Cultura significa todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membros,. ativistas, poetas, escritores, produtores culturais, grupos culturais, violeiros, pensantes e os que admiram e lutam pela cultura potiguar. Cultura! A Cultura, VIVE e Resiste! "Blog do CPC/RN, notícias variadas na BASE DA CULTURA!
Em 1930 Getúlio Vargas assumiu o poder através de um golpe militar. No Rio Grande do Norte várias forças políticas se confrontavam para definir os novos rumos do governo.
O governador da época Juvenal Lamartine foi deposto e partir daí começou uma disputa pelo poder. A pacata cidade de Natal na época se agitou.
O macaibense já falecido João Alves de Melo presenciou esse dia, e fez este registro raro da avenida Junqueira Ayres, atual Câmara Cascudo, no bairro da Cidade Alta, por onde dá pra ver um pouco da cidade naquele ano.
“A luta por direitos humanos abrange a luta por um estado de coisas em que todos possam ter acesso aos diferentes níveis da cultura”, escreveu, em 1988, o crítico literário, sociólogo e professor Antonio Candido (1918 – 2017).
Por Helô D’Angelo
André Seiti Estante de livros com seleção de cerca de 7 mil exemplares que Antonio Candido guardou em seu apartamento Estante de livros com seleção de cerca de 7 mil exemplares que Antonio Candido guardou em seu apartamento
Parte do ensaio O direito à literatura, a frase resume boa parte da trajetória intelectual de Candido, morto no ano passado aos 98 anos. Agora, seu significado serve de fio condutor para a Ocupação Antonio Candido, a primeira exposição já feita do seu acervo pessoal – e um primeiro passo para torná-lo público.
A mostra gratuita, que fica em cartaz no Itaú Cultural, na capital paulista, entre 23 de maio e 12 de agosto, traz 250 itens, muitos dos quais inéditos: recortes de suas primeiras críticas, vídeos de antigas entrevistas, cartas, fotografias e dedicatórias de autores como Clarice Lispector e Guimarães Rosa. Logo na entrada da Ocupação, há uma réplica fotográfica, em tamanho real, da estante de Candido, com cerca de 7 mil livros de autores como Marcel Proust – seu favorito -, Albert Camus e Machado de Assis. Em um espaço reservado, fica uma das máquinas de escrever usadas pelo crítico.
“Quisemos apresentá-lo a partir das três atividades fundamentais de sua vida: a intelectual, a educadora e a militante, partindo do ensaio O direito à literatura, cujo mote resume bem o seu pensamento”, diz Laura Escorel, neta de Antonio Candido e co-curadora da Ocupação, em parceria com os núcleos de Audiovisual e Literatura do Itaú Cultural e a Enciclopédia do instituto. A ideia da mostra, segundo a herdeira, é deixar que o crítico “fale em primeira pessoa”.
“Em geral, em exposições que homenageiam pessoas falecidas, há um hábito de colher depoimentos sobre ela, enquanto ela se cala. Entendemos que a melhor maneira de falar sobre Antonio Candido era deixá-lo falar sobre si, sobre seu pensamento. Até porque ninguém expunha ideias tão bem quanto ele”, diz.
Para reconstruir Candido a partir de suas próprias palavras, a mostra recupera cadernos da infância do professor, com registros sobre suas leituras da época – como o poema O Sabbath, de Bernardo Guimarães, e trechos de livros de Gustave Flaubert -, e suas primeiras críticas literárias, publicadas na Folha de S.Paulo a partir de 1943: Perto do coração selvagem, sobre a estreia de Clarice Lispector nos romances; Poesia ao norte, acerca da primeira coletânea de poemas de João Cabral de Melo Neto, e Sagarana, criticando o livro de João Guimarães Rosa.
Há, ainda, registros do Antonio Candido jornalista, como o projeto do Suplemento Literário do Estado de São Paulo, planejado pelo crítico e veiculado entre 1956 e 1974; a página de expediente da revista Clima, publicada de 1941 a 1944, e exemplares da Argumento – revista sobre cultura que durou apenas entre 1973 e 1974.
“Temos também documentos mostram o característico processo criativo de Candido”, conta a neta, enumerando: alguns esquemas de leitura de obras como Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, páginas datilografadas dos estudos do crítico, anotações feitas nas margens de livros, esquemas para suas aulas e até comentários em textos de sua autoria. “É interessante ver, nestes registros, como ele retomava as próprias ideias antigas. Ele não tinha problemas em rever anotações mais velhas, corrigir-se, fazer autocríticas. Há muitos registros desse caráter de Antonio Candido na Ocupação”, conta Escorel.
Além da exposição, a Ocupação conta com uma publicação própria, que reúne manuscritos, datiloscritos e artigos publicados de Candido, e um site no qual outros documentos originais do professor podem ser acessados. Como complemento, nos primeiros três dias da exposição, o Itaú Cultural organizou o Colóquio Internacional Antonio Candido, sobre a obra e a influência do mestre, com nomes como Celso Lafer, Walnice Nogueira Galvão, José Miguel Wisnik e, vindos de fora do país, Šárka Grauová, chefe do Departamento de Estudos Luso-Brasileiros da Universidade Carolina de Praga (República Checa), e o professor titular de Literatura uruguaia na Universidade Federal do Uruguai, Pablo Rocca.
Para Laura, que conviveu com o avô até a sua morte, a Ocupação e todas as suas atividades paralelas representam um primeiro passo para “recuperar este acervo fundamental e transformá-lo em algo atual, que possa ser visitado pelo público”. Como parte do esforço para democratizar o pensamento de Candido, os acervos do professor e de sua esposa, a professora Gilda de Melo e Souza (1919 – 2005), foram doados pela família ao Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB/USP) em 2017 – e, agora, têm recebido tratamento técnico, financiado pelo Itaú Cultural, para que estejam disponíveis ao acesso público em 2019.
Ocupação Antonio Candid
Onde: Itaú Cultural; Av. Paulista, 149 – Bela Vista, São Paulo – SP
Artista goiano apresenta em SP obras tridimensionais que dialogam com assemblages e o acervo da instituição
O Museu Afro Brasil, da
Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, em parceria com a Associação
Museu Afro Brasil – organização social de cultura, inaugura no próximo dia 23
de junho, às 11h00, a exposição “Sertão Expandido”, do artista plástico
goiano Kboco. Com curadoria de Maria Hirszman, a mostra reúne cerca de dez
trabalhos inéditos entre pinturas, desenhos, assemblages e intervenções em site
specific.
“Não se trata de uma mera filiação à
instalação como forma expressiva, mas de uma intencionalidade clara de fusão
entre as questões pictóricas, com a necessidade de se expandir para além do
espaço bidimensional, incorporando elementos da paisagem e usando a arquitetura
como estopim e suporte para ações transformadoras do espaço social”, afirma
Hirszman.
“Sertão Expandido” encerra um hiato
de cinco anos desde a última exposição do artista, e apresenta o resultado da
transição que o levou de volta ao seu estado de origem, Goiás, onde nasceu em
1978, após morar em cidades como Porto Alegre, Olinda e São Paulo.
A decisão do artista em instalar seu
estúdio no município de Cavalcante, no coração da Chapada dos Veadeiros, nas
palavras do próprio Kboco, “carrega em si a busca pela arte enquanto produção
de conhecimento e não apenas como produção mercadológica. O aprofundamento que
essa mudança gera diz respeito ao sertão enquanto possibilidade de
aperfeiçoamento e expansão da linguagem”.
Entre os destaques da mostra estão as
assemblages - colagens feitas em pedaços de madeira encontradas nas andanças do
artista. “Essas obras são feitas com madeiras que eu recolho ao acaso e que
cruzam meu caminho numa espécie de arqueologia do cotidiano, então eu as ajeito
no meu estúdio já com uma certa diagramação, mas a montagem final da obra
acontece no próprio museu”.
“Sertão Expandido” é resultado do
projeto de fomento à arte pelo Fundo de Cultura de Goiás, e contará com
catálogo e vídeo do processo criativo do artista.
Emanoel Araujo, diretor-curador do
Museu Afro Brasil, comenta: “Kboco é o barroco do grafismo. Tão barroco que às
suas figuras e ao seu emaranhado de grafismos ele ainda acrescenta pequenas
formas de folha de ouro, e tudo isso reluzindo de um requintado lavis e de uma
requintada transparência. Por certo, Kboco se inspira nas volutas de grades de
ferro ou na superposição de um laboratório de tubos de cristal imaginário”.
22 de junho 2017 – Press Trip São Luis – MA – Apresentação do Boi de Santa Fé. Foto: Roberto Castro/ MTur
A temporada oficial vai até 1º de julho, serão mais de mil apresentações culturais na capital maranhense
O São João de São Luís, que teve abertura oficial quinta-feira (14), na capital do Maranhão, é assim mesmo, muito diferente. Lá, além dos tradicionais São João e São Pedro, também se comemora São Marçal; e as quadrilhas dão lugar a um dos espetáculos mais emblemáticos da cultura brasileira: o Bumba Meu Boi que, associado a outras “brincadeiras” como o tambor de crioula e o cacuriá; tornam incomparáveis os festejos juninos ludovicences.
As barraquinhas já estão armadas pela capital maranhense, cujo centro histórico é tombado como patrimônio cultural da humanidade. Comidas típicas, manifestações culturais e o pleno envolvimento das comunidades são marca registrada das festas juninas do Maranhão que no ano passado movimentaram R$ 60 milhões, dos quais R$ 20 milhões em São Luis.
O Bumba Meu Boi é o carro-chefe do São João de São Luís. São mais de 100 grupos subdivididos no que o maranhense denomina de ‘sotaque’, que envolve variações de ritmos, indumentária e instrumentos musicais, segundo a secretaria de Turismo de São Luís. Os “bois” são integrados por pessoas da comunidade que passam o ano trabalhando em trajes ornamentados com incríveis bordados feitos a mão.
Durante a festa não dá para deixar de provar o que há de mais típico na gastronomia maranhense. O arroz de cuxá, o guaraná Jesus e o suco de bacuri estão entre os itens mais procurados nas barracas de palha dos arraiás dos bairros e do centro histórico. Tudo embalado pelos ritmos e danças característicos da cultura local: Tambor de Crioula, Cacuriá, Dança do Coco, Bambaê de Caixa, Dança do Lelê, Dança Portuguesa e Dança do Boiadeiro, entre outros.
“Foi graças ao convite do Ministério do Turismo que eu e os leitores do blog Esse Mundo É Nosso pudemos ver de perto um dos maiores espetáculos que já assisti ao vivo. A princípio, a ideia que eu tinha era de um São João como os demais no Nordeste, com fogueira, quadrilha e forró. E é aí que veio a maior surpresa da festa em São Luís”, conta o blogueiro Rafael Carvalho, que participou da festa no ano passado. Impressionado com a grandiosidade do Bumba meu Boi, ele fez analogia do amor do maranhense pelo boi com a relação que os cariocas têm com as escolas de samba.
A Secretaria de Turismo de São Luís recomenda uma consulta ao site do órgão para saber onde serão realizadas as manifestações que se espalham por toda a cidade. Para o turista tem também dicas sobre os principais atrativos turísticos da capital: www.turismosaoluis.com.
O Ministério da Cultura (MinC) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) promovem, entre os dias 5 e 11 de novembro, em São Paulo, a primeira edição do Mercado das Indústrias Criativas do Brasil, o MicBR, megaevento de negócios que vai reunir milhares de empreendedores dos setores cultural e criativo do Brasil e de outros países. O objetivo é impulsionar a internacionalização da produção cultural brasileira e o intercâmbio entre os países, em especial da América do Sul. O MicBR reunirá dez setores: artes cênicas (circo, dança e teatro), audiovisual, animação e jogos eletrônicos, design, música, museus e patrimônio, artes visuais, moda, editorial e gastronomia.
Na Copa do Mundo de 1970, disputada no México, dizia a música tema da Seleção Brasileira, éramos 90 milhões em ação, formando uma corrente pra frente, parecendo que todo o Brasil deu a mão.
Ufanista, o hino de autoria do compositor Miguel Gustavo, que pretendia unir o país, então na fase mais repressiva da ditadura militar, em torno da então seleção canarinho, foi repetido à exaustão pelo rádio e pela televisão.
O general Garrastazu Médici, presidente de plantão, um fanático pelo chamado esporte bretão, chegara a se transformar quase que um dos torcedores-símbolos do time de Pelé, Tostão, Gerson, Carlos Alberto e companhia (e que companhia), comandado pelo velho lobo Zagallo.
No entanto, ao contrário do que afirmava a letra, não éramos exatamente 90 milhões de brasucas torcendo pelo sucesso da seleção.
Embora minoritária, havia uma legião de pessoas que não compartilhava a euforia gerada pela máquina de propaganda da AERP, a Assessoria Especial de Relações Públicas do governo, chefiada pelo general Otavio Costa, e se negava a cantar o salve a seleção e muito menos o pra frente, Brasil da letra do hino oficial.
O raciocínio era simples: uma eventual conquista do tricampeonato seria explorada pelo regime, insaciável em busca do apoio da população e implicaria num fortalecimento inevitável da ditadura, que começava a surfar nos primeiros resultados do chamado “milagre econômico brasileiro”.
Cursando a faculdade de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, eu estava entre os que optaram por não torcer, vibrar com a campanha avassaladora e até a assistir os jogos do Brasil.
Me lembro até de um episódio um tanto cômico, logo após a vitória contra o Uruguai, por três a um, na semifinal, o que garantia o direito a disputar a final com a Itália.
Caminhando pelo centro de Porto Alegre, carrancudo e com cara de poucos amigos, fui surpreendido por um torcedor que comemorava a vingança contra os uruguaios, 20 anos após a derrota em pleno Maracanã, na decisão da Copa de 1950.
“Não está contente, comunista?”, gritou a plenos pulmões o avô gaúcho do Kim Kataguiri. Só não me mandou para Cuba porque esse mantra direitista ainda não estava na moda.
Consegui manter a postura militante, sem concessões e coerente até o confronto final, com a Squadra Azzura no domingo, 21 de junho, no estádio Azteca, na Cidade do México.
Dessa vez, minha turma de amigos resolveu encarar de frente o adversário (a seleção das feras recrutadas pelo técnico João Saldanha, um notório militante comunista, que depois de classificá-la nas eliminatórias foi defenestrado por Médici e substituído por Zagallo).
Ou seja, resolvemos assistir o jogo, que pela primeira vez era transmitido em cores pela televisão brasileira.
Entre uma cerveja e outra, torcíamos desesperadamente pela Itália, lamentado as oportunidades perdidas por eles. Até que, aos 18 minutos do primeiro tempo, Pelé marcou de cabeça o primeiro gol para o Brasil.
Num passe de mágica, lá se foram nossas convicções, as elucubrações políticas e os compromissos ideológicos. Abraços e gritos de “Brasil, Brasil” ecoaram pela sala do apartamento em que estávamos reunidos, do meu colega de faculdade Renato Ilgenfritz da Silvia, já falecido, que posteriormente foi presidente do Conselho Nacional de Economia.
Não houve o perigo de uma recaída nem mesmo quando o atacante italiano Boninsegna, ainda no primeiro tempo, fez o gol de empate.
Ao contrário: no segundo tempo, foi só alegria e comemoração, à medida que Gerson, Jairzinho e Carlos Alberto iam construindo o placar final de 4 a1 para o Brasil. Sem pena, sem dor, sem lágrimas e sem preocupação com a possível capitalização do tri por Médici e seu governo.
Terminada a partida, fomos todos festejar o título na avenida Independência, então uma das mais elegantes da capital do Rio Grande do Sul. Aos vivas à seleção se somaram espontaneamente gritos de “abaixo a ditadura”, entoados às vistas dos soldados da Brigada Militar, que tinham recebido a orientação do governo estadual para não reprimir as manifestações, numa apoteose que varou a madrugada, até as primeiras horas da segunda feira.
Passados 48 anos e 121 milhões de habitantes depois, o dilema enfrentado pela geração que combatia a ditadura está de volta, ressuscitado pelo golpe que apeou a presidente Dilma Rousseff da presidência da República, dividindo o campo progressista.
Uma vitória da seleção de Tite pode ou não fortalecer o usurpador Michel Temer? Vestir ou não a camisa amarela da CBF, símbolo dos coxinhas que se mobilizaram contra o governo legitimamente eleito de Dilma?
Como costumava dizer o jornalista esportivo Juarez Soares, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Peguemos um exemplo recente, o pentacampeonato conquistado na Copa de 2002, realizada simultaneamente no Japão e na Coreia do Sul, no último ano de governo de Fernando Henrique Cardoso.
Tal feito não impediu que FHC tivesse saído com a popularidade em baixa, sem conseguir eleger seu sucessor.
No sentido oposto, mesmo com o fiasco na Copa de 2006, na África do Sul, o presidente Lula chegou ao último mês de seus oito anos de governo, com um índice recorde de popularidade e aprovação de 87%, segundo o Ibope. E fez sua sucessora, a praticamente desconhecida Dilma.
Ou seja, alguém aí acredita que se Neymar e seus companheiros trouxerem o sexto caneco, a aprovação de Temer vá sair da margem de erro em que patina?
Da mesma forma, o abandono e execração da camisa amarela é um equívoco, assim como seria um equívoco repudiar a bandeira nacional, amplamente utilizada nas manifestações da massa do atraso.
Caso isso ocorresse, seria deixar que símbolos tão caros aos brasileiros fossem indevidamente apropriados pela direita ignara, pelos bolsominions, MBLs e Vem pra Rua da vida. Ao contrário, é preciso resgatar esses símbolos.
Paixão nacional, praticado por gente de todas as classes sociais, raça, posição política e religião, o futebol é uma arte, um ativo inestimável do povo brasileiro.
Uma vitória na Rússia será seguramente um alento para a elevação da autoestima da população e um momento de reafirmação da excelência de nossos jogadores na prática do esporte mais popular do mundo.
Nesse campo, provavelmente só tenhamos concorrência entre os argentinos, fanáticos pelo futebol. Como se sabe, a Argentina, então sob uma ditadura sanguinária que deixou um rastro de 30 mil mortos e desaparecidos, sediou e conquistou a Copa do Mundo de 1978.
A partida final contra a Holanda foi disputada no Monumental de Nuñez, o estádio do River Plate, um dos clubes mais importantes do país.
Há 1,9 quilômetro de distância do estádio estava localizada a Escola de Mecânica da Armada, a tristemente conhecida Esma, o mais sanguinário centro de tortura e morte operado pela marinha argentina- ali, pelo menos cinco mil detidos foram eliminados fisicamente. Dali, os gritos dos torcedores no Monumental podiam ser facilmente ouvidos pelos prisioneiros.
Segundo relata o livro “A Ditadura Militar 1976/1983- do Golpe de Estado à Restauração Democrática”, de Marcos Novaro e Vicente Palermo, nesse dia os torturadores instalaram um aparelho de televisão para que um grupo deles pudessem assistir a partida.
No fim do jogo, vencido por 3 a 1 pelos companheiros de Fillol, Passarella e Ardilles, uma cena inimaginável: torturadores e torturados confraternizaram-se aos abraços pela vitória de sua seleção, ainda de acordo com os autores, dez prisioneiros foram levados pelos algozes para um restaurante, onde comeram uma parrillada ( o churrasco argentino), em meio a cantos e vivas.
Cinco anos depois, o regime que parecia imbatível, foi miseravelmente escorraçado na esteira da fragorosa derrota para a Inglaterra na Guerra das Malvinas.
Acontecimentos que marcaram a história da entidade nos anos em que o Brasil foi campeão.
Ao longo de seus 70 anos, a UBES esteve em campo com a juventude em defesa da educação pública e de qualidade. Nesse clima de Copa, à espera do tão sonhado hexa e às vésperas das sete primaveras da entidade, que tal dar uma olhada nessa linha do tempo que resgatamos pra você? Aproveite para relembrar as duas histórias
Suécia, 1958
No ano em que a seleção brasileira conquistou seu primeiro título na Copa do Mundo em cima dos donos da casa, a UBES promoveu uma campanha contra o Acordo de Roboré e pela abertura de CPI sobre a Shell e a Esso. O Acordo visava atender aos interesses da multinacional exportadora de gás e óleo Gulf e os estudantes saíram em luta em defesa do petróleo brasileiro. Tá achando que a luta dos estudantes pela Petrobras é nova? Combustível nacional é questão de soberania.
Chile, 1962
Em um atentado à sede das entidades estudantis, o MAC (Movimento Anticomunista) metralhou o prédio na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro. Já começava o contexto para o Golpe Militar de dois anos depois (que inclusive incendiaria a sede das entidades). Os estudantes não se intimidaram e continuaram a luta com mais um Congresso Nacional dos Estudantes Secundários. Neste mesmo o ano, o Brasil conquistava a sua segunda Copa em cima da extinta Tchecoslováquia, hoje República Checa e Eslováquia.
México, 1970
No Brasil, muita repressão e resistência à Ditadura Militar, na sua fase mais dura. No México, a seleção canarinho tornava-se tricampeã ao vencer de goleada a temida seleção italiana. Muitos brasileiros evitaram torcer pelo Brasil, tomado pelos militares, mas com Pelé e Garrincha em campo, a torcida foi inevitável. A seleção, afinal, era do povo, não do governo. No mesmo ano, Marcos Brasil tornava-se presidente da UBES após praticamente toda a diretoria da entidade ser presa pelo regime vigente. Depois disso, a UBES é desmantelada.
Estados Unidos, 1994
O presidente da república Itamar Franco assina um protocolo para a devolução definitiva do terreno da Praia do Flamengo, tomado pelos militares em 1964, aos estudantes. Vitória do movimento estudantil! O ato da entrega é comemorado no famoso restaurante Lamas, com a participação dos jovens e do presidente. Vitória do Brasil! A seleção brasileira venceu a Itália mais uma vez e conquistou o tetra.
Japão e Coreia do Sul, 2002
Ano em que a Seleção tornou-se pentacampeã com uma vitória em cima da Alemanha! Com cinco títulos, o Brasil tornou-se o país com maior número de vitórias em Copas do Mundo. Nas eleição presidencial, o ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva é eleito presidente: “A vontade de mudança era muito grande naquele momento, após um período de domínio neoliberal”, lembra Igor Bruno, presidente da UBES na época.
Toda a altivez, a elegância e o entusiasmo do quarteto clássico de John Coltrane soam como uma primeira vez em Untitled Original 11383 e Untitled Original 11386, duas composições inéditas recém-descobertas e incluídas em Both Directions at Once: The Lost Album, disco perdido do saxofonista que será lançado em 29 de junho, 55 anos depois da gravação.
“Em termos pop, é como se tivéssemos nos deparado com um álbum inédito dos Beatles, de Jimi Hendrix ou de Bob Marley”, exclama por telefone, de Nova York, Jamie Krents, da gravadora Impulse!, selo que hoje é parte da Universal e que publicou a obra da maturidade do músico, entre 1961 e 1967, ano de sua morte prematura, aos 40 anos. “Isto se parece com encontrar uma nova câmara na Grande Pirâmide”, acrescenta Sonny Rollins, companheiro de geração de Coltrane e colosso do saxofone, como ele.
As hipérboles parecem desta vez algo mais que mero falatório promocional. O achado da sessão, gravada pelo músico em 6 de março de 1963 à frente de seu grupo da época, “a melhor banda de jazz do pós-guerra”, segundo a historiadora Val Wilmer, é uma notícia que, simplesmente supera os sonhos mais loucos dos fãs. Embora os selos explorem ultimamente o resgate de gravações inéditas para animar o maltratado mercado discográfico, raramente se trata, como neste caso, de sessões de estúdio. E muito menos do registro de um álbum autônomo no auge da carreira de um dos nomes mais lendários.
No início de março de 1963, o quarteto – completado por McCoy Tyner no piano, Jimmy Garrison no baixo e Elvin Jones na bateria – se achava na metade de uma estadia de duas semanas no clube Birdland de Nova York. No dia seguinte à sessão agora recuperada, o grupo gravou um de seus discos de maior sucesso comercial: a coleção de baladas assinada junto à cálida voz de barítono de Johnny Hartman. “A confiança nas possibilidades daquele trabalho foi provavelmente o motivo pelo qual Bob Thiele [chefe da Impulse!] decidiu deixar de lado o disco que agora editamos”, especula Krents, que está há anos envolvido nesse projeto.
Na época a banda gravava com frequência. O material ressuscitado corresponde a um dia inteiro no estúdio do engenheiro de som Rudy Van Gelder em Englewood, Nova Jersey, lugar mítico do jazz onde se registraram dezenas de marcos nos anos cinquenta e sessenta. O quarteto gravou várias vezes as duas composições inéditas, às quais Coltrane não chegou a dar um nome (e Krents e os outros envolvidos no projeto preferiram deixar assim). Também há variações de títulos do repertório do saxofonista (Slow Blues, uma peça dos anos cinquenta, One Up, One Down, até agora só disponível ao vivo, e uma Impressions interpretada sem piano) e duas versões: Nature Boy e Vilia, esta última tirada da opereta A Viúva Alegre, de Franz Léhar. No total, sobreviveram 14 faixas dessas sete canções, que serão apresentados em dois formatos: álbum simples sem gravações alternativas e edição de luxo em dois discos (também haverá versão em vinil).
No fim do dia, o saxofonista levou uma cópia de referência da sessão à casa que compartilhava na época com sua primeira mulher, Juanita Naima Grubbs, a quem dedicou uma das mais belas baladas em 1959. Do master não ficou rastro nos arquivos de Van Gelder, homem conhecido tanto por sua maestria em conseguir um som intenso e elegante como, ao que parece, pela tendência à desordem. O produtor também não deixou registro daqueles fatos em seus documentos. Ambos estão mortos. E a sessão não figura em nenhuma das discografias compiladas ao longo das décadas pelos estudiosos do saxofonista.
Depois de seu divórcio de Coltrane, Naima ficou com as fitas, bem como outros materiais que sobraram do disco A Love Supreme (que fizeram parte de uma edição comemorativa da obra maestra em 2014). Tudo isso foi herdado por Antonia, filha de um casamento anterior de Naima, que o saxofonista adotou quando a menina tinha cinco anos. “Foi preciso ganhar a confiança da família e chegar a um acordo financeiro. Mas não houve hostilidade. Pelo contrário, foram muito amáveis”, recorda Krents.
Quando esses obstáculos foram superados, foi primordial para a empresa contar com a permissão “e o apoio promocional” do notável saxofonista Ravi Coltrane, fruto do segundo casamento de John, com a pianista Alice McLeod. “Não queríamos publicar um material que Ravi, que tem a custódia do legado, considerasse que não estava à altura. Mas foi o contrário. Lamento não ter tido uma câmera para gravar seu rosto quando escutou as fitas”, diz Krents. Ravi comparecerá na segunda-feira a uma divulgação do material à imprensa, organizada no estúdio onde foi gravado.
O único sobrevivente da sessão, o pianista McCoy Tyner, também foi consultado durante o processo, embora aos 79 anos não se lembrasse muito nem pudesse dar novas pistas sobre as composições inéditas.
O disco tem o inconfundível ar do quarteto em plena forma, justo na metade do caminho que os levou da tradição bluesy do hard bop e do jazz modal de seus discos na Atlantic à experimentação de tons espirituais que acabaria cristalizada no ano seguinte nas sessões de A Love Supreme (suite que seria lançada em 1965). “Este último capítulo de sua discografia não é menor, em absoluto. Pensar isso seria subestimar seu gênio”, opina por email Ashley Kahn, autor de livros sobre o saxofonista e sobre seu empregador mais famoso, Miles Davis. Kahn escreve também as notas de acompanhamento do novo disco. “O espantoso é que se trata de uma obra completa, concebida como um todo coerente. Que ninguém se confunda: poderia ter sido um sucesso comparável a My Favorite Things [tema que dá título a um de seus álbuns mais célebres], de tão potente que é esta descoberta”.
Kahn dá mostras da fecundidade do quarteto em A Love Supreme: The Story of John Coltrane’s Signature Album (A Love Supreme – a Criação do Álbum Clássico de John Coltrane, editora Barracuda) um estudo sobre a discografia do gênio do jazz entre 1961 e 1967. Sua condição de astro do selo fez com que entrasse no estúdio “oito vezes em 1962”. Apesar disso, entre 1961 e 1965, somente dois dos oito álbuns do grupo (Coltrane e Crescent) foram pensados para levar ao estúdio a força de seus shows ao vivo, fato que aumenta a importância da descoberta de Both Directions at Once. The Lost Album.
Eram os tempos de maior compenetração do quarteto, uma das uniões mais memoráveis da história do jazz até sua dissolução em 1965. No período, a ideia da música do líder se tornara atonal e livre demais para o pianista McCoy Tyner e o baterista Elvin Jones, dois prodígios do ritmo e da melodia. Na sua última banda Coltrane incorporou a fúria free jazz de Alice Coltrane (pianista), Pharoah Sanders (saxofonista) e Rashied Ali (bateria). Dois anos depois, morreu de repente por causa de um câncer de fígado que não tratou
convenientemente. Seu funeral, ao qual compareceram centenas de pessoas, foi vivido em Nova York como um dos momentos estelares do jazz da época. Seu legado permaneceu vivo nos discos gravados por sua viúva, Alice, e por Pharoah Sanders. Em 1971 foi fundada a Igreja Africana Ortodoxa de John Coltrane em San Francisco. Em 2007, ele recebeu um Pulitzer póstumo
Presidente da FETARN, Manoel Cândido dando boas vindas aos participantes da Oficina
Elias D´Àngelo Borges, Secretário de Política Agrária da CONTAG presente ao evento
Assessor de Comunicação do STRAF de Nova Cruz/RN elogia a iniciativa da FETARN/CONTAG e propôs propostas
Manoel Cândido - Presidente da FETARN
Edmilson Gomes da Silva - (Negão) presente a Oficina promovida pela FETARN
Eduardo Vasconcelos - Assessor da Comunicação do STRAF de Nova Cruz
Manoel Cândido
Eduardo Vasconcelos - Assessor de Comunicação do STRAF - NOVA CRUZ
Presença do Presidente do CMDS - Conselho Municipal de Desenvolvimento Social, Damião Gomes da Silva presente a Oficina.
"Negão" - Presidente do STRAF de Nova Cruz
Eduardo Vasconcelos
Plenário literalmente lotado
Eduardo Vasconcelos - Assessor de Comunicação do STRAF - NOVA CRUZ/RN
Presidente do INCRA - RN, LUCIANO respondendo as perguntas dos assentados
Lideranças sindicais de Nova Cruz (fila da frente), Zé Fama,......... e Daniele
Mesa oficial
Antônia, Secretária de Política Agrária da FETARN
Centenas de lideranças rurais e assentada presentes a oficina
Ontem (14) e Hoje (15) a FETARN em conjunto com a CONTAG promoveu em Natal Oficina Estadual de Formação para Acesso a Terra e Política de Permanência no Campo - Rio Grande do Norte, que contou com mais de 100 (cem) representantes de assentados e diretores/as sindicais vinculados aos sindicatos filiados a FETARN.
O evento teve como palestrante o Superintendente do INCRA/RN, José LEONARDO Guedes Bezerra, que ouvindo as reivindicações dos presentes foi respondendo e outras ficou de serem analisadas e posteriormente encaminhadas para análise, mas garantiu que fará todos os esforços para dentro daquilo que for competência do órgão procurar atende-las. .
Já o presidente da FETARN, Manoel Cândido reforçou a necessidade das instituições se unirem para resolver as reivindicações dos assentados em tempo rápido, já que tem assentamentos precisando urgente de uma resposta urgente.
O Secretário de Política Agrária da CONTAG, Elias D'Angelo Borges acolheu algunhas demandas e prometeu levá-las a direção da CONTAG, para que na esfera federal discutir essas demandas junto ao INCRA Nacional, além de ajudar a FETARN e Assentados nas outras demandas locais e no final de sua fala, prometeu voltar ao Estado o mais rápido possível para fortalecer a luta dos assentados, sindicatos e a FETARN.
Eduardo Vasconcelos - assessor de comunicação do STRAF de Nova Cruz, representando em sua fala o presidente, "Negão", propôs que a FETARN e o INCRA/RN possam procurar vê a viabilidade de ambas as instituições possam firmar convênios com outros órgãos a nível estadual e federal para que chegar outras políticas aos assentamentos, como por exemplo as sociais, culturais e educacionais, e finalizando alertou as todos para no pleito eleitoral que se aproxima os assentados participem de forma consciente e procurem eleger candidatos comprometidos com as lutas dos trabalhadores em em especial os assentados, como a LEGALIZAÇÃO E POSSE DE FATO DOS ASSENTAMENTOS/ASSENTADOS.