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domingo, 3 de março de 2019

SENTIDO - Escolas militares, um modelo excludente de educação

Escolas militares disciplina
Só neste ano, no Distrito Federal, quatro escolas públicas passaram a ser geridas pela Polícia Militar
por Clara Assunção, da RBA 
Destaque em testes mascara a impossibilidade de contemplar todos os estudantes, além de outros problemas. “Não é uma boa escola a que pressupõe uma obediência cega”, afirma pesquisador da USP.
São Paulo — Todos os dias, até as 7h15, o estudante *Enzo precisa apertar o passo se quiser entrar no Centro Educacional (CED) 07 de Ceilândia, em Brasília. Do contrário, terá de aguardar até o segundo horário da aula enquanto escuta do "senhor tenente, sargento ou sub-comandante" uma série de advertências para que o horário não seja mais descumprido, caso contrário será impedido de entrar na escola.
A rotina com horários mais rígidos não é a única mudança a acompanhar o aluno de 18 anos que cursa o terceiro ano do ensino médio público. Desde o início do ano letivo, em fevereiro deste ano, a escola passou a ser gerida pela Polícia Militar, medida tomada pelo governo de Ibaneis Rocha (MDB).
Há ainda mais três colégios localizados em regiões que circundam o Plano Piloto, área central da capital federal, que compartilham desse novo modelo de gestão cívico-militar.
"Já estou há quatro anos nessa escola, vi de tudo. Para mim, a mudança foi boa", avalia Enzo, que em três meses terá de mudar o corte de cabelo para "máquina dois embaixo e quatro em cima", além de não poder usar mais brincos ou piercings e ter de vestir a típica farda militar. "Para manter o padrão", ressalta o estudante.
Ainda assim, a ideia de tornar todos "iguais" no quesito aparência não parece agradar ao conjunto de estudantes. No lugar de cabelos soltos ou qualquer penteado que queira, a estudante *Valentina, de 16 anos, que cursa o nono ano do ensino fundamental, terá de adotar o "coque", usar saia abaixo do joelho com a blusa para dentro, uma boina, sem fazer uso de brincos ou deixar as unhas crescerem.
"Tudo mudou", lamenta Valentina, quase um mês após a transferência. "E tem ainda a continência. Para mim, é algo desnecessário. Tem que ficar em pé, repetindo as mesmas coisas e reduzindo uns 40 minutos do tempo das aulas", acrescenta. A escola, no entanto, nega que a prática apontada por Valentina dure mais do que 15 minutos.
O principal argumento usado para apoiar o modelo se baseia na disciplina. A adequação do cotidiano escolar aos parâmetros militares ganha sentido para pais e alunos por criar a sensação de que, a partir dela, não ocorrerão transgressões.
Mas, no geral, a estudante do nono ano analisa que o que ocorre dentro dessa dinâmica é a privação da liberdade dos alunos. "Não estou falando que não precisa ter regras, ser algo bagunçado, mas não precisa disso tudo", diz.
MARCELO CAMARGO/EBC
Escola cívico-militar DF
Aluno do CED 7 Ceilândia (DF) havia novo modelo como positivo. Por outro lado, outra estudante cita privação
A opinião de Valentina encontra respaldo também na análise do docente da Faculdade de Educação e pesquisador no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), José Sérgio Fonseca de Carvalho. "É perfeitamente possível imaginar que as nossas escolas necessitam de mais disciplina, sim, mas uma disciplina para o estudo e não para a obediência", adverte o professor.
O culto à autoridade e a utilização de regras para reduzir as individualidades de cada aluno criam, na visão de Carvalho, uma espécie de "formatação social" que contém ainda o incentivo de "conformação à ordem estabelecida", de acordo com o professor.
"Não é uma boa escola esta que pressupõe uma obediência cega. Na escola tem de haver a busca pelas razões, a obsessão crítica. É assim que funciona a ciência, a democracia e, em certo sentido, é assim que funciona a escola, não o aparato militar que zela, por exemplo, para que cada um permaneça no seu lugar", destaca Carvalho.
Mesmo aprovando o modelo cívico-militar, Enzo confirma em parte a análise do docente. "A gente tem que obedecer algumas ordens. Aqueles alunos que não estiverem de acordo em obedecer podem pedir a transferência para outra escola", afirma o estudante.
Essa foi a saída encontrada pelo jovem *Miguel, de 18 anos. Nos últimos anos, a rotina de estudos do também aluno do CED 07 Ceilândia era toda cumprida no horário do matutino. Com a gestão militar, o estudante, que cursa o segundo ano do ensino médio, optou por ser transferido para o noturno, período em que a escola é gerida de forma regular.
"Que eu saiba, os policiais têm que fazer a segurança, não ficar dando ordem em ninguém", argumenta Miguel.
Mesmo com as críticas e controvérsias, o modelo é defendido pelo governo federal, que pretende incentivar a expansão dessas escolas por meio do Ministério da Educação.
Nova gestão, velhos problemas
Enzo, Valentina e Miguel são todos moradores de Ceilândia do Norte, bairro da região administrativa de Ceilândia, no Distrito Federal. O local não tem fama apenas pela recente gestão militar na escola da região, ou por abrigar boa parte da população do Distrito Federal, mas também por apresentar índices de criminalidade e violência que pesaram para que o CED 7 fossem escolhido pela polícia.
Estar sob uma nova gestão, no entanto, não impede que problemas anteriores continuem a ocorrer. De acordo com o estudante Enzo, sempre foi comum a ausência de professores no início do ano letivo com a reposição posterior, já com o semestre em andamento.
Quase um mês após o começo deste ano na escola, o estudante conta ainda não ter um professor de Geografia. Procurada, a instituição confirmou que há carência de um docente que ocupe 20 horas semanais. Já no noturno, falta ainda um professor para lecionar Filosofia, quando não, os alunos têm "aula vaga" porque o docente faltou, segundo Valentina.
Ao não contemplar problemas anteriores comuns a outros estabelecimentos de ensino público, o modelo militar pode criar dúvidas quanto ao argumento de que esse tipo de ensino consiga maiores êxitos nos vestibulares.
Na prática, o discurso já é contestado. Reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, com base nos resultados do Enem 2017, mostra que os institutos federais públicos têm resultados melhores que os das escolas militarizadas, sem apresentar a mesma rigidez nos métodos.
VALTER CAMPANATO/EBC
Militarização na educação
'A gente não precisa que todo mundo seja soldado, mas todos nós precisamos ser cidadãos', afirma José Sérgio








No entanto, o destaque nos testes padronizados de mensuração de aprendizagem alcançados por instituições federais ou militares mascaram todo um modelo que, na verdade, é excludente, ao não contemplar a totalidade de estudantes. Ambos fazem algum tipo de seleção, seja ela por meio de provas, sorteios ou pela forma com que vão lidando com alunos que não conseguem se adaptar ao nível exigido, muitas vezes os reprovando ou expulsando.
"Um ponto é que essas escolas sempre foram a escola pública da elite", explica o professor e pesquisador da USP. "Fica um grupo muito seleto e relativamente homogêneo, que não é a realidade da maior parte das escolas, por isso o desempenho final desses alunos tende a ser maior".
As condições socioeconômicas e o grau de escolaridade dos pais também são dois agentes que podem indicar uma tendência de desempenho nos estudantes, ainda mais quando o papel da escola está reduzido à performance nos vestibulares, ao contrário dos pilares que a fundaram.
"A questão é como a nossa escola pode ser uma boa escola para todos. O sentido próprio da escola é intelectual, de convivência numa sociedade plural, da criação da palavra como um elemento de mediação. Essa é a herança que a nossa geração tem que deixar para a próxima", ressalta Carvalho. 
Enzo, que no final deste ano prestará o Enem para buscar uma vaga em um curso universitário de Administração, afirma esperar que na escola esteja sendo educado para ser um "cidadão". Mas, para o professor Sérgio Fonseca, o incentivo ao ensino militar pode justamente colocar esse objetivo em xeque. "A razão pela qual ele (ensino militar) é rejeitado sobretudo na França, no século 19, é pela incapacidade que tinha de acolher a totalidade da população", observa.  "A gente não precisa que todo mundo seja soldado, mas todos nós precisamos ser cidadãos."
(*) Os nomes dos estudantes foram omitidos a pedido deles  

Carnaval como forma de protesto político

“Eu quero é botar meu bloco na rua. Gingar, pra dar e vender.” Quando Sérgio Sampaio compôs essa música, em 1976, com alto teor político embutido, não imaginou que quarenta e três anos depois o Carnaval se tornaria, ele mesmo, um ato político.
Por Alexandre Putti, na CartaCapital:
Essa transformação da festa popular não surgiu agora. O Carnaval de rua vem ganhando força – não necessariamente política – nos últimos anos, principalmente nas grandes capitais. Em São Paulo, por exemplo, o aumento foi de mais de 60% em relação ao ano passado. Maior crescimento comparado com outras cidades.
Essa alta ocorreu ao mesmo tempo em que o Brasil entrou em uma crise política. Passou da crise para o embate e do embate para um quase circo. Nada mais justo, então, que a festa mais famosa do País ganhasse um viés ideológico – que o presidente não nos ouça.
Transformar luta em festa é algo recorrente na nossa história. Quando analisamos a trajetória do samba, do jazz, do rap e do funk, por exemplo, vemos que esses ritmos vieram da resistência nas periferias, a qual as pessoas cantavam e dançavam para terem suas vozes ouvidas.
Assim nasceu a Batekoo, uma festa que traz toda a cultura negra das periferias para as pistas. O projeto nasceu em 2015 na cidade de Salvador. O sucesso foi tanto que logo se expandiu para diversas cidades, chegando a São Paulo e no Rio de Janeiro no mesmo ano.
O produtor e um dos idealizadores do evento, Artur Santoro, conta que a ideia surgiu de uma ausência: a falta de festas negros LGBTs, que tivessem uma proposta interseccional contemplando corpos negros.
A Batekoo virou bloco e esse é o terceiro ano consecutivo que eles vão para as ruas, porém, é o primeiro ano que conseguem um patrocínio. “Nos dois primeiros anos do bloco, tivemos que custeá-lo com o nosso próprio dinheiro. Esse é o primeiro que realizamos com apoio financeiro da Skol”, conta Artur.
“Uma das maiores dificuldades é arranjar apoio financeiro de marcas para concretizar seu bloco. Infelizmente, muitos blocos são cancelados por conta dessa falta de orçamento”, afirma. O bloco da Batekoo acontece dia 09 de março, no Rio.
Ninguém solta a mão de ninguém
Artur sentiu um aumento em relações aos blocos que utilizam seu tema em forma de protesto. No Rio, esse crescimento acontece de uma forma mais tímida, mas quando falamos de Escolas de Samba, a cidade maravilhosa lidera. No ano passado, a Paraíso do Tuiuti denunciou o golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff e os ataques aos direitos trabalhistas.
A escola levou para a Marquês de Sapucaí um vampiro com uma faixa presidencial, representando o ex-presidente Michel Temer. A Beija-Flor deu um recado claro contra os corruptos, a intolerância e a violência. A Mangueira não usou sutilezas para criticar o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, que apareceu na avenida representado como um boneco de Judas.
Neste ano as críticas continuam na avenida. Veremos enredos criticando a política, a ganância, denunciando a intolerância religiosa e muitas laranjas – afinal, é a cor do atual governo.
Voltando para os blocos em forma de protesto, São Paulo é a cidade que lidera nesse tipo de folia. Só na capital paulista serão 17 arrastões com temas sobre feminismo, luta LGBT, visibilidade negra e muito mais.
Além desses, que carregam a militância em seu tema, existem vários outros que acabam abraçando todas as lutas e se transformam em um espaço diverso de pessoas e ideias. “O momento que o país vive agora exige mais posicionamento, mais autenticidade e mais compromisso social”, conclui Artur Santoro.
Arrastão dos blocos na cidade da garoa
O ano era 2016 e o impeachment da então presidenta Dilma estava sendo discutido no Congresso Nacional. Trinta blocos da cidade de São Paulo resolveram se unir para protestarem contra o afastamento da petista.
Esse encontro deu início ao Arrastão dos Blocos e hoje eles abraçam todas as causas. É o que nos conta a organizadora Lira Alli, que além de fazer parte da produção do Arrastão, promove também o bloco Vai Quem Qué.
Cabem nessa junção de folia com protesto os blocos feministas, comunistas, LGBTQ+, negros e de todos que trazem assuntos sobre a conjuntura nacional e também questões políticas do Carnaval na cidade de São Paulo.
“Desfilaremos e ocuparemos as ruas da cidade de São Paulo num Carnaval defendendo a liberdade, a alegria e a democracia. Traga seu instrumento, sua voz, seu corpo e venha brincar com a gente”, dizem os organizadores.
Esse ano, o desfile do Arrastão dos Blocos acontece no último dia do Carnaval, na noite da terça-feira 5. O local não é divulgado, apenas no boca a boca.
Toda menina baiana
O aumento dos blocos de rua nas principais cidades do Brasil é um fato, algo que pode ser contabilizado pelas inscrições nas prefeituras. Não há como contabilizar se houve um crescimento de blocos que utilizam a folia em forma de protesto, mas eles estão por aí, saindo às ruas para arrebatar foliões que querem se divertir e manifestar em favor de uma causa.
É o caso do Trio Respeita As Minas, bloco de Salvador idealizado em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres da cidade. Esse é o primeiro ano que o bloco chega ao Circuito Barra Ondina, principal ponto da capital baiana.
O trio sai nesta sexta-feira 01 de março. A música ficará por conta da cantora Larissa Luz, ao lado de Luedji Luna e Xênia França, no projeto Aya Bass, uma celebração do talento, da força e das vozes de mulheres negras.
Salvador está passando por uma grande transição carnavalesca. O modelo dos grandes camarotes e blocos gigantes, que acabam gerando uma segregação de classe muito forte, está em crise. É o que conta a jornalista Mônica Santana. A baiana assessora alguns blocos da cidade, incluindo o Respeita as Minas, e luta para conseguir mais visibilidade para esses movimentos. “O Carnaval de rua com blocos independentes está cada vez mais ganhando fôlego. Eles acontecem, mas ainda fora do circuito principal”, avalia Mônica.
A divulgação desses blocos também é algo que ainda não acontece como nos outros que desfilam nas avenidas principais. A jornalista conta que só quem é da cidade fica sabendo desses encontros e isso acaba perdendo força.
Por mais que Salvador tenha um bloco feminista ligado à prefeitura, a cidade ainda está longe de ser referência para blocos que carregam uma luta em seu tema. É o que nos conta Adrielle Coutinho. Ela é produtora de eventos e tentou levar o bloco da Batekoo para a capital baiana e acabou não conseguindo por falta de incentivo e patrocínio.
“Não conseguimos porque é uma questão extremamente burocrática aqui em Salvador, caso não tenha apoio de uma grande marca. Tratamos diretamente com o jovem negro e periférico, aqui até pra considerar algo precisa ser higienizado”, conta Adrielle.
Além do Respeita as Minas, Salvador conta com outros blocos que fogem da ótica comercial e trazem questionamentos. É o caso do Ilê aye, Cortejo afro, A Mudança do Garcia, A Mulherada, Filhos de Gandhy só para citar alguns, mas são blocos antigos, que lutam para sobreviver. “O que existe não é um crescimento e sim uma renovação”, conclui a baiana.
As caravanas
O Carnaval sempre foi um motivo para incentivar o turismo pelo país. Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife entre outras cidades são os principais destinos escolhidos para o feriado. E o motivo dessa procura sempre foi quem tem a melhor folia. Nada mais justo.
Com o aumento da festa em forma de protesto, existem foliões que estão definindo seus destinos baseados na militância dos blocos. É o caso da publicitária Marina Sansão, que mora em Piracicaba e decidiu passar o Carnaval em São Paulo para poder participar dos blocos feministas.
“O Carnaval sempre foi um ambiente de muito assédio e não muito seguro para as mulheres. Quando estamos juntas, curtindo a folia, mas também lutando por nossos direitos, eu consigo me sentir segura”, conta.
Com 26 anos de idade, essa é a primeira vez que ela vai passar o feriado na terra da garoa. “Nos últimos carnavais eu fui para o Rio de Janeiro, e agora escolhi São Paulo para conhecer de perto esses blocos”. O bloco que Marina mais quer participar é o Pagu, que aposta na união e na resistência feminina e desfila na cidade no dia 5 de março, na Praça da República.
Assédio é crime

O Carnaval de 2019 é o primeiro após a importunação sexual ter se tornado crime. A Lei 13.718/18 estará em vigor e se alguém praticar atos libidinosos – de cunho sexual, como toques inapropriados ou encoxadas – sem consentimento da vítima pode ter pena de um a cinco anos de prisão.
Se passar por algum tipo de situação de assédio, discriminação ou violência, procure um ponto de apoio da prefeitura e denuncie.
Fonte: CartaCapital

E assim, em janeiro de 2019, foi extinto o Ministério da Cultura


#RIPMINC

POR AFONSO BORGES

No dia dois de janeiro de 2019, voltamos ao ano de 1982,onde um grupo de artistas, políticos e intelectuais, entre eles, José Aparecido de Oliveira, Fernanda Montenegro, Ângela Gutierrez e Celso Furtado, esquadrinharam os motivos para se fundar o Ministério da Cultura. O principal deles: é parte integrante do processo civilizatório.


Não há justificativa plausível para a fusão do MinC com quaisquer outra Pasta de Estado. Em primeiro lugar, não cabe a alegação de Economicidade, porque hoje, o Ministério gasta, em matéria de custeio,  quase nada do orçamento da União. Ele já é, portanto, por si só, super econômico. Sem falar nos habituais contingenciamentos, que reduziram o seu orçamento a menos da metade. Sua estrutura administrativa já é, por força de reestruturações passadas, a menor de todos os seus pares. Não há como, do ponto de vista estrutural, diminuir setores ou cargos. Ao contrário, o MinC necessita da contratação de técnicos  para atualizar seu passivo, principalmente, no setor de prestação de Contas.

Nesta hora, é fundamental conhecer o passado, para se entender o futuro. A Cultura brasileira compartilhou a Pasta da Educação de 1953 a 1985. A decisão de separar a área foi estruturada em sólidos alicerces jurídicos e constitucionais – não foi uma uma aventura. Celso Furtado, José Aparecido de Oliveira e outros importantes intelectuais corroboraram a tese da necessidade estrutural da criação de um Ministério em separado, dada a complexidade do setor; dada a importância identitária do setor;  dada a importância econômica e fiscal para a Economia brasileira e, principalmente, dada a sua imensa diversidade, composta na gama de temas inerentes a ele.
No mundo moderno, o Ministério da Cultura tem papel holístico decisivo junto às outras esferas de Governo e assim atua de forma exemplar. O músico e ex-Ministro Gilberto Gil trouxe à mesa a questão da tridimensionalidade da Cultura, entendida nas dimensões econômica, social e simbólica.  Montado este tripé, o desenho do protagonismo da Cultura é visível e imprescindível.

Senão, vejamos – é crucial na segurança pública e na violência urbana, agindo em mediação de conflitos e na educação de menores infratores; fundamental na Educação, nos projetos de literatura e incentivo ao hábito da leitura, além da atuação de aéreas como teatro, cinema e dança como linguagens indissociáveis da esfera educacional; no meio ambiente, a cultura indígena é indissociável do patrimônio imaterial e de identidade do País. Além disso, os parques nacionais, museus a céu aberto e outras ações que se misturam com a área cultural são parte integrante do dia a dia dos cidadãos; é fonte permanente de recursos para o País no setor do Cinema, hoje, uma verdadeira indústria; e o Turismo é parte inseparável da Cultura – basta lembrar que o Patrimônio Histórico Brasileiro está sob o guarda-chuva institucional do MinC.

A formalização de um Ministério dedicado exclusivamente à Cultura não foi um acidente de percurso. Ela  veio para atender à demanda da enorme diversidade desta área. A Cultura já viveu décadas acoplada à Educação e foi necessária a separação por razões muito bem fundamentados. Entre elas, o alegado para este retrocesso: economia. Não se faz economia ao juntar estas áreas. Ao contrário – se faz economia ao incentivar este setor que é hoje, um dos que mais cresce, gera empregos e impostos. A Economia Criativa da Cultura devolve à sociedade, em termos de impostos, negócios e empregos, cerca de 2,64% do PIB, ou seja,  R$ 10,5 bilhões de impostos federais diretos, 1 milhão de empregos formais e 9,1% de taxa média anual de crescimento no período 2012/2016, segundo dados oficiais. Para que todos entendam mais claramente: os eventos aprovados na Lei Rouanet e patrocinados por empresas são um investimento que devolvem à sociedade recursos na ordem de 1 para 150 reais. É muita coisa!

Por fim, há o assunto da identidade do brasileiro e a diversidade da nossa cultura. Identidade é a impressão digital de um povo. E a arte e a cultura, a alma. Uma alma que ama a música, o teatro, a literatura, a dança, o circo, a ópera, o congado, artes plásticas e tantas outras manifestações. E um Ministério da Cultura as representa.

Fonte: https://blogs.oglobo.globo.com
Adaptado em 03/03/2019 pelo Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN

CONTAGEM REGRESSIVA - FALTAM 05 DIAS PARA O SEMINÁRIO "COMO FICA A CULTURA BRASILEIRA SEM O MINISTÉRIO DA CULTURA (MINC)?" DIA 29/03 NO IFRN DE SANTA CRUZ/RN - CONFIRA A PROGRAMAÇÃO!!!

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Imagem do Google

"Prego batido!" - Confirmado o local do próximo Seminário de Cultura do CPC/RN, será dia 29 de março do ano em curso no Auditório do IFRN de Santa Cruz, capital da Região do Trairi Potiguar.

Serão aproximadamente 100 (cem) inscrições entre estudantes, artistas culturais, sindicalistas e convidados/debatedores..

Não haverá cobrança de taxas e todos terão DIREITO a Certificados com carga horária de 8 (oito) horas.


PROGRAMAÇÃO

sábado, 2 de março de 2019

UNE e UBES se manifestam no Senado e são reprimidas pela polícia

Senado
Ministro recua sobre carta nas escolas, mas que lotar salas de aula nas universidades públicas
Na última terça-feira (26/2) as diretoras da UNE, Bruna Brelaz; e da UBES, Stefany Kovalski foram ameaçadas de serem expulsas da Audiência da Comissão de Educação do Senado no qual Ricardo Vélez, Ministro da Educação, se fez presente.
As estudantes queriam se manifestar pacificamente fazendo cartazes e mordaças (em alusão ao projeto Escola Sem Partido) que foram brutalmente arrancadas das mãos delas.
“Tentaram impedir nossa manifestação e presença. Viemos dizer que somos a favor da Educação Pública, Democrática e Sem Mordaça, e contra toda tentativa de desmonte desse setor. Infelizmente, esse governo vai de contra aos princípios que citei. Os estudantes lutarão até o fim para que não se dê nenhum passo atrás no que tange a luta para defender o Brasil e seu desenvolvimento a partir da educação”, afirmou Bruna.
Assista ao vídeo:

Graças à pressão do movimento estudantil e da sociedade, nesta terça-feira (26/2) o ministro da Educação, Ricardo Vélez, reconheceu que errou ao pedir para que estudantes fossem filmados durante leitura de uma carta sua com o bordão eleitoral de seu partido.
A declaração do ministro aconteceu na chegada a uma audiência da Comissão de Educação no Senado, onde estudantes foram reprimidos ao protestar contra a gestão Vélez com cartazes e mordaças. “Queremos ouvir o que o ministro tem a dizer, nosso protesto é silencioso”, denunciou Stefany Kovalski, diretora de Comunicação da UBES, presente no Congresso. Mesmo assim, cartazes não puderam ser exibidos e funcionários da Casa tentaram retirar à força mordaças de estudantes presentes.
Para Stefany, a falta de planos apresentada durante a audiência, marcada para que o ministro apresentasse diretrizes da pasta, mostra o porquê da insistência deste Ministério da Educação com a “Lei da Mordaça”. Durante a sabatina, ele não detalhou nenhum plano nem comentou sobre Plano Nacional de Educação (PNE) ou Fundeb.
“Este programa ‘Escola Sem Partido’ representa apenas censura, retrocesso e falta de projetos concretos para melhorar nossas escolas”, diz Stefany.

#MinhaEscolaDeVerdade

Enquanto Vélez pede que diretores de escola filmem a execução do Hino Nacional após a leitura de uma carta sua saudando “novos tempos”, a UBES incentivou nesta terça uma campanha #MinhaEscolaDeVerdade, para que sejam filmados os graves problemas da escolas brasileiras. 
https://www.facebook.com/ubesoficial/videos/2213392148708809/
“Será mesmo que a prioridade do Ministério da Educação do nosso país deve ser gravar estudantes cantando o hino nacional?”, questiona o presidente da UBES, Pedro Gorki, em vídeo sobre a campanha. Para a entidade, deveriam ser prioridades da pasta valorização de professores, cumprimento do Plano Nacional de Educação e renovação do Fundeb.
Muitos estudantes têm participado, publicando vídeos de tetos caindo, goteiras e espaços tomados por mato, por exemplo.
“Nós, estudantes, não queremos apenas cantar o hino nacional, mas sim construir uma grande nação e a escola pública dos nossos sonhos”, afirma Gorki no vídeo sobre a campanha.  

Dica da UBES:

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SEM CARETICE - 'Não vão mais conseguir encaixotar o carnaval'




Carnaval de São Paulo
'A gente está organizado, porque o povo estabeleceu o carnaval', diz Zé Ed, do Tarado Ni Você
Apesar de temerem a repressão no novo cenário político, representantes dos blocos Tarado Ni Você e Ritaleena creem que a festa popular está estabelecida em São Paulo.
São Paulo – O novo cenário político, com um viés de repressão e conservador, traz novos desafios para os blocos de rua no carnaval de São Paulo. Entretanto, organizadores acreditam que a festa popular já está estabelecida e nada vai acinzentar a farra. "Eles não vão mais conseguir encaixotar o carnaval", afirma Zé Ed, um dos responsáveis pelo Tarado Ni Você.
Os organizadores dos blocos lembram que, através da gestão de Fernando Haddad (PT), a festa mais popular do Brasil pôde ganhar espaço e força na capital paulista. "Era proibido fazer carnaval aqui", diz Mari Santos, também organizadora do Tarado Ni Você. 
Após a Prefeitura elaborar uma política pública sobre o tema e publicar um decreto reorganizando a folia, a data se firmou na cidade. "A gente está organizado, porque o povo estabeleceu o carnaval", diz Zé Ed. Por outro lado, os organizadores demonstram preocupação com o aumento da repressão por parte da polícia e do governo. 
"Nós ficamos preocupados com a espontaneidade, com os grupos pequenos. Por exemplo, a repressão contra a Fanfarra Clandestina. Eles não vão atacar algo já estabelecido, mas esses grupos pequenos", acrescenta ele, ao lembrar da ação policial que apreendeu instrumentos musicais e agrediu uma foliona, durante o cortejo na Praça da República, centro da capital, no último sábado (23).
A musicista Alessa, do bloco Ritaleena, afirma que o cenário político inspirou o mote do cortejo deste ano: "Mutar e não mitar", em homenagem às "mutações" da cantora Rita Lee e contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL). 
"Queremos convidar as pessoas para serem mutantes e enfrentar os novos tempos, que serão pesados para nós, que trabalhamos com carnaval e direitos humanos. Precisaremos de habilidades novas para esse novo capítulo", afirma Alessa.
A política também nunca se separou do Tarado Ni Você. Em 2018, contra o conservadorismo e pelas liberdades individuais, eles marcharam com o tema "Profane". Zé Ed afirma que a festa é o principal exercício de liberdade do cidadão.
"O carnaval tem o papel de lembrar que a caretice e o conservadorismo não têm o menor cabimento para nós. Antes do carnaval, todo mundo sofre com o medo de repressão por sermos o que somos", avalia.
Nesta sexta-feira (1º), os dois blocos paulistanos lançaram o EP Encarna. As três músicas do disco estão disponíveis nas plataformas digitais. O projeto é de produção autoral dos próprios blocos e traz as sonoridades samba e funk carioca.
Na região central, o bloco Tarado Ni Você percorre o famoso cruzamento das Avenidas Ipiranga e São João, na região central, no sábado (2), a partir das 11h. Já o Ritaleena desfila no domingo (3), a partir das 14h, na Rua Borges de Figueireido, no bairro da Mooca, zona leste.

Ouça a entrevista na íntegra

Fonte: REDE BRASIL ATUAL

Era só o que faltava: Deputada quer censurar artes visuais

Sem ter o que fazer, a deputada Cantora Mara Lima (PSC), colega da Ministra do Azul e Rosa, pede para que a Assembleia Legislativa aprove um projeto de censura e criminalização nas artes visuais do estado. Na tentativa de agradar eleitores evangélicos, lembrando que a proposta de autoria do  deputado Ricardo Arruda (PSL), também propagador da fé evangélica, é a mesma utilizada pelo Movimento Brasil Livre (MBL) para o fechamento do Queermuseu, em Porto Alegre em 2017.
A censura e até criminalização da arte podem virar realidade e chegara a museus do Paraná. A deputada Cantora Mara Lima (PSC), que não revelou e nada disse se ela teria recebido a “ideia” em um pé de frutas, pede para que a Assembleia Legislativa aprove tal projeto que impõe uma classificação indicativa para exibições de arte, exposições e eventos culturais congêneres. Com a palavra – seus pares.
Perigos da censura e do avanço conservador para a democracia
A deputada cantora evangélica, faz nos lembrar e refletir sobre a enxurrada de ataques às obras de arte expostas nos espaços culturais pelo Brasil, partindo de um discurso que desqualifica a arte contemporânea por seu conteúdo, ao exemplo do que fez Hitler ao taxar algumas obras de “arte degenerada”. Ela, a deputada cantora, escamoteia e joga em poço profundo a laicidade tema esquecido dentro do cenário político do país, infelizmente não sendo nada tímido o crescimento de pensamentos e bancadas nos parlamentos e de falas nos espaços legislativos, de profissão de fé cristã e pentecostal. Essa atitude não é um caso isolado infelizmente. Seria vital e saudável a democracia, que ecoasse a indignação contra posições como as que o deputado missionário e a deputada cantora evangélica propõe que no fundo não tão fundo é de heteronormatividade, patriarcal e moralista oxigenando o microbio da censura e a criminalização da arte. Vade Retro !!
Cláudio Ribeiro
Jornalista – Compositor

Justiça condena Doria e prefeitura por remoção de grafites

São Paulo – Mural do grafiteiro Eduardo Kobra na Avenida 23 de Maio (Rovena Rosa/Agência Brasil)
A Justiça paulista condenou o ex-prefeito João Doria (PSDB), atual governador do estado, e a prefeitura de São Paulo ao pagamento de uma indenização no valor de R$ 782,3 mil pela remoção do mural de grafites da Avenida 23 de maio. O caso ocorreu em fevereiro de 2017, primeiros meses de Doria no Executivo municipal. O valor será revertido ao Fundo de Proteção do Patrimônio Cultural e Ambiental Paulistano (Funcap).
Na decisão, o juiz Adriano Marcos Laroca, da 12a Vara da Fazenda Pública, considera que a iniciativa deveria ter sido submetida à análise do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp).
“Esse conselho deveria estabelecer ou fixar diretrizes a serem obedecidas na política de preservação e valorização dessa criação artística, portadora de referência à identidade e à ação da população periférica da Capital, como integrante do patrimônio cultural imaterial paulistano, no mínimo”, diz a sentença
Histórico
Inicialmente, as laterais da avenida foram pintadas de cinza para, posteriormente, ser colocado no lugar um jardim vertical. Para o juiz, o ato configura como censura à manifestação cultural ali exposta anteriormente. “Uma preocupação do espaço público, que, a pretexto de proceder à legítima zeladoria urbana, lesionou patrimônio cultural imaterial de São Paulo”, disse o magistrado.
O juiz argumenta que a Constituição de 1988 conferiu aos direitos culturais um sistema específico e autônomo, “eliminando, na medida do possível, a histórica dependência entre as manifestações culturais e o governo de plantão”, diz o texto.
Como direitos culturais, o magistrado cita liberdade de manifestação, sem censura ou licença; gestão democrática da política cultural; fomento estatal à cultura, quando necessário, para redução de desigualdades e ampliação da participação e acesso à vida cultural.
Outro lado
Por meio de nota, a defesa do governador João Doria disse entender que a sentença é nula, pois ele não teria sido formalmente citado. Informa ainda que apresentará recurso ao Tribunal de Justiça com a finalidade anular a sentença e o processo.
A prefeitura de São Paulo informou, por meio da assessoria de imprensa, que não foi notificada e que, quando for oficialmente comunicada, recorrerá da decisão.