Fonte http://baraodeitarare.org.br

Bolsonaro veta projeto que prorrogava incentivos fiscais para construção de salas de cinema

(Foto: ADRIANO MACHADO - REUTERS)

Ao justificar o veto, Jair Bolsonaro afirmou que o texto aprovado pelo Congresso criava novos gastos para o governo, o que foi negado pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), relatora do projeto na Casa.

247 - Jair Bolsonaro vetou integralmente um projeto que prorrogava a desoneração de impostos para a construção de salas de cinema no País. A desoneração é prevista no Regime Especial de Tributação para Desenvolvimento da Atividade de Exibição Cinematográfica (Recine) e termina no dia 31 de dezembro. O projeto estendia o prazo até 2024.
Ao justificar o veto, Bolsonaro citou parecer do Ministério da Economia e afirmou que o texto aprovado pelo Congresso Nacional criava novos gastos para o governo sem apresentar as fontes de receita, o que fere a Lei de Responsabilidade Fiscal.
De acordo com a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), relatora do projeto no Senado, o projeto não cria novas despesas porque as renúncias fiscais já estão em vigor e seus valores são conhecidos. O relato foi publicado no G1.
"Face às exigências estabelecidas nessas normas, entendemos que a prorrogação dos prazos relativos aos benefícios de que trata a proposição não configura diminuição de receita, uma vez que as renúncias se encontram em vigor e seus valores são conhecidos", diz o relatório da parlamentar.
Fonte: brasil247.com

Dia de Reis é comemorado em 6 de janeiro

Hoje (06/01) os católicos comemoram o Dia de Reis, data em que, segundo a tradição crsitã, os Três Reis Magos, Baltazar, Belchior e Gaspar, visitaram o recém-nascido Jesus de Nazaré.
Eles saíram do Oriente e presentearam o Menino Jesus com ouro, incenso e mirra, como está narrado no Evangelho de Mateus. O ouro representa a realeza, pois os Magos procuravam o rei dos judeus; o incenso, a fé, simbolizando a oração que chega a Deus; e a mirra, uma resina usada como remédio, de sabor amargo, remetia ao sofrimento que Jesus iria passar.
A tradição de venerar os Reis Magos surgiu no século oitavo, quando eles se tornaram santos pela Igreja Católica.
No dia 6 de janeiro, também, se encerram os festejos natalinos, data em que são desarmados os presépios, os enfeites e as árvores de Natal.
Em Portugal, a comemoração se dá com o chamado Bolo de Reis, feito com um brinde e um caroço de fava. A pessoa que encontra a fava deve levar o bolo na comemoração do ano seguinte. Os portugueses também têm o costume de cantar os reis, ou as Reisadas, de porta em porta. As pessoas são convidadas para entrar nas casas, onde são oferecidos, doces, salgados e vinhos. Também é comum a encenação de peças e teatro popular conhecidas como Altos dos Reis Magos.
Na Espanha, as crianças são incentivadas a deixar na janela um sapato com capim, antes de dormir, para que os camelos dos Reis Magos se alimentem antes de retomar a viagem. Em troca, os Magos deixam doces que as crianças encontram no lugar do capim ao acordar. Existe ainda, a tradição de comer o bolo de reis.
Na França e em Quebec, no Canadá, também se come o bolo e, no seu interior, tem uma coroa de papel. Quem achar o brinde é coroado e fica com a responsabilidade de oferecer o bolo no ano seguinte.
Já no Brasil, as comemorações começam no final de dezembro com a visitação das casas pelas Folias de Reis, formadas por músicos. Para alegrar seus seguidores, eles tocam tambores, rabeca, viola caipira e acordeão. Ao contrário dos Reis da tradição, a proposta não é levar presentes, mas recebê-los do dono da casa para doações. Os foliões são recebidos com mesa farta e muita bebida.
Portal CULTURA BRASIL

domingo, 5 de janeiro de 2020

Luiz Carlos Prestes: a esperança do cavaleiro presente

O papel na história do Cavaleiro da Esperança, primeiro à frente do movimento que percorreu o país defendendo liberdade e soberania, conhecido Coluna Prestes, e depois como liderança comunista, faz dele um dos grandes símbolos das lutas por um Brasil independente, desenvolvido e democrático. Assim como naqueles tempos, o Brasil busca reavivar a esperança de se tornar um país com essas características.
Como registra o documento histórico PCdoB: 90 anos em defesa do Brasil, da democracia e do socialismo, Prestes iniciou os estudos marxistas após seu encontro com Astrojildo Pereira, um dos fundadores do Partido Comunista do Brasil (então com a sigla PCB), em 1927. Nessa fase, houve o convite (recusado), pelo Bloco Operário e Camponês (BOC) – um movimento amplo criado pelo PCB –, para ele concorrer às eleições presidenciais de 1929.
Seu ingresso nas fileiras comunistas só ocorreria em 1934, no início dos preparativos, pela Aliança Nacional Libertadora (ANL), do Levante de 1935. Eram tempos de ascensão do nazifascismo e o PCB se postou à frente da luta para conter o seu fortalecimento no Brasil. Prestes teve papel de destaque naquela fase de combate à ideologia de Adolf Hitler e Benito Mussolini.
Como disse o poeta comunista chileno Pablo Neruda, em seu poema intitulado “Dito no Pacaembu”, lido por ele no comício “São Paulo a Luiz Carlos Prestes”, realizado em 15 de julho de 1945 no famoso estádio paulistano, tudo o que prestes desejava era ver a sua “pátria viva” e que a liberdade crescesse “no fundo do Brasil como árvore eterna”. Prestes acabara de sair da prisão, anistiado no curso de um amplo movimento em defesa da restauração da democracia.
A II Conferência do PCB, de 1943, que reconstruiu o PCB após a feroz perseguição do PCB pela ditadura do Estado Novo, conduziu Prestes ao cargo de secretário-geral, o mais elevado posto na hierarquia partidária. Na campanha pela Assembleia Nacional Constituinte, que seria instalada em 1946, ele novamente se destacou como liderança popular, percorrendo o país para participar de gigantescos comícios organizados pelo PCB.
Com a volta das manifestações pró-democracia, os comunistas lançaram Yeddo Fiúza como candidato a presidência da República, em 1945, que obteve 9,7% dos votos. Prestes se elegeu senador e o PCB fez 14 deputados constituintes. Novamente perseguido, ele, assim como os demais eleitos pelo PCB, foram cassados, assim como o registro do Partido, em mais uma feroz campanha anticomunista.
Quando os comunistas se dividiram em duas organizações, Prestes liderou o Partido Comunista Brasileiro, que continuou com a sigla PCB, enquanto o Partido Comunista do Brasil assumiu a sigla PCdoB. Ambos pagaram um alto tributo em sangue e vidas no combate à ditadura militar.
Nessa trajetória, Prestes nunca renegou o comunismo. Faleceu fazendo a sua defesa, em 7 de março de 1990. Seu legado ao país e ao povo tem valor inestimável. Ele pertenceu à segunda geração de dirigentes do PCB, que assumiu o comando da legenda na década de 1930 e participou intensamente dos principais acontecimentos políticos do país até o seu falecimento. Seu nome e sua trajetória se inserem no rol dos principais acontecimentos da história democrática do Brasil no século XX.

A passagem dos 102 anos do nascimento de Luiz Carlos Prestes é um marco solene para o Partido Comunista do Brasil.

Da redação

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Foto rara do interior do túmulo de André de Albuquerque, revolucionário potiguar que teve uma morte chocante

Foto rara do interior do túmulo de André de Albuquerque, revolucionário potiguar que teve uma morte chocante.

Você já deve conhecer Jerônimo de Albuquerque, o fundador de Natal, mas e André de Albuquerque? Pois saiba que ele foi um revolucionário potiguar que teve uma morte chocante há mais de 200 anos atrás.
André de Albuquerque Maranhão, também conhecido como Andrezinho de Cunhaú, nasceu no Engenho Cunhaú, no atual município de Canguaretama (RN). Seu pai tinha o mesmo nome, e sua mãe se chamava D. Antônia Josefa do Espírito Santo Ribeiro; eram uma das famílias mais ilustres do Rio Grande do Norte.
André de Albuquerque Maranhão, desenho e pintura. Foto: http://www.historiaegenealogia.com/
André tinha um pensamento revolucionário, comandava a Cavalaria que guardava as fronteiras entre Rio Grande e Paraíba, e simpatizava revoluções de libertação da coroa.
Em 28 de março de 1817 juntamente com sua tropa, parentes e oficiais, ele chegou a cidade e implantou um governo provisório. Esse acontecimento se chamou “Revolução Republicana de 1817”, reflexo da Revolução Pernambucana que eclodiu no dia 6 de março, e ele foi o líder.
Mas pouco tempo depois o comandante da tropa de linha Antônio Germano, e seus soldados, invadiram o palácio do governo aos gritos de “Viva o Senhor Dom João VI” e “Morra a Liberdade”, e encontram André de Albuquerque na mesa dos despachos. Ele negou sua rendição, sofreu um golpe de espada em sua região inguinal, e ainda teve os dedos cortados provavelmente por tentar segurar a espada.
Foi então jogado pela janela do palácio e preso sozinho em uma cela na Fortaleza dos Reis Magos. Sem qualquer assistência médica, com ferimentos abertos e órgãos dilacerados, sangrou até morrer.
Antigo prédio da Casa de Câmara e Cadeia do Natal, onde André de Albuquerque foi preso, ferido e jogado de uma das janelas. Foto: Acervo Tavares de Lyra
No dia seguinte, seu corpo foi retirado da Fortaleza e transportado totalmente sem roupa pela cidade. Lá, o cadáver sofreu humilhação pública até ser sepultado na Igreja Matriz de Natal, ou Igreja de Nossa Senhora de Apresentação, a primeira igreja do Rio Grande do Norte, e marco zero da cidade.
Hoje a praça onde se encontra a Igreja Matriz ganhou o nome dele. Nesta mesma praça também há um monumento em homenagem a ele e ao Padre Miguelinho.
A porta do lado direito da escada levar ao calabouço aonde morreu Andrezinho do Cunhaú. Fonte CASCUDO; 2008.
Em 1994 quando foi realizada uma restauração do prédio foram encontrados os ossos de André na ala lateral, ao lado da capela do Santíssimo. E aqui estão registros raríssimos da época:
Foto rara da ossada de André de Albuquerque em 1994, durante reforma na Igreja Matriz de Natal. Fonte: Emerson Silva e Daniel Augustino Viana.
Fotos enviadas pelos leitores Emerson Silva e Daniel Augustino Viana.
Fonte: CURIOZZZO

Cultura Brasileira – Simpatiaspara ‘garantir’ um ano novo mais feliz

Começar o ano novo com o pé direito é quase uma regra. Afinal, quem não deseja um novo ano cheio de energias positivas? Por isso, fazer algumas ‘simpatias’ pode ser divertido e mal não vai fazer, certo? Se você acreditar, melhor ainda! Então escolha aqui aquela ou aquelas que mais
combinam com você e boa sorte em 2020!

Atrair ou manter um amor

Quem é casada e quer manter o relacionamento deve acender duas velas amarelas. Peça a Oxum – a deusa do amor, da fertilidade, da pureza e do ouro – estabilidade no relacionamento. Se for solteira, acenda uma, e peça para que apareça alguém especial em sua vida. Depois de acesa, derrame mel em volta da vela, coloque quatro búzios, quatro moedas de mesmo valor e oito ou dezesseis rosas amarelas. Para dar certo é preciso ficar na praia até a vela terminar de queimar.
Para o amor voltar
Escolha oito pedaços de fitas coloridas com 1 metro (todas devem ter cores diferentes, menos preto e vermelho). Olhe na direção do mar e coloque quatro fitas em cada ombro. Com os pés na água, despetale três rosas amarelas. Jogue as pétalas por cima da sua cabeça e deixe que elas caiam no mar. Solte então uma fita de cada vez na água e peça que Oxum traga de volta
quem você ama.
Para ter sorte no amor
Pegue cinco ou oito rosas brancas (números de Iemanjá e Oxum), perfume de alfazema, fitas com as cores da harmonia (azul, amarelo, rosa, branco e verde), espelho, talco, sabonete e bijuterias. Forre uma cesta com celofane, amarre uma fita no cabo de uma flor e jogue um pouco de talco e de perfume por cima. Depois, coloque o espelho, o sabonete e as bijuterias na cesta e leve para o mar. Conte três ondas e, na quarta, ofereça a cesta à Iemanjá e a Oxum.
Para ter felicidade
Comece a usar, a partir do dia 28 de dezembro, um par de meias brancas novas. No quarto dia, coloque a meia do pé direito no sol. Depois atire-a longe -cuidado para ela não cair em nenhum lugar úmido. À meia-noite do dia 31 coloque a meia do pé esquerdo ao luar e depois jogue longe dizendo:
“Minhas meias foram longe. Não têm teia, nem idade. Se elas se foram,
porque se foram, virá a felicidade. Assim seja”.

Para afastar maus fluidos

Na beira do mar, com a água na altura da canela, derrame pipoca ao longo de seu corpo, da cabeça aos pés. Deixe que o mar leve a pipoca, que é um elemento do orixá Omolu, senhor da vida, da cura e da saúde.

Para ter paz, tranqüilidade e prosperidade
Misture pétalas de rosa branca, arroz cru e uma essência e passe pelo corpo. Olhando para o mar, reze pedindo paz e prosperidade para o ano que se aproxima. Tire os sapatos e entre no mar vestida com uma roupa branca. Dê três mergulhos e dê costas para a areia.
Para ter dinheiro o ano inteiro
Leve para a praia sete rosas brancas, sete moedas do mesmo valor, perfume de alfazema e um champanhe. Reze para Iemanjá e para os orixás que têm força no mar. Conte sete ondas e jogue as flores no mar. Em seguida, coloque o conteúdo do champanhe e ofereça aos orixás. Lave as moedas com o perfume e coloque-as na mão direita. Mergulhe a mão na água e peça proteção financeira. Deixe o mar levar seis moedas e fique com uma, que deve ser guardada como amuleto durante o ano.

Crendices e superstições de Ano Novo
• Acredita-se que comer lentilha traz sorte, pois, como é um alimento que cresce, faz a pessoa crescer também;
• Uma das simpatias mais comuns feitas no Ano Novo para atrair dinheiro é a da romã. Chupe sete sementes na noite de Réveillon, embrulhe todas num papel e guarde o pacotinho na carteira para ter dinheiro o ano inteiro;
• O consumo de aves, como o peru e o frango, e o de caranguejo não é indicado na ceia de Ano Novo. Como esses animais ciscam ou andam para trás, acredita-se que quem comê-los regride na vida;
• Guarde uma folha de louro na carteira durante o ano inteiro para ter sorte;
• Coma três uvas à meia-noite, fazendo um pedido para cada
uma delas;
• Jogue moedas da rua para dentro de casa para atrair riqueza;
• Dê três pulinhos com uma taça de champanhe na mão, sem derramar nenhuma gota, e jogue todo o champanhe para trás para deixar tudo o que for ruim no passado;
• Passe as 12 badaladas em cima de uma cadeira ou banquinho e depois desça com o pé direito;
• Pule num pé só (o direito), à meia-noite, para atrair coisas boas;
• Não passe a virada do ano de bolsos vazios para não continuar o ano inteiro com eles vazios;
• Coloque uma nota no sapato para chamar dinheiro;
. No dia 31, faça uma boa limpeza na casa, varrendo-a de
trás para frente. Coloque para fora todo lixo, objetos quebrados e lâmpadas queimadas. Não guarde as roupas do avesso;
• Para evitar energias ruins, muitas pessoas lavam os batentes das portas com sal grosso e água e borrifam água benta nos quatro cantos da casa;
• Na primeira noite do ano, use lençóis limpos;
• À meia-noite, para ter sorte no amor, cumprimente em primeiro lugar uma pessoa do sexo oposto;
• Quem pretende viajar bastante no ano que se aproxima, deve pegar uma mala vazia e dar uma volta dentro de casa;

• Abra as portas e janelas da casa e deixe as luzes acesas;
• O primeiro negócio do ano nunca deve ser fiado nem com pessoa pobre.

(Fonte: Guia dos Curiosos)

A Cultura sob a sombra da censura, do bolsonarismo e da evangelização

A extinção do MinC, no início deste ano, já dava sinais de uma revisão histórica das política culturais sob o governo Bolsonaro.
Ironia: espetáculo Abrazo foi censurado por trazer a história de um governo que proibia cidadãos de falar.
As ações do governo Bolsonaro na Cultura em 2019 tiveram duas tônicas: 1) a censura voltou a ameaçar a livre expressão de artistas subsidiados por verba pública, com agressividade que não se via desde a redemocratização; e 2) a indústria do audiovisual – que vinha registrando crescimentos sucessivos e levava o cinema nacional para os principais festivais do mundo – foi freada com paralisações e cancelamentos de prêmios e patrocínios.
A extinção do Ministério da Cultura (MinC), definido no fim de 2018 e confirmado bem no início deste ano, já dava sinais de uma revisão histórica, marcada por retrocessos. Representou o ponto inicial de uma coleção de conflitos entre a classe artística e o governo. Criado em 1985 pelo então presidente José Sarney, a instituição foi transformada na Secretaria Especial da Cultura, subordinada à pasta da Cidadania, sob comando do médico Osmar Terra. Em novembro, passou a fazer parte do Ministério do Turismo.
Já entre as primeiras medidas para o setor, o presidente Jair Bolsonaro questionou o patrocínio das empresas estatais à cultura. Reduziu o montante de incentivos na Caixa Cultural, no Banco do Brasil e nos Correios. Anunciou ainda que a fatia mais robusta, vinda da Petrobras, deixaria de existir para ser realocada para programas de educação e produção tecnológica.
O corte provocou preocupação, sobretudo nas direções dos grandes festivais de cinema. O resultado da interrupção se consolidou no transcorrer de todo o ano, com a redução significativa das programações do Festival do Rio e do Anima Mundi, entre outros.
A leitura de que Bolsonaro promoveria um desmonte foi imediata e ganhou as redes. Em abril, uma nova mudança profunda na política de incentivos públicos atingiria uma parte significativa do mercado, o das artes cênicas. Desde as eleições, Bolsonaro atacava a Lei Rouanet, questionando os subsídios públicos a produtores que, ele supunha, já andavam com pernas próprias.
O teto de incentivos da lei caiu de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão. As mudanças geraram protestos sobretudo dos produtores de espetáculos musicais, que não ficaram dentro das exceções – planos anuais de museus, por exemplo, continuaram podendo captar fora do novo limite. Neste fim de ano, o governo reconheceu o erro e divulgou que espetáculos musicais poderiam ter um teto superior, a princípio de R$ 10 milhões.
Também em abril, houve a paralisação da Ancine, a Agência Nacional do Cinema, depois que o Tribunal de Contas da União questionou a metodologia usada nas prestações de contas de produções incentivadas. Obras aprovadas em editais tiveram de esperar a situação ser regularizada para ter acesso a verbas retidas.
Em agosto, o governo começou a pôr em prática a retaliação a obras com temas que desagradavam a ala bolsonarista, vetando trabalhos que falavam sobre regimes autoritários, sexualidade e questões de gênero. Houve o cancelamento de um edital da Ancine que incluía incentivo a projetos para TVs públicas com temática LGBT. Era o início de uma série de atos de censura que atingiriam também os programas de incentivos das empresas estatais.
Também se cancelaram espetáculos como Abrazo, da companhia Clowns de Shakespeare, e Gritos, da Dos à Deux. A primeira trazia a história de um governo que proibia cidadãos de falar. A segunda era protagonizada por uma travesti. Em setembro, a Folha revelou que a Caixa havia implementado um sistema de censura prévia, determinando inclusive que funcionários investigassem as redes sociais dos artistas que se inscreviam em programas de incentivo.
Embora as restrições abrangessem um cenário mais amplo, foi por causa do corte do edital da Ancine, em agosto, que Henrique Pires, então secretário da Cultura, pediu seu afastamento. “Para ficar e bater palma para censura, prefiro cair fora”, ele disse, ao pedir a exoneração. Pires foi substituído por Ricardo Braga, que também deixou a subpasta e foi substituído pelo dramaturgo bolsonarista Roberto Alvim.
Alvim havia se aproximado de Bolsonaro com entrevistas polêmicas que agradaram o presidente. Em junho, ele foi nomeado diretor do Centro de Artes Cênicas da Funarte e passou a usar as redes para defender uma guerra cultural contra o que avaliava ser uma visão da esquerda no campo das artes. Teve grande repercussão o episódio em que o diretor atacou Fernanda Montenegro, chamando a atriz de “sórdida” e de “mentirosa”.
Depois de assumir a secretaria, Alvim iniciou um processo de mudança nos postos da pasta e de entidades subordinadas. Chegaram ao governo nomes responsáveis por áreas como promoção e diversidade cultural, fomento e incentivo à cultura e economia criativa. Alvim trocou também o comando da Fundação Palmares, da Biblioteca Nacional e da Funarte.
O apresentador e pastor Edilásio Barra, conhecido como Tutuca, por exemplo, assumiu o cargo que controla o gerenciamento de R$ 724 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual. Já um dos nomes mais controversos, Sérgio Nascimento de Camargo, ficou com a Fundação Palmares e se declarou contra o Dia da Consciência Negra e as cotas raciais.
Em 2019, a censura atingiu também a esfera municipal. Em setembro, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, do PRB, mandou fiscais à Bienal do Livro da cidade para recolher uma HQ da Marvel que trazia um beijo gay. O caso chegou ao Supremo, que proibiu a apreensão de obras no evento.
Com informações da Folha de S.Paulo