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Fiquem ligados nas ondas da Rádio Agreste FM - 107.5 - NOVA CRUZ, RIO GRANDE DO NORTE, todos os sábados: Programa "30 MINUTOS COM CULTU...

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP)

Acervo Iphan
 
Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP) tem atuação nacional e sua missão consiste na pesquisa, documentação, difusão e execução de políticas públicas de preservação e valorização dos mais diversos processos e expressões da cultura popular. Sua estrutura abriga: o Museu de Folclore Edison Carneiro, a Biblioteca Amadeu Amaral e os setores de Pesquisa e de Difusão Cultural, além da área administrativa. 
Criado em 1958 e vinculado ao Iphan desde 2003, o Centro atua em diferentes perspectivas com o objetivo de atender as demandas sociais que se colocam no campo da cultura popular. Entre suas principais ações destacam-se os projetos de fomento da cultura popular, desenvolvidos pelo Programa de Promoção do Artesanato de Tradição Cultural (Promoart) e Sala do Artista Popular (SAP); programas de estímulo à pesquisa, como o Concurso Sílvio Romero de monografias, o Etnodoc (edital de filmes etnográficos), o Dedo de Prosa (fórum de debates) e o Projeto Memórias dos Estudos de Folclore.
Na área de difusão e formação de público, destacam-se o programa de exposições, o programa educativo, o Curso Livre de Folclore e Cultura Popular e os programas de edições e intercâmbio. E na área de documentação, o tratamento, atualização e disponibilização dos acervos museológico (14 mil objetos – MFEC), bibliográfico e sonoro-visual (300 mil documentos – BAA), parte deles disponibilizada em suas coleções digitais.
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Diversidade Etnocídio No Festival de Berlim, indígenas lançam manifesto contra intolerância

Ex-Pajé
Dirigido por Luiz Bolognesi, "Ex-Pajé" foi produzido por Laís Bodanzky e os irmãos Caio e Fabiano Gullane
O documento foi lido após a exibição do documentário “Ex-Pajé”, de Luiz Bolognesi, sobre a evangelização de povos indígenas.

A magia da floresta veio para o frio de Berlim, e junto com a magia vieram também o drama da violência do etnocídio, do proselitismo religioso e da destruição da Amazônia. Foi exibido no sábado 17 de fevereiro, na sessão Panorama do Festival de Cinema de Berlim, o filme Ex-Pajé, de Luiz Bolognesi, produzido por Laís Bodanzky e os irmãos Caio e Fabiano Gullane (time que volta a Berlinale depois do sucesso de Como Nossos Pais, de Laís, ano passado), um belíssimo documentário que mostra a violência do etnocídio dos povos indígenas no Brasil.

O filme acompanha Perpera, um antigo xamã do povo Paiter-Suruí que foi convertido ao evangelismo, tendo que abandonar não só os poderes espirituais, como toda a transmissão de conhecimento ligada as práticas xamãnicas. Estavam junto na sessão em Berlim os indígenas Ubiratã e Kabena Suruí, mãe e filho — Perpera permaneceu no Brasil por não viajar de avião. Após a sessão, o diretor Bolognesi leu um manifesto contra o etnocídio escrito por lideranças indígenas, que reproduzo na íntegra abaixo.
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Através do cotidiano dos Paiter-Suruí, da juventude, como o jovem líder Bira, e uma fotografia belíssima da Amazônia que se esconde atrás do desmatamento e uma linguagem poética, o documentário ganhou uma critica elogiosa da revista Variety e merece provocar um debate sobre o etnocídio e o proselitismo.
Eu disse ao Perpera que queria filmar o seu dia-a-dia, porque o pajé é uma figura central na vida do povo Paiter-Suruí, e ele tinha essa importância. A igreja evangélica está lá e foi filmada com respeito; não quisemos fazer nenhum julgamento de valor”, disse Bolognesi.
Os Paiter-Suruí foram contatados pelo sertanista Chico Meireles e seu filho, Apoena, em setembro de 1969. Nos anos seguintes ao contato, suas terras passaram a ser loteadas ilegalmente pelo Incra, que incentivava a invasão, e também objeto de grilagem, exploração de madeira e garimpo. Junto desse saque pirata e violento, veio junto epidemias mortais que levaram centenas, talvez milhares, de indígenas.
Evangelizado
Perpera, antigo xamã do povo Paiter-Suruí, foi convertido ao evangelismo (Divulgação)
Enfraquecidos pelas epidemias, com os territórios invadidos, também suas almas foram objeto de cobiça, com a invasão de missões evangélicas. A conversão forçada, o proselitismo colonial, o uso de ferramentas e remédios para a conquista de almas e outras barbáries infernais produzidas por missionários contra o povo indígena.
Tiveram também importantes aliados entre os brancos, como a antropóloga Betty Mindlin, o linguista Denny Moore, o sertanista Apoena Meireles, que foi até o fim de sua vida, assassinado em 2004, um fiel defensor dos Suruí.
Perpera nasceu antes desse furacão do contato com o mundo dos brancos e a invasão do espírito do capitalismo. Tinha aproximadamente 20 anos no encontro com Apoena e Chico Meireles. E, portanto, uma formação de vida de seu povo, conhecimento do universo Paiter-Suruí e o convívio e o contato com os espíritos da floresta. Ainda criança, depois de quase morrer por uma doença, Perpera teve sonhos que não deixaram dúvidas de que ele era um uãuã — pajé, na língua tupi Paiter-Suruí. A conversão faz esvaziar de sentido todo esse conhecimento, essa outra relação com o planeta e a forma de viver e habitar o mundo.
O caso de Perpera não é um caso isolado, e após ver o filme, Cristine Tekuá e Carlos Papá Mirim Poty lideraram um manifesto, a reunir as principais organizações e líderes indígenas do país, incluindo o celebre xamã yanomami Davi Kopenawa, autor do extraordinário livro A Queda do Céu (Cia. das Letras, 2015). No manifesto, denunciam a intolerância religiosa, que é crescente e ataca não apenas os povos indígenas, mas os povos de santo, de terreiro, candomblé, umbanda, macumba, comunidades quilombolas, sertanejas. A intolerância agride a possibilidade do convívio, como dizem os indígenas no manifesto abaixo: “Precisamos superar a impossibilidade de conviver em igualdade nas nossas diferenças, e passar a partilhar o mundo”. Ao invés de ex-pajés, como Perpera, que possa o mundo ter no futuro“mais pajés”.
Berlim
Equipe do filme 'Ex-Pajé' no Festival de Berlim (Divulgação)
Manifesto dos Povos e Lideranças Indígenas do Brasil
Mais pajés, menos intolerância
Mais pajés, mais Céu, mais espíritos, mais floresta, mais vida. Menos ódio. Menos intolerância. Menos racismo. Precisamos superar a impossibilidade de conviver em igualdade nas nossas diferenças, e passar a partilhar o mundo com outros seres vivos, outros viventes, viver e se olhar e se reconhecer no olhar do outro, com reciprocidade, com respeito aos humanos e respeito também aos não-humanos, uns ao lado dos outros, vivendo juntos em nossas diferenças. Existe apenas um planeta, e todos podemos viver nele, livres do peso do racismo e do sexismo. Existem muitos mundos que convivem nas diferentes formas de habitar este planeta.
Durante muitos séculos, os pajés equilibram a vida na Terra. Com seus cantos, rezas, curas e sabedoria, massageiam o Planeta proferindo lindas palavras, as mais belas palavras sagradas. São médicas e médicos, rezadoras e rezadores, curandeiras e curandeiros, sabedores do mundo, com suas próprias ciências e sua filosofia.
Em nome de um deus, homens missionários agrediram nos últimos séculos muitas outras formas de vida. Se nos anos 1970 a própria Igreja admitiu sua violência catequista, esse processo não arrefeceu. Assistimos hoje ao crescimento de novas cruzadas de intolerância, sobretudo de missões protestantes. Se aliam com os inimigos dos povos indígenas para deles extraírem suas almas. O etnocídio que visa esvaziar todos os corpos de suas espiritualidades. O genocídio matou os povos em seus corpos físicos e o etnocídio em seu espírito, sua essência, sua forma de viver, que é a sua cultura.
Alguns leem na Bíblia a mensagem para invadir o mundo inteiro para forçadamente pregar o evangelho para todas as criaturas, entendendo que quem não se converter irá arder no inferno que essa própria religião inventou. Essa corrida colonial provoca ainda hoje, talvez como nunca antes, uma disputa por almas que esconde poder, dinheiro, controle de territórios, mercados de almas.
Hoje atravessamos muitas crises, ecológica, econômica, política, a nossa frágil democracia foi atacada e os territórios indígenas estão sendo invadidos e saqueados. Junto com o ferro e o fogo, vem a conversão racista. Trocam as rezas pela bíblia e as medicinas por aspirinas. Epidemias de depressão provocam os maiores índices de suicídio do mundo manchando de sangue as lindas florestas do Brasil.
Os espíritos da floresta estão bravos, pedindo socorro, pois cada árvore derrubada, cada rio contaminado, faz com que desapareçam. Assim disse um sábio pajé, a floresta é um portal cristalino, e todos nós humanos precisamos dela. Se acabar a floresta, também acabará nosso espírito. Os pajés precisam existir, e para existir, precisam ser respeitados. Antes que seja tarde demais, que o mundo esteja esvaziado de espiritualidade e o Céu caia sobre nossas cabeças!
Basta de etnocídio! Mais pajés! Menos intolerâncias! 
Assinam essa carta manifesto as seguintes organizações e lideranças:
Organizações:
Associação dos Povos Indígenas do Brasil - APIB
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira -COIAB
Associação Aty Guassu Guarani Kayowá
Comissão Yvy Rupa
Conselho dos Povos Indígenas de São Paulo -CEPISP
Federação do Povo Huni Kuî do Acre - FEPHAC
Instituto Maracá
Fórum dos professores indígenas do Estado de São Paulo, FAPISP
Organização Nhandepa Guarani e Huni Kuî
Rádio Yande
Rede de Memória e Museologia Indígena
ARPIN Sul
ARPIN Sudeste
APOINME
FEPIPA 
Lideranças:
Aílton Krenak
Álvaro Tukano
Alberto Terena
Chicão Terena
Davi Yanomami Kopenawa
Daiara Tukano
Denilson Baniwa
Dinaman Tuxá
Ninawa Huni Kuî
Nara Baré
Carlos Papá Mirim Poty
Cristiane Tekuá
Genito Gomes Kayowá
Marcos Tupã
Antonio Carvalho
Júlio Garcia Karai Xiju
Nelson Ribeiro
Marcos Moreira
Mauricio da Silva Gonçalves
Sama Hani Kuî
Sônia Guajajara
Banima Hani Kuí
Davi Popygua
Joana Munduruku
Benício Pitaguary
Paulo Karai
Rosa Pitaguary
Fonte: https://www.cartacapital.com.br/diversidade/no-festival-de-berlim-indigenas-lancam-manifesto-contra-intolerancia

“Livro que trata do voluntariado na África lançado em dezembro/2017 é um sucesso! “

Etiópia
Por
 Maristela Rosa

“Enquanto eu estava no píer, tomando uma cerveja e jantando, diante de um visual impressionante, as pessoas no Brasil me mandavam mensagens perguntando se eu estava seguro, se tinha o que comer e se não tinha sido atacado por um leão”, conta  Gustavo Leutwiler Fernandez, embaixador da African Impact no Brasil, voluntário na África do Sul, em 2013, trabalhando em um hospital infantil; no Zimbábue, em 2014, atuando na Comunicação e Marketing de uma ONG voltada à preservação ambiental; e em 2016, vivendo junto à tribo Hamar, no sul da Etiópia.
Com o objetivo de compilar suas experiências neste  trabalho voluntário, Gustavo lançaçou o livro “Africanamente: o que vivi e aprendi como voluntário na África” (Autografia Editora). Para o autor, ser voluntário da oportunidade de entrar em contato com outros povos e culturas, mudar estereótipos que enclausuram – estes mesmo estereótipos que fizeram seus amigos se preocuparem tanto – e obter o autoconhecimento para encontrar propósitos de vida.
Zimbabue
No livro ele narra, por exemplo, a emoção que sentiu ao se despedir dos garotos que estavam internados no hospital onde trabalhou. “Desabei em lágrimas, desesperado porque estava indo embora. Enquanto isso, as crianças me olhavam com um misto de curiosidade e indiferença. Percebi que aquele período em que fui voluntário mudou minha vida, mas, para eles, foram dias comuns, como todos os outros. Assim como eu, centenas de outros voluntários chegam e vão embora a toda hora.”
O lançamento do livro “Africanamente: o que vivi e aprendi como voluntário na África” , com sessão de autógrafos, aconteceu no dia 7 de dezembro/2017,  no Pastucada Livraria Bar & Café – Rua Luís Murat, 40 , Pinheiros, São Paulo (SP).
Fonte: mundonegro.inf.br
Adaptado pelo CPC/RN em, 18/02/2018

Cultura negra influencia cada vez mais jovens afrodescendentes


A expressão “orgulho de ser negro” foi abolida do vocabulário de muitas pessoas por medo do preconceito. Com o passar do tempo, porém, o resgate cultural fez com que os negros assumissem a “negritude” na maneira de ser. Cada vez mais difundida entre os jovens brasileiros, a cultura afro está presente no visual, nas preferência musicais, nos estudos e na religião.
Por influência da mãe, o motoboy Calleb Augusto do Nascimento, de 22 anos, começou a se engajar no movimento negro há quatro anos. O conhecimento do mundo afro fez com que o rapaz mudasse seu estilo e assumisse suas preferências musicais, no caso, o reggae. “Fiz o rasta [penteado característico dos apreciadores do reggae] para me diferenciar, quis mostrar meu estilo black. Se você for ver, 80% dos homens negros têm cabelo rapado. Eu sou o único entre os meus amigos [que tem esse visual]”. Para ele, o negro está conseguindo conquistar o seu espaço, pois está mais “desinibido para isso”.
Cada vez mais, os jovens estão se identificando com a cultura negra. Prova disso são os dados do Censo 2010, divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrando que os jovens brasileiros entre 15 e 24 anos se declaram pretos e pardos mais do que os adultos. De 34 milhões de jovens nessa faixa de idade, 18,5 milhões se autodeclararam pretos e pardos. Dentre os adultos, 54 milhões dos 107 milhões dessa faixa etária (25 a 59 anos) se disseram pretos ou pardos.
De acordo com o sociólogo e professor do Decanato de Extensão Universitária da Universidade de Brasília (UnB) Ivair Augusto Alves dos Santos, o movimento de resgate cultural negro começou na década de 1950. “Em 1970, a mudança foi física, ou seja, na aparência, com o movimento Black Power. Na década de 2000, a mudança é política e envolve o debate de ações afirmativas.”
Santos atribui esse movimento impulsionado pela juventude às transformações tecnológicas, uma vez que os jovens negros de hoje têm mais possibilidades. “Se compararmos as possibilidades, vemos que são maiores. Você tem grupos de música que conseguem atingir grandes massas, tem mais informações também.”
A cabeleireira Rosemeire de Oliveira, de 32 anos, aponta uma mudança de mentalidade no país, lembrando que, antigamente, ninguém falava sobre “o que é ser negro”. Ela trabalha em um salão afro de Brasília há 12 anos. A maioria dos clientes, segundo ela, são os jovens. “Teve uma época que ser negro era moda. Agora, os negros realmente estão se assumindo e aprendendo a se gostar mais.”
A trança de raiz

A trança de raiz é o penteado mais popular no salão de Rosemeire. embora também haja procura por alisamento. “Tem gente que alisa o cabelo porque gosta, mas tem outras que o fazem porque o trabalho impõe ou para se sentirem mais iguais às outras pessoas. Essas ainda não se assumiram”, disse a cabeleireira.
Cliente de Rosemeire desde criança, a estudante Brenda Araújo Soares Alexandrino de Souza, de 14 anos,  usa tranças no cabelo desde os 3 anos. “Tinha cabelo volumoso e minha mãe fazia as tranças. Minhas amigas gostam, admiram e estão pensando em fazer.”
A adolescente, que faz aniversário hoje (20), Dia da Consciência Negra, acredita que as pessoas estão se identificando mais com a cultura. “Antigamente, não tinham coragem de se mostrar por causa do preconceito. Eu não tenho medo disso.”
Percussão
O percussionista baiano Ubiratã Jesus do Nascimento, de 40 anos, conhecido como Biradjham, cresceu envolvido com a cultura negra. Há 25 anos trabalha com música e já tocou com bandas famosas da Bahia.

Adepto do candomblé, Biradjham diz que os negros têm mais liberdade atualmente. “O movimento está mais forte. A mudança cultural vem de muito tempo, mas hoje tem mais força”.

Fonte: AB - com:  mundonegro.inf.br

“Pantera Negra” vai muito além de um herói negro

Já sabe, né? Se for curtir o filme, não esquece de levar a carteirinha da UBES com você.
O lançamento do “Pantera Negra” nas telonas tem sido muito comentado nas redes sociais e veículos de comunicação do mundo todo. E com o final de semana chegando, curtir um bom filme com a meia entrada estudantil é uma ótima opção.
Pantera Negra é um filme totalmente baseado em personagens negros. A produção tem sido aclamada pelo público devido a essa abordagem diferenciada em comparação a outros filmes que abordam a temática racial.
À UBES, Pedro Borges, jornalista e co-fundador da Alma Preta, agência de jornalismo especializada na temática racial do Brasil, comenta que a mídia sempre representou o negro de uma maneira bastante estereotipada: “Ao longo da história, o negro é representado com uma imagem sexualizada ou animalizada, fortalecendo o imaginário da criminalidade”.
Para Borges, essa comunicação sempre teve o papel de naturalizar esse que é colocado como o papel do negro na sociedade e serve como uma forma de manutenção do racismo e da população negra na base da sociedade e nos espaços mais vulneráveis, além de favorecer a sustentação de uma política de estado que reforça as desigualdades.
Composto por cinco nigerianas e com um elenco majoritariamente negro, o filme retrata uma cultura negra fortalecida, apresenta personagens femininas negras com atuação forte e aborda o “afrofuturismo” com o reino fictício de Wakanda que, na trama, é uma potência em tecnologia.
A trilha sonora do filme é composta por grandes artistas da música negra e aqui, no Brasil, o rapper Emicida foi o escolhido para se encarregar da música tema de Pantera Negra.
“As propostas de comunicação que representem o negro de uma maneira positiva e, sobretudo, para além destes estereótipos, é extremamente rica e importante para a construção de uma sociedade mais democrática”, enfatiza Pedro.
Que tal aproveitar o final de semana com ela, sua carteirinha da UBES, prestigiando a cultura e o cinema?
Se você ainda não tem, acesse o site do Documento do Estudante e solicite já o seu: www.documentodoestudante.com.br

Por Aline Campos

Baby do Brasil é a convidada do Notas Contemporâneas do MIS em fevereiro

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Para abrir a agenda 2018 do programa Notas Contemporâneas, o MIS, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, convidou a cantora e compositora Baby do Brasil. A artista participa de um bate-papo sobre sua carreira, mediado pelo jornalista Cadão Volpato, enquanto a Banda MIS interpreta seus grandes sucessos no palco. O público presente também poderá interagir e enviar perguntas a Baby durante o encontro.
Com curadoria de Cleber Papa, o Notas Contemporâneas será no dia 21 de fevereiro, quarta-feira, às 20h00, no Auditório MIS (172 lugares). O ingresso, gratuito, deve ser retirado com uma de antecedência na bilheteria do Museu.
Sobre a artista


Baby do Brasil ganhou notoriedade nacional e internacional na década de 70 com o grupo Novos Baianos – fundado por ela, Moraes Moreira, Galvão, Paulinho Boca de Cantor e Pepeu Gomes, uma das maiores influências da MPB. Hoje, Baby continua muito bem acompanhada no palco. Sua nova banda traz nomes de peso com o renomado Frank Solari na guitarra, o lendário baterista Jorginho Gomes, os talentosíssimos André Gomes no baixo, Dudu Trentin nos teclados, e o guitarrista e violonista Daniel Santiago.
Sobre o Programa Notas Contemporâneas
O projeto mensal, com curadoria de Cleber Papa, registra depoimentos de compositores e intérpretes icônicos da música popular brasileira. O programa se divide em duas etapas: a primeira é composta de um longo depoimento realizado em estúdio com a pesquisadora Rosana Caramaschi, que passa a integrar o acervo do MIS; a segunda é ao vivo no palco do auditório do museu com mediação do jornalista Cadão Volpato, acompanhado da Banda MIS que faz releituras inéditas e exclusivas dos maiores sucessos do homenageado. A entrada é livre e os fãs dos artistas muito bem-vindos, o público pode participar fazendo perguntas que serão selecionadas pelo museu e, assim, integram o roteiro da noite.

Serviço

NOTAS CONTEMPORÂNEAS | Baby do Brasil
DATA 21.02, quarta-feira
HORÁRIO 20h00
LOCAL  Auditório MIS (172 lugares)
INGRESSO Gratuito (sujeito à lotação da sala – retirada de ingressos com uma hora de antecedência na Recepção MIS)
Foto: Baby do Brasil – Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Chama sem pavio: uma história de quem não se cansa da rebeldia – Por Lorena Alves

lorenatexto

Lembro das aulas do meu ensino fundamental. Sinto saudade daqueles intervalos, ou recreios – como alguns chamam – em que cantava Titãs com as minhas amigas. Hoje, na faculdade, ainda canto a música “Televisão”, na voz da mesma banda que fez muito sucesso na cena do rock nacional. No fusca do meu pai também cantávamos aqueles versos: “Que tudo que a antena captar meu coração captura”, essa lembrança fará mais sentido daqui algumas linhas. No caminho para escola esboçava algumas ideias para o futuro e sempre com uma música na cabeça.
Parece que eu tinha tempo para pensar um pouco mais nos pequenos prazeres da vida. Na volta do colégio eu só me preocupava com o almoço e em ler um SMS amoroso… Mais tempo ou um tempo aproveitado de maneira diferente do que tenho hoje. A música “Comida”, da banda ícone dos anos 80 e dos meus 12, 13, 14, 15, opa, 18 anos, fazem cada vez mais sentido. Sigo querendo a vida como ela é. Não quero só dinheiro, mas agora de fato preciso de dinheiro. “A gente quer inteiro e não pela metade” eu cantava esse verso, analisava, entendia, mas não sentia como hoje sinto: como membro da família Vital, que luta para ter mais que o mínimo – desejo, necessidade, vontade. Nada com comodismo, nada com tempo de sobra. O capitalismo nos tirou quase tudo. A força não há quem tire.
Meus pais, eu e minhas irmãs, não passamos um dia sem bater de cara com as dificuldades de sermos pobres e desempregados. Um dos sonhos que martela em nossas cabeças é de passarmos do passo da necessidade para pensar na vontade e desejo. A situação financeira causa uma preocupação em outras proporções comparada com as de entregar um trabalho acadêmico, por exemplo. O medo dos meus pais é de faltar comida e dinheiro para manter as filhas estudando. Pensar nas necessidades é sobre chegar em casa e ouvir que seu pai está com os braços doendo do peso que carregou o dia todo para pagar um boleto no fim do dia. É saber que todo o trabalho braçal parece sem fim. É ouvir da mãe que o dinheiro tem um valor maior do que eu realmente imaginava que tinha enquanto voltava para casa nos brilhos dos meus 12 anos.
Às vezes minha bolha, nas redes sociais, fala que temos que aproveitar para viajar, tirar um tempo para descansar e não fazer necessariamente uma faculdade ou trabalhar. Aqui, na casa da família Vital, é preciso trabalhar o mais cedo que puder e correr para juntar um dinheirinho para comprar, por exemplo, uma máquina de lavar que não faça sua mãe sofrer tanto com as dores nas mãos e nos ombros.
Trabalhar, muitas vezes, significa ter o mínimo para minimizar as dores. Cresci tendo como inspiração quem rala duro. Mas não tendo a meritocracia como princípio, e sim a rebeldia. Ser rebelde é lutar pelo justo, é por vezes andar com a cara de cansaço e de repente dar um sorriso para fugir da cara da fome. Quando paramos para analisar em que pé estamos, veremos algumas cenas de felicidade: uma filha formada, um pão a mais na mesa, um elogio pela limpeza da máquina do companheiro de trabalho. Não enxergo a minha família como um elemento único, mas membro de uma série em cadeia de muitas famílias com os mesmos problemas que a nossa. O pobre não é único e não se pode dar ao luxo de pensar em ser. O rico quer um tempo para ele, enquanto o capitalismo afeta o tempo de quem não tem tempo para pensar no que se perde, mas reproduz um sistema que não quer saber da massa e sim do que a massa produz.
“Os sonhos não envelhecem”, como disse Milton Nascimento. Concordo que eles não envelhecem, porém eles se transfiguram, são adiados, reinventados, até chegar a cada pequena vitória. O sorriso do meu pai, admirado pela dedicação das filhas aos estudos é um sonho não envelhecido, tão pouco finalizado. O sonho é a continuação da persistência de um mundo mais justo e igualitário.
Nossa mãe, minha, de Catarina e Rafaela, sorri ao ver a caçula chegar da escola com a camiseta da UBES, e falar que conseguiu montar o grêmio no colégio. Eu sorri ao ver minha irmã, secundarista, tendo a consciência da responsabilidade de ser uma delegada representando a escola da periferia de Osasco. Rafaela, nossa irmã mais velha, entregou o TCC essa semana, com os olhos cheios de lágrimas deu a notícia hoje para o nosso velho: ela foi aprovada na faculdade. Rafa será a professora de História, marxista da quebrada, ainda mais querida pelos alunos, não só do cursinho popular que leciona atualmente.
Bem, eu, sigo acreditando no movimento estudantil e em suas reconfigurações. Tem gente que não vê significado em um centro acadêmico, diretório, DCE… Há quem ache que nada muda. Há quem acredite que ninguém faz nada para mudar. Eu acredito que a força de um estudante ultrapassa qualquer descrença e ausência de apoio. A batalha é mais árdua, mas não é impossível. Ser combativo é um desafio necessário.
Nem toda essa história deslumbrada pelos movimentos sociais e estudantis pode fazer sentido para quem está lendo. Essas linhas contam uma versão de uma identificação com a luta pela unidade popular.
Atualmente quando eu volto do serviço, no trem lotado, percebo que estou sempre ligada as minhas memórias e bandeiras. Ir a um ato para quem é da periferia, com as nossas pautas, tem um significado muito maior do que para o rico de esquerda que não teve dificuldade alguma para se locomover para o centro, onde a manifestação costuma ser realizada. Aqui, a gente costuma comemorar quando o ato é na viela de cima, quando a reunião feminista é na casa da colega da favela e torcemos para que os companheiros do centro da cidade consigam nos visitar, aliás, são forças que se somam. Às vezes parece que a esquerda dos ricos nem sempre se preocupa em ajudar quem não consegue se deslocar, mas tem sua presença confirmada em todas as manifestações no centro da cidade. Às vezes é apenas uma disputa de ego entre as turmas para ver quem grita mais. Nossa bandeira é hasteada cada dia em todos os momentos que exigem sermos quem somos. A vida nos exige mais do que disputa por imagem. Somos a própria disputa por narrativa.
Necessidade é a palavra. Lembro da minha aula de História no oitavo ano, uma sala de 44 estudantes, em que analisamos a música “Comida”, da banda Titãs. O que me reafirmo cada dia mais é que, assim como na letra da canção, sigo querendo o inteiro e não a metade. Nossa família quer o direito de ter vontade. O direito a falar que quer tirar um ano para descansar das condições desumanas de trabalho. Queremos ter a “ousadia” de poder falar que trabalhamos em situações precárias e exigir o mínimo de como tem que ser.
Você tem sede de quê? Você tem fome de quê? Você tem medo de quê?
O meu único medo é de morrer calada e sem memória. Comecei a estudar jornalismo há um ano e uma das primeiras coisas que me falaram é que jornalista não transforma o mundo. Talvez a gente não consiga mesmo transformá-lo, porém podemos encorajar quem lê, escuta, assiste… A provar um pouco de novos (velhos) mundos.
Ser comunicador é sentir e pensar mais no outro do que em você. Ocupar espaços e resistir na comunicação é contato, por o pé na rua e olhar na cara de quem está entrevistando. Há quem extrapole nisso e há quem se esqueça do outro por simples escolha. Colocar o rico na favela com algumas linhas é difícil, porque nada substitui o pé no baile funk, a sensação de dormir numa ocupação ou soltar pipa na laje. Não escrevemos para gaveta, escrever é um dos atos de pensar que o próximo pode querer vivenciar aquilo e lutar por transformação.
A gente não quer só o pão na mesa, a gente quer a vida de escolhas que os outros dizem por aí. A gente quer o passe livre para ter o acesso à cultura que os outros dizem por aí. Queremos frequentar o centro da inspiração, da criatividade, do teatro, que mostram as fotos por aí. A gente quer viver o que vê. Queremos ser o que dizemos que queremos ser.
O capitalismo minimiza o ser humano. Reduz suas habilidades e pressiona o que há de melhor em você. A resistência é diária e precisa da força de cada militante. Há dias que você se cansa e quer fugir. Há dias que você quer gritar e responder a altura dos absurdos que são direcionados a você. Há dias que o cansaço te puxa e quase convence que as coisas que você faz não valem à pena. A luta é diária e presente. Ela nunca pensa em sumir e sair de quem tem um coração rebelde pelo justo e popular.
Temos que ter mais tempo não só para os descansos dos ricos, mas para intervir na briga “de marido e mulher”, no corredor que separa a minha casa e da família Baptista. Batalhamos para dormir razoavelmente melhor, para sorrir mais e bufar menos no dia seguinte. Luto para arranjar um tempo, com menos caos, para escrever essas linhas. Ser estudante pobre é resistir dentro e fora da universidade. A antena capta informações, o jornalista captura histórias, mas meu coração e toda família Vital capturaram muito antes qualquer tipo de sensação que finge incorporar nos programas de sensibilização barata. Não precisamos de pessoas como Luciano Hulk, precisamos de gente com desejo de mudança e vontade de verdade. A antena captou muitas imagens nesses últimos anos. Nosso coração foi e é capturado pelas mídias em muitos momentos de nossas vidas, mas ainda preferimos a rebeldia presencial por nossos direitos. Os sonhos estão latentes como há anos atrás.
Músicas: “Televisão” dos Titãs, disco: “Televisão” (1985)
“Comida” – dos Titãs, disco: “Jesus não Tem Dentes no País dos Banguelas” (1987)
Foto de destaque: Karla Boughoff

Globo apoia a Beija-Flor, mas Tuiuti tem a força do povo: algo soa familiar? Por Joaquim de Carvalho

Tuiuti x Beija Flor: Tuiuti mostrou a causa dos nossos problemas, Beija Flor, as consequências
Por
 Joaquim de Carvalho
O Carnaval do Rio em 2018 já entrou para a história, mas o último capítulo desta jornada será escrito com a divulgação do resultado do júri, nesta quarta-feira.
Duas visões de mundo foram expostas nos desfiles deste ano e uma delas deve prevalecer, com o resultado das notas dos jurados.
Não significa que uma dessas duas escolas vá vencer, mas há uma disputa implícita entre a Paraíso do Tuiuti e a Beija-Flor de Nilópolis.
Não é uma questão técnica apenas, é uma questão política.
E é impossível dissociar o samba da política, não da política partidária, menor, mas daquela que define a relação entre as pessoas num território.
O samba trata do cotidiano, em geral das pessoas do morro, o morro que foi ocupado como resultado de um processo multissecular de exclusão social.
A arte do Carnaval está lá, desde sempre. Mas se encontra também em outras comunidades de excluídos.
Nesta Carnaval de 2018, de um lado, a Beija-Flor, se destacou pela apresentação com um enredo que poderia ser escrito por um editor do Globo, com alegorias que remetem à corrupção.
Ratos correndo com malas de dinheiro, o prédio da Petrobras em ruína, crianças abandonadas, miséria.
Como se todas essas mazelas fosse resultado da corrupção política exclusivamente.
É o roteiro da Lava Jato.
A Paraíso do Tuiuti, de outro lado, se destacou por apresentar a causa desse estado de coisas. Foi mais profunda, foi mais inteligente, foi intelectualmente mais sofisticada.
A escola, novata entre as grandes, retratou a escravidão, mas não como uma página virada da história do Brasil.
A escravidão que ecoa nos dias de hoje, através da ação uma elite insensível, gananciosa, mistificadora, manipuladora e sanguinária.
É o roteiro daqueles que denunciam a Lava Jato como um instrumento de afirmação de classe,  da classe dos que mandam, daqueles que estão acima da política institucional.
Jack Vasconcelos, o carnavalesco, mostrou que o golpe que tirou Dilma Rousseff do poder é resultado direto da mesma correlação de forças que fez do Brasil o último país a abolir a escravidão nas Américas.
Abolição que não se seguiu da necessária política compensatória, como aconteceu nos Estados Unidos no século XIX e aqui, só a partir de 2003, ainda que timidamente, no governo do PT.
Jack Vasconcelos criou os manifestoches, brasileiros manipulados a ponto de se apropriarem de símbolos que não lhe são exclusivos, como a camisa da Seleção Brasileira, ou que não lhe pertencem, como o bater de panelas, próprio de quem passa fome.
Manifestoches manipulados por uma mão grande, que pode ser a Globo, mas não só. Refere-se a todos os donos do poder.
Carteira de trabalhado queimada não é uma crítica à falta de trabalho regular, que obriga o brasileiro ao trabalho informal, como mentiu o jornalismo da Globo, ao descrever o desfile.
Foi uma alegoria que denuncia a extinção dos direitos, resultado da reforma trabalhista e da terceirização irrestrita, ambas frutos de uma intensa e antiga pressão dos donos da Globo.
A Tuiuti mostrou que a raiz dos nossos problemas está na desigualdade social, que se ampliou com o golpe e deve se ampliar ainda mais se o golpe não for contido.
A Beija-Flor mostrou o peso dos impostos na vida dos brasileiros, fazendo eco ao MBL, que não contam que quem paga imposto no Brasil é pobre, porque rico ou sonega, ou não é tributado.
O pobre, quando compra uma aspirina, paga imposto.
Para manter este estado de coisas é que se move a máquina da corrupção.
Tem, a  propósito, uma afiliada da Globo, a RBS, flagrada na Operação Zelotes, o raio x dos senadores, sem que até agora tenha sido incomodada pela Justiça.
Os donos da Globo foram denunciados por crime contra a ordem tributária, num processo da Receita Federal que descobriu sonegação milionária na aquisição dos direitos de transmissão da Copa de 2002.
O processo desapareceu da Receita Federal na véspera da denúncia ser enviada ao Ministério Público Federal.
Uma neta de Roberto Marinho teve seu nome encontrado na papelada do escritório brasileiro da Mossack Fonseca, que tinha uma única atividade: abrir as portas dos paraísos fiscais para a lavagem de dinheiro ou ocultação de patrimônio.
É um braço do escândalo mundial Panamá Papers, mas nada aconteceu com Paula Marinho, a neta de Roberto Marinho.
A mesma neta usufruiu durante muitos anos de um imóvel construído ilegalmente numa área de proteção ambiental em Parati.
O processo é antigo, tem mais de seis anos, e até agora a Justiça não conseguiu tomar o depoimento de uma mulher que é a laranja dos verdadeiros proprietários.
Essa mulher, que mora no Rio de Janeiro, ignora as intimações, e a Justiça Federal não cogita condução coercitiva, nesse caso absolutamente justificável.
No escândalo da Fifa, que envolve corrupção grossa, a Globo até agora se safa, como bagre ensaboado na mão de um pescador.
Seu diretor envolvido nas negociações de direitos de transmissão foi abatido pelas denúncias, mas permanece de boca fechada.
A lista de suspeitas envolvendo a Globo é extensa.
Mas nesta quarta-feira, depois do resultado, se der Beija-Flor, como parece ser seu desejo  — até comentarista internacional da emissora elogiou a escola —, a Globo repetirá a ladainha — o brasileiro não tolera corrupção, etc.
O buraco é mais embaixo, e a Tuiuti mostrou onde ele começa, mas, nas relações que se tecem a partir de um grupo de comunicação, a verdade — e o mérito — é o que menos importa.
A Beija-Flor, a propósito, tem relações antigas com a família Marinho.
Seu patrono, Anísio Abraão David, presidente de honra da Beija-Flor, comprou em 2004 de Roberto Marinho o triplex de cobertura em Copacabana, onde o fundador da Globo costumava receber convidados para uma famosa festa de Reveillon.
O triplex, já em nome de Anísio, acusado de explorar jogo ilegal, foi alvo em 2011 de uma operação cinematográfica da Polícia Civil, com agentes descendo de rapel de helicóptero para cumprir mandado de busca.
Anísio, condenado a mais de 47 anos de prisão, está solto e a escola em que ele manda se sente à vontade para denunciar a corrupção na avenida, com o incentivo e o elogio da TV da família Marinho.
Já a Tuiuti, este ano, chega ao júri do Carnaval com uma única força, a do povo.
Nunca o Carnaval espelhou tanto a realidade brasileira.
Fonte: DCM

Virado Paulista é reconhecido como Patrimônio Imaterial do Estado de São Paulo

virado

O tradicional prato que protagoniza o almoço dos paulistanos às segundas-feiras agora é, oficialmente, um patrimônio. O Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Governo do Estado de São Paulo – reconheceu o famoso Virado Paulista como patrimônio cultural imaterial, de modo a preservar esta tradição e fortalecer sua importância para a história do estado.
O Virado Paulista, originalmente composto por feijão engrossado por farinha de milho ou de mandioca e toucinho de porco, marcou a formação do território nacional. Sua origem data do século XVII, na época do Brasil Colônia, como forma de alimentação nas monções e bandeiras. Durante as expedições, alimentos como o feijão, a farinha de milho, a carne-seca e o toucinho chacoalhavam e ficavam “revirados”, dando origem à iguaria. A diversidade do território paulistano também está presente na história do Virado, que carrega alimentos de origens indígenas, portuguesas, africanas e italianas. Com o tempo, ele se modificou e ganhou arroz, bisteca, torresmo, couve, ovo frito, banana e linguiça, com algumas adaptações de restaurante para restaurante.
De acordo com o parecer técnico da Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico que pautou a decisão do Condephaat, “o registro do Virado Paulista pode ampliar a visibilidade de uma característica marcante na História de São Paulo: a integração de culturas de diversas procedências, ainda que historicamente marcada por confrontos, dominações e resistências. Este prato expressa em sua composição uma demonstração da diversidade cultural característica de São Paulo”.
As justificativas do Condephaat para o reconhecimento do Virado giram em torno de sua importância nas viagens de expansão do território brasileiro. O prato agrega séculos de encontros de culturas, de tradições, de conhecimento e de prazer sensorial, que formaram a diversidade de São Paulo. Deste modo, ele pode ser considerado uma expressão da identidade cultural e da formação histórica e demográfica do estado de São Paulo e territórios vizinhos.

Sobre o registro de patrimônio imaterial

O registro imaterial foi criado por meio do decreto 57.439, de 2011, e permite o reconhecimento de manifestações culturais do Estado. Desta forma, além de proteger imóveis e bens importantes para a história do Estado, o Condephaat também pode preservar o patrimônio imaterial. O objetivo é identificar e reconhecer conhecimentos, formas de expressão, modos de fazer e viver, rituais, festas e manifestações que façam parte da cultura paulista. O primeiro registro de patrimônio imaterial do Condephaat foi realizado em janeiro de 2016, com o reconhecimento do Samba Paulista.

A presença da tradição oral na literatura para crianças

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Por Ronaldo Correia de Brito
Cascudo preocupa-se em garantir a veracidade do papiro egípcio, encontrado na Itália em 1852, e informa que o rudimento de livro para criança é um conto popular com os enredos próprios da época dos faraós, mas que também vivem nas histórias tradicionais do Brasil, apesar do tempo e da distância que os separam.
Cascudo observa que o registro das narrativas orais tem recebido menos atenção que o da poesia popular. Insiste na importância do conto popular tradicional como formador de uma memória emocional, social e antropológica. Segundo ele: “O conto é um vértice de ângulo dessa memória e dessa imaginação. A memória conserva os traços gerais, esquematizadores, o arcabouço do edifício. A imaginação modifica, ampliando pela assimilação, enxertias ou abandonos de pormenores, certos aspectos da narrativa”.
O erudito ensaio de Cascudo vale, sobretudo, por chamar atenção para o processo de construção da narrativa: a memória como arcabouço estruturante e a imaginação com seus acréscimos e transformações. Essa teoria em parte está contida em Walter Benjamin, quando ele identifica dois tipos de narradores que se complementam: O viajante, que vive a experiência lá fora no mundo, ouve histórias em suas andanças e, ao retornar à pátria, conta o que viveu, viu e ouviu. O segundo tipo de narrador é o sedentário, aquele que sem nunca sair de sua aldeia natal ouve as histórias e as experiências dos viajantes e, enquanto trabalha ou caminha, reelabora o que ouviu, subtrai, acrescenta, enxerta cores, sons, vocábulos e expressões locais e assim cria uma nova história.
O narrador sedentário reinventa formas e significados, poesia e símbolos; enxerga os ossos do que é narrado, dissecando músculos, gorduras e pele e construindo um novo corpo narrativo.
Jean-Claude Carrière, no prefácio de O Círculo dos Mentirosos, contos filosóficos do mundo inteiro, faz uma curiosa observação sobre os narradores judeus, para quem o ato de narrar é tão importante quanto a própria história. Segundo ele, “a tradição judaica pressupõe muitas vezes a existência por trás das palavras, da ordem das palavras e do próprio lugar que ocupam as letras, de uma espécie de estrutura secreta, uma mensagem colocada ali por não se sabe quem, um outro significado, o verdadeiro, como se a aparência do conto não passasse de uma máscara”.
É importante lembrar que a psicanálise fundada por um judeu, Sigmund Freud, buscou nos mitos seus significados mais secretos. Freud analisou histórias em que as civilizações se narram. Da análise dessas histórias coletivas, como a do rei Édipo, que foi reescrita por Sófocles, ele parte para a experiência da análise individual, um método em que a pessoa se narra sozinha, buscando verdades e significados que transcendem o aparente.

A importância dessas histórias que acompanham o homem desde que ele conseguiu juntar palavras em frases e frases em narrativas mais longas é narrá-lo tanto coletivamente como individualmente. No mesmo prefácio do Círculo de Mentirosos Jean- Claude Carrière relata que perguntou certa vez ao neurologista Oliver Sacks o que, a seu ver, era um homem normal. Depois de hesitar um pouco o neurologista respondeu “que um homem normal talvez fosse aquele capaz de contar a sua própria história”. E acrescenta que esse homem narrador “sabe de onde vem (tem uma origem, um passado, uma memória em ordem), sabe onde está (sua identidade) e acredita saber aonde vai (ele tem projetos e a morte no fim). Portanto, ele se situa no movimento de um relato, ele é uma história e ele pode se narrar. Caso esta relação indivíduo-história venha a se romper, por qualquer razão fisiológica ou mental, eis aí o relato partido, a história perdida, a pessoa projetada para fora do tempo. Ela não sabe mais nada, nem o que ela é, nem o que deve fazer. Ela se agarra a algumas aparências da existência. O indivíduo, aos olhos do médico, surge à deriva: “Ainda que seus mecanismos corporais funcionem, ele se perde no meio do caminho, não existe mais”.
Muito cedo me dediquei à investigação das narrativas de tradição oral e a uma coleta não sistemática de histórias, preocupado em construir uma escrita pessoal. Mais tarde, com alguns livros de ficção publicados e vários espetáculos teatrais encenados, passei a conviver com alunos de escolas públicas e particulares e a observar as dificuldades que eles tinham para desenvolver uma leitura, uma fala e uma escrita. Sobretudo nas escolas públicas, com crianças e jovens das populações chamadas de risco, esse travamento era mais evidente. A maior parte deles era incapaz de compreender e interpretar o que lia, quando sabia ler, e, o mais grave, não conseguia elaborar fios narrativos. Como médico clínico de serviços de psiquiatria para crianças e adolescentes, sei que a incoerência e fragmentação do discurso ou fala se justificam por doenças como esquizofrenia ou demência. Mas, entre jovens considerados normais, o que poderia causar essa dificuldade? Por que avançamos tão pouco na educação, mesmo quando anunciam progressos econômicos, com um aumento do consumo e do poder de compra?
Apropriando-se de contos que pertencem a todos, os jovens sem individualidade-história podem ser ajudados a se inventarem, a criar a própria história. Como é possível que alguém não consiga narrar-se, alegando que não possui uma história? O patrimônio de narrativas acumulado em milhares de anos é nossa história, ele pode ser sacado a qualquer momento, como um mágico saca um coelho de dentro de uma cartola. Somos um país predominantemente oral. No Brasil, uma das maneiras mais usuais de transmissão do conhecimento ainda é a fala, como se tivéssemos uma natural desconfiança da escrita, como se ela não se bastasse por si mesma e necessitasse do reforço da oralidade. Se analisarmos a maneira como o acervo de contos de tradição oral serviu de arcabouço para a literatura de povos de várias partes do planeta, talvez cheguemos a um método educativo que nos ajude a reverter os problemas de aprendizado da leitura e da escrita.
*Ronaldo Correia de Brito é médico e escritor
Fonte: Blog do autor