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domingo, 7 de fevereiro de 2021

11º Conad extraordinário do ANDES-SN deve debater realização do 40º Congresso da categoria docente

A diretoria do ANDES-SN convocou na ultima terça-feira (2), o 11º Conad Extraordinário do Sindicato Nacional. O encontro, com o tema central “Em defesa da vida, dos serviços públicos e da democracia e autonomia do ANDES-SN”, ocorrerá em formato virtual e será realizado em dois dias: 27 de março e 3 de abril.

A circular 028/2021, encaminhada às seções sindicais, secretarias regionais e categoria, informa que “em razão do contexto da pandemia, a Diretoria Nacional do ANDES-SN avaliou a necessidade de consultar a categoria quanto à realização do 40º Congresso, tendo em vista tanto a responsabilidade em evitar ao máximo aglomerações, quanto as dificuldades em realizá-lo virtualmente nos moldes que caracterizam o evento”.

A diretoria também informa que devido ao excessivo desgaste físico e emocional, justamente pela realização de longas reuniões virtuais, em um contexto de grande carga de trabalho profissional e doméstico dos e das docentes, foi pensada uma pauta que contemple um formato mais adequado, com um intervalo maior entre as reuniões.

Por isso, foi proposto um cronograma do 11º Conad Extraordinário que prevê, portanto, um espaço maior entre as discussões dos Temas I e II, previstas para o dia 27 de março, e a discussão do Tema III, prevista para 3 de abril. “Insta pontuar que a AJN fez a avaliação de legalidade e oportunidade dessa sistemática, estando plenamente de acordo com o Estatuto do ANDES-SN e com a legislação em vigor”, ressalta a circular.

Confira aqui a proposta de pauta e de cronograma do evento, bem como prazo e regras para apresentação de contribuições ao Caderno de Textos.

Fonte: ANDES SN

Adaptado pelo CPC-RN, em 07-02-2021

Impeachment de Bolsonaro seria um desastre, diz Fux - ' SERÁ MESMO ? '- Eduardo Vasconcelos


Jair Bolsonaro e Luiz Fux. Foto: Wikimedia Commons

O presidente d-o Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, avalia que não é o “melhor quadro para o Brasil” ter um réu na linha sucessória da Presidência da República. Em entrevista ao Estadão, Fux foi questionado sobre a situação do novo presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), que responde a denúncias na Corte por corrupção passiva e organização criminosa – ainda em análise de recursos.

“Eu acho que realmente uma pessoa denunciada assumir a Presidência da República, seja ela qual for, é algo que até no plano internacional não é o melhor quadro para o Brasil”, afirmou o ministro. (…)

A atuação do governo na pandemia reforçou o discurso a favor do impeachment de Bolsonaro. Qual a opinião do senhor?

O impeachment é um processo político que o Supremo não pode nem se intrometer no mérito. Mas, em uma pós-pandemia, em que o País precisa se reerguer economicamente, atrair investidores e consolidar a nossa democracia, eu acho que seria um desastre para o País. O Brasil não aguenta três impeachments. O Brasil tem de ouvir o povo e o povo é ouvido através de seus representantes que estão no Parlamento. Acho que o impeachment seria desastroso.

Fonte: Diário do Centro do Mundo - DCM

sábado, 6 de fevereiro de 2021

CRÔNICA: Como apertar o botão do elevador quando se tem covid? Por Paula Corrêa

 Por DCM

A escritora Paula Corrêa
(Crédito: Fernando Cavalcanti)

O botão do elevador para um portador

Por Paula Corrêa*, especial para o DCM

Passei tantas vezes as mãos no álcool que já não me lembro.

Era a certeza de que poderia matar alguém? Era.

Na ponta do meu indicador teria essa partícula invisível da morte? Teria.

Os velhinhos do meu prédio, pessoas que nem conheço ainda – mudei na pandemia-  poderiam tocar aquele mesmo botão que eu.

Seria uma opção subir de escadas?

(Eu realmente não queria TOCAR nada. Porque TOCAR poderia ser uma morte. Ou algumas). E eu não tinha forças para subir nenhum degrau.

Ter forças.

É tão bom, né? Acordar, tomar café, trabalhar, almoçar, ficar com o filho, jantar, dormir. Fazer exercício, tomar um vinho, ver jornal. A vidinha pacata, normal, regradinha.

Mas aí se instala no seu corpo (como? por quê?) uma doença inédita, a doença que o MUNDO todo teme. E você também.

E apertar o botão do elevador? Pode ou não pode? Alguém criou essa regra? Que, veja bem, não é bem de boa convivência… Não é não querer dividir o elevador. Não é não querer dar bom dia. É, digamos assim, matar alguém. Aperto ou não aperto? E se o infeliz do vírus está na ponta do meu dedo? E vai ficar no botão do elevador esperando um velhinho meio desavisado apertar, e depois, subitamente, seu olho coçar veementemente? Ele pode apertar o botão com o dorso do dedo. Aí na hora de coçar o olho, ele também coça com o dorso, afinal, não é uma parte do corpo que ele use muito, então, na dúvida, usa o dorso que não usa muito. Mas ele apertou o botão com o dorso também!

Na dúvida, e repleta de culpa e confusão, passei muito álcool na ponta do dedo que iria usar para apertar o botão do elevador, e apertei. Ao abrir a porta, outro dilema. Bem, entrei. Lá dentro, outros tantos dilemas. Ao abrir a porta para sair do elevador, mais outros. No hall…

Entrei em casa, de onde só saí depois de quase 20 dias. Para garantir.

Bem… o que passei lá dentro, não importa muito agora.

Mas o que mais importa, mesmo, é que o interfone não tocou aqueles dias todos. E não tive notícia dos velhinhos do prédio terem covid.

*Paula Corrêa é escritora, poeta e jornalista. Nascida em São Paulo em 1978, cursou Comunicação e Artes do Corpo e é formada em Jornalismo pela PUC-SP. Escreveu os livros de poesia “In Vitro” (2004), “As Calotas Não Me Protegem do Sol (2010)” e “Tudo o que Mãe Diz É Sagrado”, este último pela editora Leya, com quarta capa de Eliane Brum e Ignácio de Loyola Brandão.

 por
 Vinicius Segalla

FONTE - DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO - DCM

Curta o Curta faz 20 anos com Festival e premiação para 20 filmes produzidos desde 2000

Inscrições abertas a partir de 1º de fevereiro

Pioneiro na exibição de curtas na internet brasileira, antes da febre do YouTube, o site Curta o Curta completa 20 anos. E para celebrar a efeméride realizará, através da Lei Aldir Blanc, o Festival Curta o Curta, selecionando 20 filmes feitos a partir do ano 2000. Cada curta selecionado ganhará 500 reais pela participação no evento, que será online, dias 12, 13 e 14 de março. As inscrições serão de 1 a 22 de fevereiro pelo site www.curtaocurta.com, podendo participar curtas com até 15min de duração, de todos os gêneros, feitos por brasileiros/as, mesmo que no exterior. Um júri formado por Cavi Borges e Helena Ignez, dois ícones do cinema brasileiro, definirão três destaques que ganharão mais 500 reais de premiação – totalizando mil reais em prêmio.

O Festival Curta o Curta foi criado por Guilherme Whitaker, que inventou o site Curta o Curta (COC) em 2000, uma novidade na ocasião. “O COC foi criado para dar mais espaço e visibilidade ao curta-metragem, porque na época não havia nenhum site que fizesse isso. Depois, ficamos 10 anos trabalhando como uma empresa de distribuição de filmes. Hoje, somente o site segue em frente, embora tenha ficado pausado nos últimos três anos, sem atualizações”, diz.

O projeto nunca teve um patrocinador, e segue 100% independente. “Estávamos preparando o relançamento do site por conta dos 20 anos, quando ganhamos este edital para fazer o festival, o que vai ajudar muito nesta nova fase que se inicia, com o site repaginado e focado apenas na difusão de filmes e notícias relacionadas ao curta nacional. Nosso lema segue sendo o de que ‘a luta por mais arte e mais cultura nunca foi, não é, nem nunca será em vão’ “, complementa Whitaker.

O festival é uma realização da WSET Multimídia em parceria com a KZL Filmes, com produção de GuiWhi e curadoria de Christian Caselli e Simone Rodrigues, e somente foi possível através da Lei Aldir Blanc.

Mais e etc. em www.curtaocurta.com

www.instagram.com/cultura_rio

www.facebook.com/SMCulturaRio

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

Um lutador sóbrio, rigoroso

José Carlos Ruy, pesquisador competente e curioso, escritor cioso da precisão, com sua seriedade, discrição e calma em qualquer discussão, vai fazer muita falta

Acho que eu conheci o Ruy pessoalmente em 1978, na sede do jornal Movimento, em São Paulo. De início ele trabalhou no arquivo do jornal, com o Samuel Rodrigues e o Miguel Jimenez, depois foi para a redação. Desde então participamos juntos de várias publicações dirigidas pelo jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, como a enciclopédia Retrato do Brasil, a revista Reportagem e a revista Retrato do Brasil.

Algumas das características que me chamaram a atenção nele, desde o início, foi a seriedade, a discrição, e a calma em qualquer discussão. Talvez fosse sério demais, embora soltasse sonoras gargalhadas volta e meia.

Uma vez me disse, para meu espanto, que não suportava o Woody Allen, um dos meus ídolos, a despeito das tentativas criminosas de seu cancelamento por parte da Mia Farrow.

Pesquisador competente e curioso e escritor cioso da precisão, por mais de uma vez mencionou para mim a ex-mulher, a bióloga e escritora Verônica Bercht, como exemplo a ser seguido, por sua “cautela de cientista”. “A gente só deve escrever depois de estar muito seguro dos dados, levantados com rigor”, dizia.

Ficamos afastados muitos anos, durante os quais continuei a acompanhar o seu trabalho, sóbrio e entusiasmado, na revista Princípios e no portal Vermelho.

Mais recentemente, quando passei a colaborar com o Vermelho com algumas das minhas crônicas atrevidas, voltamos a nos falar. Foi quando soube que ele enfrentava, com o espírito de luta de sempre, graves problemas nos olhos.

O Ruy vai fazer muita falta entre as fileiras dos que batalham para transformar o Brasil numa república democrática, popular e socialista.

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Lava Jato monitorava minuto a minuto defesa e Lula

Provas de um crime: Lava Jato monitorava minuto a minuto defesa e o próprio Lula. E o Ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes afirma que “Lula merece um julgamento justo”

Os crimes da Lava Jato estão vindo à tona a cada dia e a indignação só cresce. A turma da Vaza Jato e Moro querem esconder a verdade e pedem sigilo no processo, fazem isto, porque não existe  defesa para provas contundentes e claras da falta de imparcialidade e do conluio desta operação contra Lula e seu partido. Outro ponto e a ação partidária e política de setores do Ministério Publico Federal em parceria com setores da mídia para condenar sem provas Lula, como muitas vezes já foi demonstrado. A injustiça tem de ser reparada e que se faça justiça para Lula e milhares de brasileiros e brasileiras que vivem o mesmo drama.

Provas de um crime: Lava Jato monitorava minuto a minuto defesa e o próprio Lula.

Do comitê Nacional Lula Livre. Os procuradores eram informados minuto a minuto do que ocorria e articulavam os próximos passos em função das conversas grampeadas.

Outro relatório do perito contador Cláudio Wagner levantou as conversas da Lava Jato sobre o monitoramento dos telefones dos advogados de Lula e do próprio Lula, segundo o site GGN, confirmando que servia para identificar as estratégias da defesa e se antecipar.

Os procuradores eram informados minuto a minuto do que ocorria e articulavam os próximos passos em função das conversas grampeadas.

Do GGN.

(Brasília – DF, 05/02/2020) Reunião com Sergio Moro, Ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública e Secretários.\rFoto: Marcos Corrêa/PR

“Lula merece um julgamento justo”: assista aqui à declaração de Gilmar Mendes

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes declarou em entrevista à TV Bandeirantes que “Lula merece um julgamento justo”. Em entrevista ao jornalista José Luiz Datena, o ministro, que pretende pautar a suspeição de Moro este semestre na Segunda Turma, também comentou as mensagens vazadas de Moro e Dallagnol.

Assista e compartilhe!

Gilmar Mendes: Lulla Merece um julgamento justo
Fonte: JORNALISTAS LIVRES

“Decoloniedade Afrofuturista”, com Rafael Bqueer

 


Rafael Bqueer, #artistafoda da semana

 POR NINJA

Por Amanda Olbel, para o @planetafoda

A entrevistada da semana para #ArtistaFOdA é a artista e performer Rafael Bqueer que atua hoje com investigações sobre arte política, sexualidade, afrofuturismo e decolonialidade. Drag queen e  ativista LGBTQIA+, Bqueer tem um trabalho que dialoga também com vídeo e fotografia, utilizando de sátiras do universo pop para construir críticas atentas às questões da  contemporaneidade. Atua de forma transdisciplinar com vivências entre a moda, escolas de samba e arte contemporânea. 

Rafael Bqueer, graduade em Artes Visuais pela Universidade Federal do Pará (UFPA), nasceu em  Belém/PA, 1992, e atualmente vive e trabalha entre Rio de Janeiro e São Paulo. Ainda na adolescência começou seus primeiros trabalhos como figuriniste e carnavalesque de escolas de samba e grupos juninos de Belém do Pará, e essa paixão a levou, posteriormente, ao  curso de Artes Visuais da UFPA. Durante sua graduação ganhou uma bolsa de intercâmbio para estudar na UFRJ e enfim poder trabalhar no carnaval do Rio de Janeiro. 

Rafael Bqueer, #artistafoda da semana

Rafael conta que o espaço acadêmico lhe trouxe o desafio de lidar com as narrativas eurocêntricas da história da arte oficial, onde se enxergava como ume alienígena nestes lugares, mas aos poucos foi entendendo a necessidade de ocupar esses espaços para legitimar narrativas pretas e LGBTQIA+ dissidentes . Diz ainda que buscar o imaginário popular para falar de arte contemporânea sempre foi algo bastante natural para elu e também a aproximou dos professores Zélia Amador e Arthur  Leandro, dois importantes pesquisadores e ativistas paraenses do movimento negro dentro da universidade. 

“É preciso reescrever a história da arte institucionalizada, acredito muito no conceito de ‘escrevivência’ de  Conceição Evaristo como importante ferramenta metodológica para a produção de novos conhecimentos e  de reação ao racismo epistêmico. É preciso reconhecer a arte contemporânea preta que existe nos subúrbios e periferias do Brasil, nossas vivências e nossa presença são marcadores importantes para desafiar o  projeto hegemônico do colonialismo.” 

Seu trabalho tem muitas naturezas: um verdadeiro caldeirão de referências e misturas que vão da  cultura popular aos espaços institucionais de arte. Bqueer se considera ume artista em constante  processo experimental, cuje suas pesquisas surgem nas vivências entre a moda, figurino, escola de  samba, arte Drag Themônia, artes visuais, fotografia e performance . Atualmente está produzindo  seu primeiro filme, recentemente contemplado pela bolsa de fotografia da revista ZUM do Instituto Moreira Salles.

Aos seus 16 anos, em Belém, conheceu os carnavalescos Jean Negão e Claudio Rêgo de Miranda,  importantes artistas da cena paraense. Tornaram-se amigues, e generosamente foi convidade para  acompanhar seus processos e, assim, ser introduzide na cena do carnaval paraense. Suas práticas  sempre foram multidisciplinares, com vivências que atravessavam cultura popular, ópera, teatro,  cinema, arte-educação, etc.

“Sem dúvida muito do meu olhar amplo para experimentação vem desse berço. Meus trabalhos tem o corpo como principal questão e se desdobram em pesquisas sobre afrofuturismo, gênero, decolonialidade e tudo que atravessa minha subjetividade como bixa preta amazônica/paraense no mundo.”

Durante seu processo de imersão ao universo drag, ouviu falar pela primeira vez em afrofuturismo,  e viu na personagem da comandante Nyota Uhura da série Star Trek, uma potente representação de  poder na luta contra o racismo e para questionar os estereótipos brancos da arte da montação.

Rafael Bqueer, #artistafoda da semana

Quando questionade sobre sua personagem nos trabalhos de Drag Queen, diz que costuma  apresentar Uhura Bqueer, brilhantemente, como: 

“A panterona afrofuturista e intergalática do Pará.
É a primeira rainha drag-Themônia coroada na festa Noite Suja, em 2014.
Uma artista e ativista LGBTQIA+ que mistura diversos materiais e referências do trabalho de Gaby  Amarantos e do tecnobrega paraense.
É a filha de Grace Jones com Vera Verão.” 

Suas inspirações partem de todos os lugares possíveis: filmes, desenhos, vídeo-clip’s, livros,  revistas, Instagram, de onde destaca algumas artistas da região norte, como Lúcia Gomes, Uyra  Sodoma, Coletivo Noite Suja, Gaby Amarantos, Zélia Amador de Deus, Arthur Leandro . Diz não  se cansar de assistir desfiles das escolas de samba de vários anos: um de seus vícios. Também conta  ser fã das narrativas dos carnavalescos Joãosinho Trinta, Fernando Pinto e Rosa Magalhães. 

Já seus estudos sobre fotografia e performance tem referências também da moda e artistas visuais  de diversos países, incluindo artistes contemporânees negres e indígenas que atuam politicamente  dentro e fora do circuito de arte. 

Rafael Bqueer, #artistafoda da semana

Durante o início de seu trabalho com performance, a infância aparecia de forma recorrente para  pensar suas memórias com os anos 90 e a ausência de representatividade afro-indígena na televisão, cercada por conteúdos de origem eurocêntrica, japonesa e estadunidense, muito bem apreentada na  apresentação “Super Zentai”. 

“Eu adoro trabalhar com signos ditos globais, que ganham caráter irônico ao se confrontarem com a  realidade social e colonial do Brasil.” 

Em seu trabalho “Alice e o chá através do espelho”, atravessa diversos cenários do Brasil,  caminhando do Rio de Janeiro ao Pará, com seu corpo “lúdico, negro e gay”, onde o maravilhoso e  a destruição andam juntos, coexistem constante e simultaneamente. Reúne o imaginário  carnavalesco e a imagem de Jorge Lafond como importante referência para levantar  questionamentos sobre gênero, racismo e representatividade no campo da arte. A paisagem cercada  pelo lixão em meio ao território amazônico cria um diálogo com o trabalho “Sanitário Santuário”,  da performer e artista paraense Lúcia Gomes. 

Brinca com os espaços urbanos, que não carregam a mesma mágica da história original, de Lewis  Carroll, trazendo mesmo assim esse universo onírico e utópico do conto infantil, para essa realidade distópica, cruel, da desigualdade, do que é precário nas cidades e nas relaçoes entre os moradores  desses espaços. E nisso questionando as heranças coloniais do absurdo e as contradições dos tempos atuais. 

“A personagem na verdade não ignora o seu entorno, ela está a todo momento na dúvida de qual o seu  lugar em um mundo, que se mostra distópico e sufocante. No começo da ação em 2013, o figurino causava  uma sensação de contraste com as paisagens e com o corpo que o vestia. Com o passar dos meses o vestido  foi apodrecendo, sobrepondo camadas de sujeiras das cartografias, fazendo muitas pessoas associarem minha imagem de Alice a uma empregada doméstica, uma afirmação que revela muito sobre o olhar  colonial e racista do Brasil.” 

Em um de seus trabalhos performaticos mais potentes, “Sem título”, elaborado durante o curso de  formação para artistas na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, levanta discussões sobre corpo,  objetificação e fetiche. Construindo criaturas híbridas de caráter surrealista, juntando corpos e  objetos em uma ação que questiona os padrões normativos e o corpo como objeto de arte. Bqueer aparece mimetizada a uma poltrona, revestida de um tecido de lycra, progressivamente  fazendo movimentos, por debaixo do pano colorido. Nos passa uma tremenda angustia a ver  enclausurada, sem possiblidades de libertação, e remete ao famoso quadro do pintor espanhol  Salvador Dalí, “Criança geopolítica observando o nascimento do homem novo “. Desenvolvida  durante a Segunda Guerra Mundial, a pintura transmite a preocupação do artista com o futuro da  humanidade diante da perspectiva sombria da época, e temos uma figura de um homem se esticando por dentro de uma casca de ovo. 

Rafael Bqueer, #artistafoda da semana

Rafael demonstra então esse desejo de sair de um estado de objeto artístico e social. Uma tentativa  de deslocar-se desse espaço estigimatizado dos corpos que não seguem a “regra” heteronormativa,  que cada dia mais se aproxima da falência e do desgaste. Estar mimetizado na poltrona, não parece somente um estado primário de “nascimento”: de formatação original, da qual deseja-se  desvincular, parte muito mais de pressuposto de castigo, de punição, sendo obrigade a se adequar a  essa “caixinha” sistemática. Foucault diria que dentro da sociedade existem mecanismos de  disciplina e sequestro dos corpos, os quais devem ser continuamente exercitados, treinados  modelados, remodelados, remendados, corrigidos através de recompensas e punições. Portanto,  abre-se um espaço para resitência e o delinquente aqui, para a nossa felicidade, tem como sinonimo  a liberdade transviada. 

Rafael Bqueer já participou de exposições nacionais e internacionais, destacando : “Against, Again:  Art Under Attack in Brazil”- Shiva Gallery em Nova York (2020) e a individual “UóHol” no Museu de Arte do Rio (2020). Foi artista premiade na 8º Edição da Bolsa de fotografia da Revista ZUM – Instituto Moreira Salles (2020) e na 7º edição do Prêmio FOCO Art Rio(2019) . Suas obras fazem parte das coleções do Museu de Arte do Rio (MAR) , Museu de Arte Moderna do  Rio de Janeiro (MAM) e Museu do Estado do Pará (MEP). 

Para ver mais de seus trabalhos, acompanhe-a pelo perfil @rafaelbqueer no Instragram, onde  compartilha fotos e informações, e suas performances como Drag Queen, no perfil @uhurabqueer.  Acompanhe a página do @planetafoda para ficar por dentro dos próximos Artistas FOdA’s, publicados todas as quintas-feiras. 

Fotos desta edição: Paulo Evander Castro, Alice Ninn, Alex Korolkovas e Lou Pipa

Rafael Bqueer, #artistafoda da semana

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Alfândega cobra R$ 1,600 para entregar prêmio a Kleber Mendonça Filho, diretor de Bacurau

O diretor de Bacurau, premiado pela New York Film Critics Circle, diz esperar que a situação não passe de apenas um "mal entendido"

247 - Kleber Mendonça Filho, diretor de 'Bacurau', longa recentemente premiado como melhor estrangeiro do ano pela New York Film Critics Circle, considerada por muitos a prévia não-oficial do Óscar, revelou que a alfândega está em posse do prêmio e que ela cobra R$ 1.600 para liberá-lo. 

Kleber diz esperar que a situação seja apenas um "mal entendido".

Além desta premiação, Bacurau foi indicado nesta terça-feira (2) a melhor filme internacional pela Associação de Críticos de Hollywood.

O filme brasileiro vai concorrer com "Deux" (França), "Another round" (Dinamarca), "Ya no estoy aquí'" (México) e "La Llorona" (Guatemala)..

Fonte: BRASIL 247