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terça-feira, 29 de agosto de 2017

Uma miragem real de livros no sertão da Bahia

geraldo
Por Vitor Nuzzi para Rede Brasil Atual
Assim, com os primeiros 12 mil títulos, que não cabiam em casa, começou a ser formada, 15 anos atrás, a biblioteca de Geraldo Moreira Prado, o Alagoinhas, que saiu pequeno de São José do Paiaiá e voltou para formar aquela que seria considerada a maior biblioteca em comunidade rural do mundo: hoje, são 120 mil volumes em um lugarejo de 600 pessoas.
Geraldo ia “dando aula e comprando livro”, conta. Mas a história começa lá atrás. Ele deixou o Paiaiá no início de 1960. “Eu não tinha plano, tinha vontade.” Só tinha feito o primário, em escola rural, uma caminhada diária de três quilômetros. Em São Paulo, arrumou vaga de faxineiro, na Rua Santa Ifigênia, região central, depois foi office-boy em companhia de seguros, passou a vender apólices de automóveis, chegou a uma metalúrgica em Osasco, na região metropolitana. Pensou em fazer Medicina, cursou Letras, mas não entendeu nem o chinês do curso e nem o inglês usado para dar aulas. Acertou-se, enfim, com a História.
Geraldo teve aula com gente como Sérgio Buarque de Holanda, Eduardo d´Oliveira França. Morando no Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (Crusp), foi um dos inúmeros estudantes retirados de lá à força pelo Exército, dias depois do AI-5, em 1968. O apelido veio daquele tempo. “Ali na (rua) Maria Antônia tinha dois botecos, o universitário e o do Zé, que tem até hoje. Depois da aula, a gente ficava tomando cerveja”, lembra. Um jovem recém-chegado, “discípulo de Glauber Rocha”, perguntou se ele era nordestino. Depois da resposta óbvia, emendou: “Paiaiá não existe, existe Alagoinhas, que é a terra do meu pai”. E assim ficou. O “apelidador” era o futuro sociólogo Gilberto Felisberto Vasconcelos.
“Passei a vida juntando livro”, diz Geraldo, de 77 anos. Os do Crusp não sobreviveram, porque a polícia levou. “Naquela época, você sabe como era, né?”, comenta o professor, que militou no movimento estudantil e mais de uma vez foi preso. Em 1972, detido por mais de uma semana pela Operação Bandeirante (Oban), topou com Carlos Alberto Brilhante Ustra e Romeu Tuma na saída, em um domingo. “Estavam conversando no portão, o Tuma tirou uma nota que não me lembro de quanto era e me deu (para a condução). Peguei a nota, joguei no chão e disse que não pegava em dinheiro de torturador.” Resultado: mais dois dias de prisão.
Em 1976, ele foi para o Rio: “Aí comecei a juntar mesmo. Dando aula e comprando livro”. A professora emérita da USP Walnice Nogueira Galvão escreveu um texto em que lembra da trajetória de Geraldo, que também frequentou aulas de Antonio Candido, que morreu em maio. Quando a biblioteca já era realidade, ela decidiu contar ao mestre sobre o ex-aluno, que se encantou: “Essa obra é o coroamento de uma vida”. Walnice e Antonio Candido estão entre os muitos doadores de livros para a Biblioteca do Paiaiá. Em 2004, Geraldo comprou uma casa por R$ 2 mil, depois comprou a vizinha, depois fez uma reforma para ampliar. E assim criou, como diz, o Paiaiá Empire State.
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) doou, a Pontifícia Universidade Católica (PUC), a Fundação Oswaldo Cruz, o Ibase, ONGs diversas, muita gente doou. A biblioteca leva o nome de Maria das Neves, tia de Geraldo, “primeira alfabetizadora da região”. Ele conta que, fazendo estudos autodidatas em biblioteconomia, descobriu um autor indiano que diz que “a biblioteca é um órgão vivo”, tem de crescer. “Gostei disso, e fui alimentando.”
Foi em uma conversa com José Arivaldo, seu sobrinho, que nasceu a ideia da biblioteca. Vadinho, como é conhecido, formou-se em Letras e agora estuda Biblioteconomia na Federal de Sergipe, conta o geógrafo e jornalista Mouzar Benedito, amigo de Geraldo e admirador da empreitada do Paiaiá, que desde 2014 passou a incluir um encontro sobre livros, leitura e inclusão social. O deste ano, o terceiro, foi realizado de 3 a 5 de agosto, com ampla programação. “Realizado à revelia de um contexto nacional anticultura, anti tudo que preste, houve muitas palestras, debates, lançamentos de livros, rodas de conversa, minicursos e muitas atividades específicas para crianças”, diz Mouzar, que foi lá como representante da Sociedade dos Observadores de Saci (Sosaci) e falou sobre personagens do imaginário brasileiro na literatura.
Estimular o interesse pelos livros

Geraldo lamenta que no Brasil não haja prática de leitura (“Eles acham que a internet resolve tudo”) e que o país conte com tão poucas bibliotecas em comparação com os vizinhos da América Latina. Por isso, anima-se com seu projeto, que ajudou a estimular o interesse por livros. “Isso, para mim, foi a coisa mais satisfatória. Contribuí para crescer um pouco mais”, diz, lembrando que só leitura não basta – por isso, o projeto inclui capacitação de professores. Segundo ele, aos poucos a comunidade começou a se aproximar da biblioteca. “Pela primeira vez, teve uma participação muita ativa, a o ponto de oferecer as casas para hospedar as pessoas (no encontro deste ano).”

Teve também muita criança, conta Mouzar. “Só num dia que tive a pachorra de calcular, com base nos ônibus vindos de Nova Soure e cidades vizinhas, chegaram mais de 400 crianças. Eu olhava nos rostos delas e achava que tinham a sensação de descobertas, seja enquanto participavam das atividades do evento ou enquanto remexiam livremente nas estantes da biblioteca. Imagino que pelo menos algumas delas estejam ‘contaminadas’ pela literatura”, narra. “Voltei de lá com uma alegria imensa, com a sensação de que a inércia que os vampiros do poder tentam nos fazer aceitar não é tão aceita assim.”
Depois que se aposentou, o paiaiaense, que mora no Rio, vai de duas a quatro vezes por ano para a sua região. Segundo o IBGE, Nova Soure contava 26 mil habitantes no ano passado. Na economia, predomina a pequena produção de animais (cavalo, gado, ovelha,) e produtos como feijão, milhão, mandioca. “É quase subsistência”, diz Geraldo.
Quem toma conta da biblioteca, entre outros, é o sobrinho Vadinho. “É tudo na base do trabalho voluntário, porque não tem recursos.” A biblioteca já atraiu muita gente de fora – argentinos, norte-americanos, até dinamarqueses – Geraldo é casado com uma. E ele continua gostando muito de ler, até onde a vista permitir.
Fonte: Rede Brasil Atual

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Seminário em Porto Alegre celebra 150 anos da obra O Capital de Marx

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Foram convidados renomados professores e estudiosos para ministrarem importantes temas. Entre eles, estarão presentes os economistas Márcio Pochmann, Luiz Gonzaga Belluzzo, Aloísio Barroso e a filosofa Madalena Guasco.
Para participar é necessário se inscrever na internet ou junto às entidades organizadoras e co-promotoras do evento, no DCE/UFRGS (Av. João Pessoa 41), na Livraria Bouquiniste (Rua André Puente 357). Para os estudantes a inscrição é gratuita e para o público em geral custará R$ 20 reais, podendo participar das 4 noites. As inscrições são limitadas, caso reste vagas, poderá se inscrever no próprio local das palestras.
O seminário foi organizado pela Fundação Maurício Grabois, Instituto Histórico Geográfico do RGS, Sindicato dos Economistas/RS, Sociedade de Economia/RS, Departamento de Economia e Relações Internacionais da Faculdade de Ciências Econômicas/UFRGS, Diretório Central de Estudantes/UFRGS e Diretório Acadêmico dos Estudantes de Ciências Econômicas/UFRGS e contará, ainda, com a co-promoção de quase duas dezenas de entidades sindicais, estudantis e populares.
Programação do Seminário “Os 150 anos do CAPITAL”
Horário: 18h30 às 21h30

Mesas e palestrantes:
18.09.17 (2ªf)
Mesa de Abertura: Instituições Organizadoras

Mesa Inaugural: O Capital e a Concentração da Riqueza e do Poder
Economista Márcio Pochmann (UNICAMP)
Cientista Social e Político José Vieira Loguércio (FMG/RS)
Historiador Paulo Visentini (UFRGS)

21.09.17 (5ªf)
Mesa 2: OS 150 ANOS dE “o CAPITAL” e sua iNFLUÊncia no Brasil e no mundo

Economista Eduardo Costa Pinto (UFRJ)
Economista Pedro Fonseca (UFRGS);
Historiador Diorge Konrad (UFSM)

25.09.17 (2ªf)
Mesa 3: Estrutura, Método e Teoria do CAPITAL

Economista Luiz Gonzaga Belluzzo (UNICAMP)
Filósofa Madalena Guasco (PUCSP);
Economista Gláucia Campregher (UFRGS)

28.09.17 (5ªf)
Mesa 4: As Crises Capitalistas e a atualidade do CAPITAL
Economista Leda Maria Paulani (USP)
Economista Aloísio Barroso (FMG)
Economista Marcelo Milan (UFRGS)

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Fonte: Brasil Cultura

Elza Soares: “A mulher só pode gemer se for de prazer”

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“Já nasci marcada pra ser essa mulher guerreira e falar desses problemas tão sérios. Falar da mulher, brigar pela mulher. Hoje em dia a gente continua brigando depois de tantos anos. Eu acho que já tinha tempo de acabar isso tudo”.
Por Magali Moser
Aos 80 anos, Elza faz da carreira um manifesto contra violências de todo o tipo Aos 80 anos, Elza faz da carreira um manifesto contra violências de todo o tipo Os primeiros fãs chegaram por volta de três horas antes do horário marcado para o início do show no hall do Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) no domingo, 20 de agosto. Talvez, eles representem a diversidade de perfis e faixas etárias dos admiradores da obra de Elza Soares. Bebeth, como se identificou para mim com forte sotaque sul-rio-grandense uma simpática senhora de 64 anos, professora aposentada de Engenharia Elétrica da UFSC, trazia em mãos um suplemento especial com uma reportagem sobre Elza Soares e estava em busca de um autógrafo. E o fotógrafo Bruno, que conheceu a cantora aos 11 anos, quando Elza participou da cerimônia de abertura dos Jogos Panamericanos Rio 2007. Dali em diante, virara seu fã. Ele saiu de Balneário Camboriú exclusivamente para o show e carregava três CD’s da cantora brasileira do milênio, de quem esperava ao menos o registro em uma selfie. O burburinho era de que Elza chegaria às 18h pela rampa lateral, oposta ao acesso principal. Sabendo disso, deslocaram-se para lá, agoniados para a verem de perto. Cercaram Padilha, o segurança, que não perdeu a paciência com a ansiedade e a quantidade de perguntas.
Lá, embaixo aguardavam mais três fãs de Elza. Duas delas exibiam estilo de corte de cabelo Black Power, semelhante ao da cantora, numa nítida demonstração de filiação e muita admiração. As garotas, estudantes da UFSC, não pareciam ter mais de 20 anos e surpreenderam a fã sexagenária que acompanhava a espera: “Convidei meu filho de 30 anos para vir ao show e ele não quis. Eu pensei que Elza atraísse só gente da minha geração. Ela vai ficar feliz em saber que tem jovens aqui também”, celebrava Bebeth durante a espera. Minutos depois, por volta das 18h40min, um carro preto encostou próximo à rampa. Saíram dele quatro homens. Por fim, Elza apareceu. Quando ela desceu do automóvel, não chovia. O termômetro marcava 19ºC mas soprava um vento com força, deixando a sensação de uma temperatura ainda mais baixa.
Uma das fãs com Black Power começou a chorar de forma compulsiva, parecendo não acreditar estar diante de sua inspiradora. O produtor de Elza pediu para que aguardassem. Primeiro, recolheu os papéis e CD’s trazidos pelos fãs para serem autografados a fim de levá-los até a cantora e fazer a intermediação. Sem papel àquele momento, a moça que se emocionou com a chegada de Elza fez o ato de alteridade ao entregar-lhe o próprio documento de Registro Geral (RG) para ser autografado. Naquele momento, a jovem mistura a própria identidade, pois o desejo pela marca da ídola no documento pessoal parece constituir um ato de assumir uma influência, efeito gerado pela cantora sobre seus fãs. Como a chegada dos músicos sofreu um atraso e Elza ainda precisava testar o som, a promessa era de que ela receberia fãs e imprensa ao final, no camarim. E foi assim que ocorreu, quando a cantora distribuiu beijos de batom no lugar de autógrafos.
Antes da cantora entrar no palco, a plateia entoou o coro uníssono: Fora Temer! Fora Temer! As palavras de ordem foram ouvidas também durante o show, quando Elza comentou: “A voz do povo é a voz de Deus”. O espetáculo abriu com a música que dá título ao álbum A mulher do Fim do Mundo, disco lançado em 2015, 34º de sua carreira e o primeiro só com músicas inéditas. Foi em torno de uma hora e meia de apresentação. Em vários momentos, especialmente entre uma música e outra, vozes da plateia gritavam “divaaaa”, “maravilhosaaa”, “eu te amooo”, e a cantora retribuía com “obrigadaaa” ou então “eu te amo também”, numa interação direta com o público. Sem citar nomes da esfera política uma única vez, Elza Soares também fez do show um momento de reflexão sobre o futuro do Brasil. Repetiu por várias vezes a frase: “Acorda, Brasil dorminhoco”. E parece, de fato, “ensinar” a plateia a soltar o grito preso na garganta, lutar e resistir contra as injustiças sociais, intolerâncias e preconceitos.
Aos 80 anos, Elza demonstra força e energia ilimitadas. A disposição não finda para fazer da carreira um manifesto contra violências de todo o tipo. “A mulher só pode gemer se for de prazer”, disse após a canção “A mulher da Vila Matilde”, que denuncia a violência doméstica. Recebeu o Portal Catarinas e jornalistas para uma conversa breve e com raciocínio rápido de quem pensa sobre tudo o que faz ou como se soubesse das perguntas de antemão. Mas, como ela própria disse ao final “eu já disse tudo o que tinha para dizer”. Nós sabemos que sim, Elza. Mas, no atual contexto, é preciso repetir.
Catarinas – Você é um ícone pra muitas gerações. Por que você acha que as novas gerações ainda se conectam tanto contigo?
Elza Soares – Porque eles entendem o que eu falo. Precisava de alguém que falasse a mesma linguagem. E eu acho que a minha linguagem vai direitinho onde eles querem.
O que é cantar pra ti?
Cantar pra mim é o combustível da alma. É como se fosse a medicina da dor. Eu me sinto muito bem cantando.
O que você tem escutado?
Eu continuo ouvindo Chet Baker que é a minha paixão. Às vezes escuto Ella Fitzgerald, porque há alguns anos atrás eu fiz um trabalho pra ela. Ficamos amigas. Eu … escuto música brasileira, mas tem que estar escolhendo, escolhendo, escolhendo, escolhendo. Tem muita gente boa por aí, lógico, muita gente nova por aí, mas precisa botar na praça.
Você não titubeia quando o assunto é misturar ritmos. Tinha distorção, tinha punk, tinha rap…
Tem tudo. Eu acho que o que você quer cantar, tem que cantar. Você não tem que ser marmelada o tempo todo. Seja goiabada um bocadinho.
Por que fazer da música um ato político?
Não é tão político assim, não. Eu gostaria que fosse mais. Mas como a gente … no Brasil um momento tão fechado… tão…. tão… Você não sabe pra onde a gente vai. Então, tem que tomar muito cuidado com política. Falar pouco, ou não falar nada. E cantar, que aí ninguém pode me proibir de cantar… Não mexo com ninguém. A voz do povo é que é maravilhosa. Acorda o Brasil que tá dorminhoco, né?
Qual é a sua avaliação sobre o momento político por que o Brasil passa?
Péssimo. A gente tá num momento péssimo, a gente não sabe pra onde vai.
E qual é o papel da música diante disso?
É o que eu fiz hoje no palco.
Quando é que você se descobriu feminista?
Logo que eu comecei a cantar. Eu acho que eu já nasci com este dom, com esta… nem sei o que é. Mas, já nasci marcada pra ser essa mulher guerreira e falar desses problemas tão sérios. Falar da mulher, brigar pela mulher. Hoje em dia a gente continua brigando depois de tantos anos. Eu acho que já tinha tempo de acabar isso tudo.
E com relação à mulher negra?
Tá aí (o racismo). Qualquer lugar que você passar o espanador, ele tá presente. É uma poeira suja. E a gente tem que combater. Tem que falar sempre, até cansar.
E qual é o seu próximo projeto?
Tenho um que tá na praça, que é “Na pele”, com a Piti, não sei se você já viu. É muito bonito. É um single. Eu convidei a Piti pra gravar comigo, ela fez a música pra eu cantar. Aí eu convidei que ela viesse cantar comigo a música Na Pele. Ficou muito bonito. E o próximo é “A mulher do fim do mundo” como um programa. A gente tem que pensar muito, porque agora fazer outro projeto em cima da mulher do fim do mundo vai ser bem pensado. A mulher do fim do mundo dá muito caldo ainda. Nós ainda temos muito caminho pra correr.
Fonte: Catarinas

AMES - NOVA CRUZ/RN, 28 DE AGOSTO, 23 ANOS DE LUTAS E CONQUISTAS, MAS HOJE QUASE NADA PRA COMEMORAR!!!

No dia 28 de agosto de 1994 na Escola Municipal PEREIRA MATOS - Nova Cruz-RN, nas a AMES - Associação Municipal de Estudantes, entidade sem fins lucrativos e em defesa dos estudantes, da educação, do movimento estudantil, da cultura, da liberdade de expressão e a todo tipo de discriminação.

No decorrer desses 23 anos foram vários presidentes que aqui passaram. Primeiro seu fundador e idealizador, Eduardo Vasconcelos, ex dirigente da da UMES-NATAL (1987) e da APES (1990/1) e os demais ex presidentes, entre eles na sequência: Antonio Virgílio dos Santos; Edson Neves de Lima; Maria do Socorro Mendonça; Wilton Teixeira da Silva; Aldo Roberto dos Santos; Fernando Luiz dos de Souza (2 mandatos); Ricardo Emergino e Elaine Faustino.

Foram muitas conquistas, entre elas destacamos a Lei do Grêmio Estudantil nas Escolas Municipais, Estaduais e Particulares; a MEIA ENTRADA; RECOMENDAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO PARA O CUMPRIMENTO DA MEIA ENTRADA; MEIA PASSAGEM INTERMUNICIPAL; ELEIÇÕES DIRETAS PARA DIRETORES DE ESCOLAS; Participações em 3 Congressos da UBES (União Nacional dos Estudantes - (1994 a 2008); Participações nos Conselho Municipais de Educação; da Assistência Social e da Saúde, VOTO AOS 16 ANOS, Núcleo da UERN, Campus do IFRN Vestibular dos Cursos a Distância da UFRN (que fazia 4 anos que não tinha vestibular, entre outras.

Além da criação em 2011 da Comissão em Defesa dos Campus da UERN e UFRN, Já!

Mas hoje não temos quase nada para comemorar, pois as conquistas adquerida nos governos Lula e Dilma estão sendo ameaçados pelo atual governo, como o FIES, PROUNI, entre outros.

É preciso uma nova reflexão da estudantada/juventude para avaliar a atual conjuntura e partir para a luta de forma eficaz e consciente, PORTANTO NEM UM DIREITO A MENOS!

A AMES SOMOS NÓS, NOSSA FORÇA E NOSSA VOZ!

domingo, 27 de agosto de 2017

O Brasil racista no novo álbum de Chico Buarque

As Caravanas, Chico Buarque
É um dia de real grandeza, tudo azul
Um mar turqueza à la Istambul enchendo os olhos
Um sol de torrar os miolos
Quando pinta em Copacabana
A caravana do Arará — do Caxangá, da Chatuba
A caravana do Irajá, o combio da Penha
Não há barreira que retenha esses estranhos
Suburbanos tipo muçulmanos do Jacarezinho
A caminho do Jardim de Alá — é o bicho, é o buchicho é a charanga
Diz que malocam seus facões e adagas
Em sungas estufadas e calções disformes
Diz que eles têm picas enormes
E seus sacos são granadas
Lá das quebradas da Maré
Com negros torsos nus deixam em polvorosa
A gente ordeira e virtuosa que apela
Pra polícia despachar de volta
O populacho pra favela
Ou pra Benguela, ou pra Guiné
Sol, a culpa deve ser do sol
Que bate na moleira, o sol
Que estoura as veias, o suor
Que embaça os olhos e a razão
E essa zoeira dentro da prisão
Crioulos empilhados no porão
De caravelas no alto mar
Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria
Filha do medo, a raiva é mãe da covardia
Ou doido sou eu que escuto vozes
Não há gente tão insana
Nem caravana do Arará
Fonte: http://jornalggn.com.br (Luiz Nassif)

Um poema satírico brasileiro comentado pelo erudito presidente-golpista, por Sebastião Nunes


por Sebastião Nunes
O Brasil, como palco de dramalhões, não tem paralelo no mundo. Colonizado e explorado com voluptuosa preguiça por uma confusa mistura de criminosos e herdeiros da pequena aristocracia portuguesa, perdeu-se no caos. Terra de elites podres, corrupção antiga e velhos golpes que se repetem como se fossem novos. Lá em cima, os poderosos de hoje (crias dos poderosos de ontem) dividem o butim, sempre gordo. Aqui embaixo, a ralé e a classe média baixa (a média alta é tropa de choque dos poderosos) tentam sobreviver, juntando os cacos, os farrapos e a esperança. Ou, como filosofou um amigo esperto, quem tem coragem vai ser traficante; quem não tem, entra para a polícia. A alternativa é jogar futebol ou cantar música brega em programa de auditório, únicas praias em que preto pobre pode ter sucesso e encher o metafórico chapéu.
A população se divide assim: 100 famílias que fazem as leis e 190 milhões de otários que cumprem as ordens ou vão mofar (e morrer) nas cadeias superlotadas.
Este poema foi composto quando Itamar Franco (lembra dele?) era presidente, mas continua perfeitamente atual. Nada de espantoso: as sátiras de Gregório de Matos têm 350 anos e continuam valendo. Vamos ao poema, emoldurado em dourado numa das paredes palacianas, e aos palpites golpistas.
            AS RAMPAS DO PALÁCIO
Deitado de costas o presidente ronca.
            Deitada de bruços a senadora sua.
            Ajoelhado no tapete o ministro chupa.
            De pernas abertas a deputada goza.

            O líder do governo propõe uma suruba.
            Em regime de urgência o plenário aprova.
            Pelo buraco da fechadura o secretário.
            Enrolado nas cortinas o mordomo.
            A afilhada do prefeito sobe a rampa.
Caiu-lhe, ao presidente-golpista, o pelado queixo. Embasbacou.
– Serei eu esse presidente aí? – ponderou. – E que senadora será essa? Tem umas bem bonitinhas, de bundinhas empinadas e seios pontudinhos. Claro que tem umas bruxas que vou te contar, mas não seria uma dessas a estar de bruços. Deus me livre!
Atentando no segundo dístico, de novo ponderou:
– E esse ministro aí, qual deles será? Deve ser bem velhusco pra estar chupando, se bem que se for gostosona a deputada...
Passando adiante, refletiu sobre o terceiro dístico:
– Não é suruba, caro poeta, seja você quem for, não se trata de suruba. Quem sabe uma simples troca de palavras resolve a pendenga? Então, em vez de suruba, bota aí Reforma Política ou outra reforma qualquer, que é tudo farinha do mesmo saco, metaforicamente falando, é claro.
Saltou as alusões ao secretário e ao mordomo (“os daqui de casa sabem se comportar, não fariam tão feio assim”, refletiu cabreiro), leu o verso final e se apressou em voltar à sala do trono, pois uma afilhada de prefeito só pode ser uma semideusa, conforme deduziu imediatamente com sua emporcalhada mente golpista.
– Nada como uma afilhadazinha de prefeito como entrada – refletiu ele, sorrindo e pensando na senadora suando.
Entrou pelas portas dos fundos e, sentado no trono, esperou, cheio de curiosidade e emoção, a bela prenda – que demorava.
http://jornalggn.com.br/blog/sebastiao-nunes/um-poema-satirico-brasileiro-comentado-pelo-erudito-presidente-golpista-por-sebastiao-nunes

sábado, 26 de agosto de 2017

HOMOFOBIA MATA! RESPEITE A LIBERDADE DE GÊNERO!!!

RESPEITAR O PRÓXIMO, É RESPEITAR A LIBERDADE DE GÊNERO, LEMBRE-SE: HOMOFOBIA MATA! - Uma Campanha do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN

O Sistema Nacional de Cultura (SNC), já conta com 2,4 mil municípios e CARNAÚBA DOS DANTAS/RN É DELES!!!

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O Sistema Nacional de Cultura (SNC), ferramenta de gestão compartilhada de políticas culturais entre a sociedade e as três esferas de governo (municipal, estadual e a União), já conta com a adesão de 2,4 mil municípios. O número corresponde a cerca de 43,7% do total dos municípios brasileiros.
Só este ano, foram 194 novas adesões. A lista com os 12 novos participantes foi publicada pelo Ministério da Cultura no Diário Oficial da União desta quinta-feira (24).
Passaram a integrar o SNC: Porciúncula (RJ), Carnaúba dos Dantas (RN), Colônia Leopoldina (AL), Mogi Mirim (SP); Califórnia (PR), Santa Fé (PR), Córrego Fundo (MG), Lavras (MG), Rio Preto (MG), Teutônia (RS), Rio Pardo (RS) e Ponte Preta (RS).
Os estados e os municípios integrantes do SNC têm condições de aprimorar a gestão cultural por meio da criação de órgão de gestão local, conselho de política cultural, conferência e plano de cultura, além de um sistema de financiamento.
Adesão
A adesão se dá por meio da assinatura de um acordo de cooperação federativa entre o MinC e o ente federado, que se compromete a estruturar o seu sistema de cultura.
Para auxiliar nesse processo, o Ministério da Cultura promove oficinas para capacitação dos gestores e conselheiros municipais de cultura. Dessa forma, o ministério oferece as condições técnicas apropriadas para a integração ao Sistema Nacional de Cultura.
A integração dos estados e municípios ocorre em três etapas: a primeira é a adesão voluntária; a segunda é a institucionalização, por meio da publicação de lei específica de criação dos sistemas estaduais, distrital e municipais de cultura; e a terceira é a implementação, com o efetivo funcionamento dos componentes da estrutura do sistema.
Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério da Cultura

Prêmio Culturas Populares recebe inscrições até a próxima segunda-feira (28)

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As inscrições do Prêmio Culturas Populares vão até segunda-feira (28). O Ministério da Cultura vai premiar com R$ 10 mil 500 iniciativas de mestres, grupos/comunidades e instituições privadas que colaboram com a patrimônio da cultura popular do País
Das 500 premiações, 200 serão destinadas a pessoas físicas, outras 200 a coletivos culturais sem constituição jurídica, 80 a pessoas jurídicas sem fins lucrativos e com natureza ou finalidade cultural e 20 a herdeiros de mestres já falecidos (in memoriam). Este é o primeiro edital de cultura popular lançado pelo Minc desde 2012 e o maior em número de premiações.
O Prêmio busca fortalecer expressões culturais brasileiras, como o Cordel, a Quadrilha, o Maracatu, o Jongo, o Cortejo de Afoxé, o Bumba-Meu-Boi e o Boi de Mamão, entre outros. Culturas Indígenas, Culturas Ciganas, Hip Hop e Capoeira ficaram de fora, por já serem objeto de editais específicos do MinC.
Entre os critérios avaliados estão: contribuição sociocultural que o projeto proporcionou às comunidades; melhoria da qualidade de vida das comunidades a partir de suas práticas culturais; e impacto social e contribuição da atuação para a preservação da memória e para a manutenção das atividades dos grupos, entre outros.
 Inscrições 
Quem se inscrever pelo correio deve endereçar a correspondência da seguinte forma:
Edital de Seleção Pública n.º 01, de 29/05/2017
Edital Culturas Populares – Edição Leandro Gomes de Barros
Setor Hoteleiro Sul – Quadra 02, Bloco “B”, Ed. TELEX – Térreo
Caixa Postal: 8591
Brasília/DF – CEP 70.312-970.
Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério da Cultura 

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Há 63 anos morria Getúlio Vargas

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Em 24 de agosto de 1954 o presidente Getúlio Vargas se matou com um tiro no peito, acossado por uma campanha difamatória sem precedentes (lembrando ao que acontece hoje contra o o ex Presidente Lula) contra ele e seus familiares.

Um dos maiores estadistas do Brasil, o “pai dos pobres”, o trabalhista, o ditador. Faz exatamente 63 anos, nesta quinta feira, que uma das figuras mais complexas da política brasileira deixou esta vida para entrar para a história. Getúlio Vargas, presidente da República por quatro mandatos, porém, eleito democraticamente somente para um, foi amado e odiado, mas no fim, pondo fim à própria vida, conseguiu, sozinho, mudar o curso da história.

Uma das marcas mais vivas de Vargas é a do gestor que deu direitos aos trabalhadores brasileiros. De fato, houve um avanço social significativo durante o período em que ele esteve no poder. Foi entre 1930, ano da revolução que colocou Vargas no comando do Brasil pela primeira vez, e 1945, data da sua deposição, após a ditadura do Estado Novo, que a maior parte das leis trabalhistas foi formulada e os maiores avanços nesta área também, como o salário mínimo, descanso semanal, farias remuneradas e redução da carga horária para oito horas diárias.

Foi no seu governo que se fez a Consolidação das Leis Trabalhistas, a conhecida CLT, que reúne todas as normas da área. Getúlio também era um grande defensor da economia nacionalista e foi o responsável por um conjunto de ações estruturadoras que possibilitaram o desenvolvimento da indústria no Brasil. Seu objetivo era tornar independente a economia brasileira. Visando proporcionar essa infraestrutura para o desenvolvimento industrial, Vargas criou, já no governo democrático, duas forte estatais no setor energético: a Petrobras e a Eletrobrás.

A herança do modo de governar “getulista” curiosamente foi herdada pelas forças de esquerda do Brasil. Curioso, porque Getúlio era, em princípio, um ditador com inclinações fascistas, que perseguiu, torturou e matou muitos comunistas durante o Estado Novo. Seu legado e, principalmente, as circunstâncias da sua morte fizeram o Getúlio ditador ficar no passado. “Ele é a figura a quem se associa a proteção social, dos direitos dos trabalhadores, a previdenciária. É também a referência do que se costuma chamar de nacionalismo econômico. A essência desse legado de Vargas hoje pode ser identificada nas propostas e governos dos partidos mais à esquerda”, avaliou o historiador da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Flávio Weinstein.

Segundo ele, as forças políticas que trazem um sentimento econômico mais liberal e que encaram a legislação trabalhista como um entrave ao desenvolvimento são também aquelas que normalmente fogem desse legado getulista. “Esse grupo que fala em flexibilização das leis trabalhistas, tornando mais fácil contratar e demitir, reduzindo os custos com a remuneração de pessoal, no geral, tem verdadeiro horror à herança de Vargas”, explicou.

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TROVADORES URBANOS FAZEM HOMENAGENS PARA OS FEIRANTES DA CIDADE DE SP

Foto marco aurelio olimpio_resized
Bom dia, freguesa! Precisa de alguma coisa? “Olha o mamão! Morangos aqui  , docinhos, docinhos. Olha o pastel,  de todos os sabores, freguesia!
No dia 25 de agosto comemora-se o dia do feirante, o profissional que trabalha com produtos da agricultura, levando os alimentos até nossas mesas.

Hoje em dia, além dos produtos alimentícios, hortifrutigranjeiros, podemos encontrar bancas vendendo vários tipos de produtos, como doces, farinha, pescados, carnes e linguiças defumadas, deliciosos pastéis fritos na hora, pequenos utensílios de cozinha, roupas, CDs e DVDs, além de serviços de consertos de panelas entre outros.
A criação da data se deu em virtude da realização da primeira feira livre do Brasil, no ano de 1914, na cidade de São Paulo. São Paulo tem, em média, 122 feiras livres por dia
OS  seresteiros Trovadores Urbanos vão circular feiras em quatro regiões da cidade, fazendo uma linda homenagem aos feirantes e também aos  clientes.
Serviço: 
A partir das 7h da manhã
Feiras Visitadas:
– Pacaembu (em frente ao Estádio)
– Santana – Rua Tupiguaes
– Vila Mariana – Rua Conceição Veloso
– Tatuapé – Rua Santa Catarina
Sobre as feiras da cidade de SP:
Em São Paulo, há 857 feiras livres, segundo dados Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras. Nelas, há 16.305 barracas. Se somarmos a extensão de todas as feiras, temos 248, 6 quilômetros – quase a mesma distância entre São Paulo e Ubatuba, no litoral norte do Estado. Em média são 122 feiras por cada dia da semana.
As subprefeituras da Penha e da Mooca, ambas na zona leste, são as campeãs em número de feiras, com 52 e 42, respectivamente. Perus, na zona norte, e Parelheiros, na zona sul, empatam em último lugar, ambas com 8.
Sobre Trovadores Urbanos:
Conhecidos como os “Seresteiros da Cidade”, têm 26 anos de carreira, 8 CDs e 2 DVDs gravados, mais de 100 mil serenatas realizadas e shows pelo Brasil e mundo.
Instituto Trovadores urbanos atende a 150 crianças, com aulas de música e teatro.
Toda sexta oferecem à cidade uma serenata gratuita, “Seresta de Sexta “, na Casa dos Trovadores Urbanos, em Perdizes.
Facebook: Trovadores Urbanos
Instagran #trovadoresurbanos
Macida Joachim
Relacionamento com a imprensa
Rua Diana, 607/24 -Vila Pompéia
São Paulo – Brasil
11-3459-2442/99937-3446

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Empoderamento e letramento – Por Richard Santos*

hip hop

Há alguns anos escrevo esta coluna em nome da Nação Hip Hop Brasil, o que para mim é motivo de grande orgulho poder através de minhas letras, não mais cantadas em forma de rap, chegar a um público vasto e amplo como o deste espaço. Representar a Nação Hip Hop, ser membro do movimento Hip Hop é motivo de orgulho e parte significativa de minha história, relato isso no memorial de minha tese de doutoramento. Porém, sempre fiz coisas pensando em seu inicio, meio e fim. E achando que estamos chegando no momento de passar o bastão, o espaço é para escritos e pensamentos da Nação, com toda a boa vontade que tenha, tenho certeza que não consigo traduzir com minhas palavras e compreensão do mundo as demandas e necessidades dos manos e minas deste enorme país filiados a essa importante entidade. Precisamos respirar, re-energizar as relações e compreensões. Assim que com este texto começo a me despedir deste momento e contribuição extremamente significativo em minha formação pessoal.
Ainda que esteja de partida deste espaço e não da militância na Nação Hip Hop, gostaria de deixar dois indicadores de caminho a serem analisados por aqueles que se propõem a ler minhas más traçadas linhas, a você leitor:
1- EMPODERAMENTO- Ao longo dos últimos anos tenho visto, lido e ouvido muitas queixas sobre como pensar o Hip Hop, como ser mais respeitado por parceiros como partidos políticos e organizações de juventudes que, independentes da nomenclatura, têm sido fortes aliados à esquerda daqueles que acreditam que podem transformar o mundo, também, através do Hip Hop. O conteúdo básico das reclamações é que o aliado Xis ou Ipissilóm não lembra dos manos e minas para a hora do filé mignon, apenas para roer o osso. Que somos convidados apenas para cantar, dançar ou pintar gratuitamente (e a maioria de nós assim aceita), exoticamente somos vistos mais como acessórios do que como sujeitos ativos e contribuintes da transformação. De certo modo já escrevi sobre isso em um texto anterior (Sobre o uso utilitarista do Hip Hop), mas, é algo que não se esgota.
Ultimamente perdemos importantes parceiros que foram para fora das fronteiras do movimento e/ou mesmo buscaram oportunidades oportunas em novos conglomerados políticos com perspectivas de mudança e CAPITALIZAÇÃO da situação do sujeito negro e favelado no Brasil. Certo ou errado, não estou julgando, esses verdadeiramente continuam sua caminhada em busca de EMPODERAMENTO. Sim, faz parte da auto-estima coletiva se sentir empoderado, não vislumbrar soluções individuais para os problemas imediatos mas saber, sentir-se abraçado pelo coletivo e reconhecido nas oportunidades que isso for possível. Enfim, acho que neste momento crucial de acirramento das contradições e das identidades precisamos ter uma organização empoderadora, empoderada e cada vez mais independente. Como isso se dará ou se já está acontecendo, o tempo dirá. Isso é o que definirá se somos uma organização de jovens nem tão jovens mais em busca de um caminho mais rápido para o sucesso e fama, ou se temos amadurecido nossa compreensão sobre o espaço pisado e caminhamos para consolidarmos o processo de amadurecimento organizacional. Esse empoderamento não é responsabilidade de um ou de outro, é uma construção coletiva de todos os que formam essa entidade e, passa também pelo letramento, o segundo ponto a ser tratado aqui.
2- LETRAMENTO- O Hip Hop historicamente é responsável pelo letramento de muitos jovens alijados do processo de alfabetização comum. Em Guiné-Bissau, África, pude conhecer muitos jovens que através das letras do rap, do interesse em fazer a pintura do grafite ou mesmo da necessidade de saber a marcação da música, foram atrás de mais conhecimento e deram os primeiros passos para a cidadania, para o ser e saber através das posses, das pequenas organizações juvenis de Hip Hop aos quais eram filiados. Agora, mais recentemente, no mês de julho de 2017 estava em Cartagena das Indias na Colômbia participando de um Congresso na Universidad Tecnológica ,e dentro de um local histórico chamado Cidade Amuralhada, conheci uns B.Boys venezuelanos que se apresentavam na rua e davam aulas de dança para os interessados, didaticamente localizavam a origem dos movimentos, relacionavam o processo histórico, etc.
Além dos elementos do Hip Hop, tantos os ativistas do bairro de Pindiguiti em Bissau como os venezuelanos em Cartagena, utilizam a arte de rua contra o analfabetismo, isso é letramento. O letramento apresenta-se como um processo em que o ensino da leitura e da escrita acontece dentro de um contexto social e que essa aprendizagem faça parte da vida dos alunos efetivamente. Ao contrário do tradicional conceito de alfabetização, em que os alunos deveriam dominar as habilidades de leitura e escrita de forma mecânica, sem a preocupação com a capacidade de interpretar, compreender, criticar; As habilidades adquiridas na escola devem fazer parte das relações comunicativas dos indivíduos. Assim que questiono: quantos de nós trabalha com essa perspectiva? Quantos têm no estudo uma das ferramentas para a emancipação e luta contra a subserviência? Talvez, através do letramento, do estudo e do raciocínio crítico direcionado um dia consigamos nos livrar das amarras ilustradas no item Empoderamento.
Sei que posso ter me alongado tratando desses dois itens, mas penso que são reflexões e ações que faltam para os manos e minas que se querem ativistas das periferias, da cultura de rua, do movimento Hip Hop. Para quem acredita no poder emancipador descoberto, talvez, através do Hip Hop, mas que possível de irmos mais longe, de vislumbrarmos outras possibilidades e atitudes perante a vida, o letramento e o empoderamento é essencial para esta independência. O que não significa se afastar das atividades ligadas ao Hip Hop, e, sim, fortalece-las, retornando para os seus de forma mais significativa todo o aprendizado iniciado ali nas rodas de break, nas batalhas de rima ou na pista para pintar a cidade cinza. É de cores que falo aqui, precisamos buscar caminhos e soluções para que nossa relação com o movimento, com a arte não seja tão cinza, de dependência e subserviência a quem pagar mais, e, sim, colorida de possibilidades, saberes e altruísmo.
Saudações e respeito à todos os camaradas do Hip Hop brasileiro, axé!