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domingo, 4 de março de 2018

Baía do Sancho é eleita a segunda melhor praia do mundo em 2018

baia
Fernando de Noronha (PE)
Pela quarta vez, a Baía do Sancho, praia de Fernando de Noronha (PE), apareceu na lista das mais bonitas do planeta. A avaliação, feita por usuários do TripAdvisor, site especializado em viagens, deu à praia o segundo lugar no ranking mundial de 2018.
Com águas cristalinas e em tons de azuis, a praia foi reconhecida pela bela vista, preservação da paisagem, além de ser ideal para a prática de mergulho e de surf. Durante o passeio pela Baía do Sancho, os turistas também podem visitar o mirante com vista para o Morro Dois Irmãos, reconhecido como um dos cartões-postais do arquipélago.
Segundo o TripAdvisor, a Praia do Sancho já havia sido eleita como a melhor no mundo, em 2017. O resultado tem como base votos efetuados por usuários que frequentaram as praias nos últimos 12 meses.
Fonte: Governo do Brasil, com informações do Ministério do Turismo e do TripAdvisor

Os estrangeiros do Oscar fogem do “clichê regional”

oscar
Por José Geraldo Couto*
Diferentemente do que costuma ocorrer, nenhum deles se baseia em exotismos, em “cor local”, interesse etnográfico ou algum grande evento histórico. Com a possível exceção do libanês O insulto, de Ziad Doueiri, que aborda em chave de drama judicial as tensões culturais e religiosas de sua região, todos os outros poderiam se ambientar virtualmente em qualquer lugar do mundo urbano contemporâneo.
O que acabei de dizer é verdade apenas em parte. Pois é claro que as constrições morais que cercam a protagonista transexual do chileno Uma mulher fantástica, de Sebastián Lelio, teriam outro tom e intensidade se a história se passasse, por exemplo, num país nórdico e não na América Latina. Inversamente, as questões culturais e políticas urdidas no sueco The square, de Ruben Östlund, dificilmente encontrariam uma expressão tão límpida fora da sociedade afluente e ultracivilizada da Escandinávia.
Amor e desamor

Nessa linha de raciocínio, pode ser interessante observar em conjunto, ou em cotejo, os dois representantes do leste europeu, o russo Sem amor, de Andrey Zvyagintsev, e o húngaro Corpo e alma, de Ildikó Enyedi, a única cineasta mulher concorrendo na categoria.

Ambos são dramas urbanos contemporâneos, centrados em afetos esquivos, abortados ou insuficientes entre personagens de classe média, sem grandes carências materiais.
Por coincidência, os dois começam com imagens quase idênticas: um bosque embranquecido sob a neve. No russo, porém, a imagem é de total desolação, em que o único sinal de vida é um quase imperceptível pato deslizando no lago no fundo do quadro; no húngaro, surgem e interagem dois cervos: um macho, de galhada frondosa, e uma fêmea. Aí está inscrita talvez a diferença essencial entre as duas obras: o húngaro é um filme de amor; o russo, de desamor.
“Os corpos se entendem, mas as almas não”, escreveu Manuel Bandeira num verso memorável. Sem amor e Corpo e alma podem ser vistos, se quisermos, como diferentes desdobramentos ou questionamentos dessa afirmação.
No filme russo, o menino Alyosha (Matvey Novikov), de 12 anos, vê-se rejeitado pelos pais recém-separados (Maryana Spivak e Aleksey Rozin). Imersos em novos relacionamentos e absorvidos por seus trabalhos, nenhum dos dois quer ficar com ele, que parece destinado a um internato. Até aí nada de novo, pelo menos desde o romance Pelos olhos de Maisie, de Henry James. A novidade é que aqui um belo dia o menino desaparece, e o restante do filme passa a ser a procura por ele.
Há uma construção narrativa enxuta e rigorosa, que de certo modo espelha a busca sistemática por Alyosha, empreendida por uma ONG especializada em pessoas desaparecidas. Nas elipses precisas, nos diálogos objetivos, na sutileza das trocas corporais, na definição clara dos espaços (os apartamentos, a escola, o bosque, os locais de trabalho, a casa rural da avó maluca, o hotel ou clube em ruínas que os meninos usavam como esconderijo, etc.), configura-se um suspense lento, em cujas frestas o filme como que secreta seu tema, sua quase-tese, da esterilização dos sentimentos, da “morte do amor”, para dizer de um modo dramático, no mundo atual.

Trailer de Sem Amor:

Corpo e alma

Em Corpo e alma, passamos quase sem transição das imagens dos cervos em liberdade para a de bois confinados num matadouro. Assistimos mesmo ao sistemático abate e esquartejamento de um deles – e é dessa ação brutal que o quadro se abre para o ambiente em que se moverão os personagens: estamos num frigorífico moderno, local de trabalho dos protagonistas, o veterano diretor financeiro Endre (Morcsányi Géza) e a jovem supervisora de qualidade Mária (Alexandra Borbély).

É interessante observar a direção desse movimento: do animal para o humano (e a diretora faz questão de nos colocar brevemente no ponto de vista do boi), do carnal para o social, para o psicológico e, em última instância, para o espiritual. O corpo vem antes, a alma depois. A relação entre os protagonistas, porém, parece ir na contramão dessa tendência. Antes de pensar em se aventurar no contato físico eles se (des)entendem no plano intelectual.
Em comparação com o realismo psicológico implacável do russo Zvyagintsev, o olhar da diretora Ildikó Enyedi é mais empático, afetuoso, apesar da aparente crueldade inicial, que enfatiza as faltas ou deficiências de cada um: o braço paralisado de Endre, a postura robótica de Mária, a pusilanimidade de um colega de trabalho, a desfaçatez de outro…
Mais que isso: Enyedi não teme romper a verossimilhança e lançar mão de uma ideia quase pueril: dois personagens que têm simultaneamente o mesmo sonho, como se o inconsciente de um estivesse em perfeita sintonia com o do outro. Do ponto de vista de um realismo convencional, haveria inúmeras outras fragilidades e inconsistências no filme, entre elas o descabido interrogatório dos funcionários do frigorífico por uma psicóloga, no bojo de uma igualmente descabida investigação policial sobre o furto de estimulantes sexuais bovinos do laboratório da empresa.
A partir de certo momento, fica claro que para a cineasta nada disso (isto é, dessas regras de verossimilhança, de coerência lógica e psicológica) importa. Estamos no cinema, é tudo construção e fantasia, deixa correr, o importante é ver depois aonde vamos chegar. E o lugar aonde chegamos é cinema puro: uma das mais belas sequências de tentativa de suicídio já filmadas é seguida quase imediatamente por uma cena de sexo não tão bela, mas igualmente inspirada. A violência e o amor, a carne e o espírito, traduzidos em imagens em movimento. Por um momento os corpos se entendem e as almas também.
Trailer de Corpo e Alma: 
*José Gerado Couto é crítico de cinema e tradutor. Publica suas criticas no blog do IMS

Cordel do Fogo Encantado retorna em abril com novo álbum

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Além de disponibilizar todos os sucessos nas plataformas de streaming, a banda cênica se prepara para lançar um novo trabalho: o álbum Viagem ao coração do sol.
“Esse agora, Viagem ao coração do sol, é como se seguíssemos a história e, saindo desta hibernação, saímos de dentro da terra e estamos em um caminho em direção ao sol, onde mora a filha do vento que chamamos de liberdade. São personagens que a gente desenvolveu para contar essa história e musicalmente a mesma formação, com os mesmo tambores.” conta o letrista e vocalista Lirinha.
Com voz que exala poesia, José Paes de Lira, o Lirinha, diz que foi em 2016 que os integrantes se reuniram novamente para organizar a discografia e decidiram voltar, mas mantiveram segredo.
“Nessa tentativa da gente organizar este material, os integrantes se reuniram e os sentimentos foram aquelas mesmas coisas do início. Aquela vontade de mandar a mensagem do Fogo Encantado”, revelou.
O novo disco, que tem previsão de lançamento em abril, promete fazer “chuver” poesia, segundo o violonista Clayton Barros, que está na expectativa pela retorno da banda:
“Esse disco fala de um ressurgimento, de uma retomada, como se estivéssemos passado este tempo como sementes embaixo da terra esperando para eclodir novamente. Eu estou muito feliz e realizado com essa volta, com o que eu tenho recebido das pessoas nas redes sociais, da movimentação, do resultado do trabalho. Estou confiante.”
O álbum Viagem ao coração do sol foi produzido pelo cearense Fernando Catatau, que deixa seus arranjos registrados na faixa Sideral.
O carro-chefe da banda continua sendo os tambores de raízes africanas, o violão e a poesia. A força da tradição popular é a marca que fica evidente nos trabalhos, inclusive nos anteriores, incluindo o primeiro disco, de 2001, chamado Cordel do Fogo Encantado, produzido pelo instrumentista Naná Vasconcellos.
Barros fala sobre a volta da banda em um período político conturbado e como as histórias contadas nas canções criadas pelo grupo vão abordar os temas atuais e populares.
“Continuamos defendendo a classe indígena, a classe negra, continuamos cada vez mais defendendo a diversidade sexual, a figura da mulher e as questões sociais que envolvem a mulher no mundo de hoje, a disparidade…”, comenta.
No ano passado, Lirinha participou da inauguração do campo Dr. Sócrates Brasileiro da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Ele gravou a música “O campo é o corpo”.
“Neste período de oito anos que passamos sem a banda, eu me aproximei muito do MST, por isso essa relação com o campo Dr. Sócrates. Considero que foi uma das melhores coisas que eu vivenciei, eu tenho uma identificação muito grande com os pensamentos, com a luta do movimento e o Cordel do Fogo Encantado tem essa origem num entendimento da importância de uma Reforma Agrária Popular”, conclui Lirinha.
O lançamento do novo álbum está marcado para o dia 6 de abril, mas as datas de apresentações e turnês ainda não foram divulgadas. Para ir matando a saudade, o Cordel do Fogo Encantado reuniu todos os sucessos anteriores nas plataformas de streaming Spotify, Deezer e na loja Itunes.
Brasil de Fato

sábado, 3 de março de 2018

CPC/RN E STRAF/STTR DE NOVA CRUZ/RN PARTICIPARAM DE REUNIÃO DE CRIAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA E CULTURAL DAS COMUNIDADES DE CONCEIÇÃO E MARANHÃO

  Momento da votação
 Momento da votação
  Moradores/as atentos a reunião de fundação da sua associação desportiva e cultural
 Moradores/as atentos a reunião de fundação da sua associação desportiva e cultural

 Momento da Aprovação da Fundação da Associação Desportiva e Cultaral das Comunidades do Sitio Conceição e Maranhão do Município de Nova Cruz/RN
Comissão Provisória:

Ontem (2) o presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, juntamente com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais - STRAF/STTR de Nova Cruz/RN, Edmilson Gomes da Silva (Negão), participaram da reunião na Comunidade do Sítio Conceição, cujo objetivo foi a criação da Associação Desportiva e Cultural das comunidades do sitio Conceição e Maranhão.

Dezenas de moradores de ambas comunidades se fizeram presentes na Quadra de Esporte daquela comunidade e após esclarecimentos e importância da criação de uma associação cultural e desportiva na comunidade, foi aprovado a criação da mesma, sendo aprovado a seguinte Comissão Provisória: ROBERTO MARCONI - Presidente; JOSÉ RICARDO - Vice Presidente; SABRINA FRANÇA - 1ª Secretária; MONICA TEODÓSIO - 2ª Secretária e FRANCISCO CANINDÉ - Tesoureiro.

Que irá discutir e elaborar o ESTATUTO da referida associação e convocar a Assembléia que irá aprovar e eleger sua primeira diretoria.

Eduardo Vasconcelos CPC/RN e Edmilson Gomes da Silva (STRAF/STTR), foram unanimes em afirmar a importância e organização da associação, que irá não só resgatar a cultura e o esporte nas referidas comunidades, como lutar por políticas sociais, educacionais, entre outras.

O CPC/RN e o STRAF/STTR de Nova Cruz dará todo apoio e suporte para a organização e legalidade da referida associação.

A comissão provisória terá cerca de 40 (quarenta) dias para elaborarem uma proposta estatutária para apresentar na breve assembléia geral.

120 batimentos por minuto' ganha César de melhor filme


Cena do filma "120 batimentos por minuto" - Divulgação
"120 batimentos por minuto" (120 battements par minute) ganhou o prêmio de melhor filme na noite desta sexta-feira (2) no "Oscar francês" - o César -, onde muitos convidados usaram fitas brancas em protesto contra a violência contra as mulheres. 
O filme de Robin Campillo, que conta a história de ativistas franceses da aids na década de 1990, recebeu 13 indicações e levou seis estatuetas, incluindo a de melhor filme.
O prêmio de melhor diretor foi para Albert Dupontel, por "Au Revior la-haute", uma adaptação de um romance de Pierre Lemaitre sobre a amizade entre dois soldados da Primeira Guerra Mundial. 
Jeanne Balibar levou o prêmio de melhor atriz pela sua performance em "Barbara", enquanto Swann Arlaud foi premiado como melhor ator por seu papel em "O pequeno fazendeiro" (Petit Paysan).
A atriz espanhola Penélope Cruz recebeu, das mãos do diretor Pedro Almodóvar, o prêmio César Honorário pela sua carreira cinematográfica.
"A França sempre foi muito generosa comigo", declarou a atriz, de 43 anos, ao lado do diretor espanhol e da atriz francesa Marion Cotillard, que apresentou o prêmio.
"Você sabe que é uma das razões pelas quais decidi fazer cinema. [...] Obrigada pela homenagem constante que você faz à mulheres com o seu cinema", disse Cruz a Almodóvar, com quem gravou cinco filmes: "Carne trêmula", "Tudo sobre minha mãe", "Abraços partidos", "Os amantes passageiros" e "Volver".
Penélope Cruz aparece este ano no elenco de "Todos lo saben", do diretor iraniano Asghar Farhadi.
Laços brancos
A atriz madrilenha foi à cerimônia do cinema francês, celebrada em Paris, acompanhada do marido, Javier Bardem, e seu uniu à mobilização contra a violência sexual contra as mulheres usando um laço branco preso ao vestido tomara-que-caia azul violáceo.
"Vamos todos usar laços brancos", havia anunciado no início da semana à AFP o presidente da Academia Francesa de Cinema, que concede o César, depois que atores e diretores se vestiram de preto em solidariedade ao movimento #MeToo nas cerimônias do Globo de Ouro, em Hollywood, e do Bafta, em Londres.
No ano passado, o César despertou a ira das feministas ao convidar o polêmico cineasta franco-polonês Roman Polanski para presidir os prêmios antes de ser forçado a se retirar.
O veterano diretor, acusado de violência sexual por várias mulheres, é procurado nos Estados Unidos acusado de estupro de uma adolescente de 13 anos em 1977.
Terzian disse que a atriz e diretora franco-americana Tonie Marshall sugeriu a ideia do laço branco em apoio à fundação francesa que trabalha para deter a violência contra as mulheres.
"Todos vamos usar laços brancos com convicção e determinação", acrescentou.
Segundo a ministra francesa da Cultura, Françoise Nyssen, produtores de cinema têm uma enorme "responsabilidade para combater estereótipos, discriminação e assédio" tanto à frente quanto atrás das câmeras.
Fonte: JORNAL DO BRASIL

quinta-feira, 1 de março de 2018

Dilma, no último dia: charutos e calhordas

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Todas as ilustrações do livro foram confeccionadas pelo próprio jornalista (Créditos: Olímpio Cruz Neto/Divulgação)
Olímpio Cruz prepara livro com relatos do Golpe
Do Correio Braziliense:

Jornalista publica livro com a história por trás de clássicos da música


Qual é a playlist de sua vida? Quais obras você incluiria na lista de canções que marcaram sua existência e poderiam ser consideradas a trilha sonora da sua história? Essas perguntas são o ponto de partida de Playlist — Crônicas sentimentais de canções inesquecíveis, primeiro livro do jornalista Olímpio Cruz Neto, recém-lançado e disponível na plataforma digital Amazon.

Playlist é, claro, o conjunto de algumas das canções preferidas de Olímpio, apresentadas em 27 textos. (...) A cada texto, fica claro esse poder da música de invocar memórias e emoções. E a ideia do autor era deixar mesmo que as lembranças surgissem, para dividi-las, especialmente, com os filhos: o recém-nascido Antônio e a jovem Clara. “Eu queria compartilhar as lembranças e os prazeres dessas canções com meus filhos. Um jeito de contar um pouco a própria vida e de mostrar a eles um pouco de quem eu sou e como cresci. É quase uma terapia. Eu acho que todos temos uma espécie de trilha sonora da existência. Escrever é certamente uma maneira de ver e sentir novamente aqueles momentos”, diz Olímpio (...)

As lembranças fazem com que o escritor vá de Charles Chaplin, com sua belíssima Smile, de 1936, à banda independente brasiliense The Johnny Nit Circus e a canção Killing Words, de 2012. O passeio inclui ainda David Bowie (Space Odity), Os Novos Baianos (Mistério do planeta), Gilberto Gil (Tatá engenho novo) e tantos outros. (...)

Entrevista com Olímpio Cruz Neto


Como você chegou a esse conjunto de canções? Por que essas?
Os textos sobre essas canções foram publicados, entre 2008 e 2014, no blog que eu tinha. Eram crônicas em cima de fatos e episódios correntes, como a morte de Michael Jackson, o aniversário de John Lennon ou de George Harrison. Não havia uma seleção prévia. O que une essas canções é a ligação emotiva ou afetiva que tenho com elas. No processo de seleção dos textos, acabei reescrevendo trechos, incluí informações e alterei algumas partes, porque precisei tirar as referências às datas específicas — o anúncio do show do Paul Weller no Brasil, a participação do Suede em um evento em São Paulo... As canções estão entre as minhas favoritas, mas ainda tenho material para um segundo volume. Quem sabe consigo editar mais para frente?

Na crônica sobre Música urbana e Música urbana 2, você conta uma passagem capaz de deixar muitos fãs do rock nacional invejosos: uma visita ao quarto do jovem Renato Russo com dois terços dos Paralamas. Como é que você foi parar lá, e ainda por cima acompanhado de figuras tão fundamentais da música brasileira?
Eu estudava no Colégio Objetivo em 1983. E, lá, tinha muitos amigos da chamada Turma da Colina. Um deles era Pedro Ribeiro, irmão do Bi, dos Paralamas. Éramos muito próximos e, por conta disso, acabei conhecendo muitos dos talentosos caras que estavam à frente das principais bandas de Brasília naquele momento: Legião, Plebe, Capital e Escola de Escândalos. Vi muitos shows. Um deles foi a primeira apresentação dos Paralamas em Brasília, num festival que rolou no Ginásio de Esportes, o Rock Way 2. Nesse dia, como tinha o carro do meu pai disponível, fui com Pedro ao hotel e, de lá, convidado a acompanhar os dois terços dos Paralamas, junto com o Fê, do Capital. Meu pai tinha uma Belina. O Fê tinha uma Caravan laranja. Daí que fui parar na casa do Renato, na 303 Sul. Eu fiquei impressionado com ele. Sabia quem era, mas não o conhecia. De perto, fiquei fascinado porque era um cara articulado e muito inteligente. Fiquei fã imediatamente e nunca mais o trabalho dele saiu do meu radar. Eu tenho em casa pelo menos umas 20 fitas k7, que digitalizei, com muitas canções dessas e outras bandas daqui de Brasília dos anos 80. Inclusive ensaios e as famosas demos que abriram as portas para as gravadoras. Isso deve ganhar a forma de um livro nos próximos meses. 

No ano passado, você divulgou um capítulo de seu livro sobre o impeachment de Dilma. Como está esse projeto?
Eu tenho outros quatro livros no prelo, que espero publicar até o fim do ano. Um é sobre o impeachment, que se chama Diário da resistência — Os 128 dias do impeachment de Dilma Rousseff. Eu fui secretário de imprensa dela entre 2014 e 2015 e, em 2016, fui trabalhar diretamente com ela como seu assessor de imprensa, justamente no período de afastamento. O livro trata dos bastidores e acompanha por dentro o processo do impeachment, de 12 de abril, data da aprovação do afastamento pelo Senado, a 6 de setembro, quando ela embarcou para Porto Alegre, depois de ser tirada em definitivo da Presidência da República. É um livro sobre a história política recente do país sob a perspectiva de quem viu de perto esse período. (...)
Leia também no Conversa Afiada:


Em tempo
: em maio de 2017, o Conversa Afiada publicou o primeiro capítulo de "Diário da resistência", projeto de Olímpio Cruz Neto sobre o processo de impeachment da presidenta Dilma:

Dilma, no último dia: charutos e calhordas

Olímpio Cruz abre o livro sobre quem assessorou

O Conversa Afiada reproduz da piauí o capítulo inicial do livro de Olímpio Cruz Neto, que foi e é assessor de imprensa da Presidenta Dilma Rousseff:

HÁ UM ANO


Livro inédito de assessor relata as primeiras horas de Dilma Rousseff depois de saber de seu afastamento da Presidência da República

POR OLÍMPIO CRUZ NETO

Entre janeiro de 2014 e julho de 2015, o jornalista brasiliense Olímpio Cruz Neto, de 50 anos, foi o secretário de imprensa da presidente Dilma Rousseff. No Palácio do Planalto, seu trabalho era conduzir a política de relacionamento da chefe de Estado com a imprensa nacional e estrangeira, fazendo o contato diário com repórteres credenciados, além de produzir notas, briefings e acompanhar Dilma em viagens nacionais e internacionais. Nesse período, construiu uma ligação forte com a presidente, que lhe tratava pelo apelido de Olicruz, o acrônimo usado em seu endereço de e-mail.

Do dia 12 de maio, quando o Senado autorizou o afastamento dela do cargo até ela deixar o Palácio do Alvorada, em 6 de setembro, passaram-se 128 dias. É esse o foco de seu relato. Nesse período, Cruz Neto passou a descrever em detalhes o que se passava nos últimos dias da rotina presidencial. O material já soma 225 páginas.

Nesse extrato do texto – que deve ser o primeiro capítulo de um livro a ser publicado em breve –, ele foca a narrativa na relação pessoal com Dilma, que usava um robe de seda e fumava charuto descalça na residência oficial, quando se viram logo depois da votação do afastamento. Foi quando também ela fez um comentário sobre o novo ministério de seu sucessor. “Só tem CCC: canalhas, calhordas e corruptos” e depois lhe recomendou um livro – que ela tinha lido com atenção – sobre impeachment e instabilidade na América Latina.

Atualmente, Cruz Neto é assessor do senador Jorge Vianna, do PT do Acre.

Será o nono livro escrito sobre o processo de impeachment da ex-presidente em menos de um ano.

–
CAPÍTULO 1QUINTA-FEIRA, 12 DE MAIO DE 2016

Eram 15h40 quando cheguei ao Palácio da Alvorada, naquela tarde com gosto amargo na boca. Angústia de quem estava enojado até o peito. Poucas horas antes, havia acompanhado pela tevê o pronunciamento de Dilma Rousseff, após ela ser notificada de seu afastamento da Presidência da República por até 180 dias.

Barrado na altura do Palácio do Jaburu por um esquema de segurança instalado havia quase um mês, depois que a Câmara dos Deputados aprovara em 17 de abril o início do impeachment da presidenta, dei meu nome ao segurança. Liberado em cinco minutos, deslizei com o carro para dentro do Alvorada. Atrás da barreira, uma repórter da Globo gravava uma passagem.

Chaguinhas estava na porta de entrada dos funcionários, dentro do palácio. Espécie de gerente do Alvorada, encaminhou-me ao salão de jogos, instalado logo depois da sala de cinema. Passei pelo umbral recheado de poltronas Charles Eames e meus passos me levaram em seguida à mesa de Roberto Stuckert Filho. Fotógrafo oficial da presidenta há mais de cinco anos, Tuca me deu um abraço depois de brincar:

– Veio trabalhar, gordinho?

Ri alto.

Cumprimentei Glauber e Rafael, assistentes do fotógrafo. E acenei com a cabeça para a loura Elisa Smeniotto, assistente de Giles Azevedo, o poderoso ex-chefe de gabinete pessoal da presidenta. Na outrora sala de jogos, mesas haviam sido recém-instaladas, com computadores e outros equipamentos. No chão, caixas com documentos e material pessoal de Sandra Brandão – a “Google da Dilma” – e de Giles estavam espalhadas. Os dois não estavam presentes.

Tuca me direcionou a uma mesa com computador e telefone. O celular explodia com incessantes mensagens de WhatsApp e chamadas no celular pessoal. Perguntei ao fotógrafo, com quem trabalhara na redação d’O Globo ainda nos anos 90, onde estava a presidenta da República.

– Lá em cima, fumando um charuto. Foda, velho.

– Ela está bem? – indaguei.

– Cara, ela almoçou com uma galera. Lula, Berzoini e um monte de ministros. Onde você estava que não veio antes?

– Ô, Tuca, fui cortar o cabelo – respondi, mentindo. (Tinha ficado em casa aguardando um telefonema para ir ao Alvorada). – E o Lula? Como ele estava?

– Abatido. Nem falei com ele quando saiu daqui.

Puxei a cadeira e olhei os funcionários instalando mesas e empurrando caixas. Aquela sala, com oito mesas de madeira escura – típicas do Planalto e de Brasília dos anos 60 – seria o ambiente de trabalho pelos próximos meses, a depender do andamento do processo de impeachment conduzido no Senado da República. O local seria apelidado mais tarde de “Bunker da Resistência”.

A tevê ligada na Globonews cintilava com a reprise do discurso de Dilma, mais cedo, ainda no Planalto. Na sequência, a narrativa implacável das inusitadas comentaristas: Cristiana Lôbo e Eliane Cantanhede. As veteranas jornalistas se revezavam, com comentários ácidos sobre o ocaso do governo Dilma. Em intervalos, sucediam-se para falar a todo instante da importância daquele “dia histórico”. Ainda tive tempo de ouvir a apresentadora chamando Andrea Sadi, com os “bastidores do novo governo”.

Sorrindo, a repórter recita então os nomes dos novos ministros, puxando uma fieira sucessiva de velhas caras pálidas da política nacional. Algumas conhecidas do noticiário de escândalos do governo Fernando Henrique. Como o Quinteto Violado de Temer – Moreira, Geddel, Jucá, Padilha e Henrique Eduardo Alves… Aquilo soava mal na tevê. Eu ri e pisquei pra Tuca:

– É o Ministério Benjamin Button… Nasceu velho.

O WhatsApp segue explodindo com novas perguntas de jornalistas. Querem detalhes da agenda do dia, pedem entrevistas ou comentários de Dilma. Ignoro a maioria. Não tenho o que dizer. Ainda. Aproveito o aplicativo aberto e mando mensagem para Maria da Solidade de Oliveira Costa, a Suli, uma das assessoras especiais da presidenta, explicando que já estava no Alvorada porque havia sido chamado a falar com a Dilma. Em instantes, recebo a autorização para subir.

Cruzo as escadas até o Salão Dourado e vejo mais funcionários instalando novas mesas e armários nas salas viradas para a frente do Alvorada. Tuca me acompanha. Entramos numa das salas e deparamo-nos com Bullouwer, um dos ajudantes de ordens de Dilma. Ele sorri e cumprimenta-nos de pé. Abraçamo-nos e digo que estava ali porque havia sido chamado. Major do Exército brasileiro, o oficial me leva até a escada e Suli brinca comigo do alto:

– Vai emagrecer rapidinho nos próximos meses.

Eu a abraço e dou um beijo em sua bochecha. Saudamo-nos no momento difícil. Cruzo a porta até a antessala do escritório. No corredor, uma parede abriga a gravura de Vito Corleone, o grande personagem de Marlon Brando. O desenho é meu. Foi feito em 2014 e dado de presente a Dilma no dia do seu aniversário, em 14 de dezembro do ano seguinte. Estou surpreso. Não imaginava ver meu “Poderoso Chefão” ali.

Da suíte presidencial, uma voz familiar ressoa. É Dilma quem se aproxima. Está com um robe claro, descalça e de óculos de fundo de garrafa. Parece tranquila. Sorrindo, ela me anuncia:

– Olímpio Cruz, ôce tá bem, meu filho?

– Bom vê-la assim, sorridente, presidenta. Está animada.

Dois beijos e seu abraço apertado me deixam acanhado.

– Sabe que eles não vão me deixar deprimida. Não dou esse gostinho a eles. Senta, Olímpio.

O garçom entra e serve à presidenta uma limonada. Ela faz o movimento de pinça com os dedos. É a deixa para o adoçante. Em seguida, o rapaz serve água e café. Ela retoma a conversa:

– E aí, Olímpio?

– Eu é que pergunto, presidenta.

– Vamos trabalhar, né?

A seguir, repete um mantra que aprendi a ouvir nas viagens ao exterior e nas minhas idas ao Alvorada:

– Maaaarliiiii… Maaaarliiiii… Maaaarliiiii… – diz, elevando o tom de voz.

Sua assistente sai do quarto e a presidenta pede para ligar o ar-condicionado e fechar as cortinas.

– Tá muito quente aqui.

Em seguida, volta-se para mim.

– Vamos trabalhar muito – diz, anunciando que está disposta e cheia de energia para seguir adiante, percorrendo o país e o mundo para denunciar o golpe que sofrera naquele dia. Diz que chegou a hora de fazer barulho.

– Quero fazer um blog, diário. Todo dia colocar uma coisa.

– Isso é ótimo. Temos de usar os recursos da internet para fazer barulho, presidenta… Facebook, Twitter e o blog. Combinamos com o Stuckert e a Paulinha [Zagotta, jornalista, uma das responsáveis pela administração dos perfis de Dilma nas redes sociais].

– Isso, isso… No blog, vou colocar fotos, textos e vídeos. Vamos dar recados.

Dilma está tranquila. As unhas dos pés, pintadas impecavelmente de vermelho, fazem um contraste com a sua pele clara. Os pés são pequenos, claros e delicados. Ela calça 35. Nem parece, porque não é uma mulher de baixa estatura. As mãos são de sinhazinha, com dedos finos estendidos a partir das mãos pequeninas, o que sempre me chamou atenção. Mãos delicadas.

A presidenta está vestida com um chambre branco, longo e uma estampa colorida na altura do peito. É inusitado vê-la tão à vontade, com os pés à vista, descalça. Eu já a vira usando aquela mesma roupa, mas de sandália, durante a campanha da reeleição em 2014, nos preparativos de um debate televisivo, em pleno Alvorada, rodeada por João Santana, Franklin Martins e outros colaboradores do chamado núcleo duro. Eram dias de concentração extrema e forte tensão, porque a disputa era ferrenha.

Mas agora era diferente. Dilma está tranquila. Bem mais magra do que antes, mas um pouco encurvada. Está ferida, mas muito altiva e viva. Seus olhos estão alertas e saltitantes. Os pés permanecem estendidos à minha frente em cima de um pufe do designer americano Charles Eames, enquanto ela se estica no sofá, tendo uma almofada nas mãos.

Então, puxa o telefone e pede à telefonista uma ligação, enquanto aguarda, encarando-me. Depois de alguns segundos calada, fala ao interlocutor:

– Ô, Alexandre. Segura mais uns dias o Olímpio no banco, viu? Espera um pouco até eu acertar a vida dele aqui. Tá bom? Ok?… Ok… Obrigada. Abraço.

Sorrindo para mim, ela pisca.

– O Alexandre é joia. Cê vem pra cá depois.

O personagem de quem ela fala é Alexandre Abreu, presidente do Banco do Brasil. Não por acaso, era meu assessorado desde que saíra do Palácio do Planalto, em agosto de 2015, depois de uma conversa queixosa que tive com ela, na mesma tarde em que Dilma foi saudada por índios numa cerimônia dos Jogos Indígenas. A solenidade do famoso discurso da mandioca. Foi quando decidi deixar a Secretaria de Imprensa.

É preciso dizer que foi a própria presidenta quem me indicou para a assessoria de Abreu, um capixaba de 50 anos, simpático e falante, com quem trabalhei nos últimos nove meses desde que acertara com ela o meu desligamento da Presidência da República. Fechando este preâmbulo, confesso que gostei de retomar o contato direto.

Digo, meio sem graça, que estava ali para conversar porque tinha sido surpreendido por jornalistas naquela manhã, bem cedo, perguntando a mim sobre a nomeação como seu assessor especial, justamente no período do afastamento. O despacho havia sido publicado no Diário Oficial da União. Ela me interrompe.

– Ué? Já saiu? Então, tem de vir logo, porque não dá para ser nomeado aqui e continuar no banco.

Eu disse à presidenta que estaria disponível na semana que vem. Ela fala para eu ficar tranquilo, que vai dar tudo certo. Mas já me dá as primeiras instruções:

– Ocê vai preparar aquelas análises de mídia, diárias, dos jornais e dos blogs (sujos!). Isso pra começar. E já pode ser na semana que vem. Eu viajo amanhã para Porto Alegre e volto segunda de manhã. Ou domingo, não sei ainda…

Digo que tenho muitos pedidos de entrevistas.

– Quem? – ela questiona.

Dou início às indicações que marquei numa lista:

– Tania (Monteiro, repórter do Estadão)…

– Agora, não.

– [Luís] Nassif…

– Faço.

– Paulo Henrique [Amorim]…

– Faço.

– Acho que a senhora deveria falar também com Glenn Greenwald.

Relato que o jornalista americano – mundialmente famoso por revelar a espionagem dos Estados Unidos e o jogo pesado da Agência Nacional de Segurança (NSA) graças a documentos repassados por Edward Snowden –, publicara naquele mesmo dia um artigo “A democracia brasileira sofrerá um duro revés com a posse de um inelegível e corrupto neoliberal” e que ela precisava ler na íntegra. O texto havia saído horas antes no site The Intercept.

– A senhora chegou a ler?

– Não. Mande pra mim. Faz o contato com ele e traga-o aqui. Vamos fazer muitas coisas aqui, Olímpio.

Por 35 minutos, Dilma me fala de seus planos imediatos – entrevista para jornalistas estrangeiros na manhã seguinte, viagens pelo Nordeste, agendas no Alvorada, compromissos em universidades e sindicatos pelo Brasil. Sugiro um artigo, a ser publicado em veículo estrangeiro, nos próximos dias, tendo como base o discurso de resistência do Planalto. Ela concorda.

– Você lê bem inglês, né Olímpio?

Confirmo e ela grita o nome de Deise.

– Ô Deise, traga o meu Kindle. Olímpio, você precisa ler o livro do argentino sobre impeachment.

Ao receber o aparelho das mãos de Deise Ramos, outra de suas assessoras pessoais, a presidenta digita com os dedinhos o nome de Aníbal Pérez-Liñan. E dita a mim o nome do livro.

– Tem que ler esse livro. Chama-se Presidential Impeachment and the New Political Instability in Latin America. A edição eletrônica está disponível na Amazon.

– Eu vou comprar, presidenta.

– Ele tem muitos argumentos sobre como o impeachment está sendo usado na América Latina. Fala inclusive do papel dos meios de comunicação oligopolizados da região.

De pronto, indago se ela vai para fora do país, após ter falado do desejo de dar início à sua tour de resistência pelo Nordeste. Dilma confirma visitas a países da América Latina e eu sugiro pelo menos duas visitas que considero importantes: Rússia e China.

– A senhora tem de ir a esses países para falar sobre o golpe e apontar os riscos aos BRICS. Conversar com (Vladimir) Putin e o presidente Xi-Jinping.

Ela concorda, maneando a cabeça. Para emendar outro assunto, na sequência, sugiro aquilo que mais me empolgava, desde a primeira sondagem para voltarmos a trabalhar juntos: um livro.

– A senhora precisa contar a sua história e o legado do seu governo. Como chegamos a essa situação absurda. Isso é história. A senhora deve isso a si e ao país.

Dilma abre um sorriso e dá para ver uma fagulha se espalhando pelos olhos. A expressão de menina peralta se expande e seu rosto se ilumina.

– Claro. Vamos escrever. Ótima ideia – diz, esfregando os braços. Vai ser O Diário do Impeachment – diz, juntando em seguida as mãos e sorrindo com sinceridade.

– Presidenta, imagino que a gente podia fazer pelo menos três horas semanais de entrevistas como método inicial. Eu faço a gravação do material à medida que vamos trabalhando, trazendo suas memórias, relatos e opiniões. Revisamos o material, juntos, adequamos tudo e, sem pressa, deixamos para depois o tempo de organização do livro. Não precisa ser para já.

Ela concorda, acenando com a cabeça e sorri. Parece imensamente satisfeita com a modesta sugestão. Está tão empolgada com a ideia do livro que sorri estalando a língua, como se estivéssemos tratando de um passeio pela Disney. Nem parece a chefe de Estado que está vivendo há menos de cinco horas a condição inédita de ser a única presidente da República afastada do exercício do poder sem provas de crime de responsabilidade.

Penso que Dilma parece melhor preparada diante das situações de adversidade. Eu já a vira assim, quicando, em algumas situações durante a campanha de reeleição.

Era um contraste absurdo com a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu quase ministro-chefe da Casa Civil. Lula a abraçara há poucas horas, na porta da frente do Palácio do Planalto, completamente amuado e abatido, enquanto ela, estoicamente, seguia em direção a uma multidão, que a saudava com “Dilma, Guerreira da Pátria Brasileira”.

Em instantes, falaria ao microfone, num púlpito improvisado no pé da rampa do Planalto, onde encerraria o ato com seu segundo discurso de resistência e resignação.

Dilma parece a mesma doce guerrilheira dos anos 60, com ânimo para denunciar a injustiça munida apenas de sua voz e a justa indignação dos perseguidos.

Saio dos meus pensamentos quando ela me pergunta a seguir sobre os nomes dos ministros de Temer. Queria saber o que estava dando a imprensa. Sua curiosidade é para saber quem havia sido indicado para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e para a pasta das Minas e Energia.

Informo que Marcos Pereira, presidente do PRB, evangélico ligado à Igreja Universal do Reino de Deus e ex-diretor da Rede Record, tinha sido convidado para o primeiro cargo. Um estranho personagem à frente de um ministério que tivera no comando o empresário e senador pernambucano Armando Monteiro Neto (PTB-PE).

– Incrível! – ela exclama. – Esse rapaz, o bispo, foi chamado primeiro para Agricultura, depois para Ciência e Tecnologia… Agora vai pro Desenvolvimento.

Digo que a tragédia do ministério Temer podia ainda ser pior, ao citar o caso do deputado Newton Cardoso Jr. (PMDB-MG). Filho do ex-governador de Minas Gerais, ele se anunciou no Facebook no dia anterior como ministro da Defesa, após se encontrar com Temer no Jaburu. Horas depois, a repercussão na imprensa foi inabalavelmente ruim. Valdo Cruz, ainda na Folha, deu a grita dos militares. Newtinho acabou vetado pelos militares para comandar as Forças Armadas. Era apenas mais uma das indicações estranhas do novo governo velho.

– Não há um notável – aponto.

– Só há notórios. Um CCC – diz.

Antes mesmo que eu perguntasse o significado da sigla, ela lista: “canalhas, calhordas e corruptos”. Seu semblante muda. Fica séria e eu toco no assunto das traições.

– Veja você, aquele rapaz. Pediu demissão do ministério na sexta e no domingo estava liderando a bancada pelo impeachment. Isso mostra a questão do caráter das pessoas.

A referência velada é ao ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro das Cidades, Gilberto Kassab, que seria confirmado por Michel Temer, naquele mesmo dia, pouco depois dessa conversa com Dilma, como o novo ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, na cerimônia que ocorreria em instantes no Palácio do Planalto.

Dilma foi apunhalada pelas costas não apenas por Kassab, mas também por muitos outros políticos. No início do governo Temer, havia pelo menos uma dezena de ex-ministros que serviram a ela. Alguns desses colaboradores, inclusive, muito próximos. Outros, nem tanto. Dilma cita os nomes de Moreira Franco e Eliseu Padilha, dois de seus ex-ministros que estiveram no centro da conspiração desde o começo. Mas a esses ela mesma nunca foi muito chegada. São apenas alguns dos políticos reconhecidamente sem votos. Dois dos conspiradores mais próximos de Temer.

O semblante dela fica mais carregado quando indago se tinha conhecimento de que Thomas Traumann vinha atuando como consultor de Moreira Franco, ex-governador do Rio adversário de Brizola nas eleições de 1982. O ex-porta-voz de Dilma e ex-ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República fora flagrado, semanas antes, visitando Temer em São Paulo, ao lado de Moreira Franco.

– Grande Thomas! Grande Thomas… Eu realmente fico pasma com a deslealdade e a traição – lamenta. – E, para não dizer, da falta de caráter.

Eu permaneço mudo. Dilma também, mas em seguida ela sorri novamente ao mencionar o nome de uma mulher de quem se afeiçoara.

– Mas também tive boas surpresas, como a Kátia Abreu.

Ela tem razão. A ex-ministra da Agricultura, que passou uma década fazendo oposição a Lula e aos governos do PT, veio a migrar do Democratas para a base de apoio ao governo Dilma depois da aprovação do Código Florestal, em 2012. No sábado, imediatamente anterior à Quinta-Feira da Traição, Dilma estivera com ela em Palmas, no Tocantins, inaugurando uma unidade da Embrapa. Um almoço na casa de Kátia, regado a vinho, marcou o último compromisso fora de Brasília de Dilma antes daquele fatídico “Dia D”, 12 de maio, o dia da consumação da grande conspirata. Kátia mostrou-se uma amiga leal até o fim daqueles dias.

Um colega da bancada do Tocantins da senadora fizera o papel de emissário das más notícias naquele 12 de maio. Cinco horas depois de receber a notificação das mãos do senador Vicentinho Alves (PR-TO), Dilma parecia leve, apesar do infortúnio que a afastou do cargo para o qual fora eleita em 2014 por 54,5 milhões de votos.

Começava, naquela estranha quinta-feira, mais uma etapa de resistência na vida da ex-guerrilheira e primeira presidenta da República, eleita por duas vezes pela maioria do povo brasileiro.

OLÍMPIO CRUZ NETO
Fonte: CONVERSA AFIADA - PAULO HENRIQUE AMORIM

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

POTIGUAR VIRGÍLIO GOMES DA SILVA, PRESENTE!


Virgílio Gomesda Silva, um POTIGUAR DE FIBRA! "Sua biografia transcende sua morte sua morte porque sua história faz parte das lutas históricas do povo brasileiro contra a miséria e a opressão.
Virgílio começou vencendo a miséria. Retirante saiu do Rio Grande do Norte nara Paulo,onde por meio das lutas sindicais, adquiriu consciência política e torou contato com as idéias do Partido Comunista Brasileiro.
Após a institucionalização da ditadura, processo iniciado a partir do golpe civil-militar, Virgílio passou a assumir posição destaca na luta contra a opressão, tornando-se um guerrilheiro da Ação Libertadora Nacional, organização cujos fundadores e líderes foram Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira.
Menos de um mês após ter comandado uma das ações mais espetaculares da luta de resistência contra a ditadura, o sequestro do embaixador americano, Virgílio. o"Jonas", da ALN, foi brutalmente assassinado sob tortura na sede da famigerada Operação Bandeirante. em 29 de setembro de 1969 e tornou~se oprimeiro desaparecido político brasileiro." -
Fonte: Edileuza Pimentel e Edson Teixeira. Apoio: CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC/RN - Presidente Eduardo Vasconcelos.

#SeLiga16: vamos mudar o país nas urnas! Tire o seu título de eleitor até 9 de maio



Campanha da UBES, que foi lançada junto com a Constituição de 1988, completa 30 anos

Ei, secunda, se você tem mais de 16 anos, esse é o momento para você se envolver na vida política e ajudar a decidir o futuro do seu país! Neste ano o Brasil terá eleições gerais e você pode participar das mudanças tirando seu título de eleitor até o dia 9 de maio.
O voto é o instrumento da democracia que nos permite frear os retrocessos que vivemos com o atual governo federal e com a falta de representatividade no Senado, Câmara e Assembleias de norte a sul. Por isso, a UBES encampa a campanha Se Liga 16 para conscientizar a juventude brasileira da importância de tirar o título de eleitor e participar das eleições.
A campanha está completando 30 anos e existe desde a promulgação da Constituição de 1988 quando o movimento estudantil coletou assinaturas para que o voto facultativo de jovens entre 16 e 18 anos fosse um direito constitucional previsto na lei.
Pedro Gorki, 17 anos e presidente da entidade, incentiva os jovens nesse sentido. Segundo ele, se a crise do nosso país é uma crise política, não há saída para essa crise fora da política: “Então aos 30 anos da campanha, vamos ocupar as escolas do brasil, para levar o debate sobre a política e principalmente levar o estudante para tirar o título de eleitor e decidir o futuro do nosso país.”
A UBES levará a campanha para as escolas, grupos de juventude e diversos espaços produzindo também uma plataforma eleitoral com as reivindicações dos estudantes secundaristas para os candidatos das eleições de 2018.

Como tirar meu título?

Para tirar seu título de eleitor, você precisa comparecer ao Cartório Eleitoral ao qual pertence a sua residência. Você pode conferir o endereço e tirar outras dúvidas, acessando o site do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de seu estado.
Para os jovens de 16 anos a 18 anos só é preciso levar o RG original e comprovante de residência em nome de um de seus responsáveis (conta de luz, água ou conta bancária, desde que apresente o nome).

Biometria

Os jovens que irão fazer o alistamento eleitoral facultativo já estarão aderindo à identificação biométrica. O novo sistema realiza a identificação do eleitor por meio das impressões digitais. A implementação do recurso está acontecendo aos poucos no país e mesmo nos municípios onde não é obrigatório o uso da biometria, quem for tirar o título já estará se adiantando no novo cadastramento.
Fonte: UBES

Executiva debate UNE Volante e convoca 66º CONEG para Junho

Fonte: UNE
Diretores de diferentes universidades do Brasil reunidos aprovaram resolução que convoca luta contra agenda neoliberal do governo
Nesta sexta-feira (23/02) os 21 diretores da Executiva da UNE se reuniram na sede das entidades estudantis na Vila Mariana em São Paulo e aprovaram a realização do 66º Conselho Nacional de Entidades Gerais da UNE para os dias 8,9 e 10 de Junho de 2018 na capital paulista.
“Vamos somar as principais lideranças dos DCEs, executivas de cursos e entidades estaduais de todo o Brasil para nos organizar contra a agenda neoliberal do governo e nos mobilizarmos dentro das universidades contra os retrocessos da educação”, destacou a presidenta da UNE, Marianna Dias.
A reunião debateu a conjuntura política do país, bem como a UNE Volante, uma caravana que vai percorrer 16 universidades de todas da regiões do Brasil a partir do mês de abril.
Sobre a conjuntura nacional os estudantes caracterizaram como preocupante a banalização do uso das Forças Armadas enquanto força policial no caso do Rio de Janeiro.
“ O processo de militarização de nossas vidas como o decreto de intervenção federal no RJ e o processo de perseguição política de figuras da esquerda representam a continuidade da agenda do golpe. É necessário que a UNE se mantenha atenta e construa a resistência frente ao golpe à democracia que se aprofunda no caminho do estabelecimento de um Estado de exceção”, destaca a Resolução de Conjuntura aprovada.
Os estudantes ainda denunciaram a seletividade do Judiciário e a “sangrenta e ineficaz política de guerra as drogas” em vigor no país.

MOÇÕES APROVADAS

Os estudantes aprovaram uma moção contra as novas leis do Fies que reduziram drasticamente o número de beneficiários, bem como burocratizou ainda mais o programa.
“Já se faz notório os primeiros impactos do novo Fies para a educação brasileira. As principais Universidades do Rio grande do Sul, por exemplo, não aderiram ao programa com as novas regras”.
Ele aprovaram também um manifesto em defesa da autonomia universitária em que rechaçam a ação judicial do MEC contra a Universidade de Brasília pelo oferta de uma disciplina do curso de Ciência Política intitulada: Golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil.
“Exigimos que o MEC retire essa ameaça que fortalece o obscurantismo na educação e pisoteia a liberdade das instituições produzirem conhecimento científico”.
Além disso, eles aprovaram uma moção que propõe audiências públicas para esclarecer uma resolução que afeta a atual Política Sobre Drogas no Brasil e a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).