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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Maria Rita Kehl: Marx, feminista?

 

Um comentário de Maria Rita Kehl a respeito do livro Sobre o Suicídio, de Karl Marx

Exato: Marx, feminista. A opressão sexual das mulheres, no grande século burguês, não poderia passar despercebida à sensibilidade libertária do inventor do socialismo científico. Nem que fosse por acaso: é o que revela este pequeno livro que contém o ensaio Sobre o Suicídio. Este, escrito em janeiro 1846, foi impresso pela Gesellschafts Spiegel, Órgão de Representação das Classes Populares Despossuídas e de Análise da Situação Social Atual. Que outra sociedade, seja capitalista social democrata, teria criado um órgão público com funções tão precisas? Nada a ver com nossas vagas (e hoje praticamente obsoletas) Secretarias de Bem-Estar Social.

No artigo, Marx retoma o relatório de um arquivista policial, Jacques Peuchet, (morto em 1830) sobre os inúmeros casos de suicídio encontrados em pesquisas estatísticas sobre a sociedade francesa, durante a Restauração. O texto é composto de comentários de Marx sobre excertos dos relatórios de Peuchet. Nenhuma escolha é neutra. Nota-se que ao escolher os trechos do relatório Marx está sendo, também ele, autoral. Ele vai além de Peuchet. Como escreve Michel Löwy no prefácio, ao debruçar-se sobre as vidas trágicas de dezenas de trabalhadores franceses o jovem Marx parece ter descoberto aquilo que, no século seguinte, viria a se tornar uma verdade consagrada: o entrelaçamento inevitável entre a política e a vida privada.

“Que tipo de sociedade é esta, em que se encontra a mais profunda solidão no seio de tantos milhões; em que se pode ser tomado por um desejo implacável de matar a si mesmo, sem que ninguém possa prevê-lo?” (p. 28).

O problema que Marx detecta, mas não sabe, em 1846, como solucionar, é que as extensões do poder político sobre a vida privada – que Michel Foucault viria a chamar, no século 20, de redes de micropoder – não se desfazem automaticamente por efeito das transformações revolucionárias. Peuchet, que atravessou a Revolução Francesa, percebe esta limitação:

“A Revolução não derrubou todas as tiranias; os males que se reprovavam nos poderes despóticos subsistem nas famílias; nelas, eles provocam crises análogas àquelas das revoluções” (p.29).

As tabelas divulgadas por Peuchet indicam a ocorrência de 2.808 suicídios em Paris, em apenas sete anos (entre 1817 e 1824). O que chamou a atenção de Marx não foram os suicídios de trabalhadores, motivados pelo desemprego, pela miséria, pelos violentos desenraizamentos de gente que migrou do campo para as cidades depois da Revolução Industrial. Dos quatro casos de suicídio narrados em estilo literário (e melodramático) por Marx/Peuchet, apenas um refere-se a um membro da guarda real “afastado, como muitos outros, sem maiores cerimônias” (p. 48) – e sem condições de sustentar a família. Os outros três são dramas protagonizados por mulheres jovens que caíram em desgraça, como se costumava dizer, em função de algum deslize em sua vida sexual.

A “salvação das mulheres”

“A classificação das diferentes causas de suicídio deveria ser a classificação dos próprios defeitos de nossa sociedade”, observou Peuchet (p. 44). Ele mesmo, ao final de seu relatório, apresenta as principais razões que levaram homens e mulheres a dar fim à própria vida: paixões, brigas, desgostos domésticos/ doenças, depressão, fraqueza de espírito/ má conduta/ miséria, etc. A maior incidência fica por conta dos suicídios causados por doenças, depressão e “fraqueza de espírito” – seja lá o que isso possa significar.

Se Marx decidiu se debruçar sobre três casos de mulheres suicidas, é porque os relatórios de Peuchet o ajudaram a compreender que a condição feminina, no século 19, transcendia os limites da luta de classes. Talvez as depressões que levavam mulheres a se matar estejam incluídas entre os casos de “fraqueza de espírito”: a condição feminina nunca foi tão frágil quanto no período em que se organizou a família nuclear burguesa, tal como a conhecemos até hoje.

A urbanização, e a divisão do trabalho, o desamparo de muitas mães das novas configurações familiares – uma vez que, nas cidades, deixaram de existir as antigas famílias extensas das culturas rurais e os lares se fecharam sobre si mesmos, na forma da moderna “família nuclear” – todos esses elementos fizeram que pesasse, sobre ombros femininos, maiores responsabilidades, maior carga de trabalho e muito, muito maior vivência da solidão.

Não é coincidência que Dostoievski tenha escrito, em Os Irmãos Karamazov, que “a histeria é a salvação das mulheres”. Que outro recurso elas teriam para expressar a insatisfação com as tremendas restrições impostas pelo papel de (futuras) mães de família e esposas dedicadas? O antigo “ataque histérico” (que hoje, reparem, não se vê mais) seria a expressão da solidão, da sobrecarga de responsabilidades e, sobretudo, da insatisfação sexual e amorosa das mães de família modernas – operárias ou não.

Também não é coincidência que Freud tenha fundado a psicanálise, ao final do mesmo século, com seus Estudos sobre a Histeria, onde estabeleceu pela primeira vez a hipótese da etiologia sexual das neuroses.

Os casos examinados por Marx são tão singelos que, nos dias de hoje, não serviriam nem como argumentos de telenovela: a moça que passou a noite com o noivo, às vésperas do casamento, e por isso foi condenada pela própria família; a esposa que se tornou, literalmente, prisioneira do marido doente e ciumento; a jovem de família rica engravidada pelo tio, que não encontrou nenhum médico que se dispusesse a ajudá-la a abortar. Diante desses casos, Marx percebe que a pirâmide do poder é sustentada, em última análise, à custa de seus elos mais fracos – os trabalhadores braçais, sem outro bem a não ser sua força de trabalho a serviço da reprodução do capital. E as mulheres, sem outro recurso a não ser sua capacidade reprodutiva a serviço da transmissão dos patrimônios familiares.

São aqueles que, mesmo após a Revolução Francesa, mal se constituíram, na prática, como sujeitos de direito. Diante deles, e de seu desamparo institucional, “as pessoas mais covardes, as mais incapazes de se contrapor, tornam-se intolerantes assim que podem lançar mão de sua autoridade absoluta (…). O mau uso dessa autoridade é igualmente uma compensação grosseira para o servilismo e a subordinação aos quais essas pessoas estão submetidas (…) na sociedade burguesa” (p.32).

Assim se reproduz a lógica discriminatória do poder, segundo a qual as pequenas autoridades familiares, os pequenos funcionários públicos, compensam a mesquinhez de sua condição: submetendo aos “rigores da lei” os indivíduos em posição ainda mais frágil do que a deles.

Publicado originalmente no site A Terra É Redonda

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

FOLHA DE S. PAULO ACUSA BOLSONARO DE "DETURPAR DE MODO DELIBERADO O ENFRENTAMENTO DA PANDEMIA"

 

PRIORIDADE PERVERSA

Avolumam-se as evidências de que o governo Jair Bolsonaro deturpou de modo deliberado o enfrentamento da pandemia. Não bastassem seguidas as manifestações minimizando riscos da infecção e a sabotagem da vacinação, o presidente deixou várias digitais na promoção de uma terapia inexistente contra o ataque viral.

Bolsonaro seguiu perversamente Donald Trump ao adotar como prioridade a cloroquina do famigerado tratamento precoce. 

O republicano abandonou a panaceia antes de seu fiasco eleitoral, mas o imitador sul-americano a manteve, impávido, mesmo com estudo após estudo a negar-lhe eficácia.

Acossados por investigações e questionamentos da Procuradoria-Geral da República e do Tribunal de Contas da União, o presidente e um tragicômico ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, agora se apressam a recontar a história: o governo só teria respeitado a autonomia de médicos.

Não há carência de imagens do mandatário e do general posando com caixinhas do remédio, porém. Tampouco faltam registros oficiais da mobilização de ministérios, Forças Armadas e outros órgãos da máquina federal na prática de charlatanismo, como mostrou reportagem publicada pela Folha.

Cinco pastas se viram convocadas para a operação diversionista: Saúde, Defesa, Economia, Relações Exteriores e Ciência e Tecnologia.

Os jornalões são unânimes no repúdio ao genocídio

Quase 6 milhões de com

primidos da droga inócua foram enviados ao Nordeste e ao Norte, seguidos de admoestações a autoridades amazonenses por não os usarem no trágico surto em Manaus, onde o que faltava era oxigênio.

O Exército se pôs a fabricar 3,2 milhões de drágeas, e a Aeronáutica, a transportá-las, a pedido da Defesa; isenções de impostos foram baixadas pela Economia; a Saúde lançou guias e aplicativos prescrevendo a cloroquina; o Itamaraty obteve 2 milhões de doses dos EUA; o Ministério da Ciência e Tecnologia patrocinou estudos.

Todo esse empenho governamental para viabilizar a ficção ignorante de Bolsonaro contrasta com o desvio da obrigação de financiar, propagar e coordenar prioridades efetivas como distanciamento social, testagem em massa, rastreamento de contaminados, aquisição de vacinas e vigilância genômica (com sequenciamento dos vírus em circulação).

Em vez disso temos vacinação atrasada, aglomerações em alta, milhões de testes a perder a validade, rastreamento pífio e falta de insumos para geneticistas monitorarem as variedades do vírus.

É desastre que não se explica somente por incompetência, mesmo uma de dimensões incomuns.(editorial desta 3ª feira, 9, da Folha de S. Paulo),

TOQUE DO EDITOR – Os crimes de responsabilidade brotam como cogumelos, mas nossas medíocres e pusilânimes autoridades continuam se omitindo do dever de impicharem, afastarem e prenderem o genocida.  

Trata-se de um serial killer que rivaliza com Adolf Hitler, Josef Stalin, Átila, Gengis Khan e outros que tais.

Em termos brasileiros, o palhaço assassino é o melhor argumento possível e imaginável para os que defendem a introdução da pena de morte (a qual, claro, só se aplicaria aos Bolsonaros futuros, pois não se pode implantá-la com efeito retroativo).

Fonte: https://naufrago-da-utopia.blogspot.com

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Em 1952 aconteceu no Rio Grande do Norte um dos maiores feitos náuticos do mundo - Por HENRIQUE ARAÚJO

Manhã de domingo, 30 de março de 1952. A cidade de Natal estava bonita e ensolarada. Ao toque da banda de música uma multidão aplaudia cinco bravos homens que partiam rumo a Baía de Guanabara, no Rio Janeiro, e com esse feito entrariam para a história do remo potiguar e mundial.

Mas levou 20 anos para esses homens concretizassem esse sonho náutico. Em 1932, os cinco remadores dessa viagem resolveram testar o potencial de suas remadas e saíram em uma iole - embarcação esportiva a remo, num "raid" Natal-Recife. A viagem foi um sucesso, mas isso era só o começo.

A guarnição era formada por Ricardo da Cruz (63 anos), patrão; Antônio de Souza Dantas (49), voga; Clodoaldo Bakker (59), sota-voga; Francisco de Paula Madureira (44), sota-proa; e Oscar Simões Filho (39), proa.

O líder desta empreitada era Ricardo Severiano da Cruz, veterano do remo, poeta e funcionário público natural de Rio do Fogo (RN), que junto com amigos sentados na praia, em um encontro comum, tiveram a ideia do que ficou conhecido como o "Raid Natal-Rio de Janeiro". A conversa se espalhou pela cidade e conquistou o apoio e admiração de muitos. Aí a coisa ficou séria, mas em 1937 já estava tudo pronto para a aventura começar.

Primeira tentativa

O grupo de remadores do "raid Natal-RJ" durante viagem

Para aguentar as tormentas que poderiam encontrar, Oscar Simões Filho, amigo do grupo, construiu uma iole a quatro remos, de bordas mais altas e totalmente reforçada. A iole foi batizada de "Rio Grande do Norte" (na foto). No entanto, não tiveram a liberação do Ministério da Marinha para realizar a viagem. E as justificativas eram várias, inclusive que era uma loucura, o que hoje continuaria sendo, né?

Em 1952, o vice-presidente Café Filho, que era amigo dos aventureiros, conseguiu a autorização para que o raid desafiador fosse realizado. Dezesseis anos depois de tudo ter começado, quando todos achavam que a ideia tinha "naufragado" e que já não se tinha mais idade para realizá-la, ela ressurge com força total.

Da rampa do Sport Club Natal, às margens do Rio Potengi, partiram os cinco bravos tripulantes. A guarnição era formada por Ricardo da Cruz (63 anos), patrão; Antônio de Souza Dantas (49), voga; Clodoaldo Bakker (59), sota-voga; Francisco de Paula Madureira (44), sota-proa; e Oscar Simões Filho (39), proa. 

Sem nenhuma tecnologia, os remadores revezavam suas posições noite e dia, mar afora. Em uma navegação costeira, beirando o litoral do país até o seu destino, tendo como referência as belas praias da costa brasileira.

No percurso, em cada parada feita nas enseadas, os destemidos heróis eram recebidos com festas. Mas nem tudo foi alegria. Enfrentando mar revolto, o sol bem quente e as chuvas torrenciais, os homens chegaram a passar trinta horas sem pisar em terra firme. Muitos chegaram a pensar que eles não iriam resistir ao mar.

Em 2 de junho, com o tempo em boas condições, o grupo chegou à barra de arrebentação, e uma onda violenta os atingiu partindo a iole ao meio. Com muita sorte, apesar das adversidades, os cinco se salvaram, nadando de volta para costa a aproximadamente 11km. Retornaram a Natal em uma corveta da Marinha de Guerra.

Segunda tentativa

O grupo de remadores a bordo da iole "Rio Grande do Norte" do "raid Natal-RJ"

Mesmo com receios eles não desistiram de retomar a aventura. Receberam então o apoio e a colaboração do povo e de autoridades, conseguiram construir uma nova embarcação, feita pelo mestre naval Luís Enéas, na oficina da Base Naval. E em 18 de dezembro, a iole Rio Grande do Norte II estava pronta para ir ao mar.  

Porém dois dos náufragos da primeira embarcação desistiram de continuar a jornada: Francisco de Paula Madureira e Clodoaldo Bekker.  Foram substituídos por Luís Enéas e Walter Fernandes (dono da água mineral Santos Reis), este último era o tripulante mais jovem da iole, 27 anos.

Os remadores e a nova embarcação saíram de Natal para concluir a epopeia em 18 de janeiro de 1953, a bordo do caça-minas ‘Piranha’, com destino ao ponto em que haviam parado. Chegando novamente à costa sergipana em 08 de fevereiro, foram para Mangue Seco e de lá retomaram a aventura.

Sucesso!

O grupo do "raid Natal-RJ" sendo recebido pelo presidente Café Filho em 1953

A consagração do sonho foi em 21 de maio de 1953, com a chegada tão esperada e festejada na Baía de Guanabara. Após uma jornada de quase 100 dias de viagem, foram recebidos com todas as honras merecidas. Barcos da Marinha, remadores nacionais e internacionais, várias autoridades e um grande público que estava à espera dos “heróis do remo”, como ficaram conhecidos.

Foram recebidos pelo vice-presidente Café Filho, onde foram prestadas várias homenagens, inclusive dos clubes de regatas locais. Retornaram à capital potiguar e foram recebidos com toda pompa. A BBC de Londres noticiou o fato como o maior feito náutico do mundo.

No entanto, as expectativas do feito não se superaram. Mesmo com toda glória da viagem difícil e perseverante, os remadores esperavam um reconhecimento financeiro, mas ele não veio. Com o passar dos anos, a epopeia praticamente caiu no esquecimento, assim como o esporte náutico caiu em declínio.

Com informações de Robvani Gomes em "Fernando Amaral FC" e do livro "Dos Bondes ao Hippie Drive In" de Carlos e Fred Rossiter Pinheiro.

Fonte: Curiozzzo 

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Teaser / Exposição “Portugal Portugueses - Arte Contemporânea”


Fonte: http://www.museuafrobrasil.org.br

ATAQUES - Reforma Administrativa vai ser paga pelo povo que ficará sem serviços públicos

O governo federal prepara uma nova ofensiva para colocar em votação a reforma Administrativa, após as vitórias dos aliados de Jair Bolsonaro ( ex-PSL) nas eleições da presidência da Câmara e do Senado, Arthur Lira (Progressistas-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), respectivamente.

Assim que os dois apoiadores do governo foram eleitos, o ministro da Economia, o banqueiro, Paulo Guedes, sinalizou ao mercado financeiro que aceita a volta do pagamento de um auxílio nos moldes do emergencial pago no ano passado por causa da pandemia do novo coronavírus, em troca da reforma Administrativa. O governo, no entanto, não deu detalhes de como seria feito e o valor do benefício a ser pago a trabalhadores desempregados e informais.

Enquanto dá uns trocados com uma mão, Guedes tira tudo com a outra. Entenda por que.

Como o governo diz que não tem dinheiro para pagar um novo benefício por causa do Teto dos Gastos Públicos, que congelou os investimentos governamentais, por 20 anos, Guedes, que já acenou com a volta da CPMF (imposto sobre transações financeiras), o fim do abono salarial e o congelamento dos reajustes de pensões e aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), entre outras medidas estapafúrdias, agora acena com a reforma Administrativa em troca de um novo auxílio durante a pandemia, agravada desde o fim do ano passado por uma nova e agressiva cepa do vírus.

Segundo o diretor da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef / Fenadsef) e da CUT, Pedro Armengol, o ministro da Economia, negocia a aprovação de três Propostas de Emenda à Constituição (PECs) nºs 186 (Emergencial) ,187 ( Revisão dos Fundos) e 188 (Pacto Federativo) , que abririam caminho para uma reforma Administrativa mais profunda e nefasta, contida na (PEC) n° 32.

"Todas essas medidas se complementam nos ataques ao serviço público e vai afetar fortemente o atendimento gratuito da saúde, da educação e de outras áreas essenciais para o amparo social da população", relata Pedro Armengol.

As PECs permitem o reajuste fiscal dos estados e da União, com a redução de salários e jornadas de servidores públicos de todos os entes federados, acaba com o Regime Jurídico Único (RJU) dos Servidores, e cria cinco vínculos diferenciados para esses trabalhadores, sendo que dos cinco, quatro retiram a estabilidade do servidor público.

“O fim da estabilidade e os cortes salariais afetam não apenas o bolso do servidor, mas a qualidade do atendimento ao público. O servidor ficará sob o mando do governo de plantão, o que o impossibilitará de fiscalizar tanto uma empresa como o próprio governo. Se ele não agradar ao chefe, mesmo sem motivos, pode ser demitido mais facilmente”, denuncia Armengol.

O fim da estabilidade também já foi alvo de críticas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que em nota afirmou: “a estabilidade é regra constitucional e é a maior garantia para a sociedade de que o servidor poderá desempenhar seu trabalho de forma impessoal, sem se preocupar com qualquer tipo de represália, tendo o mínimo de influências de ordem político-partidária e sem comprometer a missão final de bem atender ao cidadão”.

A preocupação de Pedro Armengol também se deve à sinalização de Bolsonaro de realizar uma reforma ministerial para agradar o Centrão, bloco conservador que se aliou ao governo em troca de cargos, para eleger seus candidatos à Câmara e ao Senado. Além de impedir a aceitação de um pedido de impeachment, Lira e Pacheco podem priorizar a pauta de costumes que Bolsonaro tanto quer aprovar.

Com a dança das cadeiras nos ministérios e o fim da estabilidade, o toma lá, dá cá, vai provocar a substituição de servidores. Além de ser prejudicial aos trabalhadores, será também à população, que vai ter um serviço público descontinuado, e sem solução de possíveis problemas.

Outro ponto nefasto dessas medidas é o que dá autonomia absoluta ao chefe de Poder Executivo da União, dos estados e municípios a alterar a estrutura do governo a hora que bem entenderem, sem discussão com o Legislativo, permitindo que ele extinga órgãos e empresas públicas, dando um poder absolutista, de quase um rei.

Atualmente, os governos precisam do aval do Legislativo para privatizar empresas. Pela proposta construída no início do ano passado, o governo ficava previamente autorizado a privatizar todas as companhias, a não ser que houvesse manifestação expressa pela necessidade de manter o controle da atividade estatal.

”Os problemas fiscais de estados e municípios são maiores do que os da União e, com a perspectiva de se manter o Teto de Gastos Públicos, esses governos vão privatizar tudo para manter a conta em dia”, diz Armengol.

Caso as propostas sejam aprovadas provocarão, também, o fim da vinculação dos recursos financeiros para a saúde e educação, de forma independente, instalando uma disputa entre as duas áreas essenciais à população.

É a barbárie. O fim do serviço público, da saúde e da educação gratuitas e de qualquer politica pública, Quem pode paga, quem não pode [a maioria] vai morrer
- Pedro Armengol

Serviço Público não está inchado como diz o governo

Em 1988, época em que foi atualizada a Constituição brasileira, eram 710 mil servidores públicos federais do Executivo, em atividade, para atender uma população de 164 milhões de brasileiros. Hoje, após 32 anos, a população passa dos 210 milhões, e o número de servidores em atividade para atender a este imenso número de pessoas caiu de 710 mil para 610 mil – uma redução de 100 mil trabalhadores, afirmou em entrevista a RBA, o secretário-geral do Condsef, Sérgio Ronaldo da Silva.

O governo também esconde, segundo Pedro Armengol, é que os servidores federais estão há cinco anos sem reajustes salariais, e que a grande maioria, ganha, em média, R$ 4 mil por mês.

(CUT Brasil, Rosely Rocha com edição de Marize Muniz e imagem de Edson Rimonatto, 04/02/2021).

Fonte: CNTE

11º Conad extraordinário do ANDES-SN deve debater realização do 40º Congresso da categoria docente

A diretoria do ANDES-SN convocou na ultima terça-feira (2), o 11º Conad Extraordinário do Sindicato Nacional. O encontro, com o tema central “Em defesa da vida, dos serviços públicos e da democracia e autonomia do ANDES-SN”, ocorrerá em formato virtual e será realizado em dois dias: 27 de março e 3 de abril.

A circular 028/2021, encaminhada às seções sindicais, secretarias regionais e categoria, informa que “em razão do contexto da pandemia, a Diretoria Nacional do ANDES-SN avaliou a necessidade de consultar a categoria quanto à realização do 40º Congresso, tendo em vista tanto a responsabilidade em evitar ao máximo aglomerações, quanto as dificuldades em realizá-lo virtualmente nos moldes que caracterizam o evento”.

A diretoria também informa que devido ao excessivo desgaste físico e emocional, justamente pela realização de longas reuniões virtuais, em um contexto de grande carga de trabalho profissional e doméstico dos e das docentes, foi pensada uma pauta que contemple um formato mais adequado, com um intervalo maior entre as reuniões.

Por isso, foi proposto um cronograma do 11º Conad Extraordinário que prevê, portanto, um espaço maior entre as discussões dos Temas I e II, previstas para o dia 27 de março, e a discussão do Tema III, prevista para 3 de abril. “Insta pontuar que a AJN fez a avaliação de legalidade e oportunidade dessa sistemática, estando plenamente de acordo com o Estatuto do ANDES-SN e com a legislação em vigor”, ressalta a circular.

Confira aqui a proposta de pauta e de cronograma do evento, bem como prazo e regras para apresentação de contribuições ao Caderno de Textos.

Fonte: ANDES SN

Adaptado pelo CPC-RN, em 07-02-2021

Impeachment de Bolsonaro seria um desastre, diz Fux - ' SERÁ MESMO ? '- Eduardo Vasconcelos


Jair Bolsonaro e Luiz Fux. Foto: Wikimedia Commons

O presidente d-o Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, avalia que não é o “melhor quadro para o Brasil” ter um réu na linha sucessória da Presidência da República. Em entrevista ao Estadão, Fux foi questionado sobre a situação do novo presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), que responde a denúncias na Corte por corrupção passiva e organização criminosa – ainda em análise de recursos.

“Eu acho que realmente uma pessoa denunciada assumir a Presidência da República, seja ela qual for, é algo que até no plano internacional não é o melhor quadro para o Brasil”, afirmou o ministro. (…)

A atuação do governo na pandemia reforçou o discurso a favor do impeachment de Bolsonaro. Qual a opinião do senhor?

O impeachment é um processo político que o Supremo não pode nem se intrometer no mérito. Mas, em uma pós-pandemia, em que o País precisa se reerguer economicamente, atrair investidores e consolidar a nossa democracia, eu acho que seria um desastre para o País. O Brasil não aguenta três impeachments. O Brasil tem de ouvir o povo e o povo é ouvido através de seus representantes que estão no Parlamento. Acho que o impeachment seria desastroso.

Fonte: Diário do Centro do Mundo - DCM

sábado, 6 de fevereiro de 2021

CRÔNICA: Como apertar o botão do elevador quando se tem covid? Por Paula Corrêa

 Por DCM

A escritora Paula Corrêa
(Crédito: Fernando Cavalcanti)

O botão do elevador para um portador

Por Paula Corrêa*, especial para o DCM

Passei tantas vezes as mãos no álcool que já não me lembro.

Era a certeza de que poderia matar alguém? Era.

Na ponta do meu indicador teria essa partícula invisível da morte? Teria.

Os velhinhos do meu prédio, pessoas que nem conheço ainda – mudei na pandemia-  poderiam tocar aquele mesmo botão que eu.

Seria uma opção subir de escadas?

(Eu realmente não queria TOCAR nada. Porque TOCAR poderia ser uma morte. Ou algumas). E eu não tinha forças para subir nenhum degrau.

Ter forças.

É tão bom, né? Acordar, tomar café, trabalhar, almoçar, ficar com o filho, jantar, dormir. Fazer exercício, tomar um vinho, ver jornal. A vidinha pacata, normal, regradinha.

Mas aí se instala no seu corpo (como? por quê?) uma doença inédita, a doença que o MUNDO todo teme. E você também.

E apertar o botão do elevador? Pode ou não pode? Alguém criou essa regra? Que, veja bem, não é bem de boa convivência… Não é não querer dividir o elevador. Não é não querer dar bom dia. É, digamos assim, matar alguém. Aperto ou não aperto? E se o infeliz do vírus está na ponta do meu dedo? E vai ficar no botão do elevador esperando um velhinho meio desavisado apertar, e depois, subitamente, seu olho coçar veementemente? Ele pode apertar o botão com o dorso do dedo. Aí na hora de coçar o olho, ele também coça com o dorso, afinal, não é uma parte do corpo que ele use muito, então, na dúvida, usa o dorso que não usa muito. Mas ele apertou o botão com o dorso também!

Na dúvida, e repleta de culpa e confusão, passei muito álcool na ponta do dedo que iria usar para apertar o botão do elevador, e apertei. Ao abrir a porta, outro dilema. Bem, entrei. Lá dentro, outros tantos dilemas. Ao abrir a porta para sair do elevador, mais outros. No hall…

Entrei em casa, de onde só saí depois de quase 20 dias. Para garantir.

Bem… o que passei lá dentro, não importa muito agora.

Mas o que mais importa, mesmo, é que o interfone não tocou aqueles dias todos. E não tive notícia dos velhinhos do prédio terem covid.

*Paula Corrêa é escritora, poeta e jornalista. Nascida em São Paulo em 1978, cursou Comunicação e Artes do Corpo e é formada em Jornalismo pela PUC-SP. Escreveu os livros de poesia “In Vitro” (2004), “As Calotas Não Me Protegem do Sol (2010)” e “Tudo o que Mãe Diz É Sagrado”, este último pela editora Leya, com quarta capa de Eliane Brum e Ignácio de Loyola Brandão.

 por
 Vinicius Segalla

FONTE - DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO - DCM

Curta o Curta faz 20 anos com Festival e premiação para 20 filmes produzidos desde 2000

Inscrições abertas a partir de 1º de fevereiro

Pioneiro na exibição de curtas na internet brasileira, antes da febre do YouTube, o site Curta o Curta completa 20 anos. E para celebrar a efeméride realizará, através da Lei Aldir Blanc, o Festival Curta o Curta, selecionando 20 filmes feitos a partir do ano 2000. Cada curta selecionado ganhará 500 reais pela participação no evento, que será online, dias 12, 13 e 14 de março. As inscrições serão de 1 a 22 de fevereiro pelo site www.curtaocurta.com, podendo participar curtas com até 15min de duração, de todos os gêneros, feitos por brasileiros/as, mesmo que no exterior. Um júri formado por Cavi Borges e Helena Ignez, dois ícones do cinema brasileiro, definirão três destaques que ganharão mais 500 reais de premiação – totalizando mil reais em prêmio.

O Festival Curta o Curta foi criado por Guilherme Whitaker, que inventou o site Curta o Curta (COC) em 2000, uma novidade na ocasião. “O COC foi criado para dar mais espaço e visibilidade ao curta-metragem, porque na época não havia nenhum site que fizesse isso. Depois, ficamos 10 anos trabalhando como uma empresa de distribuição de filmes. Hoje, somente o site segue em frente, embora tenha ficado pausado nos últimos três anos, sem atualizações”, diz.

O projeto nunca teve um patrocinador, e segue 100% independente. “Estávamos preparando o relançamento do site por conta dos 20 anos, quando ganhamos este edital para fazer o festival, o que vai ajudar muito nesta nova fase que se inicia, com o site repaginado e focado apenas na difusão de filmes e notícias relacionadas ao curta nacional. Nosso lema segue sendo o de que ‘a luta por mais arte e mais cultura nunca foi, não é, nem nunca será em vão’ “, complementa Whitaker.

O festival é uma realização da WSET Multimídia em parceria com a KZL Filmes, com produção de GuiWhi e curadoria de Christian Caselli e Simone Rodrigues, e somente foi possível através da Lei Aldir Blanc.

Mais e etc. em www.curtaocurta.com

www.instagram.com/cultura_rio

www.facebook.com/SMCulturaRio

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

Um lutador sóbrio, rigoroso

José Carlos Ruy, pesquisador competente e curioso, escritor cioso da precisão, com sua seriedade, discrição e calma em qualquer discussão, vai fazer muita falta

Acho que eu conheci o Ruy pessoalmente em 1978, na sede do jornal Movimento, em São Paulo. De início ele trabalhou no arquivo do jornal, com o Samuel Rodrigues e o Miguel Jimenez, depois foi para a redação. Desde então participamos juntos de várias publicações dirigidas pelo jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, como a enciclopédia Retrato do Brasil, a revista Reportagem e a revista Retrato do Brasil.

Algumas das características que me chamaram a atenção nele, desde o início, foi a seriedade, a discrição, e a calma em qualquer discussão. Talvez fosse sério demais, embora soltasse sonoras gargalhadas volta e meia.

Uma vez me disse, para meu espanto, que não suportava o Woody Allen, um dos meus ídolos, a despeito das tentativas criminosas de seu cancelamento por parte da Mia Farrow.

Pesquisador competente e curioso e escritor cioso da precisão, por mais de uma vez mencionou para mim a ex-mulher, a bióloga e escritora Verônica Bercht, como exemplo a ser seguido, por sua “cautela de cientista”. “A gente só deve escrever depois de estar muito seguro dos dados, levantados com rigor”, dizia.

Ficamos afastados muitos anos, durante os quais continuei a acompanhar o seu trabalho, sóbrio e entusiasmado, na revista Princípios e no portal Vermelho.

Mais recentemente, quando passei a colaborar com o Vermelho com algumas das minhas crônicas atrevidas, voltamos a nos falar. Foi quando soube que ele enfrentava, com o espírito de luta de sempre, graves problemas nos olhos.

O Ruy vai fazer muita falta entre as fileiras dos que batalham para transformar o Brasil numa república democrática, popular e socialista.

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Lava Jato monitorava minuto a minuto defesa e Lula

Provas de um crime: Lava Jato monitorava minuto a minuto defesa e o próprio Lula. E o Ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes afirma que “Lula merece um julgamento justo”

Os crimes da Lava Jato estão vindo à tona a cada dia e a indignação só cresce. A turma da Vaza Jato e Moro querem esconder a verdade e pedem sigilo no processo, fazem isto, porque não existe  defesa para provas contundentes e claras da falta de imparcialidade e do conluio desta operação contra Lula e seu partido. Outro ponto e a ação partidária e política de setores do Ministério Publico Federal em parceria com setores da mídia para condenar sem provas Lula, como muitas vezes já foi demonstrado. A injustiça tem de ser reparada e que se faça justiça para Lula e milhares de brasileiros e brasileiras que vivem o mesmo drama.

Provas de um crime: Lava Jato monitorava minuto a minuto defesa e o próprio Lula.

Do comitê Nacional Lula Livre. Os procuradores eram informados minuto a minuto do que ocorria e articulavam os próximos passos em função das conversas grampeadas.

Outro relatório do perito contador Cláudio Wagner levantou as conversas da Lava Jato sobre o monitoramento dos telefones dos advogados de Lula e do próprio Lula, segundo o site GGN, confirmando que servia para identificar as estratégias da defesa e se antecipar.

Os procuradores eram informados minuto a minuto do que ocorria e articulavam os próximos passos em função das conversas grampeadas.

Do GGN.

(Brasília – DF, 05/02/2020) Reunião com Sergio Moro, Ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública e Secretários.\rFoto: Marcos Corrêa/PR

“Lula merece um julgamento justo”: assista aqui à declaração de Gilmar Mendes

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes declarou em entrevista à TV Bandeirantes que “Lula merece um julgamento justo”. Em entrevista ao jornalista José Luiz Datena, o ministro, que pretende pautar a suspeição de Moro este semestre na Segunda Turma, também comentou as mensagens vazadas de Moro e Dallagnol.

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Gilmar Mendes: Lulla Merece um julgamento justo
Fonte: JORNALISTAS LIVRES