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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Manifesto em Defesa do Passe Livre

Manifesto em Defesa do Passe Livre

Durante as férias, na calada da noite, o prefeito de São Paulo, João Dória, anunciou mudanças no Passe Livres Estudantil, direito concedido aos estudantes da rede pública, universitário Prounista, beneficiários do FIES e de baixa renda.

Antes, o estudante poderia fazer até oito embarques durante as 24 horas do dia, gratuitamente. A partir de 1º de Agosto, conforme publicado no Diário Oficial, são duas cotas diárias, com duração de duas horas, sem exceder quatro embarques.O decreto prejudica os estudantes que moram longe das escolas e universidades, aqueles que fazem estágio não remunerado, atividades complementares e o acesso à cidade de um modo geral, que contribui para a formação do jovem.

A UEE -SP  e a UPES repudiam a medida da Prefeitura por alterar um direito já concedido aos estudantes e lança manifesto em defesa do Passe Livre. O documento foi assinado por mais xx entidades.
Confira o texto na íntegra e participe do abaixo assinado: https://goo.gl/NdQy9Y


A cidade de São Paulo representa a diversidade de expectativas e oportunidades de todo o povo brasileiro. A busca infinita por uma vida digna e feliz passa pelos anseios de ser. E para ser também é necessário estar. Estar nos espaços, nas tomadas de decisões, estar na cidade. Ainda mais esta cidade, que carrega em seu berço os sonhos de milhares. Se antes tivemos a vitória de conquistar uma brecha do que é esta cidade, agora estão nos impondo que voltemos a olhar a grande SP pelas janelas.

A juventude tem um histórico legado de lutas em defesa deste acesso. Em defesa do entendimento de educação e transporte como direitos base para qualquer cidadão. A lógica da política de João Dória, que vende parques, corta o leite das crianças, congela a cultura, apaga as cores da cidade e agora exclui a juventude de ocupar os espaços, não cabe nas perspectivas de quem vive São Paulo.

Há cerca de 70 anos, os estudantes dão seu tempo e disposição em prol de uma educação e transporte de qualidade, em defesa do público e de uma nova política. A Revolta dos bondinhos nos anos 50, as jornadas de junho de 2013 e a ocupação da Prefeitura de São Paulo em 2015 nos garantiram o direito ao transporte público com o Passe Livre Estudantil. Este transporte que não é verdadeiramente público passa a ser ainda mais da iniciativa privada.

O que a nova medida do passe livre faz é nos empurrar goela abaixo - na calada da noite - a aceitação de que a cidade de SP, como é hoje, não é feita para nós. O estudante da periferia, das mais diversas quebradas de São Paulo, pode demorar bem mais que duas horas para chegar em sua instituição de ensino. E limitar o tempo das cotas diárias é tirar a possibilidade de utilizar o Passe Livre para o mínimo: estudar.

Queremos uma sociedade plenamente desenvolvida, inovadora e tecnológica. E o estudante tem muito a contribuir neste sentido, a partir dos estágios, iniciação científica, núcleos de pesquisa e atividades extracurriculares. O Passe Livre também deve servir a isto!

A educação deve ultrapassar os muros das escolas e universidades. Não acreditamos num sistema educacional limitado as salas de aulas. Os museus, teatros, bibliotecas e a integração da juventude nas praças e parques oferecem a história e cultura necessárias para a formação do estudante. Queremos acessar a cidade!

Já nos basta a fome, o desemprego e as centenas de manchetes de corrupção daqueles que roubam as perspectivas e oportunidades do povo. A juventude tem muito o que contribuir com a política e a cidade. À nós, o direito a liberdade! Liberdade de expressar, liberdade de ser e de estar. As novas medidas do Passe Livre nos tiram esses direitos.

Os diversos personagens do prefeito escondem seu verdadeiro projeto que, na verdade, faz dos nossos direitos um grande leilão, tornando nossa cidade um balcão de negócios e morada de poucos. Estas fantasias escondem os seus reais interesses e roubam a essência do que é o povo de São Paulo.

Somos contra as novas medidas do Passe Livre Estudantil e reivindicamos sua revogação imediata. Direitos não se tiram do povo. Iniciamos aqui, uma grande luta. A resistência que há de se perdurar, junto aos nossos sonhos. E estaremos nas ruas, assim como no legado de lutas da nossa história. Com muita unidade, respeito à trajetória e convicção em nossos anseios. Porque somos filhas e filhos de uma São Paulo plural e carregamos a esperança desta juventude, protagonista do próprio destino.

Vamos juntos nesta viagem que não tem paradas, nem tarifas, sequer catracas, mas carrega em sua jornada a rebeldia consequente daqueles que acreditam em mundo digno e feliz para todo jovem brasileiro! Apenas começamos.
        

Anima Mundi 2017: a animação brasileira em foco

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Por: Alessandra Monterastelli*
Para homenagear os 100 anos de animação nacional, a mostra recordou o percurso do gênero no país. Exibiu o documentário “Luz, Anima, Ação” de Eduardo Calvet, “O Menino e o Mundo” de Alê Abreu, longa animado brasileiro que concorreu ao Oscar em 2014 e “Sinfonia Amazônica”, de Anélio Latini Filho, primeiro longa animado produzido em 1953, que narra histórias folclóricas pelo personagem Curumi.
“O Kaiser”, infelizmente, se perdeu no tempo. Em 2013 oito animadores tentaram reanimar o filme, fazendo de forma colaborativa uma nova versão do filme; confira o vídeo abaixo:
Até hoje, 43 longas animados foram produzidos no brasil; a popularização de filmes brasileiros animados nos ciclos de cinemas comerciais teve forte participação de Maurício de Souza, com o primeiro longa da Turma da Mônica, em 1983.
A animação experimental também teve vez no Brasil, como por exemplo com “O Átomo Brincalhão”, de Roberto Miller, em 1961. Confira no vídeo:
No último dia do Festival em São Paulo houve a exibição especial de dois episódios inéditos da série animada “Irmão do Jorel”, de Juliano Enrico. A produção é o primeiro desenho originalmente brasileiro exibido no Cartoon Network, canal infantil norte-americano. Cada episódio da animação narra os eventos ocorridos no cotidiano de um garoto do qual ninguém lembra o nome, já que seu irmão, o perfeito Jorel, é sempre o centro das atenções. O desenho insere ficção em eventos corriqueiros da vida do menino com a família caricata, gerando desdobramentos inesperados, sempre com humor e uma certa ironia.
A série tem alguns traços interessantes que remetem ao Brasil, algumas vezes fazendo críticas sutis. Por exemplo, o pai do irmão do Jorel fez resistência na época da ditadura por meio das artes; sonhador e dramático, tenta passar um pouco de sua filosofia ao garoto; os policiais são todos palhaços com uniforme militar; o dinheiro do desenho é o próprio real.
Premiação

No Rio, o curta francês “Negative Space”, de Ru Kuwahata e Max Porter, foi o vencedor do Grande Prêmio Anima Mundi, sendo automaticamente selecionado para disputar uma vaga no Oscar em 2018. A animação foi realizada em Stop Motion e narra a relação entre um pai e um filho, em que o elo entre ambos se dava na arrumação de malas para viagens.

O júri popular elegeu a produção inglesa “Mr. Madila”, de Rory Waudby-Tolley, como Melhor Curta e Melhor Curta de Estudante. A animação, que faz grandes reflexões sobre o sentido da vida sem deixar de lado o viés cômico, trata do encontro do diretor do curta com Mr. Madila, uma espécie de vidente e especialista espiritual.
Por fim, o escolhido na categoria de Melhor Curta Brasileiro pelo público foi “Sob o Véu da Vida Oceânica”, de Quico Meirelles, que também ganhou na mesma categoria em São Paulo e foi vencedor do Prêmio BNDES de Melhor Animação Brasileira. O curta conta a história de um Gastrotricha (filo marinho que habita no fundo do mar) que possui, assim como o resto de sua espécie, apenas 6 minutos de vida.
Confira o trailer de “Sob o Véu da Vida Oceânica” abaixo:
O Anima Mundi 
Em 1960, houve a explosão da animação na publicidade; nos anos 70 surgiu a Geração Super 8, assim conhecidos os animadores autodidatas da época.
Contudo, na década de 1990, a crise financeira durante o governo de Collor acarretou na drástica decaída dos investimentos no setor. Segundo o site oficial do evento, o Anima Mundi foi inaugurado em 1993, no mesmo momento em que o mercado especifico dava sinais de fortalecimento.
A mostra nasceu com a proposta de incentivar as produções brasileiras e dar oportunidade para que animadores e animaníacos conhecessem diferentes técnicas e produções. Anos se passaram e o festival cresceu, incentivando artistas a produzir mais para exibir suas obras no Anima Mundi; portanto, o evento passou a colaborar com o fortalecimento desse mercado no brasil.
Hoje em dia, com os avanços tecnológicos, a mostra exibe tanto produções em 2D quanto animações em 3D, possibilitando uma experiência ainda mais interessante.
Em São Paulo, o Prêmio de Melhor Curta foi para “Revolting Rhymes”, de Jakob Schuh e Jan Lachauer. O filme inicia com o Lobo Mau contando a verdadeira versão das fábulas infantis para uma babá; entre outras coisas, a Branca de Neve e a Chapeuzinho Vermelho são o amor da vida uma da outra, e os Três porquinhos são capitalistas ferrenhos; todas as histórias se encaixam, trazendo um final surpreendente.
* Alessandra Monterastelli é estagiária do Portal Vermelho 
Do Portal Vermelho

Funk no Congresso: uma questão cultural e política

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Por Alexandre Weffort
Na reacção midiática, aqueles que se posicionam contra a proposta estabelecem comparações sugestivas com outras manifestações populares, como a capoeira e o samba, também perseguidos no passado. E, naturalmente, nessa comparação é sublinhada a natureza de classe e o papel dos poderes públicos submetidos aos pontos de vista de uma oligarquia moralista que procura estabelecer a sua dominação através da cultura, prescrevendo alguns comportamentos, proibindo outros.
O traço bizarro da “ideia legislativa” começa pelo seu lado anacrónico. A tentativa de dominação cultural por via da criminalização de comportamentos na esfera cultural é, por si só, um sinal de mentalidade retrógrada (mas que está estabelecida, também, no senso comum). E, nesse âmbito (do senso comum), manifesta-se a primeira contradição interessante: entre os valores sociais em conflito.
Opõem-se direitos sociais geralmente aceites: por um lado, o direito à manifestação cultural (por meio da música e da dança) e ao convívio e, por outro, o direito ao sossego (ao simples prazer contemplativo do silêncio ou ao descanso). Até aqui, estaremos perante interesses contrários mas passíveis de ajuste por via de simples regulamentação.
O sossego e o descanso não são parâmetros de classe (o trabalhador, porque levado à exaustão no processo de exploração laboral, também tem direito – e ainda maior merecimento – ao descanso, ao silêncio e ao sossego).
Mas, a “ideia legislativa” em apreço – da criminalização do funk – envereda por razões de ordem moral. Não se trata da questão musical da prática do funk (enquanto mais uma forma possível de poluição sonora), mas da relação entre forma e conteúdo, da forma em que é concretizado enquanto evento social e do conteúdo das letras.
A “ideia” manifesta-se sobretudo em relação aos conteúdos sexistas, aos apelos à reatividade violenta, em defesa de valores simbolicamente referenciados (“da criança … da família”) e ao modo como se estabelecem as práticas performativas (o funk é apontado, como expressão de “falsa cultura” e os “bailes de “pancadões” como seu espaço performativo).
O paralelo com o Samba é evidente, também nas contradições que o fenômeno musical revela em relação ao próprio processo social. O Samba, como o conhecemos hoje, é um produto cultural marcado pelo processo de abrasileiramento, que encerra as suas próprias contradições.
Hermano Vianna havia já assinalado, em O mistério do samba, o papel da intelectualidade na promoção de um determinado sentido de identidade brasileira, citando um encontro entre Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Prudente de Moraes Neto: “Com eles saí de noite boemiamente. Também com Villa-Lobos e Gallet. Fomos juntos a uma noitada de violão, com alguma cachaça e com os brasileiríssimos Pixinguinha, Patrício, Donga”.
Como assinalava Vianna, Pixinguinha, Patrício e Donga são guindados a paradigma da “brasilidade”, boemiamente, numa noitada de violão. Seguindo a trilha de Mário de Andrade, Muniz Sodré equacionou a questão do ritmo iterativo em Samba, o dono do corpo, questão também desenvolvida por Enio Squeff em Música-reflexões sobre um mesmo tema. Ambos os autores afloraram a questão da gestualidade do corpo no ritmo do samba, sendo aquela gestualidade um traço cultural que evidencia a raiz africana na cultura brasileira. Mas o samba a que referem Squeff e Sodré é o praticado no terreiro do candomblé e não o samba carioca, “urbanizado” sob a forma de canção, de que trata Vianna .
Todos os condimentos do conflito entre a cultura dominante e o samba , no dealbar do século 20, podem ser revistos no conflito atual, promovido pela mesma cultura dominante, em relação ao funk. Contornando a questão etnomusical (do samba e do funk enquanto géneros musicais populares), procuremos a dimensão que se manifesta no plano político.
Na “ideia legislativa” não é proposta uma regulamentação da prática cultural, mas sim a sua criminalização. A “ideia” segue assim um vincado cunho ideológico, marcado pela judicialização da vida social.
O critério de pertinência, atual, aceite pelo poder legislativo para uma questão ser posta e discutida em sede parlamentar, com vista a constituir letra de lei, é o de um qualquer cidadão propor a sua “ideia legislativa” e obter a aprovação de 20 mil concidadãos. E, cumprido o requisito legal, torna-se obrigação do Senado discutir a “ideia”.
A “ideia legislativa” surge enquanto mecanismo de empoderamento popular, através da participação proporcionada pela abertura do sistema político ao cidadão, através da internet. Mas isso não é garante do sentido popular da “ideia” (e ideias retrógradas têm também a sua aceitação popular).
O funk é uma prática popular, mas podemos assumir que difere do samba no sentido que o este desempenhou no processo de construção da brasilidade. É, antes de mais, um produto da globalização (e a própria globalização revela as suas contradições, também de classe), e não será, por ser popular, necessariamente ou sempre positivo.
Há na “ideia” em apreço, um espaço válido de discussão, mas que terá, para isso, que superar a vertente autoritária da “criminalização” (expressão básica e imediata da ideologia dominante, herdeira dos costumes oligárquicos) e procurar um entendimento mais profundo das questões sociais e culturais.
E assoma-nos a curiosidade de ver como irá o pequeno mundo dos políticos com assento parlamentar, os senadores e congressistas, com as dificuldades que têm revelado em manter (salvo honrosas exceções) a compostura mínima que se exige (a qualquer trabalhador, no exercício profissional e aos políticos) no exercício do seu papel institucional. Os mesmos congressistas, que nos brindaram com a vergonhosa sessão do impeachment a Dilma, vão agora opinar sobre o comportamento social nos bailes funk, eles que praticam quotidianamente, o funk no Congresso?
Para o Portal Vermelho

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Nota da diretoria do ADURN-Sindicato sobre a situação financeira das universidades públicas federais


As universidades públicas federais tiveram, entre 2003 e 2014, forte expansão aumentando a oferta de vagas, expandindo a área de atuação, melhorando os indicadores relativos à pesquisa e extensão e contratando professores e servidores públicos para se adequar a esse crescimento.
A aprovação da Emenda Constitucional n° 95, que estabeleceu um absurdo “teto dos gastos” para todo o serviço público federal até 2036, aprofundou de forma acirrada um cenário sombrio que se desenhava no horizonte desde o momento em que os que estão no poder anunciaram um draconiano “ajuste” financeiro que, entretanto, preservou incólume os recursos destinados ao setor financeiro da economia.
Comparativo dos orçamentos de 2016 e de 2017 mostra a redução de 11,2% no montante previsto para as universidades, de R$ 7,967 bilhões para R$ 7,076 bilhões. As verbas de investimentos diminuíram 40,1%, de R$ 1,969 bilhão para R$ 1,180 bilhão. Também é preciso considerar os contingenciamentos que, até junho, implicaram bloqueio de 30% do dinheiro de custeio e 60% das verbas para investimento. Há entre essas instituições as que consideram o início de setembro como limite máximo da sobrevivência financeira.
Na UFRN, uma das universidades que mais benefícios teve com esse processo de expansão, o aprofundamento da crise já a fez regredir, em termos de disponibilidade de recursos, oito anos, e a escassez de recursos ameaça os serviços básicos da instituição, atingindo duramente toda a comunidade universitária.
Diante desse cenário, a diretoria do ADURN-Sindicato se posiciona se colocando contra a atual política de ataques diretos à Educação Pública brasileira, feita pelos que estão no poder, que desmantela um processo que se mostrara vitorioso e que agora é vítima de uma visão reacionária e atrasada de tratar com as instituições federais de ensino superior e chama a comunidade universitária para refletir sobre esse grave momento.
O ADURN-Sindicato, que apoia a luta do PROIFES-Federação contra o desmonte da educação pública e que participa de vários fóruns em defesa desta, continuará a luta pela expansão das instituições federais de ensino superior e pela melhoria da educação pública nesse país.
Diretoria do ADURN-Sindicato

Serviço Público: Administração se prepara para ampliar terceirização


Após a sanção da Lei 13.429/17, no final de março, que ficou conhecida como a Lei da Terceirização, iniciaram-se os processos para a aplicação da nova norma no mercado de trabalho. Num primeiro momento, de forma mais intensa, no setor privado, mas o governo já se prepara para utilizar a nova legislação.


Em maio, com previsão para começar a vigorar no mês de agosto, o governo editou a Instrução Normativa (IN) 5, de 2017, do Ministério do Planejamento Desenvolvimento e Gestão, que trata da contratação de serviços terceirizados na Administração Pública federal.

A IN dispõe sobre as regras, diretrizes e procedimento para a contratação de serviços sob o regime de execução indireta no âmbito da Administração Pública federal direta, autárquica e fundacional. 

Para o ministério, a IN servirá para o aprimoramento no processo de planejamento, contratação e gestão de serviços terceirizados no governo federal.

Terceirização
A aprovação do projeto de terceirização que estava em tramitação desde 1998 no Congresso Nacional apresentado na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardozo, teve como um dos aliados o próprio governo.

Os atores envolvidos optaram pelo projeto mais antigo por conta de economia processual e para evitar a trava, constante nas demais proposições em tramitação no Congresso Nacional, de proibição da terceirização na administração direta e indireta.

O projeto que saiu da Câmara dos Deputados, conhecido como PL 4.330, atualmente em tramitação no Senado Federal como PLC 30/15, determinava em seu conteúdo a proibição da terceirização na Administração Pública. 

A vedação imposta pelo projeto atrapalhou a aprovação da matéria, que ora tinha sido negociada com as centrais sindicais, mesmo ainda necessitando de ajustes. Porém, impunha à Administração Pública uma amarração na contratação de serviço terceirizado.

A nova IN revoga a anterior e busca “modernizar” a nova forma de utilização da terceirização na Administração Pública com foco em três eixos: 1) planejamento da contratação, 2) gestão do contrato e 3) seleção do fornecedor.

Vale destacar as últimas ações do governo relacionadas aos servidores, que passa pelo programa de demissão voluntária e a falta de recursos, imposta pela Emenda Constitucional (EC) 95/16, que poderá prejudicar novas contratações. A EC 95 congela os gastos públicos, em termos reais, por 20 anos.

Esse conjunto de ações poderá, em última estância, ampliar o número de terceirizados na Administração Pública.

Fonte: DIAP

Tropicalismo e desenvolvimento se mesclam em nova obra de Rafael Zincone

Foto divulgação
Jornal GGN -  Trazendo à tona o movimento que sacudiu o cenário musical nos anos 60, o  Tropicalismo, Rafael Zincone apresenta “Aqui é o fim do mundo – Tropicália e desenvolvimento dependente no Brasil”. O livro será lançado no dia 16 de agosto, quarta-feira, no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo - antiga casa do primeiro produtor musical de Caetano Veloso e de outros músicos que fizeram parte do coletivo -, em Ipanema, Rio de Janeiro. O encontro começa às 19h.
“Aqui é o fim do mundo” surge a partir do questionamento: até que ponto é possível fazer crítica social por dentro da grande indústria? É em busca de esclarecer essa questão, que o autor se desdobra entre os capítulos históricos acerca do Tropicalismo, destacando as controvérsias políticas do movimento musical e do cenário brasileiro em que se criou.
Na obra o autor ainda dialoga com as visões de Roberto Schwarz, Heloísa Buarque de Hollanda e Carlos Nelson Coutinho. Além de abordar, de maneira geral, tópicos como Economia e cultura, produção cultural e desenvolvimento econômico, estética e indústria, arte e sociedade.
O título do livro é inspirado na música de Torquato Neto cantada por Gilberto Gil, já o subtítulo deixa explícita a preocupação do autor em se pensar a Tropicália -  movimento coordenado por um grupo de músicos baianos e que completa 50 anos em 2017 -, de acordo com a inserção do Brasil no capitalismo e no mundo econômico.  
Gonzalo Aguilar, crítico literário argentino e estudioso da cultura brasileira, fala na  contracapa que “em leituras retrospectivas sobre o Tropicalismo, o componente socioeconômico cedeu frente a uma leitura cultural ansiosa por revelar mecanismos de produção simbólica”, já  Zincone faz uma leitura materialista do Tropicalismo.
“Não esperem respostas definitivas nessa leitura. Segue-se aqui um texto em liberdade. Leia e faça sua escolha”, destacou Maria Malta, professora e Pró-Reitora de Extensão do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O autor
Rafael Zincone é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre em Comunicação Social pelo programa Mídia e Cotidiano (PPGMC), da Universidade Federal Fluminense (UFF). Zincone também pesquisou história do pensamento econômico brasileiro no Instituto de Economia da UFRJ e atualmente colabora com o Grupo de Estudos sobre Comunicação Cultura e Sociedade (GRECOS) da UFF.
Serviço
Lançamento do livro "Aqui é o fim do mundo – Tropicália e desenvolvimento dependente no Brasil", de Rafael Zincone
Local: Gabinete de Leitura Guilherme Araújo
Endereço: R. Redentor, 157 - Ipanema, Rio de Janeiro - RJ, 22421-030
Quando: quarta-feira, 16 de agosto, às 19h
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Sobre o Livro
Título: Aqui é o fim do mundo – Tropicália e desenvolvimento dependente no Brasil
Autor: Rafael Zincone
Páginas: 114
Formato: 16x23
Editora: GZ

PRESIDENTE O CPC/RN, EDUARDO VASCONCELOS REUNIU-SE COM JUVENTUDE CULTURAL NA E. E. PAULO FREIRE - BAÍA FORMOSA-RN

No clic da Clara!
 Após reunião um clic para registrar momento importante da reunião
 

Ontem (1) a cidade de Baía Formosa/RN, foi uma vez palco de uma importante reunião do Centro Potiguar de Cultura com jovens que amam a cultura local e brasileira.

A reunião ocorreu a noite na Sala dos Professores da Escola Estadual PAULO FREIRE, com a presenças de jovens talentos tanto de Baía Formosa (Urbana), como da Praia de Sagi ("Rural").

Após os esclarecimentos feito pelo presidente, Eduardo Vasconcelos da importância dos jovens na luta pelo resgate da cultura popular, como a plataformas de ações que serão desencadeadas pelo CPC/RN para o resto do ano, /Eduardo destacou o evento do próximo domingo (6) em Nova Cruz, ou seja a Assembleia Geral Extraordinária que tem como principais objetivos a /Reformulação dos Estatutos, Debates do Manifesto Cultural, serão aprovados nomes de futuros vices regionais do CPC/RN.

No final da reunião foram eleitos por aclamação pelos presentes os nomes de Leonardo, Carol, Izamara e Clara para irem representar-los no evento de domingo,

Ao resgatar greve de 17, documentário traz lições aos trabalhadores

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Por Mariana Serafini
Carlos Pronzato é argentino radicado no Brasil desde os anos 80. Ao longo de sua carreira como cineasta documentou diversos episódios históricos de luta dos trabalhadores na América Latina, entre eles as revoltas contemporâneas dos mineiros da Bolívia, os panelaços e a batalha das Mães da Praça de Maio na Argentina e o movimento social no Chile.
Em sua mais recente obra, Carlos mergulhou nos bairros operários da capital paulista para resgatar a história dos trabalhadores, em sua maioria imigrantes, que iniciaram a que até hoje é considerada a maior greve geral da história do país: a greve de 1917.

Uma das participações em destaque do documentário é do especialista José Luis Del Roio
Com documentos, entrevistas e um profundo processo de pesquisa, o cineasta reconstrói este episódio marcante da luta dos trabalhadores brasileiros. A greve que começou numa fábrica têxtil com 400 operários, em poucas semanas se espalhou por São Paulo e, rapidamente, para outros estados do Brasil.
À época, os trabalhadores exigiam redução da jornada de trabalho, melhores condições dentro das fábricas, aumento dos salários, espaços de convivência, entre outras pautas justas. Passados cem anos, muitos dos direitos conquistados à época, hoje estão novamente ameaçados com a reforma trabalhista do governo de Michel Temer. O diretor é enfático ao afirmar que uma vez mais o Brasil precisa de um grande levante dos trabalhadores para evitar este retrocesso.
Leia a entrevista na íntegra: 
Carlos, sua obra é marcada por grandes registros de períodos históricos de luta dos trabalhadores. Como você se interessou e decidiu registrar a Greve dos trabalhadores de 1917 em São Paulo?

A greve de 1917 é um fato marcante para a luta dos trabalhadores no Brasil, o período em que uma serie de revoltas e greves anteriores toma corpo e explode na primeira greve geral do Brasil. Portanto, como sua pergunta sugere, não podia faltar no meu histórico a celebração deste centenário. Sendo assim, em 2016, a um ano das comemorações, decidi iniciar o projeto quando ainda não se vislumbrava a atualidade tão contundente que esta efeméride teria hoje, num momento crucial de desmonte das conquistas trabalhistas. Além do que se inscreve num processo de afirmação e eclosão do movimento operário mundial nesse ano emblemático da Revolução Russa: 1917.

Como foi o processo de pesquisa e apuração sobre a greve?

O primeiro passo foi ler toda a literatura possível sobre o tema, nacional e internacional, que tocasse o tema das grandes insurreições populares, começando pela releitura do clássico: “10 dias que abalaram o mundo” de John Reed, e, em seguida, a abordagem do contexto especificamente nacional e também materiais que situassem o episódio num plano geral. A partir dali foram muitas visitas a arquivos, centros de documentação e consultas com especialistas para dar início a escolha do elenco base que, depois, conforme o avance do processo das entrevistas, ir conformando com outros tantos, um grupo de entrevistados que pudessem dar conta dessa narrativa.

A historiadora Christina Lopreato é outro dos personagens em destaque na obra

Durante o processo de um ano de trabalho (que pela minha dinâmica e prática dentro do documentário para poder atender a diversidade de temas com os quais trabalho, é suficiente) visitei os bairros operários de São Paulo, onde, num princípio, pensávamos filmar e os instalar, mas por conta da precariedade da produção isto não foi possível. Apenas algumas das tomadas foram feitas nas vizinhanças da Fábrica Crespi e do Clube Atlético Juventus, fundado pelo próprio Conde Crespi. Foi nesta fábrica que 400 operárias iniciaram a que viria a ser a primeira greve geral do país.
Qual foi sua percepção ao visitar os bairros de São Paulo onde a greve aconteceu em 17, agora, cem anos depois?

Não deixa de me impactar, ainda hoje, ao circular pela Mooca, Brás, Belém, Ipiranga e outros bairros vizinhos, o clima de trabalho intenso e diário daquelas pessoas que construíram – e constroem – o país, submetendo-se – ainda hoje – a precárias condições de trabalho. O clima operário persiste nesses bairros – apesar da especulação imobiliária que vem deformando aquele histórico cenário -, tanto é, que me inspirou a iniciar um livro de poesias denominado Poemas Operários, que será lançado em breve. Não é todo tema que me inspira a trabalhar, durante a construção dos documentários, a experiência vivida, na literatura. Já aconteceu quando realizei filmes sobre Che Guevara, Carlos Marighella, e também sobre as insurreições bolivianas contemporâneas, ocupações dos sem-terra e urbanas…

A greve foi marcada por uma dura repressão policial, mas ao mesmo tempo, os operários conquistaram direitos trabalhistas importantes. Como você retrata este episódio na sua obra?

A repressão ocupa um bloco importante do documentário e não poderia deixar de ser já que a resposta constante do Estado e do patronato continua a mesma cem anos depois e não haverá uma interrupção nisto até que um movimento daquela magnitude e intensidade acontecer de novo no país, e todas as condições estão dadas para isso, apesar de existir tendências políticas que percebem o contrário. Os direitos sociais foram conquistados sim, e foram a base de todos os outros que vieram depois, mas muitos dos acordos que o Comitê de Jornalistas levou em frente com o Patronato naqueles turbulentos dias, não foram respeitados e muitos trabalhadores foram expulsos do país, principalmente anarquistas, além dos assassinados pela Força Pública (hoje Policia Militar) sobre os quais ainda hoje não se conhece o número exato, que estaria beirando as duas centenas apesar da história registrar apenas três mortes oficiais. No filme, através da historiadora Christina Lopreato e do pesquisador José Luiz Del Roio, trazemos à tona estas informações.

Cem anos depois, o Brasil vive um período de retrocessos. A reforma trabalhista ataca diretamente direitos conquistados graças à luta do movimento sindical organizado. Você acredita que o documentário dialoga com este período do Brasil? 
Dialoga sim, de forma absoluta. A pesar de não incluirmos cenas das recentes greves ou depoimentos de sindicalistas e militantes do mundo do trabalho da atualidade, há uma aproximação evidente entre os fatos históricos e os ataques sofridos hoje pela classe trabalhadora. E isto se percebe não só nos depoimentos e na própria narrativa artística construída com esse intuito de demostrar que as coisas não mudaram muito na relação capital/trabalho, mas também nos documentos exibidos no transcorrer do filme, como jornais e panfletos de assombrosa atualidade, o que demostra que não há respiro possível dos trabalhadores contra a exploração diária do lucro empresarial.
Torcedor do Juventus leva na pele a paixão pelo time e pela luta social
Portanto, a organização operária anarco-sindicalista (e em menor número socialista da época) de cem anos atrás, que desatou essa greve que fez tremer os alicerces do consórcio Estado/grande empresariado tem muito a dizer e ensinar hoje aos trabalhadores em geral, organizados ou não em sindicatos. Esse diálogo entre os fatos históricos e a atualidade é sempre o alvo dos documentários que pretendem permanecer no tempo, nem só como memória histórica, algo fundamental, mas também como instrumentos da luta social.
O que os trabalhadores de hoje podem aprender com os trabalhadores de 1917?
A lição principal é que uma insurreição popular, se conseguir se manter em pé durante um bom período e contar com o apoio da população em geral, não pode ser detida por força repressiva alguma, mas isto é uma construção de anos, não de apenas alguns dias ou produto de um fato eventual que propicie os acontecimentos – algo também importante, mas não apenas. Assim como a construção final da insurreição e o enfrentamento aberto com o Estado naqueles dias de junho/julho de 1917, começou com chegada dos emigrantes – principalmente italianos e em menor medida espanhóis e outras nacionalidades – que já traziam experiências da luta social europeia e o seu envolvimento com as condições locais de trabalho e com os próprios trabalhadores nacionais desde muitos anos antes, assim também os trabalhadores de hoje podem perceber a titânica obra, diria épica, que é enfrentar o monstro do capital todo dia mas sempre com um objetivo similar aos dos grevistas de 1917: a dignidade do trabalho e a construção de um mundo sem explorados nem exploradores.
E por fim, como as pessoas podem ter acesso ao documentário?

O documentário foi apresentado em pré-estreia em dez locais diferentes na cidade de São Paulo entre os dias 10 e 17 de julho, totalizando dez exibições, portanto cumprimos com essa primeira etapa de diálogo com o público nos dias do centenário, apesar de faltar alguns ajustes e principalmente confirmar os apoios finais para finalizar o filme e poder soltar “a criança” no mundo. Fora isto, em breve estaremos participando de alguns Festivais e como sempre, produzindo os DVDs para levar o debate a todos os pontos do país e mais a frente, incluir o filme em plataformas digitais.

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Para finalizar os últimos ajustes do documentário e impulsionar a distribuição, o diretor Carlos Pronzato conta com a colaboração individual de pessoas que se interessem pela pauta. Doações podem ser feitas diretamente através da seguinte conta: Banco do Brasil, agência: 0297-6, conta:70.073-8. Os sindicatos interessados em contribuir, podem entrar em contato com a produção.
Do Portal Vermelho

Arquivo Nacional corre risco de fechar após redução de verbas federais

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O Arquivo Nacional, no Centro do Rio, pode fechar as portas no mês de agosto por falta de recursos financeiros. De acordo com a instituição, o repasse de verbas feito pelo Ministério da Justiça para este ano foi reduzido em 36%, passando de R$ 22 milhões em 2016 para os atuais R$ 14 milhões.
Falta dinheiro para tudo: pagamento das contas de água, luz, gás e serviços de segurança e limpeza. A maior preocupação da equipe é com a manutenção do acervo, que guarda documentos como imagens da Família Imperial, o julgamento de Tiradentes, cartas do período colonial, arquivos da ditadura militar e papéis que comprovam a entrada e permanência de milhões de imigrantes no Brasil. No total, são 55 quilômetros de documentos e 1,8 milhão de fotografias.
“Os recursos atuais nos permitem que honremos os nossos compromissos até o mês de agosto. A Direção-Geral do Arquivo Nacional está empenhada em evitar que os serviços sejam suspensos”, afirmou o diretor-geral substituto da instituição, Diego Barbosa da Silva.
Uma reunião nesta semana poderá definir o futuro do acervo. Segundo Silva, está agendada uma reunião com membros do Ministério da Justiça e Segurança Pública para discutir a liberação de mais recursos e outros temas emergenciais, sem revelar mais detalhes.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública afirma que irá analisar caso a caso os pedidos de reforço orçamentário que se destinarem à manutenção dos serviços prestados por seus órgãos vinculados, como o Arquivo Nacional. No mês passado, a Polícia Federal passou por situação semelhante e suspendeu a confecção de novos passaportes por falta de dinheiro. O serviço foi retomado apenas no início desta semana, após 175 mil solicitações pendentes.
Cortes
Neste ano, após a determinação do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão de reduzir o orçamento do Arquivo Nacional, 25% dos funcionários terceirizados da instituição foram demitidos.
“Algumas decisões foram tomadas. Estamos reduzindo o consumo de luz elétrica por meio de diversas ações como desligar metade dos elevadores e o ar condicionado das áreas de trabalho. Assim, conseguimos garantir a climatização dos depósitos e preservamos a documentação”, explica Silva.
Atendimento
A possibilidade do fechamento ocorre justamente quando o interesse do público pelo acervo disponível cresceu. Entre 2016 e 2017, a procura por documentos do Arquivo Nacional aumentou 50%, de acordo com dados do próprio órgão. “Até este mês de julho atingimos 40 mil acessos, mesma quantia vista em todo o ano passado”, diz Silva. Ele também conta que as visitas aos sites e bases de dados na internet avançaram de 2,8 milhões em 2016 para 3,2 milhões até junho.
“Esse aumento deve-se, sobretudo, a procura de documentos que comprovam ascendência estrangeira para aquisição de dupla cidadania”, diz o diretor-geral substituto do Arquivo Nacional.
Fonte: Brasil Cultura

A mãe da sabedoria:MENININHA DO GANTOIS



Escolástica Maria da Conceição Nazaré foi o nome de batismo de Mãe Meninha do Gantois. Neta deescravos, ela nasceu em 10 de fevereiro de 1894, na cidade de Salvador. O Terreiro do Gantois foi fundado por sua bisavó, Maria Júlia da Conceição Nazaré, em 1849. O popular nome do terreiro veio do francês (belga?) que era proprietário do terreno onde o templo foi construído.

Mãe Menininha foi iniciada nos rituais pela tia Pulquéria, sua antecessora. Quando assumiu a liderança do terreiro, escolhida pelos orixás, ainda não tinha 30 anos completos e, inicialmente, sua juventude não foi bem vista pelos adeptos mais antigos. Porém, com sua doçura, carisma e diplomacia, Mãe Menininha mudou esta situação. Nos mais de 60 anos em que liderou o Terreiro do Gantois, como relações públicas de sua religião, sempre se mostrou disponível para explicar o candomblé a quem se interessasse. Além disso, sempre teve um ótimo relacionamento com governantes, artistas e intelectuais e também conquistou o respeito de líderes de outros terreiros e até de sacerdotes católicos.

Filha de Oxum, a divindade que vive nas águas doces, controla a fecundidade e, portanto, a própria vida. Como sempre acontece com as filhas de Oxum, Mãe Menininha irradiava doçura e beleza, mas também conseguia equilibrar de uma forma perfeita a generosidade, sem deixar de ser enérgica, e a sabedoria, sem ser arrogante. Desde muito cedo ela entregou-se totalmente aos encantados e foi abençoada por eles. A sua neta Mônica Millet descreve um sonho recorrente durante a vida de Mãe Menininha do Gantois:

Uma pequena garota de cabelos cacheados e loiros vinha chamá-la para brincar. Ela aceitava e as duas iam juntas para a praia. O o brinquedo era sempre o mesmo: os búzios. Acho que era a forma de Oxum, de Olodumaré transmitir a ela o conhecimento do jogo dos búzios.

Bisneta, sobrinha e filha de ialorixás, Mãe Menininha conduziu durante 64 anos os destinos do Gantois, que chegou a ser o terreiro de candomblé mais respeitado do país. Nascida no século XIX, ela cresceu entre os homens e mulheres africanas que criaram o candomblé no Brasil, aprendendo com eles os antigos costumes, os rituais e a língua iorubá. Precisou de coragem e diplomacia para fazer o seu terreiro sobreviver à perseguição policial aos cultos afros que vigorou até o início do século XX. Até que, gradativamente, viu a 

sua religião ser aceita e até despertar curiosidade entre pessoas de todos os cantos. A dificuldade, então, passou a ser continuar sendo receptiva com quem a procurasse, sem permitir a exploração do que, para ela, era sagrado.

Como ialorixá, ela enfrentou o preconceito que a sociedade tinha em relação aos adeptos do candomblé. Não havia liberdade de culto e os terreiros eram freqüentemente invadidos pela polícia, sofrendo muitas perseguições e violência. Na década de 30, a Lei de Jogos e Costumes era mais tolerante ao candomblé, mas ainda assim as festas só podiam ser realizadas em determinados horários e mediante autorização por escrito. A situação só mudaria em 1976, quando o então governador da Bahia, Roberto Santos, sancionou um decreto liberando as casas de candomblé da obtenção de licença e do pagamento de taxas à delegacia de Jogos e Costumes.

Mãe Menininha do Gantois foi a ialorixá mais famosa do país. Sob seu comando, o Terreiro do Gantois logo se tornou um dos mais procurados e respeitados da Bahia. Para muitos pesquisadores, a popularidade e o reconhecimento que Mãe Menininha alcançou foram de fundamental importância para aumentar a aceitação 

do candomblé na sociedade.Casou-se com o advogado Álvaro McDowell de Oliveira, descendente de ingleses, e com ele teve duas filhas, Carmem e Cleusa, que a sucedeu no terreiro.

Diplomática- Na superfície, uma calma profunda, só interrompida por turbulências inesperadas, mas sempre temporárias. Como resultado dessa alternância entre paz e movimento, a nutrição do mundo à sua volta. Assim é a vida de todos os rios e também foi assim a vida de Mãe Menininha de Oxum: tranqüilidade, movimento e fertilidade. Nas primeiras décadas à frente do Gantois, ela seguiu com as suas obrigações litúrgicas, cuidou do seu sustento, criou suas filhas, conviveu com o marido e, pouco a pouco, com a diplomacia que lhe fez famosa, foi ampliando seu círculo de amizades, que incluía alguns dos mais ricos e mais pobres cidadãos baianos. Uma paz que só era quebrada, em raros momentos, pela perseguição da polícia aos cultos afros.Mãe Menininha recebeu muitos títulos, homenagens e medalhas. Uma das que mais gostava era a dos Filhos de Gandhy, que a nomearam madrinha do afoxé. Em 1972, Dorival Caymmi 
compôs a famosa música Oração a Mãe Menininha, que trazia os versos: "A beleza do mundo, hein? Tá no Gantois./ E a mão da doçura, hein? Tá no Gantois./ O consolo da gente, ai. Tá no Gantois.../ Ai, minha mãe. Minha Mãe Menininha".

-Naquele tempo, a Federação era um bairro distante, quase rural. Ao ponto de termos, nós, e também vários vizinhos, estábulo, na roça, para o leite cotidiano. Eram poucas, muito poucas, as casas, todas dentro de largos terrenos. Na ladeira que ia para o segundo Arco, ficava o Gantois. Lá morava uma senhora de porte realmente majestoso, a quem nós, garotos, de acordo com as regras da boa educação, tomávamos “a benção”. Eu dizia: “A benção, dona Escolástica”.
O resto do caminho era chão pisado, mato e muita lama, quando chovia – acrescenta o jornalista Guilherme 
Simões, que ia sempre visitar os primos numa casa ali perto.

- O barracão principal do terreiro, que despertava o interesse das crianças da vizinhança tanto quanto o pé de carambola, era muito simples.

-Para os olhos era apenas uma desconexa construção de barro, tendo acima da porta de entrada um chifre de boi, descorado pelo tempo, sobre dois facões cruzados, símbolos do deus da caça Oxóce (sic), protetor do templo. Não parecia uma casa de devoção; mas o esplendor de Pulchéria lhe conferia importância para todos os entendidos – descreveu a antropóloga Ruth Landes, em 1938.

Apesar da simplicidade, o terreiro já era procurado por muita gente. Em tempos de festas, autoridades apareciam por lá, com dificuldade, lembra Cid Teixeira.

- Jorge Amado, Antônio Carlos Magalhães, Vinícius de Moraes, Maria Bethânia e Caetano Veloso 
eram algumas das inúmeras personalidades que se aconselhavam com Mãe Menininha. Em 1994, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos lançou um selo comemorativo para marcar o centenário de seu nascimento".

Mãe Menininha morreu em 13 de agosto de 1986, aos 92 anos, na cidade de Salvador.

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.
Fonte:https://historiasdopovonegro.wordpress.com/