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quinta-feira, 19 de julho de 2018

VOCÊ CONHECE O HINO DE NATAL (RN)?

Você sabia que o hino de Natal fala das pessoas brincarem de rolar Morro do Careca abaixo, hoje algo proibido?
Ou que ele fala de foguetes?
Mas o hino como ele é hoje não pertenceu a cidade desde sempre não. Durante 77 anos ele era um poema composto por Othoniel Menezes chamado “praieira dos meus amores” e musicado pelo maestro Eduardo Medeiros em 1923.
Então em 30 de setembro de 2001 a Prefeitura oficializou o hino atual, que tem letra e melodia compostas pelo professor Waldson José Bastos Pinheiro. Em sua primeira audição, a obra foi executada pela Orquestra Sinfônica do Município, que a gravou ao vivo em solenidade realizada no Teatro Alberto Maranhão.
Então aqui está o hino e sua letra está logo abaixo:
I
Natal, Cidade Sol,
Tu representas tanto para mim!
No início, Forte dos Reis Magos,
Cidade Alta, Ribeira e Alecrim.
Daí, sempre a crescer –
Um cajueiro, galhos a estender,
Brotou nas Rocas, Quintas e Tirol,
Em Igapó, Redinha e Mirassol;
Chegou à Zona Norte,
Em Mãe Luíza se enraíza no farol.
O mar, enamorado,
Colar de praias te presenteou;
E o Potengi amado
Em teu regaço com o porvir sonhou.
Natal – provinciana –
A tua história nos contou Cascudo:
A luta com o batavo,
As procissões, o pastoril, o entrudo.
II
Natal, Cidade Sol,
Tu representas tanto para mim!
No início, Forte dos Reis Magos,
Cidade Alta, Ribeira e Alecrim.
Daí, sempre a crescer –
Um cajueiro, galhos a estender,
Brotou em Morro Branco e Bom Pastor,
Em Candelária, Felipe Camarão;
Do Morro do Careca
Em Ponta Negra, vem rolando até o chão.
O mar, enamorado,
Colar de praias te presenteou;
E o Potengi amado
Em teu regaço com o porvir sonhou.
Natal – espacial –
Ao céu foguete vai levar mensagem
De amor e de esperança
A quem fiel evoca a tua imagem.
Você gostou? Então veja o hino do Rio Grande do Norte
Dica do leitor: Ely Oliveira
Fonte: curiozzzo.com

O TEMPLO DA HUMANIDADE

No friso, a citação de Auguste Comte que deu origem ao lema da bandeira do Brasil
“O amor por princípio e a ordem por base, o progresso por fim”
.
A inauguração oficial aconteceu no dia 1º de janeiro de 1897
1ª fase de construção do Templo, quando a fachada ainda era de tijolos (cerca de 1894)
Fachada do Templo da Humanidade, na antiga rua Santa Isabel (início séc. 20)
O Templo da Humanidade é a sede da Igreja Positivista do Brasil, instituição que teve participação na organização da República brasileira. Sua arquitetura e seus acervos são hoje tombados. Artistas como Décio Villares e Eduardo de Sá trabalharam na decoração do prédio, que é um registro único da disseminação da Religião da Humanidade pelo mundo.
O prédio abriga a sede da Igreja Positivista do Brasil, entidade religiosa fundada no final do Império, em 1881, no Rio de Janeiro, por seguidores do filósofo francês Auguste Comte (1798-1857). Sua construção se estendeu de 1891 a 1896; a inauguração oficial aconteceu no dia 1º de janeiro de 1897. A data, simbólica, corresponde ao Dia da Humanidade no calendário da Religião da Humanidade.  
O movimento positivista teve uma atuação importante na vida política brasileira. Desde o final do século 19 os membros da Igreja Positivista do Brasil interferiram assiduamente no debate público clamando pela instauração do regime republicano e pelo fim da escravatura. Após a Proclamação da República a influência do positivismo tornou-se mais direta incidindo em decisões políticas tomadas pelo Governo Provisório e ao longo da República Velha.
Este intenso ativismo político deixou um legado na história da República do Brasil, que inclui o desenho da Bandeira nacional republicana, projetado por Raimundo Teixeira Mendes (1855-1927), vice-diretor da Igreja Positivista do Brasil, e a instauração do estado laico, decretado pelo Governo Provisório. O Templo da Humanidade e seus acervos são tombados nas esferas federal, estadual e municipal em reconhecimento da participação da Igreja Positivista do Brasil na construção da história nacional. Parte de seus acervos receberam o selo Memória do Mundo da UNESCO, em 2015.
O Templo da Humanidade também tem a particularidade de ser o primeiro templo positivista edificado no mundo conforme indicações e regras estabelecidas por Auguste Comte, o fundador da Religião da Humanidade.
Fonte: http://templodahumanidade.org.br

MARCO NA HISTÓRIA DO BRASIL

Os positivistas pregaram a laicização da sociedade
Miguel Lemos, ao lado de Teixeira Mendes, coordenou a propaganda política e religiosa da IPB
As ideias positivistas tiveram repercussão mundial no contexto de crise social, política e espiritual que acompanhou o surgimento da sociedade industrial. No Brasil, esta influência foi determinante entre as décadas de 1880 e 1930, e teve seu principal momento na Proclamação da República, em 1889.
Os positivistas pregaram a laicização da sociedade
A Igreja Positivista do Brasil promoveu o culto cívico a Tiradentes


Os primeiros escritos que faziam referência à obra de Auguste Comte surgiram no Brasil por volta dos anos 1840-1850, provavelmente por influência de jovens brasileiros que foram aprimorar seus estudos na Europa. O pensamento de Comte ganhou primeiramente espaço no ensino das ciências e da matemática, sobretudo na escola militar, no Rio de Janeiro. A partir da década de 1870, as ideias positivistas começaram a deixar as academias e passaram a ser discutidas dentro de círculos políticos. Um deles foi a Sociedade Positivista do Rio de Janeiro, fundada em 1878, que mais tarde daria origem a Igreja Positivista do Brasil.

Escola Militar do Rio de Janeiro em1888
Neste momento, o Segundo Império já apresentava sinais de desgaste. A falta de abertura política e o atraso econômico gerado pela proteção dos interesses dos proprietários de escravos contribuíam para o isolamento político do Brasil. Neste contexto, os círculos positivistas funcionavam como laboratórios de ideias progressistas. Neles, discutia-se a abolição da escravidão, a promoção de direitos trabalhistas para o novo proletariado, a instauração de um estado laico e de um modelo republicano para o país. Não raro, os positivistas se posicionavam no debate público, manifestando com veemência sua opinião através da publicação de folhetos e de manifestos em jornais. Em 1881, Miguel Lemos e Raimundo Teixeira Mendes fundaram oficialmente a Igreja Positivista do Brasil e começaram a sistematizar seu aparelho de propaganda política e religiosa, para instaurar uma República positivista no Brasil.
Proclamação da República ofereceu ao movimento a oportunidade histórica de intervir diretamente na organização política do país. Dois membros do Governo Provisório que tomou posse em 15 de novembro de 1889, Benjamin Constant (1836-1891) e Demétrio Ribeiro (1853-1933), eram positivistas e próximos da Igreja Positivista do Brasil. As pautas políticas defendidas pela instituição puderam, com eles, ganhar maior repercussão no novo regime.
Logo nos dias seguintes à Proclamação, Teixeira Mendes, vice-diretor da Igreja Positivista do Brasil, apresentou ao Governo Provisório seu projeto de bandeira nacional, com o lema positivista “Ordem e Progresso”, aprovado em 19 de novembro de 1889 pelo decreto n° 4. O Estado laico foi rapidamente adotado por decreto, em janeiro de 1890; o primeiro calendário de feriados cívicos nacionais, proposto por Demétrio Ribeiro a partir de um texto original de Raimundo Teixeira Mendes, também foi criado em 1889. Ele contemplava datas que o pensamento positivista considerava marcantes na história Ocidental e do Brasil, como a comemoração da descoberta da América, em 12 de outubro; a Abolição da Escravidão, em 13 de maio; ou o dia de Tiradentes, em 21 de abril.
A influência da doutrina positivista na vida republicana perdurou ao longo da Primeira República através da ação de vários estadistas. Benjamin Constant conduziu a Reforma da Instrução Pública de 1890 que introduziu os conceitos de laicidade e gratuidade no ensino público e instituiu aulas de Moral e Cívica. Ao falecer em janeiro de 1891, pouco antes de ser promulgada a primeira Constituição republicana, ele recebeu o título de Fundador da República. O Estado do Rio Grande do Sul teve por sua vez uma Constituição de inspiração comtiana, escrita pelo também positivista Júlio de Castilhos e promulgada na data simbólica de 14 de julho de 1891. O Marechal Cândido Rondon, membro da Igreja Positivista do Brasil, contribuiu no desenvolvimento de uma política indigenista e na idealização do Serviço de Proteção aos Índios - SPI - guiado por conceitos positivistas de integração entre os povos constituidores da nação brasileira.
Fonte: http://templodahumanidade.org.br

Ordem e o Progresso dos Positivistas

O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim. Eis a máxima do positivismo, criado pelo francês Auguste Comte no século 19. A semelhança com as palavras da nossa bandeira não é por acaso. Fundada em 11 de maio de 1881 (ou 19 de César de 93, segundo seu calendário), a Igreja Positivista do Brasil teve grande influência na formação da República. O casamento civil, o decreto dos feriados e a separação entre Igreja e Estado são algumas conquistas dos positivistas no governo.
Políticos e militares como Benjamin Constant – tido como o fundador da República brasileira – já seguiam os preceitos de Comte havia décadas, desde que estudantes brasileiros voltaram da Europa trazendo as centelhas dessa filosofia.
Em 1878 foi fundada a embrionária Sociedade Positivista do Rio de Janeiro e inaugurado o Templo da Humanidade. A cidade é considerada a capital mundial
do Positivismo; o Pão de Açúcar é seu símbolo. A doutrina baseia-se na ciência e na filosofia, tendo como metas o progresso moral, intelectual e material dos seres humanos através da liberdade.
Entre os positivistas famosos por aqui estão Roquette-Pinto, marechal Rondon, Nísia Floresta Brasileira Augusta e Euclides da Cunha. Tamanho foi o impacto da doutrina de Comte na sociedade que Machado de Assis, em seu romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, fez uma sátira a ela, colocando o louco Quincas Borba como autor do Humanitismo, que tinha como frase síntese a famosa “Ao vencedor, as batatas”. Noel Rosa também cantou: O amor vem por princípio, a ordem por base / O progresso é que deve vir por fim / Desprezaste esta lei de Augusto Comte / E foste ser feliz longe de mim. A Igreja Positivista continua a atuar no Brasil na sede carioca e também em Porto Alegre e Curitiba.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Por que é importante falarmos em feminismos (no plural)?

Apesar de existirem múltiplas perspectivas feministas, observamos muito frequentemente críticas a “o feminismo” (no singular), dirigidas, de fato, a uma caricatura das adversárias. As objeções recentes de Mario Vargas Llosa são um exemplo desse tipo de desatenção.
Por Mariana Pimentel Fischer*
Herdeiras de lutas históricas, diversas vertentes do feminismo travam, hoje, intensos debates. A primeira onda, que surgiu no início do século passado, reivindicava direito ao voto; a segunda onda, em meados do mesmo século, demandava igualdade jurídica, econômica e social; em 1980, a terceira onda, passou a fornecer especial atenção às diferenças. Principalmente a partir da década de 1960, as múltiplas perspectivas vão ganhando contornos mais bem definidos: feministas radicais, negras, socialistas, pós-estruturalistas, liberais e tantas outras criaram coletivos, movimentos sociais, ONGs, assim como importantes centros de pesquisa nas principais universidades do mundo.
Os debates entre os diversos pontos de vista, algumas vezes, revelam que, apesar do dissenso, é possível trabalhar em conjunto e até mesmo tirar proveito das divergências. Se as feministas negras continuam a mostrar que ainda é preciso dar muitos passos em direção à igualdade racial, suas críticas foram fundamentais para o amadurecimento da luta. Por conta delas, a grande maioria das militantes e acadêmicas, atualmente, estão convencidas de que questões de gênero e raça são indissociáveis.
Em outros casos, todavia, as diferenças se mostram profundas demais, geram rupturas. Por exemplo, Angela Davis e Nancy Fraser, durante as manifestações de 08 de março de 2017 contra o Governo Trump, insistiram na importância de compor um feminismo para os 99% que deve se contrapor ao feminismo liberal, alicerçado na noção de empreendedorismo.
Ora, se há tantas e tão diferentes vertentes do feminismo, por que, então, observamos com demasiada frequência críticas a “o feminismo” (no singular)? Quem são as destinatárias de tais objeções? Seriam as diversas feministas ou somente uma caricatura delas construída por seus críticos?
Em discussões superficiais em redes sociais são recorrentes afirmações como “o feminismo é o machismo com o sinal invertido” ou “o feminismo é também opressor”. Uma investigadora atenta à história das lutas e do pensamento feminista perceberá que, de fato, em alguns momentos tanto militantes como acadêmicas reproduziram opressão que identificavam no patriarcado. Chegaram, por exemplo, a excluir lésbicas e mulheres trans.
Mas equívocos como esses produziram também autocrítica; nesse último caso, um impulso para a formação de alianças com perspectivas queer e para um questionamento mais profundo acerca de temas como desejo, homossexualidade, identidade de gênero e práticas sexuais radicais.
Não apenas provocadores de polêmicas em redes sociais, críticos mais sofisticados também se mostram, por vezes, desatentos. Recentemente, Mario Vargas Llosa, sem dúvida um dos mais originais escritores de nossa época, publicou no El Pais, um texto intitulado “Novas Inquisições” .
Logo no início, Vargas Llosa afirma sem hesitar: “o feminismo é hoje o mais firme inimigo da literatura, pretende descontaminá-la do machismo, preconceitos múltiplos e imoralidades”. Em seguida, denuncia inquisidoras que, tal como religiosos e líderes totalitários (fascistas ou comunistas), cerceariam a liberdade de escritores como o próprio Vargas Llosa. Contra “o feminismo”, lembra que Georges Bataille, influenciado por Freud, insistiu que a literatura não deve ser avaliada em termos de moralidade ou imoralidade, mas com base em sua capacidade de ser genuína e subversiva.
É verdade que Vargas Llosa faz uma rápida ressalva e afirma que não pretende criticar todas as feministas, somente as mais radicais. Ocorre que ele não é claro ao indicar quem seriam essas e qual seria a sua relevância. A ausência de menções a quaisquer outras vertentes sugere, contudo, que considera que essas radicais formam um grupo muito importante, talvez, em sua opinião, o mais importante para pensar a questão. Aliás, a ênfase que fornece a esse grupo é tão grande que, excluindo sua breve ressalva, no resto do texto confunde a parte com o todo e utiliza a expressão “o feminismo” (no singular e sem qualquer especificação) para se referir às suas adversárias.
Decerto existem correntes do feminismo de índole moralizante. Para que a discussão se torne produtiva, é necessário, todavia, identificar, dentro de uma tradição, que linhagens são essas e apontar quais são exatamente os argumentos aos quais se pretende objetar. Um ponto de vista mais cuidadoso com a história e com o contexto lembraria que a crítica a tais pontos de vista, em especial aos limites que impõem à literatura, não é nova, vem sendo feita ao menos desde a década de 1980 pelas próprias feministas.
A desatenção de Vargas Llosa para a diversidade de feminismos o leva a definir suas adversárias simplesmente como inquisidoras de escritores. Sua argumentação acaba, assim, por obscurecer a contribuição de perspectivas feministas que, longe de qualquer projeto moralizante, buscaram ampliar as possibilidades interpretativas e subverter hegemonias na literatura.
Insisto que esse não é, de modo algum, um setor irrelevante. É surpreendente que Vargas Llosa não tenha ao menos mencionado uma tradição que teve início com Simone de Beauvoir. Ainda na década de 1950, Beauvoir desfez as fronteiras entre filosofia e literatura ao mostrar que a linguagem da filosofia tem também uma estrutura narrativa e que o trabalho filosófico é reflexo da posição de sua autora, expressa o fato de que tem um corpo e um gênero.
Herdeira dessa tradição, Judith Butler, uma das mais reconhecidas filósofas e teóricas literárias da atualidade, retoma constantemente Freud e Bataille (justamente os autores citados por Vargas Llosa) e associa investigações acerca de identidade de gênero à construção do “eu” narrador. Do mesmo modo, grupos feministas e queer da universidade de Berkeley, muitos deles próximos a Butler, discutem novas possibilidades de leitura de escritores como Shakespeare tendo em conta temas como ambiguidade do desejo, cross-dressing, violência e loucura.
Por fim, é fundamental recordar que talvez uma das mais importantes contribuições para a literatura no tempo presente advenha do empenho de feministas das mais diversas linhagens em resgatar o trabalho de escritoras que foram historicamente marginalizadas. Após esse rápido panorama, creio que a afirmação “o feminismo é hoje o mais firme inimigo da literatura” passa a causar perplexidade.
Muito embora existam diversas abordagens feministas de temas literários, Vargas Llosa escolheu falar somente sobre as feministas “mais radicais” e, durante quase todo texto, talvez por conta de um escorregão (freudiano), confundiu esse grupo específico com todo “o feminismo” (como dito, utilizou quase sempre a expressão no singular). Ele argumenta que “o feminismo” seria uma “nova inquisição”, parece-me, contudo, fundamental indagar: ao estabelecer uma definição tão contundente de suas adversárias e prolatar uma sentença tão dura, não teria o próprio Vargas Llosa se convertido em um inquisidor?
*Mariana Pimentel Fischer é pós-doutoranda no Departamento de Filosofia da USP

Novo Espaço Renato Russo reacende cena cultural e influencia a nova geração

Reinauguração do espaço da 508 Sul traz esperança à classe artística da capital federal

Reaberto recentemente, após cinco anos fechado e outros tantos abandonados, o Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul, inaugurado em 1974 na capital federal, teve seu auge nos anos 1980, quando ainda era chamado Centro de Criatividade. Lá, artes cênicas, cinema, literatura, música e artes plásticas uniam forças e tinham espaço para espetáculos, apresentações, shows e atividades formativas. “O espaço era um coração pulsante cultural e artístico de Brasília, com muitas oficinas e tinha essa cara multidisciplinar de formação e fomento das artes”, lembra a atriz, coreógrafa e ilustradora Eliana Carneiro, da cia Os Buriti.
Eliana é uma das artistas locais que teve a formação diretamente ligada ao espaço cultural, tendo dois momentos no centro, uma ainda na adolescência e outro quando começou a trajetória de forma solo. “Tenho uma superligação, participei de muita coisa lá. Primeiro fiz parte de um grupo de dança de Regina Miranda (coreógrafa e diretora teatral). Eu era adolescente e tinha muita coisa acontecendo lá nos teatros Galpão e Galpãozinho”, afirma. Depois, na gestão de Alex Chacon, a artista passou a coordenar a parte de dança do espaço e viu a força das oficinas, que viraram uma característica do centro cultural. “Ele foi essa pessoa que colocou esse rumo dos processos criativos das oficinas, principalmente, as renovadoras”, completa.
Esse, inclusive, é um dos motivos que Eliana Carneiro comemora a reabertura do espaço cultural. “Acho que é muito importante para Brasília. A minha expectativa é de que seja um espaço de processos criativos, de trocas, de muitas formações, ou seja, novamente um coração pulsante cultural com muitos espetáculos, exposições e formações”, conta. Para ela, a presença do centro precisa ter uma ligação direta com as novas gerações. “É preciso pegar essa juventude, focar nela e despertá-la (para a cultura). Estamos sem espaço em Brasília para a música, a dança, o teatro… Espero que essa gestão esteja voltada para a formação com uma visão abrangente da arte, mais integradora e com linguagens de renovação”
Quem também tem uma visão positiva em torno da volta do Espaço Renato Russo é o ator e diretor James Fensterseifer. Conhecido na cidade no cenário teatral, ele lembra que foi no teatro Galpão que iniciou o projeto mais conhecido dele na capital, o Jogo de cena, e também onde expôs a primeira mostra fotográfica da carreira. “Começamos o Jogo de cena lá em agosto de 1985 e ficamos por três anos. Foi muito importante para mim e para Brasília. Era um espaço de efervescente criação cultural”, classifica.
Na opinião de James, a reabertura significa um local na cidade para criação de teatro, de artes plásticas, da dança, do cinema e das demais artes. “Estando aberto, ele supre uma necessidade básica de espaço para a cultura, já que os espaços maiores, como o Teatro Nacional, estão fechados”, analisa. O ator acredita que o centro cultural é um espaço mais acessível à classe artística e ao público. “Com certeza será muito bom esse retorno e, como o espaço foi reformado, agora terá ainda uma maior qualidade para ser utilizado”, completa.
“Esse é um dos espaços mais importantes para a cultura e para a comunidade do DF. É um espaço que carrega a memória da uma geração de artistas e pessoas que passaram ali como público e que fazia uma falta grande, em especial para a juventudade”, opina Guilherme Reis, secretário de Cultura do DF. De acordo com ele, essa é a volta da vida cultural da cidade com o Teatro Galpão “muito bem equipado, com o que há de melhor de quipamento de sonorização. “É um espaço que permite uma variedade muito grande de formatos”, completa.
Reis afirmou que a secretaria finaliza uma licitação para a aquisição de uma estrutura que vai permitir o uso variado de formatos cênicos, além da publicação amanhã do resultado de um chamamento público de seleção de uma entidade que será parceira do GDF na gestão e na programação do espaço. “Teremos mais uns 30 dias pela frente de discussão com quem for selecionado para fechar um plano de trabalho bacana, ao mesmo tempo que alguns equipamentos estão sendo adquiridos para a área de oficinas e o segundo andar da 508 Sul está recebendo piso e instalações de dados, porque ali terá uma série de atividades de formação, que já começou a partir da exibição do Último Cine Drive-In, no Cine Clube”, revela.
Efervescência de gerações
O quadrinista e ilustrador Gabriel Goés é um dos jovens que atribui a formação artística e profissional ao Espaço Cultural Renato Russo. No final dos anos 1990, ele participou de atividades de formação quando tinha 8 anos e se lembra de muito momentos na gibiteca dos espaço. “Aprendi muita coisa. Não só a desenhar, mas a raciocinar, ter um ponto de vista. Muito da minha formação veio dali. Muitas pessoas que conheci ali são pessoas que produzem até hoje, tenho amizades desde essa época”, conta citando nomes como dos também ilustradores Santiago Mourão e Mateus Gandara.
Para Goés, a reabertura do centro cultural é uma grande alegria e pode ter uma influência na formação de novos artistas. “Espero que mais gente descubra o espaço. Era muito triste ver como estava abandonado”, recorda.
O abandono foi a principal recordação da grafiteira e artista plástica Camilla Siren do espaço na Asa Sul durante muito tempo. Ela sempre admirou a arquitetura do local e também os grafites que ilustraram as paredes ao longo dos anos, mas nunca tinha tido a oportunidade de ter uma relação até agora. Ela foi selecionada para grafitar as paredes da entrada, que fica virada para a W2. “É um sentimento muito bom. Fico feliz de usufruir do local dessa maneira, de ocupar ao lado de várias meninas. É algo que me alegra”, define.
Ao lado de Fabricia Brixx, Fernanda Fê8, Didi Colado, Juliana Borgê, Michelle Cunha e Carli Ayô, Siren foi selecionada em um chamamento público para ilustrar as paredes do Espaço Cultural Renato Russo. “A gente quis fechar um grupo de mulheres para ter essa ideia de ocupação do espaço cultural, um local que sempre ouvi as histórias da gibiteca, das oficinas. Eu sentia que estava fazendo falta e, até então, minha relação era com os ensaios fotográficos na época em que estava abandonado. Então é algo que me alegra, deixar um pedacinho meu lá”, completa a artista.
A espera
Desde janeiro de 2014, o Teatro Nacional Claudio Santoro está fechado para reforma e não pode receber espetáculos. No ano passado, o foyer da Sala Villa-Lobos foi reinaugurado. No entanto, as demais salas do espaço continuam fechadas após uma determinação do Corpo de Bombeiros devido as péssimas condições das instalações.
Fonte; BRASIL CULTURA

segunda-feira, 16 de julho de 2018

"Relembrar o que é bom e lindo! " - CPC/RN - Bailarina Potiguar é eleita a melhor do Norte-Nordeste.- CPC/RN;


Meyriane Gonçalves, do Grupo EDTAM, Escola de Dança do Teatro Alberto Maranhão, foi eleita a melhor bailarina do 10° Passo de Arte Norte e Nordeste, seletiva regional da competição internacional que é uma das mais tradicionais e conceituadas competições de dança. Ela apresentou a coreografia "Sedução", do coreógrafo Sammy Passos.

A competição ocorreu no teatro Via Sul em Fortaleza/CE, no último fim de semana com a participação de 1.500 bailarinos do Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia, São Paulo e Santa Catarina, somando 37 escolas e grupos de dança.

O melhor bailarino foi o cearense de Paracuru Walef Rocha, do Espaço Rossana Pucci (CE). Agora, Meyriane e Walef estão selecionados para a 24ª edição da Competição Internacional do Passo de Arte, que acontece de 08 a 18 de julho próximo em Indaiatuba (SP).

Assista a apresentação - Sedução - de Meyriele na competição:



Publicado pelo http://culturadornoficial.blogspot.com/ , em 28/05/2016


"VALE A PENA ASSISTIR E LER" - CPC/RN - Conheça o Boi Calemba Pintadinho do mestre Dedé Veríssimo

Publicado pelo http://culturadornoficial.blogspot.comsábado, 26 de março de 2016

Boi Calemba, termo utilizado por Luís da Câmara Cascudo com o intuito de diferenciar o Boi de Reis do Rio Grande do Norte de outros grupos dos estados brasileiros. Trata-se de um auto popular que narra a morte e ressurreição de um boi. Ao som da Rabeca cantam cantigas antigas com figurino de fitas coloridas e espelhos que proporcionam um interessante efeito visual. 

Os mascarados representam a parte cômica da dança, o trio formado por Birico, Mateus e Catirina (personagens do auto) apresentam-se usando roupas surradas e rostos pintados. Outras figuras integram a apresentação como a Burrinha, o Bode, o Gigante (cavalo marinho), o Jaraguá e o Boi. Os instrumentos utilizados são a rabeca, o pandeiro, triângulo e alguns instrumentos de corda, podendo haver sanfona também.

O Boi Pitadinho da cidade de São Gonçalo do Amarante é um dos grupos mais tradicionais do estado do Rio Grande do Norte, podendo ter mais de cem anos de existência. atualmente comandada pelo mestre Dedé Veríssimo, este grupo já se apresentou em quase todo Rio Grande do Norte e também em outros estados.

(Assista o vídeo)


Fonte: http://culturadornoficial.blogspot.com/2016/03/conheca-o-boi-calemba-pintadinho-do.html


Documentário - Conversa Com Cascudo (1977) DVDRip "Vale a pena assistir!" - EDUARDO VASCONCELOS - CPC/RN

Exposição fotográfica e audiovisual “Onde o português não pode ser estrangeiro”


Fonte: UFRN

Maranhenses recebem Casa do Tambor de Crioula

Para as mulheres, saia de chitão florido, bem rodada, para acentuar o movimento, anágua por baixo da saias, blusa branca de renda, com babado na gola, torso na cabeça, colares.
Meu São Benedito
Vosso manto cheira,
Cheira cravo e rosa
Flor de laranjeira. 
(Trecho do Bendito de São Benedito)

O Maranhão está em festa! Tambores, cantadores, dançadeiras, coreiros e coreiras, e um baticum inconfundível que caracterizam o Tambor de Crioula do Maranhão, referencial de identidade e resistência cultural dos negros maranhenses, teve desde do dia 13 de julho, na capital do estado, São Luís, um Centro de Referência, que recebeu o nome de Casa do Tambor de Crioula. Como parte do plano de salvaguarda dessa expressão cultural, a Casa foi pensada, sobretudo, para ser um local de encontro e transmissão de saberes associados ao Tambor de Crioula. No mesmo dia, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) promove, também, a abertura de uma exposição e o lançamento de publicação sobre o bem cultural.
Localizada em um espaço privilegiado de São Luís, no Centro Histórico, onde acontecem importantes eventos culturais da cidade e há grande fluxo de turistas, a Casa fica na esquina das Ruas Estrela e João Vital de Mato., O espaço conta também com área de convivência, salas para realização de oficinas de dança e percussão, auditório e salão de exposição, além de uma lojinha para venda de produtos associados ao bem cultural. Terá, ainda, uma biblioteca que abrigará um acervo para subsidiar pesquisas.
O imóvel, um sobrado tradicional de dois pavimentos mais sótão, representativo da arquitetura luso-brasileira no Maranhão, recebeu um investimento de aproximadamente R$1,8 milhão do Governo Federal, por meio do Iphan. Na década de 1970, foi destruído por um grande incêndio, permanecendo por longo tempo em estado de arruinamento. O sobrado é de propriedade do Governo do Estado do Maranhão, que será responsável pela gestão do Centro de Referência, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo do Estado (SECTUR).
Com a criação da Casa do Tambor, será atendida uma das principais demandas dos detentores, que é ter um equipamento cultural com suas referências, com o objetivo de promover a difusão e reprodução desse bem cultural. O Tambor de Crioula, reconhecido em 2007 pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil, é uma forma de expressão de matriz afro-brasileira. Seja ao ar livre, nas praças, no interior de terreiros, ou associado a outros eventos e manifestações, é realizado sem local específico ou calendário pré-fixado e praticado especialmente em louvor a São Benedito. Ocorre na maioria dos municípios do Maranhão, envolvendo uma dança circular feminina, canto e percussão de tambores. Participam as coreiras ou dançadeiras, conduzidas pelo ritmo intenso dos tambores e pelo influxo das toadas evocadas por tocadores e cantadores, culminando na punga ou umbigada – gesto característico, entendido como saudação e convite.
Trata-se de um referencial de identidade e resistência cultural dos negros maranhenses, que compartilham um passado comum.
Ao tambor, quando saio da pinha
Das cativas, e danço gentil,
Sou senhora, sou alta rainha,
Não cativa, de escravos a mil!

Trajano Galvão de Carvalho(1875)
Celebrando a cultura maranhense
O dia 13 de julho também será marcado com a abertura da exposição permanente sobre o Tambor de Crioula, uma realização do Iphan em parceria com a Vale. Composta por painéis informativos e uma série de artefatos próprios do universo dessa manifestação cultural, como imagens de São Benedito, tambores, garrafas de cachaça e trajes típicos, destaca a história e as diversas nuances deste bem, que representa um conjunto de tradições culturais de matriz africana que se desenvolveram no país.
Em meio a essa grande festa, também será lançado o Dossiê do Tambor de Crioula do Maranhão, a 15ª publicação da série de bens culturais registrados como Patrimônio Imaterial do Brasil. Trata-se de uma versão sintetizada do dossiê de registro, com informações adicionais e editada segundo os padrões da linha editorial do  Iphan.
Na mesma data, o Instituto também entrega em São Luís o Museu de Artes Visuais, que foi completamente restaurado.
Serviço: Abertura da Casa do Tambor de Crioula, lançamento de exposição e dossiê
Data: 13 de julho, 18h
Local: Rua da Estrela, 209, Centro – São Luís (MA)
Mais informações para a imprensa
Assessoria de Comunicação Iphan

comunicacao@iphan.gov.br
Fernanda Pereira – fernanda.pereira@iphan.gov.br
Yara Diniz – yara.dinz@iphan.gov.br
(61) 2024-5513 - 2024-5511
(61) 99381-7543
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Adaptado pelo CPC/RN, em 16 de julho de 2018.

16 de Julho – Dia do Comerciante

Esta data foi instituída pelo presidente do Senado Federal, João Café Filho, em 26 de outubro de 1953. Uma homenagem ao comércio, comemorada no dia em que nasceu o Visconde de Cayru – José da Silva Lisboa.
Figura histórica e político baiano, exerceu grande influência junto ao príncipe regente português D. João VI para que fossem abertos os portos brasileiros para o comércio com as nações amigas, em 1808.
Dos mascates aos pequenos e médios comerciantes, e destes aos grandes conglomerados econômicos, a história do comércio foi marcada pela criatividade humana, pelo fascínio do consumismo e pelas tentativas em atendê-lo.
Desta maneira, milhares de pessoas, físicas ou jurídicas, vêem-se envolvidas, diariamente, direta ou indiretamente, em transações mercantis.
Entre meados do século XIX e a Primeira Guerra Mundial, a relação comercial entre os países cresceu ainda mais, e se intensificou depois da Segunda Grande Guerra.
Para se ter uma idéia, o total de dinheiro arrecadado com o comércio no mundo passou de U$ 61 bilhões, em 1950, para U$ 5,61 trilhões, em 1999, de acordo com a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).
Conforme dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), o comércio vem crescendo mais que a produção mundial (PIB). Este crescimento acelerado do comércio tem uma explicação.
Ele se deve à diminuição das barreiras alfandegárias e ao desenvolvimento das telecomunicações e dos transportes.
O maior acesso da população às novas tecnologias de comunicação, devido ao seu barateamento, permite a pesquisa de mercado e a realização de novos pólos de compra e venda.
Já no caso da melhoria dos meios de transporte, a construção e o aperfeiçoamento de rodovias, ferrovias, portos marítimos e aeroportos, naturalmente, facilitam o deslocamento de produtos.
Brasil Cultura

MP vai alterar valores das loterias para Segurança, Cultura e Esporte

O governo chegou a um acordo para editar nova Medida Provisória que destinará parte da arrecadação das loterias federais para os ministérios da Segurança Pública, Cultura e do Esporte. No total, serão destinados R$ 2 bilhões para as pastas através de recursos arrecadados com as loterias.
A nova medida revogará a MP 841/2018, atualmente em vigor, que destina R$ 1,2 bilhão para o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), mas reduzia recursos das outras pastas, o que gerou reação negativa. Pela MP 841, Esporte passou a receber 430 milhões (antes eram R$ 630 milhões) e Cultura ficou com R$ 404 milhões (antes eram R$ 410 milhões).
Pelo novo texto, fica prevista a destinação de cerca de R$ 1 bilhão para a Segurança Pública; R$ 630 milhões para o Esporte; e R$ 412 milhões para a Cultura. Para conseguir contemplar todos os ministérios, o governo reduziu o valor destinado para a Segurança e também reduziu aumento nos valores dos prêmios dos vencedores da chamada loteria de prognóstico numérico, como é o caso da Mega-Sena, Quina, Lotomania e Timemania.
A MP 841, que será revogada até o final do mês, prevê aumento de 43,35% para 50% no valor do prêmio das “Sena’s” em relação ao que for arrecadado com as apostas a partir de 2019. Agora, com a nova medida, o valor passará para apenas 43,79%. Isto deu margem para o governo “devolver” os recursos para a Cultura e o Esporte, que já recebiam os recursos antes da MP.
Segundo o ministro de Secretaria de Governo, Carlos Marun, o governo vai encaminhar a nova MP até o final do mês, durante o recesso parlamentar, para que o Congresso possa apreciá-la a partir de agosto.
Inicialmente, ao editar a MP 841, o governo argumentava que os cortes nos ministérios da Cultura e do Esporte só tratavam de recursos que não seriam efetivamente utilizados pelas pastas. Marun explicou que os recursos contingenciados possuíam expectativa de liberação ao longo do ano e que isso acabou “gerando uma dúvida”, o que acabou sendo posteriormente esclarecido.
“Na primeira MP achávamos que alguns recursos estariam contingenciados e por isso não chegariam aos beneficiados, mas concluímos que havia risco de real diminuição na Cultura e Esporte. O meio mais eficaz para atingirmos os nossos objetivos seria revogação da MP 841 e substituição por outra MP”, disse Marun.
Em nota, o Ministério da Cultura comemorou a decisão do governo de editar nova MP e diz que houve “sensibilidade para atender ao pleito do setor cultural”. “O MinC teve participação ativa nas negociações para a elaboração da nova medida provisória e recebe com imensa felicidade o resultado do processo, que representa um claro reconhecimento da importância do setor cultural e da política pública de Cultura para o desenvolvimento do País e também para a redução da violência e da criminalidade”, diz o texto.
Fonte: BRASIL CULTURA